domingo, 29 de dezembro de 2013

Herdade do Portocarro '2009

Este vinho também tem a fruta escura e evoluída e as folhas de tabaco e eucalipto secas ao sol que encontrei no do post anterior. No entanto, é completamente diferente, robusto, com fruta carregada em destaque e um cheiro característico, que costumo encontrar em tintos que na sua elaboração de alguma forma passaram tempo em vasilhas de madeira de grande capacidade.

Sugestão, talvez, porque este é um vinho cujos predicados conheço. Terá também sido por sugestão que a dada altura me pareceu que de facto levava Alfrocheiro? Não foi pelas flores que lá fui, que não abundam. Nem pela estrutura bem definida, de acidez e taninos firmes, bons. O vegetal seco, a forma como me pareceu vincado o carácter escuro da fruta, possíveis pistas.

Foi obtido a partir das castas Aragonês, Alfrocheiro e Cabernet Sauvignon, com fermentação em balseiros e posterior estágio (um ano) em barricas de carvalho francês. O produtor é José A.L. da Mota Capitão, com enologia de Paulo Laureano. A edição de 2007 marcou presença nestas páginas.

8€.

16,5

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Vanessa Daou — Make You Love

Gosto da Vanessa Daou e acho estranho que não seja mais popular. Talvez lhe falte imediatismo, talvez seja demasiado polida para as massas.



Este álbum é de 2000. Às vezes dou por mim a pensar que a electrónica que gosto de ouvir é toda mais ou menos desta altura. Ou melhor, que poucas coisas do género posteriores a, digamos, 2005 ou 2006 me agradam minimamente.

Mas suspeito que o mundo não tenha realmente deixado de produzir electrónica fixe há meia dúzia de anos atrás. Talvez o tempo de algumas dessas coisas, as certas para mim, ainda não tenha chegado.

Ou então isto sou eu a entrar na idade a partir da qual a maior parte de nós começa a ficar sem paciência para conhecer músicas novas. O que, se for o caso, é uma merda, e nem dói.

O áudio é da faixa nº 6, Love child, Mona Lisa smile / Stranger than a summer snow / Love child will drive you wild / Then she'll get up and go.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Sino da Romaneira '2010

É o segundo vinho da Quinta da Romaneira, de Cotas, Alijó. As castas são Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinto Cão, cepas com cerca de 25 anos. Foi engarrafado em Junho de 2012, após 14 meses de maturação em barrica.

Vertido directamente da garrafa, não precisou de tempo no copo para confirmar o que já tinha lido sobre ele, tinto fresco, delgado por opção, com uns toques de especiaria a transmitirem interesse adicional às flores e frutos negros da praxe — merece destaque o retrato da ginja.

Foi, aliás, nas especiarias que lhe encontrei maior interesse, riqueza que não sendo ímpar na gama em que ele se insere, não deixa por isso de estar muito bem. As passas, também de figo, o louro, o eucalipto, a folha de tabaco. Ligeiro, disponível, mas maduro. Coisa fina.

Pareceu-me ainda, a dada altura, que sugeria marmelada (de marmelo) com nozes, mas isso talvez já tenha sido, acima de tudo, filme meu.

10€.

16

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Estou a voltar àquela fase em que pouco me apetece fazer para além de ver programas de computador jogar xadrez entre si. Acontece todos os anos. O último torneio que iniciei tem proporcionado alguns jogos bons, dos quais aqui deixo dois, mais que por não me ocorrer melhor assunto para um post, porque realmente traduzem aquilo que tenho andado a fazer nestes últimos dias.


domingo, 15 de dezembro de 2013

Caves S. João — Reserva '2007

Lote clássico, composto por Baga da Bairrada e Touriga Nacional do Dão em partes iguais, este vinho passou um ano em barricas de carvalho francês antes de ser engarrafado. Abri a garrafa nº 8216 de 9530.

No nariz, a parte bairradina do lote aparentou dominar. Eram evidentes as marcas da Baga atlântica. Na boca, este carácter surgiu bem menos duro que o esperado, certamente por influência da parte "Dão" presente.

Muito fresco, impressionou pela forma como a fruta, séria e contida, nos antípodas do objectivamente doce, também se mostrou sempre cheirosa e sumarenta. De corpo, sem ser imponente, pareceu-me durinho e bem torneado.

Estava mais macio no dia seguinte, ainda sem indícios perceptíveis de oxidação, e mostrou umas sugestões interessantes de moca, mais evidentes no e após o fim de boca. Enfim, um muito bom vinho, agora e provavelmente daqui a dez anos.

7€.

16,5

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Caves S. João — Reserva '2000

É macio e delicado, mas tem vindo a manter-se firme, de tal forma que sem esconder a idade que tem, não me pareceu ter apresentado, mais uma vez, indícios notórios de que esteja para morrer já.

Cheirou a couro, café e folha de tabaco seca. Aromas marcadamente terciários que ainda não se sobrepõem ao cerne de fruta que envolvem, fruta negra bem transformada, com compota e azeitonas.

Esta foi a garrafa nº 17799 de 59048 produzidas e acompanhou um jantar simples, daqueles que preparo para mim quando tenho de ser eu a cozinhar. Codornizes seladas na panela e acabadas no forno e cogumelos shimeji salteados com molho de soja.

Dias depois provei o do post seguinte.

7€.

16

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Filmes (57)




De 1971, com Klaus Kinski, Margaret Lee e Rosalba Neri. Um filme simples, mas definitivamente não tão mau quanto sugerido pela nota que tem no IMDB. Há um manicómio cheio de gajas, um man que as vai matando e gente que o quer apanhar. Uma vez que os presentes pouco mais têm para fazer, comem-se. Ora, se este é um mundo onde não acontece muito, de tal forma que o excerto que aqui deixo representa perfeitamente todo o decurso do filme, o que acontece, para mim, chega. Quem gosta de Jess Franco não se dará mal com ele.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Granja-Amareleja — Reserva '2011

O produtor terá renovado a sua presença na web, julgo.

Moreto, Alfrocheiro e Aragonês. Cheira a ameixa, passas, rama de tomateiro, tabaco, cacau. Coisas quentes, escuras, cheias de sabor mas nem por isso polpudas ou sumarentas.

Penso também lhe ter apanhado algo mineral, talvez terra seca, não tanto barro, borralha de azeite, como aliás encontro em tantos vinhos, pinho e álcool, a parte fresca, vagamente etérea, do bouquet.

E não custa nada a beber. O porte é mediano e a intensidade, satisfatória. Tem boa acidez, não é nada chato. Custa perceber a negatividade com que alguns falam dele.

10€.

16

terça-feira, 3 de dezembro de 2013