domingo, 26 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Quinta dos Termos — Reserva do Patrão '2012

Foi um Fonte Cal interessantíssimo que me deu vontade de conhecer melhor os vinhos do produtor de Carvalhal Formoso, Belmonte.

Abri, então, este monocasta Syrah, cujo contra-rótulo apresenta como "o vinho que merece a preferência do patrão quando se faz a prova dos vinhos novos".

Notas vegetais envolvem um núcleo forte, de frutos negros e barrica.

Fortemente sápido, com taninos firmes da madeira onde estagiou e boa acidez.

Sério, mas não sisudo. Robusto, não agressivo. Potente, apesar de relativamente simples.

É um Syrah da Beira, mais próximo da austeridade dos da Bairrada que da gulodice dos do Alentejo.

Indubitavelmente melhor com comida a condizer — no caso, acompanhou feijoada.

E pronto a beber, mas que poderá valer a pena guardar mais uns anos.

10€.

16

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Quinta da Fonte do Ouro — Reserva '2013

Quase um mês sem aqui trazer um vinho do Dão! Poderá ser?

Este consiste num lote composto por 50% de Touriga Nacional, junto com Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen. Após a fermentação maloláctica, metade estagiou, 9 meses, em barricas novas de Allier, metade em inox. Abri a garrafa nº 11938 de 13333 produzidas.

Servido sem arejamento prévio, combina camadas de fruta vermelha, entre a cereja e a framboesa, com uma quantidade apreciável de grafite e chocolate preto que lhe "escurecem" o carácter — meio contraste original e interessante.

Cresce no copo. Persiste o carácter achocolatado, mas não como tom dominante, em parte substituído por complexidade floral. Na boca, um compromisso simpático entre porte e delicadeza. Termina razoavelmente longo.

Nesse dia, a S grelhou espargos e rodelas de courgette. Assou cenoura e couves-de-bruxelas. Arranjei fatias finas de lombo adobado de porco ibérico. Não foi preciso mais.

Localizada em Nelas, a Quinta da Fonte do Ouro abrange 3,5 hectares de vinha e pertence à Soc. Agrícola Boas Quintas, de Nuno Cancela de Abreu.

11€.

17

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

VVR





terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Château Le Puy Joubert '2011

Monocasta Merlot, a uva predominante nos tintos da "margem direita".

Especiado, fiel q.b. ao carácter da casta, está um vinho atraente, mas também intenso, a beirar o agressivo.

Fresco, de peso e persistência medianos.

Simples, mas é impossível não referir o toque extra de café com que me brindou, mais sentido na boca.

Pena que algo taninoso, um pouco rústico.

Aberto ao lanche, assoberbou o queijo e o patê.

Com feijoada, bom. Pede comida com raça.

Proveniente da AOC Côtes de Bourg, foi feito por Cédric Laquilin, de Lansac, que integra a cooperativa Les Vignerons de Tutiac.

5€.

15

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Blandy's — Sercial 5 Anos

Oito anos de blog e nem um Madeira publicado!

Mas vou bebendo algum.

O último foi este Blandy's, um vinho seco, com 19% de álcool e 50g/l de açúcar residual.

De acordo com o produtor, a fermentação do Sercial é interrompida "aproximadamente após 5 ou 6 dias" por adição de álcool vínico.

O estágio, em cascos antigos, de carvalho americano, guardados em armazéns com dois ou três andares: os vinhos novos são colocados no topo, mais quente, e descidos, gradualmente, à medida que envelhecem, num processo oxidativo dito "Canteiro".

Sem data de engarrafamento.

No nariz, transformação e oxidação. Frutos secos, amêndoas. Alguma complexidade.

Paladar de intensidade mediana, sem doçura. Redondo, apesar da acidez. Um pouco como um Amontillado, mais ácido e menos amplo.

No rótulo, dizem que vai bem com amêndoas salgadas, chouriço picante e pimentos "piquillo" — eu gostei muito com ananás e líchias.

12€.

16

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Morgado de Sta. Catherina — Reserva '2013

Cor palha. Manteve o perfil do 2012 — sobre pêssego e pêra, ou melhor, generalizando, frutos de caroço, baunilha e tostados, barrica — talvez um pouco mais pesado, mais outonal que ele.

É gordito, vacalhufo, mas possui frescura suficiente e um fim de boca muito bom.

O tempo no copo trouxe-lhe marmelada e caramelos de fruta — engraçado como me fez lembrar aqueles caramelos de limão "Penha" que em miúdo recebia quando me portava bem na escola.

Engarrafado em Abril de 2015, após 10 meses em madeira, é um monocasta Arinto dos solos calcários da Quinta da Romeira, que foi adquirida pela Wine Ventures à Companhia das Quintas em 2013.

O contra-rótulo contém uma nota de prova algo barroca. A respeito destas, observa Jennifer Rosen, no seu livro "Waiter, There's a Horse in My Wine", serem "one part winemaker's ego to two parts PR copywriter's fantasy" e que "any resemblance to the wine inside, living or dead, is purely coincidental." Mas aqui, não. Removido o floreado, pareceu-me honesta. Engraçado.

Foi o vinho da noite do jantar dos meus 12 anos com a S.

10€.

16,5

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Vinha Grande '2015 (Branco)

Por outro lado, há vinhos/momentos fecundos em observações.

Como este, a ligar muitíssimo bem com uma variação vegetariana do clássico chicken tikka masala em que, entre outras alterações, a galinha é substituída por grão de bico.

Fresco, traz consigo um conjunto de aromas amplo e agradável, com alguma contenção no nariz e força considerável na boca.

Tal como o entendo agora, será a barrica o seu traço característico maior, pelo leque de especiarias que coloca sobre o núcleo limonado, sem assoberbar.

Apesar de rico e bem dimensionado, permanece afastado do exagero. A acidez não fere, o corpo não pesa, as flores não enjoam. E termina com um belo toque salino.

Pouco diferente no dia seguinte — mais cheiro a banana. Jovem de tipo firme, deverá viver em garrafa mais uns anos.

A ficha que o produtor oferece online di-lo composto por 40% de Viosinho, 30% de Arinto, 10% de Gouveio, 10% de Códega e 10% de Rabigato.

Uvas da Quinta do Sairrão, adquirida  em 2006 pela Sogrape, que já era proprietária da A.A. Ferreira SA, com as marcas Ferreira para vinhos Porto e Casa Ferreirinha para vinhos Douro.

Nas palavras de Mark Squires, "Sogrape is Portugal's 800 pound gorilla, a huge company that has holdings throughout the country".

Fermentou primeiro em inox e depois em barricas, onde estagiou 8 meses antes de engarrafado. É o primeiro branco da Casa Ferreirinha.

8€.

17