domingo, 31 de julho de 2016

Barão de Figueira '2014 (Branco)

100% Síria de Figueira de Castelo Rodrigo, produzido pela Quinta do Cardo.

Do contra-rótulo: "Reza a lenda que numa das vinhas mais altas de Portugal (...) o Barão de Figueira, tendo ficado preso pelo estribo do seu cavalo, enquanto passeava, fez a promessa de construir uma capela no local onde o cavalo parasse. E assim aconteceu..."

Pesquisando, não consegui confirmar ou desmentir a história.

Ademais, o produtor adianta que em 2014, o Inverno da região foi longo e rigoroso, a Primavera quase inexistente e o Verão, quente e seco, como é habitual. Isto levou a uma vindima precoce, logo no princípio de Setembro.

As uvas foram prensadas inteiras, com engaço, e após a fermentação, que durou 4 semanas, o vinho daí resultante estagiou sobre as borras, com bâtonnage semanal, até ao engarrafamento.

Ora, comparando as notas do produtor na ficha técnica deste vinho com as que constam na do Quinta do Cardo Síria do mesmo ano, aqui, não detectei diferenças. Estarão elas escondidas nas generalidades referidas, terão sido vinhos produzidos da mesma forma, mas a partir de uvas de talhões diferentes, ou outra coisa qualquer?

Adiante. O vinho, servido directamente da garrafa, após um par de horas na porta do frigorífico, trouxe consigo generosa porção de frescura citrina e verde, junto com muitas flores silvestres, rasteiras, a maioria brancas, mas algumas amarelas também.

Curto, mas dotado de razoável presença, a par de algum peso, alguma cremosidade.

Com quase dois anos, está bom, bonzinho, a saber pela vida quando o calor aperta. Mas muito apagado quando comparado com o do próximo post, abatido na mesma tarde.

3€.

15

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Filmes (72)

Przesluchanie (Interrogation)



Tonia é uma artista de cabaret na Polónia estalinista dos anos 50. É presa após uma noite de pândega, sem que ninguém lhe diga porquê. E começa a odisseia . . . Se o filme do último post que aqui dediquei ao tema é uma exploração mais teórica, este já poderá constituir um retrato de algo que efectivamente tenha acontecido . . . muitas vezes. Tanto se lutou para que assim deixasse de ser, mas é para lá que caminhamos outra vez. Mudarão as cores, se tivermos sorte.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Joaquín Rebolledo — Godello '2015

Joaquín Rebolledo elabora o seu monocasta Godello, provavelmente o mesmo que a portuguesa Gouveio, a partir dos frutos desengaçados de vinhas com mais de 30 anos, implantadas em ladeiras de solos xistosos e argilosos, orientadas a Sul, nas imediações do município de A Rúa, na margem direita do Sil, aquele que em tempos foi o "rio da areia dourada" e hoje em dia é dos mais maltratados da Península: veja-se isto, por exemplo.

O vinho, fermentado a 16ºC, em depósitos de inox, foi engarrafado após breve estágio em contacto com as películas, sem passagem por barrica.

Servido directamente da garrafa, a primeira impressão que transmitiu manteve-se até à última gota: clarinho e suave, arredondado, sem qualquer sinal de agulha ou aresta, mostrou-se regular q.b. num registo sobretudo floral e limonado, agradável mas nem por isso expressivo.

Melhor quando frio, não aguentou o aumento de temperatura que veio com a permanência no copo — acachapou-se. . . Acompanhou sashimi e suhi ligeiro, todo ele cru.

Para beber jovem, por via das dúvidas.

Definida em 1945, a D.O. Valdeorras está situada a noroeste da província de Ourense. Os seus vinhedos encontram-se a uma altitude média de 500m sobre o nível do mar e o clima é continental, com influências atlânticas.

7€.

15

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Eu vs Comp. (12)

terça-feira, 19 de julho de 2016

Château Robert '2011

Propriedade de Dominique Leymarie, as terras de onde provêm as uvas deste Château Robert estão localizadas nos arredores da cidade de Libourne, dois quilómetros a oeste do campanário da comuna de Pomerol — estou a citar o produtor — sendo a loja/sede aqui.

São aproximadamente 7 hectares de vinha, com uma média de idades que ronda os 35 anos, implantada em solo arenoso e cascalhento, com presença de ferro.

Lote composto por 85% de Merlot e 15% de Cabernet Franc, o vinho estagiou durante 18 meses nas cubas onde fermentou com maceração prolongada, antes de engarrafado. Ficou com 13% de volume.

Servido directamente da garrafa, trouxe consigo boa quantidade de fruta vermelha, cerejas e framboesas cozidas, com toque lácteo, e tantas especiarias, sobretudo depois de levado à boca, que, por momentos, pensei que tivesse passado por madeira.

Todo ele, aliás, denotou sempre certa profundidade, a fazer lembrar, por um lado, talvez o da terra, ferro, sangue, almíscar e cogumelos; por outro, algum "funk" e qualquer coisa verde também, aquilo que me pareceram urtigas, provável contribuição do Merlot apanhado em verde.

Posto isto, e mau grado todo o mal que vi dizerem dele por aí, vejo-me levado a conceder que se trata de um tinto bem interessante, ainda que a anos-luz dos grandes da região que, como é amplamente sabido, são de outro mundo, sobretudo no que concerne ao preço.

Ademais, não custa a agradar e é versátil à mesa, tendo acompanhado, no caso concreto do jantar em que o abati, uma daquelas coisas esquisitas que fazemos quando tempos tempo:

Salada quente com vários legumes mandolinados e cogumelos, batatas assadas com casca, fortes no "pinchos mix" e frango salteado com cerveja e mostarda, com ampla variedade de molhos, daqueles baseados em maionese, a acompanhar.

No fim de tudo, confirmou-se com um queijo de mistura, da Soalheira. E suspeito que com um bife ainda tivesse ido melhor...

15€.

16,5

sábado, 16 de julho de 2016





quarta-feira, 13 de julho de 2016

Lagunilla — Reserva '2009

Movido pela boa impressão deixada por este seu "Crianza" da colheita de 2011, resolvi experimentar um "Reserva" do produtor de Cenicero.

80% Tempranillo e 20% Garnacha, este vinho fermentou "a temperatura não superior a 28°C" e estagiou durante 24 meses em barricas de carvalho americano, mais 12 em garrafa, antes de lançado no mercado.

Provado, mostrou mais perfil de Rioja tradicional que o seu irmão mais novo, com bastante frescor e muitas especiarias, pinho e resina — barrica bem presente, mas também bem integrada, sem comprometer o protagonismo da fruta, vermelha, cerejas e bagas, que constitui, sem dúvida, o motor do conjunto.

Aqui, um parêntesis: quando digo Rioja clássico, tradicional, refiro-me a vinhos propositadamente dotados de grande acidez quando jovens, tendo em vista um longo estágio em madeira. Por norma compridos e perfumados, não ostentam grande cor ou corpo (tudo é relativo) e são essencialmente terciários.

Quando digo Rioja moderno, refiro-me a vinhos extraídos, escuros e corpulentos, focados na fruta, não obstante a possibilidade de poderem surgir com a barrica em primeiro plano — coisas da "Parkerização" do estilo, que foi e ainda vai longe em Espanha. Costumam ser mais macios e envolventes, mas também menos frescos e longevos que os primeiros.

E depois há os híbridos, vinhos de recorte clássico e acabamento moderno, ou vice-versa, que também podem ser bem interessantes. Este, sem caparro para se poder considerar um clássico na verdadeira acepção da palavra, será um desses híbridos, de alma mais tradicional, mas com uma alegria na fruta que nos remete para a nova onda.

Para terminar, cumpre deixar registado, porque importa, que o ataque é firme, convincente, o meio, um pouco aguado, e o final, razoável: por assim dizer, "médio mais", com sugestões de café. E que embora não exija comida, me pareceu mais apetitoso na companhia de um bife que a solo.

8€.

16

domingo, 10 de julho de 2016

Reguengos — Reserva '2013

Tinto de dimensões medianas, com mais força que longueur e longueur que corpo.

O sabor é seco e firme, com bastante acidez e muitos taninos, muito levemente amargo.

Generoso na fruta, com recordações de terra seca sobre discreto fundo tostado, pareceu-me ligeiramente vinoso numa primeira abordagem.

No entanto, melhor observado, o que nele parecia vinoso começou a mostrar-se mais e mais madurez, casca de laranja cristalizada, especiarias "quentes", gengibre em açúcar.

Não obstante, algo bidimensional, e se assim não fosse, estaríamos perante um caso sério. . .

Produzido pela Coop. Agrícola de Reguengos de Monsaraz, consiste num lote composto por 50% de Alicante Bouschet, 30% de Aragonês e 20% de Trincadeira.

A ficha técnica que o produtor disponibiliza no seu sítio da internet diz que fermentou por acção de leveduras seleccionadas, com curtimenta.

Parte do volume final estagiou em depósitos, tendo o demais passado um ano em barricas de carvalho português e francês.

Há muito que aqui não passava um vinho destes: o último foi da colheita de 2009, bebido em 2012, e tanto quanto me lembro, não se parecia nada com este.

Aliás, dos últimos que bebi, fiquei com a ideia que a CARMIM não persegue um perfil definido "pelo mercado", mau grado o que a terra der.

E se realmente assim for, mais interessante será.

4€.

15,5

quinta-feira, 7 de julho de 2016





segunda-feira, 4 de julho de 2016

Altano — Quinta do Ataíde '2012 (Biológico)

Este veio da Quinta do Ataíde, propriedade da Symington localizada no Vale da Vilariça, perto de Torre de Moncorvo — em concreto, aqui: lugar de terreno plano e solo profundo, xistoso, com alguma argila, situado uns 150m acima do nível do mar, extremamente quente no Verão.

Engarrafado em Fevereiro de 2013, após estágio em barricas e inox, é um lote de Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Barroca, que teve origem em uvas de produção biológica, provenientes de vinhas com média de idades de 30 anos

Muito frutado e marcado pelas notas florais (e químicas) da Touriga Franca, trouxe-me à memória alguns dos primeiros "Altano" que bebi, como este, por exemplo, mas mais carregado, mais escuro e mais tostado também, sem dúvida em virtude da passagem mais prolongada por madeira  — a sua ficha técnica refere dez meses.

O paladar, macio e maduro, continua e amplia as impressões transmitidas ao nariz. A acidez é suficiente, os taninos estão bem trabalhados e o final, com toque achocolatado, muito agradável.

O produtor avança-lhe um potencial de envelhecimento de dez anos e, até ver, o vinho nada mostra que o desdiga. Mas, estando agora assim, valerá a pena esperar?

Com o chouriço artesanal que a D costuma comprar a uns amigos do interior profundo, esteve bem; com uma piza de queijos fortes, ode ao exagero de que me quero arrepender, quase divino.

7€.

16,5

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Quinta do Sobral — Touriga Nacional '2011

Mais um cromo para a colecção!

Este, produzido pela Quinta do Sobral, de Santar.

Intenso e vivaz, cheio de violetas e frutos silvestres, mega maduros, com corpo e álcool que condizem entre si, é um tinto grande e preto, com 15% de álcool, indubitavelmente focado na extracção — e assim, mesmo agora, com cinco anos, ainda pouco falador.

Mas a acidez que possui, chega, e não é cedo que fica mole, pesado ou chato.

Interessante a expressão da bergamota, carregada, a fazer lembrar chá Earl Grey, a par dos tostados e fumados que lhe denunciam basta permanência em barrica.

Está, no imediato, demasiado pesado para que o consiga sentir tão envolvente ou complexo como aparenta poder vir a ser.

Mas é, também, um vinho que me faz querer acreditar. É que a Touriga Nacional, às vezes, com o tempo, fica mesmo bonita!

E trouxe-me à memória um dizer do inigualável Homer Simpson:

To alcohol! The cause of . . . and solution to . . . all of life's problems!

Acompanhou bife na pedra com batatas fritas e montes de molho de alho.

9€.

16,5