sábado, 4 de julho de 2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

Conde de Vimioso — Reserva '2011

Tenho andado distante dos vinhos do Tejo (Ribatejo: as pessoas já se habituaram) mas este cativou-me.

Proveniente da região de Almeirim, consiste num lote composto por 40% de Touriga Nacional, 25% de Cabernet Sauvignon, 25% de Syrah e 10% de Aragonês, que estagiou durante 18 meses em barricas francesas, novas e de segundo ano. O produtor tem presença na internet.

Mais um vinho forte, de cheiro intenso e corpo cheio. Predomina a fruta, escura, negra mesmo, temperada com pimenta e outras especiarias, mato seco, a barrica ainda presente. E o final é longo.

Sem me alongar ou efabular demasiado, foi isto o que retive dele. Descrição que não lhe faz justiça, porque está realmente apetitoso, sumarento, com acidez e taninos que apontam para que venha a crescer mais qualquer coisa em garrafa.

Acompanhou um naco de vitela, grelhado com primor pela S. Também havia batatas fritas e Tyrrel's Veg Crisps de cenoura, beterraba e pastinaca.

14€

17

sábado, 27 de junho de 2015

Casa Castillo — El Molar '2013

Garnacha de vinhas jovens, extraído e maduro, é um vinho possante: tem 15% de álcool e fruta suficiente para o envolver em frescura. Esta, bem mais escura que no vinho da bruxa, mantém, no entanto, todas as marcas características da casta  não importa quanta madurez, os tons sugeridos aproximam-se sempre do vermelho, e quando não do vermelho, do azul. A compor, um muito discreto fundo de barrica. Tem muitos taninos e é longo e profundo, mais que objectivamente complexo. Mas a dada altura, fez lembrar líchias.

Comprei-o por impulso, mas com as minhas reservas. De facto, e isto é estúpido, quase quis não gostar dele. Afinal, trata-se de uma pura e simples bomba de fruta, bem ao gosto da Wine Advocate  93+ pts por Luis Gutiérrez em Fev/15  é fixe não gostar de coisas dessas. Mas tive de me render, que está uma delícia e promete ainda mais para daqui a um ano ou dois. Giro e interessante, apenas lhe falta aquela distinção, aquele wow factor que separa os mesmo muito bons dos excepcionais.

O produtor é dos mais proeminentes de Jumilla, denominação de origem do sul de Espanha, que abrange aproximadamente 40000ha de vinhedos, repartidos entre as províncias de Múrcia e Albacete, e que tem sede na cidade que lhe dá o nome, e de onde este vinho vem. Para terminar, a nota de que as uvas que lhe deram origem vieram de cepas com apenas cinco anos de idade. É inevitável a expectativa sobre o que poderão proporcionar quando já estiverem mais estabelecidas.

13€

18

quarta-feira, 24 de junho de 2015




Passam-se coisas terríveis nas flores, às vezes, mas poucos dão conta.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

José Maria da Fonseca — FSF '2011

Do comunicado de imprensa que acompanhou o seu lançamento, em Abril de 2014: "Esta é a 6ª edição deste vinho que pretende ser uma homenagem de Domingos Soares Franco a seu Pai, Fernando Soares Franco".

Composto por 79% de Syrah, 17,3% de Trincadeira e 3,7% de Tannat, procedentes de cepas plantadas em solo arenoso, foi engarrafado em Junho de 2013, após um ano de estágio em meias pipas, novas, de carvalho francês. Sendo um dos super premium do produtor, é natural que o volume produzido seja limitado: na presente colheita, apenas 2500 litros.

Provado assim que abri a garrafa, estava um bocado tímido, como se só quisesse mostrar cereja e tostados, apesar da força latente que lhe sentia, sobretudo na boca. Mas bastaram duas horas de arejamento, num decantador, para que crescesse de forma impressionante.

Achei curioso como a fruta que lhe cheirei nunca deixou realmente de me fazer lembrar as cerejas e morangos transformados de um bom Rioja crianza, mas mais concentrada, a manter um conjunto que acabou por se revelar francamente guloso. . .

. . . à medida que as suas sugestões de pinho e menta, a princípio distintas, foram dando lugar a empireumáticos, numa prova em que o tom predominante acabou por ser o cacau, nas suas várias expressões: do puro, amargo, mais presente no princípio, colado aos tostados da barrica, a um chocolate branco bem doce, que foi ganhando evidência à medida que a temperatura, no copo, subia.

Passou como seda pela boca, longo e extremamente equilibrado. Será um vinho para agora, então, mau grado poder viver em garrafa mais dez anos, sem qualquer problema.

Foi oferecido pelo produtor, que disponibiliza um ficha técnica, bastante completa, aqui, e recomenda um PVP de 30€.

17,5

quinta-feira, 18 de junho de 2015









segunda-feira, 15 de junho de 2015

Château Segue Longue Monnier '2010

Fundado em 1992, o produtor possui 31 hectares de vinha com 20-30 anos, localizada num planalto de solo rochoso, em Jau-Dignac, e enche cerca de 60 mil garrafas por ano, boa parte das quais vai para o Lidl. Este vinho de agricultura biológica, lote de Cabernet Sauvignon, Merlot, Petit Verdot e Cabernet Franc, com 18 meses de estágio em barrica, trazia no rótulo a designação de Cru Bourgeois, o que me chamou a atenção. Valerá a pena fazer um parêntesis a esse respeito.

A primeira lista de Cru Bourgeois, classificação concebida para incluir produtores do Médoc que não entraram na classificação de 1855, foi elaborada em 1932 e incluía 444 produtores, divididos por três patamares, presumivelmente de qualidade: crus bourgeois exceptionnels, crus bourgeois supérieurs e simplesmente crus bourgeois. Apesar de nunca ter sido ratificada oficialmente, representava, de facto, certa garantia de qualidade, e como tal tornou-se cara ao público, de tal forma que a maioria dos produtores abrangidos fazia questão de a utilizar nos seus rótulos. Mas com o tempo, e com certas pessoas também, o padrão foi decaindo, com ele a sua representatividade, e as coisas tiveram de ser revistas. Mas talvez não o tenham sido da melhor maneira  a lista de produtores abrangidos pela classificação de 2003 tinha caído para 247 e os excluídos não gostaram. Após várias voltas legais, a classificação Cru Bourgeois foi anulada por um tribunal em 2007 e o uso comercial do termo, ilegalizado pela DGCCRF. Mas a Alliance des Crus Bourgeois não desistiu e a designação foi reintroduzida em 2010, sendo agora concedida anualmente, como marca de qualidade sem patamares, a vinhos, e não a produtores, com base numa avaliação tanto do método de produção como do produto acabado.

Ora, dado que 2010 foi um grande ano em Bordéus e este vinho, todo tão certificado, estava a menos de 8€, trouxe-o comigo. Servido logo depois de aberto, e aberto por impulso já bem tarde, em dia de semana, apesar de desde logo ter dado a perceber tratar-se de um Médoc de estilo ligeiro, focado na fruta, mais cereja que morango, cereja escura, para beber já, o facto é que me pareceu um pouco fechado. Reparei na madeira, que estava bastante presente, mas como era bonita, não me importei. Peso médio, mostrou frescura q.b. e uma firmeza interessante, mais relacionada com tensão que com textura (quem não compreender, apesar de se importar, que culpe a minha cabeça, se tal o fizer sentir-se melhor). Nesse dia, apontei no caderninho que se bebia quase como água. Doze horas depois, estava bem melhor, com a fruta a tomar contornos mais avermelhados e muito balsâmico, a fazer lembrar montes de coisas diferentes, como maçã "bravo" e marmelo, cedro, pinho, flores secas, chocolate e café, um bouquet mesmo bonito.

Resumindo, apesar de não ser um vinho "grande" em nada, bebe-se com imenso prazer, que é o que mais importa. E poderá justificar mais um anito em garrafa, só pela curiosidade.

8€.

17

sábado, 13 de junho de 2015

Quinta do Monte d'Oiro — Lybra '2010

De acordo com o produtor, inspirado no seguinte tema:

O signo da Balança e da harmonia. O signo das vindimas. O equilíbrio harmonioso entre a casta, a fruta e o terroir. Um vinho que se interpenetra com a alegria da sua juventude na culinária do dia a dia.

Varietal Syrah, fermentou em inox, após desengace, e estagiou durante 10 meses em barricas de carvalho francês.

Vertido directamente da garrafa para dentro de uma tulipa bordalesa de dimensões generosas, desde logo se mostrou simples, fácil e bonito.

De porte e concentração medianos, é um Syrah do Sul, com toda aquela mescla de amora, ameixa e outras bagas, bem negras, cozidas pelo sol e em compota, a par de generosa quantidade de pimenta preta, mas que aparece, por assim dizer, virado para a frescura, dotado de uma acidez vivaz e, ainda mais importante, claro, de uma ligeireza propositada. A isto não será alheio o facto de provir de uma terra menos quente que aquelas de onde vem a maior parte do Syrah meridional que conheço? Bem macio na boca, termina médio/longo.

Não trouxe consigo aqueles tons ensanguentados de que tanto gosto nos seus congéneres do Ródano ou a alegria francamente soalheira dos bons espécimes do Alentejo ou da Austrália. Mas permanece fiel, tanto à casta como à terra de onde vem, e é fácil, tão fácil de beber!

9€.

16

quarta-feira, 10 de junho de 2015




domingo, 7 de junho de 2015

CVNE — Viña Real, Crianza '2008

Tempranillo, Garnacha e Mazuelo. Foi elaborado em Viña Real, com uvas procedentes de vinhas próximas, em Laguardia e Elciego — aqui, no mapa. Feitas as fermentações alcoólica (10-12 dias, a 26-28ºC) e maloláctica, em inox, foi envelhecido durante 14 meses em barricas de carvalho americano, com trasfegas a cada 5-6 meses.

Não obstante começar com cedro e especiarias, predomina nele aquela fruta com toque de oxidação que caracteriza estes Rioja de perfil clássico, já com algum tempo em garrafa, aqui escura, a fazer lembrar cereja e outros frutos do bosque, profunda, sempre no comando, amparada por óptima acidez. Pareceu-me atravessar uma fase muito bonita, que facilmente durará mais alguns anos: apesar da sua relativa simplicidade — quando lhe chamo profundo, quero dizer que mostra muita fruta sobre fruta, não um bouquet amplo — tudo o que mostra está no ponto, francamente equilibrado, fácil e bom de beber. Com o tempo, ganhou notas de café e chocolate preto.

Foi abatido, quase todo, a um lanche, com Cheddar maduro e um muito bom patê La Charra, de Cuidad Rodrigo, em pão de trigo desta padaria da Rua da Moeda.

7€.

17