sábado, 30 de novembro de 2013

Kirin Ichiban — Premium Press

Foi a S que a viu primeiro, ela gosta do Japão. E eu achei interessante, os japoneses, tão meticulosos, tão ciosos da ordem, do equilíbrio, certamente só farão má bebida quando quiserem. Também já tinha ouvido dizer umas coisas a respeito das cervejas japonesas, mais bem que mal, e assim lá convenci a S a comprá-la e guardá-la para um daqueles dias em que o jantar fosse mais a seu gosto.

Talvez por isso seja com alguma desilusão que constato tratar-se de apenas mais uma lager loira de perfil genérico. A sério. A empurrar uns amendoins e sementes de abóbora, bem tenho procurado encontrar-lhe algo que a destaque de uma sagres das mais correntes, nem que seja para tentar justificar a considerável diferença de preços que se verifica entre elas, mas não está a ser fácil. No cheiro, no toque, no sabor, parece-me, de todo, apenas mais uma pils comum, ainda que bem recortada, para beber em quantidade.

2,50€/33cl.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Rinkadink — Rabbit From Darkside

Em vez de esperar para ter tempo ou vontade de fazer uma introdução à antiga, e assim tal nunca chegar a acontecer, como se tornou habitual, vou limitar-me a deixar aqui isto, na expectativa de que cause a alguém que ainda não conheça a impressão que me deixou quando o descobri.




Fica a nº 4, Cabbage al la Tetradink.

Saudades de ter tempo para o blog. Um dia pensei que ia conseguir ser uma pessoa interessante, e ter um blog fixe, como se importasse. Mas mesmo pouco importando, não é assim tão simples.

domingo, 24 de novembro de 2013

Pasmados '2009 (Branco)

Branco estagiado da Serra da Arrábida, diz no contra-rótulo resultar de uma mistura das castas Viosinho (52%) com Arinto (26%) e Viognier (22%), tendo metade fermentado em madeira e metade em inox, com posterior estágio de seis meses, com bâtonnage, em barricas de carvalho francês. Começar um post desta maneira é fácil, poderão argumentar alguns. Mas terá ficado assim tanto por dizer?

A cor desperta a curiosidade, palha, carregada, quase a tomar tons de chá. Servido da garrafa, e por isso quase sem arejar, desde logo se mostrou limpo, sem volátil ou qualquer outro tipo de cheiro duvidoso, fino, nem gordo nem magro, ligeiramente untuoso, e rico em sugestões mornas de fruta branca, madura, doce, evolução (nota-se que é um vinho com alguma idade, muito bem conservado) e um interessante toque abaunilhado, certamente da barrica, muito perfumado, muito interessante.

Mais tarde, já tinha bebido algum, apareceu banana seca e dragon fruit. A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 7,49€.

16,5

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Filmes (56)




Before we left he shot a football that he considered excess baggage. Afterwards he took and buried some of our things in a bucket. He said that nobody else would know where we'd put them, and that we'd come back someday, maybe, and they'd still be sitting here, just the same, but we'd be different. And if we never got back, well, somebody might dig them up a thousand years from now and wouldn't they wonder!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Pasmados '2011

Faz tempo que não bebia um tinto da Península de Setúbal. Este vem da Quinta dos Pasmados, uma propriedade com 18ha situada na Serra da Arrábida, 5km a Oeste de Azeitão. Elaborado a partir das castas Syrah, Touriga Nacional e Castelão, envelheceu durante 9 meses em barricas de carvalho francês antes de engarrafado. Em jeito de curiosidade, lembro-me de já por aqui ter passado um antecessor seu, da colheita de 2007.

É um vinho simpático, generoso nas notas de morango e cereja em que se foca, com tons de barrica ainda não muito desenvolvidos, para já mais presentes na boca. Penso que vale a pena explicar melhor a observação anterior, a respeito da barrica. Há casos, parece-me, em que a madeira onde determinado vinho estagia se manifesta emprestando ao vinho cheiros e sabores de outras coisas, de tal forma que pode acontecer um indivíduo nem sequer ter a certeza de que certa sugestão aparentemente provinda da madeira tenha realmente sido contribuída por ela. Por outro lado, há vinhos em que a madeira por onde passaram evoca... simplesmente madeira. E este é um desses casos. Foi com agrado que notei ter aberto qualquer coisa ao almoço do segundo dia. Esteve então mais escuro e ainda mais generoso, com muitas notas de chocolate. Será difícil não gostar dele.

A garrafa foi oferecida pelo produtor, que recomenda um PVP de 8,99€.

16

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Ninfa — Sauvignon Blanc '2011

Monocasta Sauvignon de força e dimensões medianas, fresquinho, cremoso e indiscutivelmente mais maduro que os últimos exemplares da casta aqui publicados, surgiu repleto de cheiros intensos que me fizeram lembrar lembrar azeitona verde, caroço de pêssego, maracujá e o seu concentado em pó. Bem correcto, de um verde diferente do dos seus parentes mais setentrionais, é um vinho de coisas claras, fáceis de entender. No entanto, prefiro quando não fico com a impressão de ter percebido todo um vinho logo após os primeiros goles, mesmo quando isso implica acabar a garrafa e continuar sem saber ao certo o que pensar.

Produzido pela João M. Barbosa Vinhos, de Rio Maior, com uvas criadas em solos argilo-calcários, no sopé da Serra dos Candeeiros, foi engarrafado sem passar por madeira.

6€.

15,5

terça-feira, 12 de novembro de 2013

sábado, 9 de novembro de 2013

Herdade do Pombal '2009

Alentejano de Estremoz, composto por 60% de Aragonês, 15% de Trincadeira, 15% de Alicante Bouschet e 10% de Cabernet Sauvignon. Durante seis meses, 40% do lote estagiou em barricas de carvalho francês de terceiro ano.

Popped & poured, a acompanhar bôla de carnes frias e outras mastigações ligeiras, mostrou-se quente e macio, com boas notas de barrica.

Vinho de terra quente com a fruta sempre em primeiro plano, não me quis parecer, no entanto, nem uma bomba de álcool, nem um aborrecido frasco de compota sob disfarce.

Nota também francamente positiva para o seu sabor redondo, francamente especiado, aconchegante, que termina com razoável persistência.

Tendo sobrado para o jantar do dia seguinte, perna de peru assada a baixa temperatura, pela qual esperou na porta do frigorífico, vedado pela própria rolha voltada ao contrário, encontrei-o mais ou menos na mesma — primeiro, generosa amora silvestre e figo, depois, baunilha e o já mencionado perfume de madeira. A dada altura, começou a fazer lembrar azeitona preta.

7€.

16

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Velharias (39)

Castelo Branco, 3h20 da madrugada. Estão 34ºC, respira-se fumo. M droga-se enquanto joga xadrez com um gajo giro e bom, algures para os lados da Zambujeira. A envia-me Pablo Neruda por SMS. Sobre sonhos feitos desejos, desejos sonhados, sonhos desejados para lá do tempo. Mas afinal está apenas bêbeda e frita, algures pelas Caldas ou arredores.

E eu? Online. Passei a tarde a dormir. Sonhei com S. Andávamos fugidos de algo ou alguém pela
baixa da tal cidade que é sempre a mesma. A dada altura, entrámos no que parecia ser uma pequena pensão de província. Portas de alumínio, dois pisos, um cafezito que parecia a Locomotiva a servir de recepção e lobby.

Acordei quando de alguma forma tropeçámos num americano de t-shirt amarela e calções de praia que lá estava sentado a beber cerveja. Acordei meio em sobressalto e esqueci-me da maior parte dos pormenores, que curiosamente foram voltando com o café de depois do jantar.

A tarde fez-se sessão de blitz no ICC. Não correu mal de todo. Ainda assisti ao início do relay do Radjabov - Leko. O puto R joga mesmo bem. Simples e bonito. É um gosto vê-lo. Depois a cidade ficou às escuras.

Dois discos:
The White Stripes, White Blood Cells e Leftfield, Leftism.

E uma palavra:
retromingent. Adjectivo, diz-se dos animais que urinam para trás.


3/8/2003

domingo, 3 de novembro de 2013

Chaminé '2012

Foi este o vinho que começou tudo. Um dia fui comprar algo para o jantar ao supemercado do centro comercial que fica ao fundo da rua onde vivemos. O Outono já ia avançado, estava frio. Parei por acaso na prateleira dos vinhos e reparei nele. Colheita de 2005, se a memória me não atraiçoa. Achei o rótulo engraçado, decidi trazê-lo.

Até aí, o consumo era pontual. Quase só bebia fora das refeições, na noite, e a maioria daqueles com quem mais saía preferia cerveja.

Já em casa, o Chaminé aqueceu, animou, alegrou o jantar. Ainda por cima, como a S não gostava de tinto, podia ser todo só para mim. Assim nasceu o hábito de onde haviam de vir a derivar estas páginas.

O Chaminé de hoje continua mais ou menos como esse primeiro de que me lembro. Praticamente só mostra fruta, escura e doce, com toque de compota e algum álcool — conjunto não necessariamente alentejano, mas cheio de sol. Pena o fim de boca algo curto, apesar da redondez que por momentos promete mais.

Em jeito de nota, da ficha técnica disponibilizada online pelo produtor: 45% Aragonês, 30% Syrah, 12% Touriga Nacional, 7% Trincadeira, 6% Alicante Bouschet. Fermentou sem engaço e estagiou em cubas de inox antes de ser engarrafado.

4€.

15