segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Crónica pessoal de um torneio de xadrez (1)

Ao fim de meses, algo mais sobre xadrez.
Não deixei de o jogar. Aliás, até regressei, apesar de sem brilho, à competição.
Talvez por ter demasiado tempo livre, talvez por não me preocupar com as coisas certas, resolvi fazer a minha pequena, e necessariamente modesta, crónica pessoal de um torneio de xadrez, qual imitação de Marcel Sisniega.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Marka '2009

Por enquanto, evito resumir as minhas notas a "gostei" ou "nem por isso", mesmo quando, depois de ter apreciado um qualquer vinho com vagar, e daí ter opinião formada sobre se cheira mais a ameixas ou a cerejas, se é fresco ou morno, sinto que não tenho nada mais a dizer a seu respeito.

Poderei até ter garatujado algo enquanto bebia, mas dias depois, na altura de transportar essa informação para aqui, parece tudo tão sem sentido. Desses, acabo por só referir aqueles que tiverem conseguido despertar em mim interesse suficiente para compensar o esforço exigido pelo acto de escrever uma dúzia de linhas sobre eles.

Não que a minha opinião seja importante, mas já que estou a fazer algo...

Fica então o apontamento de que este está um tinto composto, rico na fruta polpuda, de carácter maduro, com boa presença de especiarias doces, manifestamente não exclusivas da madeira, e que termina com nota de tabaco. Por enquanto, mostra maturidade sem velhice — aplicada à alma, que ideia tão profundamente cristã!

Produzido pela Durham-Agrellos, consiste num lote composto por 55% de Touriga Franca, 40% de Tinta Roriz e 5% de Touriga Nacional, parcialmente estagiado, oito meses, em barricas de carvalho francês.

7€.

16


Não relacionado com o teor do post: ocorreu-me que podia ser boa ideia adicionar um world of text aos contactos do blog. A ver.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Filmes (77)

Dos filmes que vi pela primeira vez no último mês ou mês e meio, estes três foram os que maior interesse me despertaram. Todos eles fortemente visuais, agradaram-me mais quando apreciados sob o efeito de entorpecentes.

Amer





Beyond the Black Rainbow





Tra(sgre)dire



Serei só eu a achar os mundos onde se passam os filmes de Tinto Brass das melhores aproximações possíveis à experiência humana daquilo que entendemos como o Paraíso?

sábado, 21 de janeiro de 2017

Morgado de Silgueiros '2013 (Branco)

Foi o vinho do jantar do dia em que o haxixe voltou.

Vinho e haxixe! — à excepção de alguns Porto, sobretudo aqueles tawny cujas sugestões de frutos secos realçam a terrosidade do tabaco, não tenho extraído resultados satisfatórios das minhas tentativas de os combinar.

Por esse motivo e porque o fumo embota o olfacto e o gosto, tenho preferido fumar algo antes e logo depois de comer.

Assim, meia hora antes do almoço, o haxixe, dizem eles que com 30-35% de THC, de corpo e fumo a meio caminho entre pólen e carrasco, foi consumido em gordos charros feitos com tabaco Dunhill, mortalhas Smoking e filtros de cartão.

Depois, com caldeirada, um branco da Adega de Silgueiros: Encruzado e Malvasia Fina, sem barrica, a mostrar citrinos sobre fundo melado e ligeiras notas de garrafa.

Manterá algum do frescor que lhe gabaram em jovem, mas não me pareceu de guarda.

De qualquer forma, superior ao seu congénere tinto do mesmo ano.

3€.

15

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017







domingo, 15 de janeiro de 2017

Família Horácio Simões '2015

De porte mediano e estrutura firme, com 14% de volume alcoólico e um contra-rótulo bilingue cuja parte em inglês aparenta ter sido traduzida por uma máquina, este Horácio Simões é, sem dúvida, dos Castelão "jovens" mais frescos e menos melados que alguma vez provei.

Servido directo da garrafa, deu-se de chapa, fresco de acidez e forte de álcool ao mesmo tempo. Cheio de fruta. Apesar do final apenas médio/curto, com toque achocolatado, pareceu-me um vinho básico muito bem feito.

Acompanhou um temaki de salmão e pão com vários tipos de queijo. Por vezes lancho assim.

Já bem bebido, apetece-me jogar umas rápidas. Entro no FICS e acontece fazer "finger" a mim próprio antes de procurar qualquer jogo.
Na consola, entre outras coisas, surge a informação:

Total time online: 88 days, 5 hrs, 13 mins
% of life online: 3.0 (since Thu Dec 4, 03:07 EST 2008)

Percentagem de vida online!
Se colasse o tempo que passei a jogar no FICS, desde 4/12/2008, resultaria um intervalo de quase três meses.
Três por cento do meu tempo de vida logado no FICS. Três meses, sem comer, sem dormir.

3€.

15,5

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017







segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Lacrau '2013

Este vinho grande e saboroso, mas (provavelmente ainda) nem por isso complexo, respirou perto de uma hora, em decantador, antes de trazido para a mesa.

No nariz, proeminente o toque floral e maltado que usualmente encontro nos Douro tintos de vinhas velhas.

E barrica, cordata, suave, bem encaixada, apesar dos dezasseis meses que passou em madeira.

Na boca, persistente, bastante volume e maciez cremosa: sim, equilíbrio em jovem.

Poderei ter encontrado a fruta, preta, pouco faladora, mas também densa, bem embebida no corpo do vinho — no álcool, na acidez, nos taninos longos e finos que, se para já a mascaram um pouco, também deixam adivinhar margem de evolução ao conjunto.

Foi produzido pela G&R Consultores na adega da Quinta da Faísca, sita entre Favaios e Vale de Mendiz, com Touriga Nacional proveniente do vale do rio Torto e uvas de vinhas velhas, provenientes de diversas parcelas plantadas em "field blend", localizadas no vale do Pinhão.

Acompanhou pintada no forno.

17€.

17

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Lagoas













terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Château Sansey '2014

Este tinto produzido pelos irmãos Guignard, de Mazères, consiste num lote composto por 60% de Cabernet Sauvignon, 30% de Merlot e 10% de Cabernet Franc.

Foi aberto talvez meia hora antes de servido e acompanhou febras de porco, muito finas, grelhadas em estilo simples, junto com batatas assadas.

Mostrou bastante fruta preta aromatizada com especiarias doces — bouquet típico dos vinhos da região. De meio corpo, entrou suave na boca e persistiu razoavelmente.

A princípio, pareceu-me predominar o lado especiado do lote, com toques de torrefacção e a remeter também à baunilha, sem peso ou amargor, mas a fruta recuperou terreno com o avançar das coisas.

Espinha dorsal firme e flexível, o binómio acidez/taninos não comprometeu.

Assim encontrei este Graves "de supermercado": sem brilho, mas estruturado, equilibrado — bem prazeroso.

7€.

16