domingo, 31 de maio de 2009

Filmes (9)




Gainsbourg ◊ Birkin, uncut. Que esperavam? O tiroteio na fábrica de galinhas? :P

sábado, 30 de maio de 2009

Château Queyron Pindefleurs '2005

Francês de Bordéus, AOC Saint-Émilion Grand Cru. Combinação de Merlot, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon com estágio em barrica (qual?), que resultou num vinho com 12,5% vol.. Aparte o constante do rótulo, não consegui descobrir absolutamente nada sobre ele.

A princípio muito fechado, revelou apenas umas quantas, escassas, notas de fruto vermelho, junto com ligeiras impressões lácteas.

Estava mais expressivo depois de decantado durante duas horas (e servido a 16ºC), embora nada de assoberbante. Morango, groselha e bagas silvestres, óleo de copaíba, um pouco de cabedal, alguma madeira «crua»... e cevada? Sim, talvez cevada cozinhada. Nem sombras de pimento verde ou outras impressões oleráceas. Fresco na boca, muito suave, muito equilibrado, com a fruta em bom plano e taninos finos — elegante, até — não pude deixar de achá-lo agradável, embora lhe faltasse vivacidade e alguma substância.

9€.

15,5

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Terras do Pó — Reserva '2006

Castelão de Fernando Pó, da Casa Ermelinda Freitas. Estagiou durante 12 meses em meias-pipas de carvalho francês e outros 8 em garrafa antes de o terem lançado no mercado. Cor rubi/granada de concentração mediana. Fruto vermelho bem doce, caramelo e melaço, baunilha e algum fumo. Bom volume de boca, com taninos macios. Acidez moderada, mas muito bem colocada, a conseguir trazer ao conjunto um toque vegetal, herbáceo, fresco. Final razoavelmente prolongado, com sugestões de baunilha e passas. Vinho fiel à casta, coeso e muito saboroso, muito agradável de beber. Tanto quanto me pareceu, pouco difere do de 2005.

7,50€.

16

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Casa Cadaval — Vinha Padre Pedro '2007

Ribatejano de Muge (Salvaterra de Magos), produzido pela Casa Cadaval. Aragonês (40%), Trincadeira (40%), Cabernet Sauvignon (15%) e Merlot. Nada dizem acerca do estágio a que terá sido submetido — mas se o teve, foi breve. Marcadamente jovem, sólido na fruta, a evocar bagas e cerejas francamente apetitosas. Sabor de boa intensidade, com acidez refrescante e final curto, mas agradável. Um pouco tânico. É um vinho sem grandes pretensões, indiscutivelmente simples, mas que se nota honesto e bem feito. Agradável com pratos de carne ligeiros e não muito condimentados. Areje-se durante umas horas antes de se servir.

4,50€.

14

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Moura Basto — Azal '2007

Vinho Verde (DOC) da região de Amarante, este é um monocasta Azal das Caves Moura Basto.

Foi medalha de prata na edição de 2008 do Concours Mondial de Bruxelas.

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Cor citrina, muito pálida. Só de olhar para ele, logo lhe notei um pouco de gás, presente sob a forma de bolhas muito finas.

Mostrou-se ao nariz com discrição, revelando frutos tropicais — ananás, banana, maracujá — e ligeiro floral. Apenas.

Boca adocicada, rica em notas meladas, dotada de boa acidez e com final de comprimento satisfatório, mais cítrico, a sugerir lima.

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Hum... razoável, pecou pela doçura excessiva, mas isso não o impediu de acompanhar de forma bastante capaz um prato de peixe-espada grelhado.

2,50€.

14,5

terça-feira, 26 de maio de 2009

Milheiro Selas '2005

Bairrada DOC de António Milheiro Selas (Quinta do Bago — Vacariça — Mealhada). Touriga Nacional, Baga e Syrah com estágio parcial em barricas de carvalho francês. Dele se encheram 3990 garrafas.

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Aroma intenso, limpo e sedutor, combinação muito bem conseguida da robustez da Baga com a expansividade precoce da Touriga Nacional e a suculência gulosa do Syrah. Ameixa, cereja, flores e especiarias várias compõem uma paleta aromática bastante potente, mas que podia ser mais ampla. Boca cheia, tensa, fresca e levemente untuosa que, a meu ver, peca apenas por ligeiro excesso de madeira. Final longo e muito bonito.

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Mais que pronto a beber, parece-me uma excelente aposta para o dia-a-dia. Mas não há-de ser um exercício desinteressante ver que tal se vai portar daqui a dois ou três anos...

6€.

16

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Adega de Pegões — Aragonês '2005

Varietal Aragonês da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões. Estagiou durante 6 meses em pipas de carvalho francês e americano. O nariz mais uma vez se mostrou aquilo a que já vou chamando "sopa de Pegões". Enfim, pouco diferentes entre si — salvo raras excepções — pelo menos dentro da mesma colheita, há alturas em que estes vinhos parecem mais fiéis ao conjunto {solar + processo de elaboração} que às castas em que se baseiam. Mas, se vêm do mesmo sítio e, a acreditar nos contra-rótulos, os respectivos processos de elaboração pouco diferem, deveriam as diferenças impostas pela casta ser sempre dramáticas? Talvez não. Menos floral e porventura mais quente e especiado que o Trincadeira, menos denso e achocolatado que o Syrah do mesmo ano. Ameixa e cassis, ecos de chá, açúcar mascavado e baunilha em conjunto maduro, redondo, macio, de acidez considerável e taninos firmes. Bastante longo, terminou rico em notas especiadas. Diria que está no ponto.

6€.

15,5

domingo, 24 de maio de 2009

Casa de Saima — Reserva '2004

Este vem de Sangalhos. Varietal Baga, estagiou 12 meses em grandes tonéis, quase centenários, de madeira avinhada.

Retinto e muito intenso, com acidez, flores e groselha negra madura em quadro típico da Baga. Névoa balsâmica, bafo alcoólico. Madeira? Cominhos? Alguma austeridade na boca. Encorpada, de acidez pronunciada. No limiar do agressivo. Taninos um pouco secos. Final decente, a deixar certo picor na garganta.

Primeiro, enfrentou com garbo um vigoroso cozido. Depois, não sei se foi a ligação com um par de unidades de Lexotan que finalmente bateu, se o prazer crescente que me foi proporcionando ao longo do jantar explodiu naquele instante, mas o facto é que me ofereceu um maravilhoso momento de apatia extasiada — cabeça a mil à hora... o resto sem ponta de vida, excepto talvez o smile — à medida que me ia embalando, com doçura afundando nos belos acordes que acompanham o clímax (quase) final de Buffalo '66.

Destacadamente gastronómico e com alguns anos em garrafa pela frente, falta-lhe a complexidade de um Bairrada de topo, mas isso não invalida que seja dos melhores vinhos disponíveis na faixa de preços em que se insere. 6€.

16

sábado, 23 de maio de 2009

Kopke — LBV '2003

2003 foi um ano seco e muito, muito quente. De uvas extremamente maduras, mais doces que o habitual. Bom para o vinho do Porto. Foi baseado apenas nesta premissa que há dias me decidi a trazer para casa este Late Bottled Vintage da Kopke.

Ao contrário da maioria dos vinhos da sua categoria que me têm passado pelas mãos, vinha vedado com uma rolha capsulada. O que, junto com a total ausência de depósito no fundo da garrafa, sugere ter sido filtrado.

Cor rubi, sem surpresas. Cheiro? Acessível, mas um tanto brando. Principal e indispensavelmente, a frutos negros. Bagas frescas, figos secos. Passas. Tâmaras. E aguardente. Muita. Sempre. A trazer calidez também à boca, regular em compridez e largura. Algo taninosa e um bocadinho doce.

Está tão longe de ser um mau vinho generoso como de alguma vez poder vir a ser considerado um bom LBV.

Custou à volta de 12€. 15

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Cabeça de Burro (Branco) '2007

Malvasia Fina, Rabigato e Fernão Pires sem passagem por madeira, produto das Caves Vale do Rodo.

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Servido a 8ºC.

Cor esmaecida. Discretamente floral, com apontamentos de banana seca e citrinos verdes no nariz; quase exclusivamente cítrico na boca — lima, muita lima. Corpo fresco e perceptivelmente untuoso, muito suave. Demasiado. Final satisfatório.

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Vinho simpático, mas excessivamente recatado. Continuo sem encontrar um duriense branco de menos de 5€ que me encha as medidas.

4,50€.

14,5

Convento da Tomina '2005

Alentejano elaborado com base nas castas Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira e Alfrocheiro. Intenso, muito aromático logo ao primeiro impacto. Ameixa muito madura, compotas de figo e uva. Também certo travozinho ácido, a fazer lembrar nectarina. Adocicado na boca, cheio de fruta, mas também adstringente e muito alcoólico. Final razoavelmente longo, quente e especiado. Já gostei mais destes vinhos madurões, cheios de tudo excepto finura... Mas, para terceira marca do produtor — Francisco Nunes Garcia — não se pode dizer que esteja mal. Não o beberia a mais de 16ºC e vai melhor na companhia de comida condimentada.

7,50€.

14,5

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Pictures of a Gone World, #8

It was a face which darkness could kill

in an instant
a face as easily hurt
by laughter or light

"We think differently at night"
she told me once
lying back languidly

And she would quote Cocteau
"I feel there is an angel in me" she'd say
"whom I am constantly shocking"

Then she would smile and look away
light a cigarette for me
sigh and rise

and stretch
her sweet anatomy

let fall a stocking



Lawrence Ferlinghetti,
Pictures of a Gone World,
1955

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Aveleda Fonte '2008

Abatido juntamente com o anterior. Também se trata de um DOC da Região dos Vinhos Verdes, tendo sido produzido pela Quinta da Aveleda. Trajadura, Loureiro, Arinto e Azal em branco muito jovem, de perfil simples, feito para ser fácil de beber (e bebido em grandes quantidades, presumo). Banana seca temperada por sugestões de lima, limonete, bolbo de jacinto... e — talvez — resquícios de levedura de cerveja. Boca suave, fresca, sem grande volume, com alguma doçura e ligeira agulha. Muito curta. Não sendo objectivamente mau, não pensaria em voltar a comprá-lo para mim. Mas a S. é fã...

3,50€.

14

terça-feira, 19 de maio de 2009

Bolo de Laranja, Ensopado

Este post é sobre um bolo. Como se faz, não como, e muito menos porque se come. Ainda assim, ocorreu-me que podia tentar arriscar umas linhas "livres" — será isto um eufemismo para pretensamente poético? — em jeito de nota introdutória. Mas não. Pelo menos desta vez, vou poupar-vos a tretas. Afinal, a cigar is just a cigar. Às vezes, dizem.


Ingredientes


Bolo: 4 gemas, 5 claras, 180g de açúcar, 130g de farinha, 120g de margarina, 1 colher (de sopa) de fermento, raspa de 3 laranjas.

Calda: 2 dl de água, 120g de açúcar, sumo de 3 laranjas, 2 colheres (de sopa) de triple sec.




Preparação

Bolo: Antes de tudo o mais, aromatiza-se o açúcar com as raspas de laranja. Para isso, tritura-se juntamente com as ditas em alguma forma de processador ou robot de cozinha durante cerca de 2 minutos. Este açúcar junta-se depois, num recipiente à parte, às gemas e à margarina. Bate-se bem a mistura resultante, adicionam-se-lhe a farinha e o fermento e bate-se novamente. Por fim, batem-se as claras em castelo e envolvem-se cuidadosamente no preparado anterior, que vai ao forno a 170ºC, em forma untada e polvilhada, durante mais ou menos meia hora. Retira-se do forno, mas não se desenforma.

Calda: Mistura-se a água com o açúcar e leva-se ao lume durante 5 minutos. Junta-se o sumo de laranja e o triple sec. Verte-se a calda sobre o bolo, que se desenforma apenas passado 8 — 10 horas.

Fica óptimo, especialmente se servido frio.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sá de Baixo '2007

Douro DOC oriundo do Baixo Corgo, da Quinta Sá de Baixo, pertencente à Dão Sul.

Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca. Paleta aromática simples, mas francamente agradável, com os cheiros a surgirem limpos, sugestivos e muito bem diferenciados: no topo, excelente cereja, depois impressões de acidez (azeitona verde), sensações herbáceas (mato seco), resinosas e mentoladas, ligeiro abaunilhado e, no fundo, delicada tosta de barrica. Na boca, encontrei-o fresco e saboroso, com corpo mediano e acidez e taninos a necessitarem de tempo (não muito, de qualquer forma). Final engraçado, mas bem menos exuberante que o ataque. Seja como for, gostei mesmo dele. A repetir!

4€.

15,5

domingo, 17 de maio de 2009

Vinha do Infante '2006

Este «provém de uvas seleccionadas em duas vinhas, Serra Douro e Castelos, na famosa região de Gontelho, um terroir único. Vinificado em lagar e cuba, estagiou em cuba inox e barrica de carvalho.» Encheram-se 9950 garrafas; coube-me a nº 2003.

O produtor ainda não tem página web, mas mantém um blog engraçado.

Vinho fácil, redondo e sumarento, de corpo bastante ligeiro, acidez vivaz e final mediano. Saboroso, com fruto negro no ponto ideal de maturação, baunilha e (com o tempo no copo) notas lácteas e açucaradas. Álcool um bocadinho desenquadrado, apesar de só ter 13% vol..

É daqueles vinhos ideais para empurrar os rissóis, croquetes, perninhas e panados de um piquenique.

3,50€.

14,5

Chicane — Behind the Sun

#3, No Ordinary Morning

If there was nothing that I could say / Turned your back and you just walked away / Leaves me numb inside, I think of you / Together is all I knew

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sábado, 16 de maio de 2009

Adega Cooperativa de Mealhada — Escolha dos Sócios '2001

— It is a little, shy wine, like a gazelle.
— Like a leprechaun.
— Dappled, in a tapestry meadow.
— Like a flute by still water.
— And this is a wise old wine.
— A prophet in a cave.
— And this is a necklace of pearls on a white neck.
— Like a swan.
— Like a unicorn.

Evelyn Waugh — Brideshead Revisited

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Bairradino produzido pela Adega Cooperativa de Mealhada. Nada consegui apurar quanto às castas que o compõem ou ao estágio a que terá sido submetido.

Cor granada e a acastanhar. Nariz muito especiado e doce, repleto de aromas terciários — ginja em licor e xarope de cenoura, muito caramelo, abóbora cristalizada, anis, canela, erva-doce, cravinho, citronela... Corpo redondo, cheio, macio, com boa presença. Acidez regrada. Um pouco curto, infelizmente.

Bom vinho, bem evoluído. Estará, contudo, no limiar da curva descendente.

7€.

15

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Calheiros Cruz '2005

Douro DOC. Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Franca. Quanto ao estágio a que o submeteram, se o contra-rótulo diz madeira nova de carvalho francês, a ficha técnica fala em cuba de inox. Pessoalmente, apostaria na primeira — os indícios estão lá. O produtor tem página web. Assim que aberto, predominância de notas frutadas — ameixa, amora e cereja — entremeadas com salpicos de mato e sangue. Fundo (bastante) puxado às madeiras, queira isto dizer resina ou tosta/torra/fumo. Tendendo para a magreza, mostrou-se contudo firme, com boa densidade gustativa. Alguma calidez alcoólica. Olhando-o de longe, um tanto unidimensional; curto também.

6€.

14

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Monte da Ravasqueira '2007

Alentejano de Arraiolos, vinificado a partir das castas Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonez, Trincadeira, Touriga Franca e Petit Verdot. A ficha técnica diz que «cerca de 80% do lote estagiou durante 8 meses em barricas de Carvalho Francês».

Cor quase retinta. Aroma jovem, inicialmente muito fechado, muito voltado para a madeira e cheiinho de notas de cacau que, a meu ver, lhe trouxeram uma acridez... pouco cativante. Melhor na boca — apesar de concordante com os aromas, o facto de ser gorda e macia, com bom final, sempre ajudou a perdoar a relativa aridez de fruto doce. Deixei mais de metade para o dia seguinte e o facto é que o nariz se mostrou francamente melhor. Mais nítidas, mais sumarentas, ameixa negra e groselha. Mas se a vertente aromática ganhou com o arejamento, a boca perdeu. Encontrei-a mais delgada, menos cremosa, menos interessante. Posto isto, tem de ficar a nota: aposto que este vinho vai envelhecer bem. Talvez daqui a 3/5 anos... quem sabe...

Curiosamente, e não é a primeira vez que isto me acontece, achei o de 2006 bem mais agradável. Curiosamente, digo, porque 2006 foi um ano de fracas colheitas e 2007, dizem, muito bom. Talvez, até, o melhor da década... (a respeito disto, recomendaria este excelente artigo de Rui Falcão.)

Enfim, mais um a repetir no futuro, nem que seja para tirar as teimas.

Custou quase 6€.

15 — para já.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Poças — Escolha '2000

Vinho proveniente de uma casa mais conhecida pelos seus vinhos do Porto — a Manoel D. Poças Júnior (Vinhos). Consiste num lote de Tourigas Nacional e Francesa, Tinta Roriz e Tinta Barroca com passagem por madeira. Pouco mais consegui averiguar sobre ele. O produtor possui uma página web exemplar, mas que já não o menciona — sem surpresa: passaram nove anos desde a data de colheita. Para mais, aparenta tratar-se de um rótulo esquecido, já que o Google apenas retorna duas páginas que o evocam e nenhuma fala realmente dele.

De cor rubi, este vinho de corpo mediano, fino e extremamente macio, abre-se lentamente para revelar um conjunto amplo e muito bonito, inequivocamente maduro, ms ainda repleto de notas de juventude. A par da ginja madura, ainda fresca, que predomina, abundam as sensações de fruta transformada, surjam elas sob a forma de abóbora e gengibre cristalizados ou de xarope de cenoura e banana seca «apimentada», a fazer lembrar Pisang Ambon. Ainda notas de conhaque e especiarias, com laivos de anis e pinhões verdes, tudo sobre um persistente fundo onde ainda se mantêm, firmes, as notas de fumo e tosta de madeira.

Este tinto duriense com apenas 13% de volume alcoólico tem nove anos, está num belo momento... e promete durar!

Custou 15€.

18

terça-feira, 12 de maio de 2009

Onion Dip

200g de queijo mozzarella ralado,
100g de queijo-creme,
4 colheres (de sopa) bem cheias de maionese,
2 cebolas grandes, finamente picadas,
½ pimento vermelho sem grainhas,
½ colher (de sopa) de pimenta preta, moída,
1 ½ colher (de chá) de sal fino.




Misturar muito bem os queijos com a maionese. Juntar a cebola, o pimento, a pimenta e o sal. Mexer até se notarem os ingredientes uniformemente distribuídos.

Levar ao forno a 210ºC num pyrex destapado até adquirir uma tonalidade dourada (o nosso demorou cerca de 30 minutos).

Vai bem com tostas ou fatias finas de pão torrado.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Amo-te — Reserva '2005

Produzido na Quinta de Catralvos, Azeitão, este vinho nada tem a ver com o outro «Amo-te», recentemente provado. Ficha técnica, aqui. Fruto vermelho pouco concentrado e de doçura discreta, envolto em levíssimo floral, sobre fundo amadeirado, com sugestões de tosta e café. Boca macia, mas sem grande estrutura, a amargar um pouco no final. Terá sido melhor em novo.

5€.

13,5

domingo, 10 de maio de 2009

Coisinhas de Hoje :)

19h22 — Acordei às sete e meia da manhã.

19h30 — Hoje fumei 16 pauzinhos do cancro. Ao tempo!

20h00 — Pela primeira vez em cinco anos, passei um dia a brincar ao xadrez com tabuleiros e peças de verdade. [Click for more.] Madeira e plástico, DGT e sucedâneos, olaré. Joguei que foi uma merda, suckei q'nem um aspirador e cheguei a casa todo fodido, mas não consigo deixar de me sentir satisfeito.

20h10 — Os putinhos devotos a Caissa têm um mau perder do caralho. Abardamerda. Já os grandinhos tendem a ser porreiros. Serão como bons vinhos, de taninos duros que apenas precisam de tempo para amadurecer antes de poderem revelar as suas mais embevecedoras delícias? Mas quem vê caras não vê corações.

20h11 — Os do Barreiro ainda são piores. A sério, nunca percebi porque é que um branco há-de querer ser preto. Excepto o Eminem, talvez.

20h15 — Do Barreiro... da margem sul... os pais dos putos do Barreiro... da margem sul... a gente do Barreiro... da margem sul... os prédios as ruas os bairros as estações... as gajas as lojas as paisagens os campos de basket os centros recreativos as covas as mães as pegas os corvos as cadelas cabras vacas mulas cabritas mulatas veados e bezerros...

20h21 — Enfim, tudo na margem sul... a terra... a terra da margem sul... a margem sul... Oh, a margem sul. Quando Mário Lino disse que aquela merda era um deserto, todos lhe saltaram acima. Pois o homem não só estava a ser sincero, como também verdadeiro e muito fino. «Vocês não existem» — últimas palavras de certa princesa antiga aos algozes enviados para a assassinar.

21h00 — [Após visitar este e este.] Os blogues de/com vinho em português até podem andar chatos, mas os fóruns morreram. Cheiram a queijo. E pior, estão infestados de zombies. A ver se os filhos da puta não arranjam maneira de atravessar o rio, ou está tudo fodido.

21h15 — Com reparos destes, é natural que a tendência seja para cada vez menos gente levar este espaço a sério. Mas... estarei eu a tentar vender alguma coisa? Ou a mim próprio?

21h17 — Histórias a preto e branco — ou não, quero lá saber que começam com putas polacas de dezasseis anos. Na igreja, o padre é baixinho, barrigudo e grisalho. Esconde barris de vinho na sacristia, onde mexicanos e chineses ilegais torturam os putos que andaram por aí a colar os cartazes da Queima e pseudarritos de barbicha encaracolada, daqueles que votam no Bloco de Esquerda... espetam-lhes pregos no escroto. Lá em cima a maior puta festa, grande a valer Schopenhauer com os cornos cheios de coca tenta impingir caramelos furados a Humbaba renascido... Estão lá todos, todos mesmo, todos os que importam... o Cristo Negro, Manuel Luís Goucha e os Lords of Acid, a Dária e Justina-a-Puta, o próprio Mahoma e Mr. Nice. E o Elvis! Dry martini na mão, cheio de vontade de mijar, pergunta o caminho para o WC e ninguém lhe liga. Num quarto iluminado de branco e rosa claro, cama de dossel, o Super Mário fornica a Crise naquele seu jeitinho pequenino e eléctrico, enquanto no chão, enrolados numa poça de merda e whisky, Kirby e o Bonga se entregam a actos muito pouco consentâneos com a moral e os bons costumes. Oh sim, a maior puta de orgia possível e imaginável! Activistas do Klan, piratas maus, estrelas do rock e todos os dentistas do mundo... E Hitler! Um magnânimo Hitler vivo, jovem e belo, transbordante de saúde e sucesso, a partilhar a cabina do DJ com aquela moça Kika Lewis! Num mar de fogo e sémen, alimentado a corpos humanos...

Em glória, eu nas alturas, assisto a tudo enquanto como Doritos e cago no túmulo de Pedro e me babo com a confusão de tetas e gaitas e sangue, cinza, merda e o diabo a quatro. Ah, catano, que tesão!

23h35 — Foi só uma sestinha, afinal.

:\

Aliás, que puta dor de cabeça, caralho.

Velharias (10)

De 18/9/2005. Oh, o sentimento!





Antes de tudo o mais, bebé, fomos a Salamanca, sim. Também é verdade que fotografaste nuvens ao acaso no regresso. E que dormiste uns bons 70Km de cabecinha encostada no meu ombro.






E ambos gostámos muito. E o resto não interessa.




Aliás, que interessam as nossas vidinhas?

Muito, pine-se.

Vou contar-vos um episódio bacoco que presenciámos por aí há uns dias só porque sim. Aconteceu aqui perto, à entrada de um supermercado. Tínhamos ido às compras, estávamos já a entrar no carro. Passa uma mãe com o respectivo puto, falam em voz alta. Ela diz-lhe: "Não mexes em nada, ouviste? Em nada!" Responde o puto: "Nem no lixo?" Aí ela irrita-se... Ainda ouvimos que "nem no lixo nem em nada!" entretanto fomos embora.

Agora imaginem este diálogo em espanhol.




Que interessam as nossas vidinhas? A alguns dos meus queridos e bem-amados leitores, muito. E eu não tenho nada contra os solitários vazios que vivem as vidas dos outros, pelo que vos alimento a curiosidade. O pinscher vê-me comer. Ladra e saliva. E eu vou comendo mais devagar, sempre de olhos postos nele. Assim o castigo sem me comprometer.




Pois bem, eu e a minha adorada esposa somos um casal já velho, o que nos leva à seguinte equação:

rotina . trivialidades ... quase tédio
quase tédio . almas fogosas — foda,

às vezes no mau, muitas vezes no bom sentido da palavra.

Eis pois a conclusão a que vos quero levar sem me dar ao trabalho de articular o discurso.

*

Puto, pita, lês-me? Eu e ela somos como os teus pais a discutir.

É porque pisei o chão lavado de fresco.
É porque ela me encheu a cabeça por ter pisado o chão lavado de fresco.
É porque não abri a janela da cozinha antes de fumar lá dentro.
É porque ela...

Etc.

*

Entretanto, passamos grandes bocados a trocar miminhos, deitados diante do televisor, barritas de chocolate sempre à mão. Não fazer nada é uma arte, blá blá blá.

Enfim, miminhos na cama. Depois, banho. Ela primeiro. A minha bebé toma muitos banhos por dia, o que me faz parecer porco, às vezes. Também não compreende lá muito bem que, para um homem, limpeza não tem precisamente o mesmo significado que para uma mulher.

Antes do meu banho, larguei na retrete três belas postas. Três belos cilindros de 15 por 4. Centímetros. Senti uma vibração anormal quando puxei o autoclismo. Ia entupindo tudo. Lá nas profundas, as ratazanas até devem ter batido palmas. Coincidência, magia (vem aí uma Lua poderosa, dizem) ou consequência necessária de uma dieta à base de carne e chocolates?

Depois do banhinho, sou um homem novo. Até cheiro a Bvlgari. Fomos às compras. Podia comentar que levámos a p... a meretriz da cadela connosco e que ela não parou de ladrar; até já o tinha escrito, mas depois achei melhor riscar essa linha para não ferir susceptibilidades. É que devemos respeitar todas as formas de vida e isso não se resume a não matar.

A propósito de não matar os bichinhos que Deus coloca nas nossas vidas, há tempos comprámos um insecticida a que a mãe da Sara chama reikiano. Pufffffft, espalha-se, e as moscas até caem, só que ressuscitam passado um bocado. Aprovado por Buda, aposto, e o único que não enche a minha menina de dores de cabeça. A marca? Copa de Plata, amarelo.

*

Ok. Já defequei, já tomei banho, já fui às compras, já vim trazer a cachorra de volta a casa. Fiquei com a Sara e fomos passear.




O que começa como uma volta à caça de fotos






Talvez seja do que representa este mês, toda esta altura, quando olhamos para o passado. Talvez seja do tempo




Talvez por anoitecer tão cedo por entre aqueles montes




de caminhos vazios




aldeias semidesertas onde só se vêem velhos




Juntos e sós, assim acabamos. "Descreve aquilo que ontem sentiste numa só palavra, consegues?", pergunto-lhe. E ela diz: "Solidão".

"Quando lá passo, sinto
que tudo é para nada."




O vazio da vida,
Uma tristeza que pode passar,

(eventualmente) passa...




"Mas o vazio fica dentro de mim..."




Céu, montes, árvores, pedras.
Uma lua espectacular.

negro — cinzento — azul

prata — cinzento — negro

negro — azul — negro,

Um pesadelo burtoniano.




Jorge, olha para o que escreves.

O tom etéreo? O único possível.




Não quero escrever mais sobre isto.
Fica sempre tudo por dizer,
e nós não merecemos.




Deprimidos, sim, também, mas não só. Ainda na mesma noite, andámos a rondar bares de putas. Ficaram os instantâneos de homenzinhos que nos olhavam de viés, de dentro dos carros, não fosse algum de nós calhar ser uma esposa desconfiada. Cómico.

Agora comemos chocolate. Enquanto escrevi isto, ela tratou das fotos. Ouvimos umas musiquinhas antigas de ir ao pipi. Sinatra. Marilyn Monroe. Leonard Cohen. Tentei convencê-la a dar uma oportunidade aos Moody Blues. Não quis.

Acho que por hoje é tudo.

sábado, 9 de maio de 2009

Tapada de Coelheiros '2005

A história do cultivo da vinha no Alentejo é curiosa. Sabe-se que já acontecia no tempo da ocupação Romana e apesar de uma data de retracções e expansões alternadas, o facto é que acabou por florescer com o passar dos anos. De tal forma que era a grande cultura da região no princípio do século XIX. Mas uma sucessão de pragas e, mais tarde, os sonhos de auto-suficiência do Estado Novo — que culminaram na chamada «Campanha do Trigo» — de novo a remeteram para segundo plano. Para sobreviver, surgiram soluções engenhosas: primeiro, a associação do cultivo da vinha ao de outras espécies — sobretudo oliveiras — trazia aos agricultores maior segurança no que ao retorno dos investimentos tocava. Depois, bem mais tarde, já na década de 1950, surgiram as primeiras Adegas Cooperativas. Entretanto, cai o Estado Novo e abrem-se as portas às importações. Num mercado mais livre, incapazes de concorrer com os preços do cereal vindo do exterior, os triticultores alentejanos — cujas produções razoáveis se deviam mais às grandes áreas cultivadas que ao rendimento das mesmas — viram-se forçados a nova reconversão. E novamente apoiados pelo Estado — dinheiro e água, essas coisas tão necessárias à vida — voltaram em força à vinha e ao vinho. Ainda bem.

Inserido nesta realidade, o percurso da Herdade dos Coelheiros, à primeira vista, pouco ou nada tem de excepcional. Lá se exploravam trigo e nogueiras quando Joaquim Silveira a comprou em 1981. Os primeiros vinhedos foram plantados em 1987 e só em 1992 se construiu uma adega com cave na propriedade. E sabendo como hoje em dia são encarados tanto os seus vinhos como a própria propriedade, surge, inevitável, a pergunta: como conseguiram eles tornar-se clássicos em tão pouco tempo?

Passando adiante, este Tapada de Coelheiros tinto é, claramente, a marca porta-estandarte do produtor. Pessoalmente, embora não tenha provado (ainda) todas as suas edições, posso dizer sem faltar à verdade que gosto muito. O de 2004, aliás, tem sido presença habitual na minha mesa.

Ora bem, não foi há muito que comprei os primeiros exemplares da colheita de 2005. Vinho este que, mistura de Cabernet Sauvignon (40%), Trincadeira (30%) e Aragonês, fermentou em cubas de inox a 28ºC e foi estagiado durante um ano em barricas de carvalho Allier — 30% das quais, novas.

Podia escrever bem mais sobre ele, mas começo a cansar-me. Para ser breve, trata-se de um pequeno monstro de cor e corpo, com muita fruta silvestre (sobretudo framboesas), muita madeira, muita acidez (a evocar laranja amarga?) e uma espinha dorsal — algo rugosa, há que dizê-lo — capaz de suportar tudo isto na perfeição e a prometer continuar a fazê-lo com brio durante pelo menos mais uma dezena de anos.

Encontrei-o um pouco mais assisado após ter passado a noite no frigorífico, apenas com a rolha enfiada até metade do gargalo da garrafa. Mais ordenado, mas também mais aberto, com fruta mais expressiva, mais cacau, menos amargor cítrico — mas também ligeiras notas de oxidação. Hmm, poria a mão no fogo em como ele precisa é de um par de anitos para reduzir...

Para terminar, e correndo o risco de me estar a repetir, numa palavra, este vinho é intenso. Comparando-o com o da colheita anterior, penso ter-se mantido no mesmo registo, mas — pelo menos para já — está menos cristalino na fruta, mais amadeirado e, acima de tudo, ainda mais indecoroso. Metaforizando, está para o de 2004 como Nicole Richie para Paris Hilton — será que me faço entender?

Custou 20€.

16

Adega de Pegões — Syrah '2007

Tenho bebido com frequência o de 2006 — gosto muito. Comprei há dias um espécime da colheita de 2007 e, imaginando-o à semelhança do do ano anterior, fresco e frutado, guloso e pouco pesado, resolvi emparelhá-lo com o prato do post anterior — convém não esquecer que o vinho recomendado pelo pessoal da York House para acompanhar o seu hambúrguer é um palhete...

Tentarei ser sucinto. Pegando no da colheita anterior como termo de comparação — coisas que importam, coisas que dão jeito — posso dizer que, como o de 2006, é um Syrah de cor rubi carregada, nariz mediano em intensidade mas de boa profundidade, repleto de sugestões de frutos silvestres, azeitona verde, ervas frescas, mentol, resinas balsâmicas e especiarias, chocolate, madeira e fumo, tudo misturado numa espécie de «sopa» aromática complexa e que pessoalmente acho bastante agradável — aliás, em tudo seguindo um perfil que já me vai parecendo típico da casa. Bastante macio, a quase conseguir encher a boca sem pesar, razoavelmente persistente e, acima de tudo, muito fresco. De resto, pareceu-me muito jovem, consideravelmente mais herbáceo e vinoso no nariz e um bocadinho menos guloso na boca que o da colheita transacta.

Mas continua a valer bem o que custa... 15

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Quinta do Côro — Syrah + Touriga Nacional '2005

Vinho Regional Ribatejano produzido na Quinta do Côro — Sardoal. Estagiou durante 9 meses em barricas de carvalho francês (60%) e americano. Muito fruto silvestre bem maduro e em compota, junto com sensações de fumo e especiarias. Intenso e encorpado, maduro e razoavelmente integrado. Pena o relativo excesso de madeira, a acidez um bocadinho acima do pedido pelo contexto, alguma aspereza de taninos e ser pouco persistente. Desta quinta, até à data, foi o que melhor me impressionou — mas mesmo assim...

6€.

14,5

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Hambúrguer . . . a partir da receita do chefe Nuno Diniz (York House)

Este prato foi feito a partir da receita do hambúrguer gourmet da York House, originalmente colocada pelo autor aqui.


Na elaboração do hambúrguer propriamente dito e do molho que o acompanha, seguiu-se fielmente a receita. Já o empratamento escolhido foi diferente — por um lado, para simplificar as coisas; por outro, para ficar mais ao nosso gosto. As batatas fritas — e há que reconhecê-lo: ficam realmente boas quando preparadas segundo este método — foram dispensadas e em vez de bagel optou-se por pão de hambúrguer caseiro. O ovo manteve-se, gema aromatizada com um bocadinho de pimenta rosa, mas preferi colocá-lo sobre uma cama de rúcula ao natural.


Ficaram assim... o da S., no pão...




... e um dos meus, no prato




Com a devida vénia, aí fica a receita, junto com algumas observações que nos pareceram de eventual utilidade, estas colocadas entre parêntesis.


Hamburger:

130g de vazia, 50g de alcatra e 10g de toucinho fresco. [Pedimos para nos picarem a carne no talho; o toucinho é importante: torna o hambúrguer bem mais macio.]
Sal e pimenta.

Saltear em muito pouca manteiga com 1 ramo de tomilho e um alho.


Molho:

1 chalota muito bem picada, suada em manteiga durante 10 minutos.
Juntar um alho esmagado com casca.
Juntar uma pitada de orégãos.
Juntar pimenta rosa partida.
Juntar 1 colher de sopa de molho de pimento.
Juntar sumo de meio limão.
Juntar 1 colher de sopa de natas e um pouco de salsa muito bem picada.
Ligar com manteiga fria e rectificar os temperos.
Retirar o alho e a casca.

[Como gostamos muito, resolvemos fazer mais — duplicou-se a receita.]


Molho de pimento:

Hidratar 2 ameixas secas num cálice de Porto LBV [usou-se um Kopke de 2003] e numa colher de chá de vinagre de vinho tinto.
Suar em azeite um pimento vermelho previamente pelado e sem sementes.
Juntar as ameixas e o seu líquido, o sumo e raspa de meio limão, meio talo de aipo picado e caldo de frango.
Cozer em lume muito brando durante 1 hora.
Temperar com sal, pimenta e desfazer tudo no mixer.
Filtrar e reservar no frio.

[Este molho é um puto sonho.]


Batatas:

Cortar em rectângulos de 2x7cm.
Cozer em água com sal, a 90ºC, durante 50 minutos.
Retirar e deixar arrefecer completamente.
Fritar a 125ºC durante 30 minutos.
Retirar e arrefecer completamente.
Fritar a 185º.
Temperar com flor de sal.

[Como já foi dito, desta vez não se fizeram.]


Acabamento:

Colocar, por ordem, alface, meio bagel, o hamburger, uma rodela de tomate temperado de sal, o molho e um ovo estrelado aparado.
Colocar 3 batatas ao lado.

[Aqui sim, há diferenças significativas. Como não gosto de trincar uma coisa e sentir logo muitos sabores misturados, sempre preferi comer «por pecinhas». . . um bocadinho de carne, um de batata. . . um bocadinho de tomate, outro bocadinho de carne, outro de batata. . . o meu foi servido no prato. Já a S. prefere comê-los num registo mais, sei lá, tradicional? — as fotos falam por si. A salada — tomate, alface, cenoura e rúcula — foi temperada apenas com um bocadinho de sumo de limão e flor de sal.]

[Note-se que esta receita, molho incluído, rende um único hambúrguer. Querendo mais (eu como sempre dois, por exemplo), há que efectuar os ajustes necessários.]


Quanto aos pães de hambúrguer, também eles excelentes...

Deitaram-se na cuba da máquina de fazer pão, por esta ordem, uma gema misturada com leite a 40ºC até se perfazerem 120ml, meia colher (de chá) de sal, 1 colher (de sopa) de açúcar, 10g de fermento de padeiro (fresco), 1 colher (de sopa) de manteiga e 210g de farinha de trigo.

Deixou-se a máquina amassar durante cerca de meia hora. Depois levedou durante 45 minutos, ainda dentro da máquina. Com a massa resultante moldaram-se bolinhas, que se pincelaram com leite e polvilharam com sementes de sésamo antes se colocarem num tabuleiro untado com óleo de girassol — descobrimos que os pães ficam mais estaladiços e de sabor um pouco menos abafado do que os cozidos em tabuleiro untado com óleo de amendoim — onde repousaram (dentro do forno desligado) durante 5 minutos. Por fim cozeram-se a 190ºC. Primeiro, 10/15 minutos com ambas as resistências ligadas. Depois, mais 5 minutos, só com a de cima. Estes ingredientes renderam 4 pãezinhos.

A acompanhar, bebeu-se o vinho do post seguinte.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Arrobeiros — Reserva '2005

Douro DOC da Quinta da Fonte Nova. Mescla de Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Touriga Franca com passagem de um ano por madeira. Aromas a esteva e frutos vermelhos e negros; barrica presente, mas suave. Corpo mediano em volume e intensidade, saboroso e razoavelmente equilibrado. Muito fresco; alguns taninos rebeldes. Bonitas, as sensações de fluidez que conseguiu transmitir. Ainda mais, a mineralidade que o percorria de lés a lés. Final curto. Rústico? Talvez. Fino à sua maneira!

Custou menos de 3€.

15

terça-feira, 5 de maio de 2009

Touriz '1999

Touriz — Touriga + Roriz — a palavra-blend está na moda. O nome define o produto — lote de Tourigas — Nacional e Francesa — e Tinta Roriz. Da Estremadura, produzido pela Casa Santos Lima.

Cor granada e nariz bastante intenso, repleto de sinais de evolução. Bouquet razoavelmente amplo, dominado por aromas a amoras e ameixas muito maduras, à mistura com sugestões compotadas e de passas, tabaco, fumo de mato seco e azinho, licor de café e anis. Infelizmente, também algumas sugestões (ainda bem que suaves) da presença de etanotiol e escatol — o primeiro a trazer notas de gás combustível, alcatrão e couves pouco frescas; o segundo... Na boca encontrei-o morno, um pouco chocho, e muito taninoso. Mas também de sabor agradável e persistente, a fruta amadeirada, com café e fumo no final.

Resumindo: este vinho — muito mais interessante no nariz que na boca — apesar de alguns bons apontamentos, é perfeitamente vulgar e não vai melhorar com a idade — estou fortemente convencido de que terá, aliás, começado já o caminho descendente. Bebeu-se e não ofendeu — tinha-o comprado por mera curiosidade, as expectativas eram baixas — mas, sinceramente, não penso repetir. Pelo menos, não esta colheita.

7€.

13

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Amo-te '2006

Amo-tefood, drink, music, love and lifestyle, dizem eles. Beh! Tenho de ser sincero: não gosto da marca. Parece-me tão de plástico, tão «eu também queria ser um vip da Vip»! Adiante. Outro reparo vai para a rolhita aglomerada que usaram para vedar as garrafas. Traz estampado um cacho de uvas, e em cada bago uma representação estilizada do que pretenderá ser o escudo das Armas de Portugal. Como se tal não bastasse, a senhora dona rolha ainda tinha de trazer, lado a lado com o belo desenho de que acabei de falar, a frase «só castas PORTUGUESAS»! Olhar para ela leva-me a imaginar alguém muito parolo numa circunstância nacional-ruralista clássica, talvez o Saúl Ricardo ainda criança, vestido de campino, em plena lezíria — sem toiros bravos por perto — a dizer com aquela vozinha ordinária com que cantava o «bacalhau» . . . «Só castas portuguesas! 'arelho! É do bom! . . . e do melhore! Oié!» — Terrível, bem sei.

Já agora, Aragonês não é um dos nomes que damos ao Tempranillo, uva (tanto quanto se sabe) originária do norte de Espanha? Oh, Portugal, Espanha, Roménia, lâminas, póneis, estrelas, Xzibit... é tudo a mesma coisa.

Volvidas estas linhas, não ficará o meu caro leitor surpreendido se lhe disser que foi de coração pesado que, aberta a garrafa, passei ao vinho. Mas há que tentar ser objectivo.

Nariz simples, correcto, agradável até, dotado de certa tipicidade — sobretudo de autor, diga-se sem veneno. Fruta madura, bastante madura, e muito balsâmico em fundo de leve tosta e chocolate. Quente e doce, definitivamente guloso. A passar lesto pela boca, um pouco agressivo, com acidez e adstringência pronunciadas. Também certo calor alcoólico, que nem a 15ºC deixou realmente de se notar. De resto, pareceu-me saber ao que cheirava — e isso, por norma, é bom. Em suma: embora nada de especial, agradável. Por mais deprimente que possa achar a imagem com que o apresentam, aqueles a quem faz olhinhos e aquilo que significa, o facto é que não posso penalizar o líquido por isso.

6,50€.

14

domingo, 3 de maio de 2009

:)

«About thirty minutes after our brush with the Okies we pulled into an all-night diner on the Tonopah highway, on the kirts of a mean/scag ghetto called "North Las Vegas." Which is actually outside the city limits of Vegas proper. North Vegas is where you go when you've fucked up once too often on the Strip, and when you're not even welcome in the cut-rate downtown places around Casino Center.

This is Nevada's answer to East St. Louis — a slum and a graveyard, last stop before permanent exile to Ely or Winnemuca. North Vegas is where you go if you're a hooker turning thirty and the syndicate men on the Strip decide you're no longer much good for business out there with the high rollers... or if you're a pimp with bad credit at the Sands... or what they still call, in Vegas, "a hophead." This can mean almost anything from a mean drunk to a junkie, but in terms of commercial acceptability, it means you're finished all the right places.

The big hotels and casinos pay a lot of muscle to make sure high rollers don't have even momentary hassles with "undesirables." Security in a place like Caesar's Palace is super tense and strict. Probably a third of the people on the floor at given time are either shills or watchdogs. Public drunks known pickpockets are dealt with instantly — hustled out parking lot by Secret Service type thugs and given an impersonal lecture about the cost of dental work and of trying to make a living with two broken arms.

The "high side" of Vegas is probably the most closed society west of Sicily — and it makes no difference, in terms of the lay life-style of the place, whether the Man at the Top is Lucky Luciano or Howard Hughes. In an economy where Tom Jones can make $75,000 a week for two shows a night at Caesar’s, the palace guard is indispensable, and they don't care who signs their paychecks. A gold mine like Vegas breeds it’s own army, like any other gold mine. Hired muscle tends to accumulate in fast layers around money/power poles... and big money, in Vegas, is synonymous with the Power to protect it.

So once you get blacklisted on the Strip, for any reason at all, you either get out of town or retire to nurse your act along, on the cheap, in the shoddy limbo of North Vegas... out there with the gunsels, the hustlers, the drug cripples and all the other losers. North Vegas, for instance, is where you go if you need to score smack before midnight with no references. But if you're looking for cocaine, and you're ready up front with some bills and the proper code words, you want to stay on the Strip and get next to a well-connected hooker, which will take at least one bill for starters.

And so much for all that. We didn't fit the mold. There is no formula for finding yourself in 69 Vegas with a white Cadillac full of drugs and nothing to mix with properly. The Fillmore style never quite caught on here. People like Sinatra and Dean Martin are still considered "far out" in Vegas. The "underground newspaper" here — the Las Vegas Free Press — is a cautious echo of The People's World, or maybe the National Guardian.

A week in Vegas is like stumbling into a Time Warp, a regression to the late fifties. Which is wholly understandable when you see the people who come here, the Big Spenders from places like Denver and Dallas. Along with National Elks Club conventions (no niggers allowed) and the All-West Volunteer Sheepherders' Rally. These are people who go absolutely crazy at the sight of an old hooker stripping down to her pasties and prancing out on the runway to the big-beat sound of a dozen 50-year-old junkies kicking out the jams on "September Song."»

Hunter S. Thompson — Fear and Loathing in Las Vegas (1971)

sábado, 2 de maio de 2009

Altano '2005

Retaste — as impressões da primeira vez que o provei estão registadas aqui. Fiquei com a ideia de que esta garrafa se encontrava já um pouco mais evoluída que aquelas que bebi com relativa frequência até há mais ou menos meio ano atrás, altura em que esta colheita foi quase completamente substituída pela de 2006 nas prateleiras dos supermercados. Menos floral, mais balsâmico quente e complexo, mais sugestões ensanguentadas. Ademais, talvez tenha amaciado qualquer coisa. Fico contente por constatar que continua em boa forma.

2,70€.

16

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Penfolds — Koonunga Hill (Shiraz & Cabernet Sauvignon) '2006

Esta mistura de Syrah e Cabernet Sauvignon — 78/22%, respectivamente — da Penfolds foi feita com uvas provenientes das regiões de Barossa, McLaren Vale e Coonawarra. Tanto quanto consegui apurar por essa web fora, e a prova confirmou-o, parte do lote final — quanto? — passou uns meses — quantos? — em grandes barris de carvalho avinhado. Ah, esta garrafa vinha vedada com uma rolha de borracha mole, em tudo semelhante à que, faz algum tempo, encontrei nesta. Hmpf.

Decantei-o durante aproximadamente duas horas — e isto é importante, que ele precisa mesmo de tomar algum ar depois de sair da garrafa — antes de o servir a 16ºC. Certinhos.

Notas verdes típicas do Cabernet no ataque — vá lá que suaves — rapidamente engolfadas pelas cerejas e ameixas negras do Syrah. Ainda tabaco, baunilha, pimenta preta e notas de tosta exemplarmente integradas. E com o tempo, sempre sem tirar o protagonismo à fruta, chocolate amargo. Decente em variedade, um pouquinho melhor em intensidade, raso em profundidade — assim descreveria, às três pancadas, este nariz.

Já na boca me pareceu melhor — fresco, fino e generoso, de bom porte e trato agradável, com fruta saborosa e taninos firmes mas macios. Bastante equilibrado e dotado de um final bem razoável, mais uma vez entregue aos tostados. A apontar-lhe, apenas certa falta de complexidade — que aquilo que mostrou, e definitivamente não foi muito, achei bem bom.

Custou 10€.

16