quinta-feira, 30 de Setembro de 2010

Blaudus — Colheita Seleccionada '2006

Baga/Syrah bairradino, pertence à linha dita "jovem" da Quinta de Baixo. Fermentou em lagares abertos e estagiou em barricas de carvalho francês.

Nestes lotes, quando novitos, tende a mostrar-se mais o Syrah, vindo a adensar-se o carácter da Baga com o passar dos anos em garrafa, até esta acabar por prevalecer. Aqui, embora o vinho esteja jovem, fechado e pontudo, já predomina a Baga, um pouco verdosa, par a par com uma valente capa de tosta de madeira. E a princípio, também cheiro a estábulo, nem por isso agradável. Tem algum corpo e a boa acidez garante a vivacidade dos sabores ao longo da passagem pela boca, onde a fruta, negra, se revela mais alegre. A oxigenação traz-lhe folha de tabaco e chocolate amargo. É um bocado rústico, mas agradável. Para a mesa.

6€.

14,5

quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

Three quarks for Muster Mark!

So sailed the stout ship Nansy Hans. From Liff away. For Nattenlaender. As who has come returns. Farvel, farerne! Goodbark, goodbye!

Now follow we out by Starloe!
Finnegan's Wake — Episode 2: Part 4
— Three quarks for Muster Mark!

Sure he hasn't got much of a bark

And sure any he has it's all beside the mark.

But O, Wreneagle Almighty, wouldn't un be a sky of a lark

To see that old buzzard whooping about for uns shirt in the dark

And he hunting round for uns speckled trousers around by Palmer

stown Park?

Hohohoho, moulty Mark!

You're the rummest old rooster ever flopped out of a Noah's ark

And you think you're cock of the wark.

Fowls, up! Tristy's the spry young spark

That'll tread her and wed her and bed her and red her

Without ever winking the tail of a feather

And that's how that chap's going to make his money and mark!

Overhoved, shrillgleescreaming. That song sang seaswans. The winging ones. Seahawk, seagull, curlew and plover, kestrel and capercallzie. All the birds of the sea they trolled out rightbold when they smacked the big kuss of Trustan with Usolde.

And there they were too, when it was dark, whilest the wildcaps was circling, as slow their ship, the winds aslight, upborne the fates, the wardorse moved, by courtesy of Mr Deaubaleau Downbellow Kaempersally, listening in, as hard as they could, in Dubbeldorp, the donker, by the tourneyold of the wattarfalls, with their vuoxens and they kemin in so hattajocky (only a quartebuck askull for the last acts) to the solans and the sycamores and the wild geese and the gannets and the migratories and the mistlethrushes and the auspices and all the birds of the rockbysuckerassousyoceanal sea, all four of them, all sighing and sobbing, and listening. Moykle ahoykling!


James Joyce, Finnegans Wake, Faber and Faber, 1939.

terça-feira, 28 de Setembro de 2010

Reserva dos Amigos '2007

Vinho Regional da Estremadura, produzido pelas Caves Vidigal a partir de Tinta Roriz (70%), Castelão (20%) e Tinta Miúda. Não terá passado por madeira.

.
.

Cor rubi. Amálgama de frutos silvestres com ligeiro amargor no fim de boca. Simples, curto, magro e algo confuso, mas satisfatório em termos de concentração. Tem alguma acidez e o álcool aparece bem integrado. Fácil de beber.

Nada de especial, mas melhor que o monocasta Syrah do produtor que há tempos aqui publiquei.

2,70€.

14

domingo, 26 de Setembro de 2010

Grilos '2008

Lote de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, fermentou em cubas, a temperatura controlada e sob a acção de leveduras seleccionadas, tendo posteriormente sido estagiado durante meio ano em barricas de carvalho francês. O produtor tem presença na internet.

Curto, mas surpreendentemente firme e concentrado para um vinho da sua gama de preços, com acidez intensa e taninos envolventes, finos e numerosos, a enquadrarem aromas e sabores fortemente frutados, reminiscentes de framboesas, cerejas e caroços de cereja. A barrica, bem integrada, traz-lhe notas de baunilha. Com o arejamento, crescem sugestões de chocolate.

Moderno, jovem, correcto, mas acho que gostei mais do de 2006. Ainda assim, uma RQP notável.

3€.

15,5


Mais alguém reparou em até que ponto é mau o novo editor do blogger? Como está cada vez mais difícil conseguirmos fazer sair um post exactamente como queremos? E como é feio o código por ele gerado, cheio de redundâncias? MORRE, EDITOR NOVO! MORRE! BAH!

quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

A desolação dos peitos de frango

Deitados na mesa da cozinha
Nus, desolados
Puros e brancos
Sozinhos, perdidos,
Tão vulneráveis

As formas limpas da carne
Curvas perfeitas
Imaculadas
Cheias de beleza,
Suaves, perdidas em doce melancolia

Onde existe,
A tragédia reflecte-se em lágrimas
Sal e tristeza, uma linha prateada

É quando
Pérolas ácidas perturbam a calma
E um clarão brilhante rasga o silêncio.

Pacato '2008

Vem de Fronteira e o enólogo é Carlos Lucas — terá algo a ver com a Herd. Monte da Cal? Mas a página da Global Wines não fala dele, bem como mais ninguém.

.
.

Escuro, cálido e um pouco pesado. Claramente sem madeira. Mais groselha no nariz, mais framboesa no palato. Simples, mas cristalino nas impressões frutadas que transmite. Aparenta mais álcool que os seus "parcos" 13%. É macio e apresenta algum corpo. Curto, limpa a boca.

.
.

2€.

14

quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

Rozès — Special Reserve

Fundada por um francês em 1855, a marca pertence hoje à Vranken Pommery, que dispensa apresentações e tem um website fofinho.

.
.

Este reserva especial ocupará um lugar intermédio no portfolio do produtor, abaixo dos vintage character / LBV.

.
.

Foi bebido ligeiramente fresco, a 14ºC. Ruby, sem data de colheita ou engarrafamento. Cor de ameixa, escuro. Fruta super densa e cacau. Bastante álcool solto, doçura comedida, alguma estrutura, persistência moderada. Concentrado, mas unidimensional. Amargão: bom com queijo do Pico, melhor com chocolate.

8€.

15

Laurent Garnier — Greed

terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Château Petit-Mouta — Cuvée Grand Mouta '2005

Tinto de Graves, produzido pelos LaTrille-Bonnin. Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot. Estagiou em cascos de carvalho. Dele se encheram 12000 garrafas.

Passou meia hora no decantador antes de ser bebido. Granada, bastante escuro. Intensidade decente no nariz, assente em frutos vermelhos, cereja e amora silvestre, permeados pelo toque verdoengo característico dos Cabernet criados em zonas temperadas e notas de barrica, tostados e especiarias, cravinho, pão de gengibre. Tornou-se um pouco mais falador com o passar das horas, mas o seu perfil é frio. Gordito na boca, sabe ao que cheira. Apresenta muito boa acidez e taninos um pouco salientes. Daqui a uns anos, quando tanto eu como ele estivermos mais maduros :P será interessante o reencontro.

7€.

15

domingo, 19 de Setembro de 2010

Borsao — Crianza '2007

Elaborado a partir de Garnacha (60%) e Tempranillo. No catálogo do produtor, encontrar-se-á imediatamente acima deste.

Destaca-se no nariz a generosa fruta da Garnacha, negra, suculenta, com notas de rebuçado, que depois se vai misturando gradualmente com os tons mais pesados do Aragonês. Nota-se, como que em pano de fundo, uma agradável persistência balsâmica, resina, menta, alcaçuz, provavelmente advinda de passagem por barrica.

Embora curto, não lhe falta estrutura nem sabor. Tem acidez suficiente, o álcool, apesar de ligeiramente desenquadrado, transmite-lhe força, e apresenta alguma secura vegetal que amarga um pouco no fim de boca. Mais ambicioso que o Garnacha Mítica de base, não se pode dizer que tenha resultado livre de arestas — mas, mesmo assim, cativante e cheio de sentido.

2€.

15

sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Encostas do Tua '2007

Se a memória (abusado eufemismo de ignorância) não me atraiçoa, o mais proletário dos vinhos Vale da Corça.

Lote tipicamente duriense, foi feito com Tourigas Nacional e Franca e Tintas Roriz e Barroca. Tantos "e". Estagiou 10 meses em barricas de carvalho francês.

Rubi. Fácil, guloso, de traços apelativos. Focado na fruta, cresceu com o arejamento: a dada altura, fez lembrar caça, sangue e Moca. Mocha!, bom café iemenita: não um cacete, que se presume sempre inodoro, menos ainda aquilo que alegadamente se apanha ao fumar haxixe. Firme na boca, mostrou boa acidez e corpo suficiente para a envolver. Equilibrado, porque não? De notar ainda o sabor francamente agradável, mais sóbrio que o esperado após a prova de nariz, e o final médio/longo, bastante taninoso.

Talvez venha a ser engraçado ver que tal aguenta 4 ou 5 anos em garrafa, mas duvido que resista a bebê-lo todo agora.

Acompanhou uma espécie de rancho.

Custou 10€, um pouco menos.

15,5

quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Velharias (25)

Uma pessoa não é um mapa à espera de ser lido. Nunca nada está realmente dito. Todos podemos mudar.

— Jorge, aceita um conselho de um homem dez anos mais velho do que tu, peço-te. Não largues a felicidade. Agarra-te a ela com as duas mãos. Não a deixes escapar.

Disseste-mo bem devagarinho, firme mas suavemente, de olhos nos olhos, embora prostrado sobre a minha cama em pleno acesso de amargura custosamente contida, enquanto eu, naquele momento, por acaso, só por acaso, escrevinhava qualquer coisa sentado à secretária. Não me surpreendi, tãopouco te respondi; limitei-me a anotar fielmente o que ouvira numa margem da folha, que datei: 18/11/2003. Apenas um minuto antes admirávamos juntos e em silêncio as luzes da cidade espraiada a nossos pés, Luís.

Sim, Luís, estás triste. Estás doente, Luís, não te fizeste compreender. Não progrediste. E certo é que mesmo quem vive à espera, como que perdido no tempo, não é de forma alguma imutável. Nem mesmo nós.

Mas, ao contrário do Luís, bastava-me parar para descansar um pouco. Aspirar um cheirinho a liberdade e, talvez, tomar como verdadeiro aquilo que sinto. Ser simples e livre — simplesmente livre, para além do bem e do mal.

2005? 6? Tão seguro, tão enganado. Bem, o facto é que ainda cá ando; e bebo.

terça-feira, 14 de Setembro de 2010

Luís Pato — Vinha Pan '2003

Este é outro {monovinha, monocasta} de Luís Pato. Ficam a faltar os das Qtas. do Moinho e do Ribeirinho. . . talvez um dia, quem sabe. Como o do último enopost à data, foi elaborado a partir de Baga, desta feita de uma vinha com cerca de 20 anos, tendo estagiado durante 12 meses em carvalho de Allier.

Granada. Curioso! Reduzido q.b. imediatamente depois de aberto, mostrou-se fortemente alicorado — oxidado?! — após apenas meia hora de decantação. Ainda assim, cheio de fruta e, mais importante, retendo todos os traços característicos da casta. Cheio de fruta, dizia. Fruta de contornos difusos, confusos, mistura de bagas dos mais variados tipos, presentes sob as mais variadas formas, maduras, cozidas, maceradas, misturadas com aquilo a que os anglófonos chamam funk, e pêlo de bicho molhado, com terra, especiarias, talvez pimenta, sobre fundo que faz lembrar café, caramelo, açúcar mascavado, que cresce com o arejamento e se funde mais e mais com as notas oxidativas, a evocar xerez, casca de laranja cristalizada. . . enfim, não será pela quantidade de impressões proporcionadas que poderá apontar-se-lhe o que quer que seja. Na boca é macio (mas firme) e envolvente. Não tão sério como o V. Barrosa, um pouco menos denso também, mas, por outro lado, mais fácil, mais jovial. A alguma calidez alcoólica contrapõe-se uma acidez profunda, que equilibra. Muito necessária. Quanto a persistência, infelizmente, é apenas mediano.

Baga da new skool, pelo menos parece, enfim, um vinho porreiro, embora não impressione.

25€.

16,5

segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

Roy Stuart, The Fourth Body

É o quarto livro do autor.


Há quem diga que o livro é essencialmente um aproveitamento de sobras de sessões já publicadas. Uma porno-empada. Há quem diga que o filme que o acompanha é chato. Uma pornochachada (suavezita). Nós gostamos.


As pessoas que compram destas coisas podem encontrá-lo aqui.

domingo, 12 de Setembro de 2010

Luís Pato — Vinha Barrosa '2003

Bairradino da autoria do celebrado Luís Pato, proveniente de uma única vinha, onde as videiras, com mais de 80 anos, todas da casta Baga, se encontram implantadas em solo argilo-calcário e rodeadas por uma floresta de pinheiros e eucaliptos. Fermentou em cubas, a temperatura controlada, tendo depois estagiado durante um ano em madeira, nova e usada, de carvalho Allier.

Granada escuro. Aqui, o porte varietal impõe-se a um relato baseado em descritores comuns. Este vinho sabe e cheira a Baga. A dada altura, o nariz é quase só fruta. Ameixa suculenta e bosque: morango, amora, cassis, o verde resinoso das agulhas de pinheiro — ou eucalipto? — terra, castanhas, folhas mortas, cogumelos. . .

Simultaneamente fino e austero, é possuidor de uma estrutura notável, taninos numerosos, vagamente empoeirados, um pouco rústicos, e muita acidez. Durará mais uns anos, mas está muito bom agora. Uma vez, faz já algum tempo, li algures que o Qta. de Foz de Arouce VVSM seria o mais borgonhês dos tintos portugueses. Concordei até provar este.

Empurrou um valente bife.

30€.

18

sexta-feira, 10 de Setembro de 2010

Cat Power — What Would the Community Think



I still have a flame gun for the cute ones, And I saw your hand with a loose grip, On a tight ship

I still have a flame gun for the cute ones, To burn out all your tricks, And I saw your hand with a loose grip, On a very tight ship

And I know that in the cold light there's a very big man, A very big man leading us into temptation.

#4, Nude as the News

terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Castelo Rodrigo — Alfrocheiro '2005

Ainda outro varietal da Adega Coop. de Figueira de Castelo Rodrigo. Desta vez, feito com Alfrocheiro. Não terá passado por madeira. De 21700 produzidas, abri a garrafa nº 8158.

.
.

Cor atípica, rubi rosado de concentração mediana, talvez por força da idade. No nariz, amora, ginja e uma quantidade apreciável de álcool livre. Na boca é fino, delicado, talvez de mais, talvez um pouco tímido, também. Ligeiramente terroso. Está muito macio, com a fruta a ser aquilo que mais se mostra, ainda fresca, sem grandes sinais de transformação.

Bebi-o a empurrar frango assado e batatas fritas. Nem sempre tem de ser complicado.

Podem comprar-se coisas objectivamente melhores com os 4€ que por ele pedem, mas não desmerece.

14,5

domingo, 5 de Setembro de 2010

Termeão "Pássaro Branco" '2007

De Manuel dos Santos Campolargo, feito com uvas da vinha do Termeão, na seguinte proporção: para três partes de Touriga Nacional, uma de Castelão (tão balalão, cabeça de cão. . . heh). Terá passado por madeira, mas não apurei por quanto tempo.

Guaraz bebé, de plumagem branca. Curiosa a referência ao pássaro, que nasce branco e se torna vermelho com a idade. Mito? Algum tipo de Cardeal? Não interessa. Do vinho: goiabada, bergamota, lagar de azeite e só um bocadinho de madeira. Boa acidez, porte mediano (nada de especial, realmente) e taninos domados. O paladar detecta resquícios de madeira. Curto, termina forte e surpreendentemente quente. Evolui rapidamente para notas achocolatadas, tem momentos em que faz lembrar um Syrah do Baixo Alentejo. Curioso. Mais giro (cute) que propriamente belo, é um vinho jovial e que já está pronto a beber.

6€.

15,5

quinta-feira, 2 de Setembro de 2010

Caves Velhas — Bucellas (Arinto) '2009

Varietal Arinto, de Bucelas, produzido pelo Grupo Enoport. As uvas, consta, provêm da Quinta do Boição.

.
.
.

Cor citrina. Ligeira agulha. Pêssego, alperce, caroço de pêssego. Limonete, maracujá. Cheio de flores de árvore de fruto. Tenso, fresco e seco. Compostinho.

Já falado q.b. noutros espaços, também a mim impressionou bem. É um vinho correcto, agradável e, acima de tudo, sem merdas. Viva ele.

4€.

15,5