quarta-feira, 31 de julho de 2013

Mc Chouffe "Scotch of the Ardennes"

Scotch ale belga, não filtrada e refermentada na garrafa, com 8% de teor alcoólico, é produzida pela Brasserie d'Achouffe.

É uma cerveja que sempre me pareceu algo outonal, provavelmente pela combinação da cor acastanhada que apresenta com o seu cheiro rico, que junto com o malte, a tosta e as leveduras que habitualmente se encontram nas cervejas do género, traz generosa porção de notas doces, de fruta e caramelo.

Num grande balão, apresenta generosa coroa de espuma e bolhas finas, bastante vivas. No entanto, ao contrário daquilo que a sua cor e cheiro levam inicialmente a adivinhar, não pesa na boca. Flui alegre e precisa, sem doçura solta, com um agradável travo frutado que se destaca, a fazer lembrar pêssego.

Não sendo nem querendo parecer um especialista nestas coisas, que cerveja tenho sempre bebido sem pensar, muito menos estudar, e apesar da quase total ausência de elementos amargos que alguns consideram necessários ao género, di-la-ia universal e completa — sem dúvida, uma das minhas cervejas preferidas.

3€/33cl.

domingo, 28 de julho de 2013

The Raincoats — Moving

I'm no one's little girl, oh no, I'm not,
I'm not gonna be — cause I don't wanna be,
I never shall be on your family tree —
Even if you ask me to.



I'm gonna turn you down,
I won't mess you around.
Oh no I'm not.

You can do it, you can choose it —
Trying on.

I'm no one's little girl —
Oh no, I'm not.
I'm not gonna be — cause I don't wanna be,
I never shall be on your family tree —
Even if you ask me to.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Vallado '2010

O produtor adianta que cerca de 80% do lote (30% Touriga Franca, 25% Touriga Nacional, 20% Tinta Roriz, 5% Sousão e 20% de vinhas velhas) estagiou durante 14 meses em cubas de aço inoxidável, tendo o restante passado o mesmo período em meias pipas de carvalho francês de 3º e 4º ano.

Bebi-o sem tomar notas. Foi em casa, à hora do costume, e o caderno estava lá, mas não apeteceu. Agora, alguns dias depois, lembro-me de um tinto jovem mas já feito, completamente adulto e claramente do Douro, de volume e persistência medianos, focado na fruta, sobretudo negra, com toque de pimenta, baunilha e mato rasteiro, taninos vivos e uma acidez muito refrescante a ligar todo o conjunto.

Não tendo agradado tanto quanto o espécime da última colheita aqui registada, 2007, que adorei, é sem dúvida um vinho sólido, que consegue o recorte moderno sem comprometer noutros aspectos, como a tipicidade ou a elegância, coisa que imagino não trivial face à quantidade de experiências mais ou menos falhadas que se podem encontrar em circulação, mas a que a casa que o produz nos foi habituando com invulgar consistência, faz já algum tempo, mesmo nas gamas de entrada, de grande tiragem. A repetir.

7€.

16

terça-feira, 23 de julho de 2013

Quinta da Bica '2005

Beirão de Seia, produzido pela quinta de que leva o nome. O contra-rótulo refere um lote de castas típicas da região (Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen) do qual metade foi sujeito a um estágio de nove meses em carvalho francês. Do mesmo produtor, já por aqui passou um Radix da colheita de 2008, de que guardo boas memórias.

Abriu com fruta muito madura, acompanhada de uns apimentados e tingida por ligeiro mofo que acabou por se dissipar ao cabo de uns minutos no copo. Especiarias mais presentes na boca, esta de textura polida e final bem razoável. Cerebralizando, podia penalizá-lo por ser um peso-leve de contornos quentes, mas não posso negar que o conjunto resulta bem agradável. É daquelas coisas que talvez só se percebam bebendo.

Sobrou quase meia garrafa para o segundo dia, que acompanhou uns naquitos de frango com couve coração. A fruta manteve o seu perfil, mas surgiram bastantes notas de bosque que antes não havia notado. Aromas terciários, não. Oxidação, idem. Fiquei agradavelmente surpreendido com este vinho, que a caminho dos oito anos ainda não evidencia qualquer sinal de declínio. E claro, apresenta uma RQP imbatível.

3€.

16

sábado, 20 de julho de 2013

Filmes (53)





Uma gaja introduz-se no cinema abandonado lá do bairro para descobrir que este afinal está a funcionar, mantido por uma espécie de bonecos. Certamente por possuir uma alma curiosa, a moça senta-se e começa uma sessão de curtas-metragens, como a do quadrinho aí em cima, ao longo da qual vão acontecendo coisas. Apesar de ser um filme em que a crítica gosta de malhar, eu gostei.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Adega de Vila Real — Grande Reserva '2009

A seu respeito, a apresentação que o produtor disponibiliza no respectivo sítio da internet refere Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Franca, Touriga Nacional, uma percentagem de vinhas velhas plantadas em altitude e estágio prolongado, sem definir com precisão o respectivo intervalo de tempo, em barricas de carvalho francês (75%) e americano.

Comprado após a boa experiência havida com o do post do passado dia 14/7, não desapontou. Trouxe consigo fruta com foco e profundidade, um toque de especiaria, alguns cheiros que conoto sempre com a presença de tourigas, chocolate preto, tosta e baunilha das barricas onde estagiou, e uma estrutura, sem surpresa, consideravelmente superior à do Reserva (maior e mais madura).

Ora, apesar de ser um vinho gordito que se fartou de sugerir coisas de carácter quente, até se mostrou bastante fresco durante as mais de duas horas que esteve aberto, não tendo o factor exposição contribuído para que a dada altura se tornasse mais morno ou pesado; primeiro a fazer companhia a um coto de peru assado, depois com Cheddar velho e o filme do próximo post.

7€.

16

domingo, 14 de julho de 2013

Adega de Vila Real — Reserva '2010

Foi adquirido por impulso em visita recente a um supermercado. Ia ao pão e lá estava ele. O preço, o factor novidade e o bem que a seu respeito já tinha ouvido dizer fizeram o resto, veio comigo para casa.

Face a um estufado de frango dos mais simples, daqueles com cebola, alho, tomate e vinho branco, mostrou uma razão entre concentração e leveza mais que apenas aceitável, fruta bastante, preta e roxa, com agradáveis notas de touriga, certo carácter silvestre, típico e que é sempre bom encontrar num tinto da região, e muito importante também, alegria.

Feito a partir de tourigas e tintas do Douro, passou por breve estágio em barrica, que me pareceu notar-se mais na maturidade revelada pelo vinho como um todo que por via de algum cheiro ou sabor característico. O produtor existe na internet.

3€.

15

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Não é impunemente que o fumador coloca a sua inteligência diante da ideia única e total: essa é uma contemplação fatigante, que pode tornar-se perigosa caso façamos dela uma rotina. Com efeito, em vez de se casar com a Ideia Única, o fumador arrisca-se a casar com uma só ideia, ideia talvez superior, talvez vulgar, mas que, no seu ilusório sonho, se reveste da perfeição suprema. Não se trata de uma crise de orgulho, estando o fumador tão despojado de si mesmo quanto do seu próximo; mas é a crise da ilusão e da ideia fixa. Em redor desta tudo se afunda, tudo é abolido, tudo desaparece. Depois, a faculdade de associação de ideias já não precisa de intervir; enferruja e a inteligência recusa-se (primeiro por desdém, depois por impotência) a considerar várias idieias nas suas relações e nas suas influências recíprocas. É uma diversão da atenção, da penetração, de todo o entendimento; é a dissociação intelectual no que ela tem de mais penoso; porque, ao fim de pouco tempo, tendo desaparecido o "desdém" superficial, o fumador toma consciência desta dissociação e da inferioridade geral a que ela o condena. Se quisermos transpor de forma um pouco ousada a terminologia médica, é exactamente a caquexia mental.

Devo no entanto dizer que nenhum destes efeitos é durável e profundo. Todos eles cessam (à excepção talvez da anemia nervosa) com a causa que lhes deu origem, ou seja, com a suspensão das sessões de fumo. Um organismo saturado de ópio liberta-se inteiramente em seis semanas... caso o queira; mas será que o quer, e, sobretudo, poderá querê-lo?



in O Livro do Ópio (Le Livre de l'Opium), de Albert de Pouvourville, sob o pseudónimo de Nguyen Ted Duc, 1925; trad. de Jorge P. Pires, ed. Frenesi, 2000.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

José de Sousa '2011

É a mais recente edição do colheita da marca alentejana da José Mª da Fonseca. No que diz respeito às castas utilizadas, a sua ficha técnica refere 47% de Grand Noir, 33% de Trincadeira e 20% de Aragonês. Do processo de produção, será de destacar a fermentação de pequena parte (não especificada) do vinho em ânforas de barro e o envelhecimento de 8 meses em carvalho novo, americano e francês.

Servi-o directamente da garrafa, a mais ou menos 14ºC, e encontrei um vinho muito alentejano, de carácter macio e dimensões medianas, sobejamente maduro, com fruta preta, figo e tâmara, e muitas notas de chocolate e café. Pareceu-me seguir as pisadas do seu predecessor da colheita de 2010, porventura melhor afinado. No mais, também me pareceu apresentar uma mineralidade muito própria, efectivamente a fazer lembrar barro — presença ténue, é certo, mas importante: quando a competição é feroz, como acontece no segmento de mercado em que este vinho se insere, são os detalhes que fazem a diferença.

Acompanhou o almoço do último Domingo, dia extremamente quente, em que basicamente nos barricámos em casa com o ar condicionado ligado: alheiras no forno, ovos estrelados e pãozinho.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um preço de 7,99€.

15,5

sábado, 6 de julho de 2013

La Trappe — Dubbel

Mais cerveja, acho que tomei o gosto a falar delas.

Esta dubbel, produto holandês com presença na internet, vem da Brouwerij de Koningshoeven, sita na abadia Onze Lieve Vrouw van Koningshoeven, em Berkel-Enschot.

Traz o selo Authentic Trappist Product. Ou seja, a sua produção ainda é orientada por monges trapistas, mesmo. Aos curiosos que pretendam entender um pouco melhor a relação dos monges com a bebida, poderá ser interessante a consulta desta entrada na Wikipedia.

Bebida fria, de um balão, como mandam as regras, mostrou ao nariz certo amargor típico do género e na boca desdobrou-se em sugestões tostadas e de caramelo e café. É uma cerveja viva e equilibrada, com certo porte.

Ora, escusado será dizer que à semelhança das dos posts anteriores, também me parece muito boa — não será, aliás, de estranhar que diga o mesmo de praticamente todas as aqui for colocando, já se sabe como é.

3€/33cl.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Companhia das Lezírias — Reserva '2007

Ribatejano, lote de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, com dez meses de estágio em barrica.

1º dia: Servido directamente da garrafa, mostrou muita fruta, algum álcool, volume, redondez e madeira.

A fruta, na minha humilde opinião, foi a melhor coisa deste vinho. Aveludada, fofa, mas não sonsa. Plush.

O álcool estava presente, sem dúvida. Ainda assim, não posso dizer que tenha sentido o conjunto quente.

Sobre a barrica, nem fumo, nem pau, nem merda. Nem vanilina de síntese, já agora. Um bocadito exposta, mas boa.

2º dia: Terá aberto um pouco durante a noite, o que se traduziu em ainda mais e melhor fruta.

Gostava de poder dizer que lhe encontrei mais que o que já foi dito. Uma presença especiada mais assertiva, por exemplo. Mas não.

Será melhor bebê-lo pela fresca, agora que o calor se instalou.

11€.

16,5