domingo, 31 de agosto de 2008

Conde de Vimioso '2007

Este tinto, produzido no Ribatejo pela FALUA, é uma mistura de Touriga Nacional, Aragonês e Cabernet Sauvignon que passou por um breve estágio (6 meses) em madeira de carvalho antes de ser posto à venda.

Desde há muito que — talvez por hábito — se tem comprado cá para casa uma garrafita ou duas deste vinho por ano. De qualquer forma, ainda não tinha provado o de 2007.

Assim que o abri, reparei que trazia uma rolha aglomerada DIAM. Daquelas que impedem a formação de um dos mais comuns defeitos no vinho, a presença de 2,4,6-tricloroanisol (TCA), que se forma quando certos fungos que ocorrem naturalmente no ar se vêem em contacto com compostos clorofenólicos, provocando o chamado «sabor a rolha», que é uma merda, de facto.

Ora, se, por um lado, a DIAM impede, com certeza, um vinho de «rolhar», por outro, uma rolha aglomerada... bem, a meu ver, só mesmo num vinhito corrente de consumo rápido. E que importa o «a meu ver»? Para o mundo, muito pouco. Para mim, o suficiente para me levar a não voltar a comprar nenhum vinho de mais de 5€ que traga uma rolha destas. E se for parvoíce, bem, problema o meu... consigo viver com ele, sem dúvida.

O vinho propriamente dito apresentava-se escuro, fazendo adivinhar uma boa concentração. De aromas, naturalmente jovem, com os frutos vermelhos misturados com qualquer coisa de fumado e alguma vinosidade. Na boca, a fruta surgiu discreta, pouco doce, acompanhada de alguma, pouca, madeira. A acidez, vincada, transmitia certa sensação de frescura. Os taninos estavam um pouco adstringentes e diria até que o álcool, de tão bem integrado, trouxe algo ao conjunto — talvez intensidade, talvez profundidade, talvez ambas as coisas.

Termina discreto, não se evitando, uma vez mais, a desilusão.

OK, este vinho não é mau e até aparenta ter crescido alguma coisa — pareceu-me tê-lo encontrado um pouco mais sério, mais profundo que o da colheita anterior. Ainda assim, e mesmo tendo em conta a gama de preços em que se insere e a qualidade da concorrência disponível na dita, para mim, não tem atributos para ser uma opção de primeira linha.

13,5

sábado, 30 de agosto de 2008

Salada de Grão e Atum

Fácil & rápido, um favorito da S...




Faz-se assim:


Cozem-se 3 ovos. Entretanto, ferve-se durante uns minutos o conteúdo de uma lata grande de grão (daquelas com 800g de peso líquido) e escorrem-se 2 ou 3 latas pequenas de atum. Cortam-se 3 tomates médios em cubos. Por fim, escorre-se o grão e mistura-se tudo num recipiente grande. Junta-se algum azeite, mexe-se bem e fica pronto a comer.

Para maior riqueza de sabores, pode ainda juntar-se à salada uma cebola cortada em cubinhos, salsa... sei lá que mais!

Couteiro-Mor — Colheita Seleccionada '2005

Do dicionário online da Priberam:

Couteiro,

s. m.,
guardador de coutada ou couto.

Hmmm...

Nota-se em Portugal uma exploração um bocado grande de certa vertente
— a titulada, por assim dizer — do tradicional, quase nos remetendo para aquilo a que eu chamaria uma imagística monárquico-bucólica. Oh! A pureza! Oh! O romance! Ai!...

Um bocado grande talvez exagerada, não? Foda-se,
PUAH!

Adiante. Acerca do vinho...

Alentejano da Sociedade Agrícola Gabriel Francisco Dias & Irmãs, Lda., de Montemor-o-Novo, que tem uma página web aqui.

Foi feito com uvas das castas Aragonês, Trincadeira, Castelão e Alicante Bouschet, e estagiou durante 4 meses em madeira de carvalho francês.

Cor escura com reflexos acastanhados. Muito chocolate de culinária no nariz e na boca, um pouco abafado, e cerejas em álcool, sugerindo algo como um Mon Chéri tosco, feito com chocolate da velhinha fábrica de chocolates das Beiras. Mostra ainda alguns tostados e laivos de mato seco, que lhe transmitem alguma profundidade. É denso, encorpado, bem estruturado, e tem um final bom.

Pareceu-me um vinho bem feito, num registo relativamente simples e um bocadinho por polir — ainda: consta que estes Colheita Seleccionada costumam envelhecer bem — mas bastante apetitoso, bastante apelativo. Será difícil não gostar dele. Custa 3,50€.

15

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Adega de Pegões — Colheita Selecionada '2004

Já há algum tempo que não se fala de vinho por aqui. E não é que não se tenha bebido; pura e simplesmente, ando preguiçoso.

Um dos vinhos que me passou pelas goelas nos últimos dias foi este «quatro castas» das Terras do Sado. Não é novidade nenhuma, toda a gente sabe que é um vinho de boa estrutura e razoável complexidade, cheiinho para o preço e por isso um bom negócio, e de vez em quando bebo um, sendo que até já tinha escrito sobre ele antes. Simplesmente, desta vez tentei compreendê-lo um pouco mais. Digo, dele juntei uma nota de prova ao caderninho negro do álcool, e uma foto coisas que por algum motivo nunca tinha feito.

Do rótulo, tira-se, entre outras coisas, que é vinho feito de Cabernet Sauvignon, Syrah, Touriga Nacional e Trincadeira, que estagiou durante um ano em meias pipas de carvalho francês e americano, que tem 13,5% v/v de álcool, que foi feito pelos senhores da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões, que têm uma página web aqui e que dizem que este vinho envelhece bem durante 10 anos.

Então... mais uma vez mostrou aromas de boa intensidade, com fruta preta madura — sobretudo damasco — e alguma madeira resinosa muito bem casados, um toque de casca de laranja cristalizada, uma ou outra nota de cabedal e a acidez a fazer lembrar vinagrete de menta. Na boca, cheia de madeira e com uma ou outra especiaria, surge sempre bem seco — com isto quero dizer que, embora de carácter marcadamente maduro, esta não é, contudo, uma madurez doce, gulosa — e bem dimensionado, cheio mas não pesado, equilibrado, de final resinoso e não muito longo.

Não é um vinhaço, falta-lhe algo para o ser, mas não tanto assim. De novo, 16

Dior — Diorshow Pro-Cheeks

Diz a menina:


O meu blush preferido, sem dúvida! Mousse leve de textura sedosa, nada oleosa, é muito fácil de aplicar e, ao contrário dos outros blushes em creme que já experimentei, bastante durável. Os brilhantes que possui são do tamanho certo, muitíssimo finos, conseguindo assim fazer a pele brilhar sem se tornarem demasiado perceptíveis. A pele fica com um aspecto radiante, saudável e muito natural. Também pode ser usado como sombra de olhos.




As cores são fantásticas — desta vez comprei a nº 815, Limelight, um rosa malva claro com minúsculos brilhantes irisados que da maior parte das vezes me parecem cor-de-rosa intenso, talvez carmim. Tendo a usá-lo como iluminador. E, sem dúvida, vai-se-lhe seguir a nº 545, Hip Peach. A embalagem, de comum acrílico transparente, não sendo nada de especial, é de boa qualidade, está bem conseguida... Chega, até, a ser apelativa! À data, ainda só lhe encontrei um contra: o cheiro. Nada de muito notório, mas não gosto! O preço, 25/30€, não está nada mal.

Mais... aqui.

domingo, 24 de agosto de 2008

Bolachinhas de Chocolate «Jenna»

Isto é inspirado numa receita que vi algures — não me lembro de onde, mas também não importa — e tenta ser um tributo meu e da S. a uma lenda da pornografia.

Assim se fazem: Juntam-se, batendo sempre com a batedeira eléctrica, 250ml de açúcar amarelo, 50ml de açúcar branco, 200g de manteiga amolecida, uma colher de chá de vanilina, 2 ovos grandes e 625ml de farinha — com uma colher de chá de fermento incorporado. Quando estiver formada uma massa homogénea, junta-se-lhe 200g de chocolate de leite partido aos bocadinhos e mexe-se. Desta vez, usei uma barra de chocolate de leite Pingo Doce (que adoro) e as bolachinhas ficaram óptimas.
Deixa-se a massa resultante a repousar no frigorífico de um dia para o outro. Depois, com a ajuda de duas colheres de sopa, formam-se «bolinhas» com a massa, que se levam ao forno num tabuleiro não untado, durante 15/20 minutos, a 200ºC.

Uma vez cozinhadas, antes de se retirarem do tabuleiro, convém deixá-las arrefecer uns minutos — as bolachinhas recém-cozidas ainda estão algo moles: endurecerão à medida que forem arrefecendo. Esperamos que vos proporcionem longas horas de prazer. Ficam com o aspecto que podem ver na imagem... a fazer lembrar aquelas bolachinhas de chips de chocolate de compra... Mas muito melhores.




Quanto à senhora Jameson, pode encontrá-la, dar-lhe dinheiro em troca de serviços (internet!) e tentar, quem sabe, chegar à fala com ela aqui ou aqui, por exemplo...

«Banana Bread»

Esmagam-se 6 bananas grandes e juntam-se-lhes 200g de margarina derretida. Bate-se. Adicionam-se 300ml de açúcar branco. Bate-se. E ainda 4 ovos, um a um, batendo sempre. Por fim, junta-se à mistura 1l de farinha com duas colheres de sopa de fermento misturadas e bate-se ainda uma última vez.

Unta-se e polvilha-se uma forma e leva-se ao forno durante 1h a 170ºC.




Fica grande, muito grande. E fofo, muito fofo. E cremoso, fica mesmo muito cremoso. Isto para dizer que pode reduzir a receita para metade, querendo.

Filmes (4)

O Homem do Ano

Da meia dúzia — ou menos — de filmes brasileiros que alguma vez consegui ver do princípio ao fim, este é, muito provavelmente, o melhor. Começa mais sólido do que acaba, é verdade, e a história é só razoavelmente consistente. Mas os personagens super engraçados, os diálogos deliciosos, a violência gira e cheia de sumo... Enfim: o fixe intrínseco a tudo o que se passa neste filme torna-o, sem dúvida, irresistível.




P.S. — Que me perdoe quem sabe, que não tenho jeitinho nenhum para falar de cinema. Por algum motivo, as frases de arquitectura grandiosa, de momento impossível, imparáveis, como gigantescas vagas de palavras, tão necessárias ao género, não me saem bem.

sábado, 23 de agosto de 2008

Cuís!



É verdade... não é que aí há tempos nos nasceu um par de cuís?!































Enfim!

YSL — Rouge Pure Shine Sheer Lipstick

Da Yves Saint Laurent, este é um bâton de cheiro frutado — ainda não consegui decidir se gosto ou não — e cor pouco saturada, mas ainda assim capaz de proporcionar uma excelente cobertura, ainda que se utilize uma cor clara sobre lábios escuros. Possui protecção solar de factor 15 — já é qualquer coisa. Ademais, é muito hidratante, muito suave, muito confortável de usar.




A embalagem, infelizmente, é de péssima qualidade — um exemplo cristalino daquilo a que costumo chamar luxo de imitação: mostra-se bonita e de aspecto sólido, evidenciando qualidade... à distância. Porque, pegando-lhe, percebe-se o plástico fraquíssimo, reles, com que foi feita. A fazer lembrar as grandes mansões, ocas, fachadas de contraplacado, que por vezes se usam nos cenários dos filmes...

Porém, como o bâton em si é muito bom e existe em cores muito bonitas, o deslize é perdoável. Para já, comprei uma cor bege-pêssego com laivos de cor-de-rosa, sem brilhantes — a nº6, sandy beige. Não será a única. O preço, 20/25€, não é exagerado.

Ah, sim... Mais, aqui.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Moamba de Galinha do Mateus

Esta é uma receita antiga — de um clássico africano, a interpretação do Mateus, que era o bem-amado cozinheiro da avó da S. lá na fazenda que tinham em Angola. Aqui fica uma nota um bocado triste: quando aquela confusão que todos sabemos estalou em sessenta e picos, os avós da S. ainda foram daqueles que tentaram seguir com as suas vidas no país onde tinham construído algo, e conseguiram manter-se lá mais uns anos, de facto. Mas depois, em 1975, com a independência, a situação tornou-se de tal forma insustentável que, enfim, tiveram de abandonar as terras, e com elas o Mateus e demais empregados. Nunca mais o viram ou contactaram — a guerra tem destas coisas — mas o homem continua connosco. Está, como diz de Estaline a pior facção da comunalha, vivo nos nossos corações.

Enfim, chega de coisas tristes, vamos mas é à muamba (ou moamba, grafa-se de ambas as formas).




Tempera-se um frango grande, sem pele e partido aos bocados, com uma pasta grossa que se faz misturando 8 dentes de alho esmagados, sal, jindungo seco, desfeito, a gosto — aqui é sempre muito — e óleo de palma liquefeito, só um pouco, para ligar a mistura. Deixa-se o frango absorver os temperos — no frigorífico, claro — durante pelo menos um par de horas.

Para dentro de uma panela grande, cortam-se 400g de abóbora e 3 cebolas grandes em cubos, a que se juntam 100/150ml de óleo de palma — o chamado azeite-de-dendê — e refoga-se um pouco. Adicionam-se então os pedaços de frango, tentando fazer com que fiquem todos levemente dourados de ambos os lados e rectificam-se o sal e o picante. Cobre-se depois o frango com água e deixa-se cozinhar, com o lume no mínimo e a panela destapada — para o molho ir reduzindo — durante mais ou menos 40 ou 45 minutos.

Lavam-se 400/500g de quiabos, a que se removem os pedúnculos, caso os tenham. Se forem grandes, cortam-se ao meio no sentido da largura e juntam-se ao cozinhado, que se deixa ao lume mais um quarto de hora para a goma do interior dos quiabos sair e se incorporar no molho.

Enquanto isto, vai-se fazendo o acompanhamento — o pirão. Para nós os dois e a acompanhar um frango grande, costumamos usar 350/400g de carolo de milho. Deita-se num tacho 1 litro de água e espera-se que ferva. Tempera-se de sal a gosto. Para dentro desta água se vai depois vertendo, muito lentamente, o carolo de milho, mexendo sempre e deixando-o cozinhar entre as adições. Quando a mistura de milho e água parecer uma papa mole, deixa-se de se adicionar o carolo e, mexendo sempre, espera-se que engrosse até ficar consistente. Quando a consistência da pasta já dificultar muito o movimento da colher de pau, desliga-se o lume — está pronto. Ao arrefecer até à temperatura de ser consumido, o pirão engrossará ainda mais.

Fica óptimo. No Inverno, aconchegue-se com um tinto encorpado. De Verão, regue-se com cerveja.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Clarins — Instant Light: Eye Perfecting Base

Para ser aplicado nas pálpebras antes da sombra de olhos, este produto impede a formação de linhas, bem como aumenta a permanência e intensidade da cor da sombra. Funciona como corrector de olheiras, e sinto que não só lhes corrige o tom mais escuro, mas também que minimiza as bolsas, o que resulta num olhar mais desperto após certas noites mal dormidas. Não deixa a pele com sensação de secura depois de assentar, não sendo oleoso, no entanto... Só existe numa cor, um bege rosado claro.




A embalagem faz lembrar a do YSL Touche Éclat — corrector semelhante a este, mas pior — embora de acabamento menos pretensioso: trata-se, basicamente, de uma caneta de plástico mate com um aplicador-pincel na ponta, sendo necessário rodar a extremidade posterior da dita para o produto sair. Nunca achei que fosse dos melhores sistemas, por sinal.

Não posso deixar de continuar as comparações com o produto homólogo da YSL... este corrector dura mais, tem melhor textura, é muitíssimo mais barato e não é testado em animais. Gosto dele e não vejo motivos para o não voltar a comprar — mas, conhecendo-me, sei que, muito provavelmente, quando este acabar vou experimentar outro qualquer, só para ver que não vale a pena, arrepender-me, dizer mal da vida e voltar a este. Sem dúvida que vale os 15/20€ que custa.

Mais, na página de quem o fabrica.

Maria Mansa '2002

Duriense (DOC) da Quinta do Noval, produzido com base nas castas Aragonês, Touriga Franca e Tinta Barroca.

Cor rubi, já a fugir para o granada. Aroma com traços de evolução, onde à fruta, ainda bem presente, se juntam notas de cabedal, pimenta, chá verde, madeira velha... Na boca mostra-se correcto, fresco e saboroso, com a fruta a surgir abafada mas densa, sempre com notas de couro e especiarias. Interessante que, mesmo bebido no dia seguinte a ter sido aberto, não lhe encontrei ponta de oxidação. O final, achei-o discreto.

Por vezes um bocadinho abrutalhado, vai melhor com comida puxada. Foi um sonho a acompanhar uns naquitos de frango apimentados e regados com Tabasco. É um vinho que revela a idade que tem. Embora não lhe note juventude, também não me pareceu que tenha ganho grande coisa com os anos. É capaz de ainda aguentar mais uns tempos, mas...

Custou cerca de 6€ — aproveitando uma promoção — sendo que o preço habitual ronda os 10€. Para o que custou, é porreiro. Para o que costuma custar, está carote.

15

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Dona Ermelinda '2006

Mais vinho. E outro monocasta, este um Castelão das Terras do Sado, mais especificamente da Casa Ermelinda Freitas.

No rótulo, bilingue, D. Leonor Freitas — que é quem manda agora no negócio — diz que este vinho provém de cepas com mais de 30 anos, tem um carácter bem vincado e é um tributo à Senhora sua Mãe.

Simples, faz lembrar um intenso vento verde, herbáceo, que também transporta frutos pretos — sobretudo ameixas — e alguma madeira aromática e um pouco adstringente, resinosa. Bem estruturado na boca, um pouco alcoolizado talvez, mas apetecível — talvez pela boa acidez, na conta certa, que o torna fresco e lhe transmite certo aroma a azeitonas verdes. Mostra ainda laivos de ferrosidade, de sumo de carne, e bastante chocolate e café — dê-se-lhe tempo e ar. Há que admiti-lo, que bonita expressão da casta! Final mediano. Para o preço — 3€ e tal — é muito bom.

15

Herdade do Esporão — Touriga Nacional '2005

Ora ora, de volta! E digamos que estes últimos dias de desleixo me deixaram com umas quantas coisitas em lista de espera para aqui meter.


Comecemos pelo vinho: um alentejano, monocasta Touriga Nacional, da Herdade do Esporão. Estagiou durante 6 meses em carvalho francês e de tal calda se fizeram 23333 garrafas — não numeradas, ou então sou ainda mais distraído do que aquilo que pensava.

Expressivo e a aparentar ter sido bem feito, mostrou os aromas e sabores típicos da casta — frutos vermelhos muito maduros a discutirem o protagonismo taco a taco com intensas notas florais, com as especiarias, ligeiro torrado, ligeiro fumado, cabedal e uma ponta química a completarem o conjunto.

Encontrei-o bem dimensionado na boca, guloso mas não em demasia, cheio mas não pesado, com boa acidez e só um pouquinho quente, com ligeiro picor alcoólico no início.

Muito na linha do da colheita anterior — que adorei — pareceu-me um pouco menos explosivo, menos concentrado, mas mais complexo, mais elegante. Foi um prazer conhecê-lo.

Custou 14€ e qualquer coisa quando e onde o comprei, mas acho que já o vi um pouco mais barato.

Do Esporão, continua a ser o meu varietal favorito.

16,5

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

EA — Colheita Seleccionada '2007

Da Adega Cartuxa, vertente comercial da Fundação Eugénio de Almeida, vem este Vinho Regional Alentejano, vinificado a partir de Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Alfrocheiro, sendo que parte do lote estagia depois em carvalho francês.

Aroma muito intenso a frutos vermelhos, sobretudo morangos, dotado de certa profundidade. Presentes estão também notas de baunilha e ligeira vinosidade, sinal claro de juventude. Na boca é saboroso, com a fruta a mostrar-se viva, quente, carnuda, com toque de chocolate e a prolongar-se por um agradável final.

Simples e intenso, bem estruturado e sem defeitos, de carácter quente e guloso e ainda assim sem cair em disparates alcoólicos, pareceu-me um daqueles vinhos de estilo modernaço, diria até sudaca (mas sem malícia), que caracterizam o «novo Alentejo», seja lá o que isso for.

Está bem feito e feito para se beber já. Dentro do estilo, gostei. Para o que é, talvez 9€ sejam um preço um bocadito puxado — mas os vinhos da Fundação nunca foram propriamente baratos...

15,5

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Casa de Saima — Garrafeira '2001

DOC Bairrada — 95% Baga — estagiou um ano e meio em tonéis de carvalho avinhado.

Quanta tipicidade!

De uma densa onda floral e balsâmica despontam notas intensas a castanhas / baunilha / cabedal / carnes de fumeiro — atrás vem terra fria e húmida — e húmus bem vivo — cogumelos / trufas / folhas mortas molhadas — e lenha e fumos de lenha mal seca — madeiras / pimentas — sugestões de banana e anis — mas por onde andará a fruta? Diluída na doce nuvem mineral? — evidentemente!

O triângulo acidez / álcool / taninos — perfeitamente equilátero — que corpo tem! — contudo parece leve — e não se lhe nota ponta de álcool — e os taninos, aveludados — tantos! — quase é preciso ir à procura deles — tal o encanto das flores — da fruta quase em rebuçado — e mais pimenta / mais cabedal — mais terra fria de depois de chover — bafio de adega — vívidas memórias de manhãs calmas — manhãs frias de Outonos passados quando entre as folhas secas — os cogumelos — musgos — orvalho a escorrer por entre as pedras — apanhava castanhas — do chão — cheirava assim quando esmagava os ouriços com o pé e me baixava para os apanhar.

Termina doce, com fruta vermelha — tão delicada — em fundo mineral.

Ainda tem uma longa vida pela frente e já está assim... Que maravilha! Custou 15€. 18




P.S.

Acompanhou uma omeleta de espargos e pão de azeite caseiro. Que retumbante sucesso!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Vallado '2006

Este tinto DOC do Douro vem da Quinta do Vallado e foi feito com uvas das castas Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Sousão.

Cor rubi concentrada.

O nariz é mato que seca ao sol — cheio de flores e feno, com rabo-de-gato e camomila, esteva e rosmaninho, o picor da lavanda e sugestões de fumo — envolto em balsâmicos refrescantes, com uma ponta de chocolate.

Pena que a boca, algo acerba, de sabores verdes, acídulos, penda um bocado para o lado do álcool — não por defeito de estrutura: antes, talvez, por certa magreza.

Melhor é o final, longo, onde, por fim, a fruta aparenta levar a melhor.

É um vinho com carácter, cheio de tipicidade — um tipo leva-o à boca e pensa isto só podia vir do Douro —, mas um bocado rústico. Foi bem com uns nacos de entrecosto assado.

Comprei-o a cerca de 7€.

Tenho de provar o Reserva.

15,5

O Céu e Os Casinhotos


Hoje acordei cheio de vontade de ir à janela armar-me em papagaio, fotografar merdas.






Papagaio é o que o Senhor meu Pai chama ao meu mano quando se chateia.

Alterações...

• O blogue estava — de novo — a ficar muito pesado. Assim, reduzi o número de posts por página para metade. Daqui em diante, não só demorará bastante menos tempo a carregar, como significará uma carga muito mais simpática para a memória RAM de computadores mais antigos — com menos de 128MB.

• Passei as classificações atribuídas aos vinhos para uma escala — muito mais comum e talvez por isso mais compreensível — de 0 a 20 valores, desclassificando os que obtiverem classificações inferiores a 10. Convém, talvez, realçar que as ditas classificações não foram alteradas de alguma outra forma senão na transformação que implica a mudança de uma escala onde são desclassificados os vinhos que obtêm menos de 12 valores numa onde tal acontece aos que obtêm menos de 10. Continhas, portanto.

• A lista de hiperligações voltou a mudar. Mas isso é normal. Demasiado normal, talvez.

La Serie Sustantiva


Cuna. Babero. Escuela. Libros. Tesis. Diploma.
Pobreza. Pleitos. Jueces. Salas. Corte. Ruido.
Comités. Elecciones. Tribuna. Gloria. Olvido.
Viajes. Bolonia. El Bosque. Londres. París o Roma.

Regreso. Novia. Enlace. Rorros. Dientes. Aroma.
Ilusión. Señoritas. La sociedad. Marido.
Bailes. Celos. Pesares. Esclavitud. Gemido.
Nietos. Babero. Escuela. Griego. Latín y Doma.

Vejez. Gota. Desvelo. Desilusión. Novenas.
Celos. Ceguera. Gripe. Vértigos. Callos. Penas.
Abandono. Esquiveces. El patatús. La fosa.

Llanto. Duelo. Discursos. Decreto. Paz. Sonrisa.
Risa. Chalets. Pianola. Paseos. Una misa.
Tumba. Silencio. Ortigas. Ausencia y Cruz mohosa.


De Guillermo Valencia Castillo.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Frango Assado + Arroz de Cenoura

Mais fácil que isto, é difícil. Podia ser mais rápido, de facto, mas a culpa disso é do tempo de assadura. Implica pouco tempo na cozinha e é delicioso, por isso aí fica.




Enchi de whisky a cavidade do frango e esfreguei-o entre a pele e a carne com uma mistura de sal, jindungo triturado, alho em pó e colorau. Como ainda sobrava um pouco de tempero, acabei por também o esfregar por fora. Atei-lhe as patas e levei-o ao forno durante uma hora a 250ºC.

Piquei 1 ½ cebola grande para dentro de um tacho. Juntei um pouco de azeite e deixei refogar em lume forte até a cebola ficar transparente. Adicionei 250ml de arroz, que temperei de sal. Fui mexendo sempre até o arroz ficar mais opaco. Então deitei-lhe 750ml — o triplo do volume de arroz utilizado — de água e deixei cozer em lume brando até só restar no tacho, livre, mais ou menos o volume de um copo de água.

Ralei 3 cenouras grandes e juntei-as ao arroz. Deixei acabar de cozer. Fica um pouco húmido — na foto vê-se bem quanto.

Dior — DiorSkin Forever: Extreme Wear Flawless Makeup FPS 25

Inspired by nano-technologies, Diorskin Forever takes smoothing, comfort and wear to the extreme for stay-true beauty, even in the most unfriendly environments — dizem eles...

Esta base fluida de longa duração, bem mate, ajuda a controlar o brilho da pele, e apesar de possuir um poder de cobertura a dar para o elevado, garante um aspecto saudável, natural. A cor de fundo surge em tons âmbar/amarelados, e não nos mais comuns laranjas e rosados de não gosto nada. Ainda sobre a cor, é interessante notar que o tom desta aparenta escurecer um pouco após algumas horas de utilização, um pouco como se algum dos pigmentos estivesse a sofrer alguma forma de oxidação.

Ao contrário de outras bases do mesmo género que já experimentei, apresenta uma textura leve, relativamente pouco espessa. A durabilidade, fantástica até em dias muito quentes, torna-a uma boa base para usar em saídas à noite e em dias quentes e húmidos. Possuir protecção solar só pode ser uma vantagem e, apesar de conter álcool, ainda não me fez notar nenhum efeito adverso, apesar da minha muito sensível pele. Talvez por não a usar com muita frequência...

Achei-lhe o cheiro bastante intenso, pelo menos a comparar com o de outras bases do mesmo tipo. Vem numa embalagem comum, perfeitamente aceitável, que funciona sem brilhar, tal como o sistema de dispensação do produto. Não duvido que valha os 35/40€ que custa.

Possuo a cor #022 — Cameo. Mais qualquer coisinha, claro está, aqui.




Acho mandatório a base ser aplicada de modo a se ficar com um look natural. Como pode ser que venham a dar jeito a alguém, aí ficam umas dicas — na verdade, quase um passo-a-passo — para o conseguir de forma mais eficaz.

• Antes da base, aplico sempre um creme hidratante oil free. Ou seja, um creme capaz de produzir hidratação, de base aquosa, cuja principal função é ajudar a pele a absorver água. Estes são cremes leves e não oleosos, e é importante não os confundir com os cremes nutritivos — usados com o intuito de alimentar a pele, logo, regra geral, de base oleosa: muitos nutrientes são exclusivamente lipossolúveis.

• Deixo secar o creme hidratante e, por cima, aplico um primer, que é, basicamente, uma pré-base que vai ajudar a 1) manter a pele hidratada, 2) conter os eventuais danos que a maquilhagem possa provocar à pele, 3) ajudar a fixar melhor a maquilhagem, o que a torna mais duradoura, e 4) alisar o grão da pele, fazendo com que a base se espalhe mais facilmente, usando uma menor quantidade. Em jeito de aparte, actualmente ando a usar uma Lancôme "La Base". Talvez um dia vos fale dela.

• Depois, e como a ideia é uniformizar o tom de pele, corrijo as zonas mais avermelhadas com correctores verdes e as olheiras com correctores de base laranja.

• Agito sempre bem o frasco que contém a base, à qual por vezes misturo um pouco de brilho — por exemplo, Bourjois "Embellisseur de Teint" — e aplico-a, espalhando 1) do nariz para fora da face, 2) do queixo para cima, para as maçãs do rosto, 3) na testa, em movimentos excêntricos, e 4) no pescoço, vindo de baixo até à linha do queixo. Tento sempre usar pequenas quantidades, espalhando-as muito bem — seja com um pincel ou com as mãos — sem deixar secar e passando, por fim, uma esponja de látex para alisar as linhas que possa ter deixado.

Note que é fundamental ter-se redobrada atenção a eventuais rugas, rídulas, reentrâncias, linhas de expressão e outros que tais para não se deixarem para trás inestéticas acumulações de produto.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Stereolab — Emperor Tomato Ketchup

Tenho este disco há muito, muito tempo. Lembro-me de ser [ainda mais] puto e andar com a maralha — os cromos dos cromos da minha turma de 12º ano — a arriscar um relaxado [e curto] resto de vida ligado a um ventilador com corriditas e corridonas no espadalhão do pai de um deles — o Porky! — pelo meio dos pinheiros que proliferam lá para os lados da parvónia. Sempre com a música buésda alta. Depois crescemos, a vida separou-nos, outras corridas e sons vieram. Em consequência disso, o disquito que tanto adorava acabou, literalmente, no fundo da gaveta — onde passou boa parte dos últimos dez anos. No outro dia — Iá, só no outro dia! Resisti até ao fim! — juntei-me ao rebanho e comprei um leitor de mp3 — Mas não daqueles Apple da moda, que têm um som de merda e são bué paneleiros — E lá andei a desenterrar tralha para lhe encher a memória.

Encontrei-o, pu-lo a tocar... e agora estou fodido, que não consigo parar de ouvi-lo e é tão feio andar de phones na rua... :(

Para saber mais sobre o álbum — que é extraordinário, ouça só o bocadito que aí vos deixo! — siga este link. Para saber mais sobre a banda, siga este.



Les allées, les venues, labyrinthe, mais qu'y vois je?
La sortie, je la voie, elle est là, on est peu,
Bien trop peu, au travers, murs épais je peux le faire,
Faire tomber, les écrans, du trompage, du trompage —

S'accrochant au vide, à de la fumée, les balles sont crevées, tout recommencer
Que voudra-t-on voir, le rideau lever, le silence est d'or, je ne suis pas d'accord
Ne pas faire d'effort, et beaucoup bailler, pouvoir s'élever, et vous saluer,
On n'est pas pigeon, peut-être bien des cons, la réalité, de l'autre façon...


Pronto, por agora é tudo. Não há mais nada.

sábado, 9 de agosto de 2008

Tapada de Coelheiros '2004

Do Alentejo, trazendo a classificação de Vinho Regional, este é o vinho mais conhecido da Herdade dos Coelheiros. Pois não só o lugar é bonito e cheio de encanto, também os vinhos de lá que me têm passado pela mesa não se têm portado nada mal. Este é feito a partir de Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Aragonês. Estagiou em madeira de carvalho — 30% da qual, nova — durante 12 meses, e ainda outros tantos em garrafa até sair para o mercado. Querendo mais detalhes, pode sempre consultar a ficha fornecida pelo produtor aqui.

Uma nota de prova de Pedro Gomes, datada de há coisa de um ano atrás, está disponível para quem a quiser ler aqui.

Cor rubi, bastante intensa. Aroma intenso e persistente, com tendência a crescer com o arejamento, a frutos vermelhos doces. Sempre presente, destacado componente vegetal — pimento verde. E madeira, bastante, a ligar bem com os demais aromas, com um traço de peculiaridade que achei irresistível — lá no fundo, a dar a ideia de estar a transportar a demais carga aromática às costas para só no fim se mostrar, fortíssimas notas de macerado de caroços de cereja — tal e qual o elemento amadeirado, por assim dizer, o fundo, do «cherry brandy» Bols.

Na boca é bem seco, com a fruta a surgir menos doce que no nariz — mas nem por isso menos expressiva — sempre bem ligada aos sabores verdes, às vezes quase herbáceos, às especiarias, às sugestões de resina amarga e mais caroços de cereja — e às notas animais, de sangue, de sucos de carne, que acabam por arredondar a austeridade do componente vegetal, deixando na cabeça ideias de suculência. Umami?! — Talvez qualquer coisa... Porque não? Está elegante, muito bem estruturado, cheio de presença, sem no entanto se destacar pelo peso ou viscosidade, de álcool suave e taninos macios e persistentes. Termina bem.

Não é um monstro de complexidade, não. Mas também não mostra pouco. E o que mostra, sem dúvida, está bom. Deu muito prazer tomado só, em jeito de prova, mas ainda foi melhor com comida — já que se fala em acidez gastronómica...

É bastante fácil de encontrar, custando um pouco menos de 20€.

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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Tinto da Talha — Grande Escolha '2005

Da Roquevale, um Vinho Regional Alentejano feito com uvas das castas Aragonês e Touriga Nacional. As uvas foram vinificadas em estreme, tendo o vinho resultante sido posteriormente estagiado em barricas de carvalho francês e americano.

Diz o rótulo, entre outras coisas, que «O nome deste vinho celebra a tradição romana que ainda vigora na região de vinificar numa talha de barro.» Pois é. Consta que também este vinho assim foi feito até 1994.

No copo, mostrou cor rubi, bastante concentrada. Logo de início, detectei ligeiro aroma lácteo, como que a sugerir batido de morango. Parece que, tecnicamente, isto é considerado um defeito — será porque certas leveduras deviam estar vivas e este aroma indica que pelo menos parte delas morreu? — mas eu até gosto, pelo que, para mim, até é algo interessante de encontrar — desde que não ofusque os demais aromas. Para além do «defeito», o nariz mostrou ligeiro floral e muitos frutos vermelhos, redondinhos, ao natural, só um bocadinho doces e um tudo-nada ácidos, muito bem entrosados com discretas notas de fumo de madeira. Na boca, encontrei-o encorpado e muito suave, muito equilibrado — de facto, bem mais do que estava à espera — e possuidor daquele traço distintivo que, num mundo de iguais, faz a diferença — os aromas mais ácidos a levarem-nos para a velha adega da família: no escuro, sem mofo, as barricas húmidas do vinho novo... os tons ferrosos a evocarem aquele sabor ensanguentado, um pouco doce um pouco fumado de picanha grelhada... a mineralidade peculiar, a lembrar tijolo... Isto, algum realce deve merecer, posto que o vinho ainda está muito jovem. O final é que se revelou uma meia desilusão. Termina saboroso e limpa a boca, mas falta-lhe persistência.

Considerando o prazer que já dá, se lhe juntarmos o bom potencial de envelhecimento e um preço de mais ou menos 7€, fiquei contente com a compra. Tenho a ideia de que gostei mais deste do que do de 2004.

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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Perolivas — Reserva '2004

O excelente rótulo — porque é que não são todos assim? — indica-nos ser um Vinho Regional Alentejano produzido no Monte dos Perdigões em exclusivo para o grupo Jerónimo Martins, com uvas provenientes da vinha do Vale do Rico Homem, onde estão plantadas as castas Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Syrah, Tinta Caiada, Touriga Nacional, Aragonez e Petit Verdot. Diz-nos ainda que estagiou 12 meses em tonéis e barricas de carvalho francês Allier de grão fino e queima média, e termina com uma análise química do vinho, efectuada nos laboratórios da CVRA.

Cor granada. Qual agradável névoa a dar sempre vontade de cheirar um pouco mais, o nariz, doce e rico, de fundo fresco, onde predominavam as cerejas e o caramelo, ia também mostrando vegetal seco, tabaco, rebuçado — e madeiras muito bem integradas, discretas mas fundamentais, a trazerem complexidade ao vinho com notas de tosta, baunilha, cedro, e outros aromas, mais resinosos, frescos mas acres. A acidez, presente mas moderada, evocando azeitonas verdes mais que prontas a comer, só por momentos se deixava perceber como elemento destacado, fundindo-se rapidamente nos componentes amadeirados frescos e deixando atrás de si uma sombra a sugerir ligeiro mentol e um peculiar componente cítrico que só nos fez lembrar laranja amarga.

A boca, de corpo mediano, na toada do nariz, mostrou-se doce e bem equilibrada. Álcool e acidez no ponto, e bastantes taninos, mas talvez um pouco rugosos, deixando certa ideia de adstringência no final, longo e claramente amadeirado, cheio de resinas e tostados.

E aqui fiquei com uma dúvida: aparentando os aromas e o corpo deste vinho já certo grau de evolução, será possível os taninos ainda estarem verdes?

O preço ronda os 10€ — um pouco menos — no Pingo Doce.

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Quinta das Tecedeiras — Touriga Nacional '2003

Quando abri esta garrafa, as expectativas eram elevadas. Sempre gostei muito dos vinhos da Quinta das Tecedeiras. Sempre gostei muito de varietais Touriga Nacional. Então, como poderia um Touriga Nacional das Tecedeiras deixar-me mal?




Não poderia nem desiludiu. Nem pouco mais ou menos.

Muito escuro no copo, com grande orla violeta, deixando adivinhar grande concentração. De aromas, começa fechado, duro e austero — alcatrão — que se desdobra em grandes aromas químicos, sugerindo uma panóplia de solventes aromáticos, traduzíveis em cheiros que vão da velha cola multiusos transparente ao verniz com que se cobrem as pinturas a óleo — que vão, por sua vez, abrindo em aromas mais frescos e naturais, de clara índole balsâmica e floral: resinas de pinheiro e eucalipto, sândalo, mentolados, violetas — e no fim, a fruta preta, solene, difícil — mas persistente, envolta numa ligeira brisa mineral de contornos peculiares, ora salgada como uma brisa do mar ao nascer da manhã, ora doce e terrosa, a evocar vapores de âmbar cinzento — Por todo o lado na boca, aliada aos já de si bem presentes balsâmicos, e tornando-a fresquíssima — surgindo a fruta, agora mais perceptível e muito bem entrelaçada com as madeiras — sempre discretas — a emprestar um toque de doçura, de naturalidade, àquela amálgama de químico fresco e almiscarado de taninos imensos e muito álcool — que ainda assim não sobressai, embora se note que está lá — que quase se consegue mastigar e que teima em ficar na boca, sugerindo ainda novas nuances, bem depois de o vinho já ter ido embora.

Meu Deus, que concentração! Que força! Que pujante torrente química! — E tinha logo de ser esta, precisamente, a faceta que mais aprecio nos monocasta Touriga Nacional! Como bem diz o rótulo, é um vinho de superlativos. Equilibrado, mas a um passo do exagero. Um vinho... para putos que gostam de snifar cola!

Escusado será dizer que adorei. Custa à volta de 25€.

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P.S. — Levou 91 pontos da Wine Spectator.

P.P.S. — Sim, estou ciente q.b. de que, citando, «Ethyl acetate is formed in wine by the esterification of ethanol and acetic acid. Therefore wines with high acetic acid levels are more likely to see ethyl acetate formation, but the compound does not contribute to the volatile acidity. It is a common microbial fault produced by wine spoilage yeasts, particularly Pichia anomala, Kloeckera apiculata, and Hanseniaspora uvarum. High levels of ethyl acetate are also produced by lactic acid bacteria and acetic acid bacteria. The sensory threshold for ethyl acetate is 150-200 mg/L. Levels below this can give an added richness and sweetness, whereas levels above impart nail polish remover, glue, or varnish type aromas.» Link para o artigo da Wikipedia acerca das «Wines Faults», aqui. Nestes casos, o limiar sensorial de cada um é quase tudo. E assim, repito: este vinho foi uma pujante torrente química — que não ofendeu, encantou.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O «Meme» de A a Z

Este veio daqui [this came from here]. Decidi responder porque achei realmente engraçado — embora tenha tendência a odiar esta forma virtual de corrente de amor... [Decided to answer because I found this one really funny — even hating this virtual kind of love chain...]

A menina S viu-me a fazer isto e também quis brincar. [Ms. S saw me doing this and also wanted to play.] Assim, [Thus,]

A preto, negrito, as perguntas (duh). [In black, bold, the questions (duh).]
A azul, as minhas respostas. [In blue, my answers.]
A cor-de-rosa, ou isso, as da S. [In pink, or something similar, hers.]


A. Attached or single? Attached and happy. / Forever attached.

B. Best Friend? I have no friends! / Money.

C. Cake or Pie? Cake. / Cake.

D. Day of Choice? It's all the same shit! / Friday.

E. Essential Item? Keys. Cellphone. Paper Tissues. Wallet with cash and cards. Lip balm. /Cellphone when he's not at home, a bottle of water, lipstick, toothbrush, toothpaste and sunglasses.

F. Favourite Colour? Black. It never compromises. / Purple.

G. Gummy Bears or Worms? I hate both! / Worms.

H. Hometown? Oh, Jesus. Castelo Branco. It's a fine lill' city. / Guarda. Another fine lill' city.

I. Favourite Indulgence? Epicureanism is a system of philosophy based upon the teachings of Epicurus... (blah blah) :P Ok, lots of them, but not sodomy. Not as a passive element. Gosh. /Alcohol, drugs, pills.

J. January or July? July, despite the light and the heat. Rain depresses me a lot... / January.

K. Kids? Nah. / Never, ever.

L. Life Isn’t Complete Without? Oxygen! Alcohol! Oil! :) Love... / J., money, alcohol, animals, makeup, good sleeping time.

M. Marriage Date? Me dunno. Me little. / When he will ask me to.

N. Number of Siblings? One. My half retarded brother — he resembles Chris Griffin from Family Guy, a LOT. / Kinda none.

O. Oranges or Apples? Apples. But our guinea pigs would prefer the oranges, I guess. /Orange juice!!!

P. Phobias? Spiders. / Fire, bugs, the unknown — whatever it is, to lose my mind, being poor, but the biggest one: to lose his love.

Q. Quote? Randomly, OK? «The face of evil is always the face of total need.» — W.S.Burroughs dixit. / «Nothing is true, everything is permitted» — Hassan-i-Sabbah, via old uncle Bill Burroughs — she says. Erm... WSB again. A few years have passed since we read something from the man for the last time. Is this becoming a bit awkward? Huh? Huh?

R. Reason to Smile? She loves me. / He loves me, I am not poor, my guinea pigs are healthy. I am white.

S. Season of Choice? Autumn. / Autumn.

T. Tag Five People: I won't. They wouldn't like, you know... / I don't even know 5 people.

U. Unknown Fact About Me? I can't tell! / I have a life.

V. Vegetable? Vegewhat? Kidding. Strawberries. Ah, and grapes, lol. / Tomato, cauliflower, cucumber, cherry, strawberry, orange...

W. Worst Habit? None, of course. / To chew small random bits of hard plastic stuff.

X. X-ray or Ultrasound? None, at least by now. / Ultrasound. Made possible some fine deep sea discoveries that I much like to be aware of.

Y. Your Favourite Food? Steak on the stone — always. It keeps things simple, tastes great and is the perfect canvas for great wines. / Prawns...

Z. Zodiac Sign? Taurus. / Taurus.

Weee! Acabou de sair a posta mais colorida de sempre neste blog, bolas!

Clarins — Double Fix' Mascara

Ando preguiçoso c'mó caralho — não, a sério, se o caralho andasse tão preguiçoso como eu, aqui o je era um menino bem infeliz. De qualquer forma, ando preguiçoso — é a mensagem que quero passar. Passo também a palavra à Sarinha bebé, e vai mais um post de maquilhagem...


Desta máscara, diz o produtor:

«An exceptional transparent, fixing gel which guarantees perfect mascara hold in any environment... bathing, travelling, late nights and more. Also ideal for use to groom and shape eyebrows.»


Tem-me deixado muito bem impressionada. Transparente, pode ser utilizada como «selante» de qualquer outra máscara — digo, rimmel — de cor, tornando-a totalmente resistente à água. Quando usada sozinha, empresta brilho e definição às pestanas, dando a sensação de as tornar mais espessas — apesar de manter, sempre, um aspecto bem natural. E é óptima para fixar as curvas feitas com o lash curler. Também serve para fixar as sobrancelhas, mantê-las no sítio, dando-lhes um brilhozinho deveras apelativo — daí o double no nome. Por fim, realço que nunca me deixou as pestanas secas ou duras. Trata-se, sem dúvida, de uma óptima máscara de fixação.

O cheiro pode a muitos surgir estranho, mas eu adoro-o. Evoca-me óleo de rícino, uma maravilha...

Ah! Um contra: depois de aplicada por cima de um rimmel colorido, pode colar um pouco as pestanas umas às outras — nada que não se resolva com uma escova, mas... E outro: por vezes, pode tirar um pouco de vida a máscaras de cores mais brilhantes.

A embalagem não é bonita, é vulgar, mas de boa qualidade e funcional — enfim, está mais que aprovada.

Concluindo: acho o conceito muitíssimo interessante: temos a nossa máscara preferida, seja ela de volume ou de alongamento, da nossa cor preferida... e num instante podemos torná-la completamente impermeável, mas a valer, como nada antes se tinha visto! Não pensem tratar-se de um produto milagroso. Porém, dentro do que já exprimentei dizendo-se waterproof ou smudgeproof — e olhem que não foi pouco — é de longe a melhor. E o preço está muito bom — só 15/20€!

Como qualquer outro produto Clarins, não é testada em animais.
Sem dúvida que vou voltar a comprá-la.

Mais detalhes... aqui.


P.S. — Que catano, ter de escrever um post inteiro sem dizer que se foda algo, caralho. Mas a gaja não deixa... :(

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Dior — DiorKiss: Luscious Lip-Plumping Gloss

Linha inspirada no mundo dos cocktails. Citando o produtor:

...new DiorKiss scented glosses derive their energy from the world of cocktails with fresh and appetizing colors. The menu offers a choice between two aromatic families:
• «long drink» for the fashionable: daring audacious cocktails that combine different flavors in a liberating spirit of freshness;

• fruit potions for those with a sweet tooth: succumb to these syrups that concentrate the essence of fruits, revealing pure, energizing flavors.




Agora a sério, o cheiro deixou-me a pairar entre a laranja das pastilhas Gorila da minha infância e a do digestivo Eno. Não consigo dizer se gosto... ou se o acho um pouco enjoativo.

No que toca à embalagem, acho estas muito mais práticas e apelativas que as precedentes. Também me quer parecer que melhoraram — e muito — a qualidade do gloss em si. Adoro a cor, um laranja com reflexos opalinos. Pode parecer muito forte quando vista na embalagem, mas, depois de aplicado, apenas transmite aos lábios um leve tom. Ou seja, como contraponto à cor exuberante, a baixa opacidade impede o exagero — e isso é bom. Também bom é não deixar a boca com um aspecto cintilante, pois, apesar de ter brilhantes reflectores, estes são muito pequeninos. De textura, e tendo sempre presente que se trata de um gloss, não o acho muito pegajoso... Mas não é dos que mais facilmente desaparecem dos lábios — que, de facto, ficam com uma agradável sensação de hidratação.

Vem em tubos de 8ml e custa 15 ou 20€. Infelizmente, ainda não encontrei muitas cores à venda. Na foto, a nº 541, Tangerine Jet.

domingo, 3 de agosto de 2008

Vinha da Nora '2002

Este Vinho Regional da Estremadura, da Quinta do Monte d'Oiro, é um varietal Syrah com um toque de Cinsaut, que estagiou durante 16 meses em barricas de carvalho francês Allier — metade das quais, novas — e mais uns tempitos em garrafa até ser lançado no mercado.

Ganhou uma medalha de prata no International Wine Challenge Vienna '2006 e mereceu 16 valores no guia de João Paulo Martins.

Cor intensa, a fugir para o granada. No nariz, é denso e complexo — ataca com fruta doce e flores — para logo passar a um interessante leque de tostados, estes ricos, a irem de notas de queima das barricas a intensas sugestões de carnes de fumeiro — surgindo, depois, tons ferrosos, notas de sangue — tudo assente num fundo mineral com certa amplitude e frescura.

Tal como no nariz, é suave na boca — calorosa: percebe-se que é um Syrah — onde os aromas e sabores surgem bem casados, sem surpresas. A acidez aparece bem vincada — tanto que acaba por definir a presença do vinho no palato. Pena que o corpo, apenas mediano, e o final — muito discreto — não permitam mais que recordações de breve passagem — full of piss and vinegara la Patti Smith — aquela sensação de falta que é tudo menos reconfortante.

Ainda notei que, à medida que se lhe vai escoando a vida no copo, vão aparecendo aromas mais acres, mais pesados, a mofo, a oxidação — o cacau «bruto», as notas de Xerez...

É um vinho encorpado, com boas madeiras, mas falta-lhe alguma coisa. Talvez, ao contrário do que, simpaticamente, se sugere por essa web fora, o ano de 2002 também tenha sido mau na Quinta do Monte d'Oiro — ou porque é que, nesse ano, não se produziu o primeiro vinho?

Profundo, com personalidade, é um Syrah decente, mas já os provei bem melhores, até para o preço — 14€.

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Ah! Já me esquecia...

A página do produtor, apresentação que se nota pensada por uma fina inteligência, reveladora de verdadeiro bom gosto e de indiscutível sentido de marketing — de vendibilidade — fez-me sorrir por três motivos, de dois dos quais acabei de vos falar de sobra — e fica aqui.

O terceiro, sem malícia, é este — corrijam lá isso, pretty please.

Update em jeito de post-scriptum: E eles corrigiram!

RHEA '2005

Dos Titãs, Rhea — que nome bonito — filha de Urano — o Céu — e de Gaia — a Terra — mãe dos Deuses.

Da G&R — Consultores, veio-me parar à mesa este tinto (DOC) do Douro, feito com — citando a ficha técnica fornecida aqui pelo produtor — castas tradicionais durienses como a Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Touriga Nacional, e parcialmente estagiado em madeira de carvalho durante 10 meses.

Decantei-o «de chapa» talvez uma hora antes de o servir, como recomendado pelo produtor, ligeiramente refrescado — a 15ºC.

Cor rubi. Mostrou aroma franco a frutos vermelhos, não maduros, algum mato seco, bastantes tostados — e poliéster... Na boca, ligeiro e bem seco. Frutos vermelhos e um pouco de madeira, que não se mostrou no seu melhor. Lá pelo meio dos tostados da barrica, como que teimavam em aparecer sugestões a cortiça aglomerada, a plásticos... Certa pobreza aromática deixava evidenciarem-se o álcool, e pior, excesso de acidez. Como se as framboesas não estivessem todas maduras, com ocasionais laivos abafados de laranjas azedas.

Algo rústico, acabou por ir bem com feijoada.

Custando à volta de 4€, acaba por não ser vinho para o preço. 13

Procurando na web, descobri mais pessoas que não ficaram demasiado felizes por o terem provado.

sábado, 2 de agosto de 2008

Salada César de Frango

Existente num sem fim de variantes, esta salada baseada em alface e croutons — bocadinhos de pão torrado, por vezes com temperos — é creditada a Caesar (Cesare) Cardini, cozinheiro e empreendedor italo-mexicano que, eventualmente, se radicou nos EUA, onde se tornou famoso durante a era dourada de Hollywood.

Esta é uma interpretação minha do clássico, portanto. Não dá trabalho nenhum e é muito levezinha e saborosa, ideal para o Verão.

Antes de tudo o mais, uma nota breve:

Para fazer o azeite aromático de alho, louro e picante, juntei, no fundo de uma garrafa de 25cl, uma malagueta seca, inteira, uma folha de louro, e uma colher de sopa, mal cheia, de alho seco, picado, daquele de compra. Cobri com azeite até encher a garrafa e deixei repousar. Duas semanas depois, estava bom para ser utilizado. Mas já lá vai mais de um — dois? — meses, e tem vindo a melhorar com o tempo. Se tiver pressa, em vez de untar as fatias de pão com este azeite, unte-as com azeite simples e, depois, deite-lhes por cima um pouco de alho em pó.




A salada faz-se assim:

Cortam-se mais ou menos 250g de pão às fatias, que se untam com azeite aromático de alho, louro e picante. Levam-se ao forno durante aproximadamente 20min a 200ºC.

Grelham-se 400g de bifes de frango numa chapa bem quente, só com sal.

Lava-se uma alface, escorre-se bem, e corta-se para dentro de uma saladeira grande. Adiciona-se-lhe uma lata (300g) de milho e azeitonas a gosto — tudo muito bem escorrido. Mistura-se.

Prepara-se o molho. Numa tigela, juntam-se o sumo de meio limão, 5 colheres de sopa (cheias) de maionese, 3 dentes de alho picados e um pouco de azeite. Deixa-se repousar.

Cortam-se os bifes de frango e o pão aos bocadinhos. Quando estiverem frios, juntam-se aos vegetais que aguardam na saladeira. Volta a misturar-se tudo muito bem. Serve-se com o molho.

P.S. Desta vez, usei alface frisada era o que havia quando fui às compras. Porém, uma alface dura, de folhas vigorosas, romana ou iceberg, por exemplo, fica um pouco melhor.

Joguinhos...

E cenas.



Gostaram?