sexta-feira, 20 de maio de 2016





terça-feira, 17 de maio de 2016

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2011

Ano após ano, estes vinhos da Cooperativa de Sto. Isidro de Pegões têm vindo a apresentar grande consistência, tanto de perfil como de qualidade. E apesar de o branco ser mais falado que o tinto, este não lhe fica atrás.

À semelhança dos seus antecessores, consiste num lote de Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Syrah, de cepas implantadas em solos arenosos. Estagiou durante um ano em meias-pipas de carvalho americano e francês.

De persistência e volume medianos, tem intensidade q.b. e alguma complexidade aromática, com tons florais, vegetais "verdes" e de barrica a temperar a fruta silvestre, parcialmente transformada, como se misturada na cobertura de um cheesecake, que predomina. Não obstante o equilíbrio que o pauta, é um vinho guloso, com mais e mais achocolatados à medida que vai abrindo.

Na boca, confirma o perfil consensual, fácil, com redondez. Mas não é flácido e ainda possui frescor suficiente para se manter interessante à mesa com ampla variedade de possíveis acompanhamentos.

Apesar de ser um vinho que tem vindo a marcar presença cá em casa, com relativa assiduidade, o último exemplar sobre o qual aqui deixei umas impressões foi da (também excelente) colheita de 2007, consumido em fevereiro de 2011.

5€.

16,5

sábado, 14 de maio de 2016

Húmus

Húmus é o termo português para uma pasta de grão-de-bico condimentada, característica da cozinha do Médio Oriente.

Cortam-se 3 cenouras — cerca de 250g — e uma beterraba crua, de dimensões regulares — com uns 175g — temperam-se com sal, um pouco de azeite e levam-se ao forno pré-aquecido, num tabuleiro, em dois montinhos separados, para não se misturarem, durante aproximadamente meia hora.

Enquanto os vegetais assam, prepara-se o húmus propriamente dito:

Num processador de comida, ou em recipiente onde caiba tudo e se possa utilizar a varinha mágica, juntam-se 750g de grão-de-bico cozido, bem lavado e escorrido, 6 dentes de alho, descascados, o sumo de 3 limões de tamanho médio (150ml aproximadamente), 130ml de água, 6 colheres, das de sopa, de tahini escuro (a S usou deste, que considera muito bom), 3 colheres, de chá, de sal e uma pitada de pimenta preta, e tritura-se até se obter uma massa cremosa.

Desse húmus, um terço pode servir-se como acabado de preparar ou com uma pitada de paprika e um chapisco extra de azeite por cima, outro terço tritura-se mais um pouco, junto com as cenouras assadas e meia colher, de chá, de cominhos, e o restante, triturado com a beterraba assada e duas colheres, de sopa, de azeite.

Comi-os com pão, queijo manchego e azeitonas, em jeito de lanche; a S costuma incluí-los na cobertura de umas pizas vegetarianas, sem queijo. Talvez um dia...

Descobri um blog dedicado ao tema que é porreiro.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Valle Pradinhos '2009

Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Tinta Amarela. Em traços gerais, o produtor de Vale de Pradinhos, Macedo de Cavaleiros, que tem presença na internet, refere ter sido feito com desengace total das uvas, fermentação a temperatura controlada e maceração pós-fermentativa, a que se seguiram 22 meses de estágio, em barricas usadas.

Cor rubi, escura, mas longe de opaca. A primeira impressão, ainda sem comida, foi de que cheirava a vinho.

Depois, a acompanhar um lombinho de porco que estava divinal, servido com cogumelos shiitake mega frescos, trouxe consigo uma profusão de frutos do bosque, vermelhos e pretos, todos eles escuros, bem maduros, junto com muitas especiarias, apimentados muito interessantes, realçados por um toque de vegetal seco, a fazer lembrar algo entre folha de chá e rama de tomateiro.

De peso apenas mediano mas concentração mais que satisfatória, escorrega maravilhosamente, penso que em grande parte graças à abordagem algo singular: ataque macio, quase delicado, seguido de um crescendo, elevado por excelente acidez, que culmina num fim de boca francamente bom, muito vivo, sempre sem se descompor — o jeito sóbrio vinca-lhe a aptidão gastronómica.

Em suma, sobejamente interessante, apesar de talvez um furo abaixo do de 2007.

8€.

16,5

domingo, 8 de maio de 2016



quinta-feira, 5 de maio de 2016

Adega Cooperativa de Borba — Garrafeira '2003

Abati recentemente uma garrafa deste vinho da Adega de Borba. Alentejano de ano muito quente, feito em estilo maduro, pareceu-me melhor e mais vivo que este seu predecessor da colheita de 2001, que aberto em Abril de 2010, já sugeria ligeiro declínio.

Aconchegante sem ser pesado, mostrou boa estrutura e acidez, a trazer consigo todo o sol que a ideia da região sugere e ainda a agradecer tempo para se libertar, dado que após hora e meia de arejamento num decantador, ficou muito mais limpo e definido que logo depois de servido directamente da garrafa.

Assim que se libertou dos cheiros de vinho com idade que inicialmente o marcavam, revelou um leque interessante de aromas expressivos e bons, com excelente concentração de frutos pretos, maduros, em primeiro plano, e depois café, folha de tabaco, pele e tostados aromáticos de madeira, tudo bem ligado.

Se juntarmos a isto o seu sabor macio e surpreendentemente fresco, de persistência bem razoável, será fácil concluir que se trata de um muito bom tinto e avançar que tem tudo para durar mais alguns anos, não obstante me seja difícil apontar, neste caso, para um número em concreto.

Foi produzido a partir das castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet, de vinhas velhas, tendo estagiado durante 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. O contra-rótulo refere um estágio final em cave, de 60 meses em garrafa, antes de lançado no mercado. Preciso de mais vinhos destes, feitos com calma.

13€.

17

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Filmes (70)




Um filme rico. Aqui, o nosso herói é Ben, um belga que não gosta de carteiros.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Titular — Touriga Nacional '2012

Comprei este numa passagem mais ou menos recente por Nelas, junto com o Alfrocheiro e o Encruzado do mesmo produtor, que também se revelaram porreiros. O novo Dão em tons clássicos! Ou o que for.

O desfile organoléptico: antes e acima de tudo o mais, amora preta com bergamota e lima. Também violetas e um dedo de especiaria quente, picante: pimenta e cravinho. Por fim, mas não menos importantes, alguns tostados e chocolate escuro, este em crescendo com o tempo de exposição.

Equilibrado na extracção, mas bastante longo e sápido, é um Touriga sóbrio e bem recortado, de sabor macio, impecavelmente seco, fresco e preciso — muito agradável e provavelmente no ponto.

Não sendo um Touriga explosivo ou sequer expansivo, como é mais habitual encontrar-se, provavelmente por ser o estilo que a maioria ainda julga melhor favorecer as caraceterísticas mais apelativas da casta, dá uma bela prova, sobretudo à mesa.

E eu dei-lhe bife do lombo, na pedra. Ao lado, batatas "fritas" no forno, para não sujar, e maionese de alho. Para encerrar, uma frase curiosa que ele me transmitiu, já a garrafa ia bem mais de meia: "possuirá, enfim, as suas peculiaridades de carácter, coisa transversal a gente interessante, apesar de não ser de gente que se trata, mas de um quase grande tinto".

A respeito do seu processo de elaboração, a ficha técnica que existe online refere uvas desengaçadas, fermentação alcoólica em lagares, a temperatura controlada, e estágio de metade do lote final, em barricas de primeiro ano, durante 12 meses. Foi engarrafado em Julho de 2014.

10€.

17

quarta-feira, 27 de abril de 2016





segunda-feira, 25 de abril de 2016

Lagunilla — Crianza '2011

Fundada em 1885 por Felipe Lagunilla San Martín, um dos pioneiros da região na luta contra a filoxera, à data com apenas 24 anos, a adega fica junto ao Ebro, em Cenicero — mais concretamente, aqui.

Em 1994, foi adquirida à multinacional Diageo pelo grupo Haciendas de España. Depois disso, a marca, desenvolvida por United Wineries, ganhou uma base sólida de seguidores, de tal forma que actualmente conta com um volume anual de cerca de 3 milhões de garrafas de Rioja "Crianza" e "Reserva" vendidas.

Composto por 80% de Tempranillo e 20% de Garnacha, este vinho estagiou durante um ano em barricas de carvalho americano.

Servi-o directamente da garrafa, a 16ºC, para dentro de um copo "bordalês" e encontrei algo consentâneo com a imagem que — pareceu-me — o produtor quererá passar.

Relativamente robusto, apesar do volume e persistência apenas medianos, é muito Tempranillo e muito Rioja também. Flui desenvolto, com a intensidade certa, sem esmaecer nem assoberbar e sempre bem fresco.

Iluminado por uma Garnacha que tanto lhe traz alegria ao nariz como um certo amargor de fundo que lhe marca o paladar, tem montes de fruta vermelha, vagamente resinosa, característica do estilo, junto com uma complexidade que vai um pouco além do toque especiado/abaunilhado da barrica, mais claro no fim de boca.

À medida que o fui bebendo, o amargor entranhou-se, ao passo que a sumarência continuou a dar cartas. Clássico fabricado, de cariz popular, este dilecto filho do capitalismo não é, no entanto, luxo de imitação. Trata-se, aliás, de um espécime bem convincente!

Talvez influenciado pelo preço, talvez por outros preconceitos, confesso que esperava menos.

5€.

16