segunda-feira, 30 de maio de 2011

Dona Belmira '2005

Beirão das Caves Vidigal. Deles, tenho mais presente na memória a falta de lucidez de alguns contra-rótulos que o conteúdo das respectivas garrafas — nunca mais me vou esquecer deste, por exemplo. Mas a esperança é a última a morrer, e no fim, há que reconhecê-lo, a experiência que tive com este vinho acabou por não ser nada má.

Directo ao assunto, em tom pseudo-telegráfico. Jaen, Touriga Nacional e Alfrocheiro. Granada escuro. Frutos pretos, maduros, quentes, com evidências de transformação, toques de compota e rebuçado, balsâmicos doces e ensanguentados. Um bocado abrutalhado, e mais pesado que generoso também, mas, de alguma forma, agradável, cativante até, um copo a puxar outro, e outro, e outro, sobretudo se aberto para a mesa, na companhia de pratos fortes.

Neste caso, acompanhou um chili razoavelmente picante. Cumpriu.

3€.

14,5

domingo, 29 de maio de 2011

Cool Air

"As the weeks passed, I observed with regret that my new friend was indeed slowly but unmistakably losing ground physically, as Mrs. Herrero had suggested. The livid aspect of his countenance was intensified, his voice became more hollow and indistinct, his muscular motions were less perfectly coördinated, and his mind and will displayed less resilience and initiative. Of this sad change he seemed by no means unaware, and little by little his expression and conversation both took on a gruesome irony which restored in me something of the subtle repulsion I had originally felt.

He developed strange caprices, acquiring a fondness for exotic spices and Egyptian incense till his room smelled like the vault of a sepulchred Pharaoh in the Valley of Kings. At the same time his demands for cold air increased, and with my aid he amplified the ammonia piping of his room and modified the pumps and feed of his refrigerating machine till he could keep the temperature as low as 34° or 40° and finally even 28°; the bathroom and laboratory, of course, being less chilled, in order that water might not freeze, and that chemical processes might not be impeded. The tenant adjoining him complained of the icy air from around the connecting door, so I helped him fit heavy hangings to obviate the difficulty. A kind of growing horror, of outré and morbid cast, seemed to possess him. He talked of death incessantly, but laughed hollowly when such things as burial or funeral arrangements were gently suggested."

H. P. Lovecraft, 1926. Pode ler-se aqui.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Adega Cooperativa de Mealhada — Escolha dos Sócios '2008

Após anos difíceis, o produtor aparenta estar a levantar-se. Ainda bem. Numa toada menos positiva, continua a faltar informação. Lembro-me de aqui ter colocado as minhas notas de certa vez que, em 2009, bebi um espécime da colheita de 2001 deste mesmo vinho. Já na altura o sítio web do produtor estava indisponível, uma pessoa procura online e só encontra notas de imprensa repetidas pelos jornais locais . . . Falta divulgação, e era tão fácil! Mas que investimento, que recursos ia levar uma coisa pequena, simples, sem pretensões, mas tão maior que o que agora existe? Enfim, porque não? Das 7850 garrafas produzidas, abri a nº 860.

Baga e barrica, ou fruta vermelha terrosa e fumo de madeira verde. Bruto, herbáceo, muito intenso, de acidez mordente, com notas de baunilha doce a despontar por entre o amargo e o fumo, meu Deus, que mundo este! Mas nota-se que é um bom vinho, é tenso, firme e texturado. Abri-o cedo de mais, ainda se está a fazer. E como suponho que possa vir a tornar-se deveras interessante daqui a quatro anos, e depois, daí em diante, por mais uns quantos, seja ele bem guardado, desta vez, excepcionalmente, o numerozinho da qualidade, ao qual, de qualquer forma, já ninguém liga, uma vez que está fora de moda, vai reflectir mais a minha crença no futuro da coisa que o seu desempenho actual.

7€.

16

quarta-feira, 25 de maio de 2011

C.D.B. — Vino Nobile di Montepulciano '2008

Vino Nobile di Montepulciano é um tinto italiano de estatuto DOCG proveniente dos vinhedos que rodeiam a localidade que lhe dá o nome. É feito a partir de um mínimo de 70% de Prugnolo Gentile, nome local para o mesmo tipo de Sangiovese que é utilizado na elaboração do afamado Brunello di Montalcino, misturado com um máximo de 20% de Canaiolo Nero e, eventualmente, até 20% de outras uvas, que podem ser locais, e destas a mais relevante talvez seja a dita Mammolo, ou estrangeiras, desde que autorizadas pelo regulador, como por exemplo Cabernet Sauvignon ou Merlot. Envelhece (desde 1998) por um mínimo de 18 meses em barricas de carvalho, mais seis meses em algum outro tipo de recipiente, o que perfaz dois anos de estágio obrigatório; três se se tratar de um Riserva.

Para quem quiser saber mais sobre estes vinhos e a região de onde provêm, o sítio na internet do Consorzio del Vino Nobile di Montepulciano poderá constituir um objecto de leitura interessante, pelo que aqui deixo o respectivo enlace.

Falados que estamos da espécie, venha o espécime. Sem pedigree. Não é que tenha passado dias à procura, mas, coisa incrível, sobre quem fez este, não encontrei mesmo nada.

Vertido no copo sem decantação, mostrou cor rubi de concentração mediana. Pouca fruta no nariz: cereja macerada em álcool, caroço da mesma, figo seco, amêndoa amarga (o fruto, não o licor, que é doce) e uma amálgama difusa de ervas e especiarias, de certa forma, a fazer lembrar um Chianti "clássico". Com o arejamento, menos fruta, mais ressequida, pele e tabaco também. Diferente do habitual, sem dúvida. Aqui, o estágio prolongado não serviu para emprestar ao vinho tanino, essência de baunilha e côco ralado! Impressões que confirmou na boca, surpreendentemente polida, mediana em volume e rica em acidez, a amargar um pouco no final. Notei, no entanto, que lhe faltava algo. Como dizê-lo? Não objectivamente corpo, textura ou persistência, antes como se tivesse um oco no meio, como se todos aqueles cheiros, firmes, e ainda mais o ataque à boca, nos deixassem à espera de alguma coisa que depois não estava lá. Pena, porque se não...

Acompanhou sanduíches de chouriço e queijo de ovelha curado, levemente picante. Portou-se bem, sobretudo com este último.

5€.

15

sábado, 21 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Diego de Almagro — Gran Reserva '1993

Mais uma curiosidade de aparência fodida, este D.O. Valdepeñas, produzido pela Felix Solís. Varietal Tempranillo, envelheceu por tempo não inferior a dois anos (da ficha técnica) em barricas de carvalho americano antes de continuar a afinação em garrafa, acabando por ir para o mercado cinco ou seis anos depois da data de colheita — facto praticamente irrelevante neste caso, dado a bebida em causa ir a caminho dos dezoito anos.

Cor atijolada. Bastante volátil a princípio, nota-se ter vindo a perder corpo, retendo ainda alguma presença. Muito fino, muito macio, mas também persistente, e saboroso, sem acridez, com sugestões de erva doce e canela no fim de boca. Quanto a cheiros, o conjunto habitual num tinto de média estirpe, bem envelhecido: fruta extremamente transformada, a fazer lembrar aguardente de ginja e outras coisas para as quais me faltam as palavras, ranço, chá, tabaco, vinagrinho. . .

Segundo dia: completamente seco, morto, e ainda bem. Eu explico porquê: quando o abri, tive dúvidas sobre se ainda estaria vivo, por momentos, até o volátil levantar, até o levar à boca e notar que ainda existia ali alguma acidez, tanino e sabor. Ora, se hoje, voltando a ele, o encontrasse nas mesmas condições, isso apenas poderia significar que ontem tinha apreciado um cadáver, e ainda por cima escrito sobre isso, com todas as implicações que daí pudessem vir a derivar.

Revelou curiosas semelhanças com este.

15

terça-feira, 17 de maio de 2011

3 Notas '2009

Traz a marca da Quinta da Barreira, de Carvoeira, Torres Vedras, sendo, porém, evidente que não foi feito com uvas desse lugar. Aliás, quanto a proveniência, para além da denominação legal de Vinho Regional Alentejano, não encontrei nada. Feito com Aragonês, Moreto e Trincadeira, terá estagiado (pouco tempo e só parte do lote, aposto) em carvalho americano. A ficha técnica, que pouco ou nada adianta ao que já foi dito, pode encontrar-se aqui.

Quanto ao vinho, rubi bonito, jovem, vinoso, traz consigo flores, frutos pretos, nougat. É simples, curto e equilibrado. Pequenino, levezinho, redondinho, mas muito correcto. Cumpre bem a premissa para que foi feito: agrada facilmente, e é só.

Talvez o blogue se apresentasse mais rico, se, em vez deste vinho de négociant, do qual não tenho, definitivamente, muito a dizer, aqui colasse algum dos muitos rótulos que diariamente me vão sendo deixados na caixa de correio electrónico. Para divulgação, dizem eles. E um indivíduo não consegue evitar pôr-se a pensar na quantidade de portais e agregadores e sucedâneos de portais e agregadores que já por aí existem, tantos deles sem ponta por onde se lhes pegue, sem utilidade, sem sucesso nenhum, que a pergunta surge naturalmente: para quê querer ser mais um deles? Para quê querer fazer de conta que também tenho um, só meu? Para quê aburguesar um passatempo que ainda me leva umas quantas horas por semana? Não, obrigado. Prefiro ir publicando aquilo que efectivamente experimentei. Spam com eles, enfim. E assim vou juntando endereços aparentemente idóneos, dos mais insuspeitos, à lista de generais da Etiópia que estão ansiosos por partilhar os seus milhões comigo. Bem, sinceramente, não sei porque vos estou a dizer isto. Não quero passar a ideia, errada, de que ainda me resta algum resquício de fé.

Até à próxima, pessoas.

4€.

14

segunda-feira, 16 de maio de 2011

And now? Now I was standing in Nicole's courtyard, in the dark, listening to the loud, rhythmic, accelerated beating of my own heart. I put my left hand to my heart and my shirt felt strangely wet. I looked down at myself. For several moments, I couldn't get my mind around what I was seeing. The whole front of me was covered in blood, but it didn't compute. Is this really blood? I wondered. And whose blood is it? Is it mine? Am I hurt?

I was more confused than ever. What the hell had happened here? Then I remembered that Goldman guy coming through the back gate, with Juditha's glasses, and I remembered hollering at him, and I remembered how our shouts had brought Nicole to the door . . .

Nicole. Jesus.

I looked down and saw her on the ground in front of me, curled up in a fetal position at the base of the stairs, not moving. Goldman was only a few feet away, slumped against the bars of the fence. He wasn't moving either. Both he and Nicole were lying in giant pools of blood. I had never seen so much blood in my life. It didn't seem real, and none of it computed. What the fuck happened here? Who had done this? And why? And where the fuck was I when this shit went down?

It was like part of my life was missing — like there was some weird gap in my existence. But how could that be? I was standing right there. That was me, right?

I again looked down at myself, at my blood-soaked clothes, and noticed the knife in my hand. The knife was covered in blood, as were my hand and wrist and half of my right forearm. That didn't compute either. I wondered how I had gotten blood all over my knife, and I again asked myself whose blood it might be, when suddenly it all made perfect sense: This was just a bad dream. A very bad dream. Any moment now, I would wake up, at home, in my own bed, and start going about my day.

Then I heard a sound behind me and turned, startled. Charlie was standing in the shadows, a few feet away, his mouth hanging open, his breathing short and ragged. He was looking beyond me, at the bodies.

"Charlie?" I called out. He didn't answer. "Charlie?" Still nothing. I went over and stood in front of him and asked him the same question I'd just asked myself. "Charlie, what the fuck happened
here?"

He looked up and met my eyes, but for several moments it was as if he didn't really see me. "Are you listening to me?" I said. "I asked you what happened here."

Charlie shook his head from side to side, his mouth still hanging open, his breathing still short, ragged, and in a voice that was no more than a frightened whisper, said, "Jesus Christ, O.J. — what have you done?"

"Me?'

What the hell was he talking about? I hadn't done anything.

I jumped at a sound behind me — a high-pitched, almost human wail. It was Kato, the dog, circling Nicole's body, his big paws leaving prints in the wet blood. He lifted his snout and let out another wail, and it sent chills up and down my spine. "Let's get the fuck out of here", I said.

O.J. Simpson, If I did It (2006)

domingo, 15 de maio de 2011

Soligamar — Reserva '2006

Composto por 80% de Tempranillo, 15% de Garnacha e 5% de Mazuelo, terá fermentado em pequenos tanques de inox, a temperatura controlada, durante 9 dias. Antes de engarrafado, consta que passou 24 meses em barricas novas de carvalho francês, com trasfegas de meio em meio ano. O autor, as uvas e o local de vinificação, estágio e engarrafamento são os mesmos que os de qualquer outro vinho das Bodegas Ortega Ezquerro, o que se confirma facilmente, tanto no contra-rótulo como online. Fica, no entanto, a curiosidade de que este tem o seu espaço na internet à parte — para os eventuais interessados, deixo o enlace aqui. Quanto a tratar-se do segundo vinho do Lidl em meia dúzia de posts, meus amigos, é a vida: sou um gajo humilde, trabalho muito e recebo pouco, é para o que dá. :P

Cor granada. A fruta, preta, amora, ameixa, aparece madura e com alguma evolução, acompanhada de fumados e café, maresia, terra e especiarias. De sabores, ameixa e sal, com fim de boca picante. Bem sei que este último descritor tem sido usado em quase todas as notas de prova recentes, e aqui torna-se inevitável pôr-me a pensar se não será coisa mais minha que dos vinhos. Pensando bem, aqui está uma questão que poderia colocar a todo e qualquer descritor. Oh, enfim, coisas de quem escreve, esqueçam! Voltando à bebida, em termos concisos, sem merdas, usando uma linguagem muito vista nas micro-provas das revistas e guias e, por conseguinte, aceitando de bom grado o risco de poder parecer a alguns leitores que me estou a armar aos cagados, acento agudo para quê, concentração mediana, taninos polidos e bastante numerosos, acidez agradável, persistência acima da média. De alguma forma, trouxe-me à memória este, pese a notória diferença de idades, pesem todas as diferenças, aliás. Para terminar, note-se que este bom Rioja, embora já se beba com agrado, à semelhança daquele com que acabei de o comparar, tem tudo para cá andar mais de dez anos.

10€.

16,5

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Reguengos — Reserva '2008

Da Coop. Agrícola de Reguengos de Monsaraz. Ficha técnica, aqui.

Cor rubi. No nariz, ameixa e outras bagas negras, quase sumarentas, com toque firme de tosta e especiarias. Café, um pouco de tabaco e algum chocolate, como de costume, em crescendo com o arejamento, formam um conjunto ao mesmo tempo típico e convincente. Confirma-se na boca a fruta, o chocolate, a acidez sumarenta e a madeira bem integrada, tudo bastante equilibrado. O final é de comprimento médio, ligeiramente picante. Apesar de não chegar ao nível do de 2007, este também não está nada mal. Reparo que esta é a segunda edição consecutiva deste vinho em que o encontro objectivamente voltado para a frescura, sem qualquer indício de sobrematuração.

4€.

15,5

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Filmes (30)




Aqui fica um enlace para a respectiva entrada na Wiki. Vejam com calma.

domingo, 8 de maio de 2011

Milheiro Selas '2006

Sucessor deste. Tudo o que acerca dele encontrei escrito, foi no rótulo que aparece fotografado: é só abrir a imagem e ler.

Escuro. No nariz, um miolo essencialmente composto por Baga surge complementado por notas mais opulentas, mais quentes e gulosas, provavelmente do binómio Touriga Nacional / Syrah. Ou seja: em conjunto centrado na fruta, vermelha, um pouco terrosa, límpida e quase sumarenta, algo como morangos e amoras silvestres ao natural, em expressão quase perfeita, acabados de recolher da natureza, surgem também notas mais escuras, fumadas e apimentadas e reminiscentes de ameixa e violeta. Faz mais sentido bebido que escrito, bem sei. Na boca, à semelhança do seu já referido predecessor, é um vinho intenso, cheio de sabor, de tanino nervoso e acidez vibrante. Ao contrário dele, no entanto, é curto e um pouco mais magro que o esperado.

4€.

15

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Cimarosa — Ruby Cabernet '2009

Cruzamento de Cabernet Sauvignon com Carignan, esta casta foi criada em 1936 na Univ. da Califórnia (Davis) por um senhor chamado Harold Olmo. É uma das chamadas Olmo grapes. Comprei este seu varietal, produzido pela Vineris, por ser diferente e ao mesmo tempo barato — quando pouco se investe, pequena é a desilusão.

Da mesma marca, já por aqui andou o Cabernet Sauvignon de 2009.

As notas que tomei quando o bebi mencionavam cor rubi de concentração mediana e que era engraçado o aroma ligeiramente picante e especiado, a fazer lembrar os pimentos do Cabernet Sauvignon, mas, em vez de verdes, vermelhos, em conjunto pouco intenso, infelizmente. Notei ainda que o ar lhe trouxe apontamentos de frutos vermelhos, cereja, caroço de cereja, groselha e bagas doces e ácidas, bem como que a boca, curta, fresca, redonda e equilibrada, sem grande estrutura ou volume, me deixou um tanto indiferente. Terminava dizendo que, sem defeitos ou virtudes de salientar, a experiência valeu mais pela curiosidade.

Passados uns dias, tenho de concordar. Nem vale a pena tentar reescrever o que quer que seja, este vinho é mesmo assim.

Marcadamente tecnológico, nota-se feito para ser correcto e de preço razoável, um pouco como um pequeno automóvel utilitário. E tal como um pequeno utilitário, não emociona, não faz pensar, não conta uma história, mas lá vai cumprindo a sua missão. Mostrou-me uma casta nova, deu-me de beber um dias destes ao almoço e ainda sobrou um pouco para temperar carne. Para o preço, está muito bem. Mas, com apenas 2€ para beber, na vasta maoria dos casos, mais vale comprar meio litro de Franziskaner.

De qualquer forma, não consigo incluí-lo no escalão até 13,5: sem interesse — leva um 14, mas baixo, baixinho.

2€.

terça-feira, 3 de maio de 2011

It was a simple question. "Can you remember the last day you didn't have a drink?" Laura asked in her calm, soothing voice. She wasn't threatening or nagging. She did expect an answer. My wife is the kind of person who picks her moments. This was one of them.

"Of course I can", came my indignant response. Then I thought back over the previous week. I'd had a few beers with the guys on Monday night. On Tuesday I'd fixed myself my favorite after-dinner drink: B&B, Benedictine and brandy. I'd had a couple of bourbon and Sevens after I put Barbara and Jenna to bed on Wednesday. Thursday and Friday were beer-drinking nights. On Saturday, Laura and I had gone out with friends. I'd had martinis before dinner, beers with dinner, and B&Bs after dinner. Uh-oh, I had failed week one.

I went on racking my memory for a single dry day over the past few weeks; then the past month; then longer. I could not remember one. Drinking had become a habit.

I have a habitual personality. I smoked cigarettes for about nine years, starting in college. I quit smoking by dipping snuff. I quit that by chewing long-leaf tobacco. Eventually I got down to cigars.

For a while I tried to rationalize my drinking habit. I was nowhere near as bad as some of the drunks I knew in our hometown of Midland, Texas. I didn't drink during the day or at work. I was in good shape and jogged almost every afternoon, another habit.

Over time I realized I was running not only to stay fit, but also to purge my system of the poisons. Laura's little question provoked some big ones of my own. Did I want to spend time at home with our girls or stay out drinking? Would I rather read in bed with Laura or drink bourbon by myself after the family had gone to sleep? Could I continue to grow closer to the Almighty, or was alcohol becoming my god? I knew the answers, but it was hard to summon the will to make a change.

In 1986, Laura and I both turned forty. So did our close friends Don and Susie Evans. We decided to hold a joint celebration at The Broadmoor resort in Colorado Springs. We invited our childhood friends Joe and Jan O'Neill, my brother Neil, and another Midland friend, Penny Sawyer.

The official birthday dinner was Saturday night. We had a big meal, accompanied by numerous sixty-dollar bottles of Silver Oak wine. There were lots of toasts — to our health, to our kids, to the babysitters who were watching the kids back home. We got louder and louder, telling the same stories over and over. At one point Don and I decided we were so cute we should take our routine from table to table. We shut the place down, paid a colossal bar tab, and went to bed.

I awoke the next morning with a mean hangover. As I left for my daily jog, I couldn't remember much of the night before. About halfway through the run, my head started to clear. The crosscurrents in my life came into focus. For months I had been praying that God would show me how to better reflect His will. My Scripture readings had clarified the nature of temptation and the reality that the love of earthly pleasures could replace the love of God. My problem was not only drinking; it was selfishness. The booze was leading me to put myself ahead of others, especially my family. I loved Laura and the girls too much to let that happen. Faith showed me a way out. I knew I could count on the grace of God to help me change. It would not be easy, but by the end of the run, I had made up my mind: I was done drinking.

When I got back to the hotel room, I told Laura I would never have another drink. She looked at me like I was still running on alcohol fumes. Then she said, "That's good, George."

I knew what she was thinking. I had talked about quitting before, and nothing had come of it. What she didn't know was that this time I had changed on the inside — and that would enable me to change my behavior forever.

It took about five days for the freshness of the decision to wear off. As my memory of the hangover faded, the temptation to drink became intense. My body craved alcohol. I prayed for the strength to fight off my desires. I ran harder and longer as a way to discipline myself. I also ate a lot of chocolate. My body was screaming for sugar. Chocolate was an easy way to feed it. This also gave me another motivation for running: to keep the pounds off.

Laura was very supportive. She sensed that I really was going to quit. Whenever I brought up the subject, she urged me to stay with it. Sometimes I talked about drinking again just to hear her encouraging words.

My friends helped, too, even though most of them did not stop drinking when I was around. At first it was hard to watch other people enjoy a cocktail or a beer. But being the sober guy helped me realize how mindless I must have sounded when I drank. The more time passed, the more I felt momentum on my side. Not drinking became a habit of its own — one I was glad to keep.


George W. Bush, Decision Points, Crown Publishing, 2010

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dona Ermelinda '2008

Já por aqui andaram os seus correspondentes de 2006 e 2007.

Castelão bastante frutado, com notas de rebuçado. Também não é preciso muito para se lhe apanhar chocolate e canela. Ou melhor, especiarias, o mais vago descritor especiarias será, neste caso, mais correcto. Ainda ligeira pungência química, talvez teribintina, talvez apenas imaginação (intoxicação também não será, de todo, de descartar). Robusto, com uma rede de taninos decente, não é nada doce e tem grande acidez. Para a costeleta do dia-a-dia, acho-o irrecusável.

E pronto, já está, mais um post. Oh, eu até costumo dizer bem dos vinhos, pelo menos daqueles de que gosto, só que de modo tal que o produtor que leia estas linhas dificilmente ficará satisfeito. O mais engraçado é que também faço assim com as pessoas, e elas notam. Enfim, o ingrediente chave para uma vida feliz — tomem o bom exemplo enquanto cá ando, que não vou durar para sempre.

4€.

15

domingo, 1 de maio de 2011

Só Syrah '2007

Desta vez, a coisa bebida foi um Syrah de Palmela produzido pela Bacalhôa Vinhos de Portugal. Proveniente de vinha única, baptizaram-na dos Tatás, este vinho passou 17 meses em barricas novas de carvalho Allier (70%) e americano.

Escuro. Concentrado e opulento, com frutos negros, ameixa, cereja, ginja, acidez verde, a fazer lembrar relva cortada de fresco, especiarias várias, misturadas, e fumados, bacon. . . mais tarde, ligeira compota, chocolate de leite e caramelo. Curiosa a expressão verde apresentada, bem mais próxima do traço distintivo encontrado em muitos dos Vintage de 2007 que daquilo que consigo recordar alguma vez ter sentido, e isto em termos de coisa em si vs. enquadramento, num tinto seco. Impressão minha, talvez. Na boca, seco, intenso, um bocado taninoso, bastante fresco, bastante persistente também. Troncudo, mas longe de se poder considerar gordo.

Claramente Syrah e, ao mesmo tempo, um Syrah atípico. Que, no entanto, achei muito agradável. Depois dos minutos de seca que passei a cheirá-lo e virá-lo enquanto tirava notas para o caderninho do álcool, bebi-o com espetadas de porco grelhadas e a combinação agradou-me muito. Uma última nota: para já, precisa de muito ar; deverá estar no ponto para o ano, ou no seguinte.

12€.

17