sábado, 29 de junho de 2013

Duvel

Há muito que conheço esta cerveja da belga Duvel Moortgat, coisa que desde cedo fiz questão de beber a partir de balões grandes, que usualmente prefiro às tulipas.

Não posso negar que passei muitas boas noites com uma garrafa destas à frente, depois outra e os acepipes do costume, todo aquele haxixe e o tabuleiro de xadrez.

A mousse é fofa e a bolha fina e cheia de vida. Ao mesmo tempo forte e super refrescante, tem ligeiro toque frutado que equilibra o amargo do lúpulo e dos fermentos quase na perfeição (para o meu gosto) e um final que parece limpar a boca.

Com 8,5% de volume alcoólico, não será de excluir que realmente traga algum tipo de diabo dentro, sendo que posso afirmar por experiência própria que é terrivelmente eficaz a fazer sair os daqueles que por ela se deixam levar.

No que diz respeito a acompanhamentos, mastigações, é daquelas cervejas fáceis, que se dão bem com tudo e com nada.

Como se fosse relevante, 2,70€ aprox. por 33cl.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Filmes (52)





Crossley aprendeu o grito que mata com um xamã aborígene. E agora regressou à terrinha.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Erdinger Weissbier Pikantus

Bávara de Erding, é uma Weizenbock escura produzida pela Erdinger Weissbräu. Foi bebida de um copo para cerveja de trigo, que por acaso tem o selo da rival Franziskaner.

É uma cerveja grande e forte, de capa densa e carbonatação satisfatória, que nunca manifestou qualquer problema em manter-se viva no copo enquanto o dono a acabava.

Sugere muitos tostados e achocolatados, de tal forma que poderá haver quem a ache um pouco doce, e os 7,3% de álcool trazem-lhe a complexidade vagamente etérea que se espera encontrar nos exemplares do género.

A meu ver, é muito boa. Acompanhou salsichas alemãs de dois tipos, daquelas para churrasco, provenientes do Lidl, essa bela terra onde tudo é mais puro.

Onde a compro, meio litro anda à volta dos 3€, um pouco menos.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Riedenburger 5-Korn Urbier

Tendo bebido mais cerveja que vinho nos últimos tempos, ocorreu-me partilhar aqui algumas impressões a esse respeito.

Começo por esta alemã biológica, não filtrada, feita por Riedenburger Brauhaus a partir de cinco cereais: trigo comum, Einkorn e Emmer, espelta e cevada.

Bebi-a de um copo de Hoegaarden, ambiente onde não me pareceu que se tenha dado mal. Apesar da turbidez, gostei muito da sua cor, ambarina com reflexos dourados.

Encontrei-a suave e equilibrada, marcada por sugestões que remetem mais ao cereal que à fermentação, o que não será de estranhar, dado que tem apenas 5% de álcool.

No entanto, pareceu-me também pautá-la certa ligeireza, que não sendo necessariamente uma coisa má, desde logo lhe retira a possibilidade de ser vista como uma grande cerveja, pelo menos por mim.

Uma garrafa de 33cl custou 1,50€ ou 2€, se bem me lembro.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Mais insectos (e isso)








Lentamente, a S- vai perdendo o medo dos moscos.

domingo, 16 de junho de 2013

Passagem '2008

Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz. As uvas vêm da Quinta das Bandeiras, que fica à beira-rio, no Pocinho, oposta à Qta. do Vale Meão. Existe uma linha de comboio com uma passagem de nível abandonada na propriedade, com a qual o nome deste vinho terá alguma coisa a ver, amongst other things.

É coisa fragrante, rica em frutos do bosque, escuros e maduros, bonitos e bem definidos. Tem muita cereja, amora, framboesa — e mais. Tem flores de cheiro doce que vêm junto com algo balsâmico, mais pesado, a sugerir algum tipo de composto aromático. Coisas da Touriga Franca. Tem álcool, também. Tem já uma ou outra nota de evolução, pelo menos foi o que me pareceu.

Não é um vinho que se possa considerar grande, seja em volume ou profundidade. Está muito giro agora que vai para cinco anos, mas duvido que assim seja quando tiver dez. Também não se desdobra em mil e uma coisas com o passar do tempo no copo e está longe de ser um exemplo de longueur. Os taninos, às vezes, parecem duritos; de outras, passam.

Mas o toque gordinho com que toda aquela fruta fresca percorre a boca! Este não é um vinho simplesmente fácil. É um vinho que se insinua, que se farta de falar sobre si, que clama por atenção. Se fosse uma gaja, era uma daquelas camwhores. Mas das fixes. Ora, quando a vida se mostra assim, o que é que se há-de fazer?

10€.

17

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O que se observa nos molhos presentes em Apício e nos livros da Baixa Idade Média é uma sequência de operações culinárias empregadas em seu preparo, até certo ponto, semelhante, principalmente quando comparadas aos molhos modernos ocidentais tributários da tradição francesa clássica, cujo primeiro passo é dourar cebolas e/ou alhos (suar, no jargão da área), ou aos molhos de tradição oriental, que via de regra fritam especiarias em óleo antes da adição dos demais ingredientes. É primordial que os ingredientes secos sejam inicialmente reduzidos às menores partículas possíveis ou mesmo que sejam transformados em pó para que, em uma segunda etapa, recebam algum típo de líquido ou pasta. A relevância desta última etapa é indicada pela utilização generosa dos verbos que designam a operação, todos compostos de fundo (verter líquidos) e com uma precisão técnica difícil de ser apreendida, já que, etimologicamente, são bastante aproximados, designando ora a ação de derramar líquido sobre ou de banhar em líquido: suffundo (106 ocorrências), perfundo (70 ocorrências), infundo (37 ocorrências), superfundo (8 ocorrências) e defundo (1 ocorrência). A partir desse momento, parece haver um encaminhamento distinto entre os dois grupos de receitas. De acordo com o levantamento de Scully, o molho quando preparado deve ser vertido no ingrediente principal para daí ser finalizado com a cocção adequada. Em Apício, devido à concisão de algumas formulações, que chegam inclusive ao laconismo, não se pode confirmar com exatidão o momento mais usual para a utilização do molho. Há um ou outro caso em que a sequência é a mesma daquela verificada por Scully:

2.3.2. salsichas de sangue são feitas assim: misturarás com sangue ovos com a gema cozida pinhões cebola e alho-porró cortados; adicionarás pimenta moída e assim encherás uma tripa. Juntarás liquamen e vinho e desse modo cozinharás.

No entanto, tudo indica a preferência dos molhos como item de finalização do prato, ou seja, o ingrediente principal já está pronto para ser consumido, cru ou cozido, quando receber o molho.

6.2.9. molho para perdiz, francolim e rolinha: pimenta levístico hortelã semente de arruda; liquamen vinho puro e azeite. Esquentarás.

6.8.8. frango cozido em seu próprio molho: pilarás pimenta cominho um pouco de tomilho semente de funcho hortelã, raiz de laser; cobrirás com vinagre, adicionarás tâmara e moerás. Temperarás com mel vinagre liquamen e azeite. Servirás no molho o frango resfriado e seco.

Os molhos podem ser quentes ou frios, ainda que não se saiba se quente ou frio designe a utilização de alguma fonte externa de calor ou se se faz referência à qualidade predominante da combinação dos ingredientes escolhidos (o temperamento do molho):

8.2.5. molho quente para cervo: pimenta levístico salsinha cominho amêndoas ou pinhões tostados; jogarás mel vinagre vinho um pouco de azeite liquamen, e mexerás.

8.1.7 molho frio para javali cozido: pimenta alcarávia levístico semente de coentro tostada, semente de dill, semente de aipo, tomilho orégano cebola mel vinagre mostrada liquamen azeite.



Wanessa Asfora: Apício: história da incorporação de um livro de cozinha na Alta Idade Média (séculos VIII e IX); Programa de Pós-Graduação em História Social; Dep. de História; Fac. de Filosofia, Letras e Ciências Humanas; Univ. de São Paulo, 2009.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Filipa Pato — Bical & Arinto '2011

Começou por mostrar flores brancas, amarelas, e o respectivo mel. Já na boca, assertivas notas limonadas foram transmitindo um muito necessário extra de energia a uma presença globalmente cordata, macia, dominada por sugestões de fruta de caroço, com toque fumado e uma ou outra marca de evolução.

É um bom vinho, consistente e equilibrado, disso não restam dúvidas. No entanto, e sobretudo face ao que por aí foi dito por alguns, na maturidade, deixou a ideia de estar a perder algum brilho.

Adenda:

a) foi bebido com um arrozinho de tamboril clássico, com coentros frescos e uns camarõezitos;

b) um quinto deste lote de Arinto e Bical (em partes iguais) fermentou em cascos usados de carvalho francês.

8€.

16

domingo, 9 de junho de 2013

Quinta dos Carvalhais — Colheita Seleccionada '2008 (Branco)

Os mostos das castas Encruzado e Verdelho fermentaram sob a acção de leveduras seleccionadas, cerca de 20 dias, a temperaturas que não ultrapassaram os 16ºC, tendo o vinho resultante estagiado em barricas de carvalho francês, com diferentes graus de utilização, durante aproximadamente 30 meses. Reza a ficha técnica que após este estágio, a partir das melhores barricas, se construiu o lote final.

Foi servido a 10ºC. Cor palha. Piña colada e baunilha em corpo fresco e cremoso. Também lhe apanhei gengibre e folha de menta, esta como que em pano de fundo e mais perceptível com o vinho na boca. Terminou longo, com notas de frutos secos. Quis parecer-me um branco cheio de porte, fino e aromático, apesar de (ainda?) marcado pela madeira, característica que a S, aliás, não lhe perdoou.

Sempre em bom plano, agradou mais quando emparceirado com uma sopa feita à base de cascas e miolos (o conteúdo da cabeça) de camarão, que também levou cebola, cenoura, tomate e batata, alho, orégãos e estragão, que com os bifes de frango, panados, que se lhe seguiram. Deixou-me com vontade de conhecer melhor alguns dos seus irmãos mais velhos, de modo a poder aferir em primeira mão a sua real capacidade de evolução em garrafa.

9€.

16

sexta-feira, 7 de junho de 2013

terça-feira, 4 de junho de 2013

Domingos Soares Franco, Colecção Privada — Syrah e Touriga Francesa '2011

Composto por 95% de Syrah e 5% de Touriga Francesa, fermentado e estagiado em inox, este vinho apresenta um muito bem conseguido compromisso entre sugestões quentes e frescas, plasmado num conjunto de cheiros e sabores deveras interessante.

A fruta é escura e tem aquele toque apimentado que se espera sempre encontrar num Syrah. Escura mas não solene, a mostrar neste momento o viço da juventude, acompanhada de sugestões de caramelo e aparas de lápis, tudo bem alegre.

Também não consegui ficar indiferente aos aromas frescos de algo a que acabei por chamar um bonito ramalhete de flores secas, talvez a marca característica da Touriga Francesa que lhe encontrei mais fácil de distinguir.

Para terminar, fica a nota de o ter bebido com lombinho de vaca cortado em bifinhos pequeninos e gordinhos, batatas fritas e molhos vários. Combinação pouco ambiciosa, bem sei.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 12,49€.

16,5

domingo, 2 de junho de 2013

SIVIPA — Moscatel de Setúbal '1996

Tal como qualquer outro vinho do género, teve a fase inicial da fermentação interrompida pela adição de aguardente. Macerou depois em depósito de cimento, durante aproximadamente cinco meses, e estagiou dois anos em barricas velhas de carvalho francês.

Muito melado e essencialmente terciário, com cheiro a pipocas com açúcar, nozes, triple sec e flor de laranjeira, canela, maracujá e álcool. Doce e volumoso q.b. na boca, de toque agradável, apenas pecou por certa flacidez, que embora seja comum, não é característica obrigatória do género.

Quando o abri, mostrava um ligeiro travo acre, a fazer lembrar queijo velho e vinagrinho, que foi perdendo ao longo dos dias seguintes, até quase não se perceber.

18€

16