quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Adega Cooperativa de Borba — Reserva '2005

É a última edição do vinho mais emblemático da Adega Coop. de Borba, já considerado por muitos uma espécie de clássico. Cor granada. Aroma tipicamente alentejano (no que toca a vinhos), amálgama de impressões frutadas «maduronas» com ligeiro vegetal à mistura, de onde só a ameixa negra se distingue com nitidez. Ainda caramelo, um toque de especiaria e alguma folha de tabaco. Boca correcta, e com isto quero dizer que sem falhas nem excessos, onde a fruta se encontra bem presente, acompanhada de ervas secas, casca de árvore e folha de tabaco, passas, café e cacau, num conjunto que se mostra menos doce do que aquilo que o nariz faria esperar. Final de persistência mediana, a deixar ligeira sensação de adstringência. Rugosidades tânicas... Não é nenhum alarde de complexidade, mas nota-se sólido, consistente. Não está mal.

8,50€.

15,5

quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Herdade do Perdigão — Reserva '2004

Oh, a preguiça! Quão mole, seco, desinspirado me encontro! Abri o editor de texto, o meu caderninho de notas, um par de sítios da web e trouxe para aqui a garrafa vazia. E só de apreciar o conjunto reunido à minha frente, só de pensar em começar a escrever estas linhas, a vontade de sair daqui, ir dar uma volta, curtir o resto do sol da tarde; ou então o sono, que todas as desculpas são boas quando não apetece fazer rigorosamente nada! Ah, bambalhão!


Ora, este tinto alentejano, de Monforte, distrito de Portalegre, consiste num lote composto por 80% de Trincadeira, 15% de Aragonês e o resto, Cabernet Sauvignon. Uvas provenientes de vinhas velhas, completamente desengaçadas, cuja fermentação alcoólica ocorreu na presença das películas e grainhas, dentro de grandes balseiros de carvalho francês, tendo depois o mosto sido transferido para barricas de 225 litros onde, de forma espontânea, se deu a fermentação maloláctica «de acabamento». O vinho passou os 18 meses seguintes dentro dessas mesmas barricas, e mais um ano em garrafa, antes de ser lançado no mercado. Não foi filtrado e apresenta uns garbosos 15% de volume alcoólico. Das 26666 garrafas produzidas, coube-me a nº 2553. Isto segundo os dados fornecidos pelo rótulo e contra-rótulo da garrafa, bem como pela ficha técnica presente na página do produtor.

De que tal o achei, cor entre o rubi e o granada, este mais definido na orla do copo, de concentração mediana. Nariz mais balsâmico que frutado, bastante fresco. Bosque, bagas e muito boa barrica. Promissor. Impressões de boca que me confirmaram estar perante muito bom material. Cremoso, quase mastigável, cheiinho de taninos gordos e macios. Muita fruta. Morangos, amoras e framboesas. Tudo madurinho, mas não em excesso. Acidez elevada, quase cítrica. Ainda sugestões de compota. Barrica delicada. Café. Muito caramelo. Tornou-se um pouco enjoativo a partir de certa altura, mas ai já a garrafa ia quase no fim. Não creio que seja problema para quem não a quiser beber toda. Termina longo e redondo, em concordância com a imagem de solidez que desde o princípio transmite.

É um vinho que se nota muito bem trabalhado, que está no ponto para aqueles que apreciam bocas pujantes, espessas e frutadas. Mas, para o meu gosto, falta-lhe limpidez — se é que me faço entender...

Custou 25€.

16,5

terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Filmes (7)

Henry: Portrait of a Serial Killer




Um dos mais convincentes filmes de serial killers que conheço, retrata a vida e obra de um filho da puta semi-atrasado que, felizmente, já morreu. Um pouco cru, mas bom.

segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Cabeça de Burro — Reserva '2005

Este tinto do Douro foi produzido a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca pela Cooperativa Vitivinícola do Peso da Régua — Caves Vale do Rodo. Dizem que estagiou em madeira e em garrafa, só não especificam em que condições e durante quanto tempo.

Tal como aconselhado, decantei-o meia hora antes de o servir a 18ºC.

De cor, vermelho-rubi de intensidade mediana.

No que aos aromas diz respeito, ataque um bocadito fechado. Depois, evidentes — predominantes — as notas de frutos vermelhos: morangos e framboesas ao natural, frescos e ácidos. Intenso fundo especiado, às vezes a querer ser picante.

Dedo de cacau amargo e mais fruta na boca, a terminar entregue a notas de barrica, sobretudo abaunilhadas. Travo ferroso, ensanguentado. Bem estruturado, de taninos macios — embora ainda não de todo —, pareceu-me bastante elegante, embora a pender um pouco para o lado da acidez.

No entanto, mais ou menos metade da garrafa acabou guardada no frigorífico para o dia seguinte. E aí veio a surpresa: o vinho tinha melhorado. Arredondou. Perdeu acidez, a madeira pareceu-me surgir mais suave, a fruta começou a mostrar-se maior, mais densa e também transformada — tantas sugestões de passa de Corinto! — e pareceu-me terem surgido bem mais impressões de cabedal, cobrindo a relativa secura das seivas...

Infelizmente, também ligeiro toque de oxidação.

Ainda não se mostra tão complexo como imagino que vá ser, mas está um vinho bem equilibrado e tudo aponta para que vá envelhecer bem. A própria garrafa o indica como vinho de guarda para os próximos 5/10 anos.

Sempre gostei muito de vinhos assim, bem secos e de perfil delicado. Custou 7€.

16

quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Adega de Pegões — Touriga Nacional '2005

Ainda não tinha provado este tinto, monocasta Touriga Nacional da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões.

Cor rubi, intensa, escura.

Nariz denso, ricamente estratificado. Ao primeiro impacto, violetas e cabedal. Com o tempo e o hábito, as primeiras acabaram por perder o protagonismo, quase desaparecendo numa onda de frutos vermelhos de acidez impossível de ignorar, mas doces, perfumados por subtis notas de especiarias. E castanhas, terra molhada, húmus. Já o cabedal se manteve sempre bem presente, do ataque de nariz ao final de boca.

Boca essa que, embora em consonância com o nariz, surgiu contudo menos complexa, menos polida, definitivamente menos interessante. De carácter seco e um pouco duro, com a acidez fortemente marcada — as notas frutadas que se iam mostrando sugeriam morangos pouco maduros e framboesas — e leve amargor a tintura floral. Também muito cabedal, demasiado para o meu gosto, a trazer ao palato certa chochice, prolongando-se a par da fruta ao longo de um final mineral, terroso, de persistência mediana.

Tenho ficado muito contente com os vinhos (varietais ou não) desta cooperativa: não só se têm revelado sempre correctos — ou mais — e francamente apetitosos como, pelo menos às vezes, conseguem provocar, ser originais. Consistentes ao longo dos anos e sempre fiéis ao terroir que os trouxe ao mundo. Contudo, este Touriga — já algo evoluído — pareceu-me menos interessante que os seus maninhos que já por aqui passaram. Enfim, cozido não estava. Reduzido, também não. TCA ou afins (a que se poderia atribuir a relativa mudez da fruta na boca, todo aquele cabedal, eventualmente a terra molhada)? Duvido. De qualquer forma, um dia destes abro outra garrafa para tirar as dúvidas.

Custou 6,50€.

14,5

terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Dona Ermelinda (Branco) '2007

Palmela DOC da Casa Ermelinda Freitas. Arinto (30%), Fernão Pires (30%), Chardonnay (20%) e Antão Vaz compõem um lote que estagiou dois meses em carvalho francês e americano. Cor... amarela. Sensações tropicais no nariz. Ananás, laranja, melão, líchia... Boca de vulto considerável, levemente untuosa, de sabor agradável — nota-se-lhe qualquer coisa melada por detrás da fruta — e persistente. A meu ver, podia ser um bocadinho mais ácido.

3€.

15

segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Redoma '2004

Retaste. Ainda outro! Embora o seu sucessor não me tenha impressionado por aí além, talvez tal tenha acontecido, acima de tudo, por não conseguir evitar comparações com este. Cor rubi, intensa, ainda sem sinais de evolução. Nariz jovem, fresco, profundo, complexo, elegantemente estratificado. Frutos de bago, vermelhos e pretos. Esteva, rabo-de-gato e outras ervas vadias, secas. Cedro, pinho. Discreto etanol desamarrado. Ao fundo, um pouco de fumo. A boca continua dominada pela frescura. Bastante fruta, mas que não explode, antes se vai mostrando, bem madura e sempre fresca. Uma ou outra passa, nada de compotas. Acidez contida, refrescante. Mineral frio e limpo por toda a parte. E não sendo muito encorpado, tudo na estrutura deste vinho irradia vitalidade — estou em crer que por causa daquela rede elástica, finamente entretecida, de taninos fortes mas finos, persistentes, que enchem a boca. Final longo e quase sumarento, moderado por notas de cacau amargo, tosta, sugestões de grafite em pó, um tanino ou outro que ainda insiste em mostrar-se mais durito de vez em quando... Vai envelhecer com beleza, e não vejo porque não há-de durar 10 anos ou mais. Aliás, adoro este vinho. Costumo bebê-lo a acompanhar carne de vaca grelhada só com sal, e esta vez não foi excepção. Ficha técnica, aqui.

25€.

18

Lello '2006

Duriense da Sociedade dos Vinhos Borges. Mistura de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Parcialmente envelhecido em carvalho francês durante seis meses. Cor rubi, avermelhada, de razoável opacidade. Muita fruta, vermelha e negra, com toques de baunilha e tostados. Corpo de intensidade mediana e persistência discreta, consistente com a prova de nariz. Acidez reduzida e taninos polidos. Não é mau, sobretudo se se tiver em conta o preço, mas falta-lhe tipicidade — é daqueles vinhos que podiam vir de quase qualquer parte — e, a meu ver, um bocado grande de carácter... Só não é uma «bomba de fruta à novo mundo» — seja isso o que for — porque lhe falta concentração. O crítico da Wine Spectator que o provou em Dezembro de 2007 classificou-o com uns generosos 88 pontos.

3,50€.

14

domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Herdade Porto da Bouga — Reserva '2007

Este alentejano de Alegrete, freguesia do concelho de Portalegre, tinto da autoria do conceituado António Saramago, «foi vinificado em lagares com engaço total e curtimenta completa, a partir das castas Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah», tendo posteriormente sido estagiado durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano.


Cor rubi, intensa e concentrada.

Começa pouco falador, com o aroma a assentar em notas vegetais e de barrica, algumas francamente interessantes. Deixando-o respirar, aquecendo-o um bocadinho na mão, a fruta revela-se. Roxa, de bago e bem doce, a fazer lembrar este. Traz consigo flores — outra largura ao nariz — tira peso à madeira; gostei!

Na boca, macio e muito fresco. Sem surpresas. Corpo e sabores em equilíbrio, num registo contido mas envolvente, dirigido para a fruta. Alperce e romã, sempre suaves. Depois um nico de fumo, uma ponta de especiaria — outra graça, persistindo pelo final afora.

Gostei mais deste que do da colheita anterior.

Custou 5€. A este preço, já não se vêem muitos assim! Continua a ser uma belíssima opção para o consumo quotidiano.

16

Mais Um Pão

Fizemos recentemente este belíssimo pão, fortemente baseado numa receita de chef John Mitzewich, dono do excelente Foodwishes. O vídeo da receita que nos serviu de bem mais que mera inspiração pode ver-se aqui.




Foi assim:


Num recipiente de dimensões avantajadas, dissolveram-se 25g de fermento de padeiro em 2 chávenas (2.250=500ml) de água muito ligeiramente morna, apenas a quebrar a friúra — neste caso específico a 25ºC, medidos com um termómetro para vinho.

Juntou-se à mistura obtida uma colher (de chá) de açúcar mascavado — para potenciar a fermentação —, 2½ colheres (também de chá) de sal grosso, ¼ de chávena (mais ou menos 65ml) de farinha de centeio e 3¾ chávenas — ou seja, um litro menos 65ml — de farinha de trigo T65 sem fermento, mexendo com a espátula até se formar uma papa mais ou menos homogénea.

Com isto obteve-se uma massa fluida, pouco consistente e relativamente pegajosa. Cobriu-se o recipiente com folha de alumínio e deixou-se repousar à temperatura ambiente (18-20ºC, não mais), dentro do forno desligado, durante 18 horas. O longo tempo de fermentação justifica a temperatura relativamente baixa e escolhemos o forno como local de repouso para a massa por ser relativamente bem isolado, logo livre de correntes de ar e outros factores passíveis de causar variações bruscas de temperatura.

Volvido o tempo de fermentação, notou-se que a massa tinha ficado um pouco mais consistente, adquirindo uma viscosidade muito própria, tomado uma tonalidade ligeiramente mais intensa e que se haviam formado bolhas de ar por toda a parte.

Então, com a ajuda da espátula, foi-se afastando a massa das paredes do recipiente, voltando-a sobre si própria as vezes necessárias até se ter formado no centro uma bola tosca.

Espalhando com a mão umas gotas de óleo sobre a sua superfície, untou-se o tabuleiro do forno e polvilhou-se generosamente com carolo de milho — aquele que, na moamba, serve de base ao pirão. A sua finalidade, dar à côdea uma textura muito mais estaladiça que o habitual.

Foi nesta altura que surgiu o desafio de passar a bola de massa do interior do recipiente onde fermentara para cima do tabuleiro onde viria a ser cozida. Assim, e seguindo as indicações de chef John, preparou-se a superfície onde se viria a dar forma à massa — utilizou-se a bancada da cozinha — aspergindo-a com água e cobrindo-a com uma folha de película aderente, tendo havido o cuidado de a deixar bem esticada. Resultado: esta ficou como que colada à bancada.

Polvilhou-se então a película com farinha de trigo, não muita, e verteu-se sobre ela a bola de massa, empurrando-a apenas ao de leve com a espátula. Uma vez depositada a bola de massa na sua «cama» de película aderente enfarinhada, polvilhou-se também a própria com farinha e, com as mãos, deu-se-lhe a forma pretendida.

Depois foi só transferi-la com cuidado de cima da «cama» de película aderente para dentro do tabuleiro, de forma análoga à utilizada para a transferir anteriormente de dentro do recipiente onde levedou para cima da superfície onde se lhe deu forma.

Uma vez no tabuleiro, voltou a polvilhar-se com farinha de trigo, cobriu-se com um pano e deixou-se levedar mais duas horas. Passado esse tempo, constatámos que a massa não tinha perdido fluidez, tendo crescido mais para os lados que para cima. Ok, o normal.

Finalmente, foi ao forno a 220ºC durante 35-45 minutos.

*

O pãozinho resultante ficou pura e simplesmente maravilhoso, estaladiço por fora e muito leve, muito macio por dentro. A foto seguinte é uma tentativa de mostrar o grão com que o miolo fica:




Esperamos que gostem! :)

quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Velharias (8)

Estava muito triste quando escrevi isto. Demasiado. Depois passou.



Escatologia Poética do Atrofio (3)


Uma questão menor
Nada de pessoal
Um acesso de furor

Ausência
Falta

Tudo se destrói;
O círculo degenerou em espiral

Faltam ideias
Falta vontade

Respirar é um caos

Nada é verdade,
Só a sua falta.

E o comboio do ódio afasta-se em silêncio

E eu parado
Parado, atafulhado em cigarros
Cigarros e mais cigarros

Paralisia infernal de desgosto e raiva e morte

(Arrependimento não?)

Lágrimas
Solitárias
Um telefone
Desligado
E mais cigarros

Mais dúvidas
Onde a esperança ainda vive
Falta rogar a Deus,
Só rogar a Deus.

Lá longe, o comboio do ódio rasga planícies cinzentas de indiferença e
morte.

(2/9/2005)

quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Domingo de Passeio





































terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Lavradores de Feitoria — Meruge '2004

Continuando dentro do que tenho bebido, este também me parece digno de nota.

Douro DOC da Lavradores de Feitoria. Deles, já por aqui passaram este e este.

Do rótulo:

«As uvas que fazem este Meruge 2004 cresceram em duas vinhas de características muito distintas, ambas situadas no Cima Corgo. De uma vinha velha e outra nova foram cuidadosamente vindimadas as melhores. Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional, maturidade e juventude, estilos que se completam, vinhos que se equilibram.»

Sendo mais específico, é composto por 70% de Aragonês (Tinta Roriz, Tempranillo), 10% de Touriga Nacional e 20% de outras castas — certamente provenientes da vinha velha, de entre as quais deve predominar a Touriga Franca. De notar que apenas metade das uvas constituintes do lote foram desengaçadas. Estagiou durante um ano em barricas novas e usadas de carvalho francês.

Cor entre o rosa escuro e o vermelho rubi; intensidade discreta. Aroma contido e muito marcado pela madeira, embora a fruta predomine — morangos e framboesas, resinas doces, especiarias (cominhos), chá forte e notas de tosta compõem o quadro. Na boca é macio e apresenta corpo entre o delgado e o mediano — parece-me um vinho feito a apostar na elegância, sem aquela concentração que se costuma encontrar no Douro, o que, aliás, se nota logo pela cor —, de taninos maduros, sedosos. Pena o álcool, desenquadrado, despropositado. Final longo, mais uma vez virado para a madeira, mas também dotado de certa presença mineral.

Não duvido que a integração da madeira possa vir a completar-se com o tempo. Mas, a meu ver, um vinho feito para ser elegante tem, forçosamente, de ser fresco e muito equilibrado. E aí ele falha. Completamente. Claro que consegue ser agradável, claro que não deixa de possuir certo interesse. Porém, tanto dentro do género como para o preço, cerca de 17€, tenho visto muito melhor.

16


P.S.

Kim Marcus para a Wine Spectator: 91 pontos em artigo de Dez. '2006.

segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Torres — Gran Coronas Cabernet Sauvignon «Reserva» '2004

De volta a estas lides, enfim! Ora ponha-se lá o vinho em dia...

Para começar, tinto espanhol, D.O. Penedès, produto da emblemática Bodegas Torres. Lote composto por 85% de Cabernet Sauvignon e 15% de Tempranillo. Estagiou durante um ano em barricas de carvalho americano e francês. 14% de volume alcoólico.

Rubi profundo na cor, tem o nariz dominado por notas vegetais — azeitona parda, pimento, forragem seca de cheiro discreto — e de barrica. Folha de eucalipto; muita madeira resinosa. A fruta, a fazer lembrar bagas e morango ultra maduros, quando começam a aguar-se no início do processo de putrefacção, surge discreta depois do verde. Depois firma o seu lugar, mas nunca como protagonista. Na boca, mais do mesmo. Doçura comedida. Amplitude e corpo razoáveis. Acidez acentuada. Álcool que não incomoda (até a temperatura bater nos 18ºC). Ligeira secura vegetal — taninos densos e jovens — até ao fim.

É vinho que não beberia a mais de 16ºC e que, estando pronto, poderá guardar-se sem problemas durante mais meia dúzia de anos.

Custou 7,50€.

15,5


P.S.

Nota-se que tem sido muito bem promovido: 94 pontos no Guía CAMPSA '2009!

domingo, 8 de Fevereiro de 2009

Herdade do Esporão — Reserva '2001

Lote de Trincadeira, Aragonês e Cabernet Sauvignon, vinificadas em estreme. Estagiou em carvalho americano. Levou 89 pontos da Wine Spectator em 2004. Página do produtor, aqui. Cor muito bonita, rubi escuro, mas a virar granada na orla do copo. Nariz intenso, firme e bastante denso. Levantado um aroma inicial a fazer lembrar queijo azul, surgiu muito cabedal e fruto negro, ainda fresco e doce. E especiarias e notas de tosta. Ao fundo, despontavam notas de frutos secos. Com o tempo no copo, levantou-se uma cortina de fumo acacauzado, ainda mais notória na prova de boca. Corpo denso, sóbrio e equilibrado, apesar dos 14,5% de álcool. Final razoável. A ideia que estes «Reserva» do Esporão me deixam é a de serem vinhos bastante potentes, frutados e encorpados, ideados para um consumo imediato, ou quase, assim que saem para o mercado. E que, quando envelhecidos, embora possam manter algumas boas características da juventude — a densidade do nariz, a generosidade do corpo . . . — e ganhar alguma finura, nunca adquirem bouquets espectaculares. Também se nota não serem vinhos para durar muito mais de 10 anos . . . Mesmo assim, apostaria que este ainda tem, pelo menos, 4 anitos pela frente. Gostei muito dele a acompanhar um — bem . . . na verdade, quase dois :\ — filet mignon flamejado. Custou 28€ — um preço razoável . . . Pena a resistência do empregado de mesa ao pedido de um decantador . . . tive de falar três vezes, estava a ver que era preciso fazer-lhe mal, lol. Inadmissível num quatro estrelas. Foi aqui. 16,5

sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Pão de Deus «Enriquecido»

Um pão doce extremamente guloso.




Amornei 200ml de leite. De seguida, na cuba da máquina de fazer pão, juntei 70g de margarina, 3 colheres (das de sopa) de açúcar e 20g de fermento de padeiro, dissolvido no leite morno. Adicionei 400g de farinha e deixei a máquina amassar durante cerca de 15 minutos.

Intervalo de tempo que aproveitei para fazer o creme: misturei 100ml de leite, à temperatura ambiente, com 4 colheres (de sopa) de «custard powder» — não confundir com custard, termo utilizado para definir, simplesmente, o doce de ovos — e 5 colheres (de sopa) de açúcar. À parte, fervi 200ml de leite, ao qual juntei a mistura supramencionada, mexendo sempre até ficar bem espesso.

E a cobertura, esta ainda mais simples: limitei-me a bater dois ovos grandes com 4 colheres (de sopa) de açúcar e 100g de coco ralado.

Uma vez amassada, estendi a massa e recheei-a. Ainda a deixei levedar durante uma hora bem contada dentro do forno desligado — por ser um lugar que rapidamente fica morno com as emanações de calor provenientes do recheio e por ser, também, bastante eficaz a reter esse mesmo calor. Por fim, cobri o pão e cozi-o: qualquer coisa como 35 minutos de forno a 180ºC.




Aquele pozinho que se vende em embalagens cujo rótulo diz «custard» — o «custard powder» utilizado nesta receita — não consiste, ao contrário do que muita gente pensa, em doce de ovos desidratado ou por alguma outra «arte mágica» convertido em pó. De facto, o constituinte principal do dito pó — que é, realmente, uma base semi-instantânea para doces de ovos — não passa de simples amido de milho combinado com um elemento corante — por exemplo, annatto (ou urucu) —, sal, aromatizantes — baunilha e pouco mais. Este pó foi inventado por um químico inglês chamado Alfred Bird para substituir o custard tradicional, uma vez que se encontrava casado com uma senhora alérgia a ovos, mas que devia achar deveras aborrecido ter de passar sem o abençoado creme amarelo. Corria o ano de 1837...

quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Reguengos — Reserva '2006

É um daqueles vinhos que compro uma e outra vez, e nem sei bem porquê. Dediquei há tempos umas linhas às impressões que me deixou uma das muitas garrafas do de 2005 que cá vieram ter a casa. Este apresenta-se no mesmo estilo do da colheita anterior, mas de nariz mais verde — verde de feno e verde do outro! — e menos expressivo nas especiarias e quentes e densos amadeirados de fundo. Na boca, escorreito. Continua um pouco capitoso. Manteve a boa tipicidade, mas achei-o um pouco menos interessante que o de 2005.

Custou 4€.

15

domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Monte da Casta '2006

Vinho Regional Ribatejano produzido pela Quinta da Lagoalva. Feito à base de Castelão e Touriga Nacional, passou 2 meses em barrica. Cor avermelhada, viva mas não muito escura. No nariz, tem a doçura cálida do Castelão e algumas flores bravas da Touriga Nacional. Na boca é macio e pouco ácido. Ligeirinho. Também não se lhe nota demasiado o álcool. Mas tão doce! E linear. Tornou-se chato incrivelmente depressa.

3€.

13