terça-feira, 30 de setembro de 2008

Passadouro '1995

Embora o blogue não o reflicta, ultimamente tem-se bebido. E como, meu Deus!

Vamos lá tentar pôr a pinga em dia, pois então.

Para começar, um tinto bastante regular na nossa garrafeira. Do Douro (DOC), da colheita de 1995, engarrafado em 1998 pela Niepoort para a Quinta do Passadouro, é daqueles vinhos que existem desde sempre no Ponto Fresco, o supermercadito mais próximo aqui de casa, de onde vêm algumas boas coisas a preços muito interessantes, por sinal.

Jamie Goode provou-o em Dezembro de 2002. Há quase seis anos! Transcrevo as suas impressões, tiradas daqui:

Quinta do Passadouro is an estate run by Dirk Niepoort (although he doesn't own it), and this is a wine I'd had cellared for a few years. Quite an evolved tarry, spicy nose with some leathery, earthy complexity and medicinal, herby fruit. The palate is drying out a little: very savoury with a taut spicy character and high acidity. Concentrated, intense and quite challenging. Fascinating, but verging on the austere. Very good+

Julgo oportuno deixar desde já uma primeira nota: conserve-se na vertical durante um ou dois dias e decante-se cuidadosamente antes de se servir: este vinho tem um depósito monstro!

Cor algures entre o malva e o alaranjado, sugerindo grande evolução. Aroma ainda intenso onde predominam as notas balsâmicas, com muito chá e cabedal, e sugestões de queijo, suor animal e frutos secos. A fruta ainda surge, um bocadinho, como que em licor... Na boca, embora tenha vindo a perder corpo nestes últimos dois anos, ainda tem presença, com os taninos, aveludados, a revelarem alguma profundidade. De sabor, suave e um pouco austero, original mesmo para vinho velho. Nunca comeram rodelinhas de limão com sal? Não, não sabe horrivelmente, e sim, é mesmo para aí que o sabor deste vinho me remete. 'Ziro! Final ainda saboroso, mas a encurtar.

Embora já tenha passado o apogeu, continua bem agradável. Esta última garrafa, especificamente, não nos impressionou em demasia, mas já as cá tivemos melhores, até recentemente. É natural, são coisas de vinhos velhos...

Não é por acaso que destes se diz que «não temos vinhos, temos garrafas».

Assim, 15,5 a esta garrafa em particular; 16 ou mais a outras que já encontrámos — recentemente — em melhores condições.

P.S. — No Ponto Fresco, este vinho custa menos de 12€. E para o preço, está bem. Poderá, até, dizer-se interessante. Mas a especulação não conhece limites: a LusaWines, por exemplo, vende-o a uns estratosféricos 98€! Vergonha, senhores!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Bolo de Coca-Cola

Após o sucesso do bolo de coco Galáctico, resolvemos partilhar algo que julgamos ainda melhor. Assim, acabámos por optar por um bolo de chocolate e Coca-Cola — combinação que pode soar improvável, mas que é deliciosa e bastante original. Bastante popular noutras paragens, dele fizeram as suas interpretações pessoais nomes como Nigella Lawson e James Martin. Pensamo-lo capaz de criar fãs — só na última semana, já o repetimos duas vezes!

O último que fizemos ficou com este aspecto...




Para mais, é bastante fácil! Faz-se assim:

Pré-aquecer o forno a 180ºC.

Forrar uma forma redonda, sem buraco, com papel encerado ou folha de alumínio; untar e polvilhar o papel.

Numa taça grande, juntar 325ml de farinha, 190ml de açúcar mascavado e 1 colher de sopa de fermento Royal.

Noutro recipiente, bater um ovo grande, 125ml de buttermilk e 1 colher de chá de vanilina.

Deitar num tacho 175ml de Coca-Cola com 100g de manteiga e 2 colheres de sopa de cacau magro em pó. Levar a lume brando até a manteiga derreter. Misturar e verter para dentro da taça onde se encontram o açúcar, farinha e fermento. Bater bem. Juntar a mistura de ovo, buttermilk e aroma de baunilha. Bater até a mistura, uma massa muito fluida, ficar homogénea.

Verter a massa para dentro da forma e levar ao forno — pré-aquecido — por 40 ou 50 minutos — ou melhor, até o palito sair limpo.

Uma vez retirado do forno, deixar o bolo descansar durante 15 minutos antes de se desenformar.

Entretanto, preparar a cobertura. Peneirar 250ml de icing sugar para dentro de uma taça. Reservar. Num tacho, juntar 2 colheres de sopa de manteiga, 3 colheres de sopa de Coca-Cola e uma colher de sopa de cacau. Mexer em lume brando até a manteiga derreter. Tirar do lume, adicionar meia colher de chá de vanilina e o icing sugar que se tinha reservado, batendo até se formar um creme... não muito espesso, mas barrável.

Cobrir o bolo ainda morno e deixar arrefecer.

Notas:

1) De preferência, utilizar Coca-Cola normal, daquela mais velhinha, com açúcar, e não Coca-Cola Light ou Zero.

2) Pode-se utilizar buttermilk de compra ou, alternativamente, juntar meia colher de sopa de sumo de limão a 125ml de leite para se obter esse mesmo volume de buttermilk.

3) O bolo não fica com sabor a Coca-Cola! Desta, aproveita-se acima de tudo o caramelo que eles usam como corante, que vai ligar na perfeição com o açúcar mascavado, a baunilha e o chocolate.

domingo, 28 de setembro de 2008

Três Doces de Abóbora

Elas têm andado a fazer doces. Compotas. Dessas, e como se pode ver na foto,




da esquerda para a direita, de abóbora com canela e laranja, abóbora com baunilha e abóbora com coco.


Fizeram-nas como segue:


Tudo começou com uma daquelas comuns abóboras cor-de-laranja que os americanos do norte gostam de esvaziar para fazerem as tradicionais Jack-o'-lanterns do Dia das Bruxas e que, descascada e sem pevides, pesava cerca de 1,9Kg.

Partiu-se aos bocadinhos, cobriu-se de água e foi ao lume, onde permaneceu até ficar muito mole, quase não restando água na panela. Sem se retirar do lume, esmagou-se com uma espátula (daquelas próprias para fazer puré de batata) e juntou-se-lhe 1Kg de açúcar, que se deixou dissolver antes de se desligar o lume. Então dividiu-se o puré resultante em três porções que voltaram ao lume, cada uma em seu tacho.

A uma delas, 2/5 do volume do puré de abóbora que então se tinha, juntaram-se raspas muito finas de uma laranja, 2 paus de canela e uma colher de chá de canela em pó. Deixou-se engrossar durante 3 ou 4 minutos e enfrascou-se.

A outra, outros 2/5 do volume de puré, juntaram-se duas colheres de chá de essência de baunilha. Tal como a anterior, deixou-se engrossar e enfrascou-se.

E ao restante juntou-se coco ralado seco (75g). Mexeu-se e deixou-se engrossar, o que aconteceu muito rapidamente, talvez em menos de um minuto.

A ideia, dizem elas, surgiu como uma tentativa de aproveitar abóboras bastante grandes sem se ter de estar a fazer grandes quantidades do mesmo doce. Assim, uma abóbora grande não só pode servir de base para vários doces diferentes com um mínimo de trabalho adicional, como ainda parte da sua polpa cozinhada se pode congelar para posterior utilização. Para terminar, refira-se que os doces ficaram todos realmente bons.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Haha!

Via JPT.




Hum... Não é mau de todo, pois não?

Frango Principesco

Da mesma forma que a uma limonada de erva-príncipe se chama chá de príncipe, a este frango marinado na dita... resolvemos chamar frango principesco. Não faz sentido nenhum, nós sabemos.




É um prato de inspiração oriental, puxadinho para o lado das especiarias e delicioso.

Primeiro, a marinada. Num copo fundo de plástico, junta-se uma cebola partida aos bocadinhos, 20g de erva-príncipe fresca, 5 dentes de alho, uma colher de sopa de caril, 4 colheres de sopa de óleo de amendoim, uma colher de sopa de óleo de sésamo, 2 colheres de chá de gengibre ralado, uma pitada de sal e picante a gosto. Tritura-se com a varinha mágica.

Colocam-se 4 peitos de frango dentro de uma assadeira, temperam-se com um pouco de sal e picante e cobrem-se com a marinada. Levam-se ao frigorífico durante 4 horas. Uma hora antes de irem ao forno, retiram-se do frigorífico.

Por fim, vão assar. Primeiro, durante 30 minutos, a 200ºC. Depois, durante 20 minutos, a 250ºC.

Comem-se com arroz basmati, branco, bem soltinho. Uma vez servido, polvilha-se tudo com bocadinhos de erva-príncipe fresca.

Requeijão no Forno

Deitou-se um fundo de muito aromático azeite caseiro numa taça capaz de ir ao forno. Por cima, um requeijão de ovelha, inteiro, cuja face superior se temperou com um pouco de alho em pó, malagueta seca, sal e orégãos frescos. Virou-se o requeijão e aplicou-se o mesmo tempero à outra face. Foi ao forno durante 18 minutos a 200ºC.




Comeu-se com pequenas torradas de pão de mistura, aromatizadas com azeite do mesmo. Que bela entrada!

Velharias (5)

Bebezinho,


Não sei amar.

A minha mente é vaga
A minha alma, vazia
O meu coração, negro.

O meu amor sabe a ódio,
Cheira a ódio.

Contudo,
Sei que a única coisa que devia odiar é o ódio que existe dentro de mim.

O meu amar amargo
Confunde os sentidos e afasta.

Verdade:
Quanto mais te amo, mais te afasto.

Lamento.

E tu?
Sofres.

Desculpa.

Desculpa-me tu
E que me desculpe eu próprio.

Não me quero assim.
Prisioneiro da minha própria podridão.

Apatia, orgulho, ciúmes
Três palavras definem-me.

Não te mereço.
Não mereço o mundo.
Não mereço luz nem cor nem som ou sombra.

E tu?

És uma flor.
Fechas-te quando faço cair a noite.

Só me resta que me perdoes,
Esperar novamente pela manhã.

(8/8/2005)

Meandro do Vale Meão '2006

É a mais recente colheita do segundo vinho da Quinta do Vale Meão.

Do Douro Superior, consiste numa mistura de Tinta Roriz (40%), Touriga Nacional (25%), Touriga Franca (25%), Tinta Barroca (5%) e Tinta Amarela (5%).

Cor rubi, escura, de grande saturação. Nariz muito expressivo, cheio de bagas maduras e mato fresco, como num dia de chuva depois do Verão. A emoldurar o quadro, a acidez deixa adivinhar suaves vestígios de tropicalidade e azeitona verde. Na boca, intenso e bem definido maracujá — que rapidamente se matiza em frutos silvestres cheios de frescura. No fundo, boas notas de barrica tostada, tão discretas quanto os finos taninos, tão vitais como a mineralidade nervosa, quase crocante, a transmitirem grande harmonia ao conjunto. Álcool muito bem integrado. Final decente.

Mais disponível, de estrutura menos grandiosa que o da colheita anterior, poderá ter mudado de estilo, mas não perdeu beleza.

Para rematar, direi que casou muito bem com um prato de lombo de porco recheado, assado no forno e acompanhado de batatinhas assadas com casca, afogadas em azeite.

Custou 11€.

17

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Companhia das Lezírias '2003

Da venerável Companhia das Lezírias, que aqui tem a sua página oficial, um tinto ribatejano de preço acessível — paguei por ele 5€ — e sobejamente premiado: ganhou o prémio "Melhor Compra" da Revista de Vinhos, uma medalha de prata no concurso Vinalies Internationales de Paris e medalhas de ouro no Mundus Vini e no Concurso de Vinhos Engarrafados do Ribatejo — tudo isto em 2006.

Foi vinificado a partir de uvas Castelão, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon. Estagiou durante 6 meses em barricas novas de carvalho francês e americano, e mais 1 ano em garrafa.

Achei-o intenso e dotado de uma frescura muito peculiar. Aroma a frutos vermelhos parcialmente compotados, alguma tosta e um pouco de chocolate. Na boca, acidez vincada e taninos durinhos. Algo rústico, mas muito saboroso.

14,5

Compota de Ananás

Este é um doce que costumamos fazer. A receita, acho que é indiana. Já não sei onde a vimos e duvido, até, que seja a receita original tim tim por tim tim. Mas funciona bem, e aqui é isso o que mais importa.

Fez-se assim:

Comprei dois ananases médios que, com casca e coroas, perfaziam 3,400Kg. Descasquei-os cuidadosamente, cortando-os — centro lenhoso incluído — em pedaços muito pequenos, tendo deste modo ficado com cerca de 1,700Kg de polpa.




Deitei os cubinhos de ananás numa panela grande — realmente grande, de tal forma que o volume do ananás e da água, juntos, não superasse ¾ do seu volume interno. Isto porque, durante a cozedura, o ananás tende a libertar uma espuma característica que se acumula à tona da água, podendo transbordar... e que por isso convém remover-se — e juntei-lhes 3 litros de água. Deixei então ferver em lume brando até o volume da mistura de água e ananás — que, naturalmente, vai reduzindo à medida que coze — ocupar aproximadamente o mesmo volume que o ananás, cru, antes da cozedura. Desta vez, esteve ao lume pouco mais de uma hora até atingir este ponto.

Altura em que juntei ao cozimento 1,5Kg de açúcar branco, mexendo um pouco (e, de futuro, mexendo novamente de vez em quando) para se misturar. É de notar que a partir do momento em que se adiciona o açúcar, o ananás não coze mais. Assim, se a mistura reduzir para o volume pretendido (ou menos) mas o ananás ainda não aparentar a moleza suficiente, não há mal em ir-se juntando mais água, aos poucos, até se obter o ponto ideal.

Dado que a mistura que virá a ser o doce continua ao lume depois de adicionado o açúcar, este, ainda que diluído, começará a caramelizar, o que implicará um ligeiro escurecimento do doce. Foi nesta altura que lhe adicionei mais ou menos 400ml de sumo e polpa de limão, sem caroços. Passo fundamental, dado que a gelificação das compotas — esta e todas as outras — depende de uns polímeros chamados pectinas... que abundam no limão e o ananás quase não tem. Assim, para a compota de ananás poder ser compota propriamente dita e não uma espécie de caldo, torna-se necessário juntar-lhe algo de aroma e sabor compatível — e isto também depende da acidez do fruto: um ananás, mesmo bem maduro, tem sempre uma acidez vincada. Ora, nestes casos, quase faria mais sentido juntar-lhe um fruto rico em pectina mas de acidez mais baixa, como a maçã... Porém, por algum motivo achamos que fica melhor com limão! — e rico na dita pectina. Quem detestar limão pode juntar apenas metade desta quantidade, ou sumo e polpa de maçã ou manga — ou ainda pectina comercial... mas cá por casa temos a ideia de que isso é aldrabar um bocado. Grande.

Ainda com a mistura ao lume, passei-lhe ao de leve com a varinha mágica. Ao de leve: o suficiente para alguma polpa se tornar creme, mas também de modo a sobreviverem alguns, bastantes, pedacinhos inteiros.




Dado que o aquecimento não foi interrompido, as reacções de caramelização já mencionadas continuaram a decorrer. E o doce foi escurecendo. Quando estava mais ou menos da cor que se pode ver na foto abaixo... e lhe notei um barulho esporádico de bolhas grandes, isoladas, a emergir do fluido espesso, rebentando à superfície — qual caldeirão da bruxa, ka-plotsch! — estava pronto.




Retirei-o do lume, coloquei-o em frascos esterilizados e deixei arrefecer. Embora delicioso à temperatura ambiente, gosto ainda mais dele se servido frio, frio de frigorífico...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quinta das Tecedeiras — Reserva '2005

Outro vinho da Dão Sul e uma pinga recorrente por estes lados, foi dos primeiros que comprei para consumo próprio — a colheita de 2001, se a memória não me atraiçoa.

Vem lá bem do centro do Douro, do Cima-Corgo, zona de verões quentes e solo razoavelmente árido, onde as uvas atingem grandes concentrações de açúcar. Juntem-se vinhas muito velhas de uma panóplia de castas indígenas à equação e o resultado só pode ser interessante.




Servido a 16ºC.

A cor é rubi, retinta, opaca, muito escura. Abre com notas de verniz que logo se desdobram em aromas intensos e profundos a flores e frutos negros, e depois vegetal seco com um pico balsâmico, esteva e cardo e floritas multicolores por entre as ervas, como se da poderosa fruta se levantasse fresca aragem capaz de nos fazer percorrer as encostas de onde este vinho veio. Encorpado, espesso, enche a boca. Num registo potente, nem sempre suave mas muito agradável, com o álcool bem integrado e um belo final a evocar chocolate e madeiras.

Este é um daqueles vinhos que nos contam histórias, que nos falam da sua terra! E como vai crescer! Para mim, é um dos grandes do Douro.

Custou pouco menos de 20€.

18, para já.

domingo, 21 de setembro de 2008

Coisas Para Ler em Viagem

Maidanov deu-me a morada de Zinaida. Encontrava-se no Hotel Demout. Velhas recordações se agitaram no fundo do meu coração e prometi a mim mesmo que iria fazer uma visita, logo no dia seguinte, ao objecto da minha antiga «paixão».

Tive um impedimento... e oito dias se passaram, depois mais oito. Por fim, quando me apresentei no Hotel Demout e perguntei pela senhora Dolskaia, disseram-me que tinha morrido, havia quatro dias, dando à luz uma criança.

Pareceu-me que qualquer coisa se dilacerava em mim. A ideia de que teria podido vê-la, mas que não a tinha visto nem a veria mais, apoderou-se de mim com uma força espantosa, como uma amargura de remorso.

— Morta! — repetia eu fixando o porteiro com olhos cegos...

Saí lentamente e afastei-me ao acaso, a direito na minha frente, sem saber para onde ia... Era então este o fim que estava destinado a essa vida jovem, febril e brilhante!

Pensava isto imaginando os seus traços queridos, os seus olhos, as madeixas douradas, encerradas numa caixa estreita no húmido negrume da terra... E isso tão perto de mim, que vivia ainda... a poucos passos de meu pai, que também já não era nada...

Perdia-me nestes pensamentos, forçava a imaginação e logo um verso pérfido me ressoou na alma:

Lábios impassíveis falaram da morte.

Nada pode inquietar-te, ó juventude! Tu pareces possuir todos os tesouros da terra; a própria tristeza te faz sorrir, a dor torna-te mais bela. Tu estás confiante em ti mesma e, na tua temeridade, clamas:

«Vejam, sou a única a viver!» Porém os dias passam, muitos e muitos e sem deixar sinal; a matéria de que és feita, funde-se como cera ao sol, como a neve... E — quem sabe... — se a tua ventura não viverá mais na tua fé do que na tua omnipotência? A tua felicidade está em gastar energias que não encontram qualquer fim. Cada um de nós se imagina muito pródigo e pretende ter o direito de dizer: «O que eu não teria feito, se não tivesse esbanjado o meu tempo?»

Eu também... O que não esperei? Por quanto não aguardei? Que futuro radioso eu não previa, quando saudava com um suspiro melancólico o fantasma do meu primeiro amor, ressuscitado pelo espaço de um instante?

De tudo isso o que se cumpriu? Hoje, em que as sombras da noite começam a envolver a minha vida, que me resta de mais fresco e de mais querido que a saudade desta tempestade matinal, primaveril e fugaz?

Mas faço mal em maldizer. Apesar da juventude ser sem cuidados, não fiquei surdo ao apelo dessa voz melancólica, a esse aviso solene que me chegava do túmulo... Poucos dias depois de ter sabido da morte de Zinaida, assisti, por minha livre vontade, aos últimos momentos de uma pobre velha que morava no nosso prédio. Coberta de farrapos, estendida sobre tábuas ásperas com um saco por travesseiro, ela sofria uma agonia lenta e penosa... Toda a sua existência se tinha passado a lutar amargamente contra as necessidades da vida quotidiana. Não tinha conhecido a alegria, nunca levara aos lábios o cálice da felicidade. Pois não deveria ela regozijar-se com a ideia da redenção, da liberdade, do repouso que ia enfim merecer? E contudo todo o seu corpo decrépito se debateu muito tempo e o peito só deixou de se erguer contra a mão gelada que o oprimia, quando as forças a abandonaram por completo. Então, fervorosamente, fez o sinal da cruz e murmurou:

— Senhor, perdoa-me os meus pecados!

A expressão de terror e de angústia perante a morte só se lhe extinguiu no fundo do olhar, com a última centelha de vida...

E recordo-me que foi à cabeceira desta pobre velha que, de súbito, tive medo por Zinaida e quis rezar por ela, por meu pai — e por mim.


Ivan Turgenev, Primeiro Amor — 1860.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Pedro & Inês '2004

Pois para os bifinhos ali de baixo decidi abrir uma garrafa que se me afigurava promissora, tanto pelo perfil menos convencional — um vinho do Dão feito apenas com Baga e Alfrocheiro — como pela muito positiva (embora vaga) crítica que tem recebido.

Encontrei-o de cor bonita e invulgar, um rosa escuro com reflexos avermelhados.

Apesar de decantado com antecedência, estava fechado, como que «liso» no nariz, com presença mas sem profundidade. Havia fruta madura, mas nunca doce, densa, em fundo mineral de grafite e terra molhada. Com o tempo, lá se foi mostrando um pouco de chocolate, umas raspas de madeira torrada...

Esteve grande na boca, fresco, pujante e muito equilibrado, de sabores discretos entre a fruta austera e os tostados, sempre composto pelo chocolate (de carácter que não me pareceu nem doce nem amargo!) e dotado de uma bela estrutura, com taninos doces e um grande final.

Desta vez, sobrou um bocadito para o dia seguinte. Nariz ainda mudo. Em termos de aromas e sabores, mais do mesmo em relação ao dia anterior. Talvez o tenha encontrado um pouco mais vivo, mas longe de lhe poder chamar expressivo.

Gostava de prová-lo daqui a dez anos. Para já, embora prometa muito, não me impressionou.

Uma nota final. Diz o rótulo... «A nossa homenagem a um amor puro que irá durar até ao fim do mundo».

De facto, parece-me um vinho para beber com alguém especial. Ou com alguém que, não sendo especial, nos dê e retribua a vontade de fingir certas singulares afinidades da alma. Arrulhar. Ronronar. Dizer doçura. Fingir fofices. Fazer birrinha, trocar miminhos.

E etc., pine-se.

Porque... suave, de forma alguma agredirá o palato de quem o provar, por mais sensível que este seja. Bem balanceado, possui uma profundidade doce, que surge ao longo dos taninos, através do corpo — não tanto de aromas e sabores, dos quais, agradável, nem doce nem seco, nem frutado nem balsâmico, mineral ou amadeirado, é consensual e quase plano.

Ou seja, para terminar a lengalenga, é bom de sentir e não dá muito que pensar. E por fim, tem 14,5% vol. que não nos saltam para a cara nem picam na língua. Não é o que se costuma querer de um vinho para uma noite dessas?

Penso que apenas reste indicar, como de costume, que foi produzido pela Dão Sul na Quinta de Cabriz, tendo a enologia ficado a cargo de Carlos Lucas. Não consegui averiguar as proporções entre as quantidades de Alfrocheiro e Baga utilizadas nem o tempo de estágio. Parece que foi especialmente elaborado para o Hotel Quinta das Lágrimas.

Custou 28€ aqui bem pertinho de casa.

16,5

Delicioso QuickVacum

O nosso jantar num dia falho de paciência:




Descasquei as batatas e cozi-as «normalmente» com sal, duas folhas de louro e dois dentes de alho descascados, tendo o cuidado de as não deixar ficar muito moles.

Entretanto, numa taça à parte, misturei muito bem 5 tomates secos partidos aos bocadinhos com 4 colheres de sopa de pesto.

Escorri as batatas e coloquei-as num tabuleiro de ir ao forno, espalhando-as de forma a não se sobreporem. Juntei-lhes a mistura de pesto e tomate e dei-lhes um fio de azeite para ficarem estaladiças. Passaram 15 minutos no forno a 250ºC.

Entretanto, grelhei na chapa uns bifinhos do lombo, só com sal. Quando grelho, costumo ter em conta que:

• a temperatura da chapa é importante — eu gosto de a ter já um bocado quente quando começo a grelhar;

• o bife deve estar razoavelmente «seco» quando vai grelhar — nada de águas de descongelamento;

• pessoalmente, gosto de escaldar na chapa durante uns segundos as quatro faces mais extensas — sim, estou a incluir as duas laterais no sentido do comprimento... pelo menos! — do bife antes, sequer, de o salgar... a ideia é selar a carne tanto quanto possível, de modo a que se possa manter bem suculenta;

• depois salgo-o de ambos os lados — primeiro de um... viro-o... salgo o outro lado... viro novamente... e já está. Todo o acto de grelhar, comigo, é rápido. A carne não passa mais de 2 ou 3 minutos na chapa. Sim, sou fã do bifinho meio cru por dentro, a desfazer-se em sumos deliciosos...

• depois de grelhados, os bifes descansam, tapados, durante meia dúzia de minutos — o tempo de os sucos se espalharem de forma equilibrada pela carne. Por fim, serve-se. Está feito.

Enquanto a carne repousava, cortei uns tomates em quartos, salguei-os e juntei-os aos pratos. Sempre achei... achámos que lhes dá um muito bem-vindo toque de frescura.

Foi com a pinga do post que se segue.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Grão Vasco — Garrafeira '1999

Da Sogrape, este Dão DOC é o irmãozinho maior do comum Grão Vasco. Um dos vinhos produzidos em maior volume no nosso país... até já na televisão o anunciaram. Várias vezes.

Vinificado a partir de uvas das castas Jaen, Alfrocheiro, Touriga Nacional e Aragonês, estagiou em depósitos de inox até ser engarrafado, onde voltou a estagiar até ser introduzido no mercado.

Tinto de 1999, é evidente já não se tratar de um jovem. Cor granada pouco concentrada. Aromas suaves e fugidios a bagas doces com toques balsâmicos a raiz de alcaçuz, folha de tabaco, fumo e cabedal. Acidez vincada, em parte volátil, que demora um bocadito a dissipar-se. Discreto na boca, mas saboroso. O álcool nota-se um pouco de mais: ou seja, só um pouco, mas mesmo assim de mais. O final, curto, é agradável.

É fino de carácter, mas também de corpo. Quase feminino. Quase — falta-lhe graciosidade. Não acredito que venha a melhorar com o tempo, muito pelo contrário.

15, se tanto.

Lancôme — La Base Pro

... subtitulada «perfecting makeup primer smoothing effect, oil free», é uma pré-base da Lancôme.




Usa-se depois do creme hidratante e antes da base de maquilhagem com cor. Tem-me parecido acarretar umas quantas benesses:

• uniformiza o grão da pele — não que o grão da minha seja todo fodido, muito pelo contrário, mas mesmo assim melhora-o;

• ajuda a espalhar a base sem deixar excessos. Assim, ajuda a economizar na quantidade de base que se usa, permitindo ao mesmo tempo um aspecto mais transparente nos lugares que necessitam de menor cobertura;

• a cor da base fica mais natural. Também ajuda a combater aquele desagradável aspecto de máscara que algumas bases deixam, faça-se o que se fizer;

• ajuda a manter a pele hidratada — e fá-lo bem;

• definitivamente, mantém a maquilhagem perfeita durante muito mais tempo.

Só coisas boas. Com o passar do tempo, tem vindo a tornar-se indispensável. Comprarei algum produto deste tipo novamente, mas primeiro... quero ver que tal me dou com a da linha Météorites Perles (Guerlain). Depois veremos qual ganha!

É de esperar encontrá-la algures entre os 30 e os 35€.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Vinha de Mazouco '2005

Este tinto do Douro, que «provém de parcelas distintas situadas na sub-região do Douro Superior», foi feito com uvas de Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca — e mais não dizem — é produzido pela Unicer — empresa que nos traz coisas tão adoráveis como a encantadora água Pedras Salgadas — que seria do café sem ela? — e a eterna Super Bock — digam o que disserem, pelo menos de há uma dúzia de anos para cá, a verdadeira alma de Coimbra.

Não sabia que a Unicer também negociava em vinhos. E tantos! Enfim...


Decantei-o um bocado antes de beber. Mostrou-se límpido, com cor rubi de média intensidade. No aroma, suave, adocicado, predominavam as romãs bem maduras e amoras negras. Lá mais atrás, mato seco, esteva. E no fundo, especiarias e tosta da barrica. Na boca estava macio, de corpo apenas mediano, com os frutos silvestres a surgirem doces e o matagal a completá-los, conferindo-lhe alguma elegância. Pecou pelo final curto.

Custou 4€. Visto que não apresenta nenhuma falta ou defeito ofensivo e que até acaba por ser um duriense dotado de certa tipicidade, para o preço, é definitivamente uma boa opção.

14,5

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Reguengos — Reserva '2005

Da CARMIM, Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz, este já se pode dizer um clássico alentejano.

Foi vinificado a partir de uvas das castas Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada e Alicante Bouschet. Ademais, citando o produtor (na sua página web),

"As uvas provenientes da vindima manual dos nossos associados são descarregadas e imediatamente desengaçadas e esmagadas. Com a adição de leveduras seleccionadas inicia-se a fermentação a temperatura controlada (28ºC). Durante este período é feita a maceração ou curtimenta, pelo processo de remontagem temporizada, de modo a haver uma maior extracção de cor e taninos (responsáveis pelo corpo do vinho). A curtimenta dura todo o período de fermentação, cerca de oito dias. Depois da fermentação alcoólica ocorre a "fermentação" maloláctica, fundamental para a estabilização e macieza dos nossos vinhos. O vinho estagia em depósitos durante um ano. Durante este período o vinho é submetido a provas regulares, sendo os melhores devidamente identificados e separados. Destes resultaram dois lotes: o melhor dará origem à "Garrafeira dos Sócios" e o segundo à "RESERVA". A "RESERVA" estagia mais três anos em depósito, sendo engarrafado antes de ir para o mercado."

Tem 14% vol.

Decantei-o uma hora antes de o consumir, a não mais de 16ºC, certamente. De aquecer, teve ele tempo de sobra ao longo da refeição.

Encontrei-lhe aromas expressivos, embora um pouco abafados, a morangos e bagas, alguma compota, banana seca e uvas e figos em passa, com bastantes notas de barrica a sugerirem ligeiro balsâmico — pinho e talvez sândalo — e outras madeiras, como nogueira e pau-rosa, o cheiro de um terço que a mãe da S. possui, cujas contas são feitas de rosas secas e prensadas...

É razoavelmente encorpado, com taninos finos e acidez vincada, mas não ofensiva. De sabor colorido, um pouco capitoso e dotado de boa persistência, achei-o bastante agradável. Ligou bem com açorda e um prato de porco frito em azeite. Envelheça-se um par de anos.

Custou 4€.

15,5

Pãezinhos de Abóbora Com Coco

Deliciosos pãezinhos de abóbora e coco, inspirados nestes, via estes. Confesso que não esperava que fossem tão bons. É a segunda vez que os fazemos em relativamente pouco tempo.




Foi assim:


Deitaram-se numa panela 600g de abóbora butternut, descascada e cortada aos bocadinhos, juntamente apenas com a água necessária para os cobrir, e aí cozeram até ficarem moles.

Seguidamente escorreram-se e passaram-se pelo passe-vite, tendo-se reservado a água da cozedura, à qual, ainda muito quente, se adicionaram 150g de coco ralado, com a intenção de o hidratar, formando-se uma papa. A restante água da cozedura foi descartada.

Na cuba da máquina de fazer pão, juntaram-se, por esta ordem, 1dl de óleo de milho, 1 ovo grande, o coco ralado hidratado, o puré de abóbora, 225ml de açúcar, 1 kg de farinha e 40g de fermento de padeiro. Programou-se a máquina para que esta amassasse os ingredientes durante meia hora e com o produto resultante, uma pasta grossa e pouco pegajosa, fizeram-se bolinhas pequenas, que se colocaram num tabuleiro nem untado nem polvilhado.

Ligou-se o forno, fechado, durante mais ou menos 1 minuto a 250ºC, só para fazer do seu interior uma espécie de pequena estufa.

Bateu-se um ovo e com ele se pincelaram os topos das bolinhas, que se deixaram a levedar fechadas no forno morno, desligado, durante uma hora.

Depois cozeram a 180ºC, 35/40 minutos.

Uma vez retiradas do forno, fez-se a calda. Ferveu-se ½l de leite, a que se adiram 100g de coco ralado e 8 colheres de sopa de açúcar. Com ela se foram cobrindo os pãezinhos ainda quentes, muito devagar, com uma concha, deixando-os absorver a maior quantidade possível de calda para logo se cobrirem com mais, e repetindo sempre até esta ter acabado.

Redoma '2005

Da Niepoort, este duriense de gema, decantado uma hora antes da papinha e levado para a mesa a 16ºC, desde cedo se mostrou jovem, com uma cor rubi muito intensa, dotada de boa opacidade, e ataque vivo, a mostrar uma boa mescla de frutos do bosque com notas de barrica — madeira e chá preto, casca de árvore e especiarias (predominando o cravinho?). Nota-se certa acidez inicial, certa frescura herbácea, que abre em notas expressivas, de boa doçura — melaços, chocolates — e eventualmente acaba por se fundir com o álcool volátil (sempre presente) e nos amadeirados mais ou menos balsâmicos que formam o pano de fundo. Na boca é fresco e muito, mas mesmo muito bem estruturado. Talvez com uma pontinha de álcool a mais. O final é longo e saboroso.

Pareceu-me uns furos abaixo do de 2004, que bebi pela última vez em Dezembro passado. Desse sim, gostei muito.

Levou 91 pontos da Wine Spectator e Tiago Teles deu-lhe 18 valores em Julho de 2007.

Ficha técnica, aqui.

Custou 27€, se não me engano.

17

domingo, 14 de setembro de 2008

Mouchão '1998

Este bebi-o na rua, digo, bebi-o num restaurante aquando da minha última, recente, ida à parvónia. Foi aqui, num lugarzinho acolhedor que há muito é dos meus poisos favoritos quando vou a Castelo Branco ver os velhotes, que o acompanhei com uma bela entrada de cogumelos gratinados em molho de queijo e natas — e que mais, só Deus o poderia dizer — e um belo prato de borrego com miúdos. Comida impecável, com o chef a conseguir valorizar os ingredientes da região, apresentando-os de forma moderna, nada aborrecida, mas ao mesmo tempo mantendo certo tradicionalismo que cai bem. Quanto ao vinho, agradou-me ver que era muito bem tratado. Assim que se proporcionar, lá estarei batido outra vez, certamente.

Não tirei fotos porque acho que fazê-lo num restaurante, então num assim... já melhorzinho, é mortalmente foleiro, tão parolo que nem há palavras. E se não merecer a morte, disso não andará muito longe.

O vinho estava porreiro. Pedi-o a 16ºC «ou um pouco menos». Lá mo arrefeceram e decantaram, sem historietas. A somar a isto, só posso recordar o serviço atento — nunca cheguei a ter o copo completamente vazio — e a utilização de copos adequados.

Ora, já passaram uns dias, mas recordo que o vinho apresentava uma bonita cor granada com orla já a fugir para o acastanhado — curioso, hein? Pelo menos para mim, que esperava não o ver ainda tão evoluído... — Porém, a fruta ainda lá estava, extremamente suave e profunda, bem casada com uma madeira nobre, acetinada, ora a sugerir seivas, ora especiarias — com uma largura de boca invejável, taninos aveludados mas robustos — está para durar — e aromas e sabores de bela persistência.

Uma nota curiosa: ao contrário de muitos outros vinhos que apresentam notas lácteas — a evocar batido de morangos e afins! — se não no ataque, quase... neste, o lácteo surgia após algum tempo na boca, como se as impressões amadeiradas que o vinho transmitia nele fossem degenerando. Porém, o final mostrou-se sempre entre o resinoso e o balsâmico.

Engraçado, não é?

Por uma pinga tão cheia de classe, num bom restaurante, paguei... 44€. Ou seja, tanto como numa garrafeira! Nem queria acreditar. É por estas e por outras que vão ter de me aturar mais vezes.

Quanto ao vinho, mereceu à vontade 18,5.

Chanel — Aqualumière Sheer Colour Lipshine SPF15

Outro post de maquilhagem. As notas que a menina me deixou dizem mais ou menos isto:

"Um novo batôn Chanel é sempre algo a experimentar! Este é mais um daqueles novos pauzinhos de cor que, não sendo batôns nem glosses, pretendem fazer as vezes ora de um, ora do outro, e de que, actualmente, todas as marcas aparentam ter uma linha."




Ora, pela sua natureza, não surpreende que não só possua brilho intenso como ainda deixe nos lábios o aspecto molhado dos glosses. A textura, aliás, aparenta tê-la impressionado. «Muito boa», diz. Não é pegajoso e tem um poder de cobertura superior ao de um gloss, embora algo inferior ao de um batôn mais tradicional. E a cor, "coral com brilhantes muito finos e luminosos em tons algures entre o dourado e o acobreado" — nº69, Jamaica — não só é bonita como eu, pessoalmente, acho que lhe fica muito bem.

Continuando com as impressões dela acerca do batôn, diz que a durabilidade do dito deixa a desejar. E continua: «ou o efeito de longa duração é real e deixam uma sensação de secura nos lábios — como o Revlon Colorstay, por exemplo — ou são hidratantes e saem facilmente». Ainda conclui: "como nunca vi nenhum diferente, não posso considerar isto um contra. Até é bom ir de vez em quando retocar o batôn a uma casa de banho... é tão típico! E talvez seja por isso que existem alguns com embalagens tão giras! Infelizmente, não é o caso deste".

Magister dixit!

Em jeito de conclusão, a menina afirma não ter ficado convencida de todo. Diz que é um batôn de duração semelhante ao de qualquer outro, vulgaríssimo, de 5€; que a embalagem, típica e clássica — tipicamente clássica, até! — não a convenceu de todo, "ainda que o retro esteja na moda"... e que a cor, embora bonita, é bastante comum — para não dizer vulgar. Contudo, é um batôn bastante agradável de usar e que não compromete. Nesse sentido, afirma ter gostado dele. Custa entre 25 e 30€ e deve ter ficado aprovado.

Diz ainda, para terminar, que este pauzinho é bastante hidratante — contém manteiga de karité e palmitoyl oligopeptide (Matrixyl, cortesia destes senhores) — e conta com protecção solar de factor 15. Mal não deve fazer.

Daqueles que já aqui falámos, é parecido com este e este.





Assim em jeito de post-scriptum, que é possível que possa interessar a alguém, a rapariga do anúncio — já agora, realizado por um senhor chamado Meta Akkus — chama-se Zoe Duchesne e a musiqueta do dito, "Oh Boy", foi trazida ao mundo pelos Transcargo.

sábado, 13 de setembro de 2008

Hmmm...

Foi numa manhã fresca, acinzentada e um bocado húmida. Tinha acabado de vir da parvónia, e tinha vindo de propósito para jogarmos esta partida, bastante importante e já adiada por minha causa. Para cúmulo, tínhamo-la marcada para certo sítio, mas ou me esqueci ou me confundi todo — Oh! Porque terá sido?!... — e acabei por ir ter a outro. Na Sé Velha. Nunca cheguei a perceber o que me terá dado na cabeça para pensar que íamos jogar na Sé Velha. Enfim, de alguma forma, vi-me a beber cerveja dentro de um cafézito de hippies que lá existia. Só bebi duas ou tês, claro. Telefonei a quem devia... e «alguém», muito estupefacto, me disse onde era mesmo o jogo. Que choque! Depois foi trotar pela «ruela da perdição» abaixo... O facto é que ainda cheguei ao sítio certo antes de perder por tempo (uns 45 minutos depois da hora marcada para o início do jogo). Tinha a atenção a zero e o coração a bater como louco. Só filmes! Depois acalmei... e devo ter tido sorte — ou isso — que o jogo até foi bonito e, ainda por cima, ganhei.



Apeteceu-me partilhar... é só isso, sim. :P

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Quinta do Encontro — Preto / Branco '2004

É um Bairrada (DOC) feito a partir de duas castas tintas — Touriga Nacional e Baga — e uma branca — Bical — que estagiou durante 8 meses em barricas de carvalho francês. Aliás, a ficha técnica deste vinho da Dão Sul está aqui. O que ela não diz é que esta pinga foi produzida numa adega mesmo muito gira.

Cor rubi, intensa. Aroma peculiar, dominado por intensas e definidas notas de grafite e chocolate de dúbia qualidade, com a fruta a surgir em segundo plano, não muito doce mas de alguma forma expressiva, e vegetal cru, crocante, a sugerir bambu ou algo do género.

Na boca está benzinho, de corpo mediano e acidez correcta. Bastantes taninos, pontinha de álcool e final regular, a dar para o curto.

Original, é. Mas, mas, mas...

Custou 7,50€.

14

Bolos de Mel

Desde miúdo que conheço o bolo de mel, mas fazia já algum tempo que não lhe metia o dente. Há dias, encontrei aqui uma receita que me pareceu engraçada. Fez-se, comeu-se, e logo deixou saudades.

Era preciso fazer mais. Para não se estar a repetir, modificámos as proporções de alguns ingredientes. Passado um bocado — e aqui terei de confessar, imerso em vergonha, que foi o tempo de se jantar — estava pronto a comer. Outro retumbante sucesso.

Dos dois, não consigo dizer qual me soube melhor. Ela, essezinha, idem. Ora, julgai vós, então, se assim vos aprouver.


I — O bolo de mel da avó da Paulina M.


9 ovos;
250g de farinha;
250g de açúcar;
1dl de azeite;
1dl de mel;
1 colher (de chá) bem cheia de fermento;
raspas de limão, q.b.

Misture as gemas com o mel, o azeite e as raspas de limão. Bata as claras bem batidas com o açúcar (como para suspiros). Junte tudo, deite a farinha e envolva. Ponha numa forma bem untada e leve a forno esperto.




II — O sucessor que cá lhe arranjámos.


5 ovos;
125g de farinha;
100g de açúcar;
1dl de mel;
½dl de azeite;
2 colheres (de chá) de fermento;
raspas, muito finas, de 1 limão.

Prepara-se da mesma forma que o precedente. Passou à volta de 50min no forno, até começar a dourar e se desprender um pouco das paredes da forma.


Notas:

• Segundo o livro de Raimundo de Oliveira intitulado «Coisas de Minas: A Culinária Dos Velhos Cadernos», ISBN 8598694088, 9788598694085 para quem quiser, ao fogo ou forno dito esperto (ou regular), equivale uma temperatura à volta dos 180ºC.

• Foi utilizado mel de urze-queiró da Malcata. Por acaso, descobri no rótulo que o produtor tem uma página web. fica.

• Tivemos de reduzir a segunda receita para metade porque somos só dois, e só humanos...

Milénio '2006

Do Dão, esta combinação de Touriga Nacional & Aragonês, produzida pela Adega Cooperativa de Penalva do Castelo, custou-me 1,75€ numa promoção.

No copo, cor intensa, que me pareceu já a fugir para o granada. De ataque, um aroma extremamente doce — caaandy! — e depois desvela-se a fruta, muito doce, a alternar ora com notas verdes, de erva seca, ora com «estágio» — cabedal — bastante, até — e azeitona preta, notas de fumo, graxa... Interessante.

Na boca encontrei-o fresco e equilibrado, bem dimensionado, de carácter seco, algo austero. Mas lá estava a fruta madura. Final discreto, mas saboroso. Por tanta suavidade, pela boa harmonia,

15,5.

Amanhã falamos de outras coisas.

Adega de Pegões — Syrah '2006

De volta! :)


O «vosso» putinho andou de viagem — e isso. Rejubilem, pois, pelas coisinhas novas que trouxe para vos contar!

Porque não começar pelo vinho? Este, um varietal Syrah da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões.

Aroma suave, mas profundo e complexo — uma mescla de frutos silvestres e boas madeiras, fumo das ditas e cereal torrado, e especiarias, com baunilha doce à cabeça, ligeiro chocolate e ainda mais vaporoso mentol.

Fresco na boca, de corpo mediano, com boa acidez. Os taninos macios completam um conjunto redondo, bem afinado, de final amadeirado e persistente.

É um vinho que não trai as origens. Que me perdoem a blasfémia, mas achei-o parecido com o da Casa Ermelinda Freitas. O de 2006, digo. Para os menos de 5€ que custa, trata-se de algo muito, muito interessante.


16

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Terras de Monforte (Tinto) '2005

É um Vinho Regional Alentejano da Herdade do Perdigão.

Lê-se no rótulo que:

Este vinho é elaborado a partir das castas Trincadeira, Aragonez e Carignan, que associado a um estágio de 8 meses em barricas de Carvalho Francês, lhe confere maior complexidade e tipicidade.

No copo, cor granada de concentração média.

Aroma intenso, com ginjas e madeiras — talvez também groselha — um leve toque de especiarias e alguma acidez volátil, mesmo tendo-o decantado previamente.

Boca encorpada, com taninos finos e bastante acidez. A fruta, quente, madura, adocicada, surge em muito bom plano, acompanhada por madeiras e chocolate amargo. Um pouco curto de final.

Vinho forte e fugaz, porreiro com comida condimentada, mostrou-se, contudo, demasiado ácido para o meu gosto.

Custou pouco mais de 5€.

14

Ana Vieira Pinto (Borba) '2007

Tinto alentejano — DOC — produzido a partir daquele que é, muito provavelmente, a combinação mais característica da região — Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet.

Antes de tudo o mais, nota positiva para o rótulo, muito bonito.


Cor a fugir para o granada, pouco concentrada.

No ataque, mostrou aquilo a que costumo chamar «podrum alentejano» — um aroma muito maduro a frutos vários, tomado por um ácido-doce característico que me faz sempre lembrar cascas de laranja de alguma forma transformadas a suportar as predominantes uvas e demais frutos pretos, sobretudo ameixas. O arejamento trouxe mais frutos pretos, um pouco ácidos, e levou quase tudo o resto. Ficaram para trás umas raspas de caramelo e mel, um chapisco de vanilina e uma presença alcoólica considerável para os módicos 13º deste vinho. Notei-lhe ainda, logo desde que o abri, um tracito de Xerez a denunciar ligeira oxidação.

Passou ligeirinho e discreto pela boca, simples e suave, um pouco abafado e muito fácil de beber. Mais vegetal que frutado — porventura sem grande consentaneidade com o nariz — não o encontrei muito expressivo.

Não tem nenhum defeito evidente. Vai muito melhor com comida que sozinho. Se tivesse de o descrever de forma muito, muito sucinta, di-lo-ia regular — nada de particularmente interessante...

Custou à volta de 3€.

13

sábado, 6 de setembro de 2008

Broa da Avó Carmelina

Na cuba da máquina de fazer pão, deitam-se 380ml de água muito quente, a ferver ou quase, temperada com 2 colheres e meia (de chá) de sal e 1 colher e meia (de sopa) de azeite, a que se adicionam 125g de carolo de milho.

Deixa-se repousar durante 10 minutos. Para:

a) deixar o carolo cozer um pouco;
b) dar à mistura tempo para arrefecer — o fermento de padeiro é composto por organismos vivos que morreriam uma vez colocados num ambiente tão quente.

Depois, juntam-se os demais ingredientes. São eles:

200g de farinha de milho T70;
175g de farinha de trigo T55;
125g de farinha de centeio;
25g de fermento de padeiro.

Deixa-se a máquina amassar a mistura até os ingredientes estarem bem ligados e, sem levedar mais, leva-se ao forno num tabuleiro enfarinhado com farinha de centeio, a 210ºC e durante 1h10.




P.S. — Naturalmente, esta broa também se pode amassar à mão.

Dior — DiorShow: Face Loose Powder

Diz ela, menina, ter comprado este blush por lhe ter achado a embalagem absolutamente irresistível.

Dele diz ter pouca cor: quase nenhuma, na verdade; possuindo, contudo, um brilho muito bonito, ideal para realçar e iluminar as maçãs do rosto e o decote. [Embrulha, cão.]

Diz ainda que traz um aplicador muito fácil de utilizar.

Não o achando, contudo, muito higiénico, uma vez que o dito, não lavável, se suja facilmente.

E que lhe adora o cheiro. Tanto, talvez, como o facto de se tratar de um pó muito fino, muito leve...




Posto isto, diz que não se arrepende de o ter comprado, ainda que só o utilize como iluminador, por cima de outro blush. E que, para iluminador, seja caro.

Conclui afirmando ainda não saber se voltará a torrar 40€ em tão parco — subtil para os de natureza bondosa — produto. Diz que «pensará nisso quando tiver pouco» — ou seja, que o vai voltar a comprar, a menos que, entretanto, saia algo novo com a mesma função. Eu conheço-a.

Comprou, diz ainda, a cor nº 004 — Spotlight Peach.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

mmm...

o que se segue fez-me rir,

mas, mas, mas!

ai, que puta de não-vida...





A Game of Fives



Five little girls, of Five, Four, Three, Two, One:
Rolling on the hearthrug, full of tricks and fun.

Five rosy girls, in years from Ten to Six:
Sitting down to lessons - no more time for tricks.

Five growing girls, from Fifteen to Eleven:
Music, Drawing, Languages, and food enough for seven!

Five winsome girls, from Twenty to Sixteen:
Each young man that calls, I say "Now tell me which you MEAN!"

Five dashing girls, the youngest Twenty-one:
But, if nobody proposes, what is there to be done?

Five showy girls - but Thirty is an age
When girls may be ENGAGING, but they somehow don't ENGAGE.

Five dressy girls, of Thirty-one or more:
So gracious to the shy young men they snubbed so much before!

***

Five PASSE girls - Their age? Well, never mind!
We jog along together, like the rest of human kind:
But the quondam "careless bachelor" begins to think he knows
The answer to that ancient problem "how the money goes"!



Lewis Carroll (1832-1898)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Quinta de Ventozelo — LBV '1999

Não terminar os meus repastos da noite com um bom Porto ou coisa que o valha tem sido uma luta que me decidi a travar desde que comecei a notar as calças cada vez mais apertadas.

«Longe» vão os dias em que dois, três, cinco... cálices de bom vinho doce com queijinho ou bolinho à sobremesa eram condição sine qua non para conseguir adormecer — e era tiro e queda: adormecia que nem um porco, esparramado no sofá, e a meio da noite lá acordava e me arrastava até à cama — enfim, uma vida cheia de dor... Adiante.

Contudo, um gajo não é de ferro, e... que se foda! Às vezes, sacrificar um pouco da aparência a deuses maiores, como a Gula e a Preguiça, também não há-de fazer senão bem. Um insight muito interessante sobre este assunto, descobri casualmente aqui. Vão lá ver... Porque aquilo, sim, é verdade! É tudo verdade!

Para mais, como já passei a fase do Armando Carvalho — mas estando ainda a parsecs de «me chamar» Serafim Carvalho, só para que conste — que mal pode fazer um pneuzito ou outro? Bah!

Ainda assim, tenho resistido bem. Faz já algum tempo que claudiquei pela última vez, e foi com este Porto, um Late Bottled Vintage da Quinta de Ventozelo. Bem recebido pela crítica, levou 16 valores e meio de um senhor — chamado Luís Lopes — que trabalha para a Revista de Vinhos, e já ganhou qualquer coisita nesses concursos que por aí se fazem. Nada de, só por si, muito revelador — Mas encontrei-o muito baratinho aí há tempos, custou 7 ou 8€ numa promoção! — e o resto é história.

Dele foram feitas 10000 garrafas de 75cl a partir das cinco castas recomendadas para a região demarcada do Douro por «aquele estudo basilar» do Eng.º João Nicolau de Almeida. Estagiou durante 4 anos em pipas — de 550l — de castanho e carvalho português. E vinha muito bem vestido, numa garrafa muito bonita, negra e perfeitamente opaca, com direito a caixinha de cartão e tudo. Trazia ainda, numa bolsinha à parte, uma rolha capsulada — para substituir a rolha de origem uma vez vez aberta a garrafa. Poucos vintage vi serem tão bem tratados!

O vinho em si é escurinho, intenso de aromas — muito mais intenso que complexo, o que não surpreende ninguém, dada a idade e a estirpe — com predominância de frutos silvestres e especiarias, e talvez algum torrado. Na boca, denso, com bom volume e um final longo e melado, muito agradável.

Ao preço a que o comprei, foi um achado daqueles...

16

Black Sabbath — Heaven and Hell

Era puto. 13 anitos, no máximo. Foi dos primeiros discos que comprei. Black Sabbath sem o Ozzy. Muito bom. Fica um cheirinho.

Já agora, wishing well é uma fonte dos desejos. É isto.

Vai acompanhada pela letra, que eu sei que há quem goste.

Throw me a penny / And I'll make you a dream / You know life's not always what it seems / Think of a rainbow / And I'll make it come real / Roll me, I'm a never ending wheel.

I'll give you a star / So you'll know / Just where you are / Don't you know that I might be / Your wishing well?

Look in the water / Tell me what do you see / Reflections of the love you give to me / Life isn't money / It's not something you buy / Let me fill myself with tears you cry.

Time is a never ending journey / Love is a never ending smile / Give me a sign to build a dream on, dream on...

Throw me a penny / And I'll make you a dream / You know life's not always what it seems / Love isn't money / It's not something you buy / Let me fill myself with tears you cry

I'll give you a star / So you'll know just where you are / Someday, some way you'll feel the things I say / Dream for a while of the things that make you smile / Don't you know, don't you know / Oh you know that I'm your wishing well / Your wishing well, wishing well...



Mais detalhes sobre o álbum, aqui.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

AcR — Reserva '2006

Acompanhou — e muito bem — a paparoca do post anterior.

É um vinho do Alentejo — DOC — produzido pela Adega Cooperativa de Redondo, que tem uma página web muito bem conseguida aqui.

Obteve uma medalha de prata no Concours Mondial de Bruxelles 2008 — que dizem de Bruxelas mas parece que foi em Bordéus... enfim, son cosas de la vida.

Produzido com castas típicas do Alentejo, Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet, passou 12 meses em barricas novas de carvalho francês e americano, a que se seguiram mais 6 meses em garrafa antes de ser introduzido no mercado.

No que toca aos aromas, achei-o muito bonito. Tem um nariz quente, envolvente e muito guloso, com fruta muito doce, algo abafada mas muito fina, muito complexa e aromática, bem casada com caramelo e melaços, um pouco de chocolate e algum balsâmico. Em claro contraponto com tanta doçura, a madeira, resinosa, transmite seriedade ao vinho, impede-o de se tornar enjoativo. Quase adorável.

Na boca, mostra-se bem estruturado, com as medidas certas, mas nem de perto nem de longe tão exuberante. Talvez, até, um pouco curto de final.

Custou 6€.

15

Fondue de Queijo Mozzarella

Ontem jantámos outra receita clássica que existe num sem fim de variantes — fondue de queijo. Assim a preparámos:

Deitou-se na panela de fondue 500g de queijo mozzarella ralado. Foi ao lume brando até derreter. Então, e sempre com a panela sobre o lume brando, juntou-se-lhe 300ml de vinho branco, 2 dentes de alho laminados e 3 colheres de chá de pimenta preta. Mexendo sempre, deixou-se o vinho misturar-se na íntegra com o queijo. Acabou por se formar um molho de textura cremosa e uniforme.

Num copo à parte, dissolveu-se uma colher e meia de sopa de Maizena num fundo de vinho branco (3 ou 5cl, não mais), mexendo até ficarem muito bem misturados, sem grânulos. Adicionou-se então esta mistura à panela de fondue, mexendo até engrossar.

Levei a panela para a mesa, utilizando o lume da lamparina, o mais baixo possível, só para impedir o queijo de arrefecer, mantendo assim o molho cremoso. A refeição acabou por consistir em bocaditos de pão torrado, cubinhos de fiambre e cogumelos previamente salteados, sem líquido, molhados no queijo.




Pode ser mais uma refeição de Inverno, de facto. Mas cá em casa gostamos tanto que, mesmo nesta altura, nos é difícil resistir-lhe. Para mais, dado que vivemos na era dos climatizadores e não andamos a comer no meio da rua, jantares de Inverno bem regados com vinho tinto estão perfeitamente bem. Coisas mais estivais, comam-se de dia, e que outros as preparem para nós. Peixinho & alvarinho à sombra da bananeira... :)




P.S. — Por incrível que pareça, muita gente navega a web à procura de como acender um réchaud — aquela base de ferro com uma fonte de calor onde se aquece a panela de fondue. Pois bem: se a fonte de calor for uma lamparina, seja ela de que tipo for, coloca-se «dentro» da base metálica que serve de suporte à panela. Depois, enche-se de álcool. Por fim, com um fósforo, acende-se. Coloca-se a panela sobre «aquela estrutura» metálica com a fonte de calor, acesa, por baixo... e pronto, é só.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Pingo Doce — Alentejo Reserva '2006

Não encontrei muita informação sobre este vinho. Aqui lê-se que «com aromas e sabores quentes de compotas e ameixas, é um vinho ao mesmo tempo elegante e vigoroso». É produzido pela FALUA a partir de uvas Alicante Bouschet, Castelão, Aragonês, Trincadeira e Cabernet Sauvignon. A enologia está a cargo de Mário Andrade.

Cor avermelhada, muito intensa. O aroma não engana: indica logo estarmos perante um vinho alentejano. Generoso e um pouco abafado, mostra os frutos pretos bem maduros do costume — alguns porventura em compota — associados áquilo que só me faz lembrar casca de laranja sobreamadurecida ao sol, mel e melaços e ligeiras notas especiadas. Tudo bem ligado. Na boca, os aromas surgem intensos e bem definidos. É guloso. Sabe muito a fruta madura, por vezes quase a fugir para o doce. Nota-se ainda uma ou outra sugestão ferrosa, talvez ensanguentada. De resto, embora não muito encorpado, revela-se bastante macio, com os 14,5% de álcool a não se tornarem o centro das atenções. Final discreto, mas bom.

Para um vinho de consumo quotidiano, parece-me uma opção decente. Custa 3€ e tal.

14,5

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Evel — Grande Escolha '2004

Outro habitué da minha garrafeira. Douro DOC, topo de gama da Real Companhia Velha. Para perceber o que dele se espera, bastará citar um pequeno excerto da apresentação que lhe é feita pelo produtor:

O Evel Grande Escolha representa, actualmente, o topo da gama dos vinhos da Real Companhia Velha e pretende vir a afirmar-se entre os melhores do País.

É um dos «101 Wines Guaranteed to Inspire, Delight, and Bring Thunder to Your World», de Gary Vaynerchuk.

Decantei-o mais de uma hora antes de o servir — a 17ºC.

A cor, de tom rubi carregado, faz adivinhar uma muito boa concentração. Começa um bocadito fechado, mostrando, muito suave, aquele aroma a fazer lembrar framboesas com mato e um toque de verniz, característico dos bons tintos do Douro. Que cresce, e aí o nariz ganha um bom componente balsâmico, mais fruta e mais mato, frescas ervas aromáticas, resina de pinheiro e um toque de cânfora... Na boca é denso, com mais daquilo que mostra no nariz, mas com a fruta, agora intenso cassis com ponta de chocolate, a mostrar-se grande, a querer ser gulosa... Acabando, contudo, sempre moderada pelas bonitas notas de tosta de madeira e pelo «dedo» químico que, discretos, mantêm o conjunto no lugar.

De estrutura notável, fresco e encorpado, com belos taninos, muito persistentes, acidez bem domada e uma pontinha de álcool, é um vinho de grande harmonia, tanto no nariz como na boca — apesar da juventude. O final é longo e muito saboroso.

Dos vinhos que conheço, não só é dos que têm mostrado maior consistência, colheita após colheita, como tem sido dos que apresentam melhor relação qualidade/preço. Sem surpresas, é sempre muito bom. Por 15/17€, não fica a dever nada a outros topos de gama do Douro, mas custa metade do preço da maior parte deles. Ainda bem.

17,5