domingo, 29 de maio de 2016

Quinta do Vallado — Adelaide, Vintage '2009

Sem chegar aos píncaros de 2007 ou 2011, o ano de 2009 foi muito bom no Douro, sobretudo para Porto, apesar de alguma atipicidade, em virtude de um fim de Verão excepcionalmente quente e seco, que levou a maioria dos produtores a antecipar as vindimas, face às possibilidades de desidratação das uvas. Muitas casas declararam Vintage.

Fizeram este vinho com 40% de Touriga Nacional da Quinta do Vallado e 60% de outras castas, misturadas em vinhas velhas, implantadas no Vale do Rio Torto, numa propriedade exterior à quinta, mas controlada por esta. Após 4 dias de fermentação em lagar, com pisa a pé periódica, a que se seguiram 20 meses de estágio em cubas de aço inoxidável, resultaram 9000 garrafas de 75cl, enchidas em Agosto de 2011.

Bebido a 10/12ºC, quase meia garrafa de uma só vez, a acompanhar uma tablete Lindt e a retransmissão da 2a jornada do Shamkir Chess, tarde adentro, constituiu uma espécie de pequena comemoração particular do meu primeiro período de férias digno desse nome, este ano.

Encontrei-o retinto, quase negro, e desde cedo o notei vivaz, com toque cítrico, talvez bergamota. Mas foi a fruta que se destacou, negra, riquíssima, permeada de flores e a declinar em tons balsâmicos e de compota. Depois, cacau e alcaçuz. Extremamente redondo e bem dimensionado, mostrou maior concentração que corpo e a persistência que se espera de qualquer bom Vintage. Viçoso, francamente sedutor, aparenta ainda não estar a entrar na fase em que é expectável fechar-se.

Se tivesse de lhe apontar algo, seria apenas relativa falta de profundidade, que o aproximará mais de um Single Quinta que de um Vintage clássico... Mas, por ser tão bonito, perdoo-lhe.

Poderia haver bebida mais adequada para depois de um post com uma música dos MBV?

40€.

17

quinta-feira, 26 de maio de 2016

My Bloody Valentine — Loveless

Gravado entre 1989 e 1991, foi o segundo álbum dos My Bloody Valentine, e também o último, por muito tempo.

Para não estar a replicar informação sobejamente conhecida, fica a indicação aos possíveis novos fãs da banda (lol) de que a entrada dedicada ao álbum na Wikipédia é bastante completa, valendo também a pena ler esta entrevista de Kevin Shields a Paul Lester, do The Guardian, em Março de 2004.



Tiptoe down to the holy places
Where you going now, don't turn around
Little girls in their party dresses
Didn't like anything there

Pretty boys with their sunshine faces
Carrying their head down
Tiptoe down to the lonely places
Where you going now, don't turn around.


#2 — Loomer

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2014 (Branco)


No nariz, uma mescla agradável de aromas cítricos e florais, frutos brancos e leves abaunilhados e fumados, que se tropicaliza um pouco com o subir da temperatura. Atractivo, apesar de alguma indefinição.

Na boca, porte e persistência medianos, com untuosidade característica a vincar-lhe o relativo peso. Redondinho, completamente não doce e bastante fresco, faz lembrar Chardonnay com toque de barrica, e não dos mais vulgares.

Impressiona quão bem acompanha courgette grelhada, queijo brie e pipocas com ou sem manteiga. O produtor adivinha-lhe cinco anos de potencial de guarda e sinto-me inclinado a concordar.

É já um pequeno clássico, de perfil bem definido e qualidade consistente de ano para ano — um vinho versátil que também é barato e se encontra amplamente disponível.

E assim, por estar sempre no papo e saber sempre bem, o último espécime desta linhagem ao qual aqui cedi algum espaço foi este 2011, abatido em Novembro do ano seguinte, não obstante os tenha vindo a acompanhar, sem saltar qualquer das colheitas mais recentes, com várias garrafas por ano, todos os anos. Fosse ele mais caro e/ou raro, teria, sem dúvida, outra atenção. E não é caso único.

Lote de Arinto, Verdelho, Chardonnay e Antão Vaz, fermentou e estagiou, durante 3 meses, em carvalho americano e francês.

3€.

16

sexta-feira, 20 de maio de 2016





terça-feira, 17 de maio de 2016

Adega de Pegões — Colheita Seleccionada '2011

Ano após ano, estes vinhos da Cooperativa de Sto. Isidro de Pegões têm vindo a apresentar grande consistência, tanto de perfil como de qualidade. E apesar de o branco ser mais falado que o tinto, este não lhe fica atrás.

À semelhança dos seus antecessores, consiste num lote de Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Syrah, de cepas implantadas em solos arenosos. Estagiou durante um ano em meias-pipas de carvalho americano e francês.

De persistência e volume medianos, tem intensidade q.b. e alguma complexidade aromática, com tons florais, vegetais "verdes" e de barrica a temperar a fruta silvestre, parcialmente transformada, como se misturada na cobertura de um cheesecake, que predomina. Não obstante o equilíbrio que o pauta, é um vinho guloso, com mais e mais achocolatados à medida que vai abrindo.

Na boca, confirma o perfil consensual, fácil, com redondez. Mas não é flácido e ainda possui frescor suficiente para se manter interessante à mesa com ampla variedade de possíveis acompanhamentos.

Apesar de ser um vinho que tem vindo a marcar presença cá em casa, com relativa assiduidade, o último exemplar sobre o qual aqui deixei umas impressões foi da (também excelente) colheita de 2007, consumido em fevereiro de 2011.

5€.

16,5

sábado, 14 de maio de 2016

Húmus

Húmus é o termo português para uma pasta de grão-de-bico condimentada, característica da cozinha do Médio Oriente.

Corta-se meio pimento vermelho, 3 cenouras (cerca de 250g) e uma beterraba crua, de dimensões regulares, temperam-se com sal, um pouco de azeite e levam-se ao forno pré-aquecido, num tabuleiro, em montinhos separados, para não se misturarem, durante aproximadamente meia hora.

Enquanto os vegetais assam, prepara-se o húmus propriamente dito:

Num processador de comida, ou em recipiente onde caiba tudo e se possa utilizar a varinha mágica, juntam-se 750g de grão-de-bico cozido, bem lavado e escorrido, 6 dentes de alho, descascados, o sumo de 3 limões de tamanho médio (150ml aproximadamente), 130ml de água, 6 colheres, das de sopa, de tahini escuro (a S usou deste, que considera muito bom), 3 colheres, de chá, de sal e uma pitada de pimenta preta, e tritura-se até se obter uma massa cremosa.

Desse húmus, um quarto pode servir-se como acabado de preparar ou com uma pitada de paprika e um chapisco extra de azeite por cima (ou com uns coentros moídos, como o da foto, que, no entanto, não convenceu), outro quarto tritura-se mais um pouco, junto com as cenouras assadas e meia colher, de chá, de cominhos, outro, tritura-se também mais um pouco, com o pimento e um bocadinho de azeite, e o restante, de igual forma, com a beterraba assada e outro bocadinho (uma colher, de sopa) de azeite.

Comi-os com pão, queijo manchego e azeitonas, em jeito de lanche; a S costuma incluí-los na cobertura de umas pizas vegetarianas, sem queijo. Talvez um dia.

Descobri um blog dedicado ao tema que é porreiro.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Valle Pradinhos '2009

Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Tinta Amarela. Em traços gerais, o produtor de Vale de Pradinhos, Macedo de Cavaleiros, que tem presença na internet, refere ter sido feito com desengace total das uvas, fermentação a temperatura controlada e maceração pós-fermentativa, a que se seguiram 22 meses de estágio, em barricas usadas.

Cor rubi, escura, mas longe de opaca. A primeira impressão, ainda sem comida, foi de que cheirava a vinho.

Depois, a acompanhar um lombinho de porco que estava divinal, servido com cogumelos shiitake mega frescos, trouxe consigo uma profusão de frutos do bosque, vermelhos e pretos, todos eles escuros, bem maduros, junto com muitas especiarias, apimentados muito interessantes, realçados por um toque de vegetal seco, a fazer lembrar algo entre folha de chá e rama de tomateiro.

De peso apenas mediano mas concentração mais que satisfatória, escorrega maravilhosamente, penso que em grande parte graças à abordagem algo singular: ataque macio, quase delicado, seguido de um crescendo, elevado por excelente acidez, que culmina num fim de boca francamente bom, muito vivo, sempre sem se descompor — o jeito sóbrio vinca-lhe a aptidão gastronómica.

Em suma, sobejamente interessante, apesar de talvez um furo abaixo do de 2007.

8€.

16,5

domingo, 8 de maio de 2016



quinta-feira, 5 de maio de 2016

Adega Cooperativa de Borba — Garrafeira '2003

Abati recentemente uma garrafa deste vinho da Adega de Borba. Alentejano de ano muito quente, feito em estilo maduro, pareceu-me melhor e mais vivo que este seu predecessor da colheita de 2001, que aberto em Abril de 2010, já sugeria ligeiro declínio.

Aconchegante sem ser pesado, mostrou boa estrutura e acidez, a trazer consigo todo o sol que a ideia da região sugere e ainda a agradecer tempo para se libertar, dado que após hora e meia de arejamento num decantador, ficou muito mais limpo e definido que logo depois de servido directamente da garrafa.

Assim que se libertou dos cheiros de vinho com idade que inicialmente o marcavam, revelou um leque interessante de aromas expressivos e bons, com excelente concentração de frutos pretos, maduros, em primeiro plano, e depois café, folha de tabaco, pele e tostados aromáticos de madeira, tudo bem ligado.

Se juntarmos a isto o seu sabor macio e surpreendentemente fresco, de persistência bem razoável, será fácil concluir que se trata de um muito bom tinto e avançar que tem tudo para durar mais alguns anos, não obstante me seja difícil apontar, neste caso, para um número em concreto.

Foi produzido a partir das castas Aragonês, Trincadeira e Alicante Bouschet, de vinhas velhas, tendo estagiado durante 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. O contra-rótulo refere um estágio final em cave, de 60 meses em garrafa, antes de lançado no mercado. Preciso de mais vinhos destes, feitos com calma.

13€.

17

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Filmes (70)




Um filme rico. Aqui, o nosso herói é Ben, um belga que não gosta de carteiros.