sábado, 31 de outubro de 2009

Tiara '2008 e coisas com camarões

Este vinho consiste numa ampla mistura de uvas de castas típicas do Douro — Códega do Larinho, Rabigato, Donzelinho, Viosinho e Cercial, entre outras — provenientes de vinhas velhas, plantadas a mais de 600m de altitude. Foi vinificado e estagiado em inox.


Servido a 12ºC,

Mostrou típica cor de branco jovem — citrina, com laivos esverdeados (pois).

E claros aromas florais e cítricos — lima e raspa de limão — a envolverem sugestões de frutos de polpa branca, ligeiramente ácidos — maçã verde e abacate.

Corpo delicado, sápido e vagamente untuoso, muito fresco. Agulha mínima, porventura consequência de não se ter realizado a fermentação maloláctica aquando da vinificação. Final seco, um pouco curto. Deixou um retrogosto persistente, a fazer lembrar amendoim torrado.

Com o uso — digo, exposição ao ar mais subida de temperatura — abriu para pêra e palha.

18€.

17

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Ligou bastante bem com uns camarões salteados em manteiga e alho, a que depois juntámos só um bocadinho de whisky.

Ora, acontece que já há algum tempo andávamos a planear fazer caldo de camarão. E foi por isso que salteámos os camarões já sem as cabeças. . .

Cujo peso perfazia à volta de 800g e que posteriormente refogámos em azeite, junto com os seguintes ingredientes: um alho francês, um limão (com casca) partido em quartos, quatro tomates bem maduros, três cebolas picadas, três dentes de alho, cinco cenouras e manjericão, coentros, estragão, salsa, sal e pimenta preta a gosto.

Tendo deixado cozinhar uns cinco minutos, juntámos água ao refogado: numa grande panela de paredes direitas, o triplo do volume necessário para o cobrir. E deixámo-lo cozer mais hora e meia.

Depois filtrámo-lo com um coador de rede, tendo havido o cuidado de prensar bem o entulho. Aproveitou-se o filtrado. . .

E com ele fizemos sopa. Adicionámos-lhe cinco cenouras, três tomates e, por cada litro de caldo, 30g de farinha de trigo. Rectificámos o sal e deixámos cozer até a cenoura ter amolecido: talvez meia hora. Triturámos aquilo a que já se podia chamar sopa e enriquecêmo-la com miolo de camarão. Generosamente. Antes de, por fim, a levarmos ao lume por mais uns breves minutos, antes de a servirmos.

Acompanhada, claro está, de tostinhas e outro branco. Mas esse fica (talvez) para o próximo post.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Velharias (16)

Straightfromhell, mais um bocadinho de quando o blog se centrava mais no puto do que naquilo que ele bebia.

«Não basta dizer lágrimas — não são cantos — uivos, gemidos, gritos (tantos) — no vento lá fora — no vento lá fora só — não basta dizer que o sol é quadrado e a lua, azul — e entre as árvores, na neve, não basta dizer.»

7/2004



Já vos dou mais vinho; com licença.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Poças — Coroa D' Ouro «Reserva» '2004

Mais um post. Mais uma nota de prova. Pouco esforçada. Parca de inspiração. Seca. Trivial. Provavelmente desinteressante.

Este vinho é tinto. Veio do Douro. Foi classificado como DOC. O produtor, a Manuel D. Poças Júnior. O lote, típico da região: Tourigas Nacional e Francesa, Tintas Roriz e Barroca e Tinto Cão. Consta que sofreu um breve estágio em cubas de inox.

A cor, rubi.

O nariz, predominantemente frutado. Ameixa e cereja. Maduras. E reminiscências de mato e resinas. Velhas — doces, pesadas, abafadas.

O sabor, simples. Um tanto curto. Com a concentração que usualmente se associa aos vinhos desta gama. De preços. Boa acidez, taninos firmes. Apenas parcialmente integrados. E 13% de álcool. Que não aquece nem arrefece. No fim, nem robusto nem elegante. Mas gostosinho, fácil de beber.

A meu ver, é o que é, vale o que custa. Tem tudo para ser amado lá para as Américas. Aqui...

4€.

14,5

domingo, 25 de outubro de 2009

René Barbier — Reserva '2001

Aragonês e Cabernet Sauvignon com estágio em madeira.

Cor acobreada. O aroma, achei-o marcadamente vegetal, notando-se perfeitamente a influência do Cabernet Sauvignon no lote. Tanto que acabei por me interrogar se o dito contará, de facto, com apenas 15% de uvas da referida casta, à semelhança do seu maninho de '98, isto segundo informações contidas na página do produtor.

Marcadamente vegetal e quase sem ponta de doçura; a fruta ia surgindo tímida e imprecisa. No mais, ainda lhe encontrei sugestões de pêlo e especiarias. Mas tudo muito indiferenciado, simples, mofino...

A boca, fresca e seca, de persistência algo fraca, mostrou no entanto uma untuosidade agradável. Com o tempo, aparentou ir ganhando doçura e um certo «quê» almiscarado. E em jeito de retrogosto, a partir de dada altura, começou a deixar sugestões de sabor a cona.

Após quatro dias no frigorífico, vedado apenas com a sua rolha voltada ao contrário, estava parcialmente oxidado, repleto de café e alicorados. Oxidado mas perfeitamente bebível. E por incrível que possa parecer, agradável.

Provavelmente, a graça que lhe fui achando terá crescido mais com o tempo de abertura que o vinho em si. Que, de qualquer forma, não compromete.

Custou 6,50€.

14,5

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Chaminé '2008

Regional Alentejano da Casa Agrícola Cortes de Cima, lote de Syrah e Aragonês com uns pozinhos de Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot. Ficha técnica, aqui.

Ora bem... deste não tenho muito a dizer. É guloso e macio. Simples e equilibrado, muito redondinho, feito para ser fácil de beber. Porventura para ser bebido sem pensar. Predomina a fruta: negra, bem madura, docinha, com toques compotados. Também se lhe nota algo mais, ainda que indefinido: notas vegetais? Tostadas? Vegetais e tostadas?

O que for.

Posto isto, talvez só reste dizer que é curto e morno — parecidíssimo com o de 2007.

E como esse, não encanta, mas acaba por convencer. E às vezes apetece.

Custou cerca de 5€.

14,5

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Duque de Viseu (Branco) '2007

É o branco «corrente» da Quinta dos Carvalhais, feito a partir de uvas das castas Bical, Encruzado, Cercial e Malvasia Fina, vinificadas em estreme. A maior parte do lote final estagiou durante 4 meses em inox; o remanescente, em barricas de carvalho. Ficha técnica, aqui. Flores, citrinos e frutos de polpa branca. Ligeiro tropical, depois. Corpo entre o delgado e o mediano, a tender para a macieza e dotado de uma acidez apenas suficiente. Correcto, mas...

4€.

14

Private Joke

«A pobre rapariga tinha seis anos: era filha do carcereiro. Era loira, com grandes olhos lúcidos. Desde a madrugada ia pelos pátios, pelas enxovias, pelas gradarias leve como uma seda e sã como o sol.

Levava braçadas de ervas aos presos e clematites.

Na cadeia chamavam-lhe a cotovia. Tinha pombas.

Tinha um riso transparente e bom, e quando os miseráveis sujos e chorosos iam para os degredos — ela cantarolava entre eles, serena e gloriosa. Cresceu. A mãe era lavadeira e morreu no rio, entre os musgos e os canaviais. O pai teve um mal e ficou entrevado.

Vieram os Invernos. Ela lidava. Cuidava dos irmãos pequenos. Lavava ao sol. Costurava à lareira sonolenta.

De madrugada ia atirar grãos e migalhas às pombas: depois vinha dar ao pai engelhado, triste, doloroso, as sopas e o caldo.

Um dia entrou na cadeia um bêbedo, um covarde, um assassino, que tinha espancado o pai. Era um lindo rapaz, branco com um corpo delgado. A rapariga viu-o, e fugiu com ele de noite embrulhada num cobertor.

Todo o dia seguinte, as crianças não comeram. O pai gritou, chorou e arrastou-se até à lareira. Ninguém. As pombas voavam à tarde inquietas, fugitivas e medrosas. O pai ficou toda a noite ao pé da lareira a roer um bocado de pão duro. No outro dia ainda as crianças ficaram sem comer. Todas as pombas fugiram. O pai arrastou-se até ao casebre; e esfomeado, batia de encontro à porta. Por fim vieram. Passados dias. Havia pela vizinhança um cheiro de podridão. As crianças tinham morrido: o pai tinha morrido. Tinha sido a fome, a míngua, a sede, o frio.

A que fugiu é hoje velha. Embebeda-se com aguardente: e quando na taberna as esfarrapadas e os miseráveis lhe falam desta história, ela diz com voz rouca:

— Ai que noite aquela, filhas! Ele tinha um modo de dar beijos!»


J. M. Eça de Queirós — Prosas Bárbaras (1866/1867)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

CARM (Branco) '2006

"When I find someone I respect writing about an edgy, nervous wine that dithered in the glass, I cringe. When I hear someone I don't respect talking about an austere, unforgiving wine, I turn a bit austere and unforgiving myself. When I come across stuff like that and remember about the figs and bananas, I want to snigger uneasily. You can call a wine red, and dry, and strong, and pleasant. After that, watch out."

Kingsley Amis — Everyday Drinking: The Distilled Kingsley Amis

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Da CARM (Douro Superior), foi elaborado a partir de uma mescla de castas tradicionais da região, provenientes de vinhas velhas, plantadas em altitude. Sem madeira.

Cor palha. Fresco o suficiente para a fase em que se encontra, com travo mineral. Também macio, com muitas sugestões amanteigadas e de frutos secos a envolverem as notas cítricas que antes predominavam. E que agora parecem estar, cada vez mais, a dar lugar a nuances de maçã e pêra, ameixa branca e marmelo. Nada mau.

7€.

15

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quinta do Mouro '2004

Que me lembre, ainda não tinha aberto nada deste produtor «para» o blogue.

Aragonês (50%), Alicante Bouschet (25%), Touriga Nacional (20%) e Cabernet Sauvignon. Estagiou durante um ano em barricas de carvalho francês e português, metade das quais novas.

Escuro. Jovem; bouquet ainda por formar. Morno no ataque; a sua grande acidez demora um pouco a revelar-se. O que desde logo se nota é a excelente barrica, na conta certa, a complementar pujante ameixa negra, ligeiro balsâmico resinoso e ainda mais discretas notas de vegetal verde, pimenta e anis — (mais que apenas) um pouco a fazer lembrar certa garrafa de Alión '96. Amplo na boca, com os taninos a notarem-se firmes apesar de bem polidos, o álcool a surgir (quase) perfeitamente integrado e o final, longo e saboroso, tão interessante, repleto de notas de café.

Diferente ao terceiro dia de abertura: o profundo fruto negro agora acompanhado de caruma e alicorados, pimenta preta e chocolate. Muito sólido, muito fresco... tão elegante e persistente... grande vinho!

25€.

18,5

sábado, 17 de outubro de 2009

Portalegre '1999

Aragonês, Grand Noir, Castelão e Trincadeira. Garrafa nº 29622 de 42975 produzidas nesta colheita pela Adega Cooperativa de Portalegre.

Granada, escuro. Aroma intenso a frutos negros confeitados. . . também cristalizados (acima de tudo, ainda fruta!) e um bocado grande cheio de fenóis voláteis no princípio — Dekkera are u there? — Depois o futum a estrebaria esbateu-se sem desaparecer — Ok, Brett, sem dúvida. Ainda impressões amendoadas e a ligeiro ranço e queijo azul. Evoluído e complexo — gostei. Corpo cheio e macio, com bom peso e fluidez, sabor e acidez. Muito persistente.

Muito bom ao segundo dia. Este é um vinho cheio de vida, provavelmente ainda com alguns anos pela frente.

15€.

17


Abri esta garrafa meio a medo, depois de dela ter ouvido cobras e lagartos. Agora tudo se me afigura mais claro: na altura, tratava-se apenas de um jovem bruto. . . que o tempo ligou.

Amanhã, um alentejano ainda maior.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Kompassus — Reserva '2005

Produzido pela Kompassus (Vinhos) da Cordinhã, este tinto consiste num lote de Merlot e Touriga Nacional (de vinhas velhas), estagiado durante 18 meses em barricas de carvalho francês.

Rubi escuro, com reflexos violáceos.

Nariz intenso, dominado por frutos negros maduros, sobretudo ameixa, mas também expressivo q.b. nos traços herbáceos e especiados, sugestões de resina e ligeiros matizes florais que ao longo de toda a prova foi mostrando.

Boca ampla e envolvente, de sabor concentrado. Robusta, bastante ácida e taninosa, a levar a um final longo, rico e algo adstringente.

Ainda está um pouco cru, mas o fruto é profundo — promete viver e melhorar nos próximos anos.

Custou 18€.

16,5


* Já repararam até que ponto um blogue «destes», onde um tipo mete o que comprou (ou diz que comprou) para beber (ou dizer que bebeu) se consegue parecer com uma caderneta de cromos?

É triste!

Numa toada mais alegre, constato que um número não desprezável de «colegas» enobloguistas cá do burgo tem andado a consumir, em simultâneo, uma quantidade igualmente notável de vinhos da Quinta do Portal. Ele há coisas... lol.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Doces: de maçã (+ pectina em solução) e marmelada

Há dias ocorreu-nos que podia ser fixe tentar fazer compota de maçã. E aproveitámos ainda para extrair alguma pectina, tão útil para gelificar outros doces. . . e isso pode ser tanto...


Ora bem, sem mais delongas:

1. cortaram-se as maçãs (verdes) em quartos, colocaram-se numa panela e cobriram-se com água;

2. ferveram-se em lume brando até ficarem bem moles — desta vez, terá passado mais ou menos 1h até que tenham atingido o estado desejado;

3. separaram-se da água da sua cozedura: cada fase para dentro de seu recipiente;

4. filtrou-se a dita água — utilizámos para o fim um par de meias de mousse (lol). O filtrado, rico em pectina, reservou-se num frasco esterilizado que, depois de arrefecer, foi colocado no frigorífico;

>>> a qualidade do produto obtido em 4. comprovou-se através de um procedimento simples: cobriu-se o fundo de um prato raso com etanol a 96% e sobre ele deitou-se uma porção — neste caso até acho que foi uma colher de sopa — da solução recém obtida (já fria). . . volvidos dois ou três minutos, constatou-se que a dita tinha gelificado bem. . . tudo nos conformes (vd. foto);




5. deitaram-se as maçãs num coador grande;

6. e esmagaram-se com uma colher... ideia: deixar a polpa passar para dentro de um recipiente, deixando retidos os caroços e cascas;

7. às maçãs cozidas, juntou-se doçura e acidez: a cada porção de maçã, adicionou-se metade do seu peso de açúcar e o volume correspondente a cerca de um décimo do seu peso de sumo de limão;

8. misturou-se tudo muito bem e levou-se ao lume, mexendo, até engrossar;

9. por fim, como sempre, distribuiu-se a compota resultante por uns quantos frascos esterilizados, deixou-se arrefecer e levou-se ao frigorífico.




À esquerda, o doce de maçã; à direita, a marmelada que fizemos. . .

. . . com marmelos ainda verdes e os volumes correspondentes a: a) 2/3 do seu peso, uma vez descaroçados, de açúcar e b) 1/10 do seu peso... de sumo de limão.


1. Sem descascar, cortaram-se os frutos em dezasseis avos — quartos que se cortam em quartos, por assim dizer — e retiraram-se-lhes as sementes. À medida que se iam cortando, foram-se deitando num recipiente com água fria — para atrasar a oxidação.

2. Colocaram-se depois numa panela grande (por causa da espuma que se levanta com a fervura), juntamente com o açúcar. Taparam-se e assim cozeram até terem amolecido.

3. Depois triturou-se tudo, adicionou-se o sumo de limão ao puré e levou-se novamente ao lume, desta feita até engrossar.

4. Colocou-se o doce em recipientes esterilizados e, de forma a adquirir a consistência necessária para depois se poder vir a servir cortada em fatias, deixou-se secar ao ar durante uns dias, coberta apenas por duas folhas de papel absorvente.

Casa de Santar — Reserva '2005

Proveniente da Casa de Santar, este tinto foi elaborado a partir de uvas das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz. Estagiou em barricas novas de carvalho francês durante aproximadamente um ano antes de ser lançado no mercado.

Bagas silvestres vermelhas maduras e belas notas de barrica compõem-lhe o nariz. Tão apetecível. Mas sério, provavelmente por pouca doçura mostrar.

Na boca mostra-se fino e fresco, de entrada macia e porte mediano, os taninos já integrados. De resto, sabe ao que cheira, sempre com uma contenção que cai bem.

Gostei muito.

10€.

16,5


P.S.

(extra-thema)

Muito obrigado AF e MJ, o artigo ficou bem catita!; estranho não ver mais ninguém comentar...

domingo, 11 de outubro de 2009

Lou Barlow — Lou Barlow & His Sentridoh

If security gives way / Is there something I could do or say to bring you back / And when you're numb from working / Will you still open up to me / And talk to me / I love talking to you

All day I think of things to tell you / And I'd do anything to make you smile / It's not of because I know you / Please don't leave

Could we rise above distraction / Or do we live a tragic life / With never enough to go around / And I don't offer much protection / I'm neither strong or tall / But I love you

The storm won't wash that away / Love is forever in an instant / And I don't want to live without it again / I find it easy just to speak my mind / Dare I say / It's gonna be alright

See how easy I surrender / With no fear of being broken again / I'm healed when I hold your hand / I understand.


#5, Forever Instant.

sábado, 10 de outubro de 2009

Marquês de Marialva (Branco) '2008

Bairrada DOC da Adega Cooperativa de Cantanhede. Maria Gomes (80%) e Bical. Para quem quiser saber mais detalhes acerca da sua elaboração (blá blá), a ficha técnica está aqui. Muito clarinho no copo, quase incolor. No aroma, predominam as notas cítricas, mas também se lhe notam toques vegetais, ora a fazerem lembrar palha ora relva cortada de fresco, sugestões de pêssego e ligeiro melado. Boca dotada de bom volume, refrescante sem agredir, com o álcool bem integrado e um final surpreendente. Simples, mas muito agradável! A pouco mais de 2€, apresenta uma RQP imbatível.

15

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Filmes (13)






Sobre a coisa retratada, wikipedia. Sobre a performance, um grande Tony Curtis protagoniza um filme impecavelmente produzido, de perfil intencionalmente próximo daquilo que o realizador melhor sabia fazer.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Altas Quintas «600» '2007

Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouschet + um bocadinho de tempo e madeira. Mas essas são coisas que os interessados poderão ver com maior detalhe na ficha técnica que o produtor disponibiliza aqui.


Como ando sem paciência, mas já ali tenho uma boa vintena de garrafas publicáveis no saco que serve de antecâmara ao vidrão, vou transcrever a nota de prova deste vinho tal e qual a deixei no caderninho negro do álcool:

Cor rubi . . . intensidade moderada, a deixar adivinhar uma concentração conforme. . . aliás, confirmada. . . de cheiros e sabores a fruta negra bastante doce. . . também alguma compota. . . tem um lado especiado. . . curioso, a fazer lembrar raspa de limão e canela . . . quase límpido . . . mentolado às vezes . . . estrutura mediana . . . alguma leveza . . . ataque acetinado, final mais áspero. . . e algo curto.

Gostei mais dele ao segundo dia. Custou pouco menos de 5€. 15

Pasmados '2007

Diz-nos o produtor que «este vinho é proveniente duma área limitada que é a Quinta dos Pasmados, uma propriedade com 18 ha, situada 5 km a Oeste de Azeitão. Era originalmente conhecido por Tinto Velho J.M. da Fonseca e obteve o seu nome actual nos anos 70 por necessidades de natureza comercial». Fizeram-no a partir de «Touriga Nacional, Syrah e Castelão, provenientes de uma vinha única» e estagiaram-no durante 10 meses em meias pipas (novas) de carvalho francês e americano antes de o lançarem no mercado.

Cor rubi. Frutos vermelhos e violetas sobre fundo que sugere uma amálgama melada de café, tabaco e especiarias. Ou a conexão T-Nac — Castelão a revelar-se. Corpo mediano, equilibrado q.b., calidez confortável, tudo no lugar. Termina mais ou menos longo e, embora goste de acompanhar comida, é daqueles que um gajo pode despejar para dentro de uma caneca e pôr-se simplesmente a beber, ainda que a acompanhar leituras do Apocalipse pela noite dentro, e mesmo assim fazer-se notar, roubar um bocadinho de atenção. Não é nada de extraordinário, mas, acima de tudo, está muito longe de ser o suco hiperfrutado, pesadão e enjoativo que já lhe ouvi chamar.

Custou 8€.

15,5

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Vidigal — Syrah «Reserva» '2004

Varietal Syrah da Estremadura, produzido pelas Caves Vidigal. O contra-rótulo é pura e simplesmente delirante; não resisto a reproduzi-lo na íntegra e fielmente.

«O "Vidigal", que tanta fama e prestígio alcançou na Escandinávia vai agora tentar conquistar o consumidor português, tradicionalmente dividido entre o popular e o snobe. O Vidigal não é uma coisa nem outra. É um vinho de qualidade a baixo-preço; barato e bom não só é possível mas desejável. O preço não segue o prestígio nem a qualidade, como o cão segue o cego! Não fazemos isto por bondade nem ingenuidade. É a nossa estratégia, "vender o melhor vinho possível, ao mais baixo preço possível", acreditando que mais tarde ou mais cedo o consumidor atento o descubra sem grande alarido nem despesa promocional da nossa parte. Este Syrah vai surpreende-lo e pode estar descansado que temos muito. Não somos daqueles que fazem boa figura com microvinificações em quantidades ridículas. Beba com moderação. Os 14% de álcool sobem-lhe facilmente à cabeça.

With this Syrah, our well-known Vidigal, betrays its original fidelity to a national multivarietal blend. By taking a step more on its internationalization, Vidigal embraces the globalized Syrah. Many people maintain that Portuguese wine producers should not work with foreign varietals. Well we are of the opinion that there are no such things as foreign varietals; there are no foreigners at all. We are all "nationals", we are all born "Here", in the same Hearth... somewhere in the neighbourhood. We know that it's a very simplistic and vague statement that while lacking accuracy has the virtue of being pacifist and antecipates the future. Invite Vidigal Syrah to your table. It's a good choice. A modest consumption of red wine is supposed to be healthy but drink moderately. Your friends, family and your health thank you. You will only disappoint the undertaker and your possible enemies. Be wise.»

Frutado, mas não doce. Levemente especiado. Saboroso, mas um tanto curto e magro de corpo, com o álcool a fazer-se notar em demasia. Não digo que não seja um vinho aceitável para um consumo quotidiano, mas duvido que venha a incluí-lo no meu. É que gosto de Syrahs gordos e opulentos... e deste, o que melhor retive como referência para memória futura foi que me pareceu, sei lá, aguado. Custou à volta de 3€. 13,5

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Castelo de Melgaço — Alvarinho & Trajadura '2008

Este é um Verde da sub-região de Monção, produzido por Manuel Salvador Pereira.

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Cor citrina. Sob uma máscara de discrição, encontra-se-lhe um aroma surpreendentemente profundo, perpassante e sedutor, de ataque petrolado; depois mais cítrico, com a predominância de notas de lima e limão, mas também melaço, tília e flor de laranjeira. Longe de possuir uma acidez vincada, consegue revelar-se, ainda assim, muito fresco. Pena o final curto, a deixar certa sensação de falta.

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Convincente, ainda assim. Pelo preço que pedem por ele, não seria provavelmente sensato pedir mais.

4€.

15,5

domingo, 4 de outubro de 2009

É com pena que desligo o elo para a (defunta) página de José A. Bragança de Miranda. Do seu (ainda mais antigo) Reflexos de Azul Eléctrico:



Quinta-feira, Setembro 04, 2003

embaciado

Antes de se voltar violentamente contra os espelhos, como o padre António Vieira que dizia que «o espelho é um diabo mudo», o cristianismo considerava o mundo como um espelho onde Deus se reflectia. Estou a referir-me a uma conhecida passagem de S. Paulo em que este esplêndido filósofo afirma que, a Deus, «por agora vemos embaciadamente num espelho, mas então veremos face a face». O espelho dava a ver, mas ao mesmo tempo que ocultava aquilo que deixava entrever. De algum modo servia de interposição relativamente ao invisível, que só através dele se tornava visível. Mas era uma interposição provisória que desapareceria com a epifania do juízo final. A recusa por Vieira do espelho revela-nos uma metade do segredo do embaciamento do espelho. O que embacia o espelho é a respiração demasiado próxima daquele que está diante dele, e que pretende passar para o lado de lá. Mas do lado de lá do espelho só existe o cobre com que era feito o espelho antigo, ou a fina película de prata com que são feitos os nossos. Pura matéria que, precisamente, o espelho tem de aligeirar, de duplicar, para que no vaivém entre a imagem e coisa possam surgir os deuses e os seus milagres. Se o espelho desaparecesse dissipava-se ao mesmo tempo o Deus que S. Paulo mostrava na superfície perfeita da sua escrita. Foi esse tipo de escrita que desembaciou o espelho, a pontos de fazer dele um objecto banal, para o qual olhamos sem grande sobressalto. É melhor aceitar o velho «espelho», fazê-lo durar todo o tempo que for possível, deixando-o entregue à sua missão misteriosa. Se calhar um dia, já sem homens por perto, ele surgirá novamente embaciado… por um outro respirar.

/RAE 12:11 AM


(...)


cobardia

Tenho pensado em deixar de fumar. Não o posso fazer por enquanto, pelo menos enquanto os fumadores estiverem a ser perseguidos. Seria sinal de cobardia. Tenho mais medo dos perseguidores do que do tabaco, apesar de «ser prejudicial para a saúde».

/RAE 12:21 AM




Por outro lado, é porreiro constatar o regresso deste senhor. Aweh!

Ladyhawke — Ladyhawke



#8, Paris is Burning. É necessário escolher a definição igual a 240p. para se ouvir som :|

sábado, 3 de outubro de 2009

Offley — Tawny "Barão de Forrester" 30 Anos

Este tawny consiste num conjunto de vinhos produzidos «a partir de uma selecção de uvas de alta qualidade das castas tintas recomendadas no Douro, com particular destaque para a Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinta Barroca e Tinto Cão» — estou a citar a ficha técnica — e posteriormente envelhecidos em cascos de carvalho por intervalos de tempo que variaram entre 25 e 40 anos, sendo os 30 mencionados no rótulo a idade média do lote aquando do engarrafamento (2003).

Cor âmbar acobreado. Aroma intenso e complexo, com notas de caramelo e frutos secos, café e tostados, casca de laranja cristalizada, tabaco e levíssima fruta vermelha em brandy, com ponta de calidez alcoólica. Na boca é puro veludo, gordo e untuoso, fresco (apesar de generoso) e cheio de sabor. . . um sabor magnífico, perfeita confirmação do nariz, equilibrado e muito, muito longo.

Que grande vinho!

Custou 60€.

18,5

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Quinta de Cabriz — Encruzado '2008

Ah, sim... O famoso Encruzado da Quinta de Cabriz.

Ficha técnica, aqui.

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Tom citrino, tão jovem que quase incolor. Aroma um tanto austero, cítrico e floral, mais do primeiro que do segundo, típico da casta. Bem fundidas no conjunto, algumas notas abaunilhadas denunciam-lhe o estágio parcial em madeira. Corpo de estrutura e envolvência medianas, macio e muito fresco, com um fundinho mineral bem apelativo. Com o tempo, surgem levíssimas sugestões de frutos secos.

É um bom vinho, mas ainda parece um pouco preso. Precisa de tempo.

6€.

15,5