quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Primavera — Arinto '2006

Mais uma das botelhas dos últimos dias. Bairradino, varietal Arinto das Caves Primavera.

De cor amarelo-palha com reflexos dourados, este branco revelou-se bastante interessante no nariz, com muitas notas de flor de laranjeira, lírio e amor-perfeito a anteciparem um corpo aromático bastante denso, composto sobretudo por sugestões de banana e notas cítricas, algumas delas menos comuns, como a de cheiro à parte branca do limão e a folhas de aloés.

Boca flexível mas razoavelmente carnuda, com boa acidez, onde, de novo, predominavam as impressões cítricas. Final médio, um pouco seco.

Custou 7€.

15

Pegos Claros '2004

Castelão — desde cedo me apercebi nutrir certa predilecção por esta casta, sobretudo pelos varietais cheios de especiarias e notas meladas, fruta de contorno único e difícil de definir, que produz nos solos arenosos da Península de Setúbal.

Este espécime, Palmela DOC produto da Quinta de Pegos Claros, parte da Companhia das Quintas, provém de vinhas com mais de 40 anos, tendo as uvas sido pisadas a pé em lagares e o vinho delas resultante estagiado durante um ano em barricas de carvalho francês e nacional.

Sem surpresas, revelou um perfil a todos os níveis típico da casta e denunciador da passagem por madeira. No nariz, embora mais sóbria que o habitual, um pouco sisuda até, aquela fruta melada típica do Castelão de zona quente e seca, juntamente com traços cítricos e notas claras, embora indistintas, de seivas e especiarias. Também caramelo e café. Tudo relativamente apagado, pouco cativante. Na boca, a confirmação do nariz. Fruta pouco doce, quase desengraçada... madeiras correctamente colocadas, mas incapazes de trazer real graça ao conjunto... Alguma frescura... Largura — densidade — profundidade — força correctas «dentro do pouco»... Taninoso, um bocadinho de mais...

Enfim, não ofende. Deixou-me (ainda) a ideia de precisar da companhia de comida, desde que ligeira. Franguito, porque não?!

Custou 4,50€.

14

quarta-feira, 29 de Abril de 2009

O Post do Aniversário

Anteontem, dia 27, o blogue fez um ano — apercebi-me agora.

Como é da praxe fazer-se uma espécie de balanço anual nesta coisa dos blogues e eu não quero armar-me em diferente porque tenho medo de ser posto de parte — :P — aí ficam umas linhas sobre o assunto.

Ora bem:

Em um ano (e dois dias), foram aqui colocadas notas a respeito de 204 garrafas diferentes.

Globalmente, não desgostei delas — a maioria levou com números algures entre os 15 e os 16,5 — e fico bastante satisfeito ao constatar que a quantidade de garrafas que considerei «mais ou menos» é aproximadamente igual à daquelas que me deixaram realmente satisfeito — as que achei que valiam 17 valores ou mais.

O baixo número de flops publicados não constitui surpresa, sobretudo porque me abstive de colocar aqui notas de prova de garrafas estragadas

[e isto, que me lembre, inclui casos de TCA (que eu tenha topado), de vinho madeirizado e cozido, de fermentações mal acabadas que acabaram por terminar dentro da garrafa, transmitindo agulha ao vinho e dando-lhe um sabor bem medíocre — lembro-me muito particularmente de certa garrafa de «Vila Branca» que vinha assim — ... e vinhos pura e simplesmente mortos...]

não só porque não vejo que interesse poderia tal prosa ter para o leitor, mas também pelo imperdoável desperdício de latim, tempo e paciência que implicaria. Também aqui não coloquei as minhas impressões acerca de garrafas que não tenha podido verter com a concentração que exige uma prova que se quer minimamente séria, e tão-pouco garrafas que apenas tenha provado de fugida — porque não acredito que um copo mal cheio, e às vezes nem isso, seja o suficiente para nos dar uma ideia fiel do sumo que temos diante de nós. Preciso de tempo, de mais que apenas um copo, para me entender com determinado vinho. A meu ver, menos que isso é contra-natura — se fazer vinho é um processo moroso e custoso, um trabalho de generosidade e paciência, para quê ter pressa em e a bebê-lo? Claro que há quem discorde, quem tenha de discordar. Mas essas são outras realidades.

Seguindo em frente, o meu favorito deste ano que passou foi o belo Pintas '2003, a que não resisti dar uns gordos 19 valores, seguido mais ou menos de perto por quatro vinhos que me mereceram 18,5 — Alión '1996, Duas Quintas «Reserva» '2004, Marqués de Murrieta «Reserva» '2001 e Mouchão '1998. Todos tintos. Dos brancos, e note-se que aqui comecei a escrever sobre eles há relativamente pouco tempo, pelo que a amostra disponível é reduzida, o que mais me impressionou foi o Alvarinho Soalheiro '2008 (17 val.), seguido de perto pelo interessante Munda '2006 (16,5). Quanto a generosos, o ano foi fraquito — fiquei-me quase exclusivamente pelos Porto (para efeitos de blogue, o «quase» anterior desaparece) e, mesmo assim, nada de realmente extraordinário. Os melhorezitos, dois Vintage novos: Quinta das Tecedeiras '2004 (17) e Quinta do Infantado '2003 (16,5). Mais ou menos ao nível deste último, pelo menos no prazer proporcionado, o LBV das Tecedeiras, colheita de 2001.

Como este b'og não só de vinho trata, há ainda que notar o seguinte:

As receitinhas são o que são... uma ou outra experiência, uma ou outra invenção, uma ou outra adaptação. E noto com prazer que as ditas têm vindo a melhorar, embora a mais apreciada pelas «outras pessoas» tenha sido, sem dúvida, a de um certo bolo de coco. As receitinhas continuarão a ser uma das traves mestras deste blogue, dado que o Puto é, acima de tudo, um diário de comeres & beberes.

Xadrez... gosto, gosto muito, embora às vezes farte. Apesar de não existirem planos para que os posts acerca do dito deixem de ser esporádicos, penso que este ano vai haver mais xadrez por estas bandas.

Frames e notas... continuarão. Sem compromisso, quando apetecer, mas pela certa. Embora muitas vezes seja levado a pensar que, provavelmente, sou a única pessoa que ouve e vê as postitas mais multimédia do blogue. É pena, mas vocês é que perdem. ;)

Bocadinhos de livros... embora cativem tanto o interesse alheio como os de filmes e discos, já prometi a mim próprio que vão haver muitos mais. O Puto lê qualquer coisa (embora não exagere, lol) e tem gostado q.b. de algumas das coisas que tem lido.

Maquilhagem... há planos, há planos... O cantinho da S. não está esquecido.

Fotografias... quando sairmos e acharmos que não tem mal partilhar! :)

E quanto às «velharias»... bem, dessas há cada vez menos. A ver se se recupera mais alguma coisa que ande por aí perdida. Se não... é a vida.

Para terminar, que longo vai o testamento, acho importante realçar que:

1. Neste ano de blogue posso não ter feito amigos online (nem off- haha!), mas conheci e interagi com uma data de gente com interesses afins e alguns deles não só aparentam ser pessoas bastante interessantes como também — e isso ainda é mais importante (ou é ao contrário?) — porreiras q.b.. Para o ano... acho que vou continuar sem fazer amigos, mas espero que o número de conhecidos fixes continue a aumentar.

2. Por incrível que possa parecer, aprendi bastante graças a este blogue. Serviu de estímulo para procurar muitas coisas novas — algumas delas, fascinantes. Ah, claro, o meu muito obrigado a quem se pôs a jeito para que eu pudesse sugar conhecimento. :P

3. Os números: no último ano, o blogue teve 15877 single hits, a que corresponderam 31695 page views.

4. Este é um espaço pessoal. Sem pretensões expansionistas — chamemos-lhes assim. Quem lhas inventar com vista a poder atacar melhor alguma opinião aqui colocada... pode bem foder-se e ir morrer para um canto. Não? :)

Até ao próximo post.

terça-feira, 28 de Abril de 2009

Quinta do Encontro — Merlot / Baga '2006

Outro tinto baratinho e que não me deixou nada mal impressionado foi este, produzido — aliás, como o nome indica — na Quinta do Encontro (Dão Sul) a partir de uvas das castas Merlot e Baga. A ideia terá sido suavizar com a primeira o carácter fogoso da segunda quando jovem; resultou um vinho com o seu «quê» de originalidade e pronto a beber logo que lançado no mercado. Estagiou durante seis meses em barricas de carvalho francês. Ficha técnica, aqui.

Foi servido, sem ser decantado, a aproximadamente 16ºC.

Cor rubi de fraca intensidade. Fraca, para tinto. Aroma simples, plano até, mas singular q.b., a evocar leite carregadinho de açúcar mascavado. E mais cana de açúcar e melaços, com leves sugestões de flores e carne crua a surgirem muito de quando em vez, sempre fugazes. Fruta? Vermelha e madura, mas precisei de uma generosa dose de boa vontade para poder apontar que «aquilo» era fruta. Contudo, achei o conjunto agradável. Boca consentânea com o nariz, mas muito mais herbácea, muito mais «verde» — aliás, bastante taninosa. Álcool e acidez no ponto; final discreto.

É um vinho bastante original, rústico à sua maneira modernaça, mas descomplicado e muito capaz de agradar. Tem pormenores bonitos; pena a boca... Incorrendo numa — pobre? — analogia — in malam partem? — faz lembrar aqueles putos e pitas dos arredores das cidades grandes: jovem urbanidade em estado puro, conhecem o metro de lés a lés, passam as horas livres no centro comercial, vestem Pull&Bear e até conseguem cheirar bem. Vão à discoteca e têm um sintetizador no quarto, computadores portáteis, iPhone e conta no MySpace. Mas por dentro continuam simples, simplórios como os avós camponeses cujos filhos tiveram de sair da terra — melhores porque às vezes são giros e fazem coisas giras — pelo menos simbolizam um querer que muitos outros, os que ficaram para trás, nunca tiveram coragem de assumir; piores porque perderam a ligação às raízes e se esqueceram de quem realmente são.

Custou 3,50€ e não posso deixar de achar que os vale.

14,5

Quinta das Verdelhas — Touriga Franca '2005

Reparo agora que já não ponho uma nota de prova há muito tempo — olhando para os últimos posts, até parece que deixei de beber...

Um dos vinhos destes últimos dias foi este varietal Touriga Franca, oriundo de uma quinta de solos xistosos localizada no Douro Superior, pertença da CARM — Casa Agrícola Roboredo Madeira.

Em jeito de curiosidade, numa das páginas web do produtor, pode ler-se acerca desta quinta que «das vinhas da CARM esta será porventura a implantada em solos mais pedregosos tendo até sido necessário, aquando da plantação, trazer terra de outras quintas para a plantação dos bacelos».

É ainda de notar que, se sobre esta quinta se pode ler algo nos redutos virtuais do produtor, o mesmo não acontece com os vinhos que nela são produzidos. Deixando para trás aquelas ideias mais incómodas, porquês à volta de parentes pobres e outros que tais, digamos apenas que é pena.

Garrafa de rótulo simples e limpo, razoavelmente informativo. Sobre o estágio em barrica pelo qual este vinho obviamente passou, nem uma palavra. Rolha técnica de qualidade aceitável.

O vinho foi servido a 16ºC, não tendo sido decantado. Cor granada avermelhada, de intensidade e opacidade medianas. Trouxe consigo cheiros a frutos vermelhos bem maduros, alguns — poucos — dos quais também em compota, almíscar, óleo de copaíba, xarope de ácer e resina doce — leia-se velha, isto é, semi-podre — de pinheiro. Tudo misturado, com ligeiras sensações amanteigadas, torradas e ensanguentadas pelo meio. Bastante saboroso, com a madeira a fazer-se notar mais na boca que no nariz. Acidez mediana; ténue quentura alcoólica. Taninos macios; final satisfatório. Enfim, não brilha, mas também não é nada mau.

Custou pouco mais de 5€.

15

segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Bolo da Avó

Bolo da avó. Mais um de tantos. Quando alguém faz um bolo e não sabe o que lhe chamar, que conveniente pode ser invocar a velha senhora que todos conhecem e respeitam! Na cozinha e fora dela, tantos anos têm de ter o seu peso. E no entanto, em boa verdade, avó alguma é chamada ao barulho no decorrer deste curioso processo. É que, embora todas as avós tenham (ou tenham tido) uma existência muito concreta, a Avó é daquelas faeries que pululam no imaginário popular, lado a lado com o Pai Natal, o Homem do Saco, a Crise, o Compadre, o Tio António, a Loira da Praia e o Homenzinho Preto — assim sendo, das avós do mundo, ao mesmo tempo uma, todas, e nenhuma — e mais importante ainda, assim se mantendo viva para sempre.




Ingredientes:

200g de farinha, 200g de açúcar, 240ml de leite morno, 120ml de óleo, 3 ovos e 1 colher (de sopa) de fermento em pó.


Preparação:

Simples, muito simples. Juntam-se os ingredientes secos num recipiente. À parte, misturam-se o leite previamente amornado e o óleo. Liga-se a parte líquida à sólida, batendo muito bem — 5 a 7min — para o efeito. Juntam-se as gemas e bate-se durante mais 3 minutos. Por fim, batem-se as claras em castelo (com uma pitada de sal) e envolvem-se no preparado anterior.

Leva-se durante 45—50min ao forno a 180ºC, em forma com chaminé, untada e polvilhada, tendo o cuidado de a não encher a mais de meia altura, dado que este bolo cresce bastante.

sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Kittie — Spit

Ao contrário do habitual, desta vez não meto aqui a capa do álbum. É feia. Fica aí outra foto qualquer das gajas, que ninguém se importa.

O pedacinho de música é do primeiro álbum delas — Spit. Chama-se Paper Doll.


I look at her in that paper dress / I wonder why she won't burn / She's just a paper doll,

reza a letra

(along with other things).

Bem,

quem quiser saber mais sobre a banda, tem o link aqui.


A seguir, vou mostrar-vos outro bolo. É de pessoa fixe, fazer bolos. E vinho.

Bolo de Rum

Fiquei muito contente com este bolo. Os aromas do café fundem-se de tal forma com o chocolate predominante que quase acabam por aparentar terem desaparecido. Em pano de fundo mas por toda a parte, perfeitamente integradas, as notas de rum contribuem com um toque original. Guloso, mas não guloso fácil de muito açúcar — guloso decadente. Adorável, digo eu.




Ingredientes:

360g de farinha, 300g de açúcar, 100g de cacau magro em pó, 150ml de óleo, 150ml de café de balão recém feito... ainda quente, 100ml de água morna, 50ml de rum velho — usei Havana Club «Añejo Reserva», 3 ovos, 1 colher (de sopa) de fermento.


Preparação:

Misturar todos os componentes secos. Noutro recipiente, fazer o mesmo com os líquidos, à excepção dos ovos. Verter o conteúdo do recipiente onde se misturaram os líquidos para dentro daquele onde se juntaram os sólidos; mexer bem. Por fim, juntar os ovos, um a um, batendo entre adições. Levar ao forno a 170ºC durante uma hora, em forma untada e polvilhada. Deixar arrefecer um pouco e cobrir, tendo o cuidado de não despejar a cobertura demasiado quente, para o bolo não abater.

Por falar nisso, quase me esquecia da cobertura. Muito simples, também. Basta misturar, enquanto derretem em lume brando, 130g de chocolate de culinária, 150ml de nata, 3 colheres (de sopa) de manteiga e outra de rum.

A quem fizer este bolinho, os meus votos de que lhe saiba muito bem.

Fiuza — Três Castas '2007

Ribatejano da Fiuza & Bright.

Aroma imediato a frutos silvestres bem maduros e ervas frescas e amargas, com ligeiras sugestões de especiarias e azeitona verde, um pouco plano, sem evolução de relevo durante as duas horas que demorei a despejar a garrafa.

Corpo rubi, escuro, intenso, cheio de fruta generosa, generosamente especiada, fresco q.b. e razoavelmente longo.

Simples, fácil e agradável. Embora me pareça ter-se mantido o estilo das colheitas anteriores, acho que este saiu melhor mais generoso de corpo, mais composto, mais tenso e, acima de tudo, menos ácido, menos herbáceo, mais sumarento. Desta vez, gostei mesmo dele.

Custou 3€.

15

segunda-feira, 20 de Abril de 2009

A Girl

> Dafne e Apolo


«The tree has entered my hands,
/ The sap has ascended my arms, / The tree has grown in my breast — / Downward, / The branches grow out of me, like arms.

Tree you are, / Moss you are, / You are violets with wind above them. / A child so high you are, / And all this is folly to the world.»

— Ezra Pound

quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Filmes (8)




Brigitte Lahaie mostra com invulgar graça que devemos ter muito cuidado com quem deixamos preparar-nos a bebida.

quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Bacalhau Gratinado

Cozi algumas batatinhas com casca, esmurrei-as e reguei-as com azeite. Também em azeite, dourei três cebolas cortadas aos cubos. Depois juntei tudo num tabuleiro, que levei ao forno a 220ºC durante cerca de 40 minutos.




Entretanto, cozi em leite o bacalhau previamente demolhado — não me lembro das quantidades exactas, aliás, nem sequer as medi, mas fica a dica: se o peixe cozer completamente coberto de leite, está tudo bem. Escorri-o para dentro de um tabuleiro de ir ao forno e pus um pouco de maionese por cima de cada posta.

Foi ao forno a 250ºC até ficar dourado.

Desta vez, resolvi arranjar uns espargos para fazer companhia a este prato. Escaldei-os, escorri-os e salteei-os brevemente numa mistura composta por duas colheres (de sopa) de azeite, uma (de sobremesa) de alho em pó e um pouco de sal.

Frango com Molho de Nata, Cardamomo e Pimenta Verde

Cozi 150g de esparguete al' uovo em água a ferver temperada de sal. Escorri e juntei-lhe duas colheres (de sopa) de manteiga. Reservei.

Fervi um pequeno tacho de água com meio dedo de gengibre, onde deitei 100g de cenoura parisiense. Deixei cozer durante cerca de 3 minutos, escorri e reservei.




Cortei 350g de bife de frango em tiras pequenas, que temperei com uma colher (de sopa) de óleo de amendoim e mais meia de óleo de sésamo, uma colher (de chá) de alho em pó, o conteúdo de três cabeças de cardamomo seco e sal (quanto baste).

Cozinhei a carne assim temperada na chapa — previamente aquecida — do grelhador.

Por fim, fiz o molho. Juntei duas colheres (de sopa) de pimenta verde em grão com 200ml de nata e levei ao lume até engrossar. Passei o molho resultante com a varinha mágica, sobretudo para partir de forma grosseira os grãos de pimenta já incorporados no molho.

Empratei como se pode ver na fotografia.

terça-feira, 14 de Abril de 2009

.com '2007

Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Aragonês compõem este «alentejano muito à frente» produzido por Tiago Cabaço.

Cor rubi. Legumes verdes — algum pimento, mas também cebola, aipo e abóbora — encobrem um núcleo de fruto negro maduro, bastante apelativo. Na boca pareceu-me mais encorpado que ligeiro, fresco e redondo, com a fruta a surgir, acima de tudo, sóbria. Talvez de mais. Final razoável.

Este é um vinho sem arestas, equilibrado e bastante saboroso, que parece — muito — um Cabernet chileno. Gostei.

3€.

15

domingo, 12 de Abril de 2009

Soalheiro '2008

Alvarinho sem madeira produzido na Quinta de Soalheiro — para os eventuais interessados, aqui fica o enlace para a página deles.

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Cor citrina. Intenso no nariz e na boca, mostrou notas claras de erva fresca e flor de madressilva, lima e casca de limão, pêssego, alperce e melão. Bem como — naturalmente — uma grande presença tropical, simultaneamente ácida e adocicada, a fazer lembrar ananás, maracujá e outros que tais. Comprido e amplo, fresco de acidez e mineral, tenso e concentrado, é um vinho de atributos «grandes» que aparentam encontrar-se num equilíbrio feliz.

Agora percebo porque tem sido tanto e tão bem falado! Custou 8€ e pouco, o que sugere uma relação qualidade/preço interessante. Penso repeti-lo muitas vezes.

17

sábado, 11 de Abril de 2009

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«Passamos essa noite a cantar e a berrar canções à luz do candeeiro o que é porreiro mas de manhã a garrafa está vazia e eu acordo outra vez em pleno delírio alcoólico, precisamente o mesmo que senti ao acordar naquele quarto de hotel rasca de Frisco antes de fugir para aqui, compreendo agora que me deixei enredar outra vez nesta armadilha e ouço a minha voz que geme «Oh Deus, porque me atormentas?» Mas uma pessoa que nunca tenha sofrido de delirium tremens, nem sequer nos seus estádios mais precoces, não é capaz de entender que não se trata tanto de uma dor física mas sim de uma angústia mental inconcebível aos olhos dos ignorantes que não bebem e acusam os alcoólicos de irresponsabilidade A angústia mental é tão intensa que nos invade a sensação de termos atraiçoado aqueles que nos fizeram nascer, de não sermos dignos dos esforços ou antes das lancinantes dores do parto que a nossa mãe sofreu quando nos pôs neste mundo, de termos atraiçoado todo o trabalho que o nosso pai teve para alimentar-nos, criar-nos, ajudar-nos a crescer e até mesmo, meu Deus, educar-nos para a «vida», e atormenta-nos um remorso tão profundo que nos identificamos com o demónio e Deus parece estar muito longe e ter desistido de dissipar as trevas da nossa estupidez doentia Sentimo-nos doentes no sentido mais profundo do termo, como quem respira sem acreditar no que faz, DOENTES, a nossa alma geme, contemplamos as nossas mãos paralisadas como se elas estivessem em fogo e não pudéssemos mexer-nos para obter alívio, contemplamos o mundo com olhos mortos, há no nosso rosto uma expressão de sofrimento infinito como um anjo com prisão de ventre pousado na sua nuvem O olhar que lançamos ao mundo é na verdade um olhar de canceroso, toldado pelas crostas castanho-acinzentadas que nos cobrem os olhos O aspecto da nossa língua é branco e repugnante, os dentes estão manchados, o nosso cabelo parece ter secado enquanto dormíamos, temos enormes remelas nos cantos dos olhos, manchas gordurosas no nariz e espuma nas comissuras dos lábios: em suma, aquela aparência hedionda e repugnante, bem conhecida de quantos já se cruzaram com um bêbado estendido no passeio das Bowery deste mundo Mas não há réstia de alegria em tudo isto, as pessoas dizem «O tipo está feliz da vida, deixá-lo cozer a bebedeira» E enquanto isso o pobre bêbado está a chorar Está a chorar pela mãe, pelo pai, pelo irmão mais velho, pelo grande amigo, por alguém que o ajude Tenta recompor-se arrastando um sapato para perto do seu pé e nem isso consegue fazer em condições, deixa cair o sapato, ou derruba alguma coisa, faz invariavelmente um gesto que o põe a chorar outra vez O seu desejo é esconder o rosto nas mãos e implorar misericórdia mas sabe que não a vai alcançar Não só porque não a merece mas porque tal coisa nem sequer existe Porque ao erguer os olhos para o céu azul ele nada vê ali senão o espaço vazio a contorcer-se numa careta disforme Ele fita o mundo e este deita-lhe a língua de fora e quando essa máscara cai o mundo põe-se a olhá-lo com uns grandes olhos vermelhos e parados semelhantes aos seus Ele vê que a Terra gira mas esse facto não se reveste de qualquer significado especial Um sussurro inesperado nas suas costas fá-lo arreganhar raivosamente os dentes Ele puxa e repuxa a sua pobre camisa manchada Sente o desejo de esfregar o rosto até fazê-lo desaparecer por completo. As suas peúgas cansadas estão cobertas por uma crosta de lama húmida A barba por fazer arranha-lhe os lábios feridos e provoca-lhe um intenso prurido que as gotas de suor vêm agravar Invade-o uma sensação confusa de «chega, nunca mais, agh» As coisas que ontem eram belas e puras converteram-se de forma irracional e inexplicável num sinistro montão de porcaria Os pêlos que lhe cobrem os dedos assemelham-se aos pêlos hirtos de um cadáver A camisa e as calças colaram-se-lhe ao corpo como se a sua bebedeira fosse durar para sempre O aguilhão do remorso penetra no seu ser como se alguém estivesse a espetá-lo com toda a força As lindas nuvenzinhas brancas do céu ferem-lhe os olhos A única coisa a fazer é virar-se, colar o rosto ao chão e chorar A boca está tão maltratada que ele nem sequer consegue ranger os dentes Não lhe restam sequer forças para puxar os cabelos.»

Jack Kerouac — Big Sur (1962)

sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Quinta do Vale Meão '2006

60% de Touriga Nacional, 20% de Touriga Franca, 10% de Tinta Roriz e 10% de Tinta Barroca. As uvas foram pisadas a pé em lagares de granito e vinificadas em estreme. O vinho resultante estagiou 18 meses em barricas (80% novas, 20% de segundo ano) de carvalho Allier.

Intenso sem se mostrar impositivo, este vinho começou a desdobrar-se em camadas sucessivas de violetas e cerejas maduras, bagas e balsâmicos assim que vertido no copo. Mais ligeiras, porventura fugazes, algumas sugestões herbáceas, fumadas e de ligeiro verniz ajudaram a tornar o conjunto mais interessante. Boca muito fresca, de bom volume e profundidade, com taninos finos e numerosos, já redondos — o que não quer dizer que não vá amaciar ainda um pouco mais. Álcool e madeira bem integrados; mineralidade pronunciada, que de alguma forma me trouxe à ideia água muito fria a correr sobre cascalho — fácil de sentir mas muito difícil de definir... é a vida. Longo e aprazível, este vinho não cansa, dá sempre vontade de beber mais um pouco.

Contudo, trata-se, provavelmente, do Vale Meão mais fraco de sempre. Deixou-me com a ideia de diferir mais do segundo vinho da casa em perfil — este é bem mais imponente — que em qualidade. Custou 60€ — tanto quanto cinco garrafas de Meandro, mais um maço de tabaco e um lanchinho.

17,5

Casillero del Diablo — Cabernet Sauvignon '2007

Continuando o périplo pelas garrafas consumidas nos últimos dias...

... este chileno do Valle del Maipo, monocasta Cabernet Sauvignon estagiado durante 8 meses em barricas de carvalho americano, é um vinho de cor rubi intensa e corpo de volume mediano, fresco, quase sumarento, de álcool discreto e final curto. Tudo nele é muito redondinho, tanto que acaba por parecer mais cheio do que realmente é. Desta estrutura macia se libertam aromas e sabores (bastante intensos) de frutos negros — ameixa e groselha negra — com alguma barrica à mistura. Também, inevitavelmente, algum verde típico da casta, a sugerir ervas — trevo, cebolinho, manjericão — mas sobretudo legumes — pimento e cebola. Juntamente com estas, curiosas sugestões de carne cozida.

Globalmente, achei-o mais frutado e menos oleráceo que o de 2005. Pelo menos para mim, isso é uma coisa boa. Trata-se de um vinho feito para ser fácil e agradável. Não se trata de um grande Cabernet. Não só é um bocado plano como se lhe nota um certo ultra-polimento, uma certa plastificação que não consigo deixar de relacionar com falta de genuinidade. Um pouco à maneira deste. Porém, pessoalmente, acho que cumpre os objectivos que lhe traçaram. Ou seja, não sendo um grande vinho, é um vinho que consegue dar muito prazer. Beba-se já.

Custou 7,50€.

16

quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Herdade do Esporão — Reserva '2005

Resultou da vinificação em separado das castas Aragonês, Trincadeira e Cabernet Sauvignon [40-30-30%]. Estagiou em barricas de carvalho americano durante um ano. Como de costume, aqui fica o enlace para a página do produtor. Bebi há tempos um espécime da colheita de 2001 que me deixou bastante bem impressionado.

Vinho de cor cereja, escura e saturada. Aroma intenso a frutos negros maduros e especiarias, licor de café, tosta de barrica e etanol. No princípio, detectei-lhe alguma acidez volátil que, contudo, rapidamente se dissipou — não a exigindo, deu-me a ideia de poder ganhar qualquer coisa com uma rápida decantação imediatamente antes de servido. Na boca mostrou frutos negros maduros, traços de acidez, especiarias, cacau e café. Corpo gordo, macio, bem estruturado, com bom equilíbrio entre fruta e taninos, estes quase completamente enterrados. Fresco quando bebido a 16/17ºC — a partir daí, os 14,5% de volume alcoólico começaram a sobressair. Final frutado e ligeiramente terroso, mais agradável que persistente. Numa palavra, sólido.

Custou 15€.

16,5

quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Broinhas de Frutos Secos

Ingredientes:

2Kg de batata (peso com casca),
1Kg de açúcar,
1Kg de farinha extra-fina,
450g de miolo de noz,
200g de miolo de pinhão,
75g de passas de uva,
75g de figo seco,
6 ovos,
1 colher (de) chá de fermento «Royal»,
1 colher (de) chá de erva-doce,
1 colher (de) chá de canela,
1 pitada de sal.




Preparação:

Descascar as batatas, cozê-las com sal e passá-las pelo passe-vite. Juntar-lhes o açúcar, os ovos (um a um, mexendo entre cada adição), a fruta cortada miúda e a farinha. Misturar e moldar a gosto. Levar ao forno em tabuleiro polvilhado com farinha; 200ºC durante mais ou menos 20 minutos.

Rendeu aproximadamente 50 unidades.

terça-feira, 7 de Abril de 2009

Morgado de Arraiolos — Reserva '2007

Este veio lá do meio do Alentejo, do Monte das Mouras, não muito longe da vila de Arraiolos... Foi vinificado em lagares a partir de uvas das castas Alicante Bouschet, Syrah e Aragonês. Estagiou em carvalho francês durante oito meses. Cor rubi de concentração média/baixa. Aroma jovem e praticamente plano: frutos do bosque e ameixas negras em bela expressão, juntamente com algum herbáceo, um bocadinho de baunilha... Boca macia, com a fruta a surgir menos doce do que o prometido pelo nariz, acidez saliente e um final curto e cheio de madeira que não me conseguiu agradar.

Custou menos de 3€.

14

segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Quinta do Javali — LBV '2002

Um generoso para terminar — e ainda assim não os consegui pôr todos — mijadas de rato a partir de "amanhã", talvez . . . Mas o que é que se há-de fazer?!

LBV da Quinta do Javali. Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão e Tinta Barroca. Estagiou dois anos em madeira; o resto do tempo em inox — foi engarrafado em Agosto de 2006.

Cor muito escura, característica dos vinhos deste tipo, desta idade. O aroma sugere frutos negros de baixa acidez, passas de uva e ameixa, tostados e chocolate. Tudo pouco doce, tudo um bocado fechado. Boca cheia e pouco ácida, por enquanto ainda a falar em surdina. Álcool bem integrado; taninos que ainda vão amaciar. Nota-se bom, mas precisa de tempo. Foi especialmente agradável a acompanhar. . . broinhas de frutos secos da S~, claro.

10€.

15,5

Quinta da Alorna — Reserva (Touriga Nacional + Cabernet Sauvignon) '2004

Vinho Regional Ribatejano, proveniente da Quinta da Alorna. Diz o produtor: «Reduzimos as produções destas 2 castas, que foram controladas na vinha através da monda em verde dos cachos. As uvas bem maduras permaneceram 2 dias em maceração pelicular para extrair mais aromas. Seguiu-se a fermentação com temperatura controlada a 26ºC. Após a fermentação malo-láctica e o estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês, o lote final foi colado com claras de ovo antes do engarrafamento.» Cor rubi muito escura. Prevalecem no nariz as marcas da Touriga Nacional — aroma forte e complexo, inicialmente cheio de fumo, flores e especiarias. A fruta negra, sólida, só apareceu depois, mas instalou-se para ficar. Boca robusta, cálida, redonda e gulosa. Já o estava a beber há muito quando lhe notei a marca distintiva do Cabernet Sauvignon plantado em climas temperados — leves notas de pimento verde (duh). Todo ele se mostrou opulento e capitoso — e isto pareceu-me estranho num vinho tão encorpado e com apenas 13,5% de álcool — O final não foi excepção.

7,50€.

16

Cartuxa '2003

Bebi este no «Cozinha Vecchia», a acompanhar um belo polvo assado com espigos de couve — os outros são amargos; não gosto. Lote de Trincadeira, Moreto, Alfrocheiro, Aragonês e Castelão. Veio daqui. Cor granada. Bafiento no início, revelou depois fruta madura e em licor. Também notas de café, tabaco e cabedal. E, um pouco por toda a parte, na conta mais que certa, suor animal, esse defeito que já foi qualidade — até se saber ser uma das assinaturas da levedura «selvagem» Brettanomyces, que pode significar falta de higiene na adega e, em excesso — como quase todos os excessos — é bem capaz de tornar o vinho imbebível (incheirável) . . . De qualquer forma, e dada a guerra que lhe têm movido em nome de aromas mais limpos e frutados, já a não via há muito, e que saudades! Voltando à bebida, boca mediana em porte e persistência, dotada de excelente acidez — não só a transmitir boas ideias de frescura como a conseguir sugerir uma muito subtil mas interessante adstringência. Taninoso?, nem pensar. Custou 23€, se não me engano.

16,5

Herdade do Esporão — Touriga Nacional '2004

Já conhecia este vinho, embora nunca aqui tenha falado dele. Já aqui comentei, isso sim, o da colheita de 2005. Como esse, trata-se de um monocasta Touriga Nacional com seis meses de estágio em barrica. Isto, claro está, à data do seu lançamento — e já para aí anda a edição de 2006. O vinho propriamente dito, concentradíssimo — quase explosivo — em novo, tendo mantido o carácter quente e carnudo, é bem capaz de estar mais civilizado. As muitas violetas continuam lá, tal como a fruta madura e as sugestões de madeira tostada e especiarias. Mas, ou a memória me atraiçoa, ou está menos químico, mais frutado, mais doce, menos quente, intenso e pesado. E mais redondo, já quase sem aquela secura vegetal que até meados do ano passado lhe detectava no fim. Começam a despontar notas de cabedal, talvez sinal de que está a envelhecer — mas não lhe notei sinais de declínio. Depois do de 2001, a minha colheita favorita destes Touriga Nacional do Esporão — ainda cheio de força. . . Terá custado 10 ou 15€.

17

Quinta de la Rosa — Reserva '2005

Retaste, este do topo de gama da Quinta de la Rosa. Lote composto por 56% de Touriga Nacional, 10% de Tinto Cão e 34% de uvas provenientes de vinhas velhas, sinónimo de muitas castas misturadas e nem sempre diferenciadas (-áveis). Estagiou durante 16 meses em carvalho Allier. Está na mesma desde a primeira vez que o bebi, talvez um pouco mais macio. Cor rubi, escura e concentrada. Nariz perfumado, mas longe de exuberante — frutos silvestres discretos e flores; também pinho, bastante cedro, tosta e fumo. Boca fresca e equilibrada, comprida e ampla. Sabor muito agradável, com pontinha resinosa. Fundo/fim de boca cheio de excelente madeira, a proporcionar aquela sensação de "amargo bom" que tanto aprecio. Este robusto tinto duriense, indubitavelmente bem feito, não só me pareceu bastante original — não é daqueles acerca dos quais se pode dizer que só podia ser do Douro — como o achei deveras elegante, a aparentar ter tudo para envelhecer muito bem.

30€.

17,5

Quinta de Covela — Colheita Seleccionada '2003 (Branco)

Veio daqui. Dourado profundo no copo, a fazer lembrar a cor de um «late harvest». Começou com cheiros pouco bonitos — bafio, borralha de azeite e levedura de cerveja, para não falar das piores sugestões. Com o tempo, felizmente, boa parte do futum levantou-se. O cheiro lêvedo suavizou-se e surgiram aromas cítricos e de feno verde. Também sugestões (mais ou menos vívidas) de pêssego, alperce e damasco; por entre elas, um par de notas meladas. Por instantes, tudo firme e razoavelmente intenso. Boca gorda, macia, amanteigada — quanto a sabores, na toada do nariz. Acidez discreta. Muito, muito interessante. Infelizmente, aguentou-se pouquíssimo tempo nestas condições! Após o muito necessário arejamento inicial, ainda nem a garrafa ia a meio quando o vinho começou a decair. E de que maneira! No fim do jantar, estava praticamente morto. Comprar brancos (que não foram feitos para envelhecer) com esta idade é sempre prática arriscada. Valerá mais pela curiosidade de certos momentos que proporciona. Porém, na sua página web, o produtor atribui a este vinho um potencial de envelhecimento de 7/8 anos . . . Enfim. A nota não reflecte o que achámos dele no seu pico máximo — 14. Custou 5€.

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2007 (Branco)

Tenho ouvido electro e jogado muito Blogpoly nestes últimos dias — deixem de ser nunus e vão lá ver o que é — Também tenho bebido imenso! Pelo que, tendo reunido mais um conjunto já razoavelmente volumoso de «notas de prova» — alguém vai tentar adivinhar o porquê das aspas? — achei por bem vir aqui descarregá-las. Desta vez, e como se está a tornar perturbadoramente frequente — seguidos, um advérbio de modo e um adjectivo que soa a advérbio de modo, só perdem em disturbabilidade para dois advérbios de modo — havia ali um meio trocadilho — alguém ligou? Claro que não — Tão auto-referente que isto está a ficar! — um dia as postas ainda se misturam e aí quem não nos garante acabarmos todos a saltar, porquinhos through a color hoop . . . — Mas alguém ouviu o clip que pus no post anterior? Que gente fodida: às vezes parece que estamos a tornar-nos umas enfardadeiras de informação . . . queremos muita, cada vez mais, e fácil e rápida de digerir — que quem nos dá o biscoito vá direito ao fulcro da coisa porque não podemos perder tempo: ele escasseia, e há mais informação à espera de ser absorvida — Estou a falhar o fulcro; qual fulcro? — Nós, nós, nós! Qual nós! Estava só a ser cortês: nós, vós! — eu não! — Bem, de qualquer forma (e talvez o fulcro, qual fulcro?), o facto é que, ultimamente,

— Ora foda-se, esqueci-me do que ia escrever. E agora, como não me ocorre nenhuma maneira ao mesmo tempo elegante e divertida de terminar «isto», vou fazê-lo citando o apóstolo Paulo — esse santo homem — na sua Carta aos Efésios: «e não vos embriagueis com vinho, que é uma porta para a devassidão, mas buscai a plenitude do Espírito».

Quanto ao vinho, o primeiro do "pack" é mais um da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Mistura de Arinto, Chardonnay e Antão Vaz, foi fermentado em meias pipas de carvalho americano, nas quais estagiou posteriormente durante quatro meses, com bâtonnage — processo que, como o nome indica, consiste em remexer os sedimentos (leveduras mortas, resíduos de fruta) que se vão acumulando no fundo dos depósitos onde se encontra.

Amarelo clarinho. Aroma simples, suave, essencialmente frutado, mais tropical que cítrico. Discreto. Em demasia, talvez. E assim continuou na prova de boca. De notar ainda alguma (ligeira) untuosidade, acidez reduzida, final curto. Não deixa de ser um branco equilibrado, que não agride, mas daí a ser o «quase vinhorro» que ainda há poucos meses ouvia dizer que era. . .

Custou menos de 3€ — e para o preço, de facto, está muito bem.

15

sábado, 4 de Abril de 2009

Sonido Lasser Drakar — The Electric Mass Begins

Nhaa — Nhaa — Nhaaac — Nhaooc — Ahnaoooch — Coch — Coooch — Chooooch — Cuuooosh — Chuuooochuwawahoogh! — Wheek! — Wheek Wheek Wheek!


This is the story of two young pigs — They were training on a lake — An artificial lake — Or maybe in a pool — They jump inside the pool and they are incited by these girls — Two young girls that look like porn stars — Through a color hoop, the little piggies jump — The girls also use baby bottle milk — How clever pigs — They are not stupid as a dog — It's only for a week — I have to see the show.

Clever / Pig / Jump — Nobody knows / Crazy / Doctor / Computer — Pigs all inside

The act was canceled, someone stole the pigs — The lab is full of rats — The pigs are really scared — Once I met a man — Computer doctor doom — He exchanged the brains of the piggies and the girls — Now the piggies escaped and they are training other pigs — Pig brained girls are dancing on green mud.

Clever / Pig / Jump — Nobody knows / Crazy / Doctor / Computer — Pigs all inside

Then I start the dream I'm at a bar — Computers everywhere — Let me invite you to a drink — I want more morphine — I'm feeling fine — Yes I feel alright — I don't wanna die.

This is the story of two young girls — And they were training on a lake — An artificial lake — Or maybe in a pool — They jump inside the pool and they are incited by these pigs — Two young pigs that look like porn stars — Through a color hoop, the little girls jump — The pigs also use baby bottle milk — How clever girls — They are not stupid as a dog — It's only for a week — I have to see the show.


#5, Two Young, com Danette Newcomb.

Quinta da Garrida — Touriga Nacional: Reserva '2004

Dão DOC, monocasta Touriga Nacional, feito numa quinta que pertence às Caves Aliança, em Vila Nova de Tazem. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês (60%) e russo (40%).

Cor rubi acentuada, quase retinta, com reflexos violáceos. Um pouco fechado de início, mostra ao nariz violetas e muito fruto negro maduro — distinguem-se com facilidade as cerejas, mas há mais — envoltos em notas balsâmicas e químicas, também de fumo e madeira tostada, baunilha e rebuçado. Mais tarde, resinas adocicadas e caramelos de leite. Denso, mas fresco. Na boca revela-se encorpado e muito macio, quase cremoso. Concentrado, mas muito bem dimensionado, sem pesar. Para mais, ainda é quase todo fruta, saborosa, enlaçada apenas com umas ligeiras nuances de tosta e fumo. Mais quente que no nariz, contudo — 14,5% de álcool são 14,5% de álcool... Final longo. Resumindo: é um vinho delicioso, num belíssimo momento para ser bebido.

Custou 10€.

17

quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Alión '1996 e '98

Estes vinhos dão pano para mangas, mas, porque estou de ressaca, não esperem grande merda.

Ora bem, esta marca pertence ao grupo Vega-Sicilia, sobre o qual bem podia tentar escrever qualquer coisa bonita, que são um mito vínico, o maior do país vizinho, que têm cento e cinquenta anos de história, etc., etc., etc.. Em vez disso, deixo aos eventuais interessados os enlaces que se seguem: um, a página oficial deles e dois, o artigo da wikipédia a seu respeito.

Citando o produtor, as ideias que levaram ao nascimento desta marca passaram, desde o início, para lá da simples necessidade de expansão, pela vontade de «crear una bodega que produzca, con viñedos propios, un vino con una filosofía diferente y una identidad independiente a la de Bodegas Vega Sicilia, por lo que se descarta la posibilidad de elaborar el vino en las instalaciones de Vega Sicilia; los Álvarez no desean crear una marca que pueda ser considerada como un segundo vino del nombre mítico.»

Talvez tenha interesse referir ainda que Alión é o nome (antigo) do concejo de León onde nasceu David Álvarez Díaz, o senhor que em 1982 comprou as Bodegas Vega-Sicilia e patriarca da família que ainda hoje define os seus destinos. Mais, aqui.

Enfim, indo direito ao que interessa — a nós, consumidores — Alión é sinónimo de uns tipos que em cada colheita conseguem produzir à volta de 250/300.000 garrafas de excelente tinto, que vendem a um preço bastante democrático — e penso que ainda o seria mais caso o senhor Parker gostasse (um bocadinho) menos dele.

Estes vinhos são feitos à base de Tempranillo — Tinto Fino na zona e Aragonês para nós — proveniente de cepas cujas idades oscilam entre os 15 e os 20 anos e envelhecidos em barricas novas de carvalho francês (das florestas de Nevers) durante 13 meses, passando depois mais uns tempos em garrafa antes de serem postos à venda.


Alión '1996

Houve historieta ao abrir esta garrafa. A rolha estava mole e partiu-se durante a extracção. Por sorte, o resto que ficou preso no gargalo aguentou uma segunda investida do saca-rolhas e o vinho fluiu límpido para dentro do decantador. Dei-lhe ar durante pouco mais de duas horas e servi-o a 16ºC. A cor pareceu-me algures entre o rubi e um granada escuro com reflexos avermelhados. Bonita. Nariz dominado por fruta doce — amoras-pretas e cerejas, suaves e persistentes — desde o primeiro instante. Dela se foram libertando outros aromas: uns como que em repentes, laivos mais ou menos intensos, de curta duração — feno seco, pêlo de coelho, sangue, fermento e massas cruas de pão e bolos — outros mais persistentes, espraiando-se a todo o comprimento do vinho, passando as suas sensações para o palato — caruma de pinheiro, chão de bosque, castanhas e madeiras e, acabando por predominar no tempo, tabaco, café e anis em sugestões várias. Boca extremamente sedosa, de acidez moderada e final longo, levemente terroso. Sobrou um restinho. Guardado no frigorífico, ainda estava vivo no dia seguinte. Muito bom vinho, sem dúvida.

Custou 40€. 18,5


Alión '1998

Passou igualmente duas horitas no decantador antes de ser servido a 16ºC. Cor intensa, a virar granada. Inicialmente ligeiras sugestões lácteas, a iogurte de morango ou coisa que o valha. Eventualmente suplantadas por ameixas e cerejas bem maduras no nariz e quase gulosas na boca, refrescadas por ligeiro balsâmico — resinas. Também notas de tosta de barrica, tabaco e café. Estava, contudo, à espera de um bouquet mais amplo. Sendo um vinho de sabor muito agradável (não me vou repetir), o que mais uma vez impressionou foi a sua estrutura, a sua relação «comprimento - largura - intensidade - peso». Os anglófonos têm uma palavra muito boa para isto — mouthfeel. Tudo muito redondinho e agradável — quanta harmonia... Final apenas razoável, tanto face ao esperado como comparado com o do irmão mais velho que, curiosamente (ou não), era dos dois aquele que parecia mais novo!

Em jeito de aparte, não resisto a referir que, em Dezembro de 2001, o vinho desta colheita — caramba, devo tê-lo bebido pela primeira vez em 2002 ou 2003 e ainda apresentava alguma dureza, traços de rusticidade; foi um ano difícil na zona, é bem sabido... — foi classificado com uns impressionantes 17 valores pelo painel de prova do ElMundoVino. Ora, estes provadores são famosos pelas razias autênticas que às vezes dão no que a notas toca. A título de exemplo, em Junho de 2007, deram 15 ao Redoma, 14 ao Quanta Terra Grande Reserva, 13,5 ao Quinta das Tecedeiras, 13 ao Duas Quintas Reserva — ...aunque el final es todavía un tanto tánico, dizem eles... — e 12,5 ao Meandro do Vale Meão (todos de 2004)! Está bem que muitos defendem a maior importância da nota de prova face ao valor numérico que a acompanha. Concordo: que interessa um número servido simples? Mas o valor numérico, se não pela sua maior visibilidade — está para o texto que acompanha mais ou menos como o título de uma notícia para o corpo da mesma —, pelo menos por uma questão de honestidade, tem de reflectir de modo fiel a apreciação do vinho... Tem de haver coerência: a diferença entre 13 e 17 valores tem de ser abismal! E sobretudo porque não acredito que se trate de chauvinismo — vd. a prova deste conjunto de vinhos italianos — nem de lobismo — por exemplo, deram um pobre 15 ao Vega Sicilia «Único» de '89 —, não consigo deixar de achar isto estranho.

Também custou 40€. 17,5



P.S.

E este é importante: à data de hoje, a página www.bodegasalion.com aparenta estar infectada com o virus HTML/Rce.Gen — o Google Safe Browsing avisou e o meu Avira confirmou. Pouco depois de lá ter entrado, já a página tentava «dar-me» lixo sem pedir licença. Passo — lol a citar:

Virus or unwanted program 'HTML/Rce.Gen [virus]'
detected in file 'C:\Documents and Settings\Meh\Local Settings\Application Data\Mozilla\Firefox\Profiles\vvs0hxrc.default\Cache\9E9F1F57d01.
Action performed: Delete file

Mais pormenores sobre o problema, aqui.

Acerca do Google Safe Browsing, aqui e aqui. Espero que tudo se resolva depressa; não sei que mais dizer — que diabo de forma de terminar.

Panquecas

Ingredientes:

280ml de leite,
160g de farinha,
2 ovos,
3 colheres (de sopa) de manteiga,
1 colher (de sopa) de açúcar,
3 colheres (de chá) de fermento em pó,
1 colher (de chá) de sal.


Preparação:

Juntam-se a farinha, o fermento, o sal e o açúcar. Faz-se um buraco no meio da mistura resultante; colocam-se lá dentro a manteiga derretida, o leite morno e as gemas. Mexe-se bem. À parte, batem-se as claras em castelo, que se envolvem suavemente no preparado anterior.

Pré-aquece-se o grelhador eléctrico a 190ºC e pincela-se a chapa (lisa!) com um pouco de óleo. Nela se cozinha o volume equivalente ao de uma concha, daquelas que se utilizam para servir de sopa, da massa que virá a ser a panqueca. Quando se lhe notarem bastantes bolhas de ar à superfície, vira-se. Se estiverem no ponto certo de cocção, não haverá qualquer problema ao virá-las. Se estiverem pouco cozinhadas, ao colocar a espátula, a massa poderá ameaçar (e cumprir) quebrar. As panquecas estão prontas quando se apresentam douradas de ambos os lados. Desta vez, comemo-las com mel.