domingo, 27 de Fevereiro de 2011

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2007

O lote é composto por Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Syrah dos solos arenosos de Sto. Isidro de Pegões. Fermentou em inox e amadureceu em meias-pipas de carvalho francês e americano.

Gostei deste vinho. Da barrica suave, que lhe conseguiu trazer complexidade sem o tingir com tostados ou abaunilhados evidentes, da fruta sóbria, do toque polido, do sabor seco e persistente. Atravessa um momento muito bonito. Fez lembrar este, mas mais fino.

Só mais uma coisa: gosto da ousadia com que colocaram, explícito, no contra-rótulo, que envelhece bem durante 10 anos — e gosto de pensar que há boas hipóteses de que tal seja verdade.

5€.

16,5

sábado, 26 de Fevereiro de 2011

Fluke — Risotto



#1, Absurd. Wiki, aqui.

quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

Quinta da Costa das Aguaneiras — Vintage '2005

O menos jovem e também o melhor dos Vintage da Casa de Mateus que aqui figuram — em jeito de auxiliar de memória, seguem os enlaces para os posts relativos às edições de 2006, 2007 e 2008 deste mesmo vinho.

Cheio e aveludado, doce sem ser enjoativo, ainda com muita fruta, negra e azul, que juraria bem madura, difícil de definir porque misturada, e notas de tosta a compor, e álcool, flores, verde, tudo bem medido, tudo bem colocado. Apesar da descrição desinspirada, um conjunto francamente agradável.

É um vinho que já não está propriamente viçoso, mas que apresenta, pelo menos neste momento, um compromisso quase irresistível entre força e equilíbrio. Embora seja novo, ainda fora da "fase burra", e nestas coisas nunca se saiba com certeza, promete dar alegrias a quem conseguir guardá-lo mais uns bons anos.

17

domingo, 20 de Fevereiro de 2011

Adega de Pegões — Touriga Nacional '2008

Cor carmim. Desde cedo lhe notei intenso cheiro a bergamota, dos mais límpidos de que me lembro, a destacar-se dos seus pares, todos eles aromas customeiros dos Touriga novos e todos eles de boa qualidade: as cerejas e ameixas num estado de maturação adequado, o álcool bem integrado, as violetas presentes mas discretas, bem fundidas com especiarias quentes e fumados de madeira nova. A boca cheia e bastante equilibrada, apesar dos taninos jovens, de sabor firme e complexo, a fazer lembrar chocolate amargo, um pouco picante no final. Numa palavra, rico.

Acompanhou uma arrozada de pato no dia da visita dos nossos amiguinhos fofinhos D & T. Faz tempo que não tocava num tinto da Adega de Pegões, e é com prazer que noto que o conteúdo das garrafas continua bom, se é que não melhorou, dado que, talvez a par deste, é o melhor varietal deles que me lembro de ter bebido.

5€.

16

quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

When it comes to bedbugs there is a board of health regulation against spraying beds and that of course is just where the bugs are in most cases now an old wood house with bedbugs back in the wood for generations only thing is to fumigate . . . So here is Mamma with a glass of sweet wine her beds back and ready . . .

I look at her over the syrupy red wine . . . "Lady we don't spray no beds. Board of health regulations you know."

"Ach so the wine is not enough?"

She comes back with a crumpled dollar. So I go to work . . . bedbugs great red clusters of them in the ticking of the mattresses. I mix a little formaldehyde with my kerosene in the spray its more sanitary that way and if you tangle with some pimp in one of the Negro whore houses we service a face full of formaldehyde keeps the boys in line. Now you'll often find these old Jewish grandmas in a back room like their bugs and we have to force the door with the younger generation smooth college trained Jew there could turn into a narcotics agent while you wait.

"All right grandma, open up! The exterminator is here."

She is screaming in Yiddish no bugs are there we force our way in I turn the bed back . . . my God thousand of them fat and red with grandma and when I put the spray to them she moans like the Gestapo is murdering her nubile daughter engaged to a dentist.

William S. Burroughs — Exterminator!, 1973

segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011

Casa de Santar '2007

Segundo a ficha técnica disponibilizada pelo produtor no respectivo site, trata-se de um lote de Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, fermentado em cuba de inox, a temperatura controlada, e que posteriormente foi estagiado em barricas de carvalho francês durante seis meses.

No nariz predomina a fruta, negra, sobretudo ameixa e amora; também bergamota e ligeiras notas de fumo — aromas bonitos e bem casados. Na boca é razoavelmente longo, polido e muito fresco, mas acima de tudo harmonioso, quase elegante: interrogo-me se haverá quem seja capaz de não gostar dele.

5€.

15,5

sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

Fontanário de Pegões (Branco) '2009

Volto a escrever sobre vinho e desde já deixo a ressalva: não tomem a estas palavras um peso que não lhes quero dar. Porque, como costuma dizer certa pessoa que muito estimo, a respeito do seu espaço: orgulhosamente amador — ao que eu, a respeito deste, sem qualquer problema acrescento: e descomprometido também.

Quanto ao vinho, trata-se de um branco de Palmela, produzido pela Coop. de Sto. Isidro de Pegões. Maioritariamente Fernão Pires, (chamam-lhe Maria Gomes na Bairrada), não terá passado por madeira.

Nota de prova? Serei breve: nariz floral e vegetal, muito levezinho e indefinido; tem boca fresca, com travo adocicado; é curto e relativamente plano, com falta de acidez.

Gostei mais do Adega de Pegões branco normal — embora aqui não seja de negligenciar a possibilidade de oito meses em garrafa terem feito diferença.

É branco para peixe cozido, talvez, sei lá.

2€.

13,5

quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Filmes (25)

Valerie a Týden Divů (Valerie and Her Week of Wonders)



Fez-me lembrar, vagamente, aquela história da pequena Blondine que se perde na Floresta dos Lilases e encontra um gatinho branquinho, falante e muito bonito, que a leva para um spa cheio de lebres dóceis e coisas de ouro, onde cresce imaculada, uma espécie de pita de cristal que, certo dia, tentada por um papagaio mau que a espicaça com o apelo do desconhecido, deixa o seu quotidiano cheio de bem e acaba por libertar um terrível feiticeiro que estava preso há colhões dentro da mais bela rosa, ansioso por vingança. Então a floresta vira merda, o gatinho morre, a mãe dele, que se a memória não me falha era uma lebre, também, e para onde quer que Blondine olhe só vê horrores, animaizinhos peludinhos com os pescocinhos partidos e as tripas de fora, cardos e urtigas e niggas bué de ordinários a cravar trocos nas esquinas, decerto para o crack, oh, a monstruosidade!, e chora, chora perante a imagem do paraíso perdido por sua culpa, mas, quando realmente parece que está tudo mais que fodido, aparece a consciência de que o arrependimento pode remediar muitas faltas, e assim, montada numa sábia tartaruga que, já não me lembro bem, acho que também era a própria consciência, trilha o longo caminho até à redenção, não de dor ou alguma coisa, assim, inapropriada para uma pita de cristal que também é princesa, mas de tédio e abnegação, um pouco como se a tivessem mandado ir trabalhar, e no fim chega algures, onde, apenas pela provação da viagem em que, essencialmente, não fez nada, reverte completamente o estado das coisas, manda o feiticeiro para o caralho sem qualquer tipo de luta, que nem a alma se lhe aproveitou e, já não sei bem como, acaba casada com um príncipe todo bom, que afinal era o gatinho bonito da sua infância, todo desenfeitiçado, para viver feliz e, claro, para sempre, no meio do arco-íris, onde, como é do conhecimento comum, as princesas e príncipes encantados passam o tempo a ser felizes, a fazer meninos sem sexo, em bosques de flores e borboletas. Livros da minha infância, muito pré-Google. . . perfeitos para ler na companhia de uma boa garrafa! Oh, coisas que é como se nunca tivessem existido. (Foda-se, por aqui até parece que vi Maladolescenza aos 12 anos e sob o efeito de LSD, mas juro-vos que não). Sobre o filme, este, wiki aqui. Para mais informações, porque não vê-lo? A janelinha *.avi é um acto de partilha, um teaser para algo de que gostei e que, presumo, alguém que aqui caia e se deixe levar pela curiosidade também possa vir a apreciar — e já vai na parte 25. Aproveitem?

terça-feira, 8 de Fevereiro de 2011

Casa de Saima — Reserva '2005

Baga principalmente, fermentado em lagares e estagiado em tonéis avinhados, sugere o contra-rótulo.

De notar que este terá sido o último Saima não Garrafeira a assentar em Baga, uma vez que, ao que tudo indica, não houve Reserva em 2006 e a colheita mais recente disponível no mercado, de 2007, já traz a quase metade de Touriga Nacional que o povo impõe. Impõe... pelo menos há quem pense que sim.

Encontrei-o próximo do seu predecessor imediato, tanto em termos de conceito como de realização. A casta mostra o seu lado frutado, com generosos aromas de ameixa, figo e groselha negra a verem-se envolvidos por notas de estágio. Na boca continua forte e bem estruturado, a indicar um mais que razoável potencial de guarda. A ver se o 2007 se porta assim.

Acompanhou bife com batatas fritas e um ovo a cavalo, ou seja, bifeteck à cheval . . . nay, eu não sou gourmet, lol.

5€.

16

domingo, 6 de Fevereiro de 2011

Maria Mansa '2004

Vinificado na Quinta do Noval, propriedade histórica do Douro que desde 1993 pertence à AXA Millésimes — um click aqui, levará o leitor interessado ao catálogo respectivo.

Feito com Tinta Roriz e as Tourigas da praxe, este vinho apresenta cor granada e um aroma muito meh, apesar de, no papel, poder parecer completo — frutos pretos e passas, cacau amargo, especiarias, notas redutivas e mato. Na boca é curto e um pouco áspero, a dar para o ligeiro, e, dentro desse registo, relativamente equilibrado, apesar de leve excesso de álcool. É um vinho simples, fiel às castas que o compõem, talvez também à terra, mas sem qualquer espécie de brilho. Compará-lo com o Cedro do Noval, que custa apenas pouco mais do dobro, é, passe a expressão, comparar merda com pão-de-ló.

Em jeito de P.S., será que os que melhor servem o Vinho são aqueles que se esforçam por servir ao consumidor o melhor vinho? E já agora, quem servirá melhor o consumidor, famílias ou corporações? Será que faz diferença? Será que pode fazer?

5€.

14

sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

Fever 103°

Pure? What does it mean?
The tongues of hell
Are dull, dull as the triple

Tongues of dull, fat Cerberus
Who wheezes at the gate. Incapable
Of licking clean

The aguey tendon, the sin, the sin.
The tinder cries.
The indelible smell

Of a snuffed candle!
Love, love, the low smokes roll
From me like Isadora's scarves, I'm in a frigh

One scarf will catch and anchor in the wheel
Such yellow sullen smokes
Make their own element. They will not rise,

But trundle round the globe
Choking the aged and the meek,
The weak

Hothouse baby in its crib,
The ghastly orchid
Hanging its hanging garden in the air,

Devilish leopard!
Radiation turned it white
And killed it in an hour.

Greasing the bodies of adulterers
Like Hiroshima ash and eating in.
The sin. The sin.

Darling, all night
I have been flickering, off, on, off, on.
The sheets grow heavy as a lecher's kiss.

Three days. Three nights.
Lemon water, chicken
Water, water make me retch.

I am too pure for you or anyone.
Your body
Hurts me as the world hurts God. I am a lantern —

My head a moon
Of Japanese paper, my gold beaten skin
Infinitely delicate and infinitely expensive.

Does not my heat astound you. And my light.
All by myself I am a huge camellia
Glowing and coming and going, flush on flush.

I think I am going up,
I think I may rise —
The beads of hot metal fly, and I, love, I

Am a pure acetylene
Virgin
Attended by roses,

By kisses, by cherubim,
By whatever these pink things mean.
Not you, nor him

Not him, nor him
(My selves dissolving, old whore petticoats) —
To Paradise.


S. Plath, 'n "Ariel" (outra vez)

terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011

Casa de Saima — Garrafeira '2001

Os vinhos, aprecio-os quase da mesma forma que o faço com os homens. Hah! O que mais aprecio num homem, eis algo que já me perguntaram mais do que uma vez. E àqueles que perguntaram, respondi sempre da mesma maneira: que saiba quando estar calado, bem como a quem perguntar.

Pois este vinho, pelo menos para mim, é assim, como os melhores homens. Mas adiante. . .

Retaste. 95% Baga proveniente de vinhas velhas, estagiou à antiga bairradina, em tonéis avinhados. Repleto de elementos primários, encontrei este exemplar mais jovem que o bebido em Agosto de 2008. Baga pujante, terroso, longo e concentrado e bruto e fino à sua maneira, com cabedal e figo seco. Está a começar a ficar macio, mas ainda tem muita fruta. Para ir bebendo, ir guardando, ir bebendo, ir guardando, ir bebendo. . .

Não será dos maiores Bairrada de sempre, provavelmente, mas mesmo assim. . .

Ainda me lembro de que os comprava a 15€.

18

Quinta da Ponte Pedrinha '2006

Hoje até acordei a pensar na vizinhança, mas não vou marrar. Acordei bem disposto e está um dia glorioso, sol de Inverno, seco, frio, super agradável. Está decidido: hoje não direi mal das hienas. Até porque, afinal, se ser um cínico como eles ainda não me está no sangue, é porque toda a vida tenho cagado bem, graças a Deus, e é feio apontar o dedo a quem sofre sem culpa, por pouco aprazível que possa ser ouvir os seus estertores.

Por isso, porque não me dá trabalho e porque (alguns) de vocês que aqui vêm ter gostam, passarei, como de costume, aliás, a falar de bebida. Trata-se, pois, da pinga do título, um Dão proletário, produto de entrada de gama do produtor e, ao mesmo tempo, um Jaen com 14,5% de teor alcoólico.

Cor granada. O aroma é austero e um tanto pobre. A fruta está presente, ginja, talvez, talvez parte em compota, misturada com outras coisas, mas, o que importa, sem suculência nem generosidade, entrecortada por apontamentos de queijo, sabão e azeitona parda. Simultaneamente seco e húmido, passa áspero pela boca, sobretudo no final. O sabor tem presença, tem frescura e é franco na medida em que acompanha o cheiro. Apesar de tudo, o equilíbrio do miolo é razoável. Alguns dos cheiros parasitas desvanecem-se com o ar. Ok.

Gosto do perfil dele, transpira genuinidade. Mas eu sou daqueles gajos fodidos que acreditam que o recorte não é tudo, que, aparte o estilo, o fundamental está na execução, e assim, por mais que tenha gostado dele, tenho de reconhecer que, objectivamente, é um vinho que deixa um bocado a desejar.

4€.

14