quinta-feira, 31 de julho de 2008

Cheesecake de Framboesas

Pode ler-se na wiki (em português) que,

segundo os profissionais, existem "mais teorias sobre o bolo de queijo, do que pessoas que saibam prepará-lo". E pouco mais.

Já a wiki em inglês se mostra mais reveladora.

De qualquer forma, enfim, devo ser um sortudo, já que a S. sabe prepará-lo, e muito bem. Ainda me lembro de quão aturdido fiquei da primeira vez que me surpreendeu com um: estava na mesma onda daquele que às vezes comia no restaurante de certo hotel muito bonito da capital — aquele palacete amareluxo que se impõe lá dum alto ainda limpo e verdito — só que menos feito, mais directo, mais leve, mais límpido — melhor. Agora vamo-lo fazendo de vez em quando, e deste nunca vão restos para o lixo. Como há dias a ms. preparou um que até fotografámos, aí fica:




Num recipiente grande, misturaram-se 500g de queijo ricotta, 200ml de natas, 370g de leite condensado, duas colheres de sopa de farinha de trigo e 5 ovos. Bateu-se tudo muito bem com uma batedeira eléctrica durante 7 a 10 minutos. Trituraram-se finamente cerca de 350g de bolachas shortcake. À «farinha de bolacha» que assim se obteve, adicionaram-se 80/100g de margarina, até a mistura resultar numa massa moldável. Com ela se forrou o fundo de uma forma, tendo-se alisado o topo da camada.

Por cima desta base, deitou-se a massa de queijo, por assim dizer, o corpo, ainda cru, do cheesecake. Foi ao forno a 170ºC durante cerca de hora e meia, coberto com uma folha de papel metalizado para diminuir o risco de o topo se queimar. (Quando, apesar dos cuidados, isto acontece, pura e simplesmente retira-se a parte queimada, que parecerá empolada quando o cheesecake arrefecer.)

Mas, desta vez, nada se queimou.

Quando faltavam apenas 10 minutos para o término da cozedura do cheesecake, levou-se ao lume forte um tacho contendo 500g de framboesas e 225ml de açúcar branco. Passou-se a mistura com a varinha mágica e deixou-se cozinhar em lume forte, mexendo sempre, mais uns 10 minutos — até a mistura aparentar estar em ponto de estrada.

Cobriu-se o cheesecake saído do forno com a calda de framboesas, deixou-se arrefecer e levou-se ao frigorífico. Comeu-se — come-se e comer-se-á sempre — bem frio.

Se pretender acompanhá-lo com uma bebida fixe, note que o cheesecake é cremoso e encorpado. É doce, mas não muito. É aromático e directo. E na cobertura, a doçura do açúcar e a acidez das framboesas moderam-se mutuamente.

Assim, a bebida alcoólica «ideal» para o acompanhar deverá ser encorpada, a encher a boca, para fazer face ao corpo, também cremoso, do bolinho. Como ele não é complexo, junte-se a estas considerações certa conveniência de que a bebida a acompanhá-lo o seja. Como se trata de uma sobremesa doce com um toque de acidez, então, harmonize-se por aproximação com um vinho que também apresente estas características.

Então, que vinhos de sobremesa são cremosos, gordos, encorpados, complexos, dotados de boa acidez e doces — mas não muito? Uns quantos! Alguns «colheita tardia», alguns Sauternes...

Porém, sempre preferi acompanhá-lo com água das Pedras. Essa sim, uma combinação extraordinária.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

...

Vou fazer Ó-Ó. Não, que catano, não é o roque pequeno. Vou Ó-Ózar, mas estive aqui a reciclar com muito trabalho dos meus livrinhos velhos uma coisinha fofinha e muito engraçada para vocês lerem. É um bocadinho do 7º volume do NNY, que não é o Nuveen New York Municipal Value Fund. Não consigo perceber que interesse poderá ter colocar um link para a página deles, mas aí fica. Pode sempre vir a dar jeito, que nesta vida, nunca se sabe. Eu vou-me embora, que já não digo coisa com coisa.

Gostaram? Há mais aqui. E experimentem isto, também. Mas façam-no mesmo — porque a BD está tão gira, e temos de ser solidários e isso, também — Vá, a sério, ajudem o homem a coisas, a comprar gasolina e isso.

Roda dos Coelhos '2006

Da Herdade dos Coelheiros, feito com uvas Trincadeira, Aragonês e Syrah.

Vem muito bem vestido, de rótulo ilustrado por Bela Silva.

Tem cor rubi.

E fruta generosa no nariz e na boca. Laivos de baunilha e figo.

Corpo mediano, arredondado, dotado de bom equilíbrio.

Nervoso, de acidez refrescante, mantém-se interessante à medida que se vai bebendo. Travo ferroso do princípio ao fim.

Simples e bem feito, quase juraria tratar-se de uma versão simplificada do Vinha da Tapada. Apresenta uma boa relação qualidade/preço.

Custou pouco mais de 3€.

14,5

Quinta da Mimosa '2005

Tinto D.O.C. de Palmela — varietal Castelão da Casa Ermelinda Freitas.

Segundo a página do produtor, provém de vinhas velhas, com 40 anos, implantadas em solos arenosos. É vinificado com fermentação em cubas-lagares de inox a temperatura controlada e maceração pelicular — ou seja, as peles das uvas mantêm-se em contacto com o mosto antes da fermentação — prolongada. Estagia durante 12 meses em meias pipas de carvalho francês.

Foi decantado e servido a 16ºC. Desde logo libertou aromas intensos e muito doces a amoras e framboesas, com fortes sugestões de melaço e chocolate, assentes num fundo fresco ligeiramente mentolado e vagamente terroso. A boca, muito redondinha, também cheia de fruta, mostrou boa estrutura — taninos muito finos conjugados com uma acidez interessante, a entrar no conjunto evocando maracujá — e apresentou vívidas — tanto que surpreenderam — impressões a leite com chocolate temperado com baunilha. Gostei.

Custou 8,50€.

16

domingo, 27 de julho de 2008

Dior — Addict High Shine

Adoro este bâton.

A cor é leve; o pauzinho, de textura fantástica, é muito hidratante, e — aqui o mais engraçado — sem ser um gloss, deixa os lábios com o aspecto «molhado» que só com os glosses é usual obter-se.

Brilha como um gloss mas não é pegajoso e cobre (a cor natural d') os lábios como um bâton, não como um gloss. Deixa os lábios suaves e — ou muito me engano, ou — mais volumosos, também. A cor que comprei, a nº 382 — Mauve Mannequin, é um rosa-malva com brilhantes bastante neutro.
Acho a embalagem muito bonita, sobretudo a tampa de plástico semi-transparente, iridescente. Basta olhar para ela, aliás, para se perceber que é um produto da linha Addict.

Custa entre 25 e 30€ e encantou-me. Planeio comprar muitos mais, noutras cores (duh).

Mais na página do fabricante.





Estratégia retórica que consiste em apresentar em jeito de achega tardia umas quantas ideias que quero destacar, ou seja, a única forma de postscriptum dotada de razão de ser na nossa computorizada actualidade — à excepção dos postscripta cínicos, claro. Mas esses são preciosos porque vivemos na era dos burros.
Ou seja: postscripta:

1) O artigo — como, aliás, todos os de maquilhagem — é da S.. Ela é que usa destas coisas. MAS um dia estava todo fodido e ela convenceu-me a tirar umas fotos, umas fotos assim. Umas fotos, enfim — adiante. Talvez um dia aqui deixe uma para vocês se rirem, mas não antes de este espaço ter perdido toda a decência.

2) Eu sei que em português se escreve «batom», mas, foda-se, a palavra fica demasiado feia. Daí preferir italizar o termo em francês — também só vem comer a esta tasca quem quer.


É bonito, não é?

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Esmero '2004

Do Douro, produzido por Rui José Xavier Soares.

No rótulo, os seguintes dizeres:

Este vinho provém de uma pequena parcela (0,73ha) de vinha muito velha com cerca de 80 anos de idade, instalada em socalcos tradicionais durienses a baixa altitude. O encepamento é constituído por uma mistura de castas com predomínio da Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Amarela; com menor expressão encontra-se o Alicante Bouschet, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Tinto Cão, entre outras.

As uvas foram vindimadas em 23 de Setembro e vinificadas em lagar tradicional, tendo o vinho estagiado durante 18 meses em barricas de carvalho francês. As 3650 garrafas resultantes permaneceram em estágio de cave durante 6 meses, as quais podem ser consumidas desde já, ou aguardando pela sua evolução nos próximos anos.

Como recomendado, servi-o a 18ºC. No copo, cor rubi profunda, bastante opaca.

Apesar de decantado, começou muito fechado. Apenas transparecia certo cheiro a etanol em solução. Pouco depois, este começou a desdobrar-se em duas vertentes: uma balsâmica, a fazer lembrar doce resina de pinheiro, outra química, cheia de solventes aromáticos. Diferentes mas intimamente ligadas, ora sobressaindo uma, ora a outra, assentes num fresco fundo mineral. Nesta altura, o vinho mostrava-se muito denso e fresco na boca, mas sem grande expressividade. Com o arejamento, estas primeiras impressões foram-se desvanecendo. Surgiu então madeira e fruta ao natural, esta mais ácida que doce, acima de tudo discreta, a funcionar quase como elemento de suporte. Na boca, ia-se começando a notar a verdadeira estrutura deste vinho, grande, com muito álcool e muitos taninos de grão fino, mas densos. Tudo isto envolto pelo frescor de certa acidez, contida mas eficaz, e muito necessária, já que assim ia aligeirando a sensação de peso deixada por tanta madeira. Com o passar do tempo, o vinho acaba por abrir completamente. Dissipa-se parte da acidez. Surge cada vez mais fruta, cada vez mais doce, até que é esta que acaba por predominar no nariz e no palato, agora com a própria madeira a mostrar-se mais aberta, com aromas mais diferenciados: tostados, baunilha, canela, a servir de elemento de suporte — sempre moderada, aligeirada, pelos balsâmicos refrescantes.

Este é um vinho «de coisas grandes» — intenso, exuberante. Cheio de força, sim, mas sempre educado, sempre elegante nas várias faces que nos vai mostrando. Foi muito interessante descobrir este excelente tinto. Custou 18€, e se os vale!

17,5

Bolo de Caramelo e Nozes

Dado que este pode ser um bolo de aproveitamentos, o número de claras de ovo disponíveis para a sua elaboração pode variar. Assim, pode dar jeito redimensionar a receita, adaptando as quantidades dos demais ingredientes em função do número de claras que tenciona utilizar. Pela minha experiência, o bolo só é viável se levar 6 claras ou mais. Imagine, a título de exemplo, que fez outra receita qualquer, da qual sobraram 13 claras.

Sabe, vendo a receita (lá mais abaixo), que este bolo leva 170g de açúcar e 8 claras, ou seja:
170/8 = 21,25 ≈ 21g de açúcar por clara.

Fazendo o mesmo com a farinha, terá:

250/8 = 31,25 ≈ 31g de farinha por clara.

Ou seja, generalizando:

m (ing. por clara) = m (ing. da rec. original) / nº de claras (da rec. original)

Por fim, apenas tem de multiplicar as quantidades dos ingredientes em questão "por clara" pelo nº de claras disponíveis, segundo a (simples) regra:

m (ing. de que precisa) = m (ingrediente por clara) x nº de claras (que tem)

Por exemplo, para a farinha, recordando que se quer adaptar a receita a 13 claras:

m (farinha de que precisa) = 31,2 x 13 = 405,6 ≈ 400g de farinha

E assim sucessivamente. Note que este raciocínio é válido para uma infinidade de receitas, e que pode calcular as quantidades de qualquer ingrediente em função de qualquer ingrediente. Agora um pouco de optimização: experimente, se tiver paciência para tal e por acaso nunca o fez, recalcular as quantidades dos ingredientes de uma receita em função do ingrediente da dita que possuir em menor quantidade. Esta pode ser, muitas vezes, a solução para aqueles dias em que se queria preparar algo e depois se desiste por não haver um dado ingrediente em quantidade suficiente e não dar jeito nenhum sair só para o ir buscar. Mas, cuidado! As receitas são todas mais ou menos escaláveis, mas não completamente. Sobretudo quando se tenta trabalhar com quantidades muito menores que as das receitas originais.

Aposto que a maioria de vós já sabe e faz isto há muito tempo, mas nunca se sabe a quem pode vir a dar jeito, por isso aí ficou.




Então vamos ao bolo, que é um meus favoritos.


Ingredientes da massa:

250g de farinha;
170g de açúcar;
150g de margarina;
8 claras;
1 colher de sopa de fermento;


Ingredientes do caramelo:

200g de açúcar;
150g de miolo de noz;


Preparação:

Faz-se primeiro a massa do bolo. Batem-se as claras em castelo bem firme. Reserva-se. Noutro recipiente, com a varinha mágica, mistura-se o açúcar à margarina — que, se estiver muito dura, pode ser amornada — até se formar um creme fofo, esbranquiçado. A esta mistura se junta a farinha, já com o fermento incorporado, com a ajuda de uma colher de pau. Mexe-se até a mistura ficar mais ou menos homogénea. Por fim, envolve-se a dita mistura nas claras, também com a colher de pau, e deita-se tudo numa forma de buraco, previamente untada e enfarinhada. Nota: Desta vez, tinha claras congeladas que haviam sobrado de outro dia. Depois de as colocar no recipiente onde ia batê-las, ainda meio congeladas, limitei-me a pisá-las com uma colher de modo a desfazer os pedaços de gelo maiores. Juntei uma pitada de sal grosso e bati, como de costume, com a batedeira eléctrica. Não só cresceram muito depressa como ficaram realmente firmes.

Pincela-se com um pouco de óleo o fundo de um tabuleiro, de preferência anti-aderente, onde se espalham as nozes de forma tão uniforme quanto possível.

Depois prepara-se o caramelo, o mais clarinho possível. Numa frigideira larga, colocam-se 200g de açúcar. Vai ao lume forte. Quando a orla do açúcar começar a derreter, mexe-se, empurrando o açúcar já liquefeito para o centro, menos quente, da frigideira. Isto até já não restarem (ou quase) cristais de açúcar.

Verte-se então o caramelo para cima das nozes e deixa-se solidificar. Uma vez cristalizado, parte-se com pancadas secas e fortes.

Escorre-se o óleo do fundo do tabuleiro e deitam-se os pedaços de «torrão de caramelo com nozes» por cima da massa do bolo, na forma de buraco. Por uma questão de densidades, estes torrões irão afundar-se. Depois alisa-se o topo da massa com uma espátula e leva-se ao forno a 180ºC durante 50 minutos.

Ao desenformar, não espere que este bolo fique direito ou bonito (por causa do caramelo). Mas é uma enorme delícia, ideal para acompanhar com um bom vinho do Porto.

Experimente!

Pato Assado Com Molho de Clementinas

Temperei por dentro da pele (entre a pele e a carne) e no interior — adivinhem lá por onde lhe enfiei as especiarias — um pato de 2Kg, sem miúdos (ele trazia-os, mas reservei-os para o dia seguinte, para uma arrozada), com 4 dentes de alho picados, cravo-da-índia, sal e pimentas verde e preta.




Depois meti-o numa panela vazia, bem quente, onde o deixei dourar de ambos os lados. Uma vez bem dourado, fui deitando vinho tinto aos poucos, mais ou menos um cálice de cada vez, deixando-o evaporar antes de deitar o seguinte. Assim juntei ao pato uma garrafa de vinho, neste caso usei um Nelus Reserva. Deixei, então, cozinhar em lume forte durante mais 45 ou 50 minutos, de panela meio tapada. Desliguei o lume e deixei o pato repousar meia hora, agora com a panela fechada. Depois atei-o fortemente em toda a volta, patas e asas incluídas, de modo a ficar comprimido — um pouco como se atasse um lombo de porco. Foi ao forno durante 2h30 a 220ºC. Mais ou menos meia hora antes de o tirar do forno, juntei ao tabuleiro as batatas, descascadas e cortadas, sem lhes adicionar sal — o molho que se forma com a gordura do pato impregnada de temperos e os componentes menos voláteis do vinho têm riqueza de aromas mais que suficiente para as temperar.

Enquanto o pato assava, preparei o molho. Adicionei ao líquido que se acumulou no fundo da panela onde tinha dourado o pato o sumo de 4 clementinas bem maduras e um limão, bem como os gomos de outras duas clementinas, e deixei a mistura reduzir. Uma vez pronto, ficou à espera do pato.

Dado que a ave era toda só para mim (a S. recusa-se a comer pato porque, em criança, teve um de estimação...), achei melhor jantar apenas as pernas, coxas e o magret (peito), tendo reservado o restante pato para a avozinha da S. desossar de forma a, no dia seguinte, eu ter arroz de pato.




Por fim, mergulhei as partes do animal que me interessavam no molho de clementinas, que deixei ferver, mas não mais de 1 ou 2 minutos, dado que este molho fica bastante intenso.

Não só ficou delicioso como o empurrei com um vinho óptimo, que me deu imenso prazer. Mas disso falamos depois.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Carapaus Assados

Serviu-nos de entrada, esta receita simples de carapaus a dar para o grande, assados durante meia hora a 220ºC, só com sal, e guarnecidos com broa caseira e um elemento vegetal húmido e refrescante — «molho», se assim lho quiserem chamar.




A broa, caseira, não foi feita por mim. Pelo que, embora consiga imaginar-lhe os ingredientes, não sei que proporções e tempos usou quem a fez. Também não tenho aqui um forno de lenha. Ainda assim, talvez para a próxima pergunte.

Para o molho, cortei uma cebola em cubos muito finos para dentro de uma taça. Juntei salsa, misturei, e cobri com azeite e um pouco de vinagre. Deixei repousar um pouco antes de servir.

Nota: utilizei aproximadamente 1 parte de vinagre para cada 8 partes de azeite.

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Hodie mihi, cras tibi.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Dior — Diorshow Waterproof

É uma máscara — rimmel — para as pestanas (mais ou menos) à prova de água da Christian Dior.



A embalagem é muito engraçada. Também aparenta boa qualidade. A escova é grande. Ainda bem, porque as minhas pestanas, também. O produto desempenha a sua função com eficácia: alonga e transmite volume às pestanas e não gruma nem as deixa duras, mesmo quando se sobrepõem várias camadas. Deixa-as com um aspecto muito natural, nem pesadas nem artificialmente lisas, e a cor é realmente intensa (tenho a 090Black). Ao contrário de outras que tenho usado, esta máscara preserva o aspecto encaracolado das pestanas quando se utiliza o lash curler, o que me pareceu muito bom. Um único ponto negativo: esta máscara, anunciada como waterproof, podia ser bem mais à prova de água. Assim sendo, sobretudo se usada por pessoas que tenham as pestanas inferiores compridas, «pode» ir esborratando ao longo do dia. Por outro lado, partes do produto revelam-se tão resistentes que até com desmaquilhantes apropriados se tornam difíceis de remover.

Não é perfeita, pelo menos para mim — a busca continua...
Mas acho-a bastante recomendável.

Custa entre 25 e 30€.

Chaminé '2007

Vinho Regional Alentejano, feito a partir das castas Aragonez (54%), Syrah (36%), Touriga Nacional (6%), Trincadeira (3%) e Cabernet Sauvignon, sem estágio em barrica, pela Casa Agrícola Cortes de Cima.

Mais informações aqui.

Cor rubi intensa.

No nariz, predominam aromas quentes, a madurez de frutos negros.

Na boca, a fruta doce volta a ter destaque. Ademais, mostra-se bem estruturado. É redondinho e equilibrado, macio, vivo e capitoso. Note-se que este «capitoso» não me pareceu defeito, mas feitio. O final perdura qualquer coisa, sim, mais uma vez com a doçura da fruta bem madura na boca e os aromas de índole alcoólica a fazerem lembrar licor de ameixas e água-pé.

Custou pouco mais de 5€.

14,5

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Marqués de Cáceres — Reserva '2000

Encontrei este há tempos. O Guía Peñín atribuiu-lhe 90 pontos e Thomas Matthews, para a Wine Spectator, a 31 de Março de 2006, comentou:

Black cherry, tobacco and licorice flavors mingle in this firm red. The tannins are a bit obtrusive, but should balance with food. A solid wine with good typicity. Drink now through 2009. 12,000 cases imported. Score: 88.

Cor granada. Mostra um nariz intenso, cheio de bagas frescas, doces, muito doces, acompanhadas de intensa madeira: doce baunilha, algo que lembra verniz, um pouco de couro, algum tabaco... O corpo, mediano, está muito suave. A fruta, consentânea com o que se passa no nariz, tenta espremer-se por entre as madeiras, estas mais acres: torrados, seivas, especiarias. Porém, aqui estranhei algo. Os taninos surgem fracos, em défice em relação à acidez, deixando transparecer uma impressão de certa aspereza acídula, mas sem largura, sem densidade, como se o vinho já tivesse atingido o seu auge e agora estivesse a começar a perder corpo.

Ainda tem interesse, mas estava à espera de mais. Este Reserva vai morrer com nove, dez anos?!

Custou 16€.

15,5

domingo, 20 de julho de 2008

Bolo de Manga

Outro bolo. Este pode ter dado algum trabalho, mas ficou soberbo. Todos gostaram, até mesmo...




Primeiro prepara-se a massa, o bolo propriamente dito.

Ingredientes:

2 iogurtes (2 x 125g) de limão;

Verte-se o iogurte para dentro de uma tigela e guarda-se um dos copos: vai servir de medida para outros ingredientes...

O volume de ½ copo do iogurte utilizado de óleo;
4 copos (do iogurte) de farinha;
1 copo e ½ (desses) de açúcar;
½ copo (esse mesmo) de leite;
2 mangas grandes e maduras, as melhores que encontrar;
4 ovos;
1 colher de sopa de fermento.

Batendo sempre com a batedeira eléctrica, misturam-se os ovos e o açúcar. Depois os iogurtes, o óleo e a farinha, peneirada, já com o fermento misturado. Junta-se o leite e bate-se ainda mais um pouco.

Vai ao forno a 180ºC durante 50 ou 55 minutos.

Entretanto podem ir-se fazendo os cremes. Por uma questão de simplicidade — este bolo pode não ser difícil de fazer, mas é uma porra de explicar — chamarei aos cremes nº1 e nº2.

O creme nº1 prepara-se pondo de molho 2 folhas e ½ de gelatina até ficarem moles. Então escorre-se a água, fervem-se 4 colheres de sopa de leite e dissolve-se a gelatina no leite a ferver. Por fim, mistura-se meia lata (das de 400 e tal g) de polpa de manga.

Para fazer o creme nº2, batem-se 200ml de nata até que fique bem firme. Põem-se de molho 2 folhas e ½ de gelatina que, mais uma vez, se dissolvem, uma vez moles e após escorrida a água, em 4 colheres de sopa de leite muito quente. Junta-se o resto da polpa de manga enlatada às natas e, finalmente, mistura-se a gelatina.

Reservam-se os cremes.

Uma vez cozido, deixa-se arrefecer o bolo e corta-se ao meio no sentido do comprimento. Depois corta-se uma das metades, a da base, igualmente ao meio, também no sentido do comprimento. Nesta fase, o bolo estará dividido em 3 partes: uma, a do topo, cuja espessura será mais ou menos igual à soma das espessuras das outras duas juntas, a base, e uma camada intermédia. Reservam-se o topo e a base, cada uma em seu prato para simplificar as coisas, e retira-se com uma faca parte do recheio da camada intermédia. Ou seja, transforma-se um cilindro numa espécie de «donut». Deverão ter o bolo, então, como aparece na figura (click para ampliar).



Depois recheia-se e monta-se assim:

Barra-se o topo da camada que vai ser a base do bolo com o creme nº1 e coloca-se por cima dela a camada intermédia de bolo — a do buraco. Preenche-se o buraco com fatias finas de manga. Barra-se o topo da camada intermédia, excepto por cima da manga que agora ocupa o buraco, com o creme nº1. Depois cobre-se tudo — tanto o buraco como a «coroa» já barrada com creme nº1 — com metade do creme nº2. Coloca-se por cima deste uma fina camada de fatias de manga.
Cobrem-se estas fatias com o resto do creme nº2. Num prato à parte, onde está a camada mais grossa — o topo do bolo — com a «côdea» virada para baixo, barra-se a parte de cima (a que foi cortada) com o creme nº1. Vira-se e coloca-se por cima da camada precedente de creme nº2. No final, o bolo deve estar montado como indica a imagem (click... ampliar):




Cobre-se com chantili de lata e vai ao frigorífico durante 6 a 8 horas para que os cremes tenham tempo de espessar.




Mi am.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Herdade Porto da Bouga — Reserva '2006

Tinto alentejano que muito me agradou.

Foi feito a partir das castas Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah e Alicante Bouschet. Estagiou durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano. Tem 13,5% vol.

Muito completo, muito agradável, por um lado intenso e cheio de fruta doce, rebuçado, caramelo; por outro, fresco de deliciosa acidez, evidenciando excelentes notas de barrica, tanto no nariz como no palato.

Agora que já falei do vinhito mas ainda me apetece escrever, vou contar-vos uma história. Como são 3 da manhã e estou meio bêbedo, a ver o Chat, em vez de inventar algo novo, vou colar aqui uma merda que me lembrei de postar como comentário ali ao lado, noutro blogue. Não digo onde. Googlem-no se quiserem!

Já assisti a vários encontros do Renovamento Carismático Católico. De ar augusto, as senhoras piedosas e tementes a Deus reuniam-se numa sala contígua à igreja lá do bairro nas segundas-feiras à noite. A dada altura, ia a quase todos com a minha mãe. E ia cheio de fé. Ora bem: nessa altura, andava no quinto ano e era o mais pequeno da turma. Acontece que tinha aula de educação física nas terças de manhã. Era aí que não podia evitar cruzar-me com outro puto de outra turma, um imbecil já várias vezes repetente, gordíssimo e muito forte, com uns abanos enormes a fazer de orelhas. Chamava-se Bruno e devia ter algum problema com as próprias orelhas, só podia, mas o facto é que descarregava as frustrações em mim e nas minhas. Era beliscão, era tabefe, era puxão... Enfim, fora ele tão empenhado nas aulas como era comigo e nunca o teria conhecido. Filho da puta. E eu ia ao Renovamento, ia. Por vontade própria. Com o fervor de um puto tão ateu quanto um puto pode ser, encomendava as minhas orelhas a Deus e ao seu único e amado Filho, Jesus Cristo.

Nunca nenhum deles fez nada por mim. Levei com o machimbombo até ao fim do ciclo. E quando cresci, já o gordo devia ter morrido que nunca mais o voltei a ver...

:(

Voltando ao vinho, 15,5

Eh, um dia destes falamos de desratização.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Clarins — Mono Couleur

Foi a primeira vez que usei uma sombra de olhos Clarins, e aconteceu de forma bastante casual. Há algum tempo que procurava uma sombra amarela, com poucos reflexos, digo, com poucos brilhantes.




Assim que vi esta cor, que pertence à colecção Colour Fizz, senti logo que era aquilo que queria.


Sunny Yellow é um amarelo estival, bastante intenso. Um amarelo ensolarado. Para além de transmitir muita vivacidade e luminosidade ao olhar, combina e é muito fácil de matizar com outras cores, o que a torna capaz de proporcionar uma infinidade de combinações. Imaginemos que a usei durante o dia. Basta um eyeliner preto para a transformar num instante em algo com que posso sair à noite. Sim, isto é plausível, porque a durabilidade desta sombra é fantástica. A cor, use ou não uma base de sombra de olhos, mostra-se sempre muito persistente e suporta a presença de humidade sem formar aquelas linhas, tão indesejáveis, nas pálpebras.

Comprarei novamente, sem dúvida. Noutras cores, provavelmente. O preço, pouco menos de 25€ em Portugal, talvez seja um pouco elevado: afinal, é só uma cor...

Mas vale a pena.


Mais cores, outros dados,

aqui.

Filmes (3)

New York Stories

Foi, talvez, o filme da minha infância. Três segmentos, três histórias passadas em Nova Iorque. Uma, realizada por Martin Scorsese. Outra, por Francis Ford Coppola. Outra, por Woody Allen.




Acerca do filme, não terei muito a dizer. Recomendo que o vejam, e se tiverem filhos, que lhos mostrem. Mal não fará.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Altano '2005

Tinto do Douro (D.O.C.) feito pela Symington Family Estates a partir de uvas da casta Aragonês (70%) e Touriga Franca (30%), tendo 80% do lote sido envelhecido em cascos usados de carvalho americano e francês.

Esta marca possui página web. Informativa e bem desenhada.

Foi lá que descobri, entre outras coisas, o quão bem este vinho tem sido recebido pela crítica. Fica o enlace.

Cheira a frutos negros e floritas rasteiras do campo, mato seco, baunilha fugidia, óleos aromáticos, laivos de mentol.

Na boca é fresco e equilibrado, está entre o delgado e o encorpado, os taninos são macios e os sabores seguem o nariz, mas mais austeros. Peculiar o travo ferroso no final, a lembrar sangue diluído — a sério! Verifiquei e confirmei — adivinhem lá como...

Gostei muito. Para cúmulo, custa 2,70€ — um achado. Nunca pensei encontrar um vinho tão bom a tão baixo preço. Este vai estar mais vezes à minha mesa, disso não tenho dúvidas.

16

Post-Scriptum: Não consegui evitar uma voltita pela web a ver que pensavam dele os outros. Muitos o beberam, portugueses e estrangeiros. Uns gostaram muito, outros nem por isso. Mas constatei uma coisa, engraçada por sinal: quem mais por ele pagou, mais dele gostou. Somos previsivelmente irracionais, não é? :)

Robert Palmer — Clues

Não tenho muito para dizer deste, excepto

(talvez)

tratar-se de um favorito nosso

há tanto tempo que —





Mais sobre o autor, aqui. Mais sobre o álbum, aqui.

domingo, 13 de julho de 2008

Frango + Cogumelos + Natas

Num bonito gesto de solidariedade dentro do nosso espírito de "passe pouco tempo na cozinha, muito a comer", resolvemos partilhar convosco a delícia rápida e fácil que me ajudou a beber a garrafa do post anterior.

Num tacho baixo e largo (ou numa frigideira com estas características, ou num wok) deita-se um fundo de óleo de amendoim e 3 alhos inteiros descascados. Leva-se a lume forte. Deitam-se no óleo quente 400g de bifes de frango cortados em tiras finas e temperados de sal, colorau e um pouco de picante. Deixa-se alourar. Adicionam-se então 300g de cogumelos frescos cortados ao meio e um pouco de whisky ou vinho branco. Deixa-se o álcool evaporar e tapa-se. Cozinha assim durante mais ou menos 2 minutos. Por fim, junta-se um pacote (200ml) de natas. Cozinha mais um pouco, até o molho engrossar. Pode deitar-se uma colher de chá de farinha no molho para o tornar mais espesso. Come-se com arroz branco.




Meus amigos: já comi muito nesta vida, do melhor e do... razoável, apenas bonzinho. Do pior, penso não ter comido assim tantas vezes. Excepto talvez aqueles hambúrgueres que se compram na noite, à saída das discotecas, e que na altura nos sabem tão bem que pensamos «ia vomitar até morrer e esta merda salvou-me a vida», mas que, quando sobrevivem à viagem de regresso a casa em dias de menor ímpeto (ou fome, ou de maior alienação) e os tentamos morder, sóbrios, no dia seguinte... só sabem a decomposto, a venenoso, a mau.

Enfim, disperso-me. Perdão, perdão.

Dizia eu que já comi «alguma coisa» e, ainda assim, esta maravilha é daqueles pratos que venero, que faço gala de acompanhar sempre com bons vinhos, que continuo a querer repetir outra e outra vez, que não deixaria de comer por nada deste mundo. Abençoada S. por mo ter ensinado.

Álvaro Castro — Reserva '2005

Não é a primeira vez que bebo este vinho. De facto, tenho comprado um par de garrafitas por mês desde que o comecei a ver à venda. Por aqui se vê o quanto me agrada.

Jamie Goode, da The Wine Anorak, esteve com o produtor na sua visita à região do Dão. Aqui, as suas interessantes notas sobre o que viu. Dave Worthington, do excelente Tinto y Blanco, provou este vinho e deu-lhe 91 pontos. Também existe uma boa entrevista com o senhor aqui, na página d'Os5às8.

Dão (D.O.C.) feito a partir de Touriga Nacional e Alfrocheiro, tem 13% Vol. e vem numa pesada garrafa borgonhesa que, pessoalmente, acho muito bonita.

Cor rubi escuro, bastante densa. O nariz é dominado por flores e frutos silvestres maduros. Depois, já no copo, abre. A fruta fica mais doce, surge rebuçado e vão-se revelando boas notas de barrica: madeira e especiarias, a casar muito bem com a fruta, num registo suave e envolvente.

Na boca é fresco, tem corpo mas não pesa, os taninos são macios e persistentes, e a fruta mostra-se intensa e doce, realçada por contida acidez que ajuda a definir uma estrutura tânica harmoniosa, fina e persistente, responsável por certa austeridade no final, que é agradável e deixa a boca limpa, mas podia perdurar mais.

Não é vinho que prime pela complexidade. No que toca ao equilíbrio, impressiona. Apesar de ainda jovem, está mais que pronto a ser bebido.

Costumo comprá-lo a menos de 15€.

17

Pingo Doce — Douro Reserva '2004

Um tinto D.O.C. do Douro, produzido pela Calheiros Cruz (Vinhos), com a enologia a cargo de Anselmo Mendes.

Foi feito com uvas das castas Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Barroca e Aragonês, e a garrafa não menciona qualquer tipo de estágio, mas é evidente que o teve. Aliás, noto que existe muito pouca informação disponível sobre os vinhos de "marca branca". Este, por exemplo, nem sequer aparece na lista de vinhos da própria página de quem o vende em exclusivo! Lapso? Será que acharam que não valia a pena?

Cor avermelhada de baixa concentração. Fruta um pouco austera, com alguma esteva, madeira e notas minerais. Sabor interessante, a frutos silvestres ligeiramente compotados e madeiras bem integradas. Sem grande profundidade, contudo. Redondo, de taninos macios e bastante equilibrado. Numa palavra, uniforme — talvez em demasia.

Para o preço, é muito bom. Constato que estes vinhos do Pingo Doce têm a mais em qualidade o que lhes falta em estatuto. Pelo que vejo e me contam, ainda há muita gente que hesita perante uma "marca branca". Pois bem, nos escalões de preços em que se enquadram, tanto o Dão como o Douro "Reserva" do Pingo Doce estão entre os melhores que já provei.

Claro que não são grandes vinhos, mas quem espera comprar um a menos de 4€?

15

sábado, 12 de julho de 2008

Congaburger no Prato

O nome vem de uma tarde de Conga. Mas essas são histórias que não pertencem aqui.




Primeiro fizeram-se os pãezinhos.

Foram amassados durante uma hora na máquina de fazer pão. Por esta ordem, deitaram-se na cuba da dita 400ml de água, 3 colheres de chá de sal, 600g de farinha de trigo T55, 100g de farinha de centeio e 25g de fermento de padeiro.

Quando amassados, polvilhou-se uma superfície (a banca da cozinha, por exemplo) com farinha de centeio e dividiu-se a massa em 6 bolas que levedaram dentro do forno, mas com o dito desligado, num tabuleiro também polvilhado com farinha de centeio, uns bons 45 minutos.

Findo este tempo, cozeram durante 40 minutos a 220ºC.

Depois fez-se o molho.

Numa taça, juntaram-se azeitonas descaroçadas, cortadas às rodelas, com maionese a gosto e um pouco de sumo de limão. Mexeu-se bem e deixou-se repousar.

Depois, os hambúrgueres.

Trituraram-se 250g de bife de peru e 250g de bife de frango juntamente com uma cebola pequena e 2 dentes de alho. Temperou-se então com pimentão doce, sal e 1/4 de tubo de harissa. Caso não haja harissa, uma pitada de cominhos em pó misturados com um pouco de picante (malagueta seca) faz as mesmas vezes.

Com esta carne fizeram-se 6 bolas, que se espalmaram, mas não de modo a ficarem muito finas.

Numa panela baixa e larga, aqueceu-se um pequeno fundo de óleo de amendoim com um pouco de óleo de sésamo misturado e aí se fritaram os hambúrgueres, tapados, sendo virados quando ficaram dourados de um dos lados. Toda a fritura foi feita em lume forte. Uma vez dourados de ambos os lados, deitou-se na panela o sumo de uma lima. Uns segundos depois, desligou-se o lume e retiraram-se os hambúrgueres.

Por fim, cortaram-se dois tomates em gomos e temperaram-se com sal a gosto.

Os pratos foram servidos como se pode ver na imagem. Note-se que o molho de azeitonas em maionese é fundamental para este prato. É o contraste entre a ligeira acidez macia do molho e o sabor característico do hambúrguer frito que transmite profundidade a este prato, tornando-o interessante.

Da formosa bebida que os acompanhou falarei depois.

Le Dormeur du Val

Uma coisa bonita, daquelas que devíamos admirar melhor, com calma, nestes tempos de violência (e quais não o foram?)



Le Dormeur du Val



C’est un trou de verdure, où chante une rivière
accrochant follemente aux herbes des haillons
d’argent, où le soleil, de la montangne fière,
luit. C’est un petit val qui mousse de rayons.

Um soldat jeune, bouche ouverte, tête nue
et la muque baignant dans, le frais cresson bleu,
dort; il est étendu dans l’herbe, sous la nue,
pâle dans son lit vert où la lumière pleut.

Les pieds dans les glaïeuls, il dort. Souriant comme
sourirait un enfant malade, il fait un somme.
Nature, berce-le chaudement: il a froid!

Les parfums ne fond pas frissonner sa narine;
il dort dans le soleil, la main sur sa poitrine,
tranquille. Il a deux trous rouges au côtê droit.


.
.
.


Adormecido no Vale


É uma clareira verde, onde canta um riacho
prendendo alegremente às ervas seus farrapos
prateados; onde o sol da orgulhosa montanha
brilha. É um valezinho a espumar claridades.

Um jovem soldado, a boca aberta e a cabeça
descoberta a molhar-se na erva fresca, azul,
dorme; está estirado ao chão, a céu aberto,
pálido, no seu leito verde, à luz que chora.

Os pés nos lírios roxos, dorme. E sorri como
Sorriria uma criança enferma, em sono leve.
Natureza – aconchega-o bem: ele tem frio!

Os perfumes não mais lhe excitam as narinas;
dorme ao sol; tem a mão abandonada ao peito.
Dois rubros orifícios sangram-lhe à direita.


Original de Rimbaud, tradução de José Guilherme de Araújo Jorge.

Versátil (Tinto) '2006

Vinho Regional Alentejano, produzido na Herdade da Malhada pela Casa de Santa Vitória. Recomendo-vos que sigam o enlace: para além de uma página web excelente e de muito bom grafismo, estes senhores, como parte do grupo Vila Galé, possuem uma vertente turística muito interessante que, porventura, poderá apelar ao gosto de algum de vós. Voltando ao vinho, foi produzido a partir de uvas das castas Trincadeira, Aragonês e Alfrocheiro. Não estagiou em madeira — é um vinho de carácter muito jovem, para consumo rápido. Tem 13,5% de volume alcoólico.

Mais detalhes aqui.

O vinho mostra-se com personalidade, de aromas marcados por elementos ácidos «a coisas verdes: anchovas e azeitonas verdes de conserva, algum pimento aguado» e vinosidade persistente. Frutos vermelhos? Alguns, lá bem no fundo, e demoram a mostrar-se. Evocou-me algo como o cheiro de uma rolha de cortiça impregnada de vinho novo acabado de engarrafar.

Na boca mostra-se simples. Frutadinho, no máximo. A omnipresente acidez confere-lhe certa frescura, mas o corpo delgado e os poucos taninos que apresenta, já amadurecidos, deixam entrever certa burridade. É um vinho irreverente, engraçado a princípio, e que é capaz de até ir bem com um peixito. Mas tanta juventude, indómita e sem grandes perspectivas, como a de Rimbaud e as dos pretitos suburbanos dos nossos dias, acaba por cansar, sobretudo se for um gajo sozinho a ter de beber a garrafa toda.

É baratinho, custa cerca de 3€, e não diria que é ruim, não. Mas também não sei se voltarei a comprar.

13

Vinha da Tapada '2005

Vinho Regional Alentejano produzido pela Herdade dos Coelheiros, agora parte do universo Pernod Ricard, de onde vem o mais famoso Tapada de Coelheiros.

Foi feito com uvas das castas Aragonês (40%), Trincadeira (20%), Cabernet Sauvignon (15%), Syrah (15%) e Castelão (10%). Estagiou durante 6 meses em madeira de carvalho francês e 4 meses em garrafa.

Cor rubi. Aroma franco, razoavelmente intenso e complexo, a frutos silvestres maduros com madeira bem integrada. Baunilha, especiarias, carvalho e cedro, com um toque de caça.
Na boca achei-o redondo, de corpo mediano e fruta bem presente, saborosa, a ligar bem com ligeira acidez que o torna fresco, agradável. Taninos macios. Está no ponto para ser bebido.

Esta pinga de grande relação qualidade/preço (em Portugal: vejam só a que preço o vendem no Brasil, por exemplo!) custou 5€.

15

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Shiseido — Accentuating Cream Eyeliner

Embalagem: super gira e bem feita. É pesadinha e fecha muito bem. Transmite a ideia de se estar perante um produto de boa qualidade. Gostei muito.




Produto: creme inodoro, de cor intensa e textura agradável, muito fácil de trabalhar a temperaturas acima dos 20ºC. Pode parecer duro e grumado a temperaturas baixas, mas penso que isso seja uma característica intrínseca a todos os eyeliners deste tipo.


Achei-o ideal para aplicar na waterline, bem como verifiquei ser fácil fazer linhas esbatidas (o chamado smoky look, smoky eyes) enquanto não seca. Aliás, possui uma textura que permite fazer uma infinidade de linhas diferentes, o que muito me agradou. Demora pouco a secar e, apesar de não ser declaradamente waterproof, resiste sem esbater às agressões do dia-a-dia: lágrimas, eventual humidade ambiente e, talvez ainda mais importante, ao aumento natural da própria oleosidade da pele à medida que o dia vai decorrendo.

Também achei o pincel muito prático, embora pudesse ser feito com fibras um bocadinho mais suaves. Bonzinho, só.

Com um preço que ronda os 30/35€, dada a generosa quantidade de produto fornecida, a qualidade do mesmo, e até a agradável embalagem, não o achei nada caro. Tenciono voltar a comprar, sem dúvida.

Existe em castanho e preto. Tenho o preto. Querendo, pode ver mais na página do fabricante, aqui.

Post-Scriptum: Como já devem ter reparado, embora o review seja da S., o que é de todo natural, uma vez que ela é que usa "essas coisas", o texto foi (mal) alinhavado por mim. Assim acontece porque ela mo pediu e também não me incomoda tomar um contacto mais íntimo com o maravilhoso mundo das coisas de gaja.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Velharias (4)

A este chamei Escatologia Poética do Atrofio (1). Não me perguntem porquê. Começa com uma citação que sempre levei com um grão de sal. Não imaginam quantas vezes ouvi papaguear que "não somos uma ilha", "nenhum de nós é uma ilha", "sozinhos vêem-se os animais da selva, e só alguns!" e afins, ao longo da minha infância. Só deixei de conviver quase diariamente com tal cliché quando abandonei a catequese e troquei as aulas de Religião e Moral Religiosa Católica pelas de Desenvolvimento Pessoal e Social — que, como não tinham nem enquanto lá, na escolinha, andei, tiveram professor designado, eram na verdade mais uma hora livre por semana — e só deixei, de todo, de o ouvir quando os meus pais desistiram de mim... :)

Mas está sentido, está. Será que ainda existe um grande coração dentro de mim? E será que ainda palpita forte por amor e encanto? E latir, latirá?

Aí fica:


**


No man is an island, entire of itself; every man is a piece of the continent. — John Donne (1572-1631)



Eu hoje acordei assim, a recordar
Aparência viva
O sim pelo sim.

Hoje a Lua desceu à Terra, as árvores fugiram
As sombras pintaram-se de rosa e morri mais um pouco.

Os céus ruíram
Fechei os olhos, neguei.

Cada vez mais distante de mim
Quem sou? Um simples "que"
Qualquer coisa
O que quiserem
Ou nada
O nada que quiserem.

Sou o que sou quando sou o que querem
E quando não consigo, afastam-se:
Não sou.

Excepto quando durmo. Ainda habito este mundo, mas tudo está bem.
Basta despertar para tudo ser

Passado.

Significante sem sentido,

Só o passado
Morto
Data as medidas anteriores.

Morre o passado, perdem-se os afectos.

Quando o indispensável presente só pode ser sentido sem laços
A vida perde-se
Esvai-se também a verdade
À luz,
O tom dos laços antigos.

Maquilhagem

Existe a partir de hoje uma nova rubrica neste blogue. Tratará das escolhas da S. no que toca a maquilhagem. Coisas que compra, quais pensa comprar de novo, de quais nunca mais quer ouvir falar... Por aí. Com o tempo, é ainda possível que surjam exemplos de ideias para novos looks, um ou outro tutorial, alguma curiosidade que ela se lembre de partilhar convosco, alguma ideia que eu lhe coloque e ela aceite, alguma ideia trocada com alguém da net... Enfim, em bom jargão puro, duro e odioso:

Dada a pobreza generalizada verificada no panorama dos blogues portugueses referentes a maquilhagem e, segundo uma visão mais ampla, cuidados pessoais em geral, este é mais um passo na nossa incessante caminhada de aperfeiçoamento, através de uma atitude mais proactiva, tendo em vista uma optimização dual da informação disponibilizada: ora de satisfação das nossas necessidades pessoais auto-impostas através de um aperfeiçoamento da comunicação — quiçá por eventual aumento da interactividade deste espaço — com os nossos leitores, ora de melhoria da qualidade e do focus da dita informação relativamente às suas (vossas) necessidades e, por conseguinte, melhorando os vossos índices de satisfação.

O primeiro produto que miz S. achou digno de menção segue no próximo post.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Bolo "Black & White"

Ou seja, bolo húmido e muito guloso, mas nada enjoativo, de dois chocolates — preto e branco. É uma versão modificada do da April. Vão lá ver o blogue dela.




Primeiro fizemos os cremes.

De chocolate preto:

Ferve-se meio litro de leite num tacho. À parte, juntam-se 4 gemas, 90g de açúcar amarelo e 3 colheres de sopa de amido de milho (Maizena). Mistura-se tudo muito bem. Adicionam-se 2 conchas de leite quente a essa mistura, mexendo sempre para os ovos não coagularem. Depois, junta-se a mistura resultante ao restante leite fervido e leva-se tudo novamente a ferver em lume médio, mexendo sempre. Assim que começar a espessar, desliga-se o lume e continua-se a mexer durante mais ou menos 2 minutos. Juntam-se a isto 200g de bom chocolate preto partido em pedaços pequenos e 2 ½ colheres de sopa de margarina (usámos Vaqueiro), mexendo novamente até o chocolate ter derretido por completo e o creme ficar liso e homogéneo. Deixa-se arrefecer e leva-se, tapado, ao frigorífico, onde repousará durante duas ou mais horas, até ficar bem frio.


De chocolate branco:

Deixa-se engrossar em lume médio um pacote de natas, juntam-se 200g de chocolate branco (usámos Galak) partido aos bocados, e reduz-se o lume para o mínimo, mexendo sempre, até o chocolate derreter. Tal como o precedente, deixa-se arrefecer e leva-se, tapado, ao frigorífico, onde "estagiará" até ficar bem frio.


Depois fizemos o bolo propriamente dito.

Ingredientes:

500ml de farinha de trigo;
200ml de açúcar branco;
190ml de leite;
150g de margarina, à temperatura ambiente;
4 ovos grandes;
1 colher de sopa de vinagre;
1 colher de sopa de fermento royal;
1 colher de chá de vanilina;

Preparação:

Antes de tudo o mais, é necessário ter 190ml de buttermilk. Se lhe tiver acesso, óptimo. Se, como nós, nem fizer ideia de onde o obter, terá de preparar um ersatz. Faz-se assim: aos 190ml de leite à temperatura ambiente, junta-se uma colher de sopa de vinagre ou sumo de limão. O leite começará imediatamente a coalhar. Deixa-se repousar durante 10 minutos e está feito. Ora, o bolo preparado com o substituto ficou delicioso — tudo está bem.

Com a batedeira eléctrica, bate-se a margarina até ficar maleável e junta-se-lhe o açúcar. Bate-se novamente durante 2 ou 3 minutos. Parte-se um dos ovos e separa-se a gema da clara. Só se aproveita a gema, que se adiciona à mistura de açúcar e margarina. Bate-se durante 1 minuto. Depois, juntam-se os restantes (3) ovos, estes com a clara, um a um, batendo sempre durante 1 minuto após a adição de cada ovo.

Noutro recipiente, juntam-se a farinha, o fermento e a vanilina. Adiciona-se metade desta mistura à outra mistura (a de açúcar, margarina e ovo). E a isto tudo, o substituto do buttermilk. Depois adiciona-se à base do bolo a restante mistura de farinha, batendo sempre com a batedeira eléctrica.

Vai ao forno durante 45 ou 50 minutos a 170/180ºC numa forma untada com Vaqueiro e polvilhada com farinha.

Por fim, o bolo desenformou-se e deixámo-lo arrefecer. Com uma grande faca serrilhada, aplicaram-se dois cortes longitudinais ao bolo, ficando este dividido, por assim dizer, em 3 "andares". Recheámos o interior com o creme de chocolate preto e cobrimos o exterior, depois de o picarmos — bem fundo — com um pauzinho de fazer espetadas, com o creme de chocolate branco.




Agora a parte mais difícil: uma vez montado, dê ao bolo (coberto por uma redoma ou algo do género) três horas de frigorífico antes de o comer.

Ficou bonitinho. De resto, bastará dizer que nós somos só dois e o bolo já não existe.

Tostas com Molho Mexicano e Fondue de Frango sem Queijo + Periquita — Reserva '2004

Ontem à tarde, eu e a S. resolvemos fazer um bolinho. Como fazer estas coisas não é a nossa vida e já estávamos cansaditos quando nos pusemos a fazer o bolo, resolvemos depois fazer um jantar rápido e que desse pouco trabalho. Não pensámos muito até optarmos por uma forma de fondue rápida, sem queijo, a acompanhar com bocadinhos de pão e precedida por uma entrada.

A entrada foi inspirada nos clássicos nachos con salsa mexicana (pico de gallo). Esta salsa, molho, que afinal é salada, é uma delícia fresca e saudável. Ora, falar de comer um molho e chamar-lhe salada, ou vice-versa, poderá parecer estranho no princípio, mas o facto é que este molho, que de molho só tem a função porque nele se molham os nachos, ou no nosso caso fatias de pão tostado no forno, não é mais que uma salada de textura fina, inteiramente vegetal, que se faz assim:

Para dentro de uma taça, cortam-se três tomates duros — nem muito maduros nem muito sumarentos — e meia cebola grande em cubos muito pequeninos. Junta-se a esta mistura meia colher de sopa de alho picado, seco — que é parecido com o alho em pó, mas apresenta textura granulada. Mexe-se. Junta-se depois o sumo de meia lima e mexe-se novamente. Junta-se meia colher de sopa de azeite picante e volta-se a mexer. Por fim, juntam-se o sal, o azeite e os orégãos — tudo a gosto — e mexe-se ainda outra vez. Deixa-se repousar um pouco e vai-se mexendo até à hora de ir para a mesa.




Para a fondue, cortámos aos bocadinhos 500g de bife de frango e temperámo-los levemente com um pouco de óleo de amendoim, colorau, sumo de lima, sal e piri-piri. Quantidades? Tudo a olho. Deixámos repousar durante 10 ou 15 minutos: o tempo de pôr a mesa e fazer os molhos. Desta vez só fizemos dois: de alho e de azeitonas.

O molho de alho foi preparado juntando dois alhos finamente picados com duas colheres de sopa de sumo de lima, uma de azeite e quatro de maionese. Mistura-se tudo muito bem e deixa-se repousar um pouco.

Para o de azeitonas, descaroçaram-se umas azeitonas que depois se cortaram em rodelas finas e se misturaram com uma colher de sopa bem cheia de maionese. Se o molho ficar muito grosso, junta-se uma colher de sopa de azeite.




Uma vez tudo pronto, inicia-se a refeição. Esta quantidade de carne é cozinhada na panela de fondue com um lume de início forte, que depois se passa para o mínimo, sem qualquer fonte de gordura adicional.

Acompanhei-o com um Periquita Reserva de 2004.

Produzido pela José Maria da Fonseca a partir das castas Castelão (50%), Touriga Nacional (30%) e Touriga Franca (20%), este vinho regional das Terras do Sado com 13,5% vol. estagia durante 8 meses em barrica.

A Revista de Vinhos deu-lhe 16 valores e a sueca Dina Viner, 88 pontos.

Decantei-o ainda um pouco antes de começarmos a fazer o jantar. Servi-o a 13/14ºC, de modo a que, no decorrer da refeição, não superasse os 16ºC apontados como "ideais" por quem o faz. No nariz revelou aroma profundo a morangos e framboesas um pouco ácidos, bem enlaçados num perfume floral complexo e não muito doce, tudo isto envolto em impressões amadeiradas. Na boca mostrou frutos vermelhos doces, mais gulosos que no nariz, alguma especiaria suave, e corpo redondo e equilibrado, com boa presença de acidez e taninos maduros, mas talvez ainda não de todo, indicando que, embora mais que pronto a beber, este vinho poderá guardar-se por mais uns anitos. Termina um bocado curto e ligeiramente adstringente.

Pareceu-me outro vinho de ataque intenso e envolvente, desenhado mais para ser regular e dar prazer «aqui e agora» ao maior número possível de pessoas que para ser um vinho propriamente memorável — um pouco na linha do Malbec que provei ontem. Coisas de um vinho feito para singrar lá fora. Afinal, consta que 75% da produção dos Periquita se destina à exportação, sendo o vinho europeu mais vendido no Brasil, país onde este Reserva foi fortemente promovido...

Custou 7€.

16

No fim comemos o bolo, mas isso é tema para outro post.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Alfredo Roca — Malbec '2004

Este vinho, 100% Malbec, é produzido pela Bodega Roca, da região de San Rafael, Mendoza, Argentina.

A garrafa, de aparência sólida e decentemente rotulada, bem bonita por sinal, apresenta a seguinte nota de prova:

Este vinho apresenta cor vermelha bordeaux de excelente concentração e equilíbrio na boca, sobressaindo os taninos doces combinados com sabores que lembram a marmelada de ameixa, com boa permanência na boca.

Ganhou uma medalha de ouro na edição de 2007 do prémio Vinus.

A mim, revelou aromas gulosos, densos, a várias formas (mais ou menos doces, mais ou menos ácidas) de compota de ameixa preta, dotados de boa intensidade. Em segundo plano, ligeiro aroma a terra negra meio seca, tabaco de charuto e cogumelos. Na boca, corpo médio, com taninos finos mas bastante persistentes. Deixou-me a impressão de ser um vinho de ataque rápido, profundo e sedutor, que vale perfeitamente os 7€ que custa.

15,5

domingo, 6 de julho de 2008

Frango Panado "Mel e Mostarda"

Hoje proponho-vos um prato estival: leve, saboroso, com poucas calorias. Exige a quem o faz pouco tempo na cozinha e pode comer-se tanto quente como frio, o que o torna porreiro como prato de piquenique. Para mais, é daqueles pratos «frescos» que vão bem bem com vinho tinto.

Hmmm, vinho tinto!!

Adiante.

Para começar, é preciso ter um frango inteiro, sem miúdos, cortado aos pedaços.

Para fazer a marinada, misturei 4 colheres de sopa bem cheias de mostarda de Dijon e outras tantas de óleo de gergelim com 3 colheres de sopa bem cheias de mel, 3 colheres de sopa — rasas — de alho em pó, sumo de 2 limões grandes, uma colher de sopa de colorau e outra de caril picante Rajah — que leva sementes de coentros, curcuma, cominhos, sal, grão de Bengala, chili, sementes de mostarda amarela, sementes de feno-grego, sementes de funcho, alho e folhas de louro, dizem eles — até resultar um líquido espesso e homogéneo. Temperei-a ainda com bastante sal.

Esfreguei nela muito bem cada um dos pedaços de frangosem pele! — até os notar bem impregnados. Meti-os num recipiente fundo e cobri-os com o resto da marinada. Tapei o recipiente e deixei-os repousar dentro do frigorífico durante algumas horas. Quando fui por eles, ainda restava líquido suficiente para os voltar a passar pela marinada. Assim fiz, cobrindo-os depois com pão ralado misturado com orégãos, alho em pó e um pouco de sal fino — tudo a gosto. Se por algum motivo já não tiver marinada suficiente para executar este passo, pode sempre bater dois ovos numa tigela e misturá-los com uma colher de sopa de mostarda, passando os pedaços de frango por este líquido e depois, igualmente, pela mistura de pão ralado.

Forrei o tabuleiro do forno com papel de alumínio e imediatamente por cima dele coloquei a grelha com os pedaços de frango. Assaram durante uma hora a 200ºC e comeram-se com arroz branco e este molho picante.

sábado, 5 de julho de 2008

Kang & Kodos

Estes Kang e Kodos são porquinhos-da-índia e vão fazer dois dias cá em casa. Nunca tínhamos tido destes bichos, mas a S. leu que eram bastante inteligentes e sociáveis. Assim, resolvemos arranjar um par deles.



Kang (foto de cima) é branco e cor de caramelo. Aparenta ser o mais parado, mas também o mais inteligente dos dois. Sabe quando ser cobarde e sabe quando se aventurar. Não é o animal dominante, mas tem conseguido sempre o que quer, incluindo ficar a viver dentro do "túnel" — um tubo que já conteve uma garrafa de vinho do Porto — que ambos tanto adoram.



Já Kodos — que se distingue de Kang por ter umas manchas pretas — é o "bicho do mato" por excelência. Aventureiro q.b., vai sempre à frente, e é a ele que o Kang recorre quando se vê em apuros. Este traço de carácter leva-o a ser o animal dominante dentro da gaiola, mas também gera incidentes. Ainda há bocado, por exemplo, dormia a S. a sesta com os diabretes no sofá, eu muito entretido com os meus joguitos de xadrez online... Quando olho para onde eles estavam, não vi o Kodos. Não tive de procurar muito. Tinha saído, sorrateiro, de cima da almofada "especial" deles e estava aninhado, já meio a dormir, dentro de um saco. O saco onde se vai metendo o cocó deles, embrulhado em papel higiénico, enquanto estão ao pé de nós. E que já estava bem cheio. Ora, são roedores: só sabem cagar. E se não se for recolhendo o cocó à medida que o fazem, pode acontecer comerem-no todo, o que não lhes faz mal, mas nunca é muito bonito de ver.

Enfim, os bichos têm-se revelado adoráveis e andamos muito entretidos com eles. Ainda bem que os comprámos.

A propósito, o grande Manuel Bandeira escreveu um dia:

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele prá sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...

O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

Castelo Rodrigo — Colheita Seleccionada '2003

É um tinto D.O.C. da Beira Interior, produzido pela Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo a partir das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz (Aragonês) e Rufete. Diz quem o fez que foi vinificado em maceração prolongada com controlo de temperatura de fermentação e que estagiou em madeira nova de carvalho francês. Como nota de prova, fala ainda a garrafa de aroma a compota típico das castas, vinoso persistente num conjunto harmonioso.

Achei-o franco, fácil de beber, com boa estrutura e taninos macios. Apresenta, de facto, aromas compotados, mas estes são completamente dominados por aroma vinoso forte e persistente, que por sua vez surge acompanhado por notas anisadas, fazendo o conjunto lembrar jeropiga. E é tudo. Não se espere dele complexidade porque não a possui. Nota-se que é um vinho honesto, mas falta-lhe qualquer coisa. Será por eu detestar jeropiga?

Custou 3 ou 4€.

13

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Big Star — Sister Lovers

Third / Sister Lovers foi o último álbum da banda rock norte-americana Big Star.

Começa alegre, com power pop clássico, Kizza Me e Thank You Friends. Depois agride-nos. Esfrega-nos na cara a nossa própria incompletude — falta — desgraça — morte.

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Uma vez alguém comparou este álbum a uma cidade em ruínas. É música para as horas de escuridão.