domingo, 19 de março de 2017

Solanera — Viñas Viejas '2012

Nunca tinha bebido nada provindo da denominação de origem Yecla, localizada no nordeste da província de Murcia.

70% Monastrell (Mourvèdre), 15% Garnacha Tintorera e 15% Cabernet Sauvignon. Segundo o produtor, as cepas das duas primeiras castas referidas têm cerca de 40 anos e o Cabernet, metade dessa idade.

Gerou-se certo hype à sua volta quando Robert Parker lhe atribuiu 94 pontos em 100 possíveis, em Novembro de 2013. Não morro de amores pela parkerização e seus derivados, mas compreendo que tantos pontos suscitem interesse, então tratando-se de um vinho relativamente barato.

Servido directamente da garrafa, a 16 °C.

A cor, granada, escura, não retinta.

Logo depois de aberto, bouquet de amora, mirtilo e ameixa: não como aqueles espécimes desengraçados, acídulos, que habitualmente se encontram nos supermercados: fruta escura, doce, seca ao sol. Alguma compota. Especiarias. Fumo, barrica já assente (estagiou 10 meses em carvalho francês e americano).

Intenso, mas também macio, de corpo largo. Ainda firme, com acidez suficiente. Persiste denso, com insinuações de grandeza.

Enfim, algo diferente daquilo que costumo consumir. Fácil, mas genuinamente rico. Bem fixe.

12€.

16,5

quinta-feira, 16 de março de 2017

segunda-feira, 13 de março de 2017

Vista Alegre — Colheita '2000

Engarrafado em 2014.

Tem cor acastanhada, bastante densa e escura, tendo em conta tratar-se de um tawny com idade.

Inclina-se para a aguardente e os frutos secos tostados, com notas de caramelo, licor e ranço — definitivamente, somethin' funky goin' on.

É um "Colheita" vigoroso, dos mais robustos que já bebi.

Versátil, esteve bem com bolo de noz, filhoses, chocolate em barra, pão com compota… Mas foi com castanhas assadas que me pareceu melhor.

Antes dele, o único Porto da Vallegre aqui registado foi um LBV de 2002 que deixou "mixed feelings".

23€.

17

sexta-feira, 10 de março de 2017

Om — Pilgrimage

O terceiro álbum dos Om abre assim...



O som é grandioso, épico.

E as letras não destoam:

Trumpeter sounds a periphic dream the cries now shorn as prelate falls and send away.
Overture mits' forth clarion sky to sun she climbs and sheds her wings into the sea.
Memories rise to obscurate orb — the astral causate forms dissolve and send away.
Severance from illusory field the pilgrim wills to correspond with freedom.

Hold the oscillate light driven on to sender.
Soul arraigns the perceived and the seen to reap.
From the little drawn breath climbs away to the freedom sea.
Consecrates the sushumnic vertebrae.



#1, Pilgrimage

terça-feira, 7 de março de 2017

Lisini — San Biagio '2013

A Azienda Agraria Lisini está localizada na província de Siena, 8 Km a sul de Montalcino, perto do povoado de Sant'Angelo in Colle.

Feito exclusivamente com Sangiovese Grosso, ou Brunello, a grande casta da região, e engarrafado sem passar por madeira, este é o seu vinho de entrada.

Tem cor pouco carregada e nariz rico em cereja e frutos do bosque, vermelhos, a que se juntam especiarias, flores e um toque medicinal.

Mais difícil de descrever face à ausência de bons termos de comparação que objectivamente indistinto. Enfim — este terá de ser o melhor termo de comparação — bastante varietal.

Na boca, nem quente nem frio. Seco. Apesar dos taninos ainda um pouco duros, evidencia finura, infere-se um bom trabalho na adega.

É um tinto bonito, dotado dos traços de um Brunello di Montalcino, mas menor em concentração, amplitude, complexidade.

O seu maior pecado é faltar-lhe a substância necessária para consubstanciar o carácter vincado que tem.

9€.

16

sábado, 4 de março de 2017

quarta-feira, 1 de março de 2017

Carolina '2013

Este é o segundo vinho da Quinta da Carolina, propriedade situada na margem esquerda do Douro, 4 Km a sul do Pinhão: "field blend" de cepas com cerca de 40 anos, onde predominam Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca...

Fermentou em lagar, fez a maloláctica em cubas de inox e estagiou, seis meses, em barricas de segundo ano. Encheram-se 3000 garrafas, não numeradas, em Janeiro de 2015.

Muito Douro no nariz, da linha clássica: os frutos, pretos e vermelhos, possuem uma madurez "circunspecta", entremeada de mato seco/esteva.

Agradavelmente texturado na boca, é equilibrado, persistente — substância sem soberba — e uma alegria suave, como que pequenina, mas tão presente que o ilumina todo.

Enfim, um vinho muito bonito, a que falta um bocadinho de dimensão, e de "wow factor" — impressionabilidade? — também, para se poder contar entre os mesmo muito bons.

9€.

17

domingo, 26 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Quinta dos Termos — Reserva do Patrão '2012

Foi um Fonte Cal interessantíssimo que me deu vontade de conhecer melhor os vinhos do produtor de Carvalhal Formoso, Belmonte.

Abri, então, este monocasta Syrah, cujo contra-rótulo apresenta como "o vinho que merece a preferência do patrão quando se faz a prova dos vinhos novos".

Notas vegetais envolvem um núcleo forte, de frutos negros e barrica.

Fortemente sápido, com taninos firmes da madeira onde estagiou e boa acidez.

Sério, mas não sisudo. Robusto, não agressivo. Potente, apesar de relativamente simples.

É um Syrah da Beira, mais próximo da austeridade dos da Bairrada que da gulodice dos do Alentejo.

Indubitavelmente melhor com comida a condizer — no caso, acompanhou feijoada.

E pronto a beber, mas que poderá valer a pena guardar mais uns anos.

10€.

16

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Quinta da Fonte do Ouro — Reserva '2013

Quase um mês sem aqui trazer um vinho do Dão! Poderá ser?

Este consiste num lote composto por 50% de Touriga Nacional, junto com Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen. Após a fermentação maloláctica, metade estagiou, 9 meses, em barricas novas de Allier, metade em inox. Abri a garrafa nº 11938 de 13333 produzidas.

Servido sem arejamento prévio, combina camadas de fruta vermelha, entre a cereja e a framboesa, com uma quantidade apreciável de grafite e chocolate preto que lhe "escurecem" o carácter — meio contraste original e interessante.

Cresce no copo. Persiste o carácter achocolatado, mas não como tom dominante, em parte substituído por complexidade floral. Na boca, um compromisso simpático entre porte e delicadeza. Termina razoavelmente longo.

Nesse dia, a S grelhou espargos e rodelas de courgette. Assou cenoura e couves-de-bruxelas. Arranjei fatias finas de lombo adobado de porco ibérico. Não foi preciso mais.

Localizada em Nelas, a Quinta da Fonte do Ouro abrange 3,5 hectares de vinha e pertence à Soc. Agrícola Boas Quintas, de Nuno Cancela de Abreu.

11€.

17