sábado, 30 de abril de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Verdelho '2009

Até ver, passei o dia de hoje a fazer coisas porreiras. "You die. She dies. Everybody dies."Heavy Metal, via XEvil.

Quanto ao vinho, cem por cento Verdelho — não Gouveio, Verdejo, como em Rueda — de vinhas novas, fermentou em inox e foi engarrafado sem passagem por madeira.

Bastante cor, citrina, com traço tirante a verde. Aroma simples, limonado, com notas de chá verde e maracujá, contido, relativamente austero e muito menos intenso que aquilo de que estava à espera. Na boca, o sabor seco, suave, com ligeiro amargor, confirmou o apresentado ao nariz. A acidez, apesar de pouco evidente, conseguiu sempre equilibrar o conjunto. Bonito, sem dúvida. Ainda assim, se tivesse de o descrever em apenas uma palavra, provavelmente escolheria neutro — a observação vale o que vale. Final médio/curto.

Bebeu-se sozinho e com queijo Brie. Parceria clássica, que não poderia ter corrido mal.

9€.

15

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Quinta do Encontro — Merlot / Baga '2008

Na ficha técnica disponibilizada pelo produtor no sítio onde marca presença na internet, lê-se:

"A casta Merlot foi colhida em Outubro, em sobrematuração, em conjunto com a Baga, que se encontrava em estado ideal de maturação (...) Esmagamento das uvas com desengace total, seguido de fermentação em cubas inox, de pequena capacidade, com leveduras seleccionadas, à temperatura de 27ºC. O tempo de maceração foi de cerca de 2 semanas e as remontagens para extracção de cor foram suaves. Antes do engarrafamento, o vinho passou apenas por uma filtração por placas de celulose (...)"

Curiosa a não referência ao meio ano de estágio em barricas de carvalho francês, que surge, no entanto, indicado tanto no contra-rótulo da garrafa como na página-resumo onde se encontra o enlace para o .pdf da ficha técnica propriamente dita. Postos estes predicados e antes de passar ao mais importante, sem demasiadas preocupações com o fluir da prosa, que ultimamente beber tem-me sabido melhor que escrever sobre a coisa bebida, fica a nota de que este vinho já por aqui andou, na versão de 2006.

Cor rubi. Ligeiramente vinoso e muito frutado, surge dominado por frutos negros, maduros e levemente ácidos, de onde se destacam sugestões vívidas de ameixa e cereja. Suaves notas fumadas e de especiarias (alcaçuz) completam o conjunto. Apesar do volume apenas mediano, do final médio/curto e do sabor simpático, quase sumarento, confirma na passagem pela boca tratar-se de um vinho algo duro, taninoso, com certa sensação terrosa característica da Baga e indubitavelmente estruturado em torno da acidez. Feito para ser consumido novo, aparenta, no entanto, poder aguentar mais três ou quatro anos em garrafa sem qualquer problema: tendo como quase certo que perderá brilho, poderá ser interessante verificar se ganha alguma coisa.

4€.

15

terça-feira, 19 de abril de 2011

Filmes (29)

The Tenant




Polanski, Adjani, a trupe do costume. Gosto deste filme e a Mi também.




Gosto deste filme porque é como a vida, período estranho em que um saquito de protoplasma ganha forma e, à medida que entumece, consciência e relações.




E enquanto declina, espera algo, alguém, o fim do mundo ou, talvez, quem sabe, apenas alguma coisa que lhe possa vir a valer. No fim, terá sido tudo o que conheceu. Pobre apartamento este, pelo qual fazemos de tudo, e onde tudo está tão sobrevalorizado.




Assim vive o doente, o condenado à morte. Morre, quer fique ou não. Mas continua a presenciar, recordar, imaginar, sempre — era demasiado fácil se tudo acabasse de vez.

domingo, 17 de abril de 2011

NOPA '2009

Vinho Verde, branco, DOC, engarrafado na casa por Casa do Valle, Soc. Agrícola, Lda. (perdoem a redundância) & shipped by Wine Vision — é o que diz o contra-rótulo. Arinto e Loureiro, sem passagem por madeira.

Nesta fase, quase incolor. O aroma, pouco intenso, lembrou louro, lima, limão, talvez pêras verdes também. Na passagem pela boca reforçou as evocações de pêras, aí objectivamente maduras, algo entre Williams e Conférence. Yah, digam que deliro, e vão-se foder. O vinho, na boca, dizia, sempre leve e fresco, com agulha tão ligeira que praticamente imperceptível à vista e que acabou por desaparecer após uns minutos no copo. Servido muito fresco e sem frappé, ganhou brandura com a exposição à temperatura ambiente — ganhou brandura, travo doce, mais pêra, mais doce, melão. A acidez, contudo, não esmaeceu, e assim lá acabou por se aguentar.

Curto e directo, bem feito, sem grande ambição excepto talvez ser um branco curto e directo, bem feito (barato) — as redundâncias, ai ai — será bom para beber numa esplanada, numa tarde daquelas, assim quentes, quentes e coisas, com o pessoal, a acompanhar camarões grelhados (ou coxas de rã, porque não?) e uns valentes jogos de blitz.

OK, acabei de me aperceber que o pus no lugar da cerveja. De certo tipo de cerveja. :|

3€.

14,5

sábado, 16 de abril de 2011

Adega de Borba "Premium" '2007

Advertência: não dormi. Proveniente de vinhas velhas da região de Borba, essa bela terra, onde me lembro de ir a uns almoços de caça engraçados, cortesia de uns amigos drogados do R. Coisas de há muitos anos, outra vida. Ah, mas só têm vindo coisas boas de lá, ultimamente — não me posso queixar. As uvas, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon. Fermentou em inox e estagiou em barricas novas de carvalho francês, americano e castanho, durante, dizem, doze meses.

Rubi, escuro. Intenso, tipicamente alentejano, todo ele assenta em frutos silvestres maduros, complementados por notas de chocolate, café, baunilha e fumados resinosos. Vinho redondo, de volume mediano, bastante macio, com acidez suficiente e um pouco mais que isso de álcool. Sempre muito frutado, mas enxuto, sem doçura residual. É porreiro. . . na minha humilde opinião, está para o Alentejo como este para o Ribatejo, e não apenas no que toca à relação custo/benefício. Acompanhou com sucesso uma refeição de restos de carne e massa em molho vermelho; desta vez vou poupar-vos os pormenores.

7€.

16

terça-feira, 12 de abril de 2011

Acid Under My Nails

Oh, como gostava de ler "The Toilet Diaries" quando era mais miúdo! Pena que tenha desaparecido sem deixar rasto. Hm, onde estará o putobebe daqui a, digamos, dez anos?



I think I always liked the idea of being crazy. Instead of going hard core I took the road never traveled, just took off into the bushes. This has turned into a path which could lead me to an early grave if I continue to think thoughts that destroy me.

I love life. I love me, but sometimes I don't want to.

Get tough they tell me. Tough are my fingers from acid under my nails. Tough are my hands from lifting weights twice a day. Tough is my head from banging it against this journal. Tough! I feel weak, must lie down, forget I exist for awhile.....

Sarah Lolley, 4/2/96

domingo, 10 de abril de 2011

Quinta da Garrida '2007

Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen. Típico Dão jovem, assenta em frutos pretos maduros mas mostra também flores e especiarias, tudo simples e em harmonia. Dos cheiros, apenas a baunilha se destaca, marca inequívoca de passagem por madeira, mas pouco, e mais por via da limpidez que pela intensidade. O paladar é seco e ligeiro, macio, curto e levemente picante. Pende para a frescura, mas tem de ser servido fresco para que tal possa ser apreciado. Uma vez na boca, como que perde fruta e ganha especiarias, sugestões simultaneamente quentes e picantes, evocativas de noz moscada. Não sendo brilhante, agrada facilmente. Ademais, é bastante versátil, tão amigo da mesa como capaz de se portar bem a solo.

4€.

15

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Casa Santos Lima — Syrah '2008

Varietal Syrah da Casa Santos Lima.

A cor é escura e, no nariz, a fruta negra que o percorre de lés a lés nota-se a meio do caminho entre a secura apimentada que usualmente se associa aos exemplares da casta provindos do Vale do Rhône e a opulência gorda dos seus correspondentes alentejanos. Cheira-se e leva-se à boca e de imediato se nota que veio de um lugar não extremamente quente, que as uvas não sobreamadureceram e que as videiras foram tendo que beber ao longo do ano. Também cristalino o fumado de madeira verde, contributo de barrica quase certamente portuguesa, de retrato parecido q.b. com o que se encontra, por exemplo, nos tintos mais recentes da Tapada do Chaves (no meu portfolio pessoal de descritores, chamo a este aroma fumo com fumo) — cristalino mas não contundente.

Na boca é um vinho seco e algo taninoso, com acidez suficiente. Nem por sombras complexo ou sumarento, é no entanto coeso, bem feito, e possui força que chegue para transmitir a ideia de se estar perante algo com carácter, com raça, com certa robustez telúrica, rústica, texurada, que o torna bastante apelativo, pelo menos para mim.

5€.

15

domingo, 3 de abril de 2011

True Legend