quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

Quinta de Cidrô — Chardonnay '2010

Varietal Chardonnay da quinta que lhe dá o nome, sita em S. João da Pesqueira e propriedade da Real Companhia Velha. As uvas foram sujeitas a prensa pneumática e fermentaram primeiro em cubas com controlo de temperatura, depois em barricas novas de carvalho francês e americano. O vinho daí resultante estagiou sur lie, com bâtonnage, durante meio ano. Da colheita de 2010 resultaram 25000 garrafas.

De cor palha, carregada, abriu difícil, bafiento. Por baixo, e depois, com o tempo, cheiro firme e interessante. Espargos e manteiga, pão torrado, maracujá, caroço de pêssego. Na boca, fresco e encorpado, ao mesmo tempo, sem confusões. Não é um Chardonnay clássico. Nestes, espera-se fofura e delicadeza, ao passo que aqui, tudo aparece algo maior. Tem 14,5% de volume alcoólico! Mas não é desequilibrado nem mau. Antes, enfim, um branco com alma de tinto. Acompanhou salmão assado.

9€.

16

terça-feira, 27 de Novembro de 2012

Rogue Wave — Everyday


Everyday it's a-gettin' closer / Goin' faster than a roller coaster / Love like yours will surely come my way / A-hey, a-hey-hey. Tão bonito. Cover do clássico de Buddy Holly, por uma interessante (mas pouco falada, pelo menos por cá) banda de Oakland, CA, EUA — os Rogue Wave.

domingo, 25 de Novembro de 2012

UDACA — Touriga Nacional '2008


Monocasta Touriga Nacional, será o topo de gama da UDACA. As uvas, de cepas implantadas em solos graníticos, fermentaram a temperatura controlada, tendo o vinho daí resultante sido apurado em barricas de carvalho Allier Fino, Americano e Russo, durante um ano. O produtor faz questão de referir que o vinho ainda estagiou mais seis meses em garrafa antes de ser lançado no mercado, mas isso, agora, já não conta muito.

Bom aroma, rico em fruta doce e bonita, ainda com toque sumarento, não obstante certa dose de transformação verificada. Algum licor, especiaria discreta. Na boca é gordinho e alegre, com a fruta a fluir fixe, a mostrar-se sem reservas. O final, médio/longo. Apesar do equilíbrio desde já mostrado, a sua acidez e estrutura levam a crer que virá a ser, provavelmente, mais interessante no futuro, pelo menos para mim.

Acompanhou um substancial Stoofvlees — esta receita é apenas uma possibilidade — feito com alcatra e Leffe Brune, e acompanhado de batatas fritas, que não tinha outro remédio senão brilhar. Ora, Stoofvlees foi o predecessor da evolução que se verificou da versão 2.5 para 2.7 de um dos meus motores de xadrez favoritos, Deep Sjeng. Para os curiosos, a este respeito, isto poderá ter o seu interesse. Mas, mais uma vez, para os curiosos, tudo tem interesse.

8€.

16

sexta-feira, 23 de Novembro de 2012

Borges — Quinta da Soalheira '2007

Da Borges, foi feito a partir de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca provenientes da Quinta da Soalheira. Primeiro, o mosto fermentou em curtimenta a 28ºC. Depois, e uma vez separado das partes sólidas, sofreu a fermentação maloláctica. Diz a respectiva ficha técnica que "todo o vinho estagia em barricas de carvalho francês entre 9-12 meses".

Bebi-o na cozinha da avó, no segundo piso da casa do A', numa noite que recordo fresca e agradável, mas em que acabei por me ir deitar cedo.

De tom ainda rubi, trouxe consigo boa fruta vermelha, redonda, recordações vívidas de framboesa, flores rasteiras, secas, notas de licor e azeitona preta. Às vezes, pareceu-me, arriscando estar a escrever barbaridades, também um toque de roxo. Bebi-o em balão boludo, um bocadinho mais pequeno que os que costumo utilizar em casa. Na boca, volume, amplitude e peso medianos, e uma estrutura visível, não completamente polida, com textura, grão, mas civilizada. O final, apenas mediano, apareceu um bocadito mais curto que o que o demais mostrado faria adivinhar. Mesmo assim, um bom single quinta, provavelmente no momento ideal de consumo.

Foi melhor com polvo assado, baked beans e cebola que com a salsicha de churrasco braseada, acompanhada de pão, que os antecedeu.

6€.

15,5

terça-feira, 20 de Novembro de 2012

domingo, 18 de Novembro de 2012

Meio Século — Reserva '2007

Engarrafado pela Coop. Agrícola de Nelas. Dão de recorte clássico, com 12,5% de volume, alia à Touriga Nacional e à Tinta Roriz as menos comuns Jaen, Rufete e Alfrocheiro. Cor granada. A descrevê-lo muito sucintamente, fruta do Dão, preta, madura, e idade — pele, ranço, nozes, pinhões. Apetecível para os apreciadores do género, não obstante parecer já um pouco cansado. Apesar do tempo volvido, arrisco dizer que se me afigurou parecido, embora marginalmente mais interessante que este, quando o provei.

Nessa noite, não sei até que ponto movido por ele, produzi as seguintes linhas — escusadas?

Chove / Pouco depois da meia noite, o barulho do vento que passa / Arrasta consigo ânsias e recordações, medos e apreensões / Animais mortos, árvores retorcidas / O meu próprio respirar / Numa sala escura.

5€.

14,5

sexta-feira, 16 de Novembro de 2012

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2011 (Branco)

Lote de Chardonnay, Arinto, Verdelho e Antão Vaz, este vinho fermentou e estagiou (3 meses) em carvalho americano e francês.

Pêssego e citrinos, flores, mel, massa folhada, baunilha, ligeira tosta. . . sem ser exuberante, aparece bonito e razoavelmente complexo. E embora possua uma essência leve e fresca, tem aquela presença amanteigada característica do Chardonnay, redondez interessante, que logo lhe empresta outra seriedade. Manteve o estilo dos seus antecessores e está muito composto, disso não hajam dúvidas.

Foi o vinho do último frango de churrasco que se comeu cá em casa. A respeito de tal evento, talvez merecesse nota a inovação ao nível das batatas, mas, nah.

3€.

15,5

quarta-feira, 14 de Novembro de 2012

domingo, 11 de Novembro de 2012

Bétula '2011

Bétula, da Quinta do Torgal, Barrô. Mais uma vez, mistura em partes iguais de Viognier fermentado em madeira e Sauvignon Blanc em inox. Segundo a respectiva ficha técnica, da vindima de 2011, resultaram 5000 garrafas.

Perfumado, limpo, complexo e cambiante, mostrou notas de nectarina, ananás e pêssego branco, mas também amêndoa, base de folhado e manteiga. Na boca, concentração e persistência, firmeza e frescor — ainda mais que na edição do ano passado, já de si excelente. Quando o produtor o enviou para prova, no princípio de Julho, recomendou-me que não fosse logo bebido, uma vez que havia sido engarrafado há pouco tempo. Passaram quatro meses, não podia aguardar mais para aqui deixar os meus apontamentos sobre ele. Mas, provavelmente, para o ver no seu melhor, não será ainda agora.

12-15€.

17,5

sexta-feira, 9 de Novembro de 2012

René Barbier — Reserva '2006

Catalão do Penedès, denominação de origem dos vinhos produzidos na zona situada entre as províncias de Barcelona e Tarragona. 85% Tempranillo, 15% Cabernet Sauvignon, consta que passou 14 meses em madeira antes de ser engarrafado. Apesar do nome, a marca pertence ao grupo Freixenet. Não tem nada a ver com Clos Mogador. Coisas do mundo.

Cor granada. Maduro, mas sempre, essencialmente, seco e coeso. Simples e relativamente ligeiro, apesar da expressão séria e do inegável equilíbrio apresentado, nunca deixou grande espaço para a imaginação: base de ameixa preta, seca e madura, algum pimento, baunilha, talvez também alcaçuz e, claro, tosta e café, torrefacção.

Cumpriu sem reservas, chegada a hora de acompanhar um daqueles jantares simples, de todos os dias: sopa de cenoura e abóbora com umas rodelas de chouriço, pão escuro, batatas fritas e moelas de pato.

6€.

15

quarta-feira, 7 de Novembro de 2012

segunda-feira, 5 de Novembro de 2012

CARM '2010

O presente vem do Douro Superior, de Almendra, Vila Nova de Foz Côa. Consiste, dizem, num lote de Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, em partes aproximadamente iguais, uvas provenientes de várias propriedades da empresa que o produz, desengaçadas e fermentadas em cubas, com parte do vinho a fazer a maloláctica em madeira. Depois, um ano em barricas de carvalho americano e francês.

No nariz, o Douro: a expressão da fruta preta, ameixa e cereja, o mato seco, a flor de esteva. O sabor, sólido, com fruta, segue o cheiro. Apesar de ainda algo fechado, com ligeira aresta e acidez vivaz, deu uma prova bem agradável.

Bebi-o com peito de pato temperado com ervas (a S. é que sabe quais) e selado no panelão, com brandy de Jerez. Foda-se!

7€.

15,5

sábado, 3 de Novembro de 2012

Quinta de la Rosa '2009

É o tinto padrão da quinta que lhe dá o nome. O contra-rótulo fala simples e claro: "empresa familiar, uvas de letra "A", Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca, apanha manual, envelhecido em cascos de carvalho francês", o que, sem deixar de ser boa publicidade ao produto da casa, é sem dúvida bem mais esclarecedor que certas merdas mega floreadas que se lêem em alguns dos seus pares.

Do vinho, gostei. Muito escuro. Grande e bem dimensionado, basto em sobriedade e persistência, e ao mesmo tempo fino, elegante mesmo. Ainda algo fechado, a prometer compensar a paciência daqueles que o deixarem repousar durante mais alguns anos. Com ginja, cereja preta e ameixa, fruta viva e fresca, às vezes com ligeiro toque lácteo e secundada por notas envolventes de toffee e baunilha. Trouxe de volta, por momentos, os (não tão) bons velhos tempos.

9€.

16,5

quinta-feira, 1 de Novembro de 2012

Filmes (45)





A história de Mary Henry foi o filme do Halloween.