quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Filmes (74)

Teorema





O visitante aparece na vida de uma típica família burguesa italiana.




Todos o desejam e a todos ele dá algo de si, sem pedir nada em troca.




Um dia, no entanto, parte tão misteriosamente como chegara.




Na sua ausência, as distracções do quotidiano deixam de funcionar e cada um daqueles que deixou se vê forçado a procurar-se.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Tazem '2012

Simples mas cheio de raça, este tinto da Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazém mostrou-se outra grata surpresa.

Feito com Jaen, Touriga nacional e Tinta Roriz, sem estágio em barrica, está um vinho basicamente frutado, mas de bom porte, rico em sugestões de ginja, groselha e outros frutos vermelhos, entremeados por ligeiro balsâmico.

O sabor, nem grosso nem muito persistente, é no entanto fresco e equilibrado, quase suculento.

Empurrou um franguinho da Churrasqueira do Cansado, junto com os acompanhamentos da praxe, e o conjunto não me podia ter sabido melhor.

Consultando os arquivos do blog, constato que, até à data, o único vinho deste produtor a aparecer aqui foi um Alfrocheiro de 2002, consumido em Novembro de 2008.

E puxando pela memória, não me recordo, de facto, de lhes ter experimentado algum outro, lacuna que será necessário colmatar, dado que se trata de uma casa com alguma história (existe desde 1954) e ambos os dois vinhos que agora lhe conheço, separados dez anos e mais de dez euros entre si, me conseguiram suscitar interesse.

Para terminar, a nota de que era fixe se a adega decidisse investir no sítio que possui na internet. Valorizar a sua imagem, não literalmente, com mariquices visuais, mas com mais informação sobre o que produz.

3€.

15,5

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Titular '2013

Diz a S que o blog anda mal. Sem sumo. Que lhe parece que defini um modelo-tipo de post ao qual moldo praticamente todo o conteúdo. E tem razão. Mais: de momento, não me limito a não sentir vontade de vir aqui dizer coisas ao mundo, é algo mais entranhado.

Há dias, limpámos umas prateleiras. Deitei fora, então, dois cadernos "antigos", com algumas das primeiras impressões aqui publicadas. E que coisa impressionante, a facilidade com que enchia uma página A4 de anotações, mesmo quando o mote eram vinhos correntes, vinhos de merda, alguns deles, a atenção, o empenho com que lhes procurava ... o quê?

É pois, este, mais um post sumário. Cumpre apontar que regressei, recentemente, ao Dão simples; pelo que tenho experimentado, estou convencido que, no presente, é de lá que vêm as melhores propostas de entrada de gama, em Portugal.

Engarrafado em Junho de 2014, este vinho partiu das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen. Não passou por madeira. O produtor é a Caminhos Cruzados, de Vilar Seco, Nelas. Deles, já tinha gostado deste e deste, também tintos.

Servido directo da garrafa, logo mostrou grande vivacidade e sumarência — densidade frutal, em portunhol — com ginja e seu licor em destaque, mas também cereja, alguma vinosidade e ligeiro funk. Uma paleta tão simples quanto composta e, por isso, sobejamente satisfatória.

O sabor, fresco e fácil, confirmou as sugestões olfactivas com precisão considerável, mau grado o pontual tanino rebelde que se ia deixando perceber no fim de boca.

4€.

16

terça-feira, 20 de setembro de 2016






O grilo do post de 8/9 foi extremamente cooperante, pelo que merece uma atenção especial.

sábado, 17 de setembro de 2016

SOVIBOR — Garrafeira '2002

Cor granada, de saturação média a alta — bonita.

Limpo, mesmo logo depois de servido, está um tinto de volume e amplitude medianos, com fruta bastante transformada e muitos aromas de evolução: mais perceptíveis, frutos secos, ligeiro ranço e folha de tabaco.

Em todo o caso, ainda bem vivo, aliás, mais virado para a firmeza que para a complexidade, a acidez um pouco desenquadrada, como se não existisse substância — meio — suficiente para a acompanhar.

Surpreendeu, no entanto, a meia garrafa deixada para o dia seguinte. Após quase vinte e quatro horas na porta do frigorífico, vedado apenas com a sua própria rolha, pareceu-me mais saudável, de proporções mais equilibradas. Francamente bom!

Foi feito com Trincadeira e Alicante Bouschet, o mosto fermentado em contacto com as películas, a que se seguiu meio ano em barrica, antes do engarrafamento.

Abri a garrafa nº 11736 de 20000 produzidas.

Acompanhou feijoada.

9€.

16,5

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Pere Ubu — New Picnic Time

This doesn't seem to be a very happy person
This says, pain
Cigarette smoke
This says, pain

This doesn't seem to be a very happy person
This says, pain
This says
Shuffle



Stop striving
Stop,
Stop striving
Useless
Give up
Come home
This says, goodbye

Up
Throw it all up in the air
Crash
Psshhh
Bang-bang
Bang!


#8 — Goodbye

domingo, 11 de setembro de 2016

Kopke — Reserva '2011 (Branco)

Ainda melhor que o Quinta de la Rosa do post de 5/9, com o qual possui inevitáveis semelhanças, foi este Kopke "Reserva", bebido no mesmo dia.

Arrefecido na porta do frigorífico, verti-o num decantador imediatamente antes de servir.

Directo ao assunto, que grande presença! A pureza, a força, a persistência!

Com quase cinco anos de idade e 14% de volume alcoólico, surpreendeu de tão fresco, a madeira perfeitamente integrada.

Limpos e muito bonitos, aromas de menta e erva-cidreira a envolver a fruta, que me recordou banana e pêssego. Mais doces, florais e abaunilhados em fundo.

Grandes são as alegrias que estes brancos "Reserva" proporcionam quando vivem o suficiente para integrar a madeira onde se fizeram, sem amochar!

Fermentado e estagiado em carvalho francês, teve origem nas castas Viosinho, Arinto e Folgazão — que também já vi escrito Folgasão, regionalismos durienses para o Terrantez.

Acompanhou um frango de churrasco extraordinário.

12€.

17,5

quinta-feira, 8 de setembro de 2016








Faz hoje três meses.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Quinta de la Rosa — Reserva '2012 (Branco)

Os brancos do produtor da vila de Pinhão não me são estranhos, mas, de alguma forma, nunca aqui veio parar nenhum.

As uvas deste provieram de vinhas velhas, com castas misturadas: 35% de Viosinho, 35% de Rabigato e quantidade não negligenciável, mas também não especificada, de Gouveio e Códega do Larinho, entre outras.

Metade do mosto fermentou e envelheceu em barricas; o restante, em cubas de inox. Foi engarrafado em Maio de 2013.

De cor ainda citrina, encontrei-o redondo na textura e vivo de acidez, com paladar agradavelmente seco e prolongado.

Após uma primeira impressão predominantemente floral e abaunilhada, perfume de barrica, mostrou-se mais cítrico, nuclearmente cítrico, e verde, folha e casca de limão, a par de sugestões de pedra e humidade — levou-me a um lugar fresco, onde corria água.

Fez lembrar, de certa forma, um Rioja de recorte clássico.

Ora, como para mim isto é "estar no ponto", apenas poderei recomendar que se beba.

10€.

17

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Vista Alegre — Reserva '2012 (Branco)

O contra-rótulo di-lo elaborado "a partir das castas brancas tradicionais do Douro, com predominância de Viosinho, Arinto, Gouveio e Rabigato".

As uvas vieram da Quinta da Lameira, propriedade da Vallegre sita no Baixo Corgo.

Parte do lote fermentou e estagiou em barricas usadas, de carvalho francês.

Está essencialmente limonado, com toque manteigoso.

Arredondado pelo tempo, já absorveu completamente a madeira.

Um vinho gordo, intenso, opulento na boca.

Mas também, e é pena, muito mais vivo que persistente.

Beba-se quanto antes.

6€.

15,5