sábado, 27 de dezembro de 2014

Quinta da Cassa — Reserva '2009

Domingo passado, levei um frango do campo ao forno, dentro de um pyrex, com bastante azeite, alho e limão.

Acompanhou uma garrafa deste Douro extraído, cheio de frutos negros, sobremaduros, a sugerir origem quente, junto com tabaco e os fumados e tostados com que o estágio em barrica (18 meses em carvalho francês de segundo e terceiro vinhos) o marcou. Tem taninos algo terrosos e não obstante a acidez presente, subsiste algum calor, a par de um ligeiro amargo que não deixa de se notar no fim de boca.

Posto isto, e embora se me tenha afigurado, sem qualquer dificuldade, como vinho honesto e bem feito, não entusiasmou. Talvez não seja culpa dele: apesar do frio dos últimos tempos e dos comeres ricos em estrutura e gordura com que por vezes o tentamos afastar, noto que tenho andado a preferir, por sistema, vinhos mais frescos e ligeiros. O produtor tem presença na internet.

6€.

15,5

sábado, 20 de dezembro de 2014

Adega de Monção — Deu-la-Deu — Grande Escolha '2010

Gordinho e macio, com foco nas notas de pêssego e outros frutos de caroço, maduros, de polpa amarela, temperados com toque de baunilha, este é o irmão maior do Deu-la-Deu da Adega Cooperativa Regional de Monção, possivelmente o nosso Alvarinho mais conhecido.

E se o jovem, chamemos-lhe assim, é uma referência popular graças ao estilo e qualidade consistentes, sempre com muito boa relação custo/benefício, este, que foi pensado para lhe ser superior, note-se a escolha das uvas de cepas mais antigas, a bâtonnage, o controlo de qualidade mais apertado, auxiliado por uma produção menor, etc., não obstante ser um muito bom vinho, acabará por não se conseguir destacar no ultra-competitivo segmento de mercado onde se insere.

10€.

16

domingo, 14 de dezembro de 2014

Às vezes lembro-me de vir aqui, mas acabo por não o fazer. A apatia, reflexo de uma mais abrangente falta de vontade de comunicar com o mundo. O quotidiano, cansativo, cheio de coisas feias. E chegado a casa, a anulação da pouca iniciativa remanescente, o donk na cabeça que abranda e confunde. Jorge, traz-me a água e o tablet. Anuo. Na cozinha, a garrafa de água. Aproveito para trazer chocolate, apetece. Regresso à sala. Jorge, o tablet. E eu já nem penso "outra vez" enquanto procuro. Faço e pronto, é mais confortável assim. Mas um dia esta fase vai acabar, ou pelo menos sofrer algum tipo de interrupção, como sempre aconteceu, e é possível que estas escritas retomem alguma da sua antiga vitalidade.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Adega de Penalva — Touriga Nacional '2008

Nem sempre foi assim, mas agora acredito que quanto mais específica a nota de prova, menos útil. Por honesta que seja a intenção, a volatilidade da experiência sensorial e a barreira da linguagem não perdoam. Tanto o vinho como quem o bebe mudam com o tempo e outras circunstâncias. Então, anotar apenas os traços gerais do carácter de um vinho não se limita a ser mais fácil, mas também mais seguro. Que maravilha, a forma mais fácil de fazer algo ser também a mais útil e a mais correcta! Merecerá a experiência.

O vinho de hoje, topo de gama de uma cooperativa do Dão, puro Touriga Nacional com um ano de estágio em barrica. Escuro, robusto, carnudo, tem acidez e densidade suficientes para acompanhar qualquer prato, mesmo daqueles vis, de engorda. A fruta vem com mais garra que brilho, talvez por isso tenham sido outras coisas que mostrou a apelar-me: menta  bergamota  alcaçuz  louro  zimbro  sabão de Marselha. A rever daqui a dois anos, se se proporcionar. No fim, a ideia de que o que queria dizer estar presente, mas não se parecer mesmo nada com o esperado. Talvez esse seja outro problema, esperar coisas à partida para uma experiência.

8€.

16