sábado, 17 de setembro de 2016

SOVIBOR — Garrafeira '2002

Cor granada, de saturação média a alta — bonita.

Limpo, mesmo logo depois de servido, está um tinto de volume e amplitude medianos, com fruta bastante transformada e muitos aromas de evolução: mais perceptíveis, frutos secos, ligeiro ranço e folha de tabaco.

Em todo o caso, ainda bem vivo, aliás, mais virado para a firmeza que para a complexidade, a acidez um pouco desenquadrada, como se não existisse substância — meio — suficiente para a acompanhar.

Surpreendeu, no entanto, a meia garrafa deixada para o dia seguinte. Após quase vinte e quatro horas na porta do frigorífico, vedado apenas com a sua própria rolha, pareceu-me mais saudável, de proporções mais equilibradas. Francamente bom!

Foi feito com Trincadeira e Alicante Bouschet, o mosto fermentado em contacto com as películas, a que se seguiu meio ano em barrica, antes do engarrafamento.

Abri a garrafa nº 11736 de 20000 produzidas.

Acompanhou feijoada.

9€.

16,5

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Pere Ubu — New Picnic Time

This doesn't seem to be a very happy person
This says, pain
Cigarette smoke
This says, pain

This doesn't seem to be a very happy person
This says, pain
This says
Shuffle



Stop striving
Stop,
Stop striving
Useless
Give up
Come home
This says, goodbye

Up
Throw it all up in the air
Crash
Psshhh
Bang-bang
Bang!


#8 — Goodbye

domingo, 11 de setembro de 2016

Kopke — Reserva '2011 (Branco)

Ainda melhor que o Quinta de la Rosa do post de 5/9, com o qual possui inevitáveis semelhanças, foi este Kopke "Reserva", bebido no mesmo dia.

Arrefecido na porta do frigorífico, verti-o num decantador imediatamente antes de servir.

Directo ao assunto, que grande presença! A pureza, a força, a persistência!

Com quase cinco anos de idade e 14% de volume alcoólico, surpreendeu de tão fresco, a madeira perfeitamente integrada.

Limpos e muito bonitos, aromas de menta e erva-cidreira a envolver a fruta, que me recordou banana e pêssego. Mais doces, florais e abaunilhados em fundo.

Grandes são as alegrias que estes brancos "Reserva" proporcionam quando vivem o suficiente para integrar a madeira onde se fizeram, sem amochar!

Fermentado e estagiado em carvalho francês, teve origem nas castas Viosinho, Arinto e Folgazão — que também já vi escrito Folgasão, regionalismos durienses para o Terrantez.

Acompanhou um frango de churrasco extraordinário.

12€.

17,5

quinta-feira, 8 de setembro de 2016








Faz hoje três meses.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Quinta de la Rosa — Reserva '2012 (Branco)

Os brancos do produtor da vila de Pinhão não me são estranhos, mas, de alguma forma, nunca aqui veio parar nenhum.

As uvas deste provieram de vinhas velhas, com castas misturadas: 35% de Viosinho, 35% de Rabigato e quantidade não negligenciável, mas também não especificada, de Gouveio e Códega do Larinho, entre outras.

Metade do mosto fermentou e envelheceu em barricas; o restante, em cubas de inox. Foi engarrafado em Maio de 2013.

De cor ainda citrina, encontrei-o redondo na textura e vivo de acidez, com paladar agradavelmente seco e prolongado.

Após uma primeira impressão predominantemente floral e abaunilhada, perfume de barrica, mostrou-se mais cítrico, nuclearmente cítrico, e verde, folha e casca de limão, a par de sugestões de pedra e humidade — levou-me a um lugar fresco, onde corria água.

Fez lembrar, de certa forma, um Rioja de recorte clássico.

Ora, como para mim isto é "estar no ponto", apenas poderei recomendar que se beba.

10€.

17

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Vista Alegre — Reserva '2012 (Branco)

O contra-rótulo di-lo elaborado "a partir das castas brancas tradicionais do Douro, com predominância de Viosinho, Arinto, Gouveio e Rabigato".

As uvas vieram da Quinta da Lameira, propriedade da Vallegre sita no Baixo Corgo.

Parte do lote fermentou e estagiou em barricas usadas, de carvalho francês.

Está essencialmente limonado, com toque manteigoso.

Arredondado pelo tempo, já absorveu completamente a madeira.

Um vinho gordo, intenso, opulento na boca.

Mas também, e é pena, muito mais vivo que persistente.

Beba-se quanto antes.

6€.

15,5

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O Passado é enorme; tão grande, que parece uma espécie de infinito.

O Futuro é enorme; tão grande, que parece uma espécie de infinito.

O Presente é pequeno; tão pequeno, que parece uma espécie de nada.

***

Mas o Passado passou. E para sempre. Nunca mais volta. Por isso o Passado é nada; ou uma espécie de nada.

***

O Futuro ainda não nasceu; mas nem nunca nasce, pois quando nasce é Presente, já não é Futuro. Por isso, o Futuro é nada; ou uma espécie de nada.

***

O Presente é pequeno; é minúsculo; tão minúsculo, que parece uma espécie de nada.

Mas eis que esta espécie de nada — o Presente — afinal é uma espécie de tudo: pois tudo, do Passado se quiser ser ressuscitado sob forma de Saudade; do Futuro se quiser ser pressentido, ou ante-vivido, sob forma de Esperança; tudo, tudo tem de ir bater à portinha da casinha do Presente, a pedir entrada; a pedir acolhimento; a suplicar umas migalhas... umas horas... uns minutos... de caridoso albergue; de necessária estadia.



Vicente Sanches,
49 Aforismos ou: — Aforismos 49 mas se preferem por extenso: Quarenta e Nove Aforismos ou Aforismos Quarenta e Nove.

sábado, 27 de agosto de 2016

Ernest Wein — Riesling '2014

Um Riesling com carácter, este alsaciano da Cave des Vignerons de Pfaffenheim, quanto mais não seja, na medida em que a casta se deu a perceber logo desde a primeira cheirada.

Servido frio, directo da garrafa, mostrou corpo fino e fresco, paladar seco, com muitos citrinos — mais para o lado do limão amargo que da laranja doce — a mudar, com o tempo, para nectarina e afins, um pouco de gengibre e flores brancas.

Pareceu-me existirem tímidas sugestões de doçura, mas nada mais que isso: sugestões.

Simples e polido, é um trabalho industrial de qualidade, de que gostei sem reservas.

Quase ao nível de um Dr. Loosen de base, mas a metade do preço, não admira que tenha esgotado num ápice.

Acompanhou sushi trazido da rua, deste, e ficou deveras engraçado com as algas que cobriam os rolinhos "alaska" e a menta fresca dos "spring roll salmon fresh".

5€.

16

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Casa da Passarela — Reserva '2009

Este 2009 foi o último "reserva" do produtor lançado com a imagem que — passe a redundância — se pode ver na fotografia.

É que, a partir de 2010, os produtos da casa em apreço ganharam outras cores e histórias: até o nome do produtor ganhou um "l", mais à antiga portuguesa: assim.

À margem das quimeras do pessoal do marketing, o vinho, a caminho dos 7 anos, mantém a graça: estrutura, frescura e equilíbrio quanto baste.

A fruta continua firme e limpa, tingida apenas por ligeiros almiscarados que remetem a imaginação à vida privada de certos pequenos mamíferos.

Na linha do 2008, mas talvez um furito acima dele, está um muito bom tinto, ainda sem fim à vista.

Empurrou um estufado de javali preparado pelo António.

6€.

16,5

domingo, 21 de agosto de 2016

Filmes (73)

Püha Tõnu Kiusamine (The Temptation of St. Tony)



Aqui presenciamos a jornada de um chefinho, transmitida pelo singular Veiko Õunpuu. Um filme que, visualmente, terá algo a ver com este.