terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Camarões em Molho de Cerveja & Mostarda

Camarões rápidos, fáceis e muito saborosos. Um belo prato para festas domésticas, piqueniques, passeios de barco, farras, reuniões tardias, sessões de poker, charradas e outros que tais.




Sem mais delongas, os ingredientes necessários são:

600g de camarão com casca — o que tínhamos era de calibre 30/40;
½ℓ de cerveja — pilsner branca;
100g de margarina;
3 colheres de sopa de condimento de mostarda — usei «Savora»;
sal e malagueta seca, desfeita, a gosto.


E preparam-se assim:

1. Decapitar os camarões.
2. Cozê-los e escorrê-los.
3. Juntar os demais ingredientes num tacho e levá-lo a lume forte até se formar um molho espesso.
4. Juntá-lo aos camarões; misturar.
5. Servir com tostinhas ou fatias finas de pão torrado. Beba-se com champanhe ou um bom branco «gordo», daqueles com barrica e uns anitos. Nham.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Agora sim, uma sextina a sério...

Do cavalheiro Camões.

Foge-me pouco a pouco a curta vida
(se por caso é verdade que inda vivo);
vai-se-me o breve tempo d'ante os olhos;
choro pelo passado e, quando falo,
se me passam os dias passo e passo,
vai se me, enfim, a idade e fica a pena.

Que maneira tão áspera de pena!
Que nunca üa hora viu tão longa vida
em que possa do mal mover se um passo.
Que mais me monta ser morto que vivo?
Para que choro, enfim? Para que falo,
se lograr me não pude de meus olhos?

Ó fermosos, gentis e claros olhos,
cuia ausência me move a tanta pena
quanta se não comprende enquanto falo!
Se, no fim de tão longa e curta vida,
de vós m'inda inflamasse o raio vivo,
por bem teria tudo quanto passo.

Mas bem sei, que primeiro o extremo passo
me há de vir a cerrar os tristes olhos
que Amor me mostre aqueles por que vivo.
Testemunhas serão a tinta e pena,
que escreveram de tão molesta vida
o menos que passei, e o mais que falo.

Oh! que não sei que escrevo, nem que falo!
Que se de um pensamento n'outro passo,
vejo tão triste género de vida
que, se lhe não valerem tantos olhos,
não posso imaginar qual seja a pena
que traslade esta pena com que vivo.

N'alma tenho confino um fogo vivo,
que, se não respirasse no que falo,
estaria já feita cinza a pena;
mas, sobre a maior dor que sofro e passo,
me temperam as lágrimas dos olhos
com que, fugindo, não se acaba a vida.

Morrendo estou na vida, e em morte vivo;
vejo sem Olhos, e sem língua falo;
e juntamente passo glória e pena.

Velharias (7)

Esta foi de uma altura em que os interesses eram, definitivamente, outros. Foi, como se pode ver, uma tentativa de montar uma sextina com sentido & significado, auto-biográfica e ainda assim capaz de respeitar a forma. Como a estrutura é exigente e ainda mais o sentimento, por mais cheio que estivesse o meu coração nas noites em que a fui fazendo à luz dos clarões da televisão :P — ficou-se por uma pseudo-sextina.

Porém, já que me apostei (re)publicar aqui todas as "velharias" que conseguir desenterrar, aí fica a título de curiosidade:





Pseudo-Sextina


Menino farto de viver
Abandonava-me à morte, que temia
Doente de só: triste, vazio
Ou porque assombrado, dia após dia
Pela mesma lucidez doentia
Que tudo era um; um para nada.

Tudo passámos, não ficou nada:
Também ela cansada de viver;
A mesma falta de esperança doentia
A mesma revolta que nada temia
Ora por nada, ora esperando o dia
De a mais aspirar, espantar o vazio.

Foi duro no princípio: ou tu ou o vazio;
Fugias, fugias de mim e do nada
E tudo me escapava, até que um dia
Serias tu ou deixar de viver:
Como quem pelo que amava temia,
Sucumbiste à partida doentia.

Que ignorantes a digam doentia:
Ela que sai do monstro que é o vazio
E da dor: algum de nós a temia?
P'ra no fim, do medo não restar nada
Somente querer ainda viver
Que o céu não caiu; nasceu o dia.

Dois são um, ainda que a noite e o dia
Pena ainda a celeuma doentia:
Não posso evitar: és o meu viver!
O meu mundo depois do vazio
E ciúme é medo do Inferno e do nada,
Que quando não podia perder, não temia.

E um dia deixaremos quem temia
Partirmos antes do derradeiro dia:
Só no mundo não, antes o nada
Da morte... Ideia quiçá doentia,
Mas cheia, como de amor meu ser vazio
Que agora canta a alegria de te ter,

...meu amor! Pois mau viver teve aquele que temia
E quem teme, e por temor de coração vazio passa noite e dia
É criatura doentia que não merece nada.

14/2/2006

Iec :(

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Lima Mayer '2004

Alentejano de Monforte, produzido e engarrafado na Quinta de S. Sebastião por Lima Mayer & Companhia.

Castas: segundo o rótulo, Aragonês, Syrah e, em menor quantidade, Petit Verdot, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon.

Estagiou em cascos de carvalho francês, mas não encontrei onde dissessem durante quanto tempo.

Cor escura, bastante opaca.

Nariz fresco — impressões arbóreas e balsâmicas a cipreste e eucalipto encontram fruta negra expressiva, mas não sobremadura. Gradualmente, vai adquirindo compostura — a fruta cresce um pouco, apoiada em fina mescla de grãos de café, madeira, tosta, fumo e tabaco — tudo muito indiferenciado.

Na boca, chocolate preto e ameixa seca, pouco doce, continuam com sucesso as impressões do nariz. Corpo mediano, com taninos finos, poeirentos, e boa integração alcoólica.

O final, infelizmente, pareceu-me demasiado discreto.

Gostei mais dele a acompanhar uns enchidos que sozinho. A dada altura, empurrado por um bom fuet, começou a mostrar um delicioso macerado de cerejas negras com caroço, bem maduras. E aí, sim...

Pertence àquela corrente do «Alentejo fresco e elegante» que, parece, tem vindo a ganhar adeptos.

Fez-me lembrar este.

Custou pouco mais de 10€. Tendo em conta o prazer que proporcionou, não vejo porque não hei-de trazê-lo para casa mais vezes.

16

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Quinta do Monte Bravo — Colheita Seleccionada '2000

Douro DOC. O rótulo diz-nos, em letras douradas, que «foi obtido a partir das melhores uvas das quatro propriedades do produtor — Quinta do Monte Bravo, Quinta da Teixeira, Cerca do Casal e Quinta do Rabaçal —, predominando as castas Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional e Tinta Barroca, vinificadas no moderno Centro de Vinificação da Quinta que lhe dá nome e posteriormente estagiado em barricas novas de carvalho».

Tá bem.

Assim que tirei a cápsula, uma primeira surpresa desagradável: então não é que esta garrafa, vendida dentro de uma caixa de cartão toda catita, com rótulo de papel espesso, de grão grosso, caro, com direito a tinta de ouro, tanta tinta de ouro...

Estava vedada com uma reles rolha sintética?!

Quase fui aos arames. Mal por mal, tivesse uma tampa de rosca! Ainda assim — e mesmo tendo presente que há tempos, ainda este blogue não existia, comprei um «Vinha do Tanque», da Casa Castelinho, vedado com uma rolha deste mesmo tipo, que estava uma verdadeira porcaria... e que desde então nunca mais comprei nada feito por eles, ainda que tenha ouvido dizer (relativo) bem de alguns dos seus vinhos — dei o benefício da dúvida ao líquido e, em vez de o verter imediatamente pela sanita abaixo, dispus-me a prová-lo. Podia ser que fosse bom, e aí teria de ser eu a reformular certas ideias.

Pois enquanto me entretinha com estes pensamentos — alguns dos quais em voz alta — e comentava com a S. a má surpresa que constituíra a rolha, oculto nas sombras, o inimigo aguardava a minha chegada.

Após breve e cuidadosa decantação — 15 minutos, não mais — reparei que o vinho estava límpido e possuía uma bonita cor granada, até algo intensa.

Depois, no nariz, cheio de aromas terciários, muito cabedal, como que a servir de ligação entre alguma fruta completamente transformada — aguardente de ginja, velha — e um intenso aroma pungente, volátil, a evocar queijo Roquefort. Lá no fundo, notas empireumáticas que acabei por achar pouco interessantes, sobretudo por não me parecer que conseguissem trazer mais riqueza (= interesse) ao conjunto, — fumo e carvão.

Na boca, ao longo da acidez — despropositada — algum vegetal e muita madeira. Pouca fruta, pouco doce. Pouco sabor. De facto, talvez nem uma hora volvida após a abertura da garrafa, já a imensa acidez volátil com a qual aparentavam fluir os aromas e sabores deste vinho se tinha ido. E não ficou quase nada.

Ainda que a textura do vinho pudesse importar qualquer coisa após tamanho deserto de aromas e sabores, a única nota que achei relevante tomar foi, tal como a escrevi no meu caderninho negro do álcool, «corpo um bocado rústico, de taninos duros».

Assim se conta a história de um vinho muito bem vestido, mas apenas no limiar do bebível, e só logo depois de aberto.

Enfim, luxo de imitação. Um verdadeiro engano.

Custou quase 6€ — sendo que o preço original, diziam eles, superava os 10€ — numa daquelas promoções mirabolantes do Jumbo que um tipo diz que evita, que devia evitar, que devia isto e aquilo, e aqueloutro também — mas onde, volta meia volta, acaba por cair ainda outra vez e nunca a última. Oh, o arrependimento! Se ele fizesse crescer as orelhas e cair os dentes!

10

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Fiuza — Três Castas '2006

É, ando outra vez preguiçoso. Com estas tretas todas do Natal nem tem apetecido blogar.

Então, do que tenho bebido, vou começar por este.

Vinho Regional Ribatejano produzido pela Fiuza & Bright. As três castas a que se refere o nome são Aragonês, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional. Estagiou durante três meses em cascos de carvalho novos e outros três em cascos usados, consta que com um ano. Tem 13% de volume alcoólico. Quando provei o de 2005, fiquei "naquela", vá, a dar para o bem impressionado.

Há dias foi a vez do seu sucessor. Como na altura não tirei qualquer nota, estas são impressões de memória.

Aroma jovem, frutado uma vez dissipada boa parte da muita acidez «verde» que revela ao primeiro contacto. Boca fresca, rápida, esquiva, a mostrar corpo relativamente macio, talvez por força de tão discreto. Mais puxado à acidez que ao álcool. Final com fruto vermelho e (talvez, só talvez) ligeira especiaria.

Em suma: comum, correcto dentro da medianidade.

14

Custou 3€ e pouco.

P.S. — A S. gostou muito.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Quinta do Carmo '2003

É o tinto de gama média da Quinta do Carmo, uma das mais notáveis vinícolas nacionais.

Aragonês, Alicante Bouschet, Castelão, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Syrah são as castas habitualmente utilizadas — em proporções variáveis, conforme o ano — na elaboração deste vinho, envelhecido ainda durante 12 meses em barricas de carvalho.

Da colheita de 2003, diz o produtor:

«O ano da grande “canícula”, uma palavra que resume as condições de maturação e de vindimas do ano de colheita 2003. No Alentejo, no entanto, a colheita realizou-se às datas habituais e em óptimas condições.»

Canícula. Não se refere à estrela Sirius do Cão-Maior, mas a uma considerável vaga de calor.

A cor é bastante escura, granada.

O aroma começa preso, com notas vegetais que evocam rebentos de bambu e cipreste, tornando-se depois mais balsâmico e, por fim, revelando fruta escura seca — sobretudo figos — e torra e fumos de madeiras várias. Tudo muito contido. Persistentes, ainda que sempre em pano de fundo, ligeiras notas de especiarias acres, tabaco e gordura de porco preto.

Na boca, notas de carne assada e mais figos secos. Esperava mais sabor. De resto, pode dizer-se que é flexível e bem estruturada. Só o álcool me pareceu um pouco fora de tom. Os taninos são densos e aveludados, e a acidez, embora se revele com suavidade, nota-se pronunciada — notas de azeitona ajudam a evidenciar a terrosidade negra que se prolonga pelo fim de boca.

Este alentejano algo atípico é capaz de estar para durar — e melhorar. Mas, para já, não me impressionou...

15

Custou 13€.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pão de Azeite

Baseado, até certo ponto, no pão dito rústico, «não sovado».


Ingredientes:

420g de farinha de trigo T65 / 300ml de água / 20g de fermento de padeiro / 2 colheres (de sopa) de azeite / 2 ou 3 colheres (de chá) de sal grosso / 2 colheres (de chá) de açúcar mascavado.




Preparação:

Aqueci a água a 35ºC, verti-a para dentro de uma grande taça de louça e lá dissolvi, tão bem quanto pude, o fermento, o azeite e o açúcar — este para potenciar a fermentação: as leveduras adoram-no.

Adicionei então pouco mais de metade da farinha — uns 250g, a olho — e misturei tudo com um garfo.

Deixei a papa resultante levedar durante duas horas, tapada, num sítio morno — a 30ºC — e livre de variações térmicas.

Depois juntei o sal e mexi novamente.

Misturei o resto da farinha e envolvi muito bem.

Trabalhei a massa resultante durante 15 minutos no programa «amassar» da máquina de fazer pão. É eficaz e dá um mínimo de trabalho. Contudo, claro está, pode amassar-se à mão ou com a batedeira eléctrica. Neste caso, cuidado com a escolha das varetas.

Verti a massa para cima de uma superficie enfarinhada e fiz uma bola.

Untei um recipiente próprio para ir ao forno — neste caso, de pyrex — coloquei lá o futuro pão e deixei-o fermentar novamente, em condições idênticas às da primeira vez, mas agora durante três horas.

Por fim, forno. Para os primeiros 25 minutos da cozedura, apenas liguei a resistência de baixo a 180ºC. Os restantes 20, passou-os com ambas as resistências, ligadas à mesma temperatura.

Não sendo o forno eléctrico, faça-se um lume algures entre médio e brando, e deixe-se cozer até o topo ficar dourado.

Deixei arrefecer o pãozinho dentro do forno e só depois o desenformei (para não abater).

Ficou com mais de meio quilo.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Marquês de Marialva — Reserva Seleccionada '2000

Varietal Baga da Adega Cooperativa de Cantanhede. Ficha técnica, aqui. É um vinho que tem ganho prémios nos últimos anos (vd. ficha técnica) e Kim Marcus deu-lhe 85 pontos em Maio de 2003.




Cinco anos (e tal) depois, o que encontrei pode resumir-se, essencialmente, no seguinte.

Cor vermelho-cereja esmaecido, típica da casta. Ataque fechado, revelando apenas uma ou outra subtil impressão floral. Nariz vivo e limpo, dominado por aromas a frutos vermelhos em whisky e com boas sugestões de mostarda, cedro e terra. Boca fresca, bem dimensionada, de acidez viva, com muita fruta vermelha madura e um final, di-lo-ia salino, deveras apelativo.

Custou 8€.

15,5

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Versus '2004 e '2005

«A terra é severa, dir-se-ia até indomesticável como um potro selvagem. O granito impõe-se sobre a paisagem e pouco espaço liberta para a vegetação, que desponta fugidia entre as fragas. Nas serranias da Beira Interior, a inclemência dos elementos desafia a resistência dos que se expõem aos caprichos da Natureza. Invernos rigorosos golpeiam o solo, estremecem as árvores, resolvem as pedras. Verões tórridos secam os cursos de água, fendem os troncos, arrepanham as folhas. Mas o carácter industrioso de três gerações da mesma família fez fecundas estas terras graníticas. Em Vermiosa, Figueira de Castelo Rodrigo, o vinhedo viceja indiferente à rudeza da morfologia e do clima. Por estes lugares, o cultivo da vinha é quase uma fatalidade. Algo que acomete o Homem enquanto condição da sua própria existência. E assim nasce o vinho, com a mesma espontaneidade com que o orvalho filtra a luz da manhã. Um ofício de pureza, um labor de coisas simples, uma sabedoria quase visceral encerra o ciclo iniciado no aconchego da terra. O vinho Versus é o testemunho deste avatar.»




Este vinho é produzido pela Vinhos Andrade de Almeida em Vermiosa, localidade próxima de Figueira de Castelo Rodrigo. Bonito lugar!

Ora, como desta vez tive quem me ajudasse a virar copos, proporcionou-se este comparativo em jeito de mini-vertical. Aí vai:

Ambos possuem cor avermelhada, densa e muito escura — mas mais o de 2004, onde se evidencia ainda um grande rebordo violeta.

O da colheita de 2004 começa um pouco fechado no nariz. Depois desdobra-se em intensos aromas a cerejas e bagas maduras e em ligeira compota, com sugestões florais e de verniz, anis e notas de barrica — madeira torrada e muito café.

Na boca revela-se pujante, cheio de fruta especiada, muito saboroso, muito encorpado, quase untuoso na língua, com taninos grandes e suculentos perfeitamente integrados num conjunto francamente elegante. Fina, fria vibração mineral a todo o comprimento na prova de boca — faz lembrar granito! Final longo e persistente.

16,5, ou mais. Custa cerca de 8€. Tem de ainda ter uns quantos anos pela frente!


Já o da colheita de 2005 apresenta um perfil mais dócil, com o nariz mais fácil, mais quente, doce e disponível, cheio de frutos vermelhos e que a dada altura evoca rebuçados floco-de-neve, caramelos de leite e resina seca de eucalipto.

Na boca é equilibrado, embora bastante menos encorpado que o da colheita anterior. Também a mineralidade surge bem mais discreta. Algo guloso, oferece muita fruta e rebuçado, algum balsâmico e madeira sólida, tudo bem misturado e a prolongar-se por um final longo q.b..

Embora tenha melhorado nos últimos meses — ou assim me pareceu — nasceu uns furos abaixo do de 2004 e não o vai apanhar. Mas continua a ser um belo vinho!

16

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Luís Pato — Baga '2004

Feito de Baga e Touriga Nacional.

Página do produtor, ›>


Cor avermelhada, escura.

Muito ácido, convém deixá-lo respirar.

Fruta com expressão — sobretudo gustativa — típica da casta, concentrada e sem grande complexidade. Traz a reboque um punhado de flores secas. Corpo macio, de final bastante longo, mineral, «salgadinho».

4,50€

14,5


P.S.

Baga is not Grand Noir!

& por «Tinta Fina» não quererão dizer «Tinto Fino», Aragonês?

Caralho, turvas correm as águas em certos meandros do mundo do vinho!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Grilos '2006

Da Soc. Agrícola do Casal de Tonda (Tondela), agora parte da Dão Sul. Um pouco de história, tal como surge aqui, contada pelo produtor:


«A marca da Quinta dos Grilos é sobejamente conhecida dos enófilos portugueses, dando nome a um vinho do Dão, produzido na pequena aldeia de Tonda, desde meados da década de noventa.

O seu proprietário era o Dr. Manuel Ferraz da Costa, que a partir de 1988 deu início a um projecto vitivinícola com a criação da empresa Sociedade Agrícola do Casal de Tonda, S A .

Em Setembro de 2001, nas vésperas de mais uma vindima, um dos accionistas da Dão Sul adquiriu todas as parcelas de vinha da dita sociedade aos herdeiros de Ferraz da Costa, iniciando, então, mais um projecto de produção de vinhos de quinta na região do Dão.

A área de vinha ronda os 17 hectares , distribuída por 7 parcelas distintas, entre as quais a Quinta dos Grilos, que os novos proprietários decidiram adoptar como nome genérico de todas as parcelas de vinha.»




Feito de uvas das castas Touriga Nacional, Aragonês e Alfrocheiro, estagiou meio ano em barricas de carvalho francês. Aos interessados, o produtor disponibiliza a sua ficha técnica aqui.

Para isto ficar como de costume, só falta dizer que tal me pareceu...

No copo, densa cor rubi. Ataque verde vegetal de feno fresco, a fazer lembrar este. Muito jovem. Depois, cereja ultramadura, ginja e chocolate preto, numa segunda vaga que se estende a todo o comprimento do vinho. Robusto e concentrado, apresenta certa pujança alcoólica, mas a fruta aparece sempre generosa o suficiente para a suportar. Boa acidez — que aqui e ali parece libertar uns pozinhos especiados. Muitos taninos que ainda precisam de tempo. Final razoável.

4€ — RQP imbatível, ou quase.

16

Tapada do Chaves — Reserva '2002

Produzido pela Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial S.A., este tinto é um dos clássicos do Alentejo.

Combinação de Trincadeira, Aragonês e Castelão, estagiou 15 meses em madeira de carvalho português e 12 em garrafa antes de ser posto à venda.

Tem 13,5% Vol.


Cor granada.

Boa intensidade aromática. Frutos vermelhos e pretos maduros, baunilha e outras especiarias, terra quente e suaves seivas e citrinos amargos, tudo muito bem envolvido por fumado complexo e elegante que, sem se impor, acaba por modelar o conjunto. É este o traço que, a meu ver, mais marca o carácter deste vinho.

Que também está porreiro na boca: bem estruturado, com a fruta a aparecer fresca e doce, persistente, e sempre sob a batuta das excelentes madeiras, que ora se mostram "cruas", evocando seiva amarga e fresca, ora surgem torradas, fumadas, num belo exercício de continuidade do que se passa no nariz.

Pela negativa, o álcool pareceu-me um bocadinho desenquadrado. Mas só um bocadinho. Pequenino.

Custou 12,50€.

Recomendado.

16,5

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Caixas de Origami e Brigadeiros

Temos reparado que muita gente anda a gostar da ideia de fazer pequenos presentes pessoais para trocar pelo Natal. Então, aos interessados, e mais ou menos por acaso, aqui fica uma sugestão:

Caixas de origami — a S. gosta de as fazer — com coisas lá dentro. Apenas para ilustrar o post, resolvemos rechear as caixinhas com brigadeiros embrulhados, primeiro em película aderente — como se costuma fazer com as bolotas de haxixe, por exemplo — depois em celofane colorido e/ou papel de seda.

Então, para começar, a receita dos brigadeiros que fizemos. Muito simples.

Misturaram-se 370g de leite condensado, 3 colheres de sopa de cacau magro em pó e outra de manteiga. Levou-se a mistura a lume brando, mexendo sempre até ficar bem espessa, e verteu-se para dentro de um recipiente previamente untado com margarina. Deixou-se arrefecer até à temperatura ambiente e moldaram-se pequenas bolinhas: umas simples, outras recheadas com amêndoa. Estes ingredientes resultaram em mais ou menos 30 bolinhas.

Que se podem rechear ou cobrir com as mais variadas coisas. Os nossos ficaram assim:




Uma variante engraçada destes docinhos pode fazer-se substituindo o cacau por 100 ou 150g (a gosto) de coco ralado.

Despachado o recheio, aí estão as caixitas que a S. andou a dobrar... Por baixo de cada caixa, o link para os esquemas das ditas, onde c define o esquema do corpo da caixa e t o da tampa. É de notar o nível de modularidade possível em origami: a tampa de uma caixa pode muito bem ser o corpo de outra e daí por diante. E, claro, as decorações exteriores podem ser o que quisermos.

Para começar, uma caixa de rebuçados feita com papel de engenheiro azul e transparente. Os esquemas estão nos links que seguem: parte 1; parte 2.




Fácil, hein? A seguir, uma caixa de aspecto um pouco mais arrojado:




Para a fazerem, podem seguir o tutorial em vídeo disponível aqui.




Mais caixas: Nesta, a tampa é a peça t1 [parte 1; parte 2] e o corpo, aquela a que achei conveniente chamar c1 [parte 1; parte 2].




Mais do mesmo — apenas mudou a decoração: Tampa: t1 [parte 1; parte 2]; corpo: c1 [parte 1; parte 2].




Tampa: c1 [parte 1; parte 2]; corpo: c2; Nota: nesta caixa, para descobrir o tamanho da tampa (sendo o do corpo a folha inteira), usa-se o processo descrito no seguinte diagrama.




Tampa: c1 [parte 1; parte 2]; corpo: c2.

Nota: nesta caixa, para descobrir o tamanho da tampa (sendo o do corpo a folha inteira), usa-se o processo descrito no seguinte diagrama.




Tampa: c2, sendo o corpo a peça c1 [parte 1; parte 2]. Ah, e a flor, claro. Nota: nesta caixa, para descobrir o tamanho do corpo (sendo o da tampa a folha inteira), usa-se o processo descrito no seguinte diagrama.

As duas caixas que se seguem pertencem ao domínio do origami dito modular — consistem em várias folhas dobradas e encaixadas umas nas outras. Aí vai:




Feita com dois tipos distintos de papel de origami. O vídeo que ensina a fazê-la está aqui.




E por fim, esta, feita com 8 folhas — quatro para a tampa e outras tantas para o corpo. As instruções de dobragem da tampa estão aqui e as do corpo, aqui.

Como nota final, talvez convenha referir que os diagramas destas dobragens pertencem ao livro «Home Decorating With Origami» de Tomoko Fuse (Japan Publications, 2000; ISBN 4-88996-059-7).

Quinta do Crasto '2007

Este tinto DOC vem da Quinta do Crasto, uma das mais antigas do Douro — as suas primeiras referências remontam a 1615!

Foram utilizadas na sua elaboração uvas das castas Aragonês, Tinta Barroca, Touriga Franca e Touriga Nacional. Não estagiou em madeira. Engarrafaram-se 450000 garrafas de 75cl.

Ficha técnica, aqui.

Interessante a cor, um violeta escuro que não se vê assim tanto.

Bebendo-o, pareceu-me um vinho simples e equilibrado. Tanto no nariz como na boca, predomina a fruta, fresca, densa e francamente gostosa. Muitas (mas mesmo muitas) cerejas pretas perfeitamente maduras e com caroço, algumas amoras, algumas bagas e pouco mais. Um bocadinho de cacau, outro de esteva seca, talvez sugestões xistosas... tudo na medida certa.

É daqueles vinhos sumarentos — este possui certa ligeira untuosidade que ajuda à ideia — que oferecem pouco mas bom e que, acima de tudo, escorregam maravilhosamente com comida.

Continuasse a adjectivá-lo, di-lo-ia elegante, equilibrado... por aí.

A meu ver (e que vale tal coisa?!), está para o Douro como este para o Alentejo.

Custou 9€.

16


Amanhã vamos postar coisas diferentes. Origami e isso...

Ah, e o blog já não é surdo. Vêem o endereço de email que juntei ali à barrita lateral? Ali ao fundo, heh? Qualquer coisinha, digam.

Granja-Amareleja — Reserva '2002

Quando Grandgousier, o bom homem, bebia e se divertia com os seus amigos, ouviu o horrível grito que seu filho soltara ao ver a luz deste mundo, pois bramou pedindo de beber, de beber! Então disse: «Grandes os tens!»

F.R.



Este alentejano DOC foi produzido pela Cooperativa Agrícola de Granja (Mourão, distrito de Évora). As castas que o compõem não aparecem discriminadas no rótulo. Quanto ao estágio, pode ler-se que foi efectuado em pipas de carvalho francês.

Cor granada alaranjada. Aroma que surge em camadas bem diferenciadas de frutos negros e licor de frutos negros, malte e madeira — cedro, pinho. Toque de acidez bem definida, a fazer lembrar azeite. Boca redonda, suave, delicada — dá a ideia de estar a começar a perder corpo. Contudo, fruta ainda bem presente, persistente. Apesar de só ter 6 anos, está, talvez, um bocadinho «mais que no ponto».

Custou 10€.

16,5