quarta-feira, 30 de novembro de 2011

XXI

So the infant came and the rain stopped, and the vast black cloud parted across the firmament like a leaden curtain and all the people of the valley beheld the glory of the blue and saw the great sun in the sky. And they raised the babe heavenward so that she might be the first to feel the warm breath of atonement and so that their God would see that the incarnate token deposited upon the monument steps had not passed unnoticed and that the dual miracle was indeed fully understood, one to one and never to be forgotten. And, falling to their knees, wailing and weeping, it was God and the babe whom they praised and praised — this frail bundle juggled, hand to hand, so brightly glowing, bound in its swaddling cloth, this miracle, this reward of faith — upheld and jostled, thus, aloft.

Nick Cave, And the Ass Saw the Angel, 1989

domingo, 27 de novembro de 2011

Vila Flor '2010 (Branco)

Foi feito com Malvasia Fina, Gouveio e Rabigato. As uvas, desengaçadas, foram submetidas a uma prensagem suave, seguida de fermentação em cuba de inox, a 14ºC, durante 10 dias. Em jeito de complemento, aqui deixo aos eventuais interessados link para a respectiva ficha técnica. Encheram-se 6000 garrafas.

Persistente na frescura, na acidez quase mordente com que se fez à boca, prolongando-se pelo palato médio. Seco, pareceu-me essencialmente cítrico, com um curioso travo a fazer lembrar pólen de flores brancas. Acompanhou frango de churrasco sim, parece que a noite do churrasco + vinho branco se tornou por estes lados uma espécie de instituição e mais uma vez ficou bem.

Tal como a outra, esta garrafa foi gentilmente cedida pelo produtor; o preço expectável, 3,99€.

15,5

sábado, 26 de novembro de 2011

Vila Flor '2009

Produzido e engarrafado pela Soc. Agrícola da Casa D'Arrochella, Lda. para Quinta da Peça, Gestão de Exploração Agrícola e Turismo, Lda. Vila Flor. Esta marca associa-se usualmente a azeite, mas [do press release que acompanhava as garrafas] este produtor duriense quer transportar essa mais-valia também para um vinho criado através das mais recentes técnicas enológicas, levando a todos os consumidores a paixão posta num projecto marcado pelo estilo «Novo Douro».

Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Nacional. Citando a ficha técnica, a vinificação deu-se em lagar e vinificadores com pás rotativas, com tempos de rotação e temperaturas controladas. Não passou por madeira.

Rubi, escuro. Fruta jovem, creio que mais preta que vermelha, em corpo de esguio a mediano. Sóbrio, com boa acidez e alguma estrutura. . . taninos já maduros, beba-se. Final curto. Simples e correcto, acompanhou (boas) febras de porco grelhadas. Entre a prova, a comida, alguma má TV e a correspondente converseta, acabou por não chegar ao segundo dia.

O preço recomendado pelo produtor é de 3,99€.

14,5

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Filmes (37)





Outro filme sobre assassinos em série. Desta vez, inspirado neste indivíduo, que infelizmente ainda vive. Não sei até que ponto se poderá considerar um filme de terror. Se sim, então terá sido dos mais conviencentes que vi nos últimos tempos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quinta de Gomariz — Loureiro '2010

De volta ao vinho, às provas. Desta vez, o espécime testado, um varietal Loureiro da Quinta de Gomariz, Sub-Região do Ave. As vinhas estão implantadas em solos graníticos com exposição a Sul; o mosto fermentou em inox e o vinho resultante foi engarrafado sem passar por madeira. Nesta colheita, encheram-se 30000 garrafas.

Simples e directo, um pouco à imagem da coisa contada, encontrei-o intenso e muito fresco; persistiu na boca com agulha bem integrada. Louro, flor de laranjeira, ervas verdes, toranja, lima, alguma densidade, bastante equilíbrio e levíssimo amargor no final. Gostei.

Acompanhou frango no forno, muito simples. Sim, este branco não tão ligeiro assim, com 11,5% de álcool, acompanhou frango no forno com grande competência. Misturei numa taça uma colher de chá de orégãos com meia colher de chá de rosmaninho e outra meia de tomilho, quatro dentes de alho esmagados e duas colheres de sopa de manteiga derretida. Com essa mistura, esfreguei o espaço situado entre a pele e a carne do animal; na cavidade, chamemos-lhe assim, enfiei-lhe um limão. Seguidamente atei-o e esfreguei-o por fora com sal, pimenta preta recém moída e pimentón ocal (deste). Foi ao forno pré-aquecido a 220 ou 230ºC, algures entre uma hora e uma hora e meia, até ficar bem.

Para acompanhar, cozi bróculos ao vapor; batatas também. Depois de escorridos, salteei os vegetais com tomilho, azeite e alho.

5€.

16

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Some wines are made by assembly line; unflawed, perfect and perfectly boring. Others are less predictable, sometimes showing the little quirks that make wine lovers shiver with excitement.

Earth, usually the mark of a European wine, can add that frisson. In Burgundy, that means leaves rotting on the forest floor. It could also be rich, loamy compost. Or the dusty smell of bone-dry corrals and wind over the barren prairie. Oh, wait, that's my lawn.

Do you like your Riesling regular or unleaded? This grape is famous for developing aromas of diesel, although some people prefer to call it honeycomb, another waxy, petrol product. Cat pee shows up commonly in Sauvignon Blanc, especially in the twangy, New Zealand variety.

These are good things. A bad one is the cork-born contaminant, TCA, usually described as musty, dank basement, wet cardboard, or dirty gym socks.

If your nose tingles from lively acid or from the black pepper odors in wines like Syrah and Grüner Veltliner, that's lovely. If it prickles from sulfur dioxide, like when you smell a burnt match, or from the vinegary sting of volatile acidity, that's a problem.

Let's recap:

Damp Forest: good / Damp Cellar: bad.
Garage: good / Locker Room: bad.
Tingle: good / Prickle: bad.

How's a neophyte to know?

Often good and bad are the same chemical at work, in different concentrations. A small amount of ethyl phenol gives left-bank Bordeaux its sophisticated, mens-club aroma of tobacco and new saddle leather. Too much, and you get sweaty saddle and the horse it rode in on.

Since a hint of this can garner very high ratings, winemakers sit around figuring out how to encourage it without letting the responsible yeast and bacteria get out of hand and take over the winery.

The "correct" amount is purely subjective. Some people like more funk in their wine than others. It tends to be a European taste.

Which begs the question: do we expect, tolerate, even like funky stuff in wine simply because for so long it couldn't be prevented? Should wine, ideally, be totally clean, tasting only of fruit?

Might as well ask if blue cheese should be bleached, or if jerky should be re-hydrated. Lots of food that began as an accident ended up a delicacy.

Once you've been introduced to the gross things in good wine, you can decide for yourself what's a fault and what's a beauty mark. The only fault we can all agree upon — by far the worst — is the one where the cork is out of the bottle and there appears to be no wine inside.


Jennifer Rosen,
Waiter, There's a Horse in my Wine,
2005

sábado, 19 de novembro de 2011

Vinha da Pala '2008

Será o mais simples dos vinhos produzidos pela Soc. Agrícola e Comercial Vale da Corça — aqui fica o enlace para o respectivo sítio na internet. Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca; o contra-rótulo indica estágio de dez meses em barricas de carvalho francês.

Alcoólico, acre e vegetal. E ainda assim, de alguma forma, quase plano, sem substância. No mais, o perfil achado foi o típico de qualquer Douro jovem, com madeira. Não ofendeu, mas também não conseguiu despertar-me qualquer tipo de interesse.

Face ao que me habituei a encontrar nos vinhos desta casa, fiquei desiludido.

3€.

13

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Valdazar '2005

Da Campolargo. Trincadeira da Bairrada, Touriga Nacional, Baga e Tinta Barroca. As uvas fermentaram juntas e o vinho resultante fez a fermentação maloláctica e posterior estágio em barricas de 300l, de carvalho francês, novas e usadas. Encheram-se 13536 garrafas em Setembro de 2006.

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Muita cor. Curiosas sugestões de marmelos e flores brancas, amargas, a par com as notas predominantes de ginja bem madura e demais frutos pretos. Também o vegetal terroso característico da casta Baga se fez sentir do princípio ao fim da prova. Folhas secas? Macio na boca, mas não gordo, perdurou pouco, com frescura. O suficiente para confirmar o engraçado conjunto mostrado ao nariz. Folhas secas, bergamota? Drink up.

6,5€.

15,5

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Mudhoney — Superfuzz Bigmuff + Early Singles

Sweet young thing ain't sweet no more, mama found her draped over the toilet bowl.

Oooh!

Mama said, "child, what you done? Wake up and greet the midday sun!"

Sweet young thing ain't sweet no more, mama's little pills spilled all over the floor,

Oooh!

Mama can't handle her on her own. She says, "you just wait till your father gets home"!


#2, Sweet Young Thing (Ain't Sweet No More)

domingo, 13 de novembro de 2011

Quinta da Mata Fidalga — Prestige '2008 (Branco)

Bairradino da Quinta da Mata Fidalga; o sítio do produtor na internet justifica uma visita. O lote, 30% Chardonnay, 30% Maria Gomes, 30% Bical e 10% Arinto. Do contra-rótulo: Após arrefecerem em câmara frigorífica, [as uvas] foram desengaçadas e esmagadas, maceraram a 10ºC e foram prensadas sob vácuo. Após clarificação o mosto fermentou em barricas de carvalho francês e em depósito de aço inoxidável. Depois disso, passou 6 meses em madeira.

Por entre flores e frutos brancos indiferenciados, rosas e folha de louro. Travozinho adocicado na boca, em pano de fundo, que inicialmente me fez lembrar certo tipo de muscat cujo perfil nunca me agradou particularmente, mas que acabei por conseguir contextualizar — e era apenas disso que estava a precisar no momento. Fresco, com algum corpo. Final mediano. Se já entrou na curva descendente, estará no princípio. Beba-se, no entanto, por via das dúvidas.

7€.

15,5

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Salada de Bacalhau

Conforme prometido, indicado (ou o que for) no último post, aí fica a receita de peixe com que acompanhámos o respectivo branco. Nada de inédito ou especial, até acho que a tirámos de um folheto qualquer do Lidl, mas impressionou pela positiva.

Ingedientes: 600g de bacalhau, de preferência lombo; uma lata de grão de bico com aproximadamente 800g; quatro ovos cozidos; quatro dentes de alho finamente picados; uma cebola média, picada fina; 50 a 75ml de azeite; 3 colheres (de sopa) de maionese; sal, pimenta, salsa e azeitonas pretas a gosto.

Preparação: Utilizou-se bacalhau pré-demolhado, congelado: foi só descongelar, desfiar e colocar numa taça. Juntou-se ao bacalhau a cebola e dois dentes de alho, azeite e pimenta; rectificou-se o sal. Numa taça à parte juntou-se azeite, maionese e o resto do alho. Deitou-se o grão, fervido e posteriormente escorrido, na taça da maionese. Mexeu-se bem. Depois de o grão estar morno, juntou-se o bacalhau, azeitonas e ovos; levou-se a mistura resultante ao frigorífico. Tirou-se do frio duas horas antes de servir; polvilhou-se com salsa picada, decorou-se com este molho de pimento.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Bétula '2010

Da Quinta do Torgal, Barrô. À semelhança dos seus predecessores de 2008 e 2009, consiste numa combinação em partes iguais de Viognier fermentado em madeira e Sauvignon Blanc fermentado em inox. Produziram-se 5000 garrafas. Como o sítio web do produtor aparenta ainda não estar disponível, aqui deixo um enlace para a respectiva ficha técnica.

Foi servido a 12ºC. Maracujá e queijo? Ou maracujá e alperce, mais provavelmente. Outros aromas se foram levantando com o passar do tempo no copo, sempre em torno de sugestões de frutos de caroço e tropicais. Apesar dos predicados serem praticamente os mesmos, pelo menos no papel, algo me pareceu ter mudado face às colheitas anteriores. Mais fruta, mais peso, maior doçura, o verde mais discreto. Na boca, ainda assim, bom porte e frescura. Ligeiras notas de barrica, bem integradas. O final, médio/longo. Não me pareceu tão bom como o do ano anterior, que estava quase glorioso, mas não deixa de ser um belo branco. Uma segunda garrafa acompanhou a receita do post seguinte, surpreendentemente ou não, com grande competência.

O preço deverá situar-se na faixa entre os 12 e os 15€.

17

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Château Chanteloiseau '2006

Bordalês de Graves. Da Wikipedia (que boa fonte, e cada vez melhor, apesar de tudo o que de vez em quando uma ou outra alma iluminada se lembra de dizer) — The name Graves derives from its intensely gravelly soil. The soil is the result of glaciers from the Ice Age, which also left white quartz deposits that can still be found in the soil of some of the top winemaking estates.

Do mesmo produtor, já por aqui passou este tinto. Foi feito a partir de Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc (60, 25, 15%) de vinhas com idades entre os 40 e os 50 anos e existe a indicação de que aproximadamente um quarto do lote estagiou em madeira.

Pouca fruta, verdoenga, e especiarias. Fresco e equilibrado, com certa presença / estrutura. Algum vegetal seco. Enfim, um vinho decente, fiel à origem, mas pouco mais que isso. O contra-rótulo aponta um prazo de envelhecimento de 10 a 15 anos. Preciso de provar um Graves assim, modesto mas sólido, com uns bons anos de garrafa em cima, para aprender. Bebi-o com perna de peru assada.

6€.

14,5

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sopa Fria de Pepino e Menta

Exemplo de comida para o vinho do post anterior; não estou com paciência para entrar em grandes detalhes. Digamos apenas que esta é uma sopa fria elaborada no espírito desta sanduíche. E não, a receita não é nova. Se tivesse grandes invenções para partilhar, sei lá, vendia-as?

Pelo menos, de certeza que não as punha aqui.


Ingredientes:

1 pepino grande; 380g de iogurte natural; 1½dl de nata; 6 folhas de hortelã-pimenta; 2 colheres (de sopa) de sumo de limão; 2 colheres (de chá) de vinagre balsâmico; sal e pimenta preta a gosto.


Preparação:

Rala-se grosseiramente o pepino com casca e junta-se-lhe a hortelã, cortada em juliana fina. Adiciona-se o iogurte, a nata, o vinagre e o sumo de limão; mistura-se tudo muito bem. Tempera-se com sal e pimenta moída na altura. Serve-se fria. Pode, inclusive, levar-se para a mesa com um ou dois cubos de gelo.

É comida de Verão, vem um bocado fora do tempo.