terça-feira, 28 de junho de 2011

Absinthia Taetra

Green changed to white, emerald to an opal: nothing was changed.

The man let the water trickle gently into his glass, and as the green clouded, a mist fell from his mind.

Then he drank opaline.

Memories and terrors beset him. The past tore after him like a panther and through the blackness of the present he saw the luminous tiger eyes of the things to be.

But he drank opaline.

And that obscure night of the soul, and the valley of humiliation, through which he stumbled were forgotten. He saw blue vistas of undiscovered countries, high prospects and a quiet, caressing sea. The past shed its perfume over him, today held his hand as it were a little child, and tomorrow shone like a white star: nothing was changed.

He drank opaline.

The man had known the obscure night of the soul, and lay even now in the valley of humiliation; and the tiger menace of the things to be was red in the skies. But for a little while he had forgotten.

Green changed to white, emerald to an opal: nothing was changed.


sábado, 25 de junho de 2011

Adega de Penalva — Garrafeira '2007

Olá pessoas. Tenho a ideia de que aqui o sítio está a desbombar. Mea culpa, bem sei. No blogue, como na vida, estou-me nas tintas, cada vez mais. Em boa parte por uma questão de puro e simples desencanto. Olho em redor e noto que anda tudo carregadinho, embufadinho, cheiinho de stress, borbulhas, caspa, depressão, caganeira. . . Não sei se é da crise, se da precariedade, se da puta que os pariu (digo, genes fracos). Bichezas do caralho, que já não lhes basta pão e circo! Agora querem mais, querem crianças, empregos estáveis onde possam ser incompetentes, subsídios para gastar na Zara e na Leroy Merlin, amigos dos copos, frases de apoio. . . aí sim, é vê-los rejubilar. Céus, que ódio! Que a ventanisca de Pazuzu os leve a todos!

Oh, à merda, enfim, coitados, que o que me traz aqui são outros assuntos. (Vocês também ficam amargos e um bocadinho suicidas quando têm muito sono?)

Do que bebi na última semana, destaco este tinto da Adega Coop. de Penalva do Castelo. No sítio web do produtor lê-se que é composto por 50% de Touriga Nacional, sendo a outra metade uma mistura de Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen. Lê-se também que passou "cerca de 6 meses" em barricas de carvalho francês e americano antes do engarrafamento.

Sucinto e directo ao assunto, que para trás mija a burra: Rubi, escuro e concentrado. Especiarias, algumas; madeira propriamente dita, quase nenhuma. Vem cheio de fruta densa, doce, a princípio quase vinosa, mais tarde acompanhada por notas de chocolate e café. Muitos taninos, farinhentos, acidez vincada, final longo. Todo ele novo, sério, troncudo, bruto, até — mas também fresco, alegre, preto e roxo, moderno, disponível e muito, muito bom.

8€.

16,5

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Versus '2006

Depois destes dois, mal esperava por lhe pôr as mãos em cima. A avidez implícita na frase anterior está directamente relacionada com a ausência de fotografia: quando finalmente houve o tempo e a disposição necessários, já o objecto a fotografar não se encontrava entre nós. Questão de importância menor, no entanto, uma vez que o rótulo desta edição de 2006 é (praticamente?) idêntico ao dos seus predecessores.

Tretas, enfim.

Quanto ao vinho propriamente dito, está fino e equilibrado, com frescor e elegância. Madurez bonita, em expressão suave, a fazer lembrar um bom Douro ainda jovem, daqueles virados para a fruta, mas mais simples e ligeiro, com menos esteva, menos mato, menos barrica também. Para facilitar, digamos que não se afastou muito daquilo que na memória guardo do da colheita anterior — um pouco mais pequeno, talvez.

8€.

15,5

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Attelea — Crianza '2001

Este veio de Cañamero (Cáceres) — a D.O. diz-se (da) Ribera del Guadiana. 80% Tempranillo, 20% Cabernet Sauvignon. Passou 8 meses em carvalho novo. O produtor tem presença na internet.

Granada avermelhado. Compota, confeito. Fruta escura, limpa e muito doce. Boa acidez, sabor às vezes a framboesa. A doçura meridional da fruta terá levado alguns a pensar encontrarem-se perante um vinho para beber enquanto jovem, o que não é bem verdade, como esta garrafa veio a mostrar. No mais, é pequeno de porte e comprimento, com taninos que nunca perderam, não lhe chamaria dureza, antes um toque ligeiramente farinhento, a acentuarem-se no fim de boca. Com o ar, tabaco, azeitona parda e notas levemente râncidas, a fazerem lembrar nozes pouco frescas.

É inequívoco que sente o peso dos anos, mas continua alegre. A combinação das coisas que a idade lhe trouxe com aquelas que, por natureza, nunca perdeu, fica-lhe bem. Beba-se já, no entanto.

8€.

15,5

domingo, 19 de junho de 2011

In the Electronic Revolution I advance the theory that a virus IS a very small unit of word and image. I have suggested now such units can be biologically activated to act as communicable virus strains. Let us start with three tape recorders in The Garden of Eden. Tape recorder 1 is Adam. Tape recorder 2 is Eve. Tape recorder 3 is God, who deteriorated after Hiroshima into the Ugly American. Or to return to our primevil scene: Tape recorder 1 is the male ape in a helpless sexual frenzy as the virus strangles him. Tape recorder 2 is a cooing female ape who straddles him. Tape recorder 3 is DEATH.

Steinplatz postulates that the virus of biologic mutation, which he calls Virus B-23, is contained in the word. Unloosing this virus from the word could be more deadly than loosing the power of the atom. Because all hate, all pain, all fear, all lust is contained in the word. Perhaps we have here in these three tape recorders the virus of biologic mutation which once gave us the word and has hidden behind the word ever since. And perhaps three tape recorders and some good biochemists can unloose this force. Now look at these three tape recorders and think in terms of the virus particle. Recorder 1 is the perspective host for an influenza virus. Tape recorder number 2 is the means by which the virus gains access to the host, in the case of a flu virus by disolving a hole in cells of the host's respiratory tract. Number 2, having gained access to the cell. leads in number 3. Number 3 is the effect produced in the host by the virus: coughing, fever, inflamation. NUMBER 3 IS OBJECTIVE REALITY PRODUCED BY THE VIRUS IN THE HOST. Viruses make themselves real. It's a way viruses have. We now have three tape recorders. So we will make a simple word virus. Let us suppose that our target is a rival politician. On tape recorder 1 we will record speeches and conversation carefully editing in stammers mispronouncing, inept phrases ... the worst number 1 can assemble. Now on tape recorder 2 we will make a love tape by bugging his bed room. We can potentiate this tape by splicing it in with a sexual object that is inadmissible or inaccessible or both, say the senator's teen age daughter. On tape recorder 3 we will record hateful disapproving voices and splice the three recordings together at very short intervals and play them back to the senator and his constituents. This cutting and playback can be very complex, involving speech scramblers and batteries of tape recorders but THE BASIC PRINCIPAL IS SIMPLY SPLICING SEX TAPE AND DISAPPROVAL TAPES IN TOGETHER. Once the association lines are established they are activated every time the senator's speech centres are activated, which is all the time. Heaven help that sorry bastard if anything happened to his big mouth. So his teen age daughter crawls all over him while Texas rangers and decent church going women rise from tape recorder 3 screaming "WHAT ARE YOU DOING IN FRONT OF DECENT PEOPLE."

W.S. Burroughs, The Electronic Revolution, 1970

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Casa Aranda — Reserva 2005

Carregal do Sal, quintinha do sec. XVIII, Touriga Nacional, Tinta Roriz, 12 meses em carvalho francês, 13% de teor alcoólico, 6000 garrafas. Bu!

Granada. Fruta silvestre. Framboesa? Fruta do Dão. Se quiserem, entre aspas. Arborizado, bosque fresco. Sombras, austeridade, silvas, matagal. É o reflexo de onde vem. Louro e casca de árvore e folhas secas de eucalipto. Fixe, fixe. . . Terra, violetas, mato rasteiro. Sóbrio, mas tourigão. Caramelo residual. Tourigão, modernaço? Salgadinho na entrada de boca. Mineral. Azeitona parda, acidez. Enche, mas não envolve. Sabe a vinho, seco, fresco, forte. E persistente. No ponto, arriscaria julgar.

Ah! Depois de tudo o mais, será que também já desisti de fazer notas de prova úteis? Ou terei andado a perder o meu tempo quando as tentava construir segundo esse predicado? Oh, a dúvida. Como vivo bem com ela! O desespero, como há muito se sabe, é outro.

O vinho, bebi-o com bacalhau cozido em vapor, batatas noisette no forno e as cangalhadas que se costumam servir a acompanhá-los.

7€.

16

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Alfredo Roca — Merlot '2006

Varietal Merlot de San Rafael, Mendoza, Argentina, produzido por Roca, SA. Fermentou durante 15 dias sob a influência de leveduras seleccionadas, fez a maloláctica em inox e estagiou durante 6 meses em barricas de carvalho. Encheram-se 45000 garrafas, não numeradas.

Cor granada, de concentração média/baixa. Os aromas, doces mas não propriamente pesados, sugerem ameixa preta sobremadura, compota da mesma, especiarias e doce de abóbora, com algo verde pelo meio, só para dar cor. Um pouco como aquilo a que eu chamava "podrum alentejano" nos primeiros tempos de vida deste blog. Depois, com o passar do tempo, chocolate de leite bem doce. O sabor confirma o nariz, ou seja, é daqueles vinhos que cheiram ao que sabem e sabem ao que cheiram, de corpo médio, macio, vagamente aguado (aqui surpreendeu), portador de uma acidez estranha, desarticulada, e madeira ainda saliente no final.

Desta mesma casa, certo Malbec de 2004 que bebi há eternidades, a acreditar nos apontamentos tomados na altura, estaria bastante melhor.

6€.

14

domingo, 12 de junho de 2011

Filmes (31)




Dellamorte Dellamore!

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Velharias (31)

25/5/2004

Nunca me tinha passado pelas mãos haxixe assim, com um ligeiro aroma a chocolate preto.
Muito bom.

Ideal para acompanhar bolachinhas de manteiga.
Se alguma vez quiserem fazer gemer a avozinha, deitem-lhe laxantes na compota.
Adiante.
É tão chato não conseguir acreditar...
Que desgraça, eu sou uma das poucas pessoas que acho que poderiam beneficiar do Cristianismo.
Não me matei.
A vida é uma prisão.
A saída não é a morte.
As duas linhas anteriores são uma espécie de metáfora.
Agora que está morto, o Saddam é uma espécie de ditador.
Avante!, tanto mais que o quinto A foi só para meter nojo.
Escrevo isto com apenas uma mão porque ainda estou a comer.
O próximo post será sobre haxixe.


#


Tão pessoal, meu Deus :) Tão para vocês não perceberem, lol! Não conseguindo comprová-lo agora, duvido que o post seguinte tenha sido, efectivamente, sobre haxixe. De notar, também, o espírito visionário com que abordava os problemas do Médio Oriente. Nesta altura já andava enlevado com a S.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Quintas de Melgaço — Torre de Menagem '2010

Os dias estão mais frescos, comecei a beber branco.

.
.

Alvarinho e Trajadura, diz-se que mais do primeiro que do segundo. Agulha e muita banana, tal e qual o velho tio Bill Burroughs, assim o contei ao caderninho negro do álcool no pacífico fim de tarde em que o abati. No entanto, ao contrário do adorável junky, é curto, leve e um tanto falho de substância, jovem e muito vivo, muito fresco! Uma presença simples e aprazível, para beber sem pensar.

3€.

15

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Física e Filosofia, por L. de Broglie

Depois de terem assim lançado por terra algumas das antigas concepções da Física que nos pareciam sólidas, as teorias quânticas, realizando uma obra de reconstrução, introduziram outras concepções novas, cujo carácter de originalidade e profundeza é incontestável. Procedendo assim, essas novas teorias contribuíram poderosamente para o pensamento filosófico no que ele tem de mais geral.

Uma destas ideias novas é a de complementaridade, introduzida por Bohr. A dupla natureza corpuscular e ondulatória que tivemos de atribuir aos elementos da matéria levou-nos a pensar que uma mesma realidade se nos pode apresentar sob dois aspectos que, a princípio, pareciam irreconciliáveis, mas que, na realidade, nunca se encontram em conflito directo. De facto, quando um desses aspectos se patenteia, o outro esvai-se exactamente na medida necessária para que uma flagrante contradição possa sempre ser evitada. Uma complementaridade desta natureza, traduzida pelas incertezas de Heisenberg, existe entre o aspecto "onda" e o aspecto "corpúsculo" dos elementos últimos da matéria; uma outra parece existir para um sistema físico complexo entre o aspecto global, em que ele nos aparece como uma unidade orgânica, e o aspecto que no-lo faz considerar como um agrupamento de elementos autónomos. N. Bohr não receou generalizar a ideia de complementaridade mesmo para além dos limites da Física, como, por exemplo, para o domínio biológico. Para ele, num ser vivo, o aspecto vital e o aspecto físico-químico seriam por qualquer forma complementares. A descrição físico-química completa de um ser vivo exige uma análise tão radical das suas partes que, necessariamente, havia de produzir a morte do ser estudado, ao passo que o estudo das funções vitais obrigaria a ignorar grandemente as evoluções físico-químicas que se operam no mais íntimo dos tecidos e das células; seria, portanto, tão impossível descrever a vida unicamente pelas evoluções físico-químicas, como é impossível, em física atómica, descrever o corpúsculo unicamente pela onda, ou inversamente. Qualquer que seja o valor que se deva atribuir a tais extensões do conceito de complementaridade, não resta dúvida de que esse conceito é, em si mesmo, de grande importância, e parece susceptível de abrir horizontes completamente novos à reflexão filosófica.

Uma outra ideia nova é a impossibilidade de atribuir um determinismo rigoroso à sucessão dos fenómenos, pelo menos na escala corpuscular. O determinismo aparente das escalas macroscópicas deve, nas pequenas escalas, ceder lugar a um probabilismo que se contenta com calcular as eventualidades possíveis e as suas respectivas probabilidades. No estado actual da ciência, os físicos não podem passar para além deste probabilismo e encontrar nos fenómenos de escalas microscópicas o fio de um determinismo rigoroso. Podê-lo-ão um dia? Apesar da prudência que se deve usar em matéria de previsões desta natureza, pode-se, no entanto, afirmar que isso parece agora pouco provável. Os filósofos terão de discutir em que medida esses resultados são compatíveis com o princípio da causalidade e verificar se eles permitem manter tal princípio sob a sua forma clássica, ou obrigam a modificá-lo um pouco. Como já procurei mostrar numa comunicação que fiz ao Congresso Descartes de 1937, subsiste certamente na Física quântica uma causalidade fraca, no sentido de que todo o efeito tem sempre uma causa e que a supressão da causa tem sempre como consequência o desaparecimento do efeito; não se encontra, porém, ali a causalidade forte, em que o efeito resulta necessariamente da causa e lhe está ligado por um determinismo rigoroso. A causalidade fraca permite supor que uma mesma causa possa produzir um ou outro de vários efeitos possíveis, apenas com uma certa probabilidade de que tal efeito se produza, e não outro. Os físicos, numa escala tão reduzida, não chegam a encontrar senão esta causalidade fraca: aos filósofos pertence examinar se podem contentar-se com ela.

Partindo do princípio de que os fenómenos mais importantes da vida se passam no interior das células, ou mesmo dos núcleos celulares, em escalas de natureza atómica, a impossibilidade de estabelecer, em tal escala, um determinismo rigoroso aparecerá sem dúvida como um factor capaz de desempenhar um papel essencial na evolução das nossas ideias pelo que diz respeito à vida, e talvez seja mesmo susceptível de trazer novos elementos para muitos problemas tradicionais da filosofia.

Há ainda uma outra questão sobre a qual o desenvolvimento da Física lançou uma nova luz. Poderemos conhecer a realidade física de uma maneira objectiva, independentemente dos processos empregados para a conhecer? Por outras palavras: podemos desprezar ou, pelo menos, pôr à margem as perturbações que os nossos métodos de observação ou de medida podem introduzir no estado das entidades físicas que pretendemos descrever? A estas perguntas, a Física actual responde negativamente. Em consequência da existência do quanta de Acção, é impossível diminuir indefinidamente a reacção dos nossos processos de observação sobre os elementos muito subtis que temos de observar para descrever o mundo atómico. É fácil verificar que, reduzindo mesmo ao mínimo essa reacção, ela terá sempre como resultado introduzir no nosso conhecimento do estado das entidades físicas elementares as incertezas previstas pelas relações de Heisenberg. Esta impossibilidade de considerar separadamente o objecto observado e o processo de observação conduz, portanto, ao indeterminismo quântico tal como acima se definiu. Esse indeterminismo está intimamente ligado ao quanta de Planck e desaparece praticamente quando se trata de escalas macroscópicas em que o quanta se torna desprezível. Os partidários da causalidade forte podem pensar que, se fosse possível examinar mais pormenorizadamente as interacções entre o objecto observado e os meios de observação, se restabeleceria o determinismo, visto que o indeterminismo aparente seria então simplesmente atribuível à insuficiência dos nossos conhecimentos; mas a existência do quanta de Acção parece ter como resultado o ser completamente impossível proceder-se a tal análise. O determinismo não parece, portanto, demonstrável para a ciência humana e, se ainda esse princípio se mantém, é simplesmente como um postulado metafísico.

Sugerindo-nos a complementaridade das noções de elemento e de sistema, e mostrando-nos que o indivíduo perde a sua personalidade à medida que se funde num organismo que a engloba e volta a encontrá-la à medida que se isola, a Física nova fornece-nos sugestões de uma originalidade e de uma riqueza de conteúdo extremamente grandes, das quais a Filosofia em geral e a Sociologia podem tirar grande proveito. É certo que, para utilizar tais sugestões, se torna necessário ultrapassar o sentido literal dos resultados fornecidos, sempre sob uma forma prudente e precisa, por essa ciência exacta que é a Física; mas o papel dos filósofos não foi sempre tentar essas extrapolações audaciosas, que muitas vezes repugnam ao espírito mais positivo dos sábios?


Louis de Broglie, 'n Para Além da Ciência (L'Avenir de la Science), trad. portuguesa do Prof. Eduardo Pinheiro, (Livraria Tavares Martins, Porto, 1942), pp. 37-41.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Mouras de Arraiolos — Syrah Reserva '2007

É com um misto de pena e espanto que penso nos meus pares. Espanto face à forma como se multiplicam. Não param de descobrir coisas, não se cansam de partilhar. Admirável, tamanha força vital. Pena, claro está, de não conseguir ser como eles. Ai que tédio. . . será que ando triste? Olhem, como não sei que mais colocar aqui, deixo-vos as minhas impressões sobre o vinho que acompanhou as asas e pescoços de frango que ontem comi, fritos no forno, ao jantar. Trata-se de um alentejano de Arraiolos, produzido pela Adega das Mouras.

Por algum motivo que não consigo precisar, a imagem da garrafa agrada-me.

Ameixa preta, compota, terra, flores, algum álcool, algum corpo, taninos dóceis e persistência moderada. Uma maior concentração teria sido bem-vinda. Enfim, ao que tudo indica, resumindo, trata-se, tão simplesmente, de mais um Syrah alentejano de perfil tecnológico, genérico q.b., que não impressiona nem desmerece.

Dei por ele 3 ou 4€, já não sei ao certo.

14,5

domingo, 5 de junho de 2011

The Triffids — Treeless Plain

Na entrada relativa à banda na Wikipédia lê-se:

The Triffids' debut album, Treeless Plain, released in November 1983, was a critically acclaimed and brilliant album — described as a
"magnificent, muscular piece of work that pounds out simple powerful rock songs — one of the best indie rock albums of its day" — but no singles were released from it. All tracks for Treeless Plain were recorded over twelve midnight-to-dawn sessions at Emerald City Studios, Sydney, in August and September 1983, with The Triffids producing.

Deixo-vos aqui a #2. Mensagem a reter: If you've broken a pure heart, you're branded for life.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Robustus '2004

Vinho especial para ocasião especial. Acerca desta última, silêncio. O tempo em que o blogue do pobre pequeno J era um livro aberto há muito que acabou. Não valia a pena. Quanto ao vinho, na ficha técnica que o produtor disponibiliza na internet, pode ler-se que

"O nome Robustus presta tributo ao primeiro vinho de Dirk Niepoort, feito em 1990 com o mesmo nome e que nunca foi comercializado. A inspiração do Robustus 2004 é essencialmente baseada em grandes vinhos tradicionais italianos, nos quais o estágio prolongado em madeira velha é utilizado para suavizar os taninos presentes"

e mais à frente,

"Na verdade, a vinificação não foi feita a pensar no Robustus, e neste lote encontram-se vinhos fermentados com macerações mais longas, mas também uma pequena percentagem em lagar. Foi depois de 18 meses de estágio em barrica que se escolheram 2 lotes de vinhos pela acidez e estrutura tânica para um estágio mais prolongado em tonéis de madeira usada, de 1500 lts."

A matéria prima proveio de vinhas com idades entre 60 e mais de 100 anos e o produto final foi engarrafado quatro anos após a colheita.

Quando se abre uma garrafa destas, as expectativas são necessariamente altas. E desta vez, aliás, mais uma vez, não foram defraudadas. Esperava algo extraordinário e foi isso mesmo que encontrei, um vinho aveludado, complexo sem ser confuso, cheio de cheiro e sabor, e fresco, muito bem balanceado. Os frutos silvestres, vagamente ácidos, os apimentados, o mato fresco, com o seu quê de herbáceo e de floral também, o mato seco, rasteiro, do Douro, a terra, a tosta de grande qualidade, enfim, tudo limpo, bonito e bem conjugado. O fim de boca, muito longo, trouxe consigo evocações de caramelo de leite e café. Robustez, tem. No entanto, quis parecer-me um vinho, acima de tudo, elegante. Ainda mais que este.

60€.

19