sexta-feira, 30 de julho de 2010

Yo La Tengo — Shadows



Scold me, that's all you've got to say
Coldly hurt me and turn away
You say I'm not sorry that
I'm resolved to what is next
I head for the shadows

Hold me, taking it back in tears
You've told me, slowly confessed your fears
But I've got myself to protect
It's too soon for me to forget
I wait in the shadows

In the shadows, where I end up loved
They help me see that I've finally won
We wait in your heart

So until I truly believe
That your words convey what you mean
I wait in the shadows
I wait in the shadows
I don't mind the shadows

Yo la Tengo (em Benicàssim), 7/8/98.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Dow's — Colheita '1972

Engarrafado em 2004. Dourado. Com aromas de caramelo, tosta q.b. e frutos secos, o habitual toque melado e vagas sugestões de passas e almíscar. Fraquinho e morninho, sem persistência ou profundidade. Tem alguma complexidade, sim, embora menos que um "20 Anos" comum, o que nem é o pior, dado que a sua expressão pouco mais consegue sugerir que uma delicadeza anémica, chata, que só em alguns imaginários privilegiados se conseguirá confundir com finura.

Resumindo, é um Portinho.

1972 foi um ano fraco, já sabia. Ainda assim, esperava muito mais deste vinho — afinal, estava habituado a ver o selo do produtor como uma espécie de garantia de qualidade.

Custou cerca de 70€, valor que de forma alguma se pode considerar de referência. Quem tem em stock garrafas de Porto "Colheita" com alguma idade, vende-as ao preço que lhe apetece, é bem sabido.

De referir ainda o seu lançamento em certos mercados do extremo Oriente sob a forma de uma edição limitada, comemorativa do 34º aniversário de Bae Yong Joon, em coffret alusivo ao celebrado, acompanhado de um copo Riedel. . . Isto em 2006. Marketing global, heh?! Ao mesmo tempo, andam alguns dos iluminados cá do burgo a perder tempo com discussões em meio aquoso. . . sobre o sexo dos anjos. . . ;)

14,5

terça-feira, 27 de julho de 2010

Quinta da Alorna — Reserva (Touriga Nacional + Cabernet Sauvignon) '2007

Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon da Quinta da Alorna — Almeirim. Estagiou durante 12 meses em barricas de carvalho francês.

Rubi purpúreo, escuro. Impera a fruta, negra, ameixa e cassis maduros, bem casados com barrica que, presente na conta certa, traz complexidade extra ao conjunto. Uma ou outra nota fumada no nariz; algo mais que apenas isso na boca, macia desde já, com algum corpo, e onde, de resto, o sabor surge surpreendemente "verde", fresco, a fazer lembrar alperce e mentolados que se vão prolongando por um final de satisfatória persistência.

Forte e sumarento, é um vinho que não nega as origens. E, ao mesmo tempo, um Touriga não assoberbado por violetas e um Cabernet sem notas evidentes de pimento verde! Gostei muito.

Da casa que o produz, ainda só tinha provado a colheita de 2004 deste mesmo vinho, com que me lembro de ter ficado invulgarmente bêbedo enquanto via Les Rivières Pourpres, imediatamente antes de ir para a cama.

6€.

16,5

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Lavradores de Feitoria — Biganau '2005

Do contra-rótulo:

Engarrafado exclusivamente por Lavradores de Feitoria, S.A. / 5060 Sabrosa / Portugal para Ramazotti.

e

BIGANAU: expressão usada no Nordeste Transmontano que significa "rapaz grande". Diz a história que é derivado da expressão inglesa "bigger now".

13% vol.

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Fruta magra, talvez negra, cozida pela idade. Sabor levemente fresco, quase sem estrutura e de persistência negligenciável. Simples, simplório. Um vagabundo meio morto. Bastante inferior a este — mas convenhamos que, em vinhos assim, dois anos fazem diferença.

3€.

12

domingo, 25 de julho de 2010

São Domingos — Garrafeira '2001 (Dão)

Outro Dão já com uns anos de garrafa, outro tinto pautado pelo binómio equilíbrio/suavidade. Granada, muito macio, com notas de pele e alicorados. Ainda bem vivo na boca, fruto sério com travo especiado... nas duas horas seguintes à abertura da garrafa. Depois, quase chá.

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Foi produzido maioritariamente (70%) a partir de uvas Alfrocheiro. A ficha técnica está disponível para consulta na página do produtor.

5€.

15

Porta dos Cavaleiros — Reserva Seleccionada '1995

Postar no dia de não trabalhar. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy.

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Produzido pelas Caves São João. A informação disponível sobre como foi feito é escassa. Fala-se de um lote de castas típicas do Dão — Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen: será?, com mais que provável estágio em madeira.

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Cor granada, esmaecida. Vertido directamente no copo, revelou alguns cheiros parasitas, de garrafa. Deixei-o respirar. Aí, pele, nozes, fruta transformada. O conjunto esperado. Macio na boca, com algum corpo e frescor. Vivo, sem dúvida, mas curto e pouco expressivo. Bebe-se bem, pena que já lhe comecem a faltar as forças.

7,50€.

15

quinta-feira, 22 de julho de 2010

She Walks in Beauty

She walks in beauty like the night
Of cloudless climes and starry skies,
And all that's best of dark and bright
Meet in her aspect and her eyes;
Thus mellowed to the tender light
Which heaven to gaudy day denies.

One ray the more, one shade the less
Had half impaired the nameless grace
Which waves in every raven tress
Or softly lightens o'er her face,
Where thoughts serenely sweet express
How pure, how dear their dwelling place.

And on that cheek and o'er that brow
So soft, so calm yet eloquent,
The smiles that win, the tints that glow
But tell of days in goodness spent
A mind at peace with all below,
A heart whose love is innocent.


George Gordon, Lord Byron
From Hebrew Melodies,
1815

terça-feira, 20 de julho de 2010

Quinta do Vallado — Touriga Nacional '2006

Monocasta de vinha nova. Passou 16 meses em barricas de carvalho francês.

Violáceo.

Muito intenso. Fruta madura em primeiro plano. Bonita, como o cheiro das violetas. Terroso. Mas tanta madeira. . .

Na boca, começa a ser cremoso. Tem alguma profundidade, um toquezinho especiado especial e acidez suficiente. Tudo bem ligado. Só que o final amarga um pouco. . .

Maquillage c'est camouflage, apetece dizer. E o facto é que, tirando um pouco de eyeliner a mais, está um espanto.

Fica, no entanto, a dúvida: terá carne suficiente para aguentar o tempo necessário a que a máscara que agora ostenta tome a proporção devida?

20€.

16

Divinica '2008

Traz o selo da Kopke e o endereço web da Sogevinus, mas não aparece referenciado na página.

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Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinto Cão. Se esteve em contacto com madeira, não o notei.

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É simples, fresco e leve, moderado na fruta, os taninos a surgirem com alguma aspereza. Curto, sem distinção.

3€.

13,5

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sem-Fim '2008

Típico blend duriense (Tourigas Nacional e Franca, Tintas Roriz e Barroca) de vinhas com 20 anos, fermentado em cuba de inox e parcialmente envelhecido durante 12 meses em cascos de carvalho, foi produzido e engarrafado pela Vallegre.

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Lembro-me perfeitamente do '2006, da boa impressão que deixou. E este, que lhe é praticamente igual no que toca ao que consigo transmitir por palavras, pareceu-me, no entanto, menos afinado, como que a pedir garrafa. Combine-se com pratos leves.

4€.

14,5

domingo, 18 de julho de 2010

Borboletas de Origami (1)

Kawasaki, um clássico.


Alexander Swallowtail, uma dobragem do talentoso Michael LaFosse — tal como as seguintes,


Joyce Rockmore,


Emiko Fritillary e


The Baxter (à esq., a outra é uma pequena Swallowtail).


Estas dobragens foram feitas nas horas livres da Meh; os esquemas estão num livro muito giro: Michael LaFosse's Origami Butterflies: A Field of Discovery through a System of Design, de Richard L. Alexander e Greg Mudarri — Origamidō Studio; Haverhill, 2008 (link).

Fiuza — Três Castas '2008 (Branco)

Ter bebido recentemente uma quantidade apreciável de vinhos despretenciosos pode levar um indivíduo a dilemas inesperados.

Como, por exemplo, publicá-los. Não pelo falso problema de poder ou não estar a rechear o meu cantinho na net com material menor. Acredito, aliás, que sejam estas as notas mais interessantes para a maior parte dos visitantes que aqui caem em busca de opinião, pelo simples motivo de que tratam daquilo que tencionam consumir. O problema de que falo é outro, e apenas meu.

Quando um gajo chega ao ponto em que começa a questionar se não andará a escrever como quem coça uma camada de chatos, é possível que algo esteja mal. Em última análise, porquê? Para quê? Para ficar a sentir que me estou a falhar?

Claro que, enquanto me decido, se é que há alguma coisa a decidir, a inércia vai prevalecendo. E enfim, é neste espírito que vos trago outro "hit" das prateleiras dos supermercados; neste caso, da penúltima colheita disponível no mercado. Penúltima, não para me armar em diferente, mas porque era o que havia quando o comprei. Porque não? Por um lado, é sabido que 2008 foi uma colheita que deu bons brancos; por outro, de nenhum vinho que mereça ser chamado de tal se pode esperar um declínio relevante ao fim de apenas um ano em garrafa, mais coisa menos coisa.

Sobre o líquido, Arinto, Chardonnay e Vital, sem barrica. Vivinho da silva (olhem, um nome porreiro para este blog, merda só me ter ocorrido agora), com notas indistintas de flores e citrinos, mais o tropicalzinho da ordem, tudo encaixado com relativa precisão num corpo fresco, redondo e untuoso qb. Quando o bebi, gatafunhei ainda "alguma sapidez mineral", e juro que não estava ébrio. Mais uma observação que vale o que vale. Em suma, o branquela é simples, mas consegue agradar.

3€.

14,5

sábado, 17 de julho de 2010

Loios '2008

Com sucintez, os básicos da João Portugal Ramos — Vinhos, SA.


Branco:


Roupeiro e Rabo de Ovelha. Fermentado em inox, engarrafado sem crianza. Frutado, tropical simples, amparado por agradável acidez cítrica. Fresco e macio, de volume correcto, sem grande persistência.

Pessoalmente, acho que existem melhores RQP no segmento de mercado em que se insere.

3,50€.

14





Tinto:


Aragonês, Trincadeira e Castelão. Fermentado em inox, não passou por madeira. Jovem! Muito simples, focado na fruta, vermelha, permeada por suaves sugestões vegetais. Corpo leve, macio, sem ocos evidentes. Final curto. Fácil e correcto: por 3,50€, que mais?

Embora seja feito no espírito do branco (ou será o contrário? ou ambas as coisas?), pareceu-me melhor conseguido.

E no entanto, estranhamente ou não, gostei mais daquela garrafa de 2005 que bebi já com alguma idade. . .

14,5

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Quinta de Santo António do Serrado — Reserva '2004

Proveniente da quinta que lhe dá o nome, sita em Vilar Seco (Nelas). Que tem presença na internet. Constituído em igual percentagem por Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen, fermentou em inox e estagiou em barricas de carvalho francês com dois anos.

Arejou durante uma hora antes de servido. Escuro e concentrado, muito Touriga, surgiu repleto de sugestões de laca, verniz e violetas, marcado por notas de tosta e fumo, madeira saliente, bem como ligeiro desencaixe alcoólico. Trouxe consigo boa fruta, sobretudo na boca, negra, densa, madura mas não gulosa, a melhorar com o tempo de exposição.

No fim, deixou-me com a impressão de um vinho bem feito, com alguma estrutura, bastante equilibrado, não obstante o toque rústico que o caracteriza.

Para o preço, é dos melhores que já provei.

4€.

16

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Conserva de Limão

Dizem-na marroquina.


1. Escolhem-se os limões. De boa fonte, sem pesticidas.

2. Que se escovam; depois secam-se. Remove-se também qualquer eventual vestígio do caule.

3. Aplica-se a cada limão um par de cortes no sentido do comprimento, profundos, intersectados mais ou menos a meio do seu corpo, sempre sem seccionar as partes que definem.

4. Através desses cortes, recheiam-se com uma quantidade generosa de sal grosso: uma colher de sopa por fruto, aproximadamente.

5. Colocam-se num frasco alto. Embora não o tenha feito desta vez, o facto é que se podem temperar com sementes de coentro, louro, malagueta seca, canela em pau. . .

6. E pressionam-se para fazer o sumo sair. Fecha-se o frasco, deixa-se descansar tudo até ao dia seguinte.

7. Altura em que se voltam a pressionar, extraindo mais sumo. Procedimento que se repete nos dois ou três dias seguintes, até os limões estarem completamente cobertos de líquido. Caso não sejam sumarentos o suficiente, vai-se-lhes juntando sumo de limão espremido de fresco.

8. Após mais ou menos um mês, quando moles, os limões estão prontos a usar. A partir desta altura, será boa ideia conservá-los nos frigorífico, onde é natural que se aguentem sem qualquer constrangimento durante mais de meio ano.

9. Antes de usar, enxagua-se cada unidade, de modo a remover o excesso de sal, e corta-se em porções pequenas, fatias finas ou cubos miúdos, por exemplo.


Aplicações, depois.

Calços do Tanha '2005

Em estilo pseudo-telegráfico: tinto DOC de Manuel Pinto Hespanhol. Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca. 33330 garrafas produzidas.

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Fruta farta, madura, e o mato seco do Douro. Madeira? Não descobri se este vinho estagiou em barrica. Difícil de dizer com certeza nesta fase, mas juraria que sim, uma nesga. Alguma acidez. Globalmente equilibrado, apesar dos muitos taninos, a ponta de rusticidade. Final médio.

É parente deste, nota-se.

7€.

15,5

Faz tempo que nutro certa curiosidade sobre os "Reserva" desta casa.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Borges — Soalheira 10 Anos

Feito a partir de diversos vinhos provenientes de uvas das cinco castas recomendadas pelo estudo de João Nicolau de Almeida para a região do Douro, provenientes de vinhas com 30/40 anos da Quinta da Soalheira, propriedade da Soc. de Vinhos Borges, este tawny foi engarrafado em 2008.

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Aloirado. Maduro, rico, bastante intenso, com alguma complexidade nas notas de frutos secos, caramelo e passas. A configuração típica de um "dez anos" não bombom. Ligeiro fumo abaunilhado. . .

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Talvez o que mais o marca seja a presença de alguma acidez, "boa" para um vinho deste tipo, a conferir ao palato frescura invulgar. De resto, é fino e longo, coeso e muito saboroso.

20€.

16,5

terça-feira, 13 de julho de 2010

Adega de Pegões '2009 (Branco)

Ora aí está um branco francamente popular. Hoje em dia, mesmo os vinhos simplórios & baratinhos conseguem ser, na vasta maioria dos casos, se não interessantes, pelo menos correctos. E não poucas vezes, inequivocamente capazes de dar prazer.

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Parece-me ser o que se passa com esta solução de entrada de gama da Coop. Agrícola de Sto. Isidro de Pegões. Resultado da fermentação em inox de uvas Fernão Pires, Moscatel e Arinto colhidas em fins de Agosto, traz consigo um ramalhete de flores do campo, amarelas, talvez também brancas, tutti-frutti genérico, como o das pastilhas, e Eno de laranja. Levezinho, curto, de fundo adocicado, parco de acidez, a deixar uma vaga ideia de coisa chocha, algo desengonçada, acaba por ser menos interessante na boca, embora saiba ao que cheira.

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Não está nada mal para os menos de 2€ que costuma custar, embora o "colheita seleccionada" da casa seja bastante melhor.

14

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Filmes (18)





Aí fica a Christina Ricci a dançar numa pista de bowling.

domingo, 11 de julho de 2010

Behold!


Arcturus, o rato.

Quinta de Baixo — Garrafeira '2000

Baga de vinhas velhas, foi fermentado em lagar aberto e amadurecido em madeira avinhada.

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Escuro, de cor granada. No nariz, desde logo se nota tratar-se de um potente Baga com alguma idade, onde já é possível encontrar bastantes aromas de evolução: ferrugem, sangue, caça de pêlo e os seus almíscares característicos, fumo, caramelo torrado, café, tabaco. . . Por vezes confuso, mas, como um todo, fascinante.

Na boca, idem. Sápido, mineral, ainda taninoso, tem álcool e acidez notáveis e um corpanzil carnudo que tudo aceita, tudo harmoniza, permitindo encontrar-se um equilíbrio à primeira vista improvável no meio de tal conjunto de coisas grandes. É um vinho para a mesa, que ainda não atingiu o ponto ideal de maturidade (para o meu gosto), mas começa a estar bem.

20€.

17,5


Tenho um bicho de estimação novo. Wee. Vou fotografá-lo e pô-lo aqui. Só não direi como se chama por causa dos eventuais quimbandeiros, mas estive a falar com ele e ficou combinado que lhe arranjava um pseudónimo catita. A ver, a ver. . .

sábado, 10 de julho de 2010

Castelo Rodrigo — Reserva '2000

Mais um da Adega Coop. de Figueira de Castelo Rodrigo. Segundo o contra-rótulo, foi feito com Touriga Nacional e Tinta Roriz provenientes de vinhas velhas, tendo estagiado em madeira nova de carvalho francês.

Aroma rico, expressivo, di-lo-ia sumarento se não se notasse arredondado pelo tempo. Fruta vermelha em transformação, ginja e passas, framboesa doce, terrosa, bem como notas de mato seco, fumo e pele de carneiro, formam um leque bonito, de amplitude inesperada.

Na boca está firme e equilibrado, de sabor muito apelativo, dado a ausência de doçura livre não se intrometer na pureza da expressão da fruta. Acidez e taninos bem vivos, embora quase completamente cobertos. Final médio, com toque mineral.

Deixou-me a pensar em certos vinhos da sua idade, dez vezes mais caros e, no entanto, já todos fodidos.

5€.

16

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Casa de Santa Vitória — Reserva '2006

cabernet - syrah mais o tourigo português;

afinou treze meses em madeira nova.





concentrado q.b.

ameixa, cereja, cravinho, tosta. . . caramelo, chocolate, resina

fruto suculento, doce educado,

madeira de recorte peculiar,

tudo bem ligado —

com mais pele que músculo,

envolve-nos,

fascina-nos

e, se não tivermos cuidado,

acabamos por amá-lo —

dar-lhe mais que o que merece.


13€.

16,5

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Guadalupe — Selection '2009 (Branco)

Varietal Antão Vaz sem estágio em madeira, é mais uma novidade da Quinta do Quetzal. Ficha técnica, aqui.

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Cor citrina, límpida e brilhante, similar à do "colheita". Aromas de lima/limão, alperce e nectarina. Um pouco unidireccional, talvez. Impressões que confirma na passagem pela boca, muito viva, fresca e ligeiramente untuosa, de sabor agradável e persistente.

Foi feito para ser bebido jovem, mas poderá ganhar alguma complexidade com 2 ou 3 anos de guarda.

O PVP andará à volta dos 7€.

16


Nota: Provei-o bastante mais fresco que os 16ºC apontados no contra-rótulo como temperatura ideal de consumo. Temperatura essa a que, de qualquer forma, mantém o perfil, embora a fruta pareça mais madura e se libertem sugestões "ricas", meladas e de palha. . . acompanhadas de álcool q.b. e de uma boca francamente chata. O que me leva a pensar se não terá ocorrido algum errito de impressão.

Abadía Mantrús — Roble '2007

Como este surpreendeu pela positiva, resolvi dar uma hipótese ao seu manito mais novo. E sabem que mais? Fodi-me.

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Desde o primeiro momento até ao fim da garrafa, no dia seguinte, que o encontrei disperso, magro, aguado, a fruta esquiva, o álcool mal integrado, a deixar na boca uma sensação de quentura que nada tinha a ver com o todo verdoengo e resinoso que apresentava, um todo só de madeira, cacau e acidez, a fazer lembrar azeitona verde, salmoura . . . Pobre, que nem frescor conseguia transmitir!

Bah.

Custou menos de 3€.

12

Paço do Bispo '2008

Castelão com bastante cor, quase completamente primário, terroso, um pouco vinoso. Doce para a fraca evolução que apresenta.

Boca de entrada agressiva que, no entanto, rapidamente se esmaece num monólito de fruto negro adocicado, curto, com alguma frescura e taninos verticais. Ainda assim, mais convincente que o nariz.

Sintetizando, poderia afirmar tratar-se de um carrascão provido de identidade regional, verdugo que frequentou a Academia...

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Foi engarrafado pela Soc. Vinícola de Palmela.

2€.

13,5

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Egoísta '2005

Mais um da Herdade do Meio (Portel). O rótulo, bonito, refere ter sido elaborado a partir de Trincadeira, Aragonês, Syrah e Alicante Bouschet, não adiantando o que quer que seja quanto ao processo de vinificação ou estágio.

De cor rubi, escura, é um vinho bastante intenso, dirigido para a fruta, negra, muito madura e em compota, com algumas notas, algo vagas, de especiarias e marmelada. Na boca, quase macia, mediana em volume e persistência, de sabor concordante com o nariz, sobressai relativa calidez que, apesar de tudo, não incomoda.

Mais simples que os outros exemplares da casa já aqui provados, não deixa de ser um vinho bastante razoável, perfeitamente capaz de dar prazer, sobretudo com comida.

4€.

14,5

terça-feira, 6 de julho de 2010

Guadalupe '2009 (Branco)

Das novidades da Quinta do Quetzal, depois do Guadalupe tinto mais recente, trago-vos agora o branco de entrada da gama em questão, lote sem madeira de Roupeiro e Antão Vaz.

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De cor citrina, apresenta aroma jovem, simples e directo, essencialmente frutado, rico em sugestões de pêssego e respectivo caroço, complementado por ligeiras notas de alperce, toranja e (pareceu-me) palha. Mais fresco e muito menos doce que o habitual nos vinhos desta latitude, possui algum volume e estrutura, com os 13% de álcool a surgirem bem integrados. O final é curto.

Achei-o muito fácil de beber, mesmo sem comida.

O preço deverá rondar os 4€.

15

segunda-feira, 5 de julho de 2010

QUICK FIX

Esta merecia ser mais conhecida.



To put it country simple, Earth has a lot of things other folks might want — Like the whole planet,

And maybe these folks would like a few changes made, Like more carbon dioxide in the atmosphere And room for their way of life.

We've seen this happen before, right in these United States: Your way of life destroyed the Indian's way of life — The Indian reservation is extinction.

But I offer this distinction: I'm with the invaders, no use trying to hide that — And at the same, I disagree with some of the things they are doing

Oh, we're not united any more than you are.
Oh, we're not united any more than you are. Conservative faction is set on nuclear war as the solution to the Indian personality — Others disagree. Others disagree. Others disagree.

I don't claim that my methods are one hundred percent humane, but I do say, if we can't think up anything quieter and tidier than that . . .


We aren't all that much better than new earth aches. There is no place else to go,

The theater is closed. Cut word lines — Cut music lines — Smash the control images — Smash the control machine.



Ministry feat. William S. Burroughs, Just One Fix, 1992

sábado, 3 de julho de 2010

.beb '2007

Alentejano de Estremoz, criado por Tiago Cabaço, consiste num lote de Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, estagiado 6 meses em barricas de carvalho francês.
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Concentrado, quase retinto, quente, de corpo cheio, macio, repleto de frutos negros bem maduros, sobretudo ameixa, com toque especiado e de tosta das barricas onde estagiou, cacau e vegetal verde, assinatura inconfundível do Cabernet. Tem muito álcool, bastante acidez e corpo suficiente para envolver ambos. O final, de comprimento mediano, sugere azeitona Manzanilla.

Como afirma o produtor, vem na linha do .com. Mas é bastante melhor.

7€.

16

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Castelo Rodrigo — Espumante Bruto

Da Adega Coop. de Figueira de Castelo Rodrigo. Sem ano de colheita, feito com uvas Síria e Malvasia Fina.
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Cor citrina, desmaiada. Cheiroso, a maçã verde e palha. Nem longo nem curto, é fresco, apresentando relativa compostura e suavidade Alguma acidez, a suficiente. Bolha média e persistente, vigorosa. Simples, mas correcto.

Custou aproximadamente 4€.

14,5

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Paul Jaboulet Aîné — Domaine Raymond Roure '1999

Crozes-Hermitage proveniente de cepas com cerca de cinquenta anos, vinha implantada numa encosta granítica voltada a Sul/Sudeste, situada a Norte de Tain-l'Hermitage, adquirida pelo produtor em 1996. Fermentou longamente a temperatura controlada e estagiou durante um ano em barricas de carvalho francês (pois?), 20% das quais novas.

Cor rubi com halo atijolado, o nariz inicialmente dominado por acidez volátil, a pedir arejamento.

Duas horas depois, açúcar mascavado, caramelo, carne, malte, pêlo... já quase completamente terciário. De mansinho, o álcool ia também dando um ar de sua graça, misturado com um ligeiro toque medicinal, almiscarado, de que não desgostei.

Na boca encontrei-o fresco e deveras suave, com vagas reminiscências de cereja caramelizada e açúcar negro (kuro sato), muito macio mas ainda tenso, ainda com alguma estrutura, sem "ocos" evidentes, apesar do final relativamente curto.

Talvez aguente mais um ano ou dois. No entanto, em caso de dúvida...

23€.

16