quinta-feira, 31 de março de 2016







A barragem de Santa Maria de Aguiar, em Almofala, é pequena, mas gosto, gostamos dela, sobretudo nos meses frios, quando é menos concorrida, apesar do lixo que alguns deixam para trás.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Cono Sur — Bicicleta, Pinot Noir '2014

Chileno, do Valle Central, mais em concreto do Fundo Santa Elisa, propriedade com 300ha de vinha, situada nas cercanias de Chimbarongo, este monocasta Pinot Noir estagiou durante oito meses, metade em barricas, metade em tanques de inox, antes de ser engarrafado, em Dezembro de 2014.

No nariz, de intensidade decente, notas de cereja amarga, típicas da casta, e de morango, maduro mas não abertamente doce, alternam com cabedal, ligeiro fumado e uma notória componente "verde", a fazer lembrar aipo ou rama de tomateiro. Em suma, muita limpeza e alguma complexidade.

De paladar macio e bem seco, revela boa sapidez, apesar da impressão de ligeira magreza que persiste do ataque à boca. Ademais, tem a untuosidade agradável do Pinot de clima temperado e frescura quanto baste. Jovem e prazeroso, pareceu-me impossível não gostar dele: se fosse mais amplo e persistente, mesmo na sua relativa simplicidade, seria um grande vinho!

Já sabia que vinhos macios e amanteigados ligam bem com peixes gordos, mas foi com alguma desconfiança que encarei esta teoria de que o umami do peixe cru pode existir em simbiose com os taninos do tinto, quando a quantidade em que estes se encontram presentes é moderada.

Assim, para além dos yakitori de franguinho da Kyoto House, que são deliciosos, limonados, acompanhou a presente várias peças de nigiri e sashimi de atum, salmão e robalo, bem como futomaki variados, alguns deles com abacate. Contive-me no uso do picante, mas, como habitualmente, fui generoso com o molho de soja e não me pareceu que constituísse objecção.

Para terminar, a nota de que estes vinhos "Bicicleta", gama de entrada do produtor, foram eleitos bebida oficial do Tour de France '2016, e alguns franceses não gostaram, de tal forma que há quem já tenha ameaçado estorvar a prova, caso a organização não repense a escolha. Aos interessados em bardamerdismo, este enlace, por exemplo, poderá servir como ponto de partida para umas explorações entretidas na web, com a convicção de que o melhor estará para vir.

A aproximadamente 5€ por 75cl, apresenta uma relação custo-benefício imbatível.

16

sexta-feira, 25 de março de 2016

terça-feira, 22 de março de 2016

Sino da Romaneira '2011

É o vinho de entrada da Quinta da Romaneira, de Cotas, Alijó.

Lote composto por 40% de Touriga Franca, 30% de Tinta Roriz, 20% de Tinto Cão e 10% de Touriga Nacional, fruta proveniente de cepas implantadas em chão de xisto, aqui, foi vinificado em cubas, a 25/28 graus centígrados, e engarrafado, em Junho de 2013, após 14 meses de afinação em barricas de carvalho francês.

A caminho dos cinco anos, está equilibrado, macio e fácil de beber. De porte mediano e recorte delicado, apresenta, sem surpresa, alguma complexidade, com a barrica bem fundida no cerne de fruta negra, madura, que é e será, enquanto viver, a sua marca dominante.

Mas tem mais que isso: florais e especiados, de carácter razoavelmente quente e adocicado, a par de um toque de fruto seco, provável resultado do tempo em garrafa, que aparenta estar agora a despontar.

Não evidencia cansaço, mas ao estilo "simples e puro" em que foi feito cai bem aquele viço que apenas a juventude garante. Assim, apesar de estar bem bom, deixou a suspeita de que deverá ter sido melhor em novo.

Revendo as minhas impressões a respeito do seu predecessor da colheita de 2010, bebido mais cedo e que levou menos Touriga Franca e mais Touriga Nacional (25% de cada, em 2010, face aos 40%-10% do presente), sou levado a crer que o perfil se manteve. Noto ainda que os frutos secos — "nozes" — também estavam lá.

Para terminar, terá ficado mais barato: esta garrafa de 75cl custou um pouco menos que a outra, de apenas meio litro.

9€.

16

sábado, 19 de março de 2016







quinta-feira, 17 de março de 2016

Borges — Dão Reserva '2009 (Branco)

Hoje começo pelo fim: que grande branco! Volumoso mas acima de tudo muito fresco, independentemente do tempo no copo, da temperatura, da exposição ao ar depois de servido, apesar dos 14,5% (!) de teor alcoólico que apresenta.

Encontrei-lhe limão, pêssego, maracujá e certo tipo de perfume abaunilhado, de barrica, que tenho encontrado em alguns bons brancos "com madeira" do Dão — este, em particular, veio à memória.

Na boca, é veludo. Denso, mas sem pesar, sem amargar, sempre conduzido por uma acidez super firme, mas que, ao beber, nem sequer parece objectivamente grande. Ilustra perfeitamente a ideia de que porte não tem de ser sinónimo de peso. Longo e elegante, está uma delícia.

Reflecte a idade que tem em maturidade: integração sem decadência. Muito me supreenderia se não tivesse, ainda, muito tempo para viver e mudar!

Ofereci-lhe o nian gao do Wok King, com dobro de porco, e foram amigos.

Da colheita de 2009 deste lote de Encruzado e Malvasia Fina, elaborado com uvas da Quinta de São Simão, da Aguieira, concelho de Nelas, encheram-se 7882 garrafas, não numeradas. O produtor tem presença na internet.

10€

17,5

segunda-feira, 14 de março de 2016

Filmes (68)





De Robert Altman. Dizem que o filme começou num sonho e sem dúvida que flui como um sonho, mas não aparenta ser só isso.




Uma das três gajas em redor das quais revolve a história gosta de cozinhar junk food e deixa sempre o vestido trilhado na porta do carro.


Entre outros adereços, há um billy de aspecto palerma que, a dada altura, parece ser uma espécie de pai de todos, mas afinal não é.




O filme esteve montes de tempo indisponível para uso doméstico e, mesmo agora, qualquer minutito de upload a partir de um rip do original fica automaticamente "blocked worldwide", se sediado, sem maroscas, no Youtube, esse oásis onde o mais ígnaro lúmpen (com acento, caralho) vale o ar que respira, só por estar. Obrigado, Fox! :)

sexta-feira, 11 de março de 2016

Comte de Brismand — Brut Réserve

Servido frio, em flute, não coupe. Esses ficam para os daiquiris, lol. Cor citrina. Maçã verde e leveduras, iogurte, massas de pastelaria. Mousse algo fugaz, bolha bonita e bem fina.

Fresco, leve e muito vivo na boca, apesar de relativamente pouco persistente, com camadas de sugestões abolachadas, acrescenta ao bouquet leve menta, em folha, limão doce e uma réstia de abacaxi. Sequinho, mas não austero. Suave.

Lote composto por 60% de Pinot Noir, 30% de  Pinot Meunier e 10% Chardonnay, sem ano de colheita (há que ter presente que a mescla final pode incluir dezenas de vinhos de base diferentes), foi produzido pela H.D.C., de Tours-sur-Marne, Reims, empresa do conceituado Grupo VRANKEN.

Apesar da pouca informação disponível sobre como foi feito, considere-se que para cumprir as normas da denominação de origem, este vinho teve de passar, pelo menos, quinze meses em garrafa, doze dos quais em contacto com as películas, antes de lançado no mercado.

Bah, o primeiro champanhe do blog, um comprado no LIDL! Aqui talvez pudesse argumentar que ah e tal, o puto a acompanhar a realidade do país. Mas não, foi mesmo acaso.

E se é perfeitamente possível, e até provável, que existam espumantes nacionais melhores que este, sobretudo no segmento de mercado em que se insere, não creio que se possa negar tratar-se de um vinho correcto e divertido. . .

. . . em todo o caso, um Champagne legítimo, seguramente não inferior às garrafas de Moët "normal" que, volta meia volta, consumia na minha outra vida, pelo menos como me lembro delas.

Não valerá a pena deixá-lo envelhecer em garrafa; acompanhou com sucesso um jantar de massa udon, gambas e vegetais salteados.

15€.

16

terça-feira, 8 de março de 2016



domingo, 6 de março de 2016

Quinta da Mimosa '2011

O Puto tem andado pouco activo, talvez por o dono se encontrar em paz. Curioso: no final dos últimos tempos de haxixe, pensava que tudo isto ia recomeçar a mexer consideravelmente, o fim da modorra a traduzir-se num enorme dinamismo antecipado.

Mas agora, uns dias depois de ter resolvido dar descanso aos fumos, começo a recordar que, antes desta última grande temporada de droga, outra maior passou sem ela. E se nessa altura considerei que não podia haver mal em recomeçar a charrar-me como um deus dourado, por algum motivo terá sido.

Adiante, ao vinho!

Este, produzido pela Casa Ermelinda Freitas, proveniente de vinhas com aproximadamente 50 anos de idade, localizadas nos terrenos arenosos de Fernando Pó, fermentou em cubas-lagar de inox, com maceração pelicular prolongada, e estagiou durante um ano em meias pipas de carvalho francês.

É maduro, cálido e meloso, muito Castelão, muito do sul, muito das areias de Palmela. Traz a fruta típica da casta, especiada, com um dedo de madeira e cacau também.

Estruturado e longo, enche a boca — enfim, mais um muito bom tinto da colheita de 2011, que acompanhou em grande o estufado de carne que se usou na noite em que o abatemos, com o I e a AC.

Apesar de não ser um estranho cá por casa, o último exemplar da marca de que aqui deixei registo foi da já longínqua colheita de 2006. Se a memória não me atraiçoa, tem vindo a manter o perfil. Mas deste, gostei um pouco mais.

7€.

16,5

quinta-feira, 3 de março de 2016