quinta-feira, 30 de maio de 2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

Caves Vale do Rodo — Porto Reccua Tawny

Tawny corrente engarrafado pelas Caves Vale do Rodo, de Peso da Régua. Acho a garrafinha muito bonita, não podendo deixar de reparar que ostenta uma medalha de ouro conquistada no Vinalies Internationales de 2012. Quanto a predicados, as castas são as típicas da região e o método de produção o expectável, com o estágio em madeira a rondar os dois anos.

Faz tempo que não publico aqui nada a respeito de vinhos do género. Não costuma valer a pena. Mas este foi diferente. Mostrou boa fruta. Preta, quente, em compota — sempre limpa. E com ela, umas notas de chocolate e laranja cristalizada surpreendentemente definidas. Na boca, o volume certo e certa redondez. Simples e bonito, que mais se lhe poderia querer?

Para terminar, a nota de que se foi bebendo ao longo de alguns dias, um pouco com o que calhava, desde línguas de gato caseiras a M&M's.

6€.

15,5

domingo, 26 de maio de 2013

Filmes (51)





Outro western. Drive your cart and your plow over the bones of the dead, heh.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Grüner Veltliner, Rabigato e Viognier '2012

A austríaca Grüner Veltliner é a casta autóctone mais importante do seu país. Costuma dar vinhos leves e frescos, com distintivo toque de pimenta branca, por vezes capazes de envelhecer bem. Já a francesa Viognier se associa a caldos menos ácidos e mais gordos, caracteristicamente florais em jovens. E da duriense Rabigato, mais utilizada para trazer frescura a brancos de lote, podem resultar varietais notáveis. Este vinho, singular lote de campo das uvas supra, todas elas criadas no sopé da Arrábida, fermentou em inox e foi engarrafado, sem estágio, em Outubro de 2012.

Veio para a mesa muito frio. Recordou-me então certas noites dos velhos tempos, o travo fraquinho de restos de whisky mega diluídos nos cubos de gelo que ficavam a derreter no fundo do copo. As luzes amarelas do Cais, onde tanto gostava de jogar Trivial e Diamond Elevens nas máquinas, às vezes com o meu irmão; a penumbra do Metalúrgica, ainda quase vazio, ao princípio da noite.

Esperava que se soltasse com o passar do tempo no copo, mas tal não chegou a acontecer. Acompanhou lulas grelhadas no carvão, batatas cozidas (com azeite da Casa Sta. Vitória) e bróculos ao vapor, sempre ligeiro e muito fresquinho, de contornos vegetais, às vezes claro nas sugestões de carioca de limão.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 9,49€.

14,5

terça-feira, 21 de maio de 2013

Quinta da Pacheca '2011

Situada na margem esquerda do rio Douro, perto da Régua, a Pacheca é uma quinta antiga e sobejamente conhecida, que desde 2009 também inclui um interessante hotel rural.

O vinho é feito de Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Nacional. As uvas são pisadas a pé em lagares de granito, onde o mosto fermenta. Estagia em barricas de carvalho francês.

Robusto, tem fruta, acidez e álcool quanto baste. Sempre muito franco, com ameixa preta, mato seco, tostados e couro. Menos fino que o Duas Quintas do post do dia 14, mas também mais animado.

Para acompanhar, almôndegas com spaghetti all'aglio, olio e peperoncino. Apesar do calor, portou-se bem.

A última referência a este tinto aqui no blog é de Outubro de 2008, a respeito do colheita de 2006. E que me lembre, não bebia um vinho destes desde então. De futuro, tentarei manter-me mais próximo, que ele merece.

6€.

15

domingo, 19 de maio de 2013

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Quinta do Cardo — Selecção do Enólogo '2009

Passado algum tempo, regresso ao produtor de Figueira de Castelo Rodrigo. O lote, 60% Touriga Nacional, 20% Tinta Roriz e 20% Touriga Franca, foi sujeito a estágio prolongado em carvalho francês.

Começou a mostrar-se mais após uma hora de arejamento em decantador. Tourigo razoavelmente profundo e encorpado, de madurez caracteristicamente pouco doce, a par de ligeiras sugestões químicas e de passas.

Curioso o frescor, o fluir alegre, face à quantidade de coisas escuras sugeridas — terra, violetas, fumo, alcatrão — todas elas presenças dotadas de certa solenidade. Também inevitável o reparo ao fim de boca, surpreendentemente bom.

Acompanhou com competência um stir fry tão simples quanto substancial, feito com lombinho de porco, entremeada, couve coração e cogumelos.

6€.

16

terça-feira, 14 de maio de 2013

Duas Quintas '2010

Da ficha técnica: "A grande diferença entre o Duas Quintas tinto 2010 e as colheitas dos anos precedentes é o aumento da percentagem de Touriga Nacional para 45% do blend e o acrescento de novas castas durienses, como são a Tinta da Barca, Tinta Barroca, Sousão, Tinto Cão e Tinta Amarela".

Há vinhos que nem encontro necessário levar à boca para que me tragam à memória outras coisas, que podem ser muitas ou poucas e mais ou menos vívidas. Outros, embora também tenham fruta, especiaria, barrica e outros que tais, por mais que eu teime em procurar-lhes nomes, continuam a querer, essencialmente, saber e cheirar a vinho. Ora, é neste segundo grupo que o Duas Quintas se insere.

Com algum esforço, poderia dizer que evocou ameixa e amora preta, das árvores, com um pouco de baunilha doce em pano de fundo. Mas aquilo que mais lhe encontrei foi equilíbrio. O bem proporcionado que é nas suas dimensões apenas medianas. E embora o tenha visto sempre muito bem à mesa, não posso dizer que seja vinho para comida, uma vez que até hoje, por exemplo, não me importava mesmo nada de ficar a beber uma garrafa pela tarde adentro.

9€.

16

domingo, 12 de maio de 2013

Insectos





sexta-feira, 10 de maio de 2013

Casa de Saima — Reserva '2010

Faz tempo que não bebia um tinto reserva do produtor. Este, edição recente, composto por 60% de Baga e 40% de Touriga Nacional, as cepas implantadas em solos argilo-calcários, fermentou em lagares e estagiou durante um ano em tonéis antigos de madeira avinhada, à maneira clássica da região.

Resultou um vinho alegre, de volume mediano, com muita fruta doce em destaque. A par de um pouco do verdor terroso da casta predominante, traz aquele toque de rebuçado floco de neve que tanto me agradou em alguns dos seus antecessores.

Matizes florais reforçam a ideia de juventude, aparas de lápis e um pouco de pele ajudam a recordar tratar-se de coisa séria. O fim de boca é médio/longo. Não fora a estrutura mostrada, os taninos com garra, tê-lo-ia apelidado de fácil. Muito bem!

Tendo calhado beber-se com uns cubos de lombinho de porco com vegetais preparado neste estilo, mas desta vez mais variado, fica a nota de que poderia perfeitamente ter acompanhado algo mais substancial.

6€.

16,5

terça-feira, 7 de maio de 2013

Serra Mãe — Reserva '2005

Produzido pela SIVIPA, Soc. Vinícola de Palmela, fermentou em depósitos de cimento, com autovinificadores, a 25ºC. Sem entrar em pormenores, o contra-rótulo menciona estágio em barricas de carvalho francês.

Quase completamente encoberta por densa capa de fruta vermelha, revelou a madurez melada de um Castelão de vinhas velhas, com notas de evolução. Com a fruta vinham flores, e tabaco e rebuçado mais lá adiante, embora não propriamente em pano de fundo.

E nem por um momento se mostrou desequilibrado ou mal saboroso, mas com o volume de boca, o peso, a mastigabilidade apenas pouco mais que medianos, acabaram por sobressair os taninos, numerosos e até um bocadito rudes, sobretudo no final.

No dia seguinte, esperava encontrar moribundo o terço de garrafa que deixara a pernoitar na porta do frigorífico. Mas estava na mesma. Às vezes fodido, este foi um vinho a que, contra as expectativas iniciais, por ser tão raçudo, achei difícil resistir.

6€.

15,5

domingo, 5 de maio de 2013

Compota de Morango / Trança Doce

Este ano está a ser fácil encontrar bons morangos. De tal forma que, há dias, a S fez compota. Para 2Kg de fruta, utilizou 1Kg de açúcar e a casca de dois limões e meio. Cortou os morangos depois de lavados e retirados os pedúnculos. Não muito finos, que cá em casa gostamos de textura. Depois levou tudo a ferver em lume brando, até o doce estar no ponto (ponto de estrada: quando passada uma colher por uma porção da calda no fundo de um pires, forma-se como que uma estrada). Juntou então o sumo dos dois limões supra, para engrossar um pouco mais, e enfrascou o produto resultante.

Sobrando tempo, também fez uma trança doce, para acompanhar. Levou 700g de farinha de trigo T65, 100g de açúcar, 260ml de leite, 110ml de óleo, 12,5g de fermento de padeiro, um ovo grande, a casca ralada de uma laranja e meia colher, das de chá, de sal. A massa foi amassada, uma hora e meia, na máquina de fazer pão. Como de costume, os líquidos foram os primeiros a entrar na cuba, cabendo o último lugar à farinha. Se alguém tivesse querido amassar à mão, ter-se-iam adicionado os ingredientes pela ordem inversa. Dividiu posteriormente a massa em três porções que se entrançaram e ficaram a levedar, em sítio morno, mais 20 minutos. No fim, pincelou a trança com leite (para um acabamento brilhante, usa-se ovo) e meteu-a no forno até dourar, a 200ºC.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Terras de Sto. António — Touriga Nacional '2009

Ao primeiro impacto, apenas flores e etanol. Vertido directamente da garrafa, ainda não tivera tempo para respirar. Bastante concentrado e repleto de sugestões de coisas escuras, nunca chegou, no entanto, a sugerir o peso químico dos exemplares mais corpulentos da casta.

Com o tempo, aquele bloco monolítico de álcool e coisas escuras abre-se, revelando primeiro uma generosa camada de ameixa, mais tarde fruta também vermelha (pareceu-me morango sobremaduro) e muito bonita. E tostados e fumados de barrica. E pinho, menta, um toque de noz.

Bem saboroso logo desde o primeiro gole, cheio mas não muito denso, com o álcool bem integrado e a madeira, mais presente com o vinho na boca, a complementar muito bem a fruta. Vivo, fino e porventura ainda mais limpo ao segundo dia.

Foi bebido com o frango estufado da avó da S, que não sei exactamente como se faz, embora suponha, e que é extraordinário. Juntámos-lhe uns cogumelos salteados e comemos tudo com batatas fritas. Parece simplório? Seja.

6€.

16,5

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Morgado de Sta. Catherina — Reserva '2009

Arinto de Bucelas, da Quinta da Romeira. As uvas fermentaram e estagiaram, dez meses, em carvalho francês. Demasiado frio no princípio. O passar do tempo trouxe-lhe frutos secos e madeira cheirosa. Também deixou perceber citrinos doces, de carácter maduro: laranja, lima e algum outro tipo de fruto tropical a que não consegui associar um nome. Continuando a evoluir, sugeriu a dada altura ananás-baunilha com toque de fumo e pinho. Fresco e persistente, tem uma untuosidade extremamente agradável, não se podendo dizer, no entanto, que seja um vinho muito extraído ou encorpado — à imagem do seu antecessor, relativamente ao qual será, eventualmente, um pouco mais leve.

Acompanhou arroz de polvo. A receita é sobejamente conhecida, um clássico muitas vezes reinterpretado. À nossa maneira, usualmente sem vinho tinto, mas com coentros frescos. Embora agora seja a S quem o prepara, aprendi-lhe as bases antes de a conhecer, com M, algarvio orgulhoso, o meu padrinho de praxe. Lembro-me de que se fazia ora equilibrado, ora estupidamente picante, dependendo de se contávamos com gente de fora para o jantar ou se iam ser só os da casa. Foi um destes arrozes de polvo o veículo de certa competição entre M e D, o degradado, que consistia em apurar quem era capaz de comer mais picante. M saiu vencedor, embora sem prémio nem honra, dado que ambos se fartaram de vomitar. Enfim, coisas da vida, de jovens.

9€.

17