quinta-feira, 31 de Março de 2011

Lavradores de Feitoria — Gadiva '2007

Relativamente ligeiro, mas mesmo assim curto e grosso, com tanino. Como um puto malcriado, mas bonito. (Porque me terá ocorrido um puto malcriado antes de, por exemplo, uma pita do skate? Mau!) Amora e folha de amoreira, ameixa e azeitona preta, um pouco de mato seco, talvez esteva, talvez rama de tomateiro, quem sabe se ambos. Ademais, álcool, cheiros de Touriga e aquele mínimo de barrica necessário e suficiente para o tornar não unoaked. Não surpreende, aliás, poderia muito facilmente servir de espécime representativo do tinto da sua idade e proveniência, inserido na sua gama de preços — penso que era mais ou menos isso o pretendido quando o lançaram.

Face ao de 2005, bebido em 2008, não perde nem ganha.

3€.

15

domingo, 27 de Março de 2011

Krohn — Colheita '2000

Granada acastanhado no copo. Intenso cheiro a passas, muitas especiarias, caramelo e açúcar queimado também. Frutos secos, e já agora ranço, apenas um pouco, e mais no fim de boca. É um vinho porreiro, rico e gordinho, muito mais vivo que complexo, com alguma acidez e ligeiro bite (como se quer no whisky, no Porto nem tanto) — super prazeroso.

Bebeu-se com bolo de Ançã, em duas versões distintas, que trouxemos (há bocado) da feira anual respectiva. Quanto a esta, um par de considerações, coisa pessoal, necessariamente incompleta, mais de curioso de passagem que de sucedâneo de jornalista. Chegámos de manhã, ainda cedo. Fresco, meio sol, uma igreja, simples e bonita, muito interessante, um burro, meia dúzia de barraquinhas com bolos à venda, os homens do bombo, famílias. Giro, tranquilo, Portugal real sem a populaça em algazarra nem a poetice pedante que cada vez mais se vê associada à promoção do típico — gostei.

18€.

16,5

quinta-feira, 24 de Março de 2011

Esmero '2009 (Branco)

Branco de Rui Xavier Soares, proveniente de vinha com 30 anos, implantada em terreno de transição (xisto para granito) e composta por cepas de várias castas, misturadas, com predominância de Gouveio, Fernão Pires e Viosinho. Não passou por madeira. Para terminar a introdução da praxe, ficam as indicações de que desta colheita resultaram 3300 garrafas, não numeradas, e de que o produtor tem presença na internet.

Passando à prova, bastante cor para a idade. Nariz austero, doçura zero, palha, tremoço, maracujá. Cheiroso e cheio de sabor. Nem longo nem curto, mostrou-se gordo, sápido e refrescante. E no fim, bastante equilibrado também. É um belo exemplar de branco do Douro; se tivermos em conta o preço, então, teremos de considerá-lo impressionante.

Mudando um pouco de assunto, e porque isto é um enodiário, aqui fica o registo de que agora, neste preciso momento, me deu uma súbita vontade de rever Me and You and Everyone We Know, embora saiba de antemão que hoje não terei tempo para tal. Fecho o post com o customeiro binómio "valor associado / indicador de qualidade".

6€.

16,5

terça-feira, 22 de Março de 2011

Filmes (28)





Estes holandeses são loucos! :P

sábado, 19 de Março de 2011

Quinta do Cardo '2007

Comprado, provado e bebido logo depois do do post anterior. Feito a partir de Touriga Nacional e Tinta Roriz plantadas em altitude, fermentou em inox, tendo posteriormente estagiado durante nove meses em barricas de carvalho francês. Colheitas do mesmo produtor, já por aqui passaram as de 2004 e 2005.

.

Rubi escuro. Cheio de madeira, a amargar. Atirado contra um grelhadão valente, acabou por mostrar alguma fruta, preta, rica, como dizê-lo?, underneath. No mais, possui algum volume, é bastante mais fresco que o rosé que o acompanhava no pack promocional e, globalmente, nota-se bem feito. Pena tanto pau e chocolate amargo. . . precisará de tempo? Mas, e os taninos já dóceis? A ver. Para já, não convenceu.

3€.

14

sexta-feira, 18 de Março de 2011

Quinta do Cardo — Rosé '2009

É raro, muito raro, beber rosé. Isto porque, acima de tudo, se consigo encontrar brancos ou tintos porreiros, francamente capazes de dar prazer, no intervalo entre os 3 e os 5€, tenho notado ser demasiado comum precisar de gastar tanto ou mais e, ainda assim, ao mesmo tempo, ter alguma sorte para conseguir encontrar um rosé minimamente agradável.

Chamem a isto preconceito, estou-me nas tintas. Para mim, preconceito é forçar o gosto a interesses comerciais, sacrificar o que sabe bem à necessidade de aceitar, ou ser visto a aceitar toda e qualquer novidade que se lembrem de me propor. Existirão certamente bons exemplares deste estilo, mas duvido que sejam numerosos — ou brilhantes.

Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. Servido a 12ºC. Rosé avermelhado, da cor do fruto da rosa canina, trouxe consigo aromas a coisas simultaneamente doces e acídulas, a fazer lembrar morango, muito ao de longe. . . morango ou outro fruto vermelho qualquer. Na boca, algum peso, doçura saliente e uma acidez estranha, vincada, quase agressiva, mas mesmo assim incapaz de refrescar! A princípio, notei-lhe ligeira agulha, bolhinhas coladas às paredes do copo, que rapidamente se desvaneceram. O final, curto — ainda bem.

3€.

12,5

terça-feira, 15 de Março de 2011

Fofins,

fala o dono, toca a escutar com atenção.

Durante muito tempo, apareceu publicidade não solicitada dentro dos iframes que albergam algumas das músicas e jogos de xadrez que aqui partilho.

Bem sei que isto poderá não interessar a praticamente ninguém, mas tal problema encontra-se resolvido: finalmente, mudei de provedor. Agora estou aqui — e, até ver, muito contente.

Amanhã, vinho, acorde eu cedo. Há garrafas em fila de espera.

domingo, 13 de Março de 2011

Borges — Roncão 20 Anos

Já andava com saudades de um bom tawny: de momento, muito provavelmente, o meu tipo de fortificado favorito. Este é da Borges, engarrafado em 2007; a ficha técnica pode consultar-se no sítio web do produtor. Cor âmbar. O aroma, comedido na doçura, apenas vagamente melado, é uma mescla complexa de abacate e frutos secos, passas, resina velha e maresia — interessante e agradável. Na boca existe firmeza e equilíbrio, algum corpo e uma boa dose de untuosidade nobre, embora nunca chegue a alcançar, por exemplo, a finura deste. O final, reminiscente das notas de nozes levemente rançosas do ataque ao nariz, é saboroso e bastante prolongado.

Entre este e este, ainda prefiro o outro, mas por muito pouco.

Utilizei-o como acompanhamento de um leque de sobremesas razoavelmente amplo: esquecidos, donuts, croissants de chocolate, queques de noz (etc.), ao longo de vários dias.

40€ aprox.

17,5

quarta-feira, 9 de Março de 2011

Filmes (27)





De Andrzej Żuławski, com Isabelle Adjani e Sam Neill (1981). Alegoria para o divórcio onde os produtos dos desejos reprimidos dos protagonistas acabam por ganhar forma física, está impecavelmente fotografado e conta com gloriosas cenas de gritaria. Pena a aparição ocasional de um monstro de aparência dúbia e, acho que ainda mais, de breves momentos que remetem um gajo para Alerta Cobra e afins. No entanto, contando que nas duas horas que dura existirão, no máximo, 7 ou 8 minutos de coisas objectivamente tristes, facilmente dissociáveis do resto e que, na minha humilde opinião, não arruinam o todo, é um filme muito giro, que não posso deixar de recomendar.

terça-feira, 8 de Março de 2011

Quinta de Cabriz — Reserva '2006

Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinta Roriz, produzido pela Quinta de Cabriz, agora parte da Global Wines. Segundo a ficha técnica, estagiou durante nove meses em barricas de carvalho francês. Polido e bem dimensionado. Tem força, tem frescura, tem frutos vermelhos, maduros, apetitosos, e caruma, baunilha, coco. . . estes dois últimos demasiado evidentes, demasiado "postos ali" para o meu gosto. Gosto mais do perfil destes — a comparação é legítima, pensemos nos predicados. . . Para terminar, e não me canso de o dizer, valha-nos o deserto de ideias que tem pautado este espaço, o conceito por detrás destes vinhos é porreiro: por um preço cordato, é-nos trazido um Dão puro, de características bem definidas e facilmente reconhecíveis, mas também um Dão, por assim dizer, mais tecnológico, com produções relativamente fartas e de qualidade uniforme (e boa).

8€.

16

sábado, 5 de Março de 2011

Quinta da Ponte Pedrinha '2008 (Branco)

Citação pertinente, ou porque é que mesmo assim mudam certas coisas que sempre pareceram bem:

"People generally — and inexperienced men always — are more easily moved by the hope of gain than by the danger of loss. And yet the contrary should be true, for the desire to keep is more natural than the desire to gain. The reason for the mistake is that, ordinarily, hope is stronger than fear. Men easily allay their fears, even when they are warranted; and hope, even when there is no hope."Francesco Guicciardini, Maxims and Reflections of a Renaissance Statesman, Harper & Row, 1965, trad. para o inglês por Mario Domandi.

Como da circuntância envolvente estamos falados, pelo menos que chegue para um post, vamos ao vinho. Foi feito com Arinto, Cerceal e Encruzado da quinta que lhe dá o nome. Não terá passado por madeira. Simples e agradável. O cheiro, pouco doce, limonado, trouxe consigo musgo e humidade. Na boca, de fundo levemente melado, notou-se alguma acidez, mas também alguma complexidade. O final, curto. Bastante bom com pães de queijo, a meu ver (a S. achou execrável).

4€.

15

quinta-feira, 3 de Março de 2011

Quinta do Javali — LBV '2005

Sobre o produtor, link (actualmente em manutenção). Bebi uma garrafa do seu correspondente de 2002 há coisa de dois anos e, tanto quanto me lembro, não desagradou. Posto isto, deixo-vos a chata da nota de prova:

Fruta achocolatada densa e escura, especiarias, lagar. Acho que lhe apanhei notas de peixe fermentado tailandês, o chamado pla ra. Simples mas consistente, ameixa e ameixa, ameixa e flores, ameixa e chocolate, algum tanino, algum calor, lá foi correndo, noite dentro, até ao fim da garrafa.

Em jeito de resumo/conclusão, é um LBV mediano — o que faz com que, em termos globais, digo, do mundo todo, lol, seja um fortificado muito interessante.

10€.

15,5

terça-feira, 1 de Março de 2011

Filmes (26)






Waiting a million years, just for us.





What we see and what we seem are but a dream, a dream within a dream.