sábado, 30 de janeiro de 2016

Cims de Porrera — Vi de Vila '2009

A DOCa Priorat coincide com uma pequena zona montanhosa, com uma superfície aproximada de 18000ha, dos quais apenas 1600 se encontram ocupados por videiras, situada na província de Tarragona. É delimitada a norte, este e oeste pelas serras de Montsant, Molló e La Figuera, respectivamente, e a sul, pelo rio Ciurana, afluente do Ebro.

O clima é mediterrâneo, moderado pelas montanhas que rodeiam a região, tanto em relação à influência do mar como a parte dos ventos continentais, com amplitudes térmicas consideráveis, e regra geral, o vinhedo, implantado em socalcos, necessários face à inclinação acentuada das encostas, costers, onde se situa, assenta em solos pouco profundos, pobres em matéria orgânica, constituídos pela chamada llicorella, uns calhaus angulosos e quebradiços que resultam da desagregação das camadas de ardósia da rocha matriz, eficazes a reter o calor do sol e por entre os quais as raízes das plantas penetram em busca de água e nutrientes.

Cims de Porrera, o produtor deste vi de vila, está firmemente engranzado com a cooperativa agrícola da localidade: é aos seus sócios que as uvas são compradas e é nas suas instalações que elaboram os vinhos. Depois da lengalenga supra, ficava bem um daqueles tintos valentes, de Caranyana e Garnatxa de vinhas centenárias, que encantaram Robert Parker e tornaram, em menos de vinte anos, uma região com cujo vinho ninguém contava em uma das duas denominaciones de origen calificada de Espanha, mas o espécime de que trata o presente, mais modesto, veio de vinhas novas.

Ainda assim, é um tinto escuro, amplo e intenso, vivo de álcool e acidez, mas também muito macio, com taninos empoeirados. Não explode no nariz, mas cheira bem quanto baste, a frutos vermelhos envolvidos em notas lácteas, como se tivesse misturado batido ou gelado de bagas frescas, daquele feito em casa, coisa que há muito tempo não encontrava, com esta dimensão, num vinho. Depois há a barrica onde passou um ano, e seus tostados, que por melhor que se tenham integrado, continuam a marcar o conjunto, apenas não de maneira excessiva ou, a meu ver, por qualquer outro motivo desagradável; as pimentas, o alcaçuz e o cacau, tudo no devido lugar, a aparecer com calma, com uma discrição que entendo muito bonita, mas que também lhe interdita outros voos.

Enquanto viver, e deverá aguentar mais 4 ou 5 anos, sem problema algum, vai ser sempre bom, mas nunca espectacular. Acompanhou um franguinho preparado neste espírito, com um arroz — para este fim, descobrimos preferir o Koshihikari ao Carolino, mas Bomba também serve bem: percebem a ideia? — de espigos de couve, com tomatinho.

15€.

17

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

The Doors

Gravado em Agosto de 1966 e lançado no fim do mesmo ano, foi o primeiro álbum da banda que tem o mesmo nome.



A terceira faixa, The Crystal Ship,

Oh tell me where your freedom lies / The streets are fields that never die / Deliver me from reasons why / You'd rather cry, I'd rather fly

aparenta ser mais uma de várias (candidatas a?) canções de despedida de mestre Jim à primeira gaja com quem andou, passe a expressão, a sério:

The darkness she says she had seen from the start was overtaking him, and she didn't want to watch him explore his self-destructive bent. She felt he had swallowed her identity. Whatever he liked, she liked. "I had to go out and see what parts of that were me. I just knew I had to be away from him. I needed to be by myself, to find my own identity." She enrolled in art school. The day Jim helped her move to a new apartment, she told him she needed a break. "He clammed up after that. I really hurt him. It hurts me to say that. I really hurt him." They split up in the summer of 1965 — a deixa é perfeita para linkar aos arquivos do St. Petersburg Times.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Vallado '2014 (Branco)

Estou a conseguir não vir aqui com enorme facilidade, outra vez. Virá aí modorra?

Em todo o caso, o dia 24/1/2016 começou luminoso, o céu quase limpo, com muito sol. Talvez o dia mais bonito do mês, até ver. Um Domingo de eleições!

Não fomos lá. Acordámos tarde, joguei um bocadito na net, fomos para a cozinha. A S apareceu com uns hambúrgueres de vegetais que me pareceram bastante engraçados; talvez venha a falar mais deles aqui, no futuro.

Com esses hambúrgueres bebemos Vallado branco, servido frio, directo da garrafa, sem preocupações. Focado, incisivo q.b. no ataque ao nariz, essencialmente cítrico e floral; depois instalou-se certa tropicalidade. Agradável, mas, definitivamente, não muito amplo.

Melhor na boca, mostrou-se bem fresco, equilibrado e persistente, apesar de algo ligeiro de substância. Sem encantar, tem o seu interesse.

Fundada em 1716, a Quinta do Vallado situa-se pouco antes da foz do Corgo, junto de Peso da Régua — mais em concreto, aqui. É uma quinta histórica do Douro que tem conseguido, com regularidade, colocar no mercado propostas de excelente relação custo-benefício, ainda que não objectivamente baratas.

Este branco que, se a memória não me atraiçoa, pouco difere deste seu antecessor de 2010, é um dos básicos da casa, vinificado em bica aberta, com fruta de vinhas novas, predominantemente Arinto, Códega, Gouveio, Rabigato e Viosinho, e engarrafado sem passar por madeira.

6€

16

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Eu vs Comp. (11)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Baltasar Gracián — El Héroe '2013

A denominação de origem Calatayud situa-se na parte mais ocidental da província de Zaragoza. É composta por 46 municípios, circundantes da cidade que lhe dá o nome e onde se encontra o respectivo conselho regulador.

O produtor deste varietal Garnacha, as Bodegas San Alejandro, de Miedes de Aragón, indica origem em vinhas com 50 anos de idade, situadas "até 1000m de altitude", e 10 meses de maturação em barricas de carvalho francês (30%) e americano.

Tem mais cor, mais escura e densa, que outros abates recentes da mesma casta: este e este, por exemplo. Cheira muito bem, a Garnacha floral e alegre, como se quer — sem, no entanto, se dar logo toda.

Como disse, traz flores. Mas é a fruta que domina, silvestre, gulosa, vermelha e preta, por vezes a tomar formas curiosas, tropicais, como manga e banana. Em pano de fundo, só um bocadinho de tosta. Esperava mais rebuçado, mas não faz mal. A dada altura, quando já estava no copo há bastante tempo, ficou "todo balsâmico", muito, muito bonito.

Na boca, tem mais intensidade que corpo e um ponto de amargor. Grau e álcool solto na prova não coincidem necessariamente — a maturação — mas este vinho, sem ser quente ou morno, é capitoso. Quanto a persistência, apenas mediano.

Está super agradável, mas não valerá a pena dar-lhe guarda. Algo nele me trouxe à memória certo tinto da Coop. de Pinhel, feito com Marufo e Rufete, que em tempos bebia bastante, apesar de nunca ter chegado a falar dele aqui.

8€.

16,5

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016







quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Casa de Santar — Touriga Nacional '2007

A casta, considerada a mais nobre de Portugal, certamente por dar vinhos mais fáceis e por isso mais consensuais que a Baga, terá tido origem no Dão, sido extendida ao Douro, inicialmente para vinho do Porto, e depois como que universalizada, de tal forma que alguém lhe terá chamado, num momento de singular sageza, "a mais plantada nos rótulos portugueses".

Este varietal foi produzido pela Sociedade Agrícola de Santar no ano seguinte à Dão Sul se ter tornado sua accionista maioritária. O contra-rótulo, bilingue, diz mais em inglês que em português, talvez por questões de mercado. Refere como proveniência das uvas os talhões (ou vinhas? -plots) das Alminhas, Poços, Vale Padrinho, Matinha e Aliados, recorda-nos a natureza granítica dos respectivos solos, "de textura grosseira", e desvela qualquer coisa sobre o processo de produção: 20 dias de maceração pós-fermentativa, maloláctica induzida, parte em pequenos cascos, parte em inox, e engarrafamento, sem filtrar, após um ano de estágio em barricas, novas, de carvalho francês.

No caderninho das provas, dois parágrafos: "Cor granada, escura e densa, com rebordo a atijolar. Extraído mas fino, polido, de certa forma delicado, muito floral e frutos secos, logo depois de servido directamente da garrafa" e "Abre no copo. Teve um momento em que pareceu quase só cheirar a melancia, que engraçado. Mas terroso, afinal: violetas, compota de frutos negros. Termina longo".

Dias depois, constato que ficou na memória. É um vinho que não teve de deixar de ser fino para se mostrar fiel à casta. Está elegante, provavelmente no seu ponto óptimo de consumo. De tal forma que, apesar de não ter quem me ajudasse com ele, não deixei nenhum para o dia seguinte.

18€.

17,5

domingo, 10 de janeiro de 2016

Filmes (66)




O Sétimo Continente trata de permanência e mudança, retratadas num casalito porreiro, com uma filha pita. Foi a primeira longa metragem do grande Michael Haneke e o melhor filme que vi nos últimos tempos.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Baron de Ley — Tres Viñas, Reserva '2009

70% Viura, 15% Malvasía e 15% Garnacha Blanca, é um D.O.Ca Rioja que procede de vinhedos situados no vale do rio Najerilla. O produtor indica que as uvas foram vinificadas casta a casta, tendo o lote final envelhecido em barricas de carvalho americano, durante 12 meses, antes de engarrafado.

Corpulento, amanteigado e amadeirado, com baunilha pungente no ataque ao nariz e leve amargor a permanecer pelo fim de boca, cheirou-me a pêssego e alperce, flores e ananás, leveduras, amêndoas tostadas, fumo e whisky. O paladar, gordo, com frescor apenas suficiente: para beber já? No espírito em que chamei a este "branco de Outono", teria o presente de ser considerado "de Inverno".

Numa noite em que não apeteceu fazer comida, começou por acompanhar uns pãezinhos com húmus de pimentão, guacamole e queijo da Soalheira, de mistura, "à cabreira", deste produtor. E esteve bem, mas não cativou. Exigiria ele algo maior?

Ora, Chardonnay liga bem com pipocas e carácter manteigoso, já para não falar de tosta, tinha este vinho q.b. — foi por associação que selei o destino da bem mais de meia garrafa que sobrara do jantar, com o filme da noite, o "Rambo" de 2008: espectáculo!

11€.

16,5

terça-feira, 5 de janeiro de 2016














Um dos últimos passeios do ano que agora terminou e também um dos mais fixes. Chovia. Apareceu um cão no passadiço que acompanha a praia, adorável, que ficou connosco mais de 1Km! Depois, um arco-íris a que estas fotos, tiradas com telemóvel de pobre, não poderiam fazer justiça.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Castelo de Azurara — Reserva '2011

O último "Azurara" a ser abatido foi este lote de Touriga Nacional e Alfrocheiro, cujo tipo e tempo de estágio não encontrei especificados.

Resumindo, é um Dão "reserva" de dimensões medianas, expedito e modernaço, que ultrapassou as expectativas.

O contra-rótulo sugere o consumo a 19ºC, mas foi mais fresco, a exactamente 16,2ºC, que mais gostei dele. Escuro no copo e sumarento na boca, apareceu muito limpo, focado em frutos do bosque, vermelhos e pretos, groselha e outros que tais. A compor, fumados e baunilha, certamente de barrica, e frutos secos, uma expressão muito bonita da Touriga.

Com o tempo de abertura, ter-se-á soltado, ganho, mais que complexidade, outra envolvência, mas também perdido alguma precisão.

Tal como os monocasta dos posts anteriores, veio vedado com um toco Nomacorc, de polietileno "verde", feito a partir de etanol de cana-de-açúcar, e que é ligeiramente poroso, para permitir que vão entrando quantidades residuais de oxigénio na garrafa, antes de ser aberta, como acontece com as rolhas naturais.

E se, pessoalmente, prefiro sempre mexer em cortiça, é inegável que encontrei estes vinhos bem viçosos. Agora que já é "normal" que grandes tintos de guarda venham vedados com tampa de rosca, eis o upscaling de ainda outra alternativa ao natural?

5€.

16