segunda-feira, 13 de junho de 2016


O castelo de Castro Laboreiro está completamente destacado do povoado, no alto de um monte, 1033 metros acima do nível do mar. Não se sabe se originalmente foi edificado por Mouros, Romanos, ou no séc. X, a mando do rei de Leão, mas existe consenso sobre a sua conquista por D. Afonso Henriques, em 1141.

Arrasado durante a invasão Leonesa de 1212, foi recontruído por D. Dinis no final do séc XIII, altura em que terá tomado a feição definitiva, com dois recintos muralhados: no topo, o centro militar do conjunto, e a Sul, um segundo recinto, que serviria para recolher gado e bens, em épocas de invasão.


Apesar da evolução das artes da guerra, manteve o interesse militar durante séculos, de tal forma que foi artilhado pela última vez em 1801, aquando da Guerra Peninsular.

Uma curiosidade: foi completamente destruído por uma explosão na manhã de 18/11/1659, quando um raio caiu no seu paiol. Outra: entre 1766 e 1778, foi utilizado como calabouço para alguns daqueles que se recusavam a apresentar os seus filhos recenseados ao serviço militar — terão passado por lá 400 pessoas.


Com a paz, foi desguarnecido e abandonado. Depois, parcialmente desmontado, as pedras reutilizadas em construções na vila. No século XX, foi classificado como Monumento Nacional pelo Decreto nº 33:587, de 27/3/1944.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Adega do Sossego '2014

A Adega do Sossego é um restaurante de cozinha tradicional, situado no lugar do Peso, freguesia de Paderne, perto das Termas de Melgaço, de onde vem uma água gasocarbónica que não conhecia e muito me agradou, óptima alternativa à das Pedras, na hora de acompanhar o café. Mas isso são outros quinhentos, que não é de água que aqui se trata, mas de vinho.

E o citado restaurante tem vinho, não só dos outros, mas também de produção própria: um espumante, um tinto feito a partir da casta Vinhão e um branco tranquilo, este varietal Alvarinho, sobre o qual pouco encontrei escrito, certamente dado a produção ser inteiramente escoada no restaurante e a nível local, e que, testado, correspondeu e até superou as expectativas que tinha em relação a ele.

No copo, cor palha, ainda clarinha. Abriu discreto, talvez por estar um pouco mais fresco que o recomendável, repleto de flor de camomila e aquilo que me pareceu raspa de limão, mas depois cresceu e transfigurou-se em laranja doce e sua casca. Gordito na boca, com toque mineral e muito bom compromisso entre frescor e untuosidade, terminou bastante persistente e sem qualquer nota doce, apesar do sugerido pelos aromas.

E se com peixes grelhados não me surpreendeu que se portasse bem, achei realmente notável como manteve a forma e complementou, sem quaisquer problemas, os sabores fortes e a gordura de parceiros à partida bem mais complicados, como o pequeno almoço do "dia seguinte", com queijo Abondance em pão de cereais ancestrais, do Pingo Doce, e Schwarzwälder Schinken com melão.

Em suma, apesar de simples, é um vinho bonito, em estilo "unoaked", que prima pelo equilíbrio e é compatível com muitas comidas!

7€.

16

terça-feira, 7 de junho de 2016

Anselmo Mendes — Alvarinho Contacto '2013

Outro vinho lá de cima :)

Diferente q.b. e talvez um pouco melhor que o seu antecessor de 2009, quando bebido com menos meio ano de garrafa, está um Alvarinho porreiro, fresco e limpo, com boa profundidade, algum volume e muito equilíbrio.

Abriu floral e foi evoluindo para pêras e drupas, primeiro de polpa branca, depois mais amarelada, em crescendo de complexidade, sobre um curioso "salgadinho" de fundo que encontrei deveras interessante. Algo tropical, também. . .

Face a tudo isto, foi com certa pena que constatei que, de alguma forma, acabou por me deixar a ideia de lhe ter faltado um golpe de asa, alguma característica, por assim dizer, fracturante, que o tornasse único dentro do bom.

O produtor informa que as uvas provêm exclusivamente de Monção e Melgaço, de vinhas com idades que variam entre os 10 e os 32 anos, plantadas em solos graníticos, "com elevado teor de pedra rolada", junto ao rio Minho.

A fermentação foi precedida de curta maceração pelicular e sucedida por um estágio de duração não inferior a 4 meses, em pequenos depósitos de inox, sobre borras finas.

10€.

16,5

domingo, 5 de junho de 2016












sexta-feira, 3 de junho de 2016

Adega de Ponte de Lima — Loureiro, Colheita Seleccionada '2014

Estabelecemos a base numa casinha de madeira montes de fixe, ao lado de um regato, qual versão soft do lugar onde se desenrola a maior parte do relatado no grande "Big Sur", de Kerouac.

Passámos o tempo a passear pelos trilhos.

Aproveitei para beber produtos locais. Mas em vez de apenas Alvarinho — que mais que a casta bandeira do Alto Minho, é algo de facto ominpresente, sobretudo nos entornos de Monção e Melgaço — resolvi variar.

Aconteceu o primeiro escolhido ser um Loureiro, casta originária do vale do rio Lima, muito produtiva e ainda bastamente subvalorizada, da Adega Cooperativa de Ponte de Lima.

A respeito do seu método de elaboração, refere o produtor que as uvas, desengaçadas e esmagadas à entrada na adega, maceraram em contacto com as películas, antes de prensadas.

O mosto foi então decantado e iniciada a fermentação alcoólica. Por fim, o vinho foi filtrado, estabilizado e novamente filtrado, antes do engarrafamento.

Bebi-o bem fresco e na rua, ou melhor, no bosque, em balão relativamente magro, como aqueles que usualmente recomendam para Riesling seco.

Muito sucintamente: Cor palha. Simples e muito vivo, com limonados, banana e um melado silvestre de flores que diria amarelas.

Tem agulha, acidez vincada, crocante mesmo, e um final envolvente, de comprimento médio, em tons de caramelo, mas que não fica doce e limpa a boca.

Feito para ser bebido jovem, provavelmente piorará com a permanência em garrafa. Mas, no imediato, ainda muito fresco, pareceu-me o derradeiro vinho para sushi.

5€.

15,5

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Filmes (71)






Adaptação de "O Processo", de Kafka, realizada por Orson Welles em 1962. Logo no princípio do filme, o narrador introduz a história:




Before the law, there stands a guard. A man comes from the country, begging admittance to the law. But the guard cannot admit him. May he hope to enter at a later time? That is possible, said the guard."




By the guard's permission, the man sits by the side of the door, and there he waits. For years, he waits. Everything he has, he gives away in the hope of bribing the guard, who never fails to say to him "I take what you give me only so that you will not feel that you left something undone".




And now, before he dies, all he's experienced condenses into one question, a question he's never asked. He beckons the guard. Says the guard, "You are insatiable! What is it now?" Says the man, "Every man strives to attain the law. How is it then that in all these years, no one else has ever come here, seeking admittance?"




His hearing has failed, so the guard yells into his ear. "Nobody else but you could ever have obtained admittance. No one else could enter this door! This door was intended only for you! And now, I'm going to close it."

domingo, 29 de maio de 2016

Quinta do Vallado — Adelaide, Vintage '2009

Sem chegar aos píncaros de 2007 ou 2011, o ano de 2009 foi muito bom no Douro, sobretudo para Porto, apesar de alguma atipicidade, em virtude de um fim de Verão excepcionalmente quente e seco, que levou a maioria dos produtores a antecipar as vindimas, face às possibilidades de desidratação das uvas. Muitas casas declararam Vintage.

Fizeram este vinho com 40% de Touriga Nacional da Quinta do Vallado e 60% de outras castas, misturadas em vinhas velhas, implantadas no Vale do Rio Torto, numa propriedade exterior à quinta, mas controlada por esta. Após 4 dias de fermentação em lagar, com pisa a pé periódica, a que se seguiram 20 meses de estágio em cubas de aço inoxidável, resultaram 9000 garrafas de 75cl, enchidas em Agosto de 2011.

Bebido a 10/12ºC, quase meia garrafa de uma só vez, a acompanhar uma tablete Lindt e a retransmissão da 2a jornada do Shamkir Chess, tarde adentro, constituiu uma espécie de pequena comemoração particular do meu primeiro período de férias digno desse nome, este ano.

Encontrei-o retinto, quase negro, e desde cedo o notei vivaz, com toque cítrico, talvez bergamota. Mas foi a fruta que se destacou, negra, riquíssima, permeada de flores e a declinar em tons balsâmicos e de compota. Depois, cacau e alcaçuz. Extremamente redondo e bem dimensionado, mostrou maior concentração que corpo e a persistência que se espera de qualquer bom Vintage. Viçoso, francamente sedutor, aparenta ainda não estar a entrar na fase em que é expectável fechar-se.

Se tivesse de lhe apontar algo, seria apenas relativa falta de profundidade, que o aproximará mais de um Single Quinta que de um Vintage clássico... Mas, por ser tão bonito, perdoo-lhe.

Poderia haver bebida mais adequada para depois de um post com uma música dos MBV?

40€.

17

quinta-feira, 26 de maio de 2016

My Bloody Valentine — Loveless

Gravado entre 1989 e 1991, foi o segundo álbum dos My Bloody Valentine, e também o último, por muito tempo.

Para não estar a replicar informação sobejamente conhecida, fica a indicação aos possíveis novos fãs da banda (lol) de que a entrada dedicada ao álbum na Wikipédia é bastante completa, valendo também a pena ler esta entrevista de Kevin Shields a Paul Lester, do The Guardian, em Março de 2004.



Tiptoe down to the holy places
Where you going now, don't turn around
Little girls in their party dresses
Didn't like anything there

Pretty boys with their sunshine faces
Carrying their head down
Tiptoe down to the lonely places
Where you going now, don't turn around.


#2 — Loomer

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2014 (Branco)


No nariz, uma mescla agradável de aromas cítricos e florais, frutos brancos e leves abaunilhados e fumados, que se tropicaliza um pouco com o subir da temperatura. Atractivo, apesar de alguma indefinição.

Na boca, porte e persistência medianos, com untuosidade característica a vincar-lhe o relativo peso. Redondinho, completamente não doce e bastante fresco, faz lembrar Chardonnay com toque de barrica, e não dos mais vulgares.

Impressiona quão bem acompanha courgette grelhada, queijo brie e pipocas com ou sem manteiga. O produtor adivinha-lhe cinco anos de potencial de guarda e sinto-me inclinado a concordar.

É já um pequeno clássico, de perfil bem definido e qualidade consistente de ano para ano — um vinho versátil que também é barato e se encontra amplamente disponível.

E assim, por estar sempre no papo e saber sempre bem, o último espécime desta linhagem ao qual aqui cedi algum espaço foi este 2011, abatido em Novembro do ano seguinte, não obstante os tenha vindo a acompanhar, sem saltar qualquer das colheitas mais recentes, com várias garrafas por ano, todos os anos. Fosse ele mais caro e/ou raro, teria, sem dúvida, outra atenção. E não é caso único.

Lote de Arinto, Verdelho, Chardonnay e Antão Vaz, fermentou e estagiou, durante 3 meses, em carvalho americano e francês.

3€.

16

sexta-feira, 20 de maio de 2016