sábado, 29 de março de 2014

Tiga — Sexor

Ocorreu-me há tempos que podia tentar preservar algumas daquelas ideias de merda que surgem quando me estou a charrar na varanda, e sei que não estava presente a intenção de reservar desde logo a possibilidade de um dia aqui vir a deixar algo a respeito, de preferência com um mínimo de préstimo. Pelo menos no princípio, pelo menos em consciência. Mas várias semanas volvidas, apenas um espécime no bloco de notas: Do Haxixe (1). Eu gosto de ter frio. Ter frio faz-me ter cocó.

Mudando de assunto, voltei a ouvir o Tiga regularmente, mas agora gosto. A S. acha que no princípio, quando era novidade, eu dizia que não gostava do Tiga só por ela gostar, mas nunca foi bem assim. É electro com mensagem, polido, dançável, um bocado vaidoso, às vezes fodidamente gay. Mas não necessariamente gay, acho, o que nem sequer interessa, dado que o simples facto de produzir electro com mensagem já torna o Tiga, se não louvável, uma adição interessante ao mundo. Alguns chamam a isto house, e talvez também o seja, de facto.



Ah, o post simples, mega curto, que nada tem de meu excepto palha, e agora também as queixas do costume. O picar o ponto.

sábado, 22 de março de 2014

Reguengos — Garrafeira dos Sócios '2004

Há talvez apenas uns meses atrás, dificilmente admitiria a possibilidade de deixar de aqui vir regularmente. Ver o mail, publicar qualquer coisita. Agora espanta-me a facilidade com que aqui não venho. Mas continuo a reparar nas coisas que bebo, e como hoje parece haver tempo e disponibilidade para umas notas breves, vou tentar.

Foi uma garrafa de "Garrafeira dos Sócios" da Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz. Acho que a guardei durante um ano ou mais na arca climatizada, mas por algum motivo de que já não me lembro, acabei por abri-la num dia de semana qualquer, com um jantar normal.

Castelão, Trincadeira e Aragonês. Unidade nº 5048 das 54208 que se encheram dessa colheita. Ao primeiro dia, muito fechado. Bebi um copo com o jantar, mas foi só. Mais interessante no dia seguinte, especiado, com tabaco, folha de tabaco seca ao sol, e noz moscada. Bem macio, envolvente morno, afável. Fim de boca relevante.

As coisas, em geral, não me têm andado a saber como antigamente. Talvez ande ligeiramente deprimido. Este vinho emprestou-me conforto.

16€.

17

sábado, 8 de março de 2014

Terras do Anjo '2010

Vinho Regional Lisboa, produzido e engarrafado pela Quinta do Pinto, de Alenquer. Fermentou em cubas de alvenaria, durante 14 dias, pelo efeito de leveduras autóctones e fez a maloláctica em barricas de carvalho francês de segunda utilização, onde parte do volume final estagiou durante mais 9 meses.

Syrah, Cabernet Sauvignon e Merlot. Intenso e encorpado, trouxe consigo frutos pretos, leve vegetal seco e pimenta. Também tostados de barrica, bem integrados no conjunto. Apesar de macio, fácil de beber, pela robustez apresentada, acaba por ir melhor com comida.

Será, de facto, um vinho internacionalizado, como já ouvi chamar-lhe, mas é evidente que não lhe falta carácter. Ora, para ser justo dizer que o mesmo não acontece com aquilo a que alguns chamam tipicidade regional, seria preciso definir primeiro qual é a dos vinhos da região de Lisboa, e depois, mas ainda mais importante, que ele tivesse sido feito para a ter.

9€.

16