domingo, 29 de junho de 2008

"Pasta" & Vaca

Pasta é o termo italiano para «massa». Há tempos preparei uma pasta inspirada numa receita que vi algures (já não me lembro) e que ainda aqui não tinha posto...


Ingredientes:

1 copo e meio de farinha T55;
2 ovos;
2 colheres de chá de sal;
10 grãos de pimenta esmagados;
1 colher chá de alho em pó.


Preparação:

Juntar os ingredientes da massa e trabalhá-los num processador de comida ou no programa «amassar» da máquina de fazer pão até se formar uma bola. Divide-se a dita bola em partes mais pequenas, esticam-se e passam-se por uma máquina de pasta. Não tendo uma, pode-se sempre esticar a massa com um rolo da massa, numa superfície bem enfarinhada, e depois dobrá-la em várias partes (a farinha faz com que não se colem umas às outras), que se cortam em tiras. A pasta resultante mergulha-se em água a ferver com sal. Pode adicionar-se um fio de azeite à cozedura. Depois escorre-se.

Feita a massa, é rápido preparar a carne.


Ingredientes:

500g de bife de vaca de grossura média, cortado às tiras;
2 tomates grandes, cortados em cubos;
1dl de vinho branco;
1dl de vinho tinto;
4 colheres de sopa de azeite;
25/30g (um terço de molho) de salsa;
alho seco picado;
sal q.b..


E faz-se assim:

Tempera-se a carne com alho e sal. Aquece-se azeite num tacho em lume forte, a que se junta o tomate. Quando começar a ferver, junta-se a carne, que se deixa cozinhar durante mais ou menos tempo, conforme o gosto de cada um. Como não gosto da carne de vaca muito bem passada, só a deixei dourar de ambos os lados. Assim que a carne se deita no prato, deitam-se também os vinhos, isto para o álcool ter tempo de evaporar sem a carne cozer de mais. Tudo isto, como já referi, em lume forte, para o tomate produzir um molho espesso. Caso o molho teime em não engrossar, junta-se um pouco de farinha de trigo. Quando a carne estiver cozida, apaga-se o lume e cobre-se com salsa finamente cortada.

Depois é só cobrir a pasta com a carne e o molho, abrir um bom tinto e...

sábado, 28 de junho de 2008

Flognarde de Pêssego

A flognarde, ou flaugnarde, é uma sobremesa de Limousin semelhante à clafouti. O que as difere é a clafouti ser feita com cerejas e a flognarde com outro fruto qualquer.

Fi-la assim: descasquei 4 pêssegos e cortei-os em "gomos", como se pode ver na foto, e forrei com eles o fundo de uma tarteira. Com a batedeira, misturei 2 ovos e 50g de açúcar branco. Depois, batendo sempre, adicionei (por esta ordem) 50g de farinha, meia colher de café de vanilina, 150ml de leite, 50ml de natas e 50g de margarina. Verti a mistura para dentro da tarteira, cobrindo os bocados de pêssego, e levei ao forno a 170ºC durante 45 minutos. Depois, cobri a flognarde com açúcar mascavado e voltei a levá-la ao forno, desta vez apenas com a resistência de cima ligada, mais 2 ou 3 minutos. Por fim, cortei-a às fatias e servi-me. Outra receita que vai muito bem com gelado. De baunilha ou natas, por exemplo.

Termino com uma nota: estando a trabalhar com estas quantidades, relativamente pequenas, não convém utilizar uma tarteira muito larga, uma vez que, assim, poderá ser difícil cortar e tirar a flognarde.

Já reparou?

Que eu costumo comer de uma grande taça de barro? Começou a ser assim quando eu e a S. comíamos sentados ou deitados no sofá, charrados, a ver televisão. Nessa altura, eu era todo frito, muito distraído, muito senil. E tinha o hábito grotesco de encher de mais o prato. Isso tornava-me bastante propenso a acidentes. Costumava sujar bastante quando comia, sobretudo quando se tratava de coisas com molho. Ou me engasgava, ou espirrava, ou deixava cair a faca, ou me baixava para apanhar o comando e vertia um bocado de molho nas calças. Isso deixava-me bastante triste, mas não conseguia impedir novos desastres de acontecer. A grande taça de barro foi uma tentativa de conter estragos. Que funcionou. Agora já comemos à mesa, mas habituei-me a ela e não quero outra coisa.

Eye Candy


Douradas. 50 minutos de forno a baixa temperatura, só com alho em pó e sal.

Pingo Doce — Palmela Reserva '2006

Tinto da região de Palmela (D.O.C.), produzido pela Casa Ermelinda Freitas a partir da casta Castelão e vendido a 3€ nos supermercados Pingo Doce. Cheira a coisas roxas com um certo toque de madeira. Boca alcoólica, de taninos suaves, amanteigados, e acidez mediana. Talvez precise de tempo.

14,5% v/v para quê? Picar na língua?

Vai bem ligeiramente refrescado, e só assim.

14,5

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Filmes (2)

Yeopgijeogin Geunyeo

My Sassy Girl para os ocidentais.


Já reparei que a maior parte dos meus leitores são mulheres, por isso partilho convosco a única comédia romântica que alguma vez consegui ver até ao fim. Mais, admito que gostei muito. E não sou o único. Foi um enorme sucesso. Sobreviveu à crítica e vendeu bem.

Infelizmente, fazer trailers não aparenta ser o forte dos sul-coreanos. Porém, alguém remediou a situação, e ainda bem, porque o filme é mesmo giro. Este senhor pegou no trailer do remake deste filme e editou-o com as cenas do filme original. Ei-lo.





Para quem quiser saber mais, recomendo o artigo do Shinobi, que já se fartou de escrever, e bem, sobre ele.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Fiuza — Três Castas '2005

Vinho Regional Ribatejano produzido pela Fiuza & Bright. Já fazia tempo que não bebia um tinto com apenas 12,5% de teor alcoólico. Aroma a frutos silvestres, doces mas não compotados, e ligeiro amadeirado que surge sob a forma de baunilha. Constante presença vegetal, ora com aromas que lembram relva cortada de fresco, ora caroço esmagado de azeitona verde, transmitindo certa austeridade, mantendo o conjunto num registo contido. Mais delicado do que suave na boca, leve, talvez até um pouco magro. Acidez discreta, taninos finos. Agradável, mas pouco persistente. Não o diria bom, mas tenho de confessar que o achei interessante. Diferente. Diferente num escalão de preços onde, tantas vezes, os vinhos parecem todos iguais.

Robert Parker deu-lhe 85 pontos. Custa 3 ou 4€.

14,5

terça-feira, 24 de junho de 2008

Bolo de Banana (e Gelado)

Esta é a minha interpretação pessoal do muito popular bolo de banana. Inspirei-me neste.

Com a ajuda da batedeira eléctrica, misturei 200g de margarina derretida e 100g de açúcar. Depois, batendo sempre, juntei quatro ovos e 200g de farinha com uma colher de sopa de fermento incorporada. Depois bati mais um pouco.

Em vez de fazer caramelo mais tradicional com água, resolvi caramelizar o açúcar. Gosto mais assim porque fica crocante quando solidifica. Espalhei 100g de açúcar de forma a cobrir com uma camada fina o fundo de uma frigideira, que levei a lume forte. Quando a orla do açúcar principiou a derreter, comecei a mexer, empurrando o açúcar já liquefeito para o centro, menos quente, da frigideira. Isto até já não restarem (ou quase) cristais de açúcar.

Aqui um parêntesis muito importante: notem que é fundamental que o caramelo fique bem claro, ou seja, que esteja ao lume o mínimo de tempo possível, dado que, se cozinhar de mais, fica escuro e com um sabor horrível. Isto acontece porque o açúcar de mesa, sacarose praticamente pura, é um hidrato de carbono. Aquecendo-o, ele derrete, transformando-se num líquido transparente. Depois, à medida que a temperatura aumenta, começa a decompor-se. Primeiro perde água, numa reacção dita de desidratação. Depois, as ligações entre os átomos de carbono que compõem as moléculas de sacarose começam a ceder, num processo complexo, em parte de oxidação e em parte de degradação, que vai originar centenas de novos compostos químicos. E é chegado a este ponto que a chamada caramelização está a ocorrer. Continuando o aquecimento, a calda deliciosa, complexa, com sabor a rum (ou será o contrário?!) que é o açúcar caramelizado, vai continuar a decompor-se, mas desta vez em coisas de sabor cada vez mais amargo que, no extremo, não passarão de uma forma algo cristalina de carbono impuro com alguns traços de produtos da decomposição dissolvidos. Acreditem: jamais alguém quereria comer isto.

Bem...

Voltando ao bolo, verti este caramelo claro para dentro de uma forma de tarte anti-aderente. Importa que seja anti-aderente, sim, porque desta vez a forma não se vai untar. Se o fizesse, o caramelo não aderiria ao fundo — entre outras deficiências que provavelmente matariam o bolo.

Cortei duas bananas grandes às rodelas, que depositei por cima do caramelo, de modo a cobrir uniformemente o fundo da forma. Polvilhei-as com canela e deitei-lhes por cima a massa do bolo.

Cozeu a 200ºC durante 35/40 minutos. Desenformei-o assim que saiu do forno.

Pode comer-se simples, mas gosto mais dele ainda quente, com gelado de baunilha ou natas.

Ela recomenda um bom late harvest com este tipo de coisas. E eu concordo. Este, por exemplo, não engana. Mas, com um Porto muito velho ou um Sauternes, ainda é capaz de ir melhor.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Mouton Cadet '2005

Mouton Cadet, colheita de 2005. Tinto de Bordéus (AOC) produzido pela Baron Philippe de Rothschild, S.A. Mostra aromas pouco intensos a frutos vermelhos; aqui e ali, um desmaiado traço de etanol que rapidamente se esfuma em frescos balsâmicos. Pinho, mentol. Na boca, sempre muito fresco e elegante. Pouco álcool, baixa acidez. Tal como no nariz, a fruta não surge muito doce, mas delicada, enlaçada com suave, fria mineralidade. Termina razoavelmente longo e saboroso.

A história deste vinho resume-se à universalidade com que, voluntariamente, se define. É dos vinhos franceses mais vendidos no mundo, visto por muitos como a resposta ao bem sucedido ataque dos vinhos do novo mundo ao mercado norte-americano, e feito para agradar a gregos e troianos, digo, a europeus e americanos, tendo vindo a defender com honra as cores de Bordéus a um preço relativamente baixo. Focando-se nessa mesma universalidade, o produtor tentou criar um vinho fácil, suave e minimamente complexo, feito para ser bebido novo e, acima de tudo, para não agredir — ao mesmo tempo emulando, na medida do possível, o registo bordalês «clássico». E apesar de ter abandonado o estágio em madeira, o facto é que aparenta tê-lo conseguido. Porém, aqui, inevitavelmente, algo se perde. Se por um lado lhe falta a potência de um vinho bem espigado, «à novo mundo», se quiserem, cheio de fruta e madeira e do que com ela vem, por outro, também não possui a finura e complexidade que se espera de um vinho feito para agradar pela via da suavidade, da elegância. É que isso só costuma vir com coisas que ele não tem.

Seria mesmo necessário fazê-lo tão genérico e descaracterizado?

Custou mais ou menos 10€. É caro para o que vale.

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domingo, 22 de junho de 2008

Bolo de Canela

Fiz este para servir de sobremesa, com doces de frutos vermelhos, acompanhado de bom vinho do Porto. Mas, simples, também vai muitíssimo bem.

Ingredientes:

3 xícaras de farinha;
1 xícara de açúcar;
3 ovos médios;
1 xícara de leite;
3 colheres de sopa de canela em pó;
3 colheres de sopa de manteiga;
1 colher de sopa de fermento.



Como preparar:

Batem-se os ovos com o açúcar até se formar um creme esbranquiçado, ao qual se adiciona a canela. Então vai-se misturando a farinha, aos poucos, até resultar uma massa homogénea. Adicionam-se o leite e a manteiga, depois o fermento (em pó).

Vai ao forno durante 45 minutos, a 200ºC, numa forma untada e polvilhada.

sábado, 21 de junho de 2008

Bob Dylan — Oh Mercy

Este foi o primeiro álbum de Bob Dylan que comprei. Tinha 13 anos e confundi-o com outra coisa. Abençoado acidente.

Da extensa e maravilhosa discografia do homem, este é o meu álbum. Se me mandassem para a ilha e só pudesse levar um, era este. Vale a pena descobrir um pouco mais sobre ele. E se só pudesse levar uma música, seria a que o encerra, esta Shooting Star que hoje aqui vos deixo.



Cogumelos-Ostra (Para Acompanhar Carne)

Chama-se cogumelo-ostra ao pleurotus ostreatus, um cogumelo originalmente selvagem, delicioso, que se tornou muito popular em relativamente pouco tempo. Aqui podem encontrar (quase) tudo o que eventualmente precisarem de saber acerca deles.

A seguinte é uma das minhas formas preferidas de os preparar porque lhes preserva o sabor, adicionando-lhes, porém, um pouco de complexidade.

Acender lume forte. Esborrachar 4 alhos. Alourá-los num fundo de azeite, em panela baixa e larga. Estando o azeite bem quente, juntar os cogumelos, um a um, tendo o cuidado de não os sobrepor. Temperá-los com um pouco de sal (para 300g de cogumelos, o equivalente a uma colher de café de sal — no máximo). Deixar cozinhar até ficarem moles e «louros», o que usualmente demora apenas 1 ou 2 minutos. Adicionar à cozedura 150ml de cerveja. Deixar evaporar o álcool. Tapar o tacho. Reduzir o lume para o mínimo. Deixar cozinhar, tapado, em lume brando, durante mais 5 minutos, mais ou menos. Apagar o lume volvido esse tempo. Deixar repousar os cogumelos, com a panela tapada, mais 10 minutos.

Servir. Acho que acompanham na perfeição praticamente qualquer prato de carne. Nota à etiqueta: eu sei que os cogumelos não são frutos nem legumes.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Casaleiro — Syrah "Reserva" '2006

A revista Wine Passion deu a este vinho de menos de 4€ um gordo 18 (em 20) numa prova de varietais Syrah portugueses.

É um vinho da moda, de cor a caminhar para retinta e cheio de aromas intensos e envolventes a frutos silvestres muito maduros, cereais maltados doces e caramelo em abundância, e ligeiro floral, a evocar aroma artificial a uvas (ou, já agora, o cheiro dos Tigi Catwalk Fashionista e de algumas esferográficas populares entre as pitas), com resquícios de madeira e bem carregado de álcool.

Tem corpo e é saboroso, embora pareça um bocado rústico se não tiver comida a acompanhá-lo — a comparar com o que se passa no nariz, a fruta surge comparativamente pouco doce na boca, e tal discrepância é desagradável — e se torne chato caso se esteja a beber a garrafa toda sem conversa, a Bíblia (o Apocalipse, sempre), ou televisão para distrair, dado que não é minimamente complexo.

Pareceu-me ter ganho com um grande arejamento, de algumas horas. Como nota final, gostei muito mais dele a 16ºC do que a 18ºC, altura em que a fruta doce já começa a parecer diluída em álcool.

Ao preço a que está, é vinho a experimentar.

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quarta-feira, 18 de junho de 2008

Filmes (1)

Bitter Moon


De Roman Polanski. Com Hugh Grant, Emmanuelle Seigner e Kristin Scott Thomas.





Já vi chamarem-lhe exploração de possibilidades num contexto de perversão sexual. Pois bem, tamanha barbaridade só poderia vir de um crítico assexuado. E poucos o não serão. Este filme é, isso sim, uma história de amor à japonesa. Envolvente como um bombom. A fotografia é lindíssima.

Vão ver.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Bifes de Peru em Picante Agridoce

Este prato intenso foi uma criação da menina S. Ficou óptimo.

Primeiro, com umas horas de antecedência, preparou o molho:

Aqueceu mais ou menos uma colher de sopa de azeite em lume forte e juntou-lhe 3 colheres de sopa de malagueta seca esmagada. Depois adicionou à "fritura" 8 ou 9 colheres de sopa de ketchup (normal, não picante) e o sumo de meio limão. Engrossado o molho, juntou-lhe 2 colheres de chá de açúcar e mexeu até este se ter dissolvido por completo. Então verteu o molho para dentro de uma tigela e juntou-lhe 1 dente de alho, cru e finamente picado, e salsa fresca cortada aos bocadinhos. Mexeu tudo muito bem e deixou arrefecer.

Depois, os bifinhos, fez assim:

Cortou 400g de bifes de peru em pedacinhos do tamanho de uma pilha de 9V e temperou-os com 4 dentes de alho, colorau e sal. Depois passou-os por farinha de trigo integral e pô-los a fritar, um de cada vez, num fundo de óleo quente, sempre com o cuidado de nao os sobrepor. Dourou-os de ambos os lados e juntou à fritura 8 colheres de sopa de molho de soja e meia lata de cerveja. Pouco depois, quando o molho daí resultante engrossou, os bifinhos estavam prontos.

Foram servidos com arroz branco e pimentos assados, que se prepararam da seguinte forma:

Lavou-os, extraiu-lhes as sementes e cortou-os em 4 partes, no sentido longitudinal. Foram depois ao forno com um pouco de sal e azeite, cerca de 30 minutos, a 250ºC.

Ficou tudo muito bom. Acompanhámos a refeição com suave cerveja de trigo alemã: neste caso, Franziskaner Hefe-Weissbier.

Uma cerveja que sempre adorámos. Vem em convenientes garrafas de meio litro, sabe muito bem e aparenta ter a proporção gás/líquido ideal. Ou seja, mantém-se viva enquanto é consumida, mesmo se demoradamente, mas o gás é fino e surge discreto, realçando assim a textura aveludada da bebida, sem a deixar tornar-se demasiado pesada. Recomendadíssima.

domingo, 15 de junho de 2008

Banana Frita + Gelado

Esta sobremesa, sobretudo no que toca à forma de preparar a banana, pode não parecer muito ortodoxa, mas fica excelente.

Colocam-se bolas de gelado num prato. Desta vez utilizei duas bolas por banana, de baunilha e de rum com passas. Tapam-se com película aderente e levam-se ao congelador.

Numa frigideira, aquece-se um fundo (pequenino) de óleo de amendoim. Quando estiver bem quente, fritam-se ligeiramente, de ambos os lados, as bananas descascadas.

Assim que começam a ficar "loiras", retiram-se de imediato para o prato, de modo a evitar que fiquem oleosas. Cobrem-se com uma colher de sopa (rasa) de mel e polvilham-se com o equivalente a mais ou menos uma colher de café de canela.

Tira-se o gelado do congelador e serve-se com as bananas, como na foto. Por fim, o prato pode guarnecer-se / decorar-se com praticamente o que se quiser. Chantilly é um clássico, por exemplo. Como eu, pessoalmente, não gosto, preferi juntar-lhe cerejas amarelas (que sabem ao mesmo que as vermelhas: estas só calharam ser amarelas) em calda.

Simpsonize Me?

Bem, estou farto de andar para aí com fotos do Bonga em tudo o que é meu avatar. Também já reparei que a moda para quem não se quer mostrar é utilizar umas bonequinhas, meio desenhadas, meio moldadas em 3D. Pois eu que sou puro e tímido e por isso tenho problemas em publicar a minha inefável imagem as is, resolvi fazê-lo de uma forma que achei engraçada, sobretudo porque fiquei mais bonito: simpsonizando-me.


Digam lá que não fiquei um doce. Também experimentei com uma fotografia do meu mano. Ei-lo:


Eis ele. OK, mesmo em 2D e amarelos parecemos — sei lá! — eu, talvez um daqueles putos espertos, muito trabalhadores e só na aparência desencaixados, daqueles que há uns anos atrás enriqueciam ainda na universidade com uma dot com de ascenção meteórica. E o Brunito parece tão adulto! Já agora, como miz S. também faz parte da família "Puto Bebe"...


Ficou bem, não ficou? Enfim, quem quiser experimentar, simpsonize-se aqui.


P.S.

Ali, p'rás bandas do Burger King. Acerca da muito linda e simpática mascote que esses senhores escolheram para representar os seus produtos, encontrei uns apontamentos engraçados. Ora vejam:

For these ads, an actor dressed in regal splendor and wearing a gargantuan-sized plastic head of the Burger King character (that never spoke) mysteriously shows up at the home of an average, all-American guy bearing gifts, namely the new Burger King products.

In one spot, the guy wakes up in bed, turns over and is confronted with the Burger King character lying beside him. Seemingly unperturbed (however, the viewers found it kind of creepy) the king offers the man a sandwich which he eats and enjoys. At the end of the spot, the King puts his hand on the guys knee and again the viewers found that kind of creepy.

In another spot, the guy wakes up and pulls open his shades. There, in the middle of a lush green backyard, stands the Burger King (like Hannibal Lecter in the middle of his cage). For a quick moment, the man turns his head and suddenly the King has traversed some 50 feet in a matter of a second. Now most people would have jumped back in horror, but the sleepy-eyed guy happily accepts an offering of a breakfast sandwich.

Pingo Doce — Dão Reserva '2004

Tenho vindo a tentar vencer o preconceito contra os vinhos de marca branca, e foi precisamente isso que me levou a travar conhecimento com este tinto de 3,50€.

É um vinho produzido pela Quinta de Cabriz, propriedade da Dão Sul. Aliás, há quem diga que é virtualmente (será? só?) igual ao Quinta de Cabriz "Reserva" do mesmo ano — que custa o dobro ou um pouco mais.

Traz a marca do Dão no aroma. Mais flores que frutos. Balsâmicos frescos e adocicados. Fumos vários e cabedal. Um não sei quê químico e toque de baunilha. Curiosas sugestões a iogurte de banana. Bom nariz! Complexo, agradável, com carácter. À boca falta profundidade e persistência, mas o equilíbrio é notório, tal como o é o sabor agradável da fruta bem engranzada com notas de barrica, a que não falta presença e, até, alguma originalidade. Interessante ainda a quantidade e qualidade dos taninos presentes.

Gostei muito.

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sábado, 14 de junho de 2008

Bolo de Coco "Galáctico"

Pelos vistos, eu ainda não ouvi dizer que fazer bolinhos é para as meninas. E nesse registo pouco mais haverá a dizer. Curiosamente, não só ficou comestível como até o acharam (sim! outras pessoas!) muito bom. Quanto ao nome, é uma private joke. Daquelas de um tipo se rir que nem um filho da puta, até se mijar. Mas privada.

Há uns quantos pormenores preliminares à elaboração do bolo que acho importante mencionar. São eles:

Acerca das claras em castelo, diz-se que as partidas de véspera se batem melhor que as do dia. Também corre por aí que ficam mais firmes se forem batidas à temperatura ambiente e com uma pitada de sal ou umas gotas de sumo de limão. E eu acredito.

Quanto ao fermento químico em pó (usei o vulgaríssimo Royal), os seus princípios activos são o bicarbonato e o pirofosfato ácido de sódio. E aqui vale o que tento tornar habitual por estas bandas: siga os links, que vai aprender muito mais que aqui.

Agora que já fui chato, vamos ao bolo.

Base:

2 xícaras de farinha;
1 xícara de açúcar;
1 xícara de leite;
4 ovos;
1 colher de sopa de fermento em pó.

Recheio e cobertura:

1 lata de leite condensado;
2 latas (ou seja, o dobro do volume de leite condensado utilizado) de leite;
100g de coco ralado;
3 colheres de sopa de maizena.


Como?

Parti os ovos e separei as gemas das claras, que bati em castelo. Acrescentei depois as gemas e, batendo sempre, juntei o açúcar, a farinha e o leite, este pouco a pouco. Depois, uma colher de sopa de fermento em pó.

Untei uma forma com uma margarina vegetal "para culinária" bem gordurosa (convém não usar daquelas margarinas para barrar o pão) e polvilhei-a com farinha, sem esquecer as pancadinhas da praxe para soltar eventuais excessos acumulados nas paredes. Foi aí que a massa cozeu durante 40/50 minutos a 200ºC.

Cozido e desenformado o bolo, deixei-o arrefecer e então abri-o ao meio aplicando-lhe um corte transversal com o intuito de o rechear.

Num tacho, misturei o leite condensado com leite e maizena. Fui mexendo, vigiando sempre, até que engrossasse. Por fim, adicionei o coco. Depois de recheado e coberto, levei o bolo ao frigorífico.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Costeleta de Porco Fripesaulce

Esta costeleta maravilhosa inspira-se num clássico francês, as côtes de porc Pilleverjus, que surgem mencionadas na Larousse Gastronomique. Ora, Fripesaulce, Hoschepot e este Pilleverjus que deu nome à receita eram — nem mais! — os cozinheiros de Grandgousier, pai do fabuloso gigante Gargântua, personagem central da obra com o mesmo nome (La vie très horrifique du grand Gargantua, de 1534), que é giríssima e se farta de nos mostrar coisas da vida — de então e de agora — saída da pena de um dos ícones do Renascimento e, reconheçamos ao homem o valor devido, de sempre — François Rabelais.

Para quem quiser e não puder comprar o livro, aqui fica um link para a página do Project Gutenberg que disponibiliza a obra em formato de texto (ASCII) e HTML. Mas olhem que este vale mesmo a pena ter em papel.

Voltando às costeletas, os ingredientes são:

2 costeletas do lombo, de porco;
2 cebolas pequenas;
5 dentes de alho;
2 colheres de sopa bem cheias de banha;
1 colher e meia de sopa de azeite picante;
1dl de vinho tinto (usei Anta da Serra);
5cl de whisky (usei Chivas Regal de 12 anos);
3 folhas de louro;
sal q.b.

E prepara-se assim:

Primeiro descascam-se os alhos, esborrachando-os ao de leve. A maioria dos meus queridos leitores já deve ter tomado contacto com aquela técnica que consiste em encostar o lado de uma faca ao dente de alho e dar uma pancada. Pois bem, é disso que se trata, só que eu utilizei uma pedra, um belo calhau de granito ligeiramente rolado que encontrei certa vez numa margem do Côa e que tão útil tem sido para os mais variados fins... Adiante.

Põem-se então os alhos a alourar em lume forte num tacho baixo e largo onde previamente se pôs uma colher de sopa bem cheia de banha.

Quando estiverem dourados, adicionam-se as folhas de louro, partidas ao meio.

Depois, quando o tacho estiver mesmo muito quente — por analogia com o que se passa numa chapa, para selar a carne — juntam-se as costeletas, que se escaldam muito brevemente de ambos os lados e só depois se salgam. Deixam-se dourar dos dois lados.

Depois deita-se 1dl de bom vinho tinto e cerca de 5cl de whisky dentro do tacho, destapado, e sempre com o lume no máximo, de forma a facilitar a evaporação do álcool. Este é um passo rápido, uma vez que o molho em questão, para além de não estar presente em grande volume, é bastante alcoólico e encontrar-se-á muito quente. Evaporado o álcool (e não o molho todo), apaga-se o lume.

Uma vez descascadas, cortam-se as cebolas em quartos que se fatiam para dentro de um recipiente de ir ao forno algo fundo: um caçoilo de barro talvez seja o ideal. Depois salga-se um pouco.

E transferem-se as costeletas para cima da recém-feita "cama" de cebola temperada de sal.

Cobre-se então o conjunto com o molho das costeletas, o azeite picante e a restante colher de sopa de banha, esta distribuída em pequenas nozes por cima da carne.

Vai ao forno durante 30 ou 40 minutos a 220ºC, se possível sem utilizar a resistência de cima.

Comi-as com arroz frito em azeite.


Fritei 200ml de arroz carolino em azeite bem quente, com 3 folhas de louro e sal, até o arroz ficar bem transparente. Depois juntei-lhe 3 colheres de sopa de massa de tomate e 600ml (ou seja, três vezes o volume de arroz) de água. Cozeu destapado e não o deixei secar por completo — evidentemente.

Ficou com um sabor maravilhoso, com notas intensas de louro, a completar na perfeição a costeleta. A S. não gosta demasiado de porco, muito menos de porco preparado em banha, o que fez com que tivesse sido eu a comer tudo. Tudo. Foi tão bom. Quase não fotografava os pratos (comi do caçoilo e tudo), tamanha a gula.

Empurrei a paparoca com um agradável tinto da Herdade do Porto da Bouga, mas a precipitação com que o consumi não me permitiu tomar qualquer nota. Fica para a próxima.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Angelo Centenari Creation — My Rose

Estive a beber licor de rosas. Hoje à tarde, quando ainda só tinha tirado um cálice, o aspecto da garrafa era este.

O rótulo diz:

Angelo Centenari Creation ®

"My Rose" / Rose in Liquore

Angelo Centenari Creation Prodotto e imbottigliato nello stabilimento di Garlasco PV Italy. Lic. UTF PV N. 001 UTF Ingredienti: rose, alcool idrato, zucchero, aromi, colorante: E 127 / Liquore: 350ml / All'origine: 25% Vol.

A garrafa é linda. Contém duas rosas naturais, inteiras, imersas na bebida. Cheira muito bem. O licor é bastante leve e untuoso, diria mesmo sedoso no palato. Mas o sabor é algo acre: sabe a flores frescas e álcool. Nada doce.

Procurei descobrir mais sobre esta bebida e, pelo que (não) encontrei, presumo tratar-se, à sua medida, de uma (relativa) raridade. Concluindo: a garrafa poderia ter, talvez, algum valor decorativo se não estivesse fechada num sítio escuro. Cheira melhor que qualquer outro licor que antes me tenha passado pelas mãos (leia-se goelas) e é, sem dúvida, uma bebida interessante. Para beber uma ou duas vezes por ano. Vale, acima de tudo, pela curiosidade que suscita a diferença. Mas não me interpretem mal: este não é um mau licor de rosas, muito pelo contrário. Simplesmente, até à data, ainda não provei um licor de rosas que me soubesse bem. Comprei a garrafa há três ou quatro anos e custou à volta de 20€.

domingo, 8 de junho de 2008

Pzychobitch — The Day After

Aqui podem descobrir um pouco mais sobre este álbum e aqui fica a casinha desta tão interessante banda.




Gostaram do clip? :)

sábado, 7 de junho de 2008

Frango Assado em Marinada de Iogurte

Nem por isso rápido de elaborar e requerendo certa vigilância enquanto assa, mas de sabor ao mesmo tempo intenso e delicado, interessante e muito fácil de cozinhar, o meu jantar de ontem:


Ingredientes:

1 frango sem pele, cortado aos bocados;
2 iogurtes naturais;
1/4 de tubo de harissa: usei desta;
sumo de 1 limão e meio (sem qualquer caroço!);
3 colheres de sopa de caril;
7 dentes de alho (cortei às rodelas);
3 colheres de sopa de óleo de amendoim;
2 colheres de sopa de gengibre ralado (metade se usar gengibre em pó);
sal e picante a gosto.


E prepara-se assim:

Primeiro faz-se a marinada. Misturam-se os temperos todos num recipiente grande. Costumo juntá-los pela ordem que se segue: caril, picante, gengibre, sumo de limão, harissa, óleo, alho e iogurte. Mexe-se muito bem. Depois vai-se deitando o frango na marinada, envolvendo-o muito bem, de modo que todo fique bem coberto. Tempera-se então de sal. Deixa-se marinar durante mais ou menos uma hora e meia e vai ao forno a alta temperatura (aqui costuma ir a 250ºC) até a marinada ter desaparecido quase toda.

Gosto de comê-lo com bom arroz jasmim tailandês.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Outeiro da Águia — Colheita Seleccionada '2003

De ontem, outro tinto do Alentejo. O vinho de ataque da Herdade do Meio.

Cor granada profunda.

Cheira a frutos vermelhos com toques de vegetal seco, erva campestre, restolho.

Apresenta muitas, envolventes, notas de estágio: madeira húmida, madeira velha, baunilha, cacau — talvez em demasia. Para o meu gosto, acho que os elementos frescos, doces, vivos deste vinho não possuem profundidade suficiente para contrabalançar um muito presente carácter pesado, outonal, de frio húmido, murcho, morto, que acaba por prevalecer.

E o fio da história prossegue intocado na boca: fruta concentrada mas abafada, pouco gulosa, ora a evocar passas, ora cerejas e ginjas há muito conservadas em álcool.

Final mediano.

Para os 8€ que pedem por ele, é caro.

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quinta-feira, 5 de junho de 2008

Vila Santa '2005

Acompanhei a piza com uma garrafa de Vila Santa, colheita de 2005.

As excelentes características das castas Aragonês e Trincadeira, aliadas à elegância do Cabernet Sauvignon, à rusticidade do Alicante Bouschet e ao estágio em meias pipas novas, resultam num vinho invulgar, de excelente complexidade, assim reza o rótulo deste agradável tinto de João Portugal Ramos.

E ao contrário de muitos, não mente.

O nariz faz-se de frutos negros muito maduros, cuja doçura é moderada por suaves aromas balsâmicos e laivos de vegetal — o falado pimento verde do Cabernet Sauvignon — que conferem a este tinto um carácter bem definido e, de facto, algo invulgar. Na boca, é fresco, harmonioso, elegante e muito saboroso.

Custa à volta de 10€.

Sem dúvida, a repetir.

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Piza! De coisas feitas de porco, pimentos e cogumelos...

Anteontem comemos piza. Comemos uma piza que adoro, cheia de derivados de porco e pimento verde, com muitíssimos orégãos e queijo.

Piza. Em bom português, com um só "z". Verdade! Senão, vejam:

piza, subst. feminino, do italiano pizza,

iguaria de origem italiana, de forma arredondada e achatada, feita com uma base de massa de pão, coberta por camadas de tomate, queijo, anchovas, presunto, ou um grande número de outros ingredientes e que é temperada com orégãos, tomilho, etc.

Cortesia dos senhores da PRIBERAM.

Mais uma coisa antes de começarmos: vejam só este link. Tantas coisinhas giras que dá jeito saber sobre a farinha.

Pizemos, então.

Primeiro fiz a massa. Levou:

400g de farinha de trigo t65;
200ml água;
4 colheres de sopa de azeite;
10/15g de fermento de padeiro;
meio dente de alho, finamente picado;
2 colheres de chá bem cheias de sal.

Amassei-a na máquina de fazer pão, sem deixar levedar, para ser mais fácil de estender. Só depois de a estender e lhe dar forma, neste caso, um grande e tosco círculo, a deixei crescer um pouco antes de a cobrir, já no tabuleiro em que a dita foi ao forno, previamente coberto com um bom fundo de azeite.

Ora, cobri a base com uma camada generosa de massa de tomate, daquela pré-embalada, que eles dizem que só leva tomates maduros esmagados e, talvez, um pouco de antioxidante, e polvilhei com orégãos. Juntei uma fina camada de chourição, apenas 6 fatias finas, já que não queria que o seu sabor intenso se sobrepusesse a todos os restantes, e, por cima, muitos cubos, pequeninos, de fiambre. Cobri tudo com 4 fatias de bom queijo mozzarella, voltei a polvilhar com orégãos e tapei tudo com uma camada espessa de mozzarella ralado, cogumelos e pimentos, verdes e vermelhos, cortados aos bocadinhos.

A piza foi cozida num forno eléctrico (é o que há...) a 250ºC, com ambas as resistências ligadas e recirculação de calor, mas mais perto da resistência de baixo — para cozer a massa da base sem queimar o queijo — talvez durante 30 minutos.


Ei-la!




Ora, escusado será dizer que, com isto na mesa, não perdi nova oportunidade de me enfrascar com vinho de qualidade. Mas isso fica para o próximo post.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Velharias (3)


(Sem título — 21/7/2005)


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Somos jovens arrogantes.
Esquecemo-nos do mundo e desconhecemos o céu.

Que tudo o que vai, volta.

Jamais sejas cruel para com aqueles por que nutres sentimentos humanos.
E sê humano para com todas as criaturas vivas.


The Stone Roses — The Stone Roses



#1, I Wanna be Adored

terça-feira, 3 de junho de 2008

Doce de Laranja


Doce de laranja. Para cobrir biscoitos. Para empurrar com vinho do Porto. À sobremesa.


Descasquei cuidadosamente 5 laranjas, que, inteiras, pesavam 800g, retirando também os caroços e a totalidade da camada branca que se situa entre a casca e os gomos. Depois cortei-as em cubinhos. Misturei 350g de açúcar branco com 1dl de água e levei ao lume, deixando a espessa mistura ferver um pouco, o que deve ter demorado uns 10 minutos. Juntei-lhe então os bocadinhos de laranja, 2 colheres de chá de canela em pó, e algumas (poucas) raspas e o sumo de um limão e meio. Deixei, por fim, cozinhar até engrossar, o que terá demorado 15 ou 20 minutos. Foi ainda quente para dentro de um frasco previamente esterilizado.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Quinta das Tecedeiras — Reserva '2003

Do Douro (D.O.C.), produzido na quinta de que leva o nome, propriedade da Dão Sul.

Muito bom vinho. Aroma primeiro suave e doce com traços lácteos, fazendo lembrar morangos muito doces em batido. Depois, exuberante e complexo, cheio de frutos silvestres frescos, flores do campo e especiarias. Na boca, a continuação do nariz: revela uma estrutura notável e um sabor intenso a amoras e bagas que se prolonga num belo final. É um vinho que, apesar de cheio de força, se mostra aveludado, com corpo que chega e sobra para sustentar os 14,5% de volume alcoólico que apresenta. Fresco, tem vindo a evoluir no sentido da elegância, estando bem menos explosivo, bem menos madurão que quando saiu. É um vinho que acaricia, sem nunca se tornar enfadonho.

Custou mais ou menos 20€.

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symbols.com

Ainda o Acordo Ortográfico

Ainda não tinha visto que andava por aí a circular uma petição contra o protocolo modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Ah, afinal são duas.

Não acredito que este tipo de protesto produza qualquer resultado. Há muito que nós, portugueses, nos manifestamos em tom morninho, quase como quem suplica, contra as putadas que nos faz quem governa. Aqueles que a maior parte de nós elegeu e a quem todos baixamos as orelhas — sempre. Todas as justificações são aceites. Já nada importa realmente: o que mais vier, virá. Não faz mal.

E porquê? Por comodismo. Aliado a doses fenomenais de mediocridade. Porque para lutar contra os poderes insituídos é preciso sacrificar algo. Não são aqueles que se afirmam a favor de A ou contra B no conforto do lar ou na mesa do café com os amigos que se vão conseguir fazer ouvir ou notar. Não é uma classe que, após muito ameaçar, finalmente acaba por fazer uma greve de um dia, com 30 ou 40% de adesão, que vai conseguir as mudanças pretendidas. No entanto, de certo modo, ainda bem que não se luta mais activamente. Podia ser perigoso, perigoso para todos nós: é que as pessoas, quotidianos vergados ao enorme empréstimo contraído para pagar a casinha nos arredores, ao puto hiperactivo que gasta fortunas em terapeutas por ser hiperactivo e que por isso mesmo não se cala com a PS3 que tanto quer ou à novíssima piza de farinheira do take-away franchisado do costume, já fazem tanto e pensam tão pouco que deixaram de saber em que acreditar.

Talvez seja por isso que nunca ninguém faz nada. E os nossos dirigentes, pessoas de segunda e políticos de terceira, no entanto ainda capazes de pensar, sabendo completamente inatacáveis os seus interesses, tornaram-se autistas.

Não é com petições que se vai lá — mas, por via das dúvidas, já assinei.

domingo, 1 de junho de 2008

Hambúrguer à Puto Bebe com Molho "Zion" + Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2004

Foi o meu (nosso) jantar de ontem.
Adorei. Vale mesmo a pena o trabalho que dá.

Molho Zion. Achei engraçado chamar-lhe isto. Porque será?

Já agora, sabia que, em bom português, "hambúrguer" se escreve assim? Eu não. Nunca suspeitei do acento agudo a empurrar o "u"...

E aqui, um pouco de informação extra sobre este ícone da culinária americana.
Que história interessante! Que receita venerável! Não?!


Ingredientes:

600g de carne de vaca (bife) picada. E aqui uma ressalva: nunca apreciei aquelas carnes picadas pré-embaladas, "para hambúrguer", que se vendem nos supermercados. Não querendo ou não podendo triturar a carne em casa — porque, regra geral, os trituradores domésticos deixam a carne picada com um grão demasiado fino, quase em papas — peça no talho que lhe triturem um naco de carne adquirido na altura. Não só estará a comprar carne mais saborosa como terá outro tipo de garantias acerca daquilo que estará a comer;

5 ou 6 batatas grandes, de preferência novas, de casca branca e fina;
1 cebola média;
300ml de natas;
sumo de 1 limão;
óleo de amendoim;
farinha;
pimenta verde em grão, malaguetas secas, sal e pimentão doce (colorau) q.b.


Como se faz:

Cortam-se as batatas, com casca, em fatias relativamente grossas (com cerca de meio centímetro de espessura) e cozem-se, mas não muito, para não se desfazerem. Quando cozidas, escorrem-se e levam-se ao forno, espalhadas num tabuleiro, a 250ºC, durante mais ou menos meia hora.

Enquanto isto, misturam-se a carne e a cebola picadas, farinha, o sumo de limão, malagueta seca, pimenta verde em grão, sal e colorau de forma a que resulte uma massa moldável. Com esta massa, que deverá não ser muito consistente, fazem-se bolinhas. Leva-se ao lume forte um fundo de óleo de amendoim e, quando este estiver bem quente, põem-se lá as bolinhas, que, acto contínuo, se espalmam, formando os hambúrgueres propriamente ditos, mas não ao ponto de ficarem muito finos, em nome da suculência! Quando a parte de baixo dos recém-formados hambúrgueres se puder descolar sem problemas do fundo da frigideira, viram-se. Depois, quando tiverem começado a dourar de ambos os lados, deixam-se fritar em lume brando — de novo, pela suculência. Quando estiverem bem dourados, com aparência de cozinhados, colocam-se numa travessa capaz de ir ao forno e assam-se a 200ºC durante 10 minutos.

Entretanto, convém ir-se fazendo o molho.
Deita-se pimenta verde esmagada num tacho bem quente. Juntam-se-lhe natas e sal e espera-se que o molho engrosse. É importante usar um tacho baixo e largo para o molho engrossar mais uniformemente.


Também bebi (pois então), E o eleito da noite foi um vinho das Terras do Sado, um Adega de Pegões Colheita Seleccionada '2004. Foi sozinho em jeito de prova, acompanhou o hambúrguer, foi com um bocadinho de queijo Manchego velho à sobremesa, e ainda acabou por voltar a ir sozinho, o fim da garrafa, enquanto via um filme (já agora, foi o remake do Insomnia: muito giro, por sinal).

Trata-se de um vinho sobejamente conhecido e premiado, enfim, uma das grandes relações qualidade/preço do mercado. Não desapontou. No copo, notei logo que estava perante um vinho muito escurinho, concentrado. Depois, nariz intenso e complexo de flores, frutos e fumos, e mais — a Touriga Nacional a dar sinal de si. Na boca, macio e saboroso. Boa acidez, bons taninos, bom final.

Muito agradável!

Ademais, tudo indica tratar-se de um vinho que envelhece bem. Custou 7€.

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