sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Filmes (5)

Beetle Juice


Algures num artigo sobre Burton, a propósito de uma retrospectiva da sua obra inserida no recente Estoril Film Festival e que li há dias num jornal daqueles ditos de referência, falava-se deste como sendo um dos seus filmes "menos vistos e menos referenciados". É pena.

Tem Alec Baldwin, Geena Davis, Michael Keaton e uma Winona Ryder muito nova a desempenhar o seu primeiro papel num filme decente.





Dos trabalhos deste senhor, vi quase todos. E embora Sleepy Hollow seja a meus olhos mais bonito — aquela fotografia — e Big Fish acabe por ser bem mais profundo, este continua, muito provavelmente, a ser o meu favorito.

Para terminar, deixo-vos um remix trance do tema principal do filme, da autoria dos GMS, Growling Mad Scientists. Pertence à compilação Hypernova e dá um magnífico toque de telemóvel.


Dom Rafael '2006

É o segundo vinho da Herdade do Mouchão.

O nome foi-lhe dado em jeito de tributo a Rafael Reynolds, irmão do senhor que comprou a propriedade no final do século XIX.

Vinificado a partir de Trincadeira, Aragonês e um pouco de Alicante Bouschet, estagiou durante 6 meses em tonéis e outro tanto em garrafa antes de ser posto à venda.

Encontrei-o jovem e cheio de vigor. Demasiado ácido quando aberto, estava muito mais dócil e expressivo depois de pernoitar no frigorífico.

Da prova propriamente dita, posso afirmar que se trata de um vinho intenso, até na cor. Aroma vivaz a algo como ameixas pretas e cerejas muito maduras, algumas até em compota, bem entrelaçadas com bastante madeira.

Na boca, sabores fortes, na linha do que o nariz mostra. Estrutura robusta, com muitos taninos que aparentam ainda não ter amaciado de todo. Acidez vincada. Um pouco alcoolizado. Final mais vivo que longo.

Vinho bem feito, consistente, mas um pouco rústico — pelo menos para o meu gosto.

Custou 6,85€.

15

Farizoa '2006

O segundo vem de Borba, da Herdade da Farizoa, que faz parte da Companhia das Quintas.

Foi vinificado a partir das castas Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional e Syrah, tendo estagiado durante 6 meses em barricas de carvalho francês.

Tem 14% vol.

A ficha técnica é disponibilizada pelo produtor aqui.

Cor rubi.

Aroma bastante intenso e sabor pronunciado a frutos negros — bagas, ameixa muito madura e figo — com toque balsâmico — um pouco de After Eight, talvez.

Na boca é concentrado, de acidez vibrante (excessiva, até) e corpo mediano. A fruta, similar à que mostra no nariz, chega a amargar.

Perdura pouco no palato.

Um bocado rústico, exige comida forte. Bebi-o com açorda puxadinha e umas coisitas de porco na chapa, pintalgadas com Tabasco.

A 5€ e qualquer coisa, há melhor...

14

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Monte da Ravasqueira '2006

Nhéec... entrei em fase de vinhos alentejanos. Aí vão três.

O primeiro, este Monte da Ravasqueira, que comprei por pouco mais de 5€ no Pingo Doce, foi vinificado e engarrafado na propriedade com o mesmo nome pela Sociedade Agrícola D. Diniz, de Arraiolos.

As castas são muitas: Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonês, Trincadeira, Touriga Francesa e Petit Verdot. Estagiou durante 9 meses em barricas de carvalho francês.

É um vinho escuro, de aroma jovem e intenso a flores e frutos silvestres, morangos em batido e ameixas vermelhas, um pouco vinoso e com sugestões explícitas a iogurte de banana. Muito interessante, sem dúvida.

De corpo é redondo e equilibrado, com suaves notas achocolatadas e de praliné a arredondarem as muitas e ligeiramente ácidas bagas roxas e negras que compõem boa parte do sabor deste vinho.

Final correcto.

Para mim, foi das revelações «baratas» do ano. Penso repeti-lo muitas vezes com prazer.

16

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Viajero — Syrah «Reserva Privada » '2006

Este varietal Syrah sem madeira, comprado a roçar os 5€ no LIDL, é produzido pela Via Wine Group no Valle del Maule, a maior região vinícola do Chile.

De cor granada e nariz envolvente, muito apelativo, com ameixa preta no ponto ideal de maturação e alguma especiaria muito bem integrada, mostra-se vivaço na boca, fresco e muito saboroso.

Apresenta a todo o comprimento um certo toque vegetal verde, talvez de legume, que tanto lhe confere alguma sobriedade, como, pelo menos para o meu gosto, o torna de certo modo guloso: apetece sempre bebericar mais um pouco. Taninos macios e final correcto.

Está perfeitamente bem para o que custa. Quem disse que os vinhos do LIDL tinham de ser maus?


15


Er... Já viram os meus links novos?

Conde de Cantanhede — Garrafeira (1º Prémio) '2000

Bebido na rua. Engraçado, as voltas que Deus me fez dar até me cruzar com ele. Saí ao fim da manhã para pagar a luz. Como de costume e como gosto, sem stress, em ar de passeio. Quando cheguei à porta da payshop, estava fechada para almoço. Logo se me fez um click cá dentro. Comecei a salivar. E confesso que nem tinha fome, mas já que estava sozinho no meio da civilização e sem nada para fazer, achei uma ideia fixe essa de ir comer. Subitamente, estava de desejos por um bife. Lá abanquei num café-restaurante e fiz a mim próprio a vontade. Ah, e este vinho nem foi primeira escolha — eu tinha preferido uma coisa qualquer do Dão de que já não me lembro, mas tinha acabado...

Do vinho propriamente dito, posso dizer que o encontrei de cor rubi desmaecida, característica de um Baga evoluído. Terroso na boca, com a fruta a surgir doce — porventura axaropada, caso não fosse controlada pela elevada acidez, por sua vez moderada pelo corpo cheio e denso, tornando o vinho muito equilibrado. Notam-se ainda bastantes apontamentos de madeira velha, trufas, castanhas e tabaco. Fresco e húmido, termina longo e delicado. Está mais que pronto a ser bebido e é um bonito «garrafeira» bairradino, embora não o melhor que já provei. Pena ser uma espécie de raridade de que ninguém fala. Pelo menos, é o que parece — a começar na página do produtor.

Ligou maravilhosamente com o singelo bife na pedra, só com batatas fritas a acompanhar, que tanto me estava a apetecer.

Depois, meio zunzungo, lá fui pagar a luz e fazer, assim, coisas...

Um dia destes perco a vergonha e começo a fotografar as garrafas da rua. Não. Claro que não, meu Deus.

50€.

17

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Quinta de Roche — Pinot Noir '1999

Comprado por curiosidade pura e simples. Expectativas? Zero. Nesse sentido, acabou por não desapontar.

No anuário de vinhos de João Afonso (2005), vem a seguinte nota de prova:

«Vago no aroma, algum vazio, aborrachados, pouco fruto. Na boca tem pouco fruto, acidez elevada, fresco, leve com simplicidade na qualidade.» 70pts [em 100.]

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Passados três anos, é um vinho vago na cor e com um aromazinho acre e alcoolizado, a fazer lembrar água-pé, a impor-se a tudo o mais.

Ultra ligeiro, acídulo e quase sem vida, ainda mostra no palato as sombras do fruto que um dia teve.

Ainda é vinho, mas. . .

4,50€.

10?

sábado, 22 de novembro de 2008

Mais Xadrez

Andava triste, muito janado e a meio de uma daquelas minhas famosas directas de vários dias a ganza e Serenal.

Mas não andava a gostar mesmo nada do ambiente «daquilo»... e responsabilizava o nosso «vice» (ou seria «prrezz» já na altura?) por boa parte do que não andava a curtir.

A minha disposição emocional no momento sempre influenciou, e muito, os meus resultados neste adorado jogo. E, infelizmente para estas coisas, nunca fui um brigão. Mas neste dia estava todo fodido e, talvez também por isso, sentei o rabinho à frente do tabuleiro e lá fiquei todo o jogo, a pensar e a tentar manter-me acordado, em vez de andar a passear por mil sítios, a fumar cigarros e ouvir música, a pensar em tudo menos no que se estava a jogar, como tanto tinha acontecido até então.

Isto para introduzir um jogo que, sendo um rico bocado de queijo, considero dos mais giros que já fiz. E que até tem o seu quê de didáctico.

Aí vai.



Gostaram?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A Pussy Purrin'

A pussy purrin' and lookin' so satisfied / A pussy purrin' and lookin' so satisfied / Lost in his little yellow round eye / Lost in his yellow round eye





Pussy purrin' and lookin' so satisfied / Kitty rear up and scratch me through my jeans / Fuck you kitty you're gonna to spend the night

Outside!





Kitty at my foot and I wanna touch it / Kitty at my foot and I wanna touch it / Kitty at my foot and I wanna touch it / Kitty at my foot and I wanna touch it / Kitty at my foot and I want to touch it

Kitty kitty kitty kitty kitty kitty touch it!





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Quinta de São Simão da Aguieira '2003

Dão DOC da Sociedade dos Vinhos Borges, feito na quinta de que leva o nome a partir de Touriga Nacional, Aragonês e Trincadeira, ostentava na garrafa (bonita) a menção a uma medalha de prata ganha no Vinalies Internationales de 2006.

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No copo, cor rubi «clara», já em fase de transição para o granada.

Aromas relativamente discretos e mais florais que frutados, com algum tabaco seco e chocolate com conhaque.

Na boca, quase vazio. Fruta pouco doce, indefinida, e tabaco. E a pender para o lado do álcool, ainda assim.

A valer-lhe certo quê mineral, frio, granítico, que lhe ia transmitindo uma réstia de elegância.

6€.

14

Quinta das Bágeiras — Reserva '2005

Bairradino obtido a partir das castas Baga (60%) e Touriga Nacional. O produtor terá em breve (espera-se) uma página web aqui.

Diz o rótulo que "a fermentação foi efectuada em pequenos lagares abertos sem desengace, respeitando os processos mais tradicionais. Este vinho estagiou em tonel de madeira até Setembro de 2007, tendo sido engarrafadas 6950 garrafas". Calhou-me a nº 4261.

Cor granada, bastante escura.

Aroma mais profundo que intenso, dominado por frutos maduros do bosque — vermelhos, pretos, roxos — e balsâmicos. Flores silvestres, muito louro, etanol puro e etanotiol — este a fazer adivinhar algum acetato de etilo — couro e nozes.

Boca cheia, madura, que a acidez fixa pronunciada torna um pouco picante, com muitos taninos finos, um pouco adstringentes. O final é longo, amendoado.

Nada mau, mas estava à espera de melhor. Contudo, sendo ele um Bairrada de acidez vincada e tanino ainda um tanto desabrido, não tenho motivos para duvidar que o tempo lhe fará bem.

Custou quase 10€.

16

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Queques Mimi

Mimi porque sim [por mais que o nome o sugira, esta receita não foi retirada de um compêndio culinário dos anos 70]. De sabor suave, são fáceis, versáteis, deliciosos. Não é desprazer nenhum fazê-los e é um sonho comê-los.




300g de açúcar;
480ml (≈250g) de farinha;
240ml (≈250g) de iogurte natural, não açucarado;
100ml de leite meio gordo;
70ml de óleo;
3 ovos grandes;
1 colher de sopa de fermento;
1 ½ colher de chá de vanilina;
1 pitada de sal.


Misturam-se os iogurtes com o açúcar numa taça grande. Depois juntam-se a essa mistura as gemas (as claras reservam-se), batendo muito bem (durante 1 ½ ou 2 minutos) a cada adição.

Junta-se o óleo e volta-se a bater a mistura. Junta-se o leite e a essência de baunilha. Bate-se novamente. Peneira-se a farinha, misturada com o fermento, para dentro da mistura. Mexe-se tudo com a colher de pau. Por fim, numa taça à parte, batem-se as claras em castelo bem firme, com uma pitada de sal. Envolvem-se depois no preparado anterior com a ajuda da colher de pau.

Nesta altura, a massa está pronta. Querendo fazer alguns queques de chocolate, por exemplo, pode tirar uma parte da massa para dentro de outro recipiente e juntar-lhe cacau magro em pó (para metade da quantidade total de massa, 3 colheres de sopa de cacau). Pode fazer marmoreados. Pode fazer queques com outros sabores...

Em formas de queque, a massa leva-se ao forno a 150ºC durante aproximadamente 50 minutos.

Em forma normal, para fazer antes um único bolo «grande», a 180ºC durante mais ou menos 50 minutos, talvez um pouco mais.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Marqués de Murrieta — Reserva '2001

Quando provei o de 2000, fiquei impressionado. Tanto que lá voltei. Mas, entretanto, acabou. E assim, há dias, foi a vez de abrir um de 2001.

Foi feito com 89% de Aragonês, 7% de Garnacha Tinta e 4% de Mazuelo. Estagiou 22 meses em barricas de carvalho americano de 225l.

Guía Peñín: 92pts.

R. Parker: 90pts.

Drink 2005-2013 - $20.00

The impressive 2001 Ygay Reserva exhibits a dense ruby/plum color as well as a big, spicy nose revealing loads of cassis, licorice, and a hint of tobacco. With beautiful texture, outstanding purity, and medium to full body, this lovely Rioja can be enjoyed now and over the next 7-8 years.
(Wine Advocate nº 159 de Jun. 2005)

Andrés Proensa: 94pts.


Cor granada de concentração bastante elevada. Aroma envolvente e de boa complexidade, primeiro a flores e depois a muita fruta: alguma vermelha, madura mas não excessivamente doce, outra preta, em passa, combinada com balsâmicos vários e indefinidos, em fundo de caramelo/melaço e alguma madeira (tosta) e especiarias — sobretudo baunilha e cominhos. Na boca, mais do mesmo. Expressivo, mas nunca guloso. Muito figo seco. É comprido e largo, com taninos redondos mas ainda cheios de garra, acidez marcada e álcool muito bem integrado — tem 14% e não se dá por ele. Mineralidade terrosa e muito viva. Uma ou outra nota untuosa, a evocar abacate.

Menos exuberante no nariz que o de 2000, está, contudo, melhor na boca. Mais equilibrado e com mais vida pela frente, também (o de 2000 está no limite). Muito, muito bom.

Custou 16€ numa loja em Espanha.

18,5


P.S.

Aqui, a página do produtor.

• Acerca de alguns dos nomes que a casta toma, esgravatando um pouco mais sobre nomes, descobri que Roriz é nome de três freguesias do Norte de Portugal. O nome vem do genitivo — caso gramatical que indica uma relação de posse — do nome próprio Roderick (de origem Gótica e nome do rei Visigodo da Hispânia que reinou entre 710 e 712), Rodoricus em Latim e Rodrigo em Português e Espanhol. Enfim, concluindo, Roriz deve significar terra de Rodrigo. E tinta, do Latim tincta, significa tingida. Juntando Tinta + Roriz e faltando apenas «adivinhar o sinal», juraria estar perante um de, omitido por elipse. (Casta) tinta das terras de Rodoricus, Tinta de Roriz, Tinta Roriz. Faz todo o sentido. Por outro lado, Aragonês, do Castelhano aragonés, significa de Aragão, relativo a Aragão. Terras de Espanha! De onde a casta é natural, havendo fortes indícios de já ser conhecida no tempo dos Romanos. E onde se chama Tempranillo. E que significa tal palavra? É, tão somente, um diminutivo de temprano, palavra proveniente do Latim temporānus, via temporanĕus, e que significa adiantado, antecipado, cedo... Consta que se chama assim por amadurecer antes — por vezes semanas — das outras castas plantadas no país vizinho. O único termo que cai que nem uma luva à coisa que procura designar, neste caso, é Tempranillo.

sábado, 15 de novembro de 2008

Terras do Pó '2007

Vinho de entrada da Casa Ermelinda Freitas.

Do rótulo: «É oriundo de vinhas situadas em Fernando Pó, da casta Castelão, conhecida na zona por Periquita. Foi elaborado utilizando o processo de vinificação em cubas-lagares com temperatura controlada, seguindo-se um estágio de 4 meses em meias-pipas de carvalho francês.»

Aroma muito jovem. Podia ser um puto bem comportado e limitar-me a apontar os descritores típicos da casta e destes vinhos desta casa: fruta intensa com muitas notas meladas (ou açucaradas), baunilha e um nico de fumo. Mas, foda-se, estaria a mentir. Ou, pelo menos, a simplificar muito as coisas. Aquilo a que ele me cheirou, sem rodeios, foi a mijo de rato combinado com fumo. Muito muito. Quem mantiver desses como bichos de estimação — ou então, gente sem sorte na vida — compreenderá. Depois, sim, os amelaçados destes Castelão das areias vêm dar graça ao conjunto, e trazem consigo qualquer coisa verde, indefinida e interessante... e a fruta. Que nem é pouca nem está muda, mas é preciso parar para a ver. Na boca, tem corpo médio e é saboroso. Gulosinho à sua maneira. Sabe a jovem mas os taninos estão redondos — é para beber já. A acidez, presente mas não excessiva, e o álcool bem integrado completam aquilo que o meu limitado engenho me permite contar-vos acerca deste conjunto de comprimento razoável e final adocicado.

É engraçado. Achei-o, sei lá, visceral... Se fosse música, era esta (digo eu).


Custou 3,85€.

15

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Adega de Pegões — Trincadeira '2006

Pelo rótulo, sabemos que foi «... vinificado em cubas-lagar de Inox com maceração pelicular prolongada, seguida de estágio de 6 meses em meias pipas de carvalho...»

Tem 13,5% de álcool.

O nariz é uma mescla mais ou menos indiferenciada — «tipo sopa» — de aromas, de onde se destacam a fruta madura e o fumo de lenha. Nota-se ainda bastante caramelo de leite — o chamado toffee. É muito saboroso, estando o binómio fruta/madeira extremamente bem conseguido. O final, mais caramelo e fumo, revela-se longo e macio.

Gostei.

Enfim, outro excelente varietal da Coop. Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Um pouco mais simples e macio que o Syrah da mesma casa, mas (quase, para mim) igualmente apetecível.

Num registo mais... nem sei que lhe chamar, googleando «trincadeira», dei com isto. E daí para aqui, foi um pis pas.

5€.

Falta provar os outros.

15,5

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

País das Uvas '2004

Proveniente do Baixo Alentejo, este tinto DOC é produzido pela Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito a partir das castas Aragonês, Alfrocheiro, Castelão e Trincadeira. 13,5% vol.. Cor rubi. Conjunto aromático típico da região — mescla de fruta preta muito madura (figo também) e algum vegetal. Redondo na boca, com bom volume. Ameixa e folha de tabaco fresca. Sugestões dulcíssimas de seiva de flor de magnólia transmitem-lhe uma pontinha de originalidade. Vinho relativamente simples, mas franco. Pela negativa, achei-o um pouco sobremaduro. Custou 3€ numa promoção, andando o preço habitual a rondar os 6,50€.

15

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Casillero del Diablo — Cabernet Sauvignon '2005

É do Valle del Maipo, sub-região do Valle Central chileno situada perto da capital (citando a Wiki, o rio com o mesmo nome «es el principal colector de las aguas de la Región Metropolitana y concentra el 70% de la demanda actual de agua potable y cerca de un 90% de las demandas de regadío»), que vem este tinto, monocasta Cabernet Sauvignon (com 10% de Carménère) parcialmente estagiado (70% do lote) durante 8 meses em carvalho americano, da Viña Concha y Toro. Produzidos em quantidades prodigiosas, estes vinhos são bastante populares em todo o mundo. Talvez por tamanha exposição, a marca tem página própria.

Perante a quantidade de informação disponível sobre o produtor, a sua história e a lenda que envolve esta marca, não acho que valha a pena dizer aqui algo. Fica o enlace para o artigo da Wikipédia.

Cor rubi acentuada. Nariz intenso e completamente vegetal, dominado de fio a pavio por cheiros a couve e alcaçuz. Com tempo no copo, o leque verde alarga-se, surgindo notas de pimento, aipo e cebola «sobremadura». Aparecem sugestões de groselha negra, como que a tentar libertar-se do manto vegetal. Sem grande sucesso. Completam o conjunto impressões de tosta de madeira e talvez, mas só talvez, carne cozida. Redondo na boca, onde o algum fruto preto extremamente maduro deixa entrever mais que umas simples nesgas de pimenta, trufas e castanhas, mostra bom equilíbrio entre acidez e taninos. Termina razoavelmente longo e, agora sim, finalmente, muito frutado.

Um vinho diferente, para sair um pouco do nosso vulgus. Até gostei!

Custou quase 7€.

15


P.S. — Depois de sobre ele ter lido, só a título de exemplo, isto, não estava mesmo nada à espera de um vinho (que me parecesse?) terroso e vegetal. Má conservação? «Cebolum» e couve cozida costumam ser indicadores, respectivamente, da presença de mercaptanos e mercaptanos oxidados, com esta oxidação a gerar dimetildisulfetos. E no entanto, não me parece que tenha bebido uma garrafa estragada...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Terra Grande — Reserva '2006

Vinho Regional Alentejano feito pelo enólogo António Ventura a partir das castas Trincadeira e Aragonês e engarrafado pela Goanvi.

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Cor rubi muito intensa. Cerejas amargas, bagas, ligeira especiaria e sugestões de carne crua e vísceras compõem o nariz. Equilibrado, consegue ser bastante expressivo na boca — fruta madura e um pouco de cacau em fundo abaunilhado — sem, contudo, se mostrar guloso. Final discreto.

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O preço anda à volta dos 6€, o que aponta para uma relação qualidade/preço fraquinha, a meu ver.

14

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Roquevale '2003

Alentejano DOC de Redondo (Évora), produzido pela empresa com o mesmo nome. As castas, Aragonês, Alfrocheiro e Alicante Bouschet. Não encontrei nada sobre o estágio, mas teve-o. Foram feitas 27900 garrafas. 13% vol.

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Cor granada. Fruto vermelho e aguardente de fruto vermelho, um pouco de especiaria, boa barrica. Interessante a dicotomia entre a doçura do aroma e a secura do palato. Aqui e ali, laivos de alcaçuz e zimbro. Redondo, bem estruturado, está no ponto e capaz de aguentar ainda mais alguns anos.

Não sendo um vinhão, é muito agradável. Pelo que me fez lembrar, di-lo-ia um «Mouchão dos pobres», que Deus me perdoe.

5€.

16

Frou Frou — Details

Agora que ando com a neura "daquele tempo, daquela casa onde tenho a certeza que enlouqueci", uma musiquita a condizer.

Uma favorita dos meus tempos de acólito da Igreja do Imaculado Paliativo. Ah, música para o tão necessário down depois da loucura da noite, tão necessária como o próprio!

Às vezes, quando (ainda) penso nisso, reparo que ficaram mais sons que imagens. Muitos destes, cristalinos... aquelas, quase todas desfocadas.

So let go, just get in
Oh, it's so amazing here
It's alright
'Cause there's beauty in the breakdown


Oh, que raio! Quando um gajo mostra as músicas de que gosta ao mundo, é tão paneleiro citar bocadinhos "mais profundos, mais significativos" da letra...


Para terminar, um pouco de bláblá daquele a que vos tenho habituado:

A banda, que já se separou há muito tempo, tem uma página no MySpace.

E uma entrada na Wikipédia.

O álbum, o único que fizeram, chama-se Details.

domingo, 9 de novembro de 2008

José Maria da Fonseca — Garrafeira TE '1999

Palmela DOC, este TE — Tinto Especial — é um dos «Garrafeira» classificados com letras de código da José Maria da Fonseca.

Diz a página do produtor que este vinho provém dos solos argilo-calcários da Quinta de Camarate em Azeitão [ou seja, da Arrábida] e resulta da combinação da casta Castelão com outra internacionalmente conhecida: o Cabernet Sauvignon [75% da primeira e 25% da segunda]. Estagiou durante 11 meses em barricas novas de carvalho.

Foram feitas 32375 garrafas.

Quanto à prova — escusado será dizer que o bebi todo — revelou-se rubi transparente no copo com halo atijolado. Nariz leve e muito desenvolvido, de ataque indefinido, doce e terroso, que com o ar se foi transfigurando em morangos, muito rebuçado e folhas secas de eucalipto sobre fundo de cabedal, castanhas e restos de azeitona preta, daqueles que ficam para trás no lagar quando se faz azeite. Boca elegante, doce e não muito volumosa, cheiinha de fraises confites que aparentam estar já a recuar e taninos finos e poeirentos que começam a desvanecer-se num primeiro sinal de cansaço. Ainda delicioso, terá já passado o ponto óptimo de maturação.

Custou 20€.

16,5

sábado, 8 de novembro de 2008

Bifinhos Enrolados + Cogumelos

Há muito que não mostramos nada novo de comer aqui no blogue. Esta receita, interessante e versátil, é das que se têm repetido à nossa mesa desde sempre. Quase toda a gente tem a sua interpretação dela; aí vai a nossa:




Ingredientes:

6 bifinhos de vitela, finos;
6 fatias de queijo mozzarella;
½ chouriço de porco preto, sem pele;
250g de cogumelos frescos, cortados ao meio;
200ml de cerveja;
4 dentes de alho;
azeite;
sal, malagueta seca, cominhos e alho em pó, tudo a gosto.


E prepara-se assim:

Estendem-se os bifinhos e temperam-se com sal, cominhos, malagueta seca e alho em pó. Depois, por cima e no meio de cada um, coloca-se uma fatia de queijo mozzarella, dobrada no sentido do comprimento. E, por cima do queijo, três rodelas finas de chouriço. Enrolam-se então os bifinhos e atam-se.

Numa panela baixa e larga, em lume sempre forte, aquece-se muito bem um fundo de azeite. Aí se deitam os 4 dentes de alho, inteiros, e deixam-se tomar cor. Douram-se os bifinhos de ambos os lados neste fundo de azeite e juntam-se os cogumelos. Cozinha durante dois ou três minutos. Por fim, rega-se tudo com cerveja e deixa-se cozinhar até o molho reduzir.

Comeram-se com arroz de feijão, só que desta vez, em vez de feijão branco, usámos feijão canellini.

Velharias (6)

Segunda-Feira, 22 de Agosto de 2005. Ardeu toda a noite. Fugimos. De automóvel, andámos a circundar o incêndio. Toda a noite. As cinzas chegaram a junto do rio. Os cães como que pressentiam a desgraça. A excitação e o medo.

Foi uma das noites mais bonitas da minha vida. O facto é que adoro ver coisas arder...





A Lua e as Fogueiras





*





Naquela noite, mesmo que Nora se deixasse derrubar sobre a erva, não me seria bastante. Os sapos não deixariam de coaxar, nem os automóveis de acelerar na descida, nem a América de acabar naquela estrada, com aquelas cidades iluminadas junto à costa. Compreendi, na obscuridade, por entre aquele aroma de jardins e pinheiros, que aquelas estrelas não eram as minhas, que, como Nora e os fregueses, me causavam medo. Pavese, 1950.





Fumo e fogo, aqui tão perto. Tão dentro da cidade, do lado de cá da circular, parece impossível.

Ouvem-se sirenes, tantas tantas.

Vizinhos a discutir...

Saímos. Ainda volto para fechar umas persianas. Mais vizinhos, consternados. Uma rapariga tenta conter as lágrimas no elevador.

Duas e meia ou três da manhã... Vento. Pessoas que fogem. Lá bem no fundo, ninguém deve acreditar que estes monstros de betão possam arder, mas o pânico é contagioso e, de mim para mim,

Só para mim,

Tantas luzes, sirenes, fumo negro, cheiro a fogueiras de mato e pinho,

Tanta gente que por um momento se esqueceu de ser mesquinha,

Tanto fumo tanto pânico

(Tanto medo?)

Sabe-me bem.

E não devia confessá-lo, mas...

Como é que uma coisa destas foi acontecer AQUI?

Ao cimo da avenida, do outro lado da rua, depois da rotunda aérea, lá no inferno, ardem pessoas e pertences de pessoas e animais e plantas e sonhos e aqui tão perto cheira bem.

Depois fomos embora. Volvidas umas horas, nada. Tudo acabado. Nem o mais leve resquício de fumo dentro de casa.

(Ciscos, cinzas, um raminho de pinheiro, carbonizado, que conservou a sua forma original.)




Comentava a Sara que as fotos dos fogos, ao longe, faziam lembrar um jovem planeta, ambiente em fase primordial... Rios de lava cortando colinas negras, pedras fundidas, géiseres luminescentes.

Quer queira quer não, um tipo acaba a lembrar-se do Sá-Carneiro...

. . . . . . . . . . .

Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Herdade dos Grous '2007

Outro vinho de Beja, este da Herdade dos Grous, e um dos novos clássicos da região, embora as primeiras vinhas da quinta se tenham começado a plantar apenas em 1987.

Vinificado a partir das castas Aragonês, Syrah, Alicante Bouschet e Touriga Nacional.

Cor escura. Fresco e sumarento. Amora, cassis, figo em passa, gelado de morango. Feno seco e folha de eucalipto, sobretudo no palato. A madeira do estágio, no ponto, nunca se intromete com a fruta. Redondo, elegante, dotado de bom volume e persistência, achei engraçado este vinho estar já tão maduro, tão oferecido e apetecível, sendo ainda tão jovem.

Ainda assim, para já, diria que gostei mais do de 2006. Se um bocadinho em garrafa o vai beneficiar, a ver vamos...

Custou 9€.

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Herdade da Figueirinha — Reserva '2005

Outro vinho de menos de 4€ (de facto, menos de 3, se a memória não me atraiçoa) que bebi recentemente foi este alentejano da zona de Beja, da Sociedade Agrícola do Monte Novo e Figueirinha. Diz o contra-rótulo que foi produzido a partir das castas Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon. Quanto ao estágio, não dizem nada, nem na garrafa nem na página do produtor, mas é certo que o teve.

Cor rubi, não muito concentrada. Aroma franco, directo, com muita fruta vermelha pouco madura e elementos vegetais verdes, frescos e indefinidos, a fazerem lembrar salsa. Mostrou ainda evidentes notas de laranja amarga e chocolate preto. Corpo ligeiro, com a acidez, talvez no limite, a ajudar a integrar os 13,5% de álcool. Mais fruta verde. Mais verde vegetal. Estranhas sugestões animais, a fazerem lembrar porco estufado em vinha d'alhos. Final curto.

É um vinhito ligeiro, sem grandes pontos de interesse. Não está mal para o preço, mas ainda mais longe de impressionar.

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Pingo Doce — Douro Reserva '2005

Douro DOC produzido pela Calheiros Cruz. O enólogo responsável por este vinho continua a ser Anselmo Mendes. Já tinha provado o de 2004. Para começar, noto que não existe mais informação disponível acerca deste que do anterior. Talvez continue a não valer a pena.

Tal como o seu predecessor, foi vinificado a partir de uvas das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Aragonês. Estagiou em madeira, mas não dizem quanto. Tem 13,5% v/v de álcool.

Cor rubi. Aroma simples, um pouco trôpego. Fruta silvestre madura, fogueira de lenha e/ou queijo azul. Na boca, mais fruta, e fruta mais expressiva. Mais barrica, e melhor definida. Saboroso. Porém, nota-se-lhe certa desarmonia estrutural: o álcool acaba por se evidenciar em demasia e os taninos, embora até bastantes, mostram-se um pouco duros, sem conseguirem, contudo dar outra envolvência ao vinho. O final é curto e limpa a boca.

Falta-lhe polimento. Pede comida pesada. Para mim, está claramente abaixo do de 2004.

Custa quase 4€.

13,5

domingo, 2 de novembro de 2008

Quinta dos Aciprestes '2004

Douro DOC da Real Companhia Velha.

Consta que é produzido «a partir de parcelas de vinhas velhas» situadas entre o Cima Corgo e o Alto Douro, passando depois por breve estágio em madeira de carvalho. As castas são várias, predominando a Tinta Barroca, Aragonês e Touriga Franca.

Servi-o a 14ºC e não o terei bebido, em momento algum, a mais de 16/17ºC.

Cor rubi profunda. Muita fruta doce — amoras, cerejas e ameixas — a desvanecer-se em caramelo especiado. Balsâmicos frescos e notas de farmácia, a fazerem lembrar tintura de iodo, transmitem seriedade ao conjunto. Madeira, pinho, lá muito no fundo, e só um pouco. Aroma muito intenso, guloso e extremamente apelativo. Macio. Tal como na boca, cheia de fruta silvestre, densa, sumarenta, um pouco ácida. Também algum vegetal seco. E mais balsâmico. Um conjunto muito saboroso, bem estruturado, com boa persistência. O final é amadeirado.

Falta-lhe algo mais que apenas finura para poder ser considerado um grande vinho, mas é belo.

Custou menos de 7€ — uma excelente relação qualidade/preço. Nada a que este produtor não nos tenha já habituado.

Gostei muito.

16,5

Adega Coop. de V. N. de Tazem — Alfrocheiro '2002

Provado — «provado»! — no dia seguinte, di-lo-ia o oposto do anterior, este delicado Alfrocheiro da Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazem mostrou no copo cor granada, pouco concentrada e a fugir para o laranja.

De aromas mais persistentes que intensos, ofereceu doces cerejas e morangos em fundo de rebuçado com traços de especiarias.

Na boca, suave, fruta vermelha e licor de fruta vermelha, depois marmelo, por fim cabedal, tabaco fresco e nozes diluídas em algo a que não sei dar nome, que me levou até uma velha cave de granito, fria, escura, húmida, um pouco bafienta. Elegante por via da ligeireza, sem grande comprimento, tem pouco álcool (12,5%) e está bem redondo, mais que pronto a beber — aliás, mais que mais que pronto a beber — cansadito, já, apesar de ter apenas 6 anos.

Custou 14€ e tal. Cumpriu com êxito a sua missão, acompanhar uma avezinha assada só com alho, sal e umas ervitas.

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P.S.

Uma das favoritas do Dão, Alfrocheiro é casta de cacho pequeno e compacto, de produção alta e regular, que se presume originária daqui, do nosso país, ainda que as suas origens sejam incertas — há, inclusive, quem diga que pode ser uma mutação de Pinot Noir!

Depois, se não o mistério, pelo menos a polémica continua: Ora, no sítio web do «Dão Digital», a páginas tantas, lê-se acerca desta casta que:

«Proporciona vinhos muito aromáticos, frutados, com perfume vinoso, delicado e fino. O sabor é igualmente frutado, encorpado, persistente, muito vivo graças à sua acidez (equilibrado). Muito bom potencial para envelhecimento, principalmente quando feito em madeira nova de carvalho.»

Porém, no nº 144 da «Revista de Vinhos», datada de Novembro de 2001, pode ler-se num artigo da autoria de João Paulo Martins acerca desta mesma casta que:

«Rico de aromas, vivo enquanto jovem, o Alfrocheiro resiste mal ao tempo e, como varietal, não deve ser vinho de guarda.»

E eu pergunto: em que é que ficamos? Pessoalmente, e apenas pelo que este varietal me mostrou, sinto-me mais inclinado para a segunda opção.

Mas, mas, mas!

sábado, 1 de novembro de 2008

Protos — Crianza '2004

Voltei, voltámos. Aweh!

Mas, um aviso! — ando preguiçoso e desinspirado.

Postos os preliminares, aí vai qualquer coisa sobre bebida:

Após longo interregno, tão longo que este é o primeiro vinho de tal origem que coloco neste blogue, voltei há dias aos espanhóis da Ribera del Duero. Vem das Bodegas Protos, de Peñafiel, cidadezinha pequenina, muito antiga e cheia de tipicidade, que fica a 56Km de Valladolid.

Meia dúzia de linhas sobre o produtor: é uma cooperativa que surgiu em 1927 e cresceu muito depressa. Por ter sido a primeira e por os seus vinhos — bons mas acessíveis, também porque produzidos em larga escala — terem, sem dúvida, contribuído para o aumento de visibilidade da região, o seu contributo para como as coisas do vinho aí correram — para os desinformados, han ido de puta madre — desde então não pode ser ignorado. Uma adega histórica, portanto.

Consta que este Crianza é um clássico da sua denominação de origem. Não por ser o nec plus ultra do que por lá se faz, muito longe disso, mas pela forma simples e honesta, e com qualidade, com que revela o carácter da zona no que a vinho toca. É um varietal de Aragonês — ou seja, Tempranillo, Cencibel, Tinto Fino, Tinta de Toro, Tinta del País, Tinta Roriz... et caetera! — envelhecido durante 12 meses em madeira de carvalho (branco, já agora) americano e outro tanto tempo em garrafa. Pelo menos.

Quanto a que tal me pareceu, mais ou menos sucintamente: Cor rubi. De aroma franco a frutos negros muito maduros — amoras, cerejas e sobretudo uvas — e baunilha. Muito mais complexo na boca, a desdobrar-se num sem fim de impressões animais: sangue, suor, banha de porco cozinhada, pêlo... e outras sugestões mais ou menos exóticas: chocolate e goiabada, anis e amêndoas, cravinho e madeira resinosa — exuberância cativante mas um pouco agressiva, que aparenta surgir apoiada na vincada acidez do vinho — esta, infelizmente, em boa parte, volátil. Não o bebendo todo ao almoço, ao lanche encontrei um vinho muito mais simples e macio, muito menos estimulante. De corpo, está bem. Volume aprazível, com taninos finos e os 14% de álcool a fazerem-se sentir mais nos lábios e garganta que na boca. Tal como tudo o mais, o final, longo, surge marcado pela madeira.

Enfim, é bom, mas não brilha. E precisa de comida.

Comprei-o por 10€ na última feira de vinhos do Jumbo. E, mesmo assim, para o que cá há nessa faixa de preços, achei carote. Agora, os 16€ e qualquer coisa que costuma custar quando não está em promoção... são um claro exagero.

15,5