domingo, 27 de Setembro de 2009

Vinusoalleirus — Allo (Dócil) '2008

Resultado de uma parceria entre Dirk Niepoort e João António Cerdeira (da Quinta de Soalheiro), este é uma combinação de Loureiro (85%) e Alvarinho, bebida de corpo ligeiro mas redondito, com boa acidez e uma presença alcoólica que quase não se sente (só tem 10,5% de volume). Razoavelmente complexo, tem as características aromáticas e gustativas habituais dos brancos leves da região: o citrino suave, o tropical acidulado, o floral discreto, o fundinho melado... Mas aquilo que mais deixa na memória acaba por ser aquela docilidade de que fala o rótulo. Dócil, do latim docilis, obediente, submisso. Como um junco ao vento. Ora, sem dúvida que a ideia que levou a este vinho tem o seu quê de inovador, que o produto final foi bem executado, que resultou num vinho correcto, sem defeitos evidentes. Mas não mais que isso.

7€.

14,5

sábado, 26 de Setembro de 2009

Protos — Verdejo '2008

Varietal Verdejo (não confundir com Verdelho), D.O. Rueda das Bodegas Protos.

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Cor esmaecida, denotando juventude. Nariz floral e cítrico, a incidir particularmente nas notas limonadas, pouco doce. Segue para a boca na mesma toada, com uma entrada incisiva que se prolonga numa presença globalmente seca, de acidez muito intensa, quase a transmitir a ideia de agulha. Sápido — desta vez a significar «salgadinho» — no final, relativamente longo. Fiel à casta, é um vinho que pede comida.

Custou pouco menos de 7€.

15

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Casa de Sarmento — Grande Escolha (Bairrada) '2004

Do rótulo:

«Vinho produzido na região da Bairrada a partir das castas melhor conseguidas em cada colheita. Este vinho só é engarrafado nos anos em que os padrões de qualidade o justificam».

Granada. Aroma simples, repleto de sinais da presença de Baga. . . flores, fruta vermelha muito doce . . . e de evolução . . . algum mofo, madeira queimada, traços de cabedal velho. . . Oh, esperava mais. Na boca, de sabor curto e um tanto «quadrado», notei-lhe a acidez já domada e taninos ásperos, um pouco amargos no final. Este «Grande Escolha» tem apenas cinco anos, mas aparenta estar a morrer.

Custou 7€.

13

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Evel — Grande Escolha '2000

Ahm, mais uma edição do topo de gama da Real Companhia Velha... no que aos tintos secos toca. Foi vinificado a partir de Touriga Nacional e Francesa, Tinta Roriz e Tinto Cão. Ademais, consta que estagiou em cascos de carvalho francês... «com elevada percentagem de madeira nova» durante 18 meses.

Vermelho granada escuro. Apesar de o ter decantado duas horas antes de servir, ainda o encontrei um tanto ou quanto preso aquando do início da prova. Depois veio a fruta, silvestre e negra, intensa, apimentada ao de leve e parcialmente confeitada. Qual espinha dorsal deste vinho, dela se iam libertando os (não muitos) aromas terciários que lhe consegui perceber: terra molhada e cogumelos, folhas mortas, castanhas e tabaco (charuto).

Mostrou-se amplo na boca, fino e dotado de boa acidez; os taninos ainda facilmente perceptíveis, apesar de muito macios, prolongando-se por um final longo q.b. e bastante saboroso. Com o ar, evoluiu para tabaco e cabedal. Morto ao segundo dia. Este Douro envelheceu bem. Envelheceu: duvido que valha a pena guardá-lo por mais tempo.

Custou 20€.

17,5

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Quinta do Vale Meão — Vintage '2001

Abri esta garrafa consciente de que ia cometer infanticídio.

Quanto a predicados, este Vintage de Quinta safa-se bem: não só a sua procedência dificilmente poderia ser melhor, como consta ter 2001 sido um ano bem decente no Douro. Oh sim.

Quando o abri, encontrei-o muito caladinho. Melhorou qualquer coisa após ter pernoitado no decantador.

Na prova, isto é, consumo, portou-se de acordo com as expectativas. Escuro, opaco, denso, austero, simples, directo e um tanto curto e unidimensional, mostrou quanto baste de ameixa e uva passa, qualquer coisa a fazer lembrar pez (!?) e ainda algum tostado. Pouco doce, certinho (porreiro) na acidez e pejado de sugestões terrosas na boca, está neste momento tão fechado e taninoso que aparenta vir a precisar de bastante tempo até se encontrar completamente pronto a beber. Confio, contudo, que se venha a mostrar uma verdadeira delícia quando abrir: se tanto eu como a botelha remanescente ainda formos vivos daqui a dez anos, prometo que tiro as teimas e deixo aqui registadas as minhas impressões.

Quanto ao numerozinho, dado que se trata de um vintage em plena «fase burra», encare-se este 17 como uma espécie de profissão de fé. Custou 40€.

Filmes (12)





Uma espécie de comédia romântica, há quem diga.

Velharias (15)

Estas linhas chafurdaram pela primeira vez (?) no lamaçal da rede a 10/3/2006.

Assim as introduzi na altura:


«Antigo, estava posto de lado, arrumado no fundo de um caderno mais usado para fazer listas de compras. EPA — 1 deriva de 2 [ou o contrário], isso é claro, mas qual terá acontecido primeiro? O facto é que já não me lembro.»



Escatologia Poética do Atrofio (2)


Em lume brando, a la Jack Kerouac.


Eu hoje acordei assim
A recordar
Foi-me dito que nada era verdadeiro;
(Não me disseram que tudo era falso)
Aparência viva
O sim pelo sim
Levar e esquecer
Sem fazer crescer
O deserto em mim.

Hoje a Lua desceu à Terra
As árvores fugiram
As sombras pintaram-se de rosa
E morri mais um pouco

Cobertos de nuvens, os céus ruíram
Fechei os olhos e neguei:
Finura ou asneira grossa?
Que interessa, morrerei.

Cada vez mais distante de mim,
Quem sou? Um "que" —
Qualquer coisa —
O que quiserem que seja —

Sou nada.
O nada que quiserem:

Sou o que querem
E quando não consigo,
Afastam-me:
Não sou.

Não posso ser
E já não sei escrever...
Deus libertou-me da forma
E não me deixou nada em troca
Nem esquecer —

Que importa?
Se sou nada?

Sou o que sou,

E foges-me


Maldita raiva!

Que nos consome, não nos deixa ver
O que queremos e não nos deixamos ser.

(Quando durmo, ainda habito este mundo, mas tudo está bem.)

Acordo.
Continuas a evitar-me.
Continuas zangada comigo
É natural:
Fiz mal.

Talvez me desculpes amanhã,
Talvez nunca —
Resta a fé na memória do que disseste:
Tudo passará.


*


E por fim, a boa conclusão:

Não se "refina" ou "corrige" poesia [por mais não- que a dita possa ser].

sábado, 19 de Setembro de 2009

Paço dos Cunhas de Santar — Vinha do Contador (Branco) '2006

Depois deste, outro branco da Casa de Santar.

Cor profunda, com reflexos dourados.

Muita madurez e tropicalidade... ananás e banana seca, citrinos cristalizados, pêssego velho, baunilha e palha molhada sobre fundo melado.

Corpo amplo, macio, persistente e razoavelmente complexo... vai-se indo a acidez, chega a doçura.

Em três palavras: adulto, redondo e preciso. Nota-se que ainda vai viver — evoluir — dentro da garrafa. É um bom vinho, embora não faça o meu género.

Custou 13€.

17

Prometo não falar de vinho no próximo post.

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Vallado '2007

Tentar escrever muito sobre quase nada, ou como pode um conjunto de notas de prova publicadas de forma pretensamente perceptível a terceiros servir de deixa para a satisfação de um vício outro que o do álcool; no limite da boa vontade, um mais que razoável exercício de expressão, heh? Mas quod abundat, por vezes nocet... e ai que tédio, que balão de borracha que teima em não rebentar, não importa se um gajo marra ou escoiceia, carvalho!

Bem, vamos lá falar da bebida... :|

Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Sousão. Estagiou em inox e carvalho francês de segundo ano.

Rubi escuro e denso. Menos ácido, mais quente e frutado que o de 2006, mostra-se ao nariz com intensidade e suculência, sugerindo ameixa madura e deliciosos frutos silvestres — conjunto simples mas vivaço, amparado por leves notas de barrica. Muito saboroso, apresenta algum corpo e um final decente; pena certo ligeiro desequilíbrio alcoólico que não pode deixar de se notar. Certamente capaz de ainda vir a crescer na garrafa, está tão bom agora, ainda viçoso mas já com certa, tão necessária redondez...

Custou pouco menos de 7€.

16,5

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Terras do Suão — Reserva '2001

Produzido pela Cooperativa Agrícola de Granja. Terroir interessante,
(exclua-se talvez o factor humano)
(e isto só nos últimos dez anos)
(ou assim).

Desta co-op, se os «Granja-Amareleja» parecem ter o condão de me agradar sempre muito, o facto é que ainda não encontrei um «Terras do Suão» que me enchesse as medidas. Mas continuo a comprá-los! Tenho algures por aí (como se não soubesse onde está; para cúmulo escrevo-o já a pensar em pôr o link ali mais adiante) uma nota de prova da edição de 2003 (não reserva) deste mesmo vinho.

Ora este 2001 revelou-se simples mas coeso: cor granada e aromas essencialmente compotados, mas também com vagas sugestões especiadas e um muito tangível toque de café. Evolução acacauzada com a exposição. Corpo mediano, macio e bem proporcionado, curto mas de sabor agradável — agradavelmente seco, mas sem que se possa dizer que esteja já a secar. Uns primeiros sinais de fadiga, talvez. Que, junto com não ter vivido até ao segundo dia, me indicam não ser má ideia bebê-lo ASAP.

Outra coisa em que não pude deixar de reparar é que quem vende estes TdS, pede por eles o que lhe apetece. Quais coberturas de despesas, margens de lucro, qual contar com diferentes quantidades de intermediários do produtor até cada distinto ponto de venda? Nah. Há coisas que não podem ser. Se não, vejamos: Comprei o 2003 de que falo no início deste post por cerca de 7€ (num Jumbo). Pouco depois, venho a encontrá-lo à venda num Intermarché próximo daqui... só que a mais de 30€!

E esta garrafa, comprada no Pingo Doce, custou apenas 4€. Alguma alma caridosa me diz a que preço costumam sair estes meninos da adega?

14,5

domingo, 13 de Setembro de 2009

Periquita — Reserva '2005

Tinto da JMF. Vinificado a partir de Castelão (50%), Touriga Nacional (30%) e Touriga Franca, estagiou durante 8 meses em madeira nova e usada. Uma curiosidade: na colheita de 2005, dele fizeram um milhão de litros!

Rubi intenso. Aromas a frutos silvestres, maioritariamente vermelhos. . . amora (g. Morus), groselha, baga de pilriteiro. . . e sugestões especiadas, junto com algumas notas a fazerem lembrar verniz e ligeiro tostado — tudo um pouco subordinado à doçura típica do Castelão. Corpo de mediano a cheio, de sabor envolvente, com taninos espessos mas macios e alguma acidez. . . insuficiente, a meu ver. Final razoável.

Polido, moderno. . . u name it, mas indubitavelmente bem conseguido, este vinho não só está pronto a beber (já há algum tempo) como deverá conseguir manter-se em boa forma nos próximos três ou quatro anos.

7€.

16

sábado, 12 de Setembro de 2009

Pombal do Vesúvio '2007

Segundo vinho da Quinta do Vesúvio, na posse da família Symington desde 1989, mas que só com esta colheita se estreou na produção de tinto seco. Vinificado na adega da Quinta do Sol a partir de uvas das castas Touriga Franca (60%), Touriga Nacional (30%) e Tinta Amarela, estagiou posteriormente durante 10 meses em barricas de carvalho francês.

Rubi retinto. Sumarento do primeiro ataque ao fim de boca. Embrenhadas nos frutos negros, quase incapazes de aflorar à superfície, ainda ligeiras notas de tosta. Não pensem pela descrição anterior, contudo, que se trata de um típico pesadão do Douro, cheio de madeira, químico e violetas. É que neste vinho tudo surge com uma alegria, uma ligeireza, uma madurez doce (sem exageros) deveras invulgar para aquilo que usualmente se espera de um duriense «sério». Redondo na boca, de taninos macios e frescor, fluidez e persistência notáveis. Toques terrosos (xistosos?) a surgirem aqui e ali... também cacau com o continuar da evolução no copo. Está belo agora, enquanto jovem. Se vai durar... 12€. 17

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Álvaro Castro — Outeiro '2007

Isto tem andado meio parado, bem sei. Tempos de pausa sanitária! É que, se nem por um momento me fartei de beber, o mesmo não posso dizer acerca de escrever sobre o que tenho bebido. E a modorra continua. Infelizmente? Não sei. Mas descansem os caros leitores que apreciam este espaço. Não só não lhe estou a anunciar o fim como até vos garanto que vêm aí rios de vinho... haja tempo.

Como não sei bem por onde começar, deixo-vos este. Impressões breves em estilo desinspirado, que me desculpe o mau jeito quem alguma vez pensou que isto podia valer alguma coisa pela prosa oferecida... Oh, que se lixe.

Embora conheça razoavelmente os vinhos de Álvaro Castro, nunca tinha visto este «Outeiro» em lado nenhum. Deve ser novidade. A página web do produtor não o menciona e o contra-rótulo apenas diz ter sido feito com uvas das castas Alfrocheiro, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Ademais, se passou por barrica, e cheira-me que sim, o estágio deve ter sido bem curto — meio anito, se tanto, talvez com alguma contenção na madeira nova.

Pu-lo a 16ºC e abri-o. A ideia era prová-lo e depois deixá-lo coexistir com um franguinho assado muito simples — atirar a acidez do Dão contra o molhinho algo gordo da ave — mas encontrei-o tão vinoso e frutado «doce» — isto é, tão enjoativo — que logo resolvi deixá-lo a pernoitar no frigorífico, tapado só com a rolhita, e empurrar o bichinho com ice(d) tea. No dia seguinte estava bastante melhor. Muito simples mas equilibrado, fresco, aroma repleto de sumarentos frutos do bosque com pontinha abaunilhada e corpo mediano, de taninos duros. Enfim, um típico Álvaro Castro de base — vestido com alguma finura, mas de carácter proletário.

É capaz de estar melhor para o ano... e nos dois ou três seguintes.

5€.

14

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Them — Them Again

Them: Morrison, Henderson, Millings, Harrison e Wrixon. A banda formou-se em Belfast, em 1964, perdeu (I)van Morrison em '66 e, consta, morreu para a vida em '72. Mas foi muito importante!

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Aqui, em cover de Bob Dylan. It's all over now, baby blue. Sobre o álbum, link.

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Velharias (14)

Tarde de luz morta. A chuva miudinha, estranha névoa, artificial, do lado de fora da janela fechada. Vários carros passam a cada dez segundos. Latir distante de cães no patamar, muito lá em baixo. Às vezes também se ouve o vento.

Nem frio nem calor. Televisor sem som — escrevo ao sabor de clarões. Perto, mesmo ao meu lado, ela dorme enroscada numa manta.

Ela que tantas vezes deseja que o dia passe num segundo: foi o que me disse. Dorme, talvez apenas dormite. Eu prefiro esperar acordado; escrevinho banalidades que procuram sentido. Também eu sonho — fujo do momento — e esta é só mais uma maneira de o fazer.

A soma de todos os momentos é a vida. Como a objectividade pode ser estranha...

O alarme de um carro na rua. Uma porta que bate no andar de cima. Deslizar macio de folhas que não chegará ao anoitecer.

Amanhã, uma dose maciça de anulação asséptica na ponta do garfo. Até me sinto doente.

Passará. Não me preocupo demasiado. Na vida, tudo é vida. Nada se perde realmente. Não mudamos, somos mudança. Cada um é o operador-mudança de si mesmo, conquanto consiga ser, entenda-se. Mais um parágrafo nascido do desalento. E o desalento foi fabricado para que pudesse nascer o pobre parágrafo, atabalhoado, ingénuo e sem graça como o imaginário de um deprimido, pejado de auto-referências.

E agora soa tão vazio.

Este tempo cheira a gases de escape, bichinhos da terra, amêndoas amargas e lírios-do-vale.

Húmus.

Há dias, deparámo-nos com um arco-íris ao sair de casa. Um arco-íris pobre, baço, citadino — que nos deleitou. Quase.

Ela fotografou-o.




Marduk morreu.
Já não devo nada ao mar.

Sentidos dormentes, sobressai este ar húmido, parado, caótico mas mudo: o ar doente que, dizem, antecede as grandes catástrofes.

A noite às seis da tarde.
Toda esta chuva, tudo.

Quando ela acordar, dir-lhe-ei que a amo. Vou querer agarrá-la e ficar assim muito tempo, aterrado, petrificado e feliz, à espera do fim do mundo que aí vem.


5 Nov. 2005

domingo, 6 de Setembro de 2009

Fiuza — Sauvignon Blanc '2008

Vinho Regional Ribatejano produzido pela Fiuza & Bright. Sem madeira. Aroma essencialmente vegetal e tropical . . . espargos e maracujá . . . com fundinho doce e abafado a fazer lembrar melaço de cana. Sabor simples, macio, sem evolução ao longo da prova. Corpo de peso mediano, com o álcool bem integrado e uma acidez que, discreta à primeira vista, acaba por depois se revelar suficiente. À tão necessária frescura. Para beber jovem, de preferência com preparações simples de filhos do mar.

5€.

14,5

sábado, 5 de Setembro de 2009

Lavradores de Feitoria — Gadiva (Branco) '2008

Outro do mesmo produtor. Malvasia Fina, Gouveio e Códega do Larinho, sem passagem por madeira. Simples, leve e pouco persistente. Felizmente pouco doce, também. No nariz pareceu-me predominar o maracujá, à mistura com ligeiro floral e uma ou outra nota cítrica... talvez a fazer lembrar limão. Já a boca surgiu redonda — dentro do permitido por tão magro corpo — com certa secura (o que é bom) e acidez na medida certa. É um branquito razoável, capaz de satisfazer quando acompanhado de pratos pouco exigentes. Para beber jovem. Outro ponto forte que possui é ser baratinho — 2,50€.

14,5

Lavradores de Feitoria — Três Bagos: Viosinho '2007

Da nota de apresentação publicada na sua página web: «a Lavradores de Feitoria foi fundada em 2000 por proprietários de algumas das melhores quintas e terroirs do Douro, num compromisso declarado com a excelência.» Enfim, são uma família bonita (vejam lá as fotos, que coisa tão catita, até o cachorro se ri). Ora foram eles que fizeram este vinho amarelo e verde, citrino e palha, levemente arborizado e salpicado de baunilha. Simples mas intenso, de corpo tenso e cheiinho, razoavelmente longo e muito equilibrado. Nada mau, nada mesmo.

10€.

16

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Quinta do Gradil (Branco) '2006

Mais um do universo Dão Sul. Mais especificamente, da Martim Joanes Gradil — Sociedade Vitivinícola, Lda.. Feito a partir de Arinto, Chardonnay e Vital.

Cor palha. Aroma intenso, cítrico por natureza, mas de fachada madura, com nuances florais e amanteigadas e ligeiro aborrachado. Ainda se lhe descortinam notas (abaunilhadas) da madeira (francesa e nova) onde estagiou, mas é preciso ir à procura delas. Pelo menos comigo foi assim. Enfim, isto para dizer que proporcionou uma boa prova de nariz, com bastante intensidade e complexidade e envolvência e essas coisas todas (ok, quase) que os livros dizem que é bom um vinho mostrar, mas, ainda mais importante, com... sei lá, humanidade? (Vou chamar-lhe humanidade), certa capacidade que certos néctares têm de tocar pessoalmente quem os toma, união feliz que não raras vezes acaba por significar alegria depois de alegria, ondas (tubos) felizes que duram (pelo menos) até à dor de cabeça da manhã seguinte. Boca de textura voluptuosa, com a doçura prometida pelo nariz a surgir felizmente contida. Acidez dispersa, mas refrescante. De novo, certo travo cítrico persistente. Alma?! Final satisfatório. Vinho porreiro.

10€.

16

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Reguengos — Reserva '2008 (Branco)

Feito pela CARMIM.

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Ficha técnica, aqui.

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É um típico branco alentejano, maduro e soalheiro, cítrico e tropical, com toques de fumo e caramelo.

Redondinho e equilibrado, correcto q.b., tem uma boca expressiva — e aqui entra a sua boa acidez, bem frisada, refrescante, com ligeiríssima doçura em pano de fundo.

Mas falta-lhe definição e, acima de tudo, finura.

Mesmo assim. . .

4€.

15