quarta-feira, 30 de setembro de 2015

EELS — Electro-Shock Blues

Electro-Shock Blues foi o segundo álbum dos californianos EELS.

Achei curioso quando li, na entrada que o IMDB lhes reserva, que "the eels (whose real name is "eels", no capital, no "the" before it) were officially founded when Butch Norton and Mark Everett (aka E) met Tommy Walter. The name "eels" was chosen so that the band's records would be close to E's solo records."

Ora, o vocalista da banda é filho de Hugh Everett, o físico  — embrace the multiverse! :) — e EELS também pode ser isto. Coincidência, provavelmente.

Sem ser violento, é um trabalho profundamente visceral. Uma pessoa tem de estar mesmo muito triste para conseguir fazer uma coisa assim, nota-se. Enfim, depois deste, o som deles mudou.



Going to your funeral and I'm feeling like a fool
No one's gonna take the blame
Thinking about the days of hanging out behind the school
Everything goes away

#2, Going to Your Funeral Part I.

domingo, 27 de setembro de 2015

La Rioja Alta — Viña Arana, Reserva '2006

O vinho de hoje, salvo seja, é um quase varietal de Tempranillo, temperado com 5% de Mazuelo, de uvas da região de Rodezno, localidade próxima de Haro, Capital del Rioja.

O produtor disponibiliza informação q.b. na internet sobre a sua elaboração, mas, resumindo, poderá dizer-se que após ter sido deixado fermentar, estagiou durante três anos, com trasfegas semestrais, em barricas usadas, com uma média de idades a rondar os quatro anos. Aqui, e não só, vem na sequência deste.

De cor vermelha, cereja, não precisou de muito tempo para se soltar, apesar de servido directamente da garrafa. E como se mostrou!

Fiel ao estilo "Rioja clássico", trouxe consigo cheiros intensos, a frutos do bosque, vermelhos, ora ácidos ora confitados, a par das marcas características do estágio prolongado e ligeiramente oxidativo: por entre balsâmicos e especiarias, café e folha de tabaco, baunilha e coco.

De paladar necessariamente ligeiro face à substância evidenciada, possui uma acidez de grande firmeza, mas não abrupta, o que muito ajuda à percepção de equilíbrio que desde já transmite.

Termina longo, raçudo, a prometer muitos anos em garrafa. Poderá nem sequer ser considerado dos melhores Arana recentes (2001, 2005), mas não hajam dúvidas de que vale a pena conhecê-lo.

Acompanhou uma das nossas pizas, com vários queijos. Não que não tenha estaleca gastronómica para mais, mas, cá em casa, quando se oferece piza a um vinho, é uma espécie de homenagem que se lhe faz. Não tentem entender.

14€.

17,5

quinta-feira, 24 de setembro de 2015





segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Quinta dos Carvalhais '2010

Escuro e concentrado, mostrou-se rico em frutos negros, com notas balsâmicas que fizeram lembrar álcool, pinho e menta, as violetas da casta predominante, ligeiros apimentados, baunilha e fumo de barrica.

Está macio, terá sido sempre bastante encorpado, a acidez mantém-se firme e tem um bom fim de boca. Por isto e pela complexidade que aparenta estar a desenvolver, sem perda visível de consistência, deverá valer a pena guardá-lo mais alguns anos.

Os arquivos aqui do sítio mostram que bebi com semelhante agrado um espécime da colheita de 2008, na altura mais ou menos com a idade com que este está agora. Comparando as notas, percebe-se que tendo 2008 sido um ano mais fresco, o perfil, aquilo a que tantos chamam Dão moderno, é o mesmo. Acompanhe comfort food, parece ter sido feito para isso.

Composto por 59% de Touriga Nacional, 21% de Alfrocheiro e 20% de Tinta Roriz, foi vinificado  e estagiado em estreme — um ano em barricas usadas de carvalho francês, americano e caucasiano. Precederam o engarrafamento a elaboração do lote, colagem e filtração.

A propriedade, localizada em Espinho, freguesia do concelho de Mangualde, pertence à Sogrape desde 1988.

6€.

16,5

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Filmes (63)




Filme sobre a vida, inspirado na história de Campo Elías Delgado, um colombiano com as suas particularidades, que flipou na noite de 4/12/1986 e matou até morrer. Uma curiosidade: o restaurante ainda existe.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Parentini — San Friano '2012

Rosso Toscano IGT, este vinho é um monocasta Cabernet Sauvignon, criado sem passagem por madeira. O produtor, a Tenuta Parentini, é uma propriedade situada um pouco a Sul de Empoli, negócio familiar que conta com 9ha de vinha, zonas de carrascal mediterrâneo, o chamado garrigue, e olival.

Foi servido a 16ºC, directamente da garrafa. De cor granada, escura, de concentração discreta, mostrou-se um Cabernet muito especiado, a fruta longe de exuberante, sem pimento, a evidenciar já certa falta de brilho, sugestão de um princípio de cansaço que as notas de couro e frutos secos que também trouxe consigo ajudaram a cimentar.

Melhor o sabor que a textura, globalmente macia, mas um pouco esquisita, como se tivesse mais taninos que fruta, a evocar uma daquelas pessoas magras e pálidas que no entanto têm corpo duro, tonificado. Apesar de algo aguado no ataque à boca, a presença fresca, de sabor nada desinteressante e persistência decente, acabou por ir dando vontade de repetir, até que se bebeu todo.

Acompanhou uns naquinhos de bife de vaca que a S preparou no pseudo-wok, com malagueta fresca, cebola apenas ligeiramente cozinhada, pimenta preta e natas, melhor que os queijos da sobremesa, São Jorge com 4 meses de cura e Gran Capitán.

8€.

15

sábado, 12 de setembro de 2015










No Luso, o parque.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Quinta de la Rosa '2010

Sobre o ano vitícola, na ficha técnica que disponibiliza no seu sítio da internet, o produtor refere um Inverno particularmente chuvoso, Primavera amena e uma vindima sem incidentes, após calor pronunciado em Julho e Agosto.

Lote tipicamente duriense, com origem nas castas Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz e Tinta Barroca, provenientes de vinhas com cerca de 20 anos de idade, este tinto fez a fermentação maloláctica e posterior amadurecimento em barricas de carvalho francês, até ter sido engarrafado, em Janeiro de 2013.

Faz tempo, deixei aqui as minhas observações a respeito de um espécime da colheita anterior, que agradou. Este, de um ano globalmente mais fresco, e bebido com outra idade, retém o perfil amplo e equilibrado, a firmeza dos taninos e a contenção na forma como vai mostrando a fruta, mais uma vez escura e apetitosa, amora silvestre muito bonita, limpa, de travo abaunilhado e apimentado, estes dos poucos vislumbres de madeira que se deixam perceber.

Tal como o do post anterior, está muito agradável e ainda tem anos pela frente. Enfim, são dois bons exemplos da qualidade e diversidade do Douro, mesmo quando não se trata de topos de gama.

Com ele, comi uma massa parecida com esta (da publicação de 17/4/2005), que envolve hidratar cogumelos porcini, dos secos, em caldo de galinha, que se aproveita como base para o molho, reduzido e enriquecido com natas, vinho do Porto e azeite de trufas. E uma perninha de frango no forno.

9€.

17

domingo, 6 de setembro de 2015

Quinta do Infantado '2009

Primeiro de dois bons Douro que bebi nesta semana que passou, este tinto de Gontelho, Sabrosa, é composto por 30% de Touriga Franca, 30% de Touriga Nacional, 30% de Tinta Roriz e 10% de outras castas típicas da região, daquelas que frequentemente se encontram misturadas, nas vinhas velhas.

Fermentou em lagar, após pisa a pé das uvas parcialmente desengaçadas, e fez a maloláctica em cuba, onde parte do volume final continuou o seu envelhecimento, o restante estagiado em barricas de carvalho, de diversas origens e idades, até ao engarrafamento, em Abril de 2011.

Vertido directamente da garrafa, a caminho dos seis anos, continua intenso, rico em frutos negros, muito maduros, em passa e em licor, com álcool presente e ligeiro toque oxidativo. Madeira, muito pouca, e terciários, idem. O tempo no copo leva-o no sentido do chocolate, e é só.

Mais guloso que o de 2008, apesar de toda a generosidade que evidencia, sem dúvida potenciada pelo calor que transmite o álcool e que alguns confundem com alegria, apresenta-se seco ao paladar, como esperado, os taninos mais macios que quando nos conhecemos. Persiste razoavelmente.

Bebi boa parte dele sozinho, mas é vinho para levar para a mesa, com carne.

9€.

16

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Criminality is not a perverted disposition to do evil rather than good. It is merely a childish tendency to take shortcuts. All crime has the nature of a smash and grab raid; it is an attempt to get something for nothing. The thief steals instead of working for what he wants. The rapist violates a girl instead of persuading her to give herself. Freud once said that a child would destroy the world if it had the power. He meant that a child is totally subjective, wrapped up in its own feelings and so incapable of seeing anyone else’s point of view. A criminal is an adult who goes on behaving like a child.

But there is a fallacy in this childish morality of grab-what-you-want. The person who is able to indulge all his moods and feelings is never happy for more than a few moments together; for most of the time, he is miserable. Our flashes of real happiness are glimpses of objectivity, when we somehow rise above the stifling, dreamlike world of our subjective desires and feelings. The great tyrants of history, the men who have been able to indulge their feelings without regard to other people, have usually ended up half insane; for over-indulged feelings are the greatest tyrants of all.

Crime is renewed in every generation because human beings are children; very few of us achieve anything like adulthood. But at least it is not self-perpetuating, as human creativity is. Shakespeare learns from Marlowe, and in turn inspires Goethe. Beethoven learns from Haydn and in turn inspires Wagner. Newton learns from Kepler and in turn inspires Einstein. But Vlad the Impaler, Jack the Ripper and Al Capone leave no progeny. Their ‘achievement’ is negative, and dies with them. The criminal also tends to be the victim of natural selection — of his own lack of self-control. Man has achieved his present level of civilisation because creativity ‘snowballs’ while crime, fortunately, remains static.


Colin Wilson, A Criminal History of Mankind, Granada Publishing, 1984.