sábado, 21 de março de 2015

Filmes (60)




White trash mexicana (?)

domingo, 15 de março de 2015

Condado de Haza — Crianza '2010

A propriedade, situada à beira do Douro, perto de Roa, na província de Burgos, conta com cerca de 200 ha de vinha disposta em volta da adega, à maneira dos châteaux franceses. Por baixo, a quase 30m de profundidade, ficam as caves onde estagiou o vinho em apreço, monocasta Tempranillo com 14% de teor alcoólico, que foi engarrafado em Maio de 2012, após estágio em carvalho americano.

Muito escuro, abriu com licor de amora, frutos negros em compota, baunilha e alcatrão. No entanto, face à concentração evidenciada, esperava que projectasse mais aroma. Presença robusta na boca, com acidez suficiente, pelo menos para já, e estrutura bem tecida, não lamentei tê-lo aberto para acompanhar as costeletas de cordeiro (espanholas) que a S. tinha preparado para o jantar. O final, médio/longo e ligeiramente amargo, fez lembrar cacau.

Horas depois, a fruta afirmava-se mais na boca, com sua dose de entusiasmo, talvez o permitido pelo recorte "negro". Mas o calor, a madeira, o alcatrão, o cacau, pareceram-me os mesmos de quando a garrafa quase tinha acabado de ser aberta. Ficou um fundo na garrafa, que bebi no dia seguinte, logo de manhã, com pão e um chouriço de carne, bem curado, da Guarda. E se manteve o perfil, perdeu definição. Na altura, a propósito, rabisquei "um corpo escuro e indiferenciado, com toque de oxidação. . . como que a desconjuntar-se".

Poderá evoluir bem, se a estrutura não secar. Não obstante, no imediato, esperava melhor.

10€.

16

sábado, 7 de março de 2015

Château Quimper '2010

Este lote de Merlot e Cabernet Sauvignon é um dos vinhos da cooperativa de Saint-Seurin-de-Cadourne, comuna localizada uns 5 Km a norte de Saint-Estèphe, e chegou à minha mesa por meio do gigante (às vezes) gentil que é o LIDL.

Agradeceu o par de horas que o deixei passar em decantador, para respirar, isto depois de uma primeira garrafa me ter parecido algo árida logo depois de aberta e com um grande vazio "no meio" ao segundo dia.

Franco e muito limpo, trouxe consigo groselha misturada com laivos de outros frutos vermelhos, o toque verdoso do Cabernet, aqui sem pimento, e com o subir da temperatura, licor, café e ligeiro fumado, provável marca do ano passado em barrica.

Mas aquilo de que mais gostei foi uma mineralidade característica que ainda me resulta difícil de definir, não obstante encontrá-la com frequência nos vinhos da região, mesmo naqueles que não são nada de especial.

Empurrou o jantar de um dia de semana: Grana Padano e sanduíche de lascas finas de pá de porco, assada em vinho branco, dentro de pão naan (pré-embalado) de alho e coentro, deste, com os molhos e vegetais da praxe.

6€.

15,5

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Green Velvet (2)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Moscatel de Setúbal "Armagnac" '2004

Na ficha disponibilizada pelo produtor lê-se que "em 1998, Domingos Soares Franco decidiu que era altura de evoluir no Moscatel de Setúbal. Então, iniciou 5 anos de ensaios em que, com uvas da mesma vinha, fez vinho com 4 tipos de aguardentes diferentes: uma neutra, outra de origem da região de Cognac, outra de origem da região de Armagnac e um quarto lote com 50% destas últimas. Após 5 anos de provas, prevaleceu a do Armagnac, pela sua subtileza, frescura, complexidade e harmonia."

Servido a 12ºC, trouxe consigo, para além das flores brancas e casca de laranja cristalizada, a par das notas meladas e de frutos secos que se vão pronunciando nos bons moscatéis com o passar dos anos em madeira usada, um certo travo que acho típico do Armagnac, que no nariz faz lembrar, a grosso modo, cola, e na boca parece transmitir certo toque salino. O sabor, como não podia deixar de ser, é doce e glicerinado, mas mais fresco e assertivo que o do Roxo do post anterior. E isso é porreiro.

À mesa, aceitou coisas mais intensas que o seu já referido parente. Ligou divinamente com pão de ló, por exemplo.

PVP recomendado, 18,95€.

17


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Moscatel Roxo de Setúbal '2005

À semelhança dos demais moscatéis, este vinho resulta da paragem da fermentação mediante adição de álcool — no caso, aguardente vínica — permanecendo as películas em maceração até Fevereiro/Março do ano seguinte, altura em que é trasfegado para os cascos onde pode estagiar durante vários anos.

Macio e perfumado, mostrou uma interessante mescla de flores, geleias, tons melados e de evolução, álcool, muito vago ranço e frutos secos. . . Tem menos açúcar residual que o do próximo post, o que é consentâneo com que me tenha parecido mais leve. Da mesma forma, também me pareceu mais frutado, mais doce, mais feminino. Tivera ele outro frescor e seria um grande vinho.

Tive a oportunidade de acompanhar com ele diversas sobremesas, sempre ligeiramente refrescado, e mais uma vez o preferi com coisas não demasiado húmidas ou doces, como palmiers ou a arrufada que a S, convencida de que eu me esquecera de comprar pão na véspera, fez a contragosto num destes dias mais próximos, cortada em fatias generosas, bem barradas com manteiga.

O produtor recomenda um preço de 19,90€.

16

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Rufinus of Aquileia (345-410) relates in this connection a tale worthy to be chosen among a hundred. There once lived, in a cave in the desert, a monk, a man of the greatest abstinence, adorned with all the virtues, and accustomed to spend his days and his nights in prayer. This monk, observing the progress that he was making in holiness, began to be puffed up and to attribute entirely to himself the merit which belonged to God alone. The demon, perceiving this, was not slow in preparing and laying his snares. And lo, one evening there appeared before the cave of the holy man a very beautiful woman, who, entering within and feigning to be utterly wearied and spent, cast herself at his feet and besought him most earnestly to grant her shelter; night had overtaken her in the desert; let him, in charity, not leave her a prey to the wild beasts. He, moved to pity, receives her kindly, and begins to question her regarding the reason for her journey; she tells a story that she has ingeniously concocted and spices the tale with flatteries and blandishments; showing herself now worthy of commiseration, now deserving of protection; and with the elegance and charm of her discourse she beguiles and vanquishes the soul of the good man. Little by little, the conversation waxes more intimate; with words are mingled laughter and jesting; until, grown bolder, she ventures to lay hold on his beard and gently to caress his neck and throat. And lo, already the soldier of Christ is conquered! Devoured by the flames of lust, oblivious of his past, heedless of the fruit of so many struggles steadfastly endured, become (says Rufinus) like a mere beast, already he is making ready for the lewd embrace. But at that very instant, the false apparition, uttering a fearful screech, fled from his arms, leaving him in a most indecorous and ridiculous attitude (Rufinus gives fuller details). Then the demons, who had gathered in great numbers in the air as spectators of the foul deed, began to mock him, crying in a loud voice: "O thou that didst extol thyself even to heaven, how art thou now thrust down into hell! Know now that whosoever exalteth himself shall be abased." After this adventure, the ill advised monk despairing of salvation returned to the world and, wholly abandoning himself to debauchery and wickedness, yielded himself irrevocably a prey to Satan.

Arturo Graf, Art of the Devil (Col. Temporis),
Parkstone Press International, New York,
ISBN: 978-1-78042-994-6

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Adega de Vila Real — Vinhas dos Altos '2012

Branco com 12% de teor alcoólico, foi feito a partir de uvas das castas Rabigato, Viosinho e Fernão Pires, criadas por sócios da Adega nos "Altos" em torno de Vila Real, a uma altitude média de 500m.

O mosto fermentou a temperatura controlada, por volta dos 14ºC, após prensagem sob atmosfera inerte. Estágio antes do engarrafamento, apenas meio ano, em pequenas cubas de inox.

De recorte circunspecto, ainda mais agora, que começa a evoluir, com pêssego, alperce e marmelo. Fruto de caroço. Sugestões veladas de verde, mais no nariz, e algo mineral também, mas mais na boca. Tem volume e persistência apenas medianos, mas o toque gordinho, junto com toda a frescura que ainda evidencia, tornam-no deveras cativante.

Está num plateau e vai começar a decair, mas, por enquanto, ainda está perfeito, ou quase, para acompanhar pratos simples de bichos do mar, grelhados.

Vi-o pela primeira vez num supermercado dos arredores da Figueira da Foz, de uma das vezes que fomos visitar a avó da S, ainda ela vivia sozinha. Repeti-o, desde então, pontualmente, mas porque encontrei um lugar que o vende cá.

Meses depois e ainda parece tão próximo. Será este tempo todo sem ver o mar mais um dos motivos para a minha actual modorra, ou estará a nascer, aqui e agora, uma birra, em consequência dela?

5€.

16

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

sábado, 17 de janeiro de 2015

Quinta dos Carvalhais — Encruzado '2010

Ando a beber menos, o que implica que também experimente menos. Já reparei que, em consciência ou não, quando vou ao vinho, acabo por trazer, quase sempre, coisas conhecidas e já aprovadas, sendo que, quando abro uma excepção, é mais por força da curiosidade — o apelo das coisas que se me afiguram novas, diferentes — que da sugestão — o apelo das coisas que acho que me estão a ser apresentadas de modo a quererem apetecer, mesmo a quem não as conhece.

Este Monocasta Encruzado da colheita de 2010, abatido numa altura em que o de 2013 já está no mercado, pertence ao venerável grupo das coisas conhecidas, que se repetem, com prazer, muitas vezes. Servido directamente da garrafa, recentemente saída da porta do frigorífico, começou por acompanhar uma delicada empada de galinha e azeitonas, do Afonso, que não assoberbou, para logo depois se bater com o bacalhau cozido do jantar.

As impressões do momento foram "Cor palha. Encorpado e ainda muito rico na acidez, com caroço de pêssego, baunilha e tropicalidade, num todo que é ao mesmo tempo sóbrio e bem intenso. Sem arestas, nariz e boca, frescura mineral e espessura gorda de sabores, quase perfeitamente ligados. Com o passar do tempo no copo, notas de geleia e frutos secos. Fim de boca longo e redondo". Gostei muito.

13€.

17