domingo, 29 de setembro de 2013

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Viñas del Vero — Gewürztraminer '2012

Monocasta Gewürztraminer do Somontano (Huesca); o produtor existe na internet. Que branco bonito! Tem rosas e flores da montanha, líchias e casca de limão. Tem imensa frescura e um equilíbrio quase perfeito entre leveza e untuosidade. É um competentíssimo vinho jovem, alegre e preciso, tão apetecível sozinho quanto capaz de ligar toda uma refeição, sobremesas incluídas. Posto isto, que mais se lhe poderia pedir?


Capaz de ligar toda uma refeição, dizia eu antes, porque efectivamente foi o que fez. Acompanhou salada fria de salmão marinado e pepino cujo ponto alto foi, no entanto, uns cubinhos de beterraba maravilhosos que trazia, confit de bacalhau e bonito teriyaki, ambos no ponto, o segundo com umas sementes de sésamo para dar crunch, e esponjado de queijo de Las Arribes com espuma de alecrim, que se comeram no restaurante do museu DA2 de Salamanca, que por sinal também é porreiro.


Uma última nota: onde estávamos, foi o último dia antes de começar a chover. O vinho custou 14€; em loja andará um pouco abaixo dos dez.

17

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sovina Amber

Refere o produtor ser esta cerveja com 6% de volume alcoólico "a recriação do estilo artesanal produzido apenas nas zonas cerealíferas francesas, junto à fronteira belga".

Vertida fresca numa tulipa grande, mostrou cor alaranjada e uma coroa de espuma viva, mas ligeira, algo fugaz. Quanto a flavour, não se afastou do esperado — malte e lúpulo quanto baste, tosta, um pouco de fruta, apimentados — excepto em certo singular amargor, mais evidente no fim de boca, e que marcou a prova.

Não se compara, de facto, às pilsener industriais, genéricas, que representam a maior parte da cerveja consumida em Portugal, mas também não é com essas que se deve comparar. Ora, colocada lado a lado com os seus presuntivos pares, aqueles em cujo perfil é inspirada, o que me pareceu, por alto e de memória, é que terá, por norma, alguma dificuldade em equalizar.

O preço por garrafa de 33cl anda entre os 2 e os 3€.

P.S. Consta que o nome foi escolhido à margem do significado da palavra, apenas porque soava bem e todas as outras opções estavam tomadas.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Filmes (54)





— I want to see the Pin.
— Guess you do.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

.com Vinhas '2011

Alentejano de Estremoz, feito para o Pingo Doce pela Tiago Cabaço Wines, é um bivarietal de Aragonês e Touriga Nacional, de vinhas com menos de dez anos, engarrafado sem passagem por madeira.

Macio, de largura mediana e final a condizer, madurão, com toque alcoólico, muito embora não ardesse nem picasse, mesmo a 16ºC, apareceu marcado por fruta preta, flores e licor. Quais, não consegui precisar.

Acompanhou melhor o arroz de carne picada com que foi servido ao almoço que os enchidos do lanche, creio que mais pelo maior teor de gordura destes últimos que por questões de sabor puro e simples.

Em suma, é mais um na multidão de rótulos com algum interesse e ao mesmo tempo disponíveis e acessíveis o suficiente para se poderem considerar, em termos gerais, para consumo quotidiano.

Poderá também ser um bom ponto de partida para a evangelização de não apreciadores.

Custou menos de 3€.

14,5

sábado, 14 de setembro de 2013

Frei João '2009

O colheita. 40% Touriga Nacional, 30% Baga, 23% Syrah e 7% Cabernet Sauvignon.

Ao jantar do primeiro dia, servido directamente da garrafa, quase sem tempo de arejar, desde logo se mostrou uma surpresa de força e consistência. A robustez evidenciada, a riqueza da fruta, o simples facto de todo ele aparecer um pouco fechado — como pode este vinho custar menos de 3€? Aguentou perfeitamente um guisado de frango e salsicha fresca, com generoso toque de pimentón ocal, que sem dúvida lhe marcou o carácter.

Ao almoço do segundo dia, em balão mais largo e bojudo (mais borgonhês) que o utilizado na noite anterior, após umas horas na porta do frigorífico, vedado pela própria rolha, virada ao contrário, deixou finalmente perceber o carácter da fruta (preta, até algo sumarenta) a par de alcaçuz e outras especiarias que se costumam encontrar nos vinhos que levam Cabernet. Acompanhou fatias finas de lomo adobado com batatas fritas e ovo estrelado, junk food caseira.

2,50€

15,5

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vespas



domingo, 8 de setembro de 2013

Veltins Pilsener

De volta ao blog, com cerveja. Esta alemã de Meschede-Grevenstein é uma pils ligeira, de trato fácil, com 4,8% de volume alcoólico. Tem boa espuma e um ligeiro (mas distintivo) amargo no fim de boca que a torna apenas vagamente mais interessante que, por exemplo, uma Super Bock.

Se a memória não me atraiçoa, cada lata de 50cl custou à volta de 1€, talvez pouco mais, no Lidl. Trata-se de um produto mainstream, que vende muito, de tal forma que a marca detém os direitos sobre o nome do estádio do FC Schalke 04, passe a curiosidade.

Enquanto houve, acompanhou sobretudo sanduíches. Foi com fuet e outras chouriças em pão de mistura, com tostas de queijo e fiambre, com bacon e queijo Cheddar, azeitonas, tomate e orégãos em pão de forma com sementes, com baguetes de frango em maionese e ovo cozido...

E independentemente do recheio, pareceu sempre bem. Fresca, a cortar a gordura, a limpar a boca. Estas cervejas simples, que só podem ser feitas para beber em quantidade, embora não se destaquem por si sós, parece que ligam bem com tudo. Por isso, louvadas sejam.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Dona Paterna — Alvarinho '2011

Alvarinho de Paderne, concelho de Melgaço, produzido por Carlos Codesso. Terá passado por algum tipo de maceração pelicular, mas não por barrica.

Quando apenas mostrado ao nariz, faz lembrar mais maçã; depois, enquanto bebido, predominam o maracujá e o caroço de pêssego. Tem ainda um lado verde muito interessante, com certo carácter citrino doce (lima, carambola) a par de algo mais herbáceo, de vaga pungência.

É um vinho que dá muito boa conta de si na boca, é fresco e razoavelmente longo, e mais importante ainda, consegue transmitir leveza sem ser fugaz. Será um Alvarinho mais contido que o habitual, sobretudo na (hm) tropicalidade, e ainda bem.

9€.

16,5

segunda-feira, 2 de setembro de 2013




Russ Gibb: The Grande started in 1966, and within ten weeks it became a positive cash flow.

John Sinclair (MC5 manager, poet, the Blues Scholars): The most we ever got there was $1,800, but Gibb paid us $125 a night usually. We were just so fucking offended at this $125, and they were making money hand over fist. They were bringing these bands from England, and they were giving them thousands of dollars. And we’re getting $125.

Iggy Pop (The Stooges, Iggy and the Stooges, solo, vocalist): When we played for Russ we’d make $50—that was for the whole group you know. And then we worked our way up. Over time we were headlining and we were paid pretty well. But with John Sinclair, on bills with the MC5, we played for free.

Jaan Uhelszki: I got a job where I was working as a Coca-Cola girl at the Grande. As a Coca-Cola girl, you did two things: You sell Coca Cola, Sprite, and orange pop, and what you really do is make sure no one doses those said drinks. That was the bigger part of my job. They didn’t sell alcohol at the Grande Ballroom. While it wasn’t all ages, I think it was seventeen and above; all they sold was soft drinks. Nobody drank; everybody did drugs. It was a psychedelic ballroom.

(...)

Bob Sheff (Iggy and the Stooges, Charging Rhinoceros of Soul, piano): The Charging Rhinoceros of Soul were the warm-up band for the Mothers of Invention at the Grande one time. Oh God, I refer to it as cookie Sunday. I was late getting to the van, and I jumped in the van, and I hadn’t had breakfast and there was this jar full of cookies and I was really hungry. I ate about half the jar of cookies. Our bass player noticed a lot of those cookies were gone, so she asked, you know, “Who ate those cookies?” I said, “I did, I’m sorry, I’m really hungry,” Well, they were marijuana cookies, and by the time I got there I was so stoned I couldn’t get out of the car. I couldn’t put one foot in front of the other. One second I was in the car, and a second later I was up the stairs, and then a second later I was on the stage. The only thing I could hear was the bass drum, which sounded like it was in a huge cave. I knew everyone else was playing, and when I played the keyboard it was like the keys were undulating and it was like a river. I got scared after the set and went outside to the parking lot. I wanted to hide until I felt better. So I got underneath the van.

(...)


Russ Gibb: The weirdest guy I ever booked was Sun Ra. But I loved him for a good reason. Whenever I’d have a big band, I wanted to do two shows a night. Now, we had a ticket policy where if you came to the Grande and you got a ticket, you were there until 2:30 a.m. We were already violating the law with the number of people we were jamming in to the Grande. I think there was a legal thing of twelve to fifteen hundred, and we were packing two to three thousand in there a night. So I could have a big band and book them two shows, an early and a late. After the first show I put Sun Ra up. With Sun Ra, you can take the first five minutes and you’re wondering what’s going on. After about a half an hour you’re going, “This is shit! I can’t stand this!” People would leave. We’d practically empty out the place, and that allowed me to bring in more people. That was my strategy with Sun Ra. I never told him. We paid him. He was happy and he was getting the gig and people were hearing him. John Sinclair was happy because he loved Sun Ra.


Steve Miller — Detroit Rock City; Da Capo Press, 2013.