domingo, 31 de Janeiro de 2010

Sopa de Lentilhas da Mi


Foi a Mi que inventou.


*


500g de cenoura;
2 cebolas médias (2x150g);
1 lata de tomate (peso escorrido: 240g);
200g de lentilha seca;
4 dentes de alho (grandes);
1 talo de aipo com aprox. 2cm;
água, azeite e sal q.b.


*


• Refogar as cenouras e as cebolas.
• Juntar os dentes de alho e o tomate.

• Abafar o refogado com 2,5x o seu volume de água.
• Juntar as lentilhas e o aipo.
• Deixar cozer, destapado, durante cerca de 50 minutos, rectificando a água e o sal quando necessário.

• Triturar.
• Servir com croutons de alho.

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Te digo adiós, y acaso te quiero todavía / Quizá no he de olvidarte, pero te digo adiós. / No sé si me quisiste... No sé si te quería... / O tal vez nos quisimos demasiado los dos.

Este cariño triste, y apasionado, y loco, / Me lo sembré en el alma para quererte a ti. / No sé si te amé mucho... no sé si te amé poco; / Pero sí sé que nunca volveré a amar así.

Me queda tu sonrisa dormida en mi recuerdo, / Y el corazón me dice que no te olvidaré; / Pero al quedarme solo sabiendo que te pierdo, / Tal vez empiezo a amarte como jamás te amé.

Te digo adiós y acaso, con esta despedida, / Mi más hermoso sueño muere dentro de mí... / Pero te digo adiós, para toda la vida, / Aunque toda la vida siga pensando en ti.


José Angel Buesa.

domingo, 24 de Janeiro de 2010

Penfolds — Bin 389 Cabernet + Shiraz '1997

"... is a traditional multi-regional Australian blend, combining the elegance of Cabernet Sauvignon with the richness of Shiraz". Estagiou durante 13 meses em cascos de carvalho americano, alguns dos quais foram utilizados para estagiar o Grange da colheita anterior. Quem quiser pode consultar aqui uma cópia da sua ficha técnica.

Granada escuro, com halo acastanhado. Intenso de cheiros e sabores, surge dominado por aromas terciários — massas de pastelaria e frutos secos, verniz, sal, iodo e couro. Ainda apresenta notas de tomate e ameixa, ainda se lhe notam traços especiados, mas a maior parte da densa fruta apimentada dos seus dias de juventude foi-se. No entanto, continua a mostrar-se gordo e raçudo, senhor de uma estrutura de respeito. Termina razoavelmente longo e complexo, deixando atrás de si um interessante leque de sensações resinosas a fazerem lembrar sândalo, mirra e outros que tais, bem como uma ligeira doçura residual (passe a redundância). Questões etárias e de género à parte, confesso que apenas lhe estranhei a acidez tão vibrante, desenquadrada por excesso no ataque à boca, que me chegou a fazer pensar se a garrafa teria algum problema — isto durante a prova propriamente dita e no início da refeição que se lhe seguiu. Mas a partir daí as coisas compuseram-se, pelo que o alegado problema não seria mais que falta de arejamento.

Apesar de a colheita de 1997 ter sido relativamente fraca na região e consequentemente este não poder ser considerado um dos melhores exemplos de "Baby Grange", trata-se, indubitavelmente, de um bom vinho. Evoluiu com consistência e, embora possa já ter passado o apogeu, ainda aparenta ser capaz de dar muito prazer a quem o beber durante esta sua última caminhada. Custou 18€ na Garrafeira Nacional — preço deveras cordato, pelo menos tendo em conta estes dados proporcionados pelo Wine Searcher.com.

16,5

quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

D'Avillez — Reserva '2007

Vinho Regional Alentejano da Herdade dos Muachos — Portalegre. Que consiste num cosmopolita lote de Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Castelão. Que juraria estagiado em madeira, embora não tenha encontrado tal indicação em lado nenhum.

(Desculpem, mas não ando com paciência para escrever pseudo-romances a introduzir os vinhos, sobretudo quando não consigo encontrar graça nas estórias e histórias que lhes associo.)

Popped & poured; provado e bebido a 15ºC.

No princípio, fruta farta, doce. Depois caramelo, tabaco, café. A madeira, embora longe de se poder considerar impositiva, mostra-se sempre um pouco mais que apenas perceptível.

Apesar da madurez de alentejano de gema, não se prefigura um vinho quente. E embora não seja muito extraído, nota-se (para já?) adstringente quanto baste.

Quanto ao final, pareceu-me mediano em todos os aspectos.

Com o tempo de abertura e subsequente aumento de temperatura, o álcool mostra-se mais. A boca perde frescura; o nariz, definição. E o conjunto fica menos interessante, ainda que alguns possam dizer que mais típico.

Suponho que possa envelhecer pelo menos cinco anos sem qualquer problema. (Mas será que com algum ganho?)

5€.

15

terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

Velharias (18)

Posso agradecer ao meu priminho querido ter-me ensinado este precioso haiku. Assim reza:


Que eu não seja corno.

Se for, que não o saiba.

Se souber, que não me importe.


7/2/2005

domingo, 17 de Janeiro de 2010

Muros de Melgaço '2007

Vinho Verde Alvarinho da sub-região de Monção, produzido e engarrafado por Anselmo Mendes (Melgaço).

«Criado em adega tradicional, fermenta e estagia em barricas de carvalho francês» — do contra-rótulo.

Cor citrina.

No nariz, aromas característicos da casta. Muito cítrico, com casca de limão e lima; também pêssego e alperce, quase sem notas tropicais. Não lhe detectei qualquer traço de madeira. Bom, sem dúvida, mas demora um pouco a soltar-se.

Na boca é amplo e gordo, mas muito fresco. Diz-se que a acidez constitui a espinha dorsal de um vinho porque é ela que desperta o palato para os sabores que consigo fluem (isto soou gay, huh?) e é dela — mais que junto, em equilíbrio com um bom teor alcoólico — que depende directamente o potencial de envelhecimento do conjunto. Ora esta pinga tem uma espinha, uns ossos do caralho, a guiar sabor ao longo de todo o seu considerável comprimento... mas também álcool e extracto, corpo, carne suficiente para que, mesmo em jovem, a dita acidez não assoberbe o resto, não se sobreponha ao equilíbrio do todo. E isto é marca de grande vinho, perfeitamente capaz de proporcionar grande prazer daqui a dez anos — mas neste caso com a benesse de já ser capaz de o fazer agora.

Custou 15€.

17,5

sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

Garbage — Garbage



#12, Milk.

terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Borsao — Garnacha Mítica '2008

Este varietal Garnacha produzido pelas Bodegas Borsao proveio de vinhas plantadas em altitude, numa zona de clima continental e solos com boa permeabilidade, maioritariamente calcários e argilosos — às três pancadas, assim se pode descrever o terroir mais característico da D. O. Campo de Borja. Para os curiosos, mais e melhor. . . seguindo o link. Este vinho foi vinificado em enormes quantidades numa adega moderna (só não dizem como) e não passou por madeira.

Pode custar apenas 1,50€, mas não se duvide de que é vinho. Rico em fruta vermelha e negra, inicialmente com ponta de verdasco, a doçura em crescendo com o tempo de abertura. A dada altura, acaba por sugerir compotas, caramelo e maçã assada.

Apesar de simples e a tender para o ligeiro, tem sabor, álcool e acidez suficientes para nunca se mostrar chocho. Muito pelo contrário: é fresco e equilibrado, macio, e a fruta que mostra, quase sumarenta. Inegavelmente suave, mas nem por sombras deslavado — ao contrário da larga maioria das zurrapas que se costumam encontrar na gama de preços em que se insere.

Tendo em conta os seus predicados, o maior contra que lhe detectei foi certa falta de carácter: quisera armar-me em poeta da garrafa e dele diria que não parece coisa nascida, antes fabricada. Mas fabricada com brio!

Para beber enquanto jovem, ligeiramente refescado, a solo ou com pratos de carne pouco pesados — intensos — elaborados.

15

sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

Dalva — Colheita '1982

Perdoem-me a fotografia. Garrafa vazia, o rótulo todo fodido, assim a encontrei na manhã seguinte. Manhã às quatro da tarde, zumbido irritante nos ouvidos, a boca enlameada de baba velha e malcheirosa. O sabor da morte, blhec! A vozinha minguada que me pergunta se "Mi, abres a janela?" O barulho de uma torneira mesmo ali ao lado, tão alto. Uma lufada de vento frio, que porra, devem estar uns cinco graus lá fora e há que abandonar o cafum. A carne dorida recusa-se a responder, o seu próprio peso parece demasiado. As tripas cantam. Ah, que beleza! E depois a faina habitual. Aspirar, passar a pano. Cagar e tomar um longo banho perfumado. Mas em todas as notas de perfume consigo descobrir ou inventar traços anisados que me enchem de náuseas. . . Traumas antigos. Amarelo como a cera, ir ao café já de noite: ao café dos betinhos aonde a doença mental não me permite levar uma simples combinação de fato de urso e Kispo. E as vestes de gente civilizada a comprimirem-me a pança. . . Céus, detesto quando passa um dia sem que possa sair à rua a tempo de ver o sol!

Ora um dos bandidolas responsáveis pelo holocausto visceral que em torpes palavras acabo de relatar foi este tawny "Colheita" da C. da Silva, engarrafado em 2004.

Comprado e bebido no mesmo dia. Tinha calhado ir aos Olivais, acho que comprar argolas folhadas de chocolate, talvez também para um cafezito no Capri. Mas acabei por descer a Bernardo de Albuquerque e pouco depois dou por mim a olhar para as botelhas expostas na garrafeira de Celas. Não tinha em mente comprar nada, mas, que raio, proporcionou-se. Existe certa estranha forma de poesia em abater uma garrafa do ano em que viemos ao mundo.

Seria pura e simplesmente estúpido se depois desta lengalenga me limitasse a dizer algo como "cor dourada; nariz intenso de". . .

Mas fugir à estupidez é a sempre falhada missão de uma vida para todos nós, e mesmo assim poucos se apercebem disso. Se o tawny velho era dourado à vista? Sim. Se intenso de cheiro? Yup. E perpassante, cheio de caramelo melado e passas, nozes e evocações de massas frescas de pastelaria. E álcool livre, sim, algum, mais que perceptível. E um certo "quê" de acidez, mais ainda que mais que perceptível — definidor. Definidor e curioso.

E saboroso?, terá o tawny velho sido saboroso? Oh sim, sem dúvida! Quase magnífico! Lembro-me do longueur, da frescura, da doçura contida . . . da acidez "marcante para tawny". No calor do momento registei no meu caderninho negro do álcool: "proporciona uma muito boa amplitude de impressões no intervalo de sabores que se espera que um vinho deste estilo possa transmitir. mais austero, menos bombom que a larga maioria dos tawnies desta idade que me lembro de ter bebido. caralho, gostei mesmo".

Quando estou na boa (ou a cagar.me) como vírgulas. Troco hífenes por pontos. Borrifo-me para as maiúsculas, a la al berto. Viro um egomaniacozinho de merda, daqueles que dão vontade de matar a pontapé.

Ok, foda-se, estava drogado. Ainda assim, straight enough to the point. E como, de qualquer forma, nem me pagam para dizer bem de Dalvas velhos como duvido que algum coleguinha da concorrência venha fazer melhor. . .

. . . acreditem em mim, busquem e comprem. Ou fiem-se no belo caos que rege a natureza. . . e busquem e comprem porque sim.

50€.

17


P.S.

Yah, o 20 anos da semana passada é objectivamente melhor, mas hoje estou mais falador. Algum dos caros leitores me quer mandar um mail?

Ou, tipo, garrafas?

Ganza também serve.

Pronto, doações em geral.

Quando era puto, era bués fã de um graffiter lá da parvónia que curtia tagar caixas de electricidade: assinava Zoinks.

Zoinks, onde quer que estejas, man, peace.

Já viram que cromice, italizei sempre a palavra tawny?

quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

Blaudus — Touriga Nacional '2004

Monocasta Touriga Nacional produzido pela Artwine. As uvas foram sujeitas a desengace total, esmagadas por pisa a pé e ulteriormente fermentadas em lagares tradicionais (isto é, de pedra e abertos). O vinho resultante estagiou em barricas de carvalho francês. Encheram-se 5500 garrafas.

Nariz característico da casta, com sugestões cítricas de bergamota e algumas flores a envolverem um núcleo de fruta madura mas fresca, inicialmente um tanto discreta. Resinas e alguma tosta em pano de fundo.

Mais intenso na boca, onde também se apresenta mais focado na fruta — negra, amálgama indefinida de bagas e ameixa. Bom corpo e acidez, com final mediano e ligeiramente seco.

Em suma, trata-se de um Touriga bairradino igual a tantos outros, que não deslumbra nem compromete. Os 8€ que dei por ele não constituem exagero algum, mas também não significam nada de notável em termos de RQP.

Acompanhou bem q.b. um intenso lombinho de porco no forno.

15

quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010

Stultum facit fortuna, quem vult perdere.

terça-feira, 5 de Janeiro de 2010

Filmes (15)





Alguns acusam o autor de confundir longueur com profundidade. Outros não hesitam em incluí-lo entre os filmes das suas vidas. Eu, bem, não tenho opinião.

sábado, 2 de Janeiro de 2010

Taylor's — Tawny 20 Anos

Já aqui não meto um Porto há algum tempo; seja este.

Produzido pela Taylor, Fladgate & Yeatman, foi engarrafado em 2006 (ficha técnica, aqui).

Cor ambarina, a tender para o acastanhado. Agradavelmente perfumado, com notas de tosta e especiarias, ligeiro verniz, café e caramelo torrado a completarem um conjunto rico e aveludado, um tanto guloso, amplo, intenso e bastante persistente, onde predominam passas e frutos secos.

Portou-se lindamente, tanto com bolo xadrez como com castanhas assadas.

Custou pouco menos de 40€.

17,5



Do rótulo: «Deve ser servido ligeiramente refrescado (12 a 16ºC) num cálice de dimensões generosas».