sábado, 30 de junho de 2012

Fattoria Petriolo — Chianti '2009

Este vem da Azienda Agricola Petriolo, de Rignano sull'Arno, perto de Florença. Sobre a sua elaboração, não encontrei nada de concreto, cenário habitual quando perante estrangeiros manhosos. De qualquer forma, traz a indicação DOCG, logo será composto por pelo menos 70% de Sangiovese, sendo que provavelmente levará uma quantidade não negligenciável de Canaiolo, para temperar, e sabe-se lá que mais. Afirmo isto recordando que o lote clássico moderno de Ricasoli consiste em 70% de Sangiovese, 15% de Canaiolo, 10% de Malvasia branca e o resto de outras uvas locais, e assumindo que, em definitivo, este vinho não me soube a varietal, o que vale o que vale: não sou especialista em Chianti (cada vez mais acho que em nada, na vida, quanto mais em Chianti).

Cor granada. Cereja amarga e violetas, acima de tudo, especiarias e madeira velha a compor. Talvez um pouco de baunilha, pele também. Vinho de perfil clássico, morno e especiado, com acidez no limiar do suficiente para não deixar o conjunto tornar-se chocho. Apesar do corpo delgado, não mostrou qualquer tipo de desequilíbrio evidente, fosse picor, amargor ou falha de integração alcoólica (neste ponto, os seus 12,5% de volume terão ajudado). Como se espera dos exemplares do género, mostrou o seu melhor na boca, depois de umas garfadas. Terminou curto e um pouco adstringente. Lê-se no seu contra-rótulo que foi feito na tradição toscana di buona beva e felice connubio. E, de facto, é um vinho interessante, que não só se bebe bem como se revela bastante amigo da mesa, desde que não seja emparceirado com coisas demasiado robustas.

5€.

15

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Filmes (41)





Terrorzito estranho sobre espirais — assim o descreveria em poucas palavras.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sá de Baixo '2008

Tenho continuado a questionar-me sobre a continuidade deste espaço. O "Puto" já está online há uns anos e, olhando cada vez mais para trás, parece que nada mudou. Será que estagnou? Que estagnei? Que não há vontade de investir o necessário para outros voos? E se é para ser assim, nota de prova atrás de nota de prova de vinhos modestos, valerá a pena continuar? Para quê ou quem? E depois, invariavelmente, apercebo-me de que estas são falsas questões. Se, quando comecei, nada mais queria para além de um espaço na internet onde ir deixando, sem compromissos, as minhas opiniões sobre o que ia bebendo, mais que certo é que tal disposição não mudou. E sendo isso o que quero, então terei todos os motivos para estar satisfeito, pois é isso mesmo que tenho. Há que ser humilde, afastar pensamentos parasitas.

Relativamente ao vinho que hoje vos trago, trata-se, à semelhança do seu predecessor, de um duriense de perfil moderno, voltado para a fruta, modesto mas de sobeja competência, seja na hora de acompanhar comida ou conversa. Lote típico de tourigas e tintas, transmite essencialmente sugestões silvestres, com travo vagamente abaunilhado. Prontíssimo a consumir, que não é vinho de guarda. Gostei mais do da colheita anterior, no entanto.

4€.

14,5

sábado, 23 de junho de 2012

Álvaro Castro '2008

"Dão Álvaro Castro é a linha moderna dos vinhos de Álvaro Castro, uma imagem mais universal para vinhos que, mantendo todo o perfil da quinta, fazem a ponte entre a vinha e o mundo", lê-se no sítio que o produtor mantém na internet. Este vinho, elaborado a partir das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen, fermentou em inox, a temperatura controlada, e estagiou durante um ano em barricas usadas de carvalho francês.

Chá, folhas, flores de violeta e frutos silvestres. Interessante a forma como se foi fazendo sentir ao longo de toda a passagem pela boca, distribuindo matizes frutados com um toque de especiaria em pano de fundo. Relativamente simples, sim, mas fluido e harmonioso. Também o fim de boca me pareceu bem razoável. É um vinho que surge na linha dos seus predecessores — tanto o representante da colheita de 2006 como o da de 2007 já passaram por estas páginas — e que, tal como eles, não espantando, transmite uma presença ao mesmo tempo sólida e alegre, de coisa fixe, que se quer por perto. E que, pelo menos comigo, tem funcionado.

7€.

15,5

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Cake — B-Sides and Rarities

Mais Cake.

#6, Strangers in the Night. Sim, é cover do clássico popular tão odiado por Sinatra — "the worst fucking song that I have ever heard" terá sido apenas um dos mimos que este lhe votou.


E é difícil perceber porquê.

Mas não é do velho tio Frank que o post trata, deixemo-lo em paz.

Este disco traz covers dos Sabbath, de Kenny Rogers, Barry White, versões porreiras de originais ao vivo e, acredite quem quiser, um cheiro intenso e perpassante que era suposto ser de uva (mas, foda-se, não é).

terça-feira, 19 de junho de 2012

Pontual — Touriga Nacional & Trincadeira '2006

Alentejano produzido por PLC — Companhia de Vinhos do Alandroal. Não consegui apurar praticamente nada acerca dele, para além de se tratar de um lote de Trincadeira e Touriga Nacional, uvas provenientes de solos xistosos da região do Alandroal, e de ter estagiado, dizem e nota-se, em barricas de carvalho francês e americano, durante uns meses.

Cor granada. Licor e café. Não peca por falta de força ou acidez, mas a sensação predominante durante a prova, e aquela que, em última análise, acaba por ficar, é de algo morno, especiado, aconchegante. Mostra taninos já completamente polidos e, não se podendo considerar delicado, tende para a magreza. Já terá passado do ponto, mas mesmo assim, evoluído, encontra-se numa fase bastante agradável.

6€.

15

domingo, 17 de junho de 2012

Luís Pato — Vinhas Velhas '2009

Baga de vinhas com uma média de idades de 45 anos, foi vinificado em cubas (não lagares) e posteriormente estagiado durante 12 meses em cascos de carvalho francês, novos e usados. O produtor tem presença na internet — enlace aqui — que apesar de cuidada, aparenta não ter vindo a ser actualizada faz já algum tempo.

Escuro, mas não retinto. Tem ameixa, tem cereja, especiarias, cacau. Carnudo q.b. e um bocado taninoso, é um Baga que, não escondendo o seu lado mais agreste, de terra e notas vegetais, em todo o caso, parece mais redondo e maduro que a maior parte dos seus congéneres de estirpe similar. O final é médio/longo.

Acompanhou perna de peru, assada no forno, com batatas. Apesar do anteriormente dito e de a força da juventude ajudar a vincar-lhe o lado mais, digamos, dramático, deverá estar mais a meu gosto daqui a dois anos, sendo que é expectável que depois continue a evoluir bem, pelo menos nos dez anos segintes.

11€.

16,5

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Eu vs Comp. (4)

terça-feira, 12 de junho de 2012

Solar das Bouças — Loureiro '2010

Varietal Loureiro da região dos Vinhos Verdes, ainda outro, desta feita proveniente de uma quinta situada na margem direita do Cávado, a 13Km de Braga. As cepas encontram-se implantadas em solo granítico, com exposição a Sul. Dizem que tal circunstância é favorável ao aparecimento de vinhos com as características tidas como desejáveis pelos apreciadores. Estes fermentaram em inox, tendo sido engarrafados, como aliás é habitual, sem passagem por madeira.

Estava frio quando o começámos a beber, vertido directamente da garrafa. Simples, muito fresco, cor esmaecida, com limão, maçã verde, as notas de louro ou agulhas de pinheiro que terão contribuído para o nome da casta, ligeiro fizz também. Desprendeu sugestões mais maduras com o subir da temperatura, tais como pêssego e toranja. Final curto. Tal como uma muito apreciável parte dos vinhos do género que tiveram as suas notas de prova aqui publicadas, tolerou perfeitamente a companhia de frango de churrasco, frio, naturalmente acompanhado de vários molhos picantes.

3€.

15

domingo, 10 de junho de 2012

That night we were camped somewhere in the Klamath National Forest. It felt like some of my strength had somehow returned, and for a while, in camp, I was sure that the mystery bug was finished with its business inside of me, and yet I could not be too sure. It was a cool, clear evening in the high country. Allison fired the stove while I traipsed across a rocky finger leading me out into a night-black lake. I decided to filter some water from the shallows. Just as I'd done hundreds of times before, I dropped the intake tube — attached to a floatation device — into the water and started pumping. Suddenly, the water near the lake shore stirred and frothed with motion; a dozen salamanders, black, flat, and staring, moved across the lake. In silent motion the six-inch shadow people surrounded my filter and closed in on it, the circle growing smaller.

The first one, with an orange belly, swam forward and kissed the filter's intake valve in an open-mouthed, sleazy way. Then, to my surprise, a second salamander rose up, knocked the first salamander out of the way, and mounted my filter's intake tube, grabbing onto the flotation sponge with all fours and thrusting itself right into it. After a while it let go and floated back into the pond. Salamanders kept bubbling up to take the previous one’s place. I'm not naive. I knew what was really going on here. The salamanders were attempting intercourse with my water filter or using it as part of a group masturbation ritual. I was not about to sit back and let them get away with it. "Stop it!" I roared at the salamanders, but they would not listen. In a savage gesture, I yanked the intake tube as hard as I could and sent the salamanders flying backward into the deep — "Fuck off!" — but they kept coming back for more. Soon the lake shallows squirmed in Caligula contortions, salamander limbs and torsos thrashing and splashing as they mounted my water filter again and again. Clearly, this was not a battle I was going to win. It was time to retreat to my campsite.

I had just enough water to get us through the night and the next day, but now it was cloudy and discolored. Perhaps it was the effect of the tiny bubbles in the water. Still, I could not help but wonder what, exactly, was floating around in our water supply. I ran back to camp, jabbering that our water filter had just been gang-raped by amphibians, but Allison did not believe me, nor did she believe it was possible for salamander jism to find its way into our water supply. But how could she know for sure?

Salamanders do produce sperm, and certain species engage in, and enjoy, sexual intercourse, although, technically, it’s outer-course, because the males lack penises. As part of their mating ritual, the male straddles his salamander girlfriend, grabs hold of her pelvis, and releases a goopy pile of spermatophores, which the female stuffs into her cloacal opening, also known as a "vent". I can't say which variety of salamander released its sour payload into my filter. All I know is that the water, even when blended with Gatorade powder, was sticky and bitter that night. I drank a lot of it anyhow because I was very thirsty. Allison tried to reassure me. "It’s the food itself that tastes so bad", she said. "The bitterness comes from the food, not the water". But I woke up the next day feeling sick, overcome, vomitous, staggering, barely able to move, hallucinating, out of my mind. Trees sprouted legs and surrounded me in a tight circle.

The Pain People were taking over, closing in on me, and now there was no way out.



Dan White, The Cactus Eaters: How I Lost My Mind — and Almost Found Myself — on the Pacific Crest Trail, Harper Collins, 2008.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Casa da Passarela — Reserva '2008

Este vem do sopé da Serra da Estrela, de Passarela, Lagarinhos, Gouveia. Lê-se-lhe no contra-rótulo que "tem como base a selecção de duas vinhas únicas (...) sendo o encepamento destas duas vinhas constituído por três castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro e Jaen". Li algures que estagiou em barricas de carvalho francês e americano, e aposto que o estágio foi leve porque a barrica, que se encontra se procurarmos por ela, nem por um momento mostra qualquer vontade de protagonismo. Este vinho estará um degrau ou dois acima deste no portfolio do produtor.

Primeiro dia, vertido directamente da garrafa, aberta com mais ou menos meia hora de antecedência e depois tapada com a rolha virada ao contrário: generoso na fruta, com ameixas acompanhadas do cheiro a violetas que é comum encontrar-se nos vinhos com boa quantidade de Touriga Nacional. Cremoso e sumarento, de taninos finos mas nervosos, aparentou estar a pedir tempo para abrir. Bebi-o com coelho arranjado no panelão e risotto de cogumelos shiitake, aromatizado com queijo picante da Beira Baixa.

Segundo dia, ao almoço, após ter pernoitado no frigorífico apenas com a própria rolha a servir de vedante, a acompanhar uma omelete de espargos montada numa fina capa de maionese sobre uns bocadinhos de pão Prokorn, confirmou o prometido na noite anterior. Amplo, fresco e cheio de vida, com um final surpreendente, longo e muito limpo. Tal como o produtor dá a entender no seu sítio da internet, é um Dão de contornos modernos, polido e indubitavelmente versátil.

5€.

16,5

terça-feira, 5 de junho de 2012

Eu vs Comp. (3)

sábado, 2 de junho de 2012

Messias — Selection, Bairrada '2010 (Branco)

Blog parado, falta vontade. Na verdade, não tenho tido vontade de fazer absolutamente nada. Será cansaço? Aborrecimento? E pensar que a dada altura julguei que uma rotina tão bem estabelecida que por vezes eu mesmo me interrogo se não será resultado de alguma forma de horror à surpresa seria o caminho simples, de certa forma necessário, para acabar por conseguir viver em paz! E depois abordar o assunto, a melancolia que arrasta! Dirijo-me à prateleira de velharias digitais que fui acumulando ao longo dos anos, encontro um pedaço de certo blog antigo de que gostava — "A rustle in the bushes leaves me curious. What lurks there in Bret's backyard? What is lurking there in my mind? Do I or we ever really know the shadows that mask reality? No. Do we have to? There is always some other meaning behind a meaning. And this leaves me tired and hoping for sleep again. Rest. Stillness that is never found. This is my life under the stars and sounds of the night." Bem, aí fica outro vinho. É por eles que aqui vêm.

Bairradino das Caves Messias, aparenta consistir num varietal Maria Gomes engarrafado sem passagem por madeira. Muita maçã verde, tanto no nariz como na boca. Seco e vivo, mostrou notas de goiaba, açúcar mascavado, tabaco, chocolate e licor de café. Apesar do final relativamente curto, gostei dele logo desde o primeiro gole.

Se bem me recordo, custou à volta de 3€.

16