segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

Quinta de Cabriz — Colheita Seleccionada '2010 (Branco)

Malvasia Fina, Encruzado, Cerceal Branco e Bical. Terá sido dos últimos feitos por Carlos Lucas na Dão Sul.

Clarinho e muito fresco, com predominância de sugestões cítricas, a fazer lembrar limão. Fugaz, no entanto. Pena.

E pronto, é só. Não tenho muito a dizer dele, o que nem por um momento quer dizer que o tenha achado mau. Aliás, não recordo uma única vez em que tenha feito má figura quando combinado com algo leve. Isto quer dizer, logo à partida, que é um vinho a que de vez em quando vou voltando. E que face ao seu congénere tinto, que tão bom nome tem, na minha humilde opinião, sai a ganhar.

3€.

15

domingo, 30 de Outubro de 2011

Palomar Creek — Zinfandel "Old Vine" '2009

Varietal Zinfandel da Califórnia, one of the most diverse wine regions in the world, with almost 100 grape varieties grown in over 100 viticultural areas, including dozens of ­different microclimates and soil types, as well as a very individualistic set of ­winemakers, many with international experience, which adds to and deepens that diversityCellarTracker.

Como na maioria dos vinhos estrangeiros que se encontram no Lidl, quase nada é adiantado quanto ao produtor ou processo de elaboração. Falam apenas de vinhas velhas, pouco produtivas, sumo concentrado. Ainda bem, talvez.

Aberto e vertido directamente no copo. Cor rubi. No nariz, intenso e característico cheiro a frutos de polpa branca, especialmente pêras, misturado com notas de especiarias e bagas vermelhas, pouco maduras. Impressões que o sabor acompanha. Tem frescura, algum corpo, taninos macios e o final é médio / curto.

Segundo dia: Figo, cassis e as especiarias de ontem. Menos pêras. Curioso, parece que os frutos vermelhos enegreceram. Terá sido do sol? Fim de boca a fazer lembrar alcaçuz. Zin típico, vagamente adocicado. Pareceu-me mais fácil de beber que objectivamente bom.

Acompanhou codornizes, receita simples, com pão.

4€

15

sexta-feira, 28 de Outubro de 2011

terça-feira, 25 de Outubro de 2011

Milénio '2008

Outro da Coop. de Penalva do Castelo. Não os conheço pessoalmente, mas gosto deles. Motivos? Assim de repente, aqui ficam dois (1, 2). Foi feito a partir de Tinta Roriz e Touriga Nacional, fermentou a temperatura controlada (isto usualmente quer dizer que foi feito um esforço no sentido de a manter baixa) e passou por ligeiro estágio, 3 meses em carvalho americano e francês.

Simples q.b., mas rico em cor e corpo, cheiroso e sumarento. Ao contrário do sugerido pelo rótulo ao falar de nova abordagem do "Milénio", aparenta manter o perfil do de 2006. Ainda bem! Para quê mudar quando fazê-lo implica o risco de estragar algo bom?

Bebi-o com frango de churrasco.

3€.

15,5

segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

Casa Aranda — Malvasia Fina e Encruzado '2008

Ora aqui está um branco para os primeiros dias de frio. Não objectivamente branco de Inverno, pelo menos não corresponderá ao cliché do branco gordo e adocicado, de preferência velho, com falta de acidez. . . mas de alguma forma está lá. E o rótulo, como os demais da marca, tão giro.

Veio daqui. O contra-rótulo fala de "fermentação em inox e pequena parte em barricas de carvalho francês". Oh, o estilo, man, group. . . Carvalho francês, talvez a mais comum expressão neste blogue. Jesus, que amargo :)

Servido a 10ºC, foi aquecendo com o passar do tempo. Pouca cor. Seco e elegante, com algum corpo. Flores amargas, mijo de gato, tremoço e relva cortada de fresco sobre fundo persistente de casca de limão. Este o mais perpassante e definido aroma que lhe encontrei, um pouco como se fosse o pano de fundo a definir o cenário, mesmo não estando o palco vazio.

Pouca flor, pouca fruta. Mas bastante daquela neutralidade refrescante a que uns chamam mineralidade, outros vazio, outros coisa nenhuma. O álcool sente-se, mas não se impõe. E para não vos iludir, ou sabe-se lá se não deveria antes dizer dissuadir com a descrição desinspirada, para simplificar, terminarei dizendo, apenas, que gostei.

5€.

15,5

sábado, 22 de Outubro de 2011

Filmes (36)





Um filme agradável. Sexploitation, my ass. Bem sei que as escolhas cinematográficas aqui do blog tornam fácil imaginar-me um velhinho sujo. Heh.

quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

ACQUAINTANCE,

n. A person whom we know well enough to borrow from, but not well enough to lend to. A degree of friendship called slight when its object is poor or obscure, and intimate when he is rich or famous.

'n The Devil's Dictionary, Ambrose Bierce, 1911 e antes.

terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Marquês de Marialva — Selecção do Cinquentenário '2003

Continuam a perguntar-me porquê ainda e só notas de prova, porquê vir para aqui falar de vinhos como se tivessem caído do céu já engarrafados. . . Olhem, porque não sou um académico. Não tenho pepitas de sabedoria vitícola ou enológica a partilhar convosco. E porque as histórias do vinho que sei, são velhas, estão mais que contadas. E porque, no mais, isto do vinho é um negócio. Dinheiro. Paixão? Alguma, aqui e ali. Mas no geral, paixão o caralho, a menos que seja pelo dinheiro. E afinal, que interessam os boatos do ano? No fim, o post sai igualmente inútil. Mas, se por um lado menos sumarento, por outro também muito menos feio. Talvez seja a Natureza a procurar repor o equilíbrio. Enfim, adiante.

Um dos vinhos da semana passada: monocasta Baga da Coop. de Cantanhede. Diz o contra-rótulo que as uvas foram criadas em protecção integrada, que o mosto fermentou 18-20 dias a 22-25ºC e que o líquido resultante estagiou durante 6 meses em barricas de carvalho francês antes do engarrafamento. Relevante será também o estágio em garrafa, mais de meia dúzia de anos que muito terão contribuído para o seu estado presente.

Baga evoluída, com ginja e folha de tabaco, especiarias quentes, indefinidas, azeitona parda. . . A fruta ainda rica, escura. Muitas passas, licor também. Os aromas e sabores que foi proporcionando mostraram-se acessíveis, de tal forma que chegou a parecer um vinho fácil. Um vinho com estes predicados, fácil! A acidez aguenta o perfil morno sem sobressair (isto é difícil, sobretudo quando a temperatura sobe) e os taninos, claramente amaciados pelo tempo, ainda dão de si. Terminou com bonitas sugestões de framboesa. Não tendo impressionado, aconchegou-me durante um jantar de cabrito assado — a sua missão foi cumprida.

9€.

16

segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

Morgado de Sta. Catherina — Reserva '2008

Arinto de Bucelas, da Quinta da Romeira. Fermentou a 18ºC em barricas de carvalho francês, 80% das quais, novas. O estágio deu-se sur lie, com bâtonnage. O que um gajo faz para evitar a palavra borras.

Intenso e razoavelmente complexo. Por ordem de chegada: abacaxi doce, maracujá, pêra-nashi . . . ligeiro fumado, talvez pimenta? . . . tremoço, palha? Já a presença de flores, curiosamente, foi coisa que não notei por aí além.

Sabor amanteigado, com peso, mas, mesmo assim, bastante fresco. A madeira nota-se mais que no nariz. No entanto não é coisa que lhe fique mal, traz-lhe certo ar de solenidade. O final é longo — faz tempo que não punha aqui um vinho do qual pudesse dizer isto.

É branco de Outono, um branco muito bom.

8€.

17

domingo, 16 de Outubro de 2011

No-Knead Bread

Adapted from Jim Lahey, Sullivan Street Bakery
Time: About 1½ hours plus 14 to 20 hours’ rising

3 cups all-purpose or bread flour, more for dusting,
¼ teaspoon instant yeast,
1¼ teaspoons salt,
Cornmeal or wheat bran as needed.




1. In a large bowl combine flour, yeast and salt. Add 1 5/8 cups water, and stir until blended; dough will be shaggy and sticky. Cover bowl with plastic wrap. Let dough rest at least 12 hours, preferably about 18, at warm room temperature, about 70 degrees.

2. Dough is ready when its surface is dotted with bubbles. Lightly flour a work surface and place dough on it; sprinkle it with a little more flour and fold it over on itself once or twice. Cover loosely with plastic wrap and let rest about 15 minutes.

3. Using just enough flour to keep dough from sticking to work surface or to your fingers, gently and quickly shape dough into a ball. Generously coat a cotton towel (not terry cloth) with flour, wheat bran or cornmeal; put dough seam side down on towel and dust with more flour, bran or cornmeal. Cover with another cotton towel and let rise for about 2 hours. When it is ready, dough will be more than double in size and will not readily spring back when poked with a finger.

4. At least a half-hour before dough is ready, heat oven to 450 degrees. Put a 6- to 8-quart heavy covered pot (cast iron, enamel, Pyrex or ceramic) in oven as it heats. When dough is ready, carefully remove pot from oven. Slide your hand under towel and turn dough over into pot, seam side up; it may look like a mess, but that is O.K. Shake pan once or twice if dough is unevenly distributed; it will straighten out as it bakes. Cover with lid and bake 30 minutes, then remove lid and bake another 15 to 30 minutes, until loaf is beautifully browned. Cool on a rack.

Yield: One 1½-pound loaf.


Originalmente publicado na secção Dining & Wine do New York Times de 8/11/2006.

sábado, 15 de Outubro de 2011

Quinta de Covela — Colheita Seleccionada '2001

Touriga-Cabernet estagiado em barrica, de S. Tomé de Covelas, Entre-Douro-e-Minho. Em jeito de predicado, link. Bem, falemos antes do vinho.

A cor, granada, surpreendeu pelo tom escuro, bem mais jovem que o esperado. Assim que o levei ao nariz, presenteou-me com tamanha carga de futum (volátil) que fiquei na dúvida sobre se estaria próprio para consumo. Acontece no entanto que este começou a levantar bastante depressa, deixando para trás um vinho seco, todo ele feito de impressões verdes e castanhas, azeitonas e especiarias, sem traços de flores ou fruta, mas ainda cheio, estruturado, com acidez, firmeza de sabor, até alguma envolvência. Um pouco acre, mas que desde logo deixou a impressão de ter aguentado bem os anos em garrafa. Ocorreu-me uma experiência: abri outra garrafa e deixei-a pernoitar com a rolha voltada ao contrário, no frigorífico.

Segundo dia: mais vivo à hora do almoço, de certa maneira a fazer lembrar este. Bebi 1/3 com fiambre e tomate temperado com sal, azeite e orégãos (há dias em que almoço assim) e devolvi o restante ao frigorífico. Ao jantar encontrava-me perante um vinho ainda mais limpo. Mais especiarias, menos azeitona, muito vegetal carnento de Cabernet atlântico e ainda alguma fruta negra. Coeso e muito bonito, convenceu.

9€.

16,5

quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

Marquês dos Vales — Grace Vineyard '2007

Algarvio da Quinta dos Vales, baseado em Aragonês, Cabernet Sauvignon e Castelão. A ficha técnica, que se pode consultar aqui, fala de maceração a frio, fermentação alcoólica em inox e maloláctica em barricas de carvalho francês, seguida de estágio. Dele se encheram 13000 garrafas, não numeradas.

Foi bebido a 16/18ºC. Das impressões deixadas, destaque para bons frutos vermelhos, envoltos em notas de flores e especiarias, não só mas sobretudo abaunilhados, traço indelével dos dezoito meses que passou em barrica. Revelou-se um vinho de perfil fino e delicado, bem mais próximo do Dão que do vizinho Alentejo, que tanto na expressão da fruta como na forma como a barrica a compõe me trouxe à memória este, quase de caras.

No entanto, tal comparação não o beneficiou, já que acabou por evidenciar certa falta daquele misto de força e concentração a que eu, simplificando, sempre gostei de chamar miolo. Também deixou mais à vista que, provavelmente, a barrica nunca vai chegar a integrar-se por completo.

12€.

15,5

terça-feira, 11 de Outubro de 2011

Daddy

You do not do, you do not do
Any more, black shoe
In which I have lived like a foot
For thirty years, poor and white,
Barely daring to breathe or Achoo.

Daddy, I have had to kill you.
You died before I had time

Marble-heavy, a bag full of God,
Ghastly statue with one gray toe
Big as a Frisco seal

And a head in the freakish Atlantic
Where it pours bean green over blue
In the waters off beautiful Nauset.
I used to pray to recover you.
Ach, du.

In the German tongue, in the Polish town
Scraped flat by the roller
Of wars, wars, wars.
But the name of the town is common.
My Polack friend

Says there are a dozen or two.
So I never could tell where you
Put your foot, your root,
I never could talk to you.
The tongue stuck in my jaw.

It stuck in a barb wire snare.
Ich, ich, ich, ich,
I could hardly speak.
I thought every German was you.
And the language obscene

An engine, an engine
Chuffing me off like a Jew.
A Jew to Dachau, Auschwitz, Belsen.
I began to talk like a Jew.
I think I may well be a Jew.

The snows of the Tyrol, the clear beer of Vienna
Are not very pure or true.
With my gipsy ancestress and my weird luck
And my Taroc pack and my Taroc pack
I may be a bit of a Jew.

I have always been scared of you,
With your Luftwaffe, your gobbledygoo.
And your neat mustache
And your Aryan eye, bright blue.
Panzer-man, panzer-man, O You


Not God but a swastika
So black no sky could squeak through.
Every woman adores a Fascist,
The boot in the face, the brute
Brute heart of a brute like you.

You stand at the blackboard, daddy,
In the picture I have of you,
A cleft in your chin instead of your foot
But no less a devil for that, no not
Any less the black man who

Bit my pretty red heart in two.
I was ten when they buried you.
At twenty I tried to die
And get back, back, back to you.
I thought even the bones would do.

But they pulled me out of the sack,
And they stuck me together with glue.
And then I knew what to do.
I made a model of you,
A man in black with a Meinkampf look

And a love of the rack and the screw.
And I said I do, I do.
So daddy, I'm finally through.
The black telephone's off at the root,
The voices just can't worm through.

If I've killed one man, I've killed two

The vampire who said he was you
And drank my blood for a year,
Seven years, if you want to know.
Daddy, you can lie back now.

There's a stake in your fat black heart
And the villagers never liked you.
They are dancing and stamping on you.
They always
knew it was you.
Daddy, daddy, you bastard, I'm through.


12 October, 1962.
(S.Plath)

segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

Union de Producteurs de Saint-Emilion '2008

Produzido pela Cave Cooperative de L'Union de Producteurs de Saint-Emilion (link). Embora o rótulo não adiante absolutamente nada a respeito do conteúdo da garrafa para além da proveniência, rapidamente se nota tratar-se de um lote com elevado teor de Merlot, provavelmente em redor dos 70%, complementado com os costumeiros Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Também o método de produção terá sido o usual, com fermentação alcoólica em cubas de cimento e maloláctica em barrica, seguida de estágio, muito embora este vinho não tenha brilhado no que concerne a manisfestações objectivas de identidade regional. Mas isso são outras histórias.

Inicialmente bastante fechado, o nariz repleto de notas de especiarias, noz moscada, cravinho, canela, tabaco, acabou por revelar com o arejamento uma dose não negligenciável de fruta vermelha, framboesa e cereja, sempre delicada, com certa ligeireza. Ao mesmo tempo, na boca, fruta mais escura, roxa e negra, mais robusta, embora longe de sumarenta, complementada por algo vagamente especiado mas não verde, ligação bonita que acaba por harmonizar dois conjuntos com diferenças bem perceptíveis.

Com o avançar da refeição que o vinho foi acompanhando, e ainda mais ao segundo dia, as coisas como que se uniformizaram. É aqui que se emite um juízo de valor: fruta decente, alguma complexidade, um porte mais que razoável, taninos, finura, estrutura, comprimento idem. . . equilíbrio agradável, aliás, até alguma elegância. E de forma alguma durará mais 20 anos mas, muito provavelmente, estará melhor daqui a 4 ou 5.

Ou seja, não emocionando, é porreirinho.

10€.

16

sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

Rol de Coisas Antigas '2008

Da Campolargo. As uvas, Baga, Castelão, Trincadeira da Bairrada, Sousão, Bastardo, Alfrocheiro, Tinta Pinheira e Alicante Bouschet de vinhas com idades entre os dez e os quinze anos, dizem, fermentaram juntas "tanto quanto possível", em pequenos lagares com pisa mecânica. O vinho daí resultante sofreu a fermentação maloláctica em barricas usadas, onde depois foi repousou durante um ano.

Escuro, focado em frutos negros, sobretudo ameixa e figo, apresenta agradáveis notas de ligeiro mentol, terra e chá. Maduro, mas também sério, com grande acidez. Robusto, cheio de taninos densos e ainda jovens. Com o tempo mostrou sugestões razoavelmente nítidas de framboesa, bem como chocolate amargo e algo a fazer lembrar almíscar.

É um vinho de recorte clássico, certamente ideado para acompanhar comida. Que comida? Praticamente qualquer prato de carne não light, arriscaria dizer. É ainda um vinho que apresenta dualidades curiosas: apesar do carácter maduro, não é nada doce. Sendo inequivocamente profundo, não é, nem creio que alguma vez venha a ser um portento de complexidade. E não obstante o esforço de afinação que se nota, os taninos ainda parecem granulosos... coisa que, neste caso, não representa vulgaridade!

É daqueles vinhos, enfim, sobre os quais é fácil falar pouco. Comece-se no entanto a tentar escavar e tudo se turva, instala-se a confusão. No fim, serão mais coisas do vinho, da palavra ou minhas? Provavelmente, o melhor será calar-me. Podia ter poupado tempo, o meu e o vosso, se tivesse resumido tudo isto em meia dúzia de palavras: frutos pretos, acidez, intensidade, juventude, coesão. E para parecer mais humano, podia ter terminado: bebam à mesa. Certamente não estaria a enganar ninguém.

9€.

17

quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

In the popular mind the so-called voodoo doll is the most well-known of such effigies, and many tourists have brought such souvenirs home from their visits to New Orleans or Haiti where Voudun (Voodoo) is practiced as a religion. Over the years, the portrayal of a voudun priest or priestess sticking pins into a doll that represents someone who has incurred their wrath has become so common that such effigies or puppets are known collectively as voodoo dolls. Actually, such figures have no role in the religion of voodoo, and the practice of sticking pins in dolls or poppets (puppets) is a custom of Western European witches, rather than the Haitian or Caribbean practitioners of voudun. Perhaps the misunderstanding arose when outsiders who witnessed certain rituals saw the followers of voudun sticking pins in the figures of saints or guardian spirits. Such acts are done not to bring harm to anyone, but to keep the good force of magic within the object.

One method of effigy cursing calls for the magician to fashion a wax or cloth skeleton and to inscribe the name of the intended victim on its back. The image is then pierced with a thorn or a sharpened twig in the area corresponding to the victim's body part that the sorcerer desires to inflict with pain. Once pierced, the skeleton is wrapped in a shroud and prayed over as if it were a deceased person. When the death rites have been accomplished, the effigy must be buried in a spot over which the intended victim is certain to walk.


Brad & Sherry H. Steiger, The Gale Encyclopedia of the Unusual and Unexplained, vol. 1; Thomson Gale, 2003; ISBN 0-7876-5383-7.

terça-feira, 4 de Outubro de 2011

Marquês de Marialva — Maria Gomes '2009

100% Maria Gomes da Adega Coop. de Cantanhede. A ficha técnica respectiva fala de prensagem suave, separação das partes sólidas por flotação, fermentação a baixa temperatura durante duas semanas e bâtonnage em cuba por 4 meses.

Cor citrina. No princípio, cheirinho doce a rosas e outras flores. Depois, e cada vez mais, sobretudo com a passagem pela boca, limonete e pomóideas maduras, de polpa mole e sumarenta. Ainda curiosas notas de fósforo de riscar, só uma ou outra, nada de perturbador. Agradavelmente untuoso, de corpo não negligenciável e acidez melhor integrada que o do post anterior, junto com o qual foi aberto. O final, médio / longo.

Ambos os vinhos acompanharam bifes de frango e pães de queijo: desta vez, a receita da Wiki parece boa o suficiente.

E de vinho em vinho se vai mantendo o tasco aberto. Mas, o vazio! Por um lado, ao repetir milhentas vezes a mesma receita, sinto o interesse a perder-se. Por outro, parece-me fútil pretender dar cara de novidade a coisas que na verdade não o são. Talvez deva, simplesmente, deixar aqui mais de mim. No entanto, para quê?

3€.

15,5

Encosta de Mouros — Bical '2010

Hoje ponho aqui os vinhos de um dos jantaritos da semana passada. Dois brancos varietais da Bairrada, dois vinhos cheios de carácter, francamente capazes de agradar, e ainda por cima, duas excelentes relações qualidade-preço. Primeiro abriu-se este monocasta Bical da Adega Coop. da Mealhada, sobre cujo processo de vinificação nada de conclusivo encontrei.

Foi servido a 10ºC. Pouca cor. No nariz, pêssego, tremoço, erva-cidreira, flores amargas, alguma sapidez. Um nariz atlântico, estivera eu tentado a divagar! No mais, faz-se de frescura em corpo curto e magro, mas não esquálido, e sabor limonado, com toque de fundo curioso, a fazer lembrar grão cozido. Limpo e seco, branco para comida. Ainda muito jovem, deixou-me curioso sobre como reagiria a um par de anos em garrafa.

2€.

15

segunda-feira, 3 de Outubro de 2011

The kid survived. He survived the best or the worst the enemy had to offer. Among his captors he became an awesome legend, an insane, grinning devil. Once they put the screws to him and he agreed to confess. He confessed that he had been snatched from a mental institution for violent patients. "Hell," he said, "that's where the U.S. Army got most of us. I thought you people knew that. We either came from nut houses or joints where they got the worst hoodlums locked up. You don't think they'd send anybody over here they gave a damn about, do you?" For some time this prize confession created a considerable stir among the Red big domes. He was full of stunts like that until starvation and mistreatment beat him down almost to the point of death. Still he grinned and hate sustained him.

The gentle and courageous young chaplain who had ministered to the kid following his capture and who had been a special target for persecution by the enemy was attacked by a raging fever and dysentery. A living skeleton now, it was obvious he wouldn't live long unless he received prompt medical attention. Notified of his condition, the guards either pretended not to understand or shrugged indifferently. The kid called on the last of his strength to raise hell and to get the others to do the same until he was allowed to talk with the camp's military commander and its chief political officer, both of whom spoke English. (This was at a time when peace talks had been renewed and the Reds were all seeming benevolence. On some levels, that is.)

"The padre needs a doctor bad," the kid said. "I think he's dying."

"No doctor," the political officer said.

The kid grinned and murder glittered in his sunken eyes. "You want him to die, don't you, you bowlegged little bastard?"

The slap cracked like a snapped tree branch.

"Pig! American slime! I should have you shot for insolence! The political officer's pitted face was mottled with rage. He barked some words of command in Chinese to one of the guards. This scowling fellow stepped forward, his submachine gun ready.

"Go ahead," the kid taunted, still grinning. "Tell your pinheaded stooge to shoot. And then tell the world what supermen you are. Uncle Mao'll probably give you a medal. But get the padre a doctor!"

The political officer, recalling with a shudder how earlier encounters with this fearless, imbecilic one had ended so disastrously, shook his head helplessly. "You handle this insane American dog," he snapped, and stalked off, vowing doubtless to take care of the kid when the present soft policy was canceled.

"Well?" the kid said.

The commandant was tough but not cruel. His look was speculative and a quirk of a smile appeared fleetingly at the corner of his lips. "I wasn't aware you were a religious man," he said.

"I'm not. What the hell's that got to do with it?"

"Nothing. I'll send a doctor."

"Thanks."

The commandant kept his word. Two hours later a Chinese doctor came to see the delirious chaplain.

"Hopeless case," the doctor said in pidgin English. "Die soon. Too bad." He left.

The kid cursed — and kept a long vigil. Some time after dawn the delirium slowly lifted and the chaplain's fever-bright eyes, set in a gaunt face, began to focus.

"It's me," the kid said. "How do you feel?"

"All right."

"Then that damn slant-eyed sawbones was wrong. You're going to be okay."

The chaplain knew the Chinese doctor hadn't been wrong. He didn't doubt that he was dying. But this was no cause for alarm. He waited for the end calmly, without fear. He prayed and then he spoke in a whisper to the kid about an unwrathful God, an unviolent future, a better world. His last words to the kid were "Seek Him, put hate behind you, and try to find yourself."

The kid looked long at the chaplain's wasted body with its bloated abdomen. The padre was a good guy, the kid thought. He had guts.

And faith.

And he was dead. The kid wasn't.

Caryl Chessman, The Kid Was a Killer, 1960.

domingo, 2 de Outubro de 2011

Casa da Passarela '2008

Apesar de apenas agora se estar a relançar — afinal, quem ou o que é que o levou à queda? — este produtor de Lagarinhos — Gouveia tem uma longa história, isto é, simplificando, quiçá de mais, vinhos muito bons durante muitos anos. Reza a lenda que se usaram uvas desta quinta na elaboração do Barca Velha e é facto que no presente, é de uma das suas vinhas que sai parte da matéria-prima do também sobejamente conhecido PaPe, de Álvaro de Castro.

Quanto ao exemplar abatido, trata-se de uma proposta de posição intermédia no portfolio do produtor. Nele predomina a fruta ao mesmo tempo madura e fresca que é usual encontrar-se nos tintos jovens do Dão. Mais vermelha que preta, arriscaria dizer. Mais concentração que peso ou persistência. Tudo redondo, tudo correcto, o álcool bem integrado e o final curto. Simples, limpo e apelativo, precisamente aquilo que se espera de um Dão jovem da sua gama.

3€.

15

sábado, 1 de Outubro de 2011

:)